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Julgamento com justiça, sabedoria e misericórdiaA Sentinela — 1977 | 1.° de setembro
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Julgamento com justiça, sabedoria e misericórdia
Recomenda-se que o leitor examine este artigo antes de estudar os dois artigos que seguem.
O JULGAMENTO é algo em que nós, humanos, muitas vezes cometemos enganos. Isto se deve basicamente ás nossas imperfeições. Já lhe aconteceu que alguém julgou mal a sua motivação ou o condenou à base de informação errada? Achou que se lhe negou a misericórdia? Por outro lado, não aconteceu às vezes que seu próprio julgamento foi unilateral, por não considerar com imparcialidade todos os fatos, no que se referia aos outros? Foi igualmente remisso em ser misericordioso? A honestidade nos obriga a admitir quão falhos todos nós somos neste respeito.
Para se fazer um julgamento com justiça, sabedoria e misericórdia, precisa-se observar uma norma mais elevada do que qualquer estabelecida pelos homens. Esta norma é provida por Deus. Não só devemos interessar-nos nesta norma, mas devemos ser guiados por ela. Por quê? Porque Jeová Deus, o “Juiz de todos”, a usará quando tivermos de comparecer perante seu tribunal. (Heb. 12:23; Rom. 14:10) Portanto, não devíamos ser governados por aquilo que ele diz sobre o que é direito? Este seria o proceder amoroso e sábio a adotar. Quaisquer ações ou decisões da nossa parte só serão de benefício duradouro se formos influenciados pela maneira em que Deus encara o julgamento de assuntos.
Onde se pode encontrar hoje um julgamento coerente com as normas justas de Deus? Admite-se que ainda há alguns, nas camadas sociais comuns ou oficiais, que são capazes de fazer julgamentos imparciais. No entanto, os que hoje conhecem a Palavra de Deus e os fatos estão convencidos de que este mundo, como um todo, não é governado por normas justas. Jaz no poder do iníquo; sim é desencaminhado por ele. (1 João 5:19; Rev. 12:9) Isto inclui Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, que a Bíblia descreve como mulher impura. (Rev. 17:3-5; 18:2-4) Os do povo de Deus, que saíram dela, são gratos de que não mais são vítimas do julgamento deturpado dela, em questões de fé e moral. Confiam no arranjo que Jeová Deus restabeleceu na verdadeira congregação cristã, em que anciãos fiéis, designados, desempenham funções judicativas, assim como predito em Isaías 1:26: “E vou novamente trazer de volta juízes para ti, como no princípio, e conselheiros para ti, como no início. Depois serás chamada Cidade de Justiça, Vila Fiel.”
Na história do antigo povo de Deus, os juízes foram pela primeira vez designados em grande escala pouco depois de Israel sair do Egito, em 1513 A. E. C. Ao tentar manejar todos os casos que exigiam decisões ao verdadeiro Deus, segundo as suas leis, Moisés ficou em perigo de se esgotar. Seu sogro, Jetro, aconselhou que parte da responsabilidade fosse dividida, a fim de que se pudesse dar atenção melhor à multidão que estava sendo guiada no ermo. Escolheram-se milhares de homens capacitados, para ajudar Moisés. Eles deviam cuidar dos problemas ou das questões comuns que surgissem . Moisés continuaria a ter a responsabilidade primária de familiarizar o povo com a lei e os regulamentos de Deus, e de divulgar-lhes o modo em que deviam andar e o trabalho que deviam fazer. Recomendou-se um arranjo bem ordeiro: “Mas tu mesmo deves selecionar dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, homens fidedignos, que odeiem o lucro injusto; e tens de pô-los sobre eles como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez. E eles têm de julgar o povo em toda ocasião propícia; e tem de dar-se que toda causa grande trarão a ti, mas toda causa pequena resolverão eles mesmos como juízes. Portanto, faze-o mais leve para ti, e eles têm de levar o fardo contigo. Se fizeres esta coisa, e Deus te tiver mandado isso, então poderás certamente suportá-lo, e, além disso, todo este povo irá ao seu próprio lugar em paz.” — Êxo. 18:13-23.
Mais tarde, depois de se terem estabelecido na terra de Canaã, Jeová suscitou juízes, não só para ouvir casos de violações da lei, mas para livrar seu povo das mãos de opressores. (Juí. 2:18) Estes juízes foram designados como líderes e ajudaram também o povo a conhecer e a aplicar a lei de Deus. Incluíam homens tais como Gideão, Baraque, Sansão, Jefté e Samuel, que realizaram notáveis façanhas e também “puseram em execução a justiça”, segundo o registro de Hebreus 11:32, 33. Outros juízes, no antigo Israel, que serviram como anciãos na comunidade, não só trataram de casos judiciais, mas também compartilharam nos deveres administrativos. — 1 Crô. 26:29; 2 Crô. 19:4-7.
Até mesmo dos reis de Israel se exigia que lessem o livro da lei, aprendendo a temer a Jeová e a observar a sua palavra. (Deu. 17:19, 20) Requeria-se deles julgar concordemente os assuntos, se quisessem prosperar e ter o favor de Deus.
ANCIÃOS COMO JUÍZES, HOJE
Que arranjo vigora hoje para se julgarem os assuntos entre o povo de Deus? Jeová tem suscitado anciãos, que estão em condições de servir quais juízes e conselheiros. Estes homens precisam satisfazer os requisitos divinos, especificados em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9. Sua responsabilidade não envolve apenas tratar de assuntos judicativos. Eles também ensinam e esclarecem o que Jeová requer, exortando à prestação de serviço a Deus, de toda a alma, e à fiel obediência dos princípios justos dele. — Col. 3:23; 1 Tes. 5:21; 1 Ped. 1:22.
Qual é nosso conceito sobre este arranjo, encontrado na congregação local com a qual talvez nos associemos? Não queremos ser iguais a alguns da congregação coríntia, no primeiro século, que instauraram processos uns contra os outros, perante incrédulos. O apóstolo Paulo repreendeu-os, dizendo: “Falo para induzir-vos à vergonha. É verdade que não há nem um só homem sábio entre vós, que possa julgar entre seus irmãos, mas irmão vai a juízo é contra irmão, e isso perante incrédulos?” (1 Cor. 6:5, 6) Por recorrerem a tribunais mundanos para resolver questões que podiam ter sido tratadas dentro da congregação cristã, sofreram revés ou derrota espiritual. Nenhum de nós quer ser envergonhado ou lamentar não ter encarado corretamente o arranjo de julgamento atual, em harmonia com o procedimento bíblico. Antes, devemos sentir-nos induzidos a expressar de coração o apreço por estas provisões teocráticas. Por acatarmos o conselho e o bom julgamento procedentes daqueles que ‘nos falam a palavra de Deus’, demonstramos nosso desejo de cooperar de perto com a classe do “escravo fiel e discreto”, em sujeição a Cristo. — Heb. 13:7, 17; Efé. 5:24; Mat. 24:45-47.
Sendo que se manifestam agora os julgamentos de Jeová, aprendemos a apreciar as elevadas normas pelas quais temos de viver. Somos ajudados a decidir corretamente questões pessoais, bem como congregacionais, embora ainda sejamos imperfeitos. Achegamo-nos mais a Jeová e obtemos um antegosto de sua nova ordem justa. Na expectativa daquele tempo glorioso, podemos dizer confiantemente a Jeová: “Quando há julgamentos teus para a terra, os habitantes do solo produtivo certamente aprenderão à justiça.” — Isa. 26:9.
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Qualidades certas, necessárias para julgarA Sentinela — 1977 | 1.° de setembro
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Qualidades certas, necessárias para julgar
“Quando houver uma audiência entre os vossos irmãos, tendes de julgar com justiça entre o homem e seu irmão ou seu residente forasteiro.” — Deu. 1:16.
1. O que se destaca nos requisitos para um julgamento, expressos por Moisés em Deuteronômio 1:16, 17?
JULGAR questões que afetam a vida e as relações das pessoas é uma responsabilidade séria. Na congregação cristã, especialmente os anciãos devem examinar como se desincumbem desta responsabilidade. Quando se dá conselho ou fazem decisões, uma coisa é expressar uma opinião, mas é algo bem diferente julgar em justiça. A fim de observarem a norma de Deus para o julgamento, os anciãos devem lembrar-se do que Moisés ordenou aos juízes, nos seus dias: “Quando houver uma audiência entre os vossos irmãos, tendes de julgar com justiça entre o homem e seu irmão ou seu residente forasteiro. Não deveis ser parciais no julgamento. Deveis ouvir o pequeno do mesmo modo como o grande. Não deveis ficar amedrontados por casa dum homem, pois o julgamento pertence a Deus.” (Deu. 1:16, 17) Quer o caso envolva alguém aparentemente grande, por causa de seus bens materiais, de sua formação educativa ou de suas grandes realizações para o seu crédito, quer envolva alguém de “poucos meios”, neste sentido, os anciãos precisam ser imparciais. Devem ter por alvo fazer o que é correto, não aos seus próprios olhos, mas segundo o modo em que Deus encara os assuntos. (Pro. 21:2, 3) O julgamento pertencerá assim realmente a Jeová, conforme expresso por meio de sua Palavra e de seu canal terrestre.
2. Por que é a sabedoria essencial no julgamento, e o que resulta disso?
2 Os anciãos não podem decidir corretamente os assuntos à base dum conhecimento limitado. Precisam conhecer o quadro total ao ouvirem um assunto. Para poderem isolar os pontos principais e ver como o problema se desenvolveu, ou por que se fez determinada coisa, os anciãos precisam fazer perguntas pertinentes e discretas. Os envolvidos num caso devem cooperar com eles, fornecendo-lhes todos os fatos, em vez de apenas a apresentação parcial daquilo que sabem. Isto habilitará os anciãos a relacionar a lei bíblica com as questões suscitadas ou com as acusações consideradas. Salomão pediu sabedoria para se desincumbir da responsabilidade lançada sobre ele. (1 Reis 3:9, 12) Os anciãos também precisam da sabedoria celestial para fazer a devida aplicação do que a Palavra de Deus diz a respeito das situações de que precisam tratar. Isto resulta na produção de frutos justos dentro da congregação. — Tia. 3:17, 18.
3, 4. (a) De que modo devem os anciãos imitar a Jeová em ter misericórdia? (b) Quem mais, além dos transgressores, devem receber misericórdia de modo positivo?
3 Outra qualidade que os anciãos precisam exercer em questões de julgamento é a misericórdia. (Tia. 2:13) Devem imitar a Jeová, sobre quem o salmista escreveu: “Assim como o pai é misericordioso para com os seus filhos, Jeová tem sido misericordioso para com os que o temem.” (Sal. 103:13) Quando Israel se desviou, como respondeu Jeová à atitude correta do coração deles, em buscarem seu favor? Expressou compaixão, não apenas dum modo negativo, para abrandar seu julgamento, mas dum modo positivo, para cobrir as transgressões. Sua indignação foi momentânea, em comparação com a extensão duradoura de suas misericórdias. (Isa. 54:7, 8) Quanto aos que estavam em desvantagem, o escritor inspirado louva a Jeová como alguém que “guarda os residentes forasteiros; alivia o menino órfão de pai e a viúva”. — Sal. 146:9.
4 Do mesmo modo, os anciãos devem trazer alívio, não só aos transgressores arrependidos, mas a todos os desfavorecidos. Temos no nosso meio doentes, aleijados, idosos, tímidos e pobres. (Tia. 1:27) De modo que os anciãos precisam praticar a misericórdia não só por serem circunspetos em questões judicativas, onde se manifesta arrependimento, mas também por expressarem bondosa consideração e piedade para com todos os necessitados, quer por estes terem caído numa transgressão, quer por terem fraqueza espiritual ou por serem fisicamente desfavorecidos.
O EXERCÍCIO DAS QUALIDADES PIEDOSAS NO JULGAMENTO
5. (a) Como são as pessoas afetadas pelo devido elogio? (b) Como podem os anciãos lidar com tendências desfavoráveis, e por que nos devemos preocupar com a moderação em todas as coisas?
5 Os anciãos, nos seus tratos cotidianos com os irmãos, devem procurar o que há de bom neles, notar seu progresso e estar prontos para elogiá-los. Isto estimula o desejo de se saírem ainda melhor. Em questões de gostos pessoais, não devem tentar impor suas próprias idéias aos outros. Quando não há princípios bíblicos específicos, reconhecem que há margem para diversidade de gostos e aversões. Isto se dá no campo da recreação, em nossos hábitos de comer e beber, e em como se vestir e como usar o cabelo. Quando observam tendências, em vez de contraporem regras rígidas a algo que não é desejável, os anciãos perspicazes devem ser construtivos, incentivando o que é desejável. Naturalmente, quando alguns não mais são moderados, mas vão a extremos ou começam a violar a Palavra de Deus, então é preciso dizer ou fazer algo para ajudá-los. — Rom. 14:19-23; Tito 2:2-5.
6. (a) Pare fazermos decisões corretas com respeito ao modo de nos vestirmos e arrumarmos, que princípios bíblicos devemos considerar? (b) Tendo em mente os pontos apresentados nos Provérbios inspirados, devemos procurar achar favor aos olhos de quem, e como podemos fazer isso?
6 Por exemplo, tome a questão do vestuário. Embora a Sentinela de vez em quando tenha comentado este assunto, alguns têm dificuldade em avaliar os princípios bíblicos envolvidos. Ou procuram meios para esquivar-se deles, torcendo alguma declaração fora de proporção, para aplicá-la a determinadas situações. Pela consideração das questões básicas e pelo raciocínio sobre o assunto, seu modo de pensar pode ser reajustado. É a roupa esmerada e limpa? É bem arrumada e modesta, própria para os que reverenciam a Deus? Enfatiza-se a vestimenta dum espírito quieto e brando ou recebe a exagerada aparência física a maior parte da atenção? (1 Tim. 2:9, 10; 1 Ped. 3:3-5) Será que aquilo que se usa causará um efeito desagradável nos outros? Detrai da dignidade da ocasião, especialmente se for num lugar de adoração? (2 Cor. 6:3, 4) Que responsabilidade recai sobre o pai ou o marido, que exerce a chefia na família, (Col. 3:18-21) Se aquilo que se usa cria questões ou lança reflexos desfavoráveis sobre a congregação, que proceder se recomenda na Bíblia’ (1 Cor. 10:31-33) É a pessoa bastante humilde para reprimir suas próprias preferências, a fim de evitar ofender a consciência sensível de outros? (Rom. 14:21) Pela consideração de tais perguntas e dos princípios envolvidos, os anciãos podem dar ênfase na Palavra de Deus, em vez de se deixarem pressionar para estabelecer regras. Incentivarão o que é certo aos olhos de Deus, ajudando as pessoas a tomarem uma decisão baseada na Bíblia, em vez de se estribarem no seu próprio entendimento ou se deixarem levar pelos sentimentos. — Pro. 3:5-7; 12:15; 16:2.
7. (a) Quando alguém comete transgressões menores que proceder pode adotar? (b) O que dizem as Escrituras ao mostrarem a única maneira de se obter perdão?
7 Às vezes, as pessoas erram, cometendo transgressões menores. Não é um requisito dirigir-se aos anciãos por causa de cada pequena ofensa, a fim de ‘se endireitar novamente com Deus’. O que se deve fazer, por exemplo, quando se usou de linguagem desabonadora contra alguém, num caso isolado, Ou alguém talvez ocasionalmente tenha perdido a paciência. Pode ter havido um atrito com um irmão, resultando disso uma ligeira altercação, que logo depois foi lamentada. Tais incidentes poderiam ser mencionados a um ancião, se alguém quiser fazer isso. Lembre-se, porém, de que os anciãos não são ‘padres confessores’, aos quais se precisa ir com cada pequena infração de algum princípio. O ancião a quem alguém se chega com tais coisas fará empenho para ajudar. Mas o conselho que ele lhe der, por si só não lhe endireitará o assunto. O perdão é obtido por se ir diretamente a Jeová em oração, confessando o erro, arrependendo-se e abandonando o proceder errado. — 1 João 1:9; Heb. 4:14-16.
8. Se alguém se sente condenado no coração, por ter cometido pecados, como lhe podem ajudar os anciãos caso se dirija a eles?
8 Por outro lado, os irmãos que se sentem espiritualmente perturbados por causa de algum problema devem sentir-se à vontade para se dirigir aos anciãos. Quando se cometeram pecados sérios, isto evidencia alguma fraqueza que precisa ser corrigida. É possível que alguém chegue ao ponto em que suas próprias orações parecem estar impedidas ou não ter eficácia; pode sentir-se condenado no coração, perdendo a confiança e a franqueza no falar. (1 João 5:14; 4:17, 18) Em tais casos, exorta-se a que ele se dirija aos anciãos, confesse seus pecados e tire proveito do conselho e das orações deles. — Tia. 5:14-16.
9. Como se pode lidar biblicamente com aqueles que talvez se tornem causa de aborrecimento?
9 Alguns casos exigem longanimidade e circunspeção por parte dos anciãos. A imperfeição arraigou-se profundamente na família humana. Ela pode acentuar-se mais nas ações de alguns que dizem ou fazem coisas que aborrecem. Sem se aperceber disso, alguém pode tornar-se “importuno”, por repetidas vezes ir aos anciãos sobre um aborrecimento particular ou mal imaginário. Outros talvez sejam críticos demais dos anciãos e de como fazem as coisas. Como deve reagir o ancião? Ele pode seguir o conselho de Paulo, em 2 Timóteo 2:24, 25, de que “precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, restringindo-se sob o mal”, e também de que deve estar “instruindo com brandura os que não estiverem favoravelmente dispostos”, ao lidar com os assuntos e ao corrigi-los.
10. Quando a ignorância é um fator ou quando alguém foi vencido num momento de fraqueza, como podem os anciãos mostrar sabedoria e misericórdia?
10 Não é sábio imputar precipitadamente má motivação às pessoas. Algumas transgressões são cometidas em ignorância. Caso seja assim, o errante apreciará a misericórdia. Paulo, que cometera transgressão em ignorância, antes de sua conversão, foi grato pela misericórdia que se teve com ele. (1 Tim. 1:12-15) Depois de se tornarem servos dedicados de Deus, o que se dá se alguns derem um passo em falso, antes de se aperceberem disso? Nestes casos, os anciãos têm a responsabilidade de aconselhar e de se esforçar a reajustar esses errantes de maneira misericordiosa. — Gál. 6:1.
TRATAR DE OFENSAS MAIS SÉRIAS
11. Quais são algumas ofensas sérias que talvez exijam uma audiência judicativa, e como costumam chegar à atenção dos anciãos?
11 Os casos de transgressão séria exigem a atenção dos anciãos, para determinarem o que é preciso fazer para preservar a saúde espiritual de todos. Esses casos incluiriam os pecados que o apóstolo Paulo mencionou em 1 Coríntios 6:9, 10, e Gálatas 5:19-21, os quais alguém cometeu depois do batismo. Quem cometeu uma grave violação da lei de Deus talvez se apresente para confessar o seu pecado. Ou pode acontecer que se lance contra um membro da congregação uma acusação séria. Em tais casos, os anciãos que servem em cargo judicativo precisam examinar cuidadosamente o assunto, sabendo que certos fatores podem diferenciar uma situação da outra. Em vez de procurarem regras rígidas para sua orientação, precisam pensar em termos de princípios e julgar cada caso pelos seus próprios méritos.
12. Ao julgar um assunto em justiça, quais são algumas das coisas que a comissão judicativa fará?
12 Sabendo o que as normas justas de Deus exigem, a comissão judicativa tem a obrigação de apurar todos os fatos, antes de fazer uma decisão. (Pro. 18:13) Se o transgressor, ou o acusado, não fizer abertamente uma confissão duma ofensa séria, então é preciso ouvir testemunhas, para verificar se o assunto é verdadeiro ou não. (Deu. 19:15; 1 Tim. 5:19) Os anciãos examinam também as circunstâncias que envolvem o caso. Desconsiderou-se conselho anterior? Indica a evidência que o ato foi deliberado ou que está envolvida uma prática do pecado? Esses fatores influenciam o modo em que se trata do assunto. Por considerarem com oração todos os fatos e circunstâncias, ponderando a lei de Deus, os anciãos usualmente podem chegar a uma firme decisão.
13. (a) Que objetivo devem ter os esforços da comissão judicativa, e como indica Mateus 18:17 que a reação do transgressor influencia o resultado, no seu caso? (b) Por que é às vezes necessária a desassociação?
13 Mesmo que o transgressor seja culpado duma ofensa séria, os anciãos reconhecem que o objetivo deles é ajudar aquele que caiu no proceder errado, sempre que possível. Se ele ‘os escutar’, mostrando verdadeiro arrependimento, poderá resultar disso que ele é ‘ganho’ como irmão e assim é poupado à desassociação. (Mat. 18:15-17) De outro modo, não poderão continuar a lidar com ele em misericórdia, porque isto revelaria desconsideração da norma de justiça e santidade de Deus. Se se permitisse que um transgressor impenitente permanecesse no meio do povo de Deus, exerceria má influência sobre o espírito da congregação. (1 Cor. 5:3-6) Em tais casos, a ação da desassociação elimina o vitupério e mantém a pureza da congregação cristã.
14. Por que é às vezes sábio consultar outros anciãos qualificados, conforme é apoiado por Provérbios 13:10?
14 Pode haver ocasiões, porém, quando os aspectos de certo caso exigem esclarecimento. Em vez de se tomar apressadamente uma decisão, o que se pode fazer para garantir uma decisão justa? Consultar outros anciãos qualificados da congregação poderá ajudar a se chegar a uma conclusão válida, especialmente se os anciãos que lidam com o problema forem menos experientes. (Pro. 13:10) Se um assunto ainda não puder ser resolvido, pode-se pedir que outros anciãos experientes, na região, ou o superintendente viajante, se estiver de visita, ajudem com as suas observações. Pode ser que esses já tenham lidado com um problema similar e possam contribuir com um conselho valioso.
15. Por que estão antigos desassociados agora de volta em boa situação com o povo de Jeová, em harmonia com os textos citados neste parágrafo?
15 Muitos daqueles que antes foram desassociados estão agora em boa situação com o povo de Jeová. Sendo errantes que se arrependeram, receberam misericórdia, endireitaram sua vida e retornaram a Jeová. (Isa. 55:7) A bênção de Deus tem sido evidente no caso daqueles que aceitaram a ação de Jeová com coração humilde. É possível que mais outros, que agora estão desassociados por causa da ação judicativa da congregação, já tenham caído em si e anseiem retornar a Jeová. — Luc. 15:17, 18.
16. Que procura saber a comissão judicativa, quando desassociados buscam ser readmitidos, tendo em mente que perguntas ?
16 No exame de pedidos de readmissão, os anciãos precisam ser equilibrados. Não é só uma questão de aceitar a pessoa de volta, só porque ela o pede. Precisa haver uma base bíblica para readmitir alguém que fez o que é errado e que lançou vitupério sobre o nome de Jeová e a congregação. Portanto, antes de chegarem a uma decisão, os anciãos precisam determinar se o transgressor está realmente arrependido. Produziu obras próprias do arrependimento? (Atos 26:20) É evidente que isto significa mais do que apenas palavras. Precisa haver evidência de atos. Como se tem comportado? Por quanto tempo? O que mostra agora sua atitude de coração? Tem estudado diligentemente a Palavra de Deus e se esforçado a aplicá-la em corrigir seu modo de vida? (Jer. 10:23, 24) Reconhece realmente que seu erro foi contra Jeová? Fez mudanças notáveis para melhor, mostrando que foi induzido a isso pela tristeza piedosa e não só por lamentar ter sido descoberto? Estas são as perguntas que os anciãos têm em mente quando falam com a pessoa. Estão assim em condições muito melhores para decidir se há motivo para uma readmissão nesta época, ou não.
17. (a) Como podem os anciãos agir, a fim de julgar de modo justo, sábio e misericordioso? (b) Com que beneficio para eles mesmos?
17 Em alguns casos, pode ter havido alguns testemunhos contraditórios, quando se ouviram originalmente as acusações contra a pessoa. Os anciãos terão de ter cuidado em não ir a extremos, tentando extrair uma admissão de pecados, ponto por ponto, quando estes talvez não tenham sido claramente provados. Devem considerar o esquema geral, se a pessoa está arrependida da transgressão de que realmente era culpada e para a qual existia evidência clara. Quando estavam envolvidas transações comerciais ou ainda há dívidas a pagar, talvez não seja necessário insistir numa restituição, como base prévia para a readmissão, em cada caso, como, por exemplo, quando houve certa medida de fraude. Se todos os anciãos concordarem, porém, poderão ajudar em fixar o que for razoável para se realizar o pagamento. Bom juízo e um senso de justiça precisam ser sabiamente equilibrados com a misericórdia. (Tia. 2:13) Os anciãos poderão assim esperar que haja misericórdia com eles, se forem julgados numa ocasião futura.
BENEFÍCIOS ATUAIS E FUTUROS
18. Que podemos todos nos fazer para acatar a norma de justiça de Deus, e de que benefício será isso para nós agora, e no futuro?
18 Todos nós temos bons motivos para agradecer o arranjo que Jeová restabeleceu entre seu povo, nestes últimos dias. Os anciãos, como juízes e conselheiros, têm a responsabilidade de nos ajudar a nos harmonizarmos com a norma divina de justiça. Nós, da nossa parte, temos a obrigação de mostrar o devido respeito pelos que julgam com qualidades piedosas. Qual é a melhor maneira de fazermos isso? Pela nossa pronta aceitação do conselho bíblico e pela submissão voluntária à ordem teocrática. (Heb. 13:17) Isto resulta agora em nossa proteção e bem-estar espirituais, no meio dum mundo contrário à lei. Demonstra também nosso sincero desejo de estarmos à altura daquilo que Deus exige, ao buscarmos a aprovação divina e nos prepararmos para a vida na Nova Ordem.
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