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Está de bem com Deus?A Sentinela — 1985 | 1.° de dezembro
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Está de bem com Deus?
MUITOS não vêem importância nessa pergunta. No seu conceito, é mais importante estar de bem consigo mesmo. ‘Faça o que bem entende’ é hoje um preceito popular. ‘Não se sinta culpado’ é outro.
Não se trata apenas do conceito de alguns jovens imbuídos da filosofia de vida do ‘primeiro eu’. Por exemplo, na França, onde 82 por cento da população são católicos batizados, uma enquête realizada em 1983 revelou que apenas 4 por cento das pessoas aceitam a idéia do pecado. Quanto aos Estados Unidos, vários anos atrás o Dr. Karl Menninger, considerado o “pai da psiquiatria estadunidense”, sentiu-se induzido a escrever um livro inteiro sobre o tema: Que Fim Levou o Pecado? Nele escreveu: “Como nação, oficialmente já deixamos de ‘pecar’ há uns vinte anos.” A capa do livro dizia: “A palavra ‘pecado’ que desapareceu de nosso vocabulário.”
Deveras, o conceito sobre o pecado é hoje tão obscuro que muitos, mesmo os que afirmam ser cristãos, teriam dificuldade em explicar o que realmente é pecado.
Receios Modernos
Apesar dessa desvalorização da noção do pecado, diversos acontecimentos recentes no cenário mundial deixaram as pessoas pensativas. Um destes é o grande número de abortos em muitos dos países mais desenvolvidos do mundo. Alguns deles, embora predominantemente “cristãos”, têm leis bem liberais sobre o aborto. Esse excesso de assassinatos fetais produziu reações que pessoas que rejeitam o conceito do pecado devem achar difícil de explicar.
Ora, por exemplo, deviam mulheres, cuja filosofia de vida lhes permite fazer um aborto, ter depois sentimentos de culpa e até mesmo a ponto de ficarem psicologicamente enfermas? Contudo, “estudos revelam que uma elevada proporção de mulheres que se submetem ao aborto tornam-se desajustadas”, mesmo na Iugoslávia comunista. (The New Encyclopœdia Britannica) O Professor Henri Baruk, membro da Academia Francesa de Medicina, explica esse fenômeno como decorrente da violação de “um princípio fundamental inscrito no coração de todas as pessoas”. Inscrito por quem?
Outro fenômeno recente que tem feito as pessoas pensar é a propagação em escala mundial das doenças transmitidas por contato sexual. A AIDS (Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida), com seu elevado índice de mortalidade, desencadeou uma onda de dúvidas e angústia entre muitos a quem o sexo promíscuo supostamente produziu a libertação de antiquados tabus. O alto preço que muitos estão pagando por sua “liberdade” sexual está fazendo com que alguns se perguntem se afinal de contas eles não estão sendo punidos. Punidos por quem?
Tais lembretes modernos de que o homem não pode desconsiderar os princípios de moral sem sofrer punição estão fazendo com que algumas pessoas de reflexão reavaliem suas opiniões quanto ao pecado e quanto à responsabilidade perante Deus.
As Igrejas e o Pecado
“O pecado deste século é a perda de todo o senso de pecado.” O Papa Pio XII fez tal declaração vigorosa já em 1946. Obviamente, a situação piorou desde então. Em seu recente documento sobre o pecado e a confissão, chamado “Reconciliação e Penitência”, o Papa João Paulo II citou essas palavras de seu predecessor e deplorou o que chamou de eclipse do conceito sobre o pecado na atual sociedade secularizada.
O papa também lembrou aos sacerdotes católicos e aos católicos em geral que a confissão e o perdão coletivos, conforme praticados em muitas igrejas católicas hoje, não são bons o bastante. Disse que a confissão individual é “o único modo costumeiro e normal” de guardar o sacramento da penitência. No dogma católico, a penitência está associada com boas obras para reconciliar o pecador com Deus.
A maioria das igrejas protestantes negam a necessidade duma confissão em particular a um sacerdote. Sustentam que a confissão a Deus é suficiente para o perdão de pecados, mas alguns apóiam a confissão e o perdão coletivos na “Comunhão”. Muitos protestantes crêem que, para ser justificado perante Deus, é necessário apenas fé.
Tais doutrinas conflitantes entre as religiões chamadas cristãs sobre o tema da confissão, penitência e justificação, ou sobre como obter uma condição correta perante Deus, deixam muitas pessoas perplexas. Têm um vago sentimento de que deviam fazer algo para ficarem de bem com Deus, mas não sabem como fazê-lo.
O próximo artigo explicará por que precisamos ficar de bem com Deus e examinará os pontos de vista católico e protestante sobre a “justificação”. Outros dois artigos explicarão o que a Bíblia ensina sobre a questão de se obter uma condição justa perante Deus e sobre como isto afeta a sua pessoa.
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Justiça perante Deus — como?A Sentinela — 1985 | 1.° de dezembro
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Justiça perante Deus — como?
“DEUS, el’ diz que ‘stou bem.” Essa é, pelo visto, a forma em que a “justificação” tem sido apresentada numa recente versão em pidgin da Nova Guiné do “Novo Testamento”. Por mais estranho que possa parecer, isso expressa realmente a idéia básica por trás da palavra traduzida em muitas Bíblia como “justificação” ou ‘declaração de justiça’, conforme expresso em Romanos 5:16.
Por outro lado, alguns dizem: ‘Levo uma vida decente. Quando posso, faço o bem aos outros. Estou preparado para encontrar meu Criador.’ Pelo visto, entendem justificação como significando autojustificação. De acordo com a Bíblia, a doutrina da “justificação” relaciona-se com a forma como Deus nos considera e com o modo em que ele lida conosco. Jeová é “o Criador”. (Isaías 40:28) Ele é “o Juiz de toda a terra”. (Gênesis 18:25) Portanto, nada poderia ser mais importante do que o modo como ele nos considera.
Por Que Precisamos Ficar de Bem com Deus
A Bíblia diz o seguinte sobre Jeová: “A Rocha, perfeita é a sua atuação, pois todos os seus caminhos são justiça. Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele.” (Deuteronômio 32:4) Ele é a personificação da justiça. Na qualidade de Criador e Dador da Vida, ele tem o direito de estabelecer o padrão, ou a norma, para se determinar o que é certo e o que é errado. É justo aquilo que estiver em harmonia com a norma de Deus.
Dessa forma, Deus estabelece o alvo que suas criaturas inteligentes devem atingir se desejarem viver em harmonia com o Criador. Errar esse alvo, ou norma, é o que as línguas originais em que a Bíblia foi escrita chamam de pecado. Pecado é, portanto, injustiça. É deixar de se harmonizar com o que Deus define como certo e errado. Por conseguinte, o pecado é também uma forma de anarquia, uma forma de violação da lei. — 1 João 5:17; 3:4.
Jeová “não é Deus de desordem, mas de paz. (1 Coríntios 14:33) No início, todas as Suas criaturas no céu e na terra eram perfeitas. Foram dotadas de livre-arbítrio. (2 Coríntios 3:17) Desfrutavam da “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. (Romanos 8:21) Enquanto Suas normas justas eram respeitadas, a paz e a ordem prevaleciam em todo o universo. A anarquia penetrou no universo, primeiro no céu e mais tarde na terra, quando certas criaturas tornaram-se violadores da lei perante Deus, rejeitando Seu direito de governá-las. Desviaram-se da norma de Deus quanto ao que é certo e o que é errado. Erraram o alvo e fizeram de si mesmas pecadores.
Este foi o caso de nossos primeiros pais, Adão e Eva. (Gênesis 3:1-6] “É por isso que . . . o pecado entrou no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Romanos 5:12) Desde a sua rebelião, o pecado tem ‘reinado com a morte’, porque todos os descendentes de Adão ‘pecaram e não atingem” a norma justa de Deus. (Romanos 5:21; 3:23) Daí, então, a necessidade de ficarmos de bem com Deus.
O Conceito Católico Sobre a “Justificação”
Esta necessidade de reconciliação com Deus é reconhecida por todas as religiões que afirmam ser cristãs. Entretanto, o entendimento sobre a forma de consegui-la e sobre a condição do cristão perante Deus difere nas doutrinas católica e protestante.
Quanto ao dogma católico, A Enciclopédia Católica, em inglês, declara: “A justificação denota aquela mudança ou transformação na alma pela qual o homem é transferido do estado do pecado original, em que ele nasceu qual filho de Adão, para o de graça e filiação Divina mediante Jesus Cristo, o segundo Adão.” O Dicionário Católico, em inglês, explica adicionalmente: “Confinamo-nos aqui ao processo pelo qual adultos são elevados duma condição de morte e pecado à de favor e amizade de Deus; pois, com respeito às criancinhas, a Igreja ensina que são justificadas pelo batismo sem nenhum ato de sua própria parte.”
Dito em poucas palavras, a Igreja Católica ensina que a “justificação” é um ato de Deus no qual a pessoa batizada na fé católica é realmente tornada justa e santificada pelo dom da “graça” divina. Afirma também que tal justificação pode ser (1) aumentada pelo mérito pessoal, ou boas obras; (2) perdida pelo pecado mortal e pela descrença; (3) recuperada pelo sacramento da penitência. Dentro deste arranjo, o católico justificado precisa confessar seus pecados a um sacerdote e receber a absolvição. Qualquer “punição temporária” ainda devida após a absolvição pode ser remitida por boas obras ou cancelada por meio duma “indulgência”.a
O Conceito Protestante
A venda abusiva de indulgências em princípios do século 16 desencadeou a Reforma protestante. O monge católico Martinho Lutero atacou esta prática nas 95 teses que afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg, Alemanha, em 1517. Mas, na realidade, a discórdia de Lutero com o dogma católico oficial ia mais longe ainda. Abrangia a inteira doutrina da igreja sobre a justificação. Confirmando isso, o Dicionário Católico declara: “A diferença de crença quanto à forma em que os pecadores são justificados perante Deus formou o principal assunto de controvérsia entre católicos e protestantes no período da Reforma. ‘Se esta doutrina’ (i.e. a doutrina da justificação somente pela fé ‘fracassar’, afirma Lutero em sua Conversa de Mesa, ‘está tudo acabado para nós’.”
O que exatamente queria Lutero dizer com ‘justificação somente pela fé’? Qual católico, Lutero aprendera que a justificação do homem envolve batismo, mérito pessoal e boas obras, bem como o sacramento da penitência administrado por um sacerdote, que ouve a confissão, concede absolvição e impõe obras compensatórias que podem abranger a autopunição.
Nos seus empenhos para encontrar a paz com Deus, Lutero empregara todos os recursos do dogma romano para a justificação, inclusive jejum, orações e autopunição, mas inutilmente. Irreconciliado, ele leu e releu os Salmos e as cartas de Paulo, encontrando finalmente paz mental por concluir que Deus justifica os homens, não por causa de seus méritos, boas obras, ou penitência, mas devido a sua fé. Ficou tão entusiasmado com esta idéia da “justificação somente pela fé”, que acrescentou a palavra “somente” após a palavra “fé” em sua tradução em alemão de Romanos 3:28!b
A maioria das igrejas protestantes basicamente adotou o conceito de Lutero sobre a “justificação pela graça mediante a fé”. De fato, isso já fora expresso pelo pré-reformista francês Jacques Lefèvre d’Étaples. Sintetizando a diferença entre os conceitos católico e protestante sobre a justificação, o Dicionário Católico declara: “Os católicos encaram a justificação como ato pelo qual um homem é realmente tornado justo; os protestantes, como ato no qual ele é meramente declarado e considerado justo, transferindo-se-lhe os méritos de outro — i.e., Cristo.”
Nem a “Justificação” Católica, nem a Protestante
O dogma católico vai além do que a Bíblia ensina quando afirma que “um homem é realmente tornado justo” pelo dom da graça divina concedido por ocasião do batismo. Não é o batismo que elimina o pecado original, mas o sangue derramado de Cristo. (Romanos 5:8, 9) Há uma grande diferença entre realmente ser tornado justo por Deus e ser contado ou considerado como justo. (Romanos 4:7, 8) Todo católico honesto, que se esforça no combate ao pecado, sabe que realmente não foi tornado justo. (Romanos 7:14-19) Se ele realmente fosse justo, não teria pecados para confessar a um sacerdote.
Ademais, se o dogma católico seguisse a Bíblia, o católico cônscio de seus pecados os confessaria a Deus, pedindo Seu perdão por meio de Jesus Cristo. (1 João 1:9-2:2) A intercessão dum sacerdote humano em qualquer estágio da “justificação” não tem base na Bíblia, tanto quanto a acumulação de méritos, na qual baseia-se a doutrina das indulgências. — Hebreus 7:26-28.
O conceito protestante da justificação, no sentido de o cristão ser declarado justo nos méritos sacrificiais de Cristo, sem dúvida, aproxima-se mais do que a Bíblia ensina. No entanto, certas religiões protestantes ensinam a “justificação somente pela fé”, que, conforme veremos mais adiante, desconsidera raciocínios específicos apresentados pelo apóstolos Paulo e por Tiago. A atitude espiritualmente presumida de tais igrejas é sintetizada pela frase “uma vez salvo, salvo para sempre”. Alguns protestantes crêem que basta crer em Jesus para ser salvo, e, portanto, que a justificação precede o batismo.
Além disso, certas religiões protestantes, ao passo que ensinam a justificação pela fé, seguem o reformador francês João Calvino e ensinam a predestinação pessoal, negado assim a doutrina bíblica do livre-arbítrio. (Deuteronômio 30:19, 20) Portanto, pode-se dizer que nem o conceito católico, nem o protestante quando à justificação estão totalmente em harmonia com a Bíblia.
O Que Ensina a Bíblia?
Todavia, a Bíblia ensina definitivamente a doutrina da “justificação, ou a forma com que se concede a uma criatura humana uma condição justa perante Deus. Vimos no início por que precisamos estabelecer boas relações com Deus, visto que todos nós nascemos, não quais, filhos de Deus, mas quais “filhos do furor”. (Efésios 2:1-3) Se o furor de Deus permanecerá sobre nós ou não, dependerá de aceitarmos ou recusarmos sua provisão misericordiosa para a reconciliação com ele, o Deus santo e justo. (João 3:36) Tal provisão amorosa é o ‘resgate pago por Cristo Jesus”. — Romanos 3:23, 24.
O apóstolo Paulo indicou que o sacrifício resgatador de Cristo oferece duas esperanças, uma “na terra” e a outra “nos céus”. Ele escreveu: ‘Deus achou bom que morasse nele [Cristo] toda a plenitude, e, por intermédio dele, reconciliar novamente todas as outras coisas consigo mesmo, por fazer a paz por intermédio do sangue [que ele derramou] na estaca de tortura, quer sejam as coisas na terra, quer as coisas nos céus. — Colossenses 1:19, 20.
Para ter parte numa dessas duas esperança, é necessário ter uma condição justa perante Deus, e isto envolve muito mais do que meramente “crer em Jesus”. Os dois artigos que se seguem considerarão exatamente o que está envolvido no caso dos cristãos que têm a esperança celestial e no caso daqueles que têm a esperança de viver para sempre num paraíso na terra. Continue lendo e não hesite em pedir às Testemunhas de Jeová, que lhe forneceram esta revista, para que considerem esses artigos com você, juntamente com a Bíblia.
[Nota(s) de rodapé]
a Segundo o dogma católico, o pecado envolve culpa e duas espécies de punição — eterna e temporal. A culpa e a punição eterna são remitidas por meio do sacramento da penitência. A punição temporal precisa ser expiada nesta vida por obras e por práticas penitenciais, ou, na próxima vida, no fogo do purgatório. A indulgência é uma remissão parcial ou plena (plenária) de punição temporal mediante a aplicação dos méritos de Cristo, Maria e os “santos”, armazenados no “Tesouro da Igreja”. As “boas obras” requeridas para a obtenção duma indulgência podem incluir uma peregrinação ou a contribuição de dinheiro para alguma causa “boa”. No passado, fundos foram assim levantados para as Cruzadas e para e construção de catedrais, igrejas e hospitais.
b Lutero também lançou dúvidas quanto à canonicidade da carta de Tiago, considerando que sua argumentação no capítulo 2, de que a fé sem obras está morta, contradiz a explicação do apóstolo Paulo quanto à justificação “à parte de obras”. (Romanos 4:6) Ele deixou de reconhecer que Paulo falava das obras da Lei judaica. — Romanos 3:19, 20, 28.
[Destaque na página 5]
A IGREJA CATÓLICA ensina que a justificação torna o homem realmente justo, mas que a justificação pode ser perdida pelo pecado mortal, ou aumentada pelo mérito pessoal.
[Destaque na página 6]
MUITOS PROTESTANTES crêem na justificação, ou justiça declarada, somente pela fé, e que crer em Jesus garante a salvação. Alguns crêem que a justificação é predestinada.
[Destaque na página 7]
A BÍBLIA ensina que o homem tem livre-arbítrio e que o sacrifício resgatador de Cristo oferece duas esperanças, uma celestial e outra terrestre. Ambas as esperanças envolvem a obtenção duma condição justa perante Deus.
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Declarado justo “para a vida”A Sentinela — 1985 | 1.° de dezembro
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Declarado justo “para a vida”
“Por um só ato de justificação resulta . . . serem declarados justos para a vida.” — ROMANOS 5:18.
1. Quem tem fome e sede da justiça, e como se saciará o seu desejo?
“FELIZES os famintos e sedentos da justiça, porque serão saciados.” (Mateus 5:6) Tal sede de justiça será plenamente saciada não só no caso daqueles a quem “pertence o reino dos céus”, mas também daqueles que “possuirão a terra”. (Mateus 5:10; Salmo 37:29) Ambas as classes compartilham a esperança expressa pelo apóstolo Pedro, quando escreveu: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa [a de Deus], e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) Sim, Jeová Deus prometeu um novo governo celestial justo, “o reino dos céus”, e uma justa “nova terra”, ou sociedade humana, numa terra paradísica.
2. Que relação existe entre Jeová, a justiça e nossa esperança de uma pacífica Nova Ordem?
2 Mas o que é que se deve entender por novos céus justos e uma nova terra justa? Significa que tanto o novo governo celestial, como a humanidade na terra, governada por ele, terão de reconhecer as normas de Deus quanto ao que é certo e ao que é errado. Jeová é “o lugar de permanência da justiça”. (Jeremias 50:7) A justiça é a própria base de sua soberania ou trono no universo. (Jó 37:23, 24; Salmo 89:14) Para haver paz no universo, as criaturas de Jeová têm de reconhecer que ele tem o direito de determinar as normas do que é justo e do que é iníquo. Inversamente, nossa esperança duma Nova Ordem justa depende de Jeová apegar-se às suas normas. — Salmo 145:17.
3. Em vista da absoluta justiça de Jeová, que pergunta vem à mente?
3 Surge assim a pergunta sobre como o santo e justo Deus Jeová pode ter tratos com pecadores injustos. (Veja Isaías 59:2; Habacuque 1:13.) Como pode ele, ao permanecer fiel às suas elevadas normas de justiça, escolher dentre pecadores aqueles que hão de participar nos “novos céus” governamentais justos, e aceitar como amigos aqueles que farão parte da “nova terra” justa? Para obter a resposta a isso, precisamos entender a doutrina bíblica da justificação, ou de se ser declarado justo.
Um Misericordioso Arranjo de Crédito
4. Por que tem a humanidade decaída uma pesada dívida para com Deus, e por que não podemos nós mesmos livrar-nos desta dívida?
4 Nas Escrituras, os pecados são comparados a dívidas. (Veja Mateus 6:12, 14; 18:21-35; Lucas 11:4.) Todos os homens são pecadores, e, portanto, têm uma pesada dívida para com Deus. “O salário pago pelo pecado é a morte.” (Romanos 6:23) Visto que foram ‘vendidos sob o pecado’ pelo seu antepassado Adão, os descendentes deste não podem fazer nada para se livrar desta esmagadora dívida. (Romanos 7:14) Somente a morte do devedor pode eliminá-la, “pois aquele que morreu foi absolvido do seu pecado”. (Romanos 6:7) Nenhuma obra boa praticada pelo pecador durante a sua vida pode comprar de volta o que Adão perdeu, nem mesmo dar-lhe uma posição justa perante Deus. — Salmo 49:7, 9; Romanos 3:20.
5. Como proveu Jeová alívio à humanidade pecaminosa, ao mesmo tempo respeitando a sua própria justiça perfeita?
5 Como pôde Jeová prover alívio para a humanidade decaída sem comprometer suas próprias normas de justiça? A resposta a isso destaca a sabedoria e a benignidade imerecida de Jeová. O apóstolo Paulo explica isso belamente na sua carta aos romanos. Ele escreveu: “É como dádiva gratuita que [pecadores] estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus. Deus o apresentou como oferta de propiciação por intermédio da fé no seu sangue. Isto se deu, a fim de exibir a sua própria justiça, porque ele estava perdoando os pecados que ocorreram no passado, enquanto Deus exercia indulgência; a fim de exibir a sua própria justiça nesta época atual, para que fosse justo, mesmo ao declarar justo o homem que tem fé em Jesus.” — Romanos 3:24-26.
6. (a) Como foram as normas de justiça de Jeová satisfeitas pelo sacrifício de Cristo, e o que estava Jeová assim disposto a fazer? (b) Como pode Deus creditar justiça na conta da pessoa que tem fé?
6 Jeová, pela sua benignidade imerecida, aceitou o sacrifício de Jesus a favor dos descendentes de Adão. (1 Pedro 2:24) Tratava-se dum sacrifício equivalente ou correspondente, visto que Jesus, como homem perfeito, comprou de volta aquilo que Adão havia perdido. (Veja Êxodo 21:23; 1 Timóteo 2:6.) Satisfazendo-se assim a justiça, Jeová está amorosamente disposto a ‘obliterar’ ou ‘apagar’ os pecados lançados contra nós na conta do ‘homem que tem fé em Jesus”. (Isaías 44:22; Atos 3:19) Se tal homem permanecer fiel, então Jeová não só se refreará de ‘imputar-lhe as suas falhas’, mas realmente o creditará por justiça. (2 Coríntios 5:19) Por meio deste arranjo misericordioso de crédito, ‘muitos foram constituídos justos’. (Romanos 5:19) Este é um dos aspectos da justificação, o ato de Deus, pelo qual a pessoa é considerada como inculpe. (Atos 13:38, 39) Quem são os que foram justificados ou declarados justos durante este sistema de coisas?
144.000 “Santos”
7. De que maneira foi Cristo declarado justo, e, portanto, o que se tornou possível?
7 Naturalmente, o próprio Cristo não precisou que se lhe creditasse justiça, visto que era realmente justo. (1 Pedro 3:18) Depois de Jesus se ter mostrado fiel até à morte como homem perfeito (“o último Adão”) e de ter sacrificado seu direito à vida na terra, ele foi ressuscitado por seu Pai, Jeová. Jesus foi “declarado justo em espírito, isto é, foi pronunciado fundamentalmente justo pelo seu próprio mérito e foi ressuscitado como “espírito vivificante”. (1 Coríntios 15:45; 1 Timóteo 3:16) Pela sua morte sacrificial, proveu a base para Jeová poder creditar justiça a homens e mulheres de fé. — Romanos 10:4.
8, 9. (a) Quem foram os primeiros a ser beneficiados pelo crédito da justiça, e por quê? (b) Quem constitui os “novos céus”, e o que será governado por eles?
8 É lógico que aqueles que Jeová escolhe para constituírem os “novos céus” justos, ou o governo do Reino sob o Rei Jesus Cristo, são os primeiros a ser plenamente beneficiados por este arranjo misericordioso, neste sistema de coisas. O livro de Daniel retrata a cerimônia ocorrida nos céus, pela qual Cristo, o Filho do homem, recebeu “domínio, e dignidade, e um reino, a fim de que “todos os povos, grupos nacionais e línguas [na terra] o servissem”. Daniel mostra depois que “o reino, e o domínio”, também são dados aos “santos do Supremo”, Jeová. — Daniel 7:13, 14, 18, 27; compare isso com Revelação 5:8-10.
9 O número desses “santos”, escolhidos para governar com o Cordeiro, Jesus Cristo, no Monte Sião celestial, é revelado ser 144.000, “comprados dentre a humanidade”. (Revelação 14:1-5) Estes, junto com Cristo, constituem os “novos céus” justos do novo sistema de coisas de Jeová.
Considerados Justos — Como e Por Quê?
10. (a) Que livro bíblico é o mais explícito a respeito da justificação, e a quem foi escrito? (b) Quem são os principais envolvidos na doutrina bíblica de justificação?
10 O livro bíblico que, sem dúvida, é o mais explícito sobre como Deus declara justos a homens é a carta de Paulo aos romanos. É interessante notar que ele dirigiu esta carta aos “chamados para serem santos”. (Romanos 1:1, 7) Isto explica por que a doutrina da “justificação”, ou ser alguém declarado justo, conforme delineado por Paulo, é usada em conexão com os 144.000 “santos”.
11. Que relação há entre a fé, as obras e a justificação?
11 O ponto principal da argumentação de Paulo em Romanos, é que nem o judeu, nem o gentio, podem conseguir uma condição justa perante Deus por meio de obras, quer estas sejam feitas de acordo com a Lei mosaica, quer simplesmente por respeito por uma instintiva lei moral. (Romanos 2:14, 15; 3:9, 10, 19, 20) Tanto judeu como o gentio só podem ser declarados justos à base da fé no sacrifício resgatador de Cristo. (Romanos 3:22-24, 29, 30) Entretanto, o conselho dado nos capítulos, finais de Romanos (12-15) mostra que tal fé precisa ser apoiada por obras piedosas, assim como também explica Tiago. (Tiago 2:14-17) Tais obras simplesmente provam que o cristão justificado tem a fé que constitui um pré-requisito para sua justificação por Deus.
12, 13. (a) Por que precisam ser declarados justos os 144.000 “santos”? (b) O que fazem estes com o direito à vida que recebem?
12 No entanto, por que motivo impelente precisam ser declarados justos os cristãos que são “chamados para serem santos”? É nisso que entra o segundo aspecto da justificação, a saber, que Deus declara que a pessoa digna da vida é Seu filho humano perfeito. Devido ao papel que deverão desempenhar nos “novos céus” justos, os 144.000 precisam renunciar e sacrificar para sempre qualquer esperança de vida eterna na terra. (Salmo 37:29; 115:16) Neste sentido, eles têm uma morte sacrificial. Eles ‘se submetem a uma morte semelhante a de Cristo’. — Filipenses 3:8-11.
13 Agora, em harmonia com o princípio estabelecido na Lei mosaica, qualquer sacrifício apresentado a Jeová tem de ser sem defeito. (Levítico 22:21; Deuteronômio 15:21) Os 144.000 “santos” são chamados de “justos que foram aperfeiçoados”. — Hebreus 12:23.
Adotados Como Filhos Espirituais
14, 15. (a) Por que mudança quanto ao pecado passam os 144.000? (b) Como são ressuscitados para uma “novidade de vida”?
14 Estes “justos”, enquanto ainda na carne, sofrem uma morte simbólica. O apóstolo Paulo explica isso: “Visto que morremos no que se refere ao pecado, como persistiremos em viver ainda nele? Ou não sabeis que todos nós, os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele por intermédio de nosso batismo na sua morte, a fim de que, assim como Cristo foi levantado dentre os mortos por intermédio da glória do Pai, também nós andássemos igualmente em novidade de vida . . . porque sabemos que a nossa velha personalidade foi pregada na estaca com ele, para que o nosso corpo pecaminoso ficasse inativo, a fim de que não fôssemos mais escravos do pecado. Pois aquele que morreu foi absolvido do seu pecado.” — Romanos 6:2-7.
15 Durante a sua vida humana, os 144.000 “santos”, dos quais remanesce apenas um pequeno restante na terra, neste tempo do fim, ‘morrem no que se refere ao pecado’. Depois de sua morte simbólica, esses “chamados para serem santos” são ressuscitados para uma “novidade de vida”. Jeová, depois de os ter declarado justos, pode gerá-los pelo seu espírito para serem seus “filhos” espirituais. Eles ‘nascem de novo’ e são adotados como “filhos de Deus”. (João 3:3; Romanos 8:9-16)a Tornam-se israelitas espirituais e são aceitos no novo pacto. — Jeremias 31:31-34; Lucas 22:20; Romanos 9:6.
Herdeiros do Sacerdócio e do Reinado
16. De que se tornam herdeiros os 144.000 “santos”?
16 Como adotados “filhos” espirituais de Deus, os 144.000 “santos” também se tornam ‘herdeiros’. (Gálatas 4:5-7) Paulo escreveu a concristãos gerados pelo espírito: “Então, se somos filhos, somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente.” (Romanos 8:17) Qual é a herança de Cristo? Jeová o constituiu Rei-Sacerdote “para sempre à maneira de Melquisedeque”. (Hebreus 6:19, 20; 7:1) Os cristãos gerados pelo espírito, como “co-herdeiros” de Cristo, também são ungidos por Jeová como sacerdotes espirituais. (2 Coríntios 1:21; 1 Pedro 2:9) Além disso, um dos derradeiros objetivos de serem declarados justos por Jeová é para mais tarde ‘reinarem em vida por intermédio de um só, Jesus Cristo’. — Romanos 5:17.
17. (a) Embora os cristãos ungidos tenham sido declarados justos, o que precisam fazer diariamente? (b) Como recebem a sua recompensa?
17 Esses cristãos ungidos, enquanto ainda estão na terra, embora declarados justos, mesmo assim têm de combater suas tendências pecaminosas. (Romanos 7:15-20) Precisam do sangue de Cristo para purificá-los de seus pecados diários devidos à imperfeição. (1 João 1:7; 2:1, 2) Ao permanecerem fiéis até o fim de sua vida terrestre, morrem literalmente e são ressuscitados “para uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível”, como parte dos “novos céus” justos. — 1 Pedro 1:3, 4; 2 Pedro 3:13.
“Esperando a Revelação dos Filhos de Deus”
18, 19. (a) O que está esperando a “criação” humana? (b) Como serão ‘revelados’ os “filhos de Deus”, e por que vive a “criação” humana na expectativa ansiosa disso?
18 Como afeta tudo isso aqueles que — muito mais numerosos do que os 144.000 espirituais “filhos de Deus” — têm fome e sede da justiça, mas que têm a esperança de possuir a terra? O apóstolo Paulo escreveu a respeito desses: “Pois a expectativa ansiosa da criação está esperando a revelação dos filhos de Deus. Porque a criação estava sujeita à futilidade . . .à base da esperança de que a própria criação será também liberta da escravização à corrupção e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.” — Romanos 8:19-21.
19 Essa “criação” humana, cuja esperança é viver para sempre na terra paradísica, está vivendo na “expectativa ansiosa do tempo — agora já próximo — em que o Rei Jesus Cristo e os ressuscitados “filhos de Deus” forem ‘revelados’ por destruírem o atual iníquo sistema de coisas, governando depois como reis e sacerdotes “por mil anos”. (Revelação 20:4, 6) Durante o Reinado milenar de Cristo, “a própria criação [humana] será também liberta da escravização à corrupção”.
20. O que será considerado no artigo que segue?
20 A maneira em que os humanos vivos na “nova terra” justa finalmente alcançarão a “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”, e como desde já são afetados pela doutrina bíblica da justificação, serão assuntos considerados no artigo que segue.
[Nota(s) de rodapé]
a Um estudo profundo do assunto de ‘nascer de novo’ poderá ser encontrado na Sentinela de 1.º de fevereiro de 1982, páginas 16-26.
Quanto a homens serem declarados justos por Deus —
◻ O que quer dizer a Bíblia com novos céus justos e uma nova terra justa?
◻ Por que precisa a humanidade estar de bem com Jeová?
◻ Como foram satisfeitas as normas de justiça de Jeová?
◻ Por que são os 144.000 os primeiros a ser declarados justos, e o que fazem com o direito à vida que recebem?
◻ De que se tornam os 144.000 herdeiros junto com Cristo?
[Quadro na página 11]
A justificação, ou ser alguém declarado justo, tem dois aspectos:
(1) considerar Deus tal pessoa inculpe;
(2) declarar Deus tal pessoa perfeita e merecedora da vida eterna na terra.
Os 144.000 cristãos ungidos são declarados justos em ambos os aspectos. Sacrificam seus direitos à vida humana e são gerados como “filhos” espirituais, chamados para se tornarem reis e sacerdotes com Cristo nos “novos céus”.
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Declarado justo como amigo de DeusA Sentinela — 1985 | 1.° de dezembro
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Declarado justo como amigo de Deus
“‘Abraão depositou fé em Jeová, e isso lhe foi contado como justiça’, e ele veio a ser chamado ‘amigo de Jeová.’” — TIAGO 2:23
1, 2. Como estão sendo reconciliadas com Deus as “coisas nos céus” e as “coisas na terra”?
“DEUS achou bom que morasse nele [Cristo] toda a plenitude, e, por intermédio dele, reconciliar novamente todas as outras coisas consigo mesmo, por fazer a paz por intermédio do sangue que ele derramou na estaca de tortura, quer sejam as coisas na terra, quer as coisas nos céus.” (Colossenses 1:19, 20) Este propósito divino de reconciliação avança para o seu clímax.
2 “As coisas nos céus” não são criaturas espirituais, porque anjos não são resgatados pelo sangue de Cristo. Antes, são os humanos comprados com o sangue do Cordeiro para constituírem “um reino e sacerdotes” junto com Cristo nos “novos céus”. Estes já foram declarados plenamente justos por meio do sangue de Cristo. Além disso, já por uns 50 anos, Jeová está fazendo a paz com as “coisas na terra”, com aqueles humanos que se tornarão parte da “nova terra” justa. (Revelação 5:9, 10; 2 Pedro 3:13) Este ajuntamento de “todas as coisas”, tanto as terrestres como as celestes, “é segundo o seu beneplácito [o de Jeová], que ele se propôs em si mesmo”. — Efésios 1:9, 10.
O Propósito de Deus Para com Seu Filho Adão
3, 4. Qual era a condição de Adão perante Deus, mas em que sentido precisava ele ainda ser declarado justo?
3 Adão foi criado como filho humano perfeito e justo de Deus. (Lucas 3:38) Sua justiça não lhe era creditada ou imputada. Era inerente. Do ponto de vista da isenção de culpa perante Jeová, Adão não tinha necessidade de ser “declarado” justo. Enquanto se sujeitava ao domínio legítimo de Deus, continuava a estar de bem com seu Criador.
4 Entretanto, ele ainda não havia provado ser íntegro e ainda não havia sido julgado digno do direito à vida eterna na terra. Por isso, ele tinha de mostrar por um tempo sua fidelidade a Jeová e seu apego à justiça. Se tivesse mantido sua integridade sob prova, teria recebido o direito à vida eterna na terra. Seria como se Deus tivesse declarado ou tornado público que Adão merecia receber uma vida infindável. Em símbolo disso, sem dúvida, Jeová o teria levado à “árvore da vida” e lhe teria permitido comer de seu fruto. — Gênesis 2:9, 16, 17; 3:22.
5. (a) O que perdeu Adão para si mesmo e para os seus descendentes? (b) Que esperança, de a criação humana ficar livre do pecado e da morte, proveu Jeová?
5 Mas Adão fracassou quando foi provado, e assim perdeu a perfeição, a justiça e a sua própria filiação, bem como a de seus descendentes. (Romanos 5:12) Por conseguinte, os descendentes de Adão nasceram todos alheados de Deus, inerentemente injustos. (Efésios 2:3; Romanos 3:10) A criação humana ficou assim “sujeita à futilidade”, mas “à base da esperança” de ela ser liberta do pecado e da morte, esperança que foi dada logo após a rebelião no Éden. — Romanos 8:20, 21; Gênesis 3:15.
Declarados Justos Perante Cristo — Como?
6, 7. (a) Até que ponto foram alguns humanos declarados justos antes da morte sacrificial de Cristo? (b) Cite alguns exemplos de servos pré-cristãos de Jeová que receberam uma condição justa.
6 A esperança da humanidade, de ser liberta do pecado e da morte, dependia da vinda do prometido “descendente”, o Filho unigênito de Deus. (João 3:16) Antes da morte sacrificial de Cristo, não havia maneira de os homens conseguirem “a justificação que dá a vida”, ou “serem declarados justos para a vida”. (Romanos 5:18, Matos Soares; Tradução do Novo Mundo) Não obstante, mesmo já antes de Cristo pagar o resgate para a libertação da humanidade, alguns homens e mulheres depositaram fé na promessa de Deus e apoiaram esta fé com obras. Por causa disso, Jeová bondosamente perdoou-lhes seu pecado e aceitou-os como seus servos. Considerou-os amorosamente como relativamente inculpes, em comparação com a maioria da humanidade alheada de Deus. (Salmo 32:1, 2; Efésios 2:12) Deu-lhes uma condição justa, declarando-os justos até onde foi possível naquela época.
7 Assim, pela fé, Abel recebeu “testemunho de que era justo”. (Hebreus 11:4) Noé “tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé”. (Hebreus 11:7) Jó, apesar de suas faltas, foi declarado “inculpe e reto”. (Jó 1:1, 22; 7:21) Finéias mostrou zelo pela adoração pura, “e isso veio a ser-lhe contado como justiça”. (Salmo 106:30, 31; Números 25:1-13) A meretriz não-israelita Raabe, “pela fé” e por suas obras bondosas para com o povo de Deus, recebeu a atribuição duma condição justa, ou foi declarada justa. — Hebreus 11:31; Tiago 2:25.
Como Abraão Foi Considerando Justo
8, 9. (a) A justiça de quem é o tópico principal da carta de Paulo dirigida aos, romanos? (b) Serem os “santos” declarados justos vai em que sentido além do que se deu com Abraão?
8 O caso de Abraão merece atenção especial. Ser ele declarado justo é mencionado por dois escritores das Escrituras Gregas Cristãs, que ambos escreveram a cristãos do primeiro século, chamados para fazerem parte dos 144.000 membros do Israel espiritual. — Romanos 1:28, 29; 9:6; Tiago 1:1; Revelação 7:4.
9 Paulo, na sua carta aos romanos, argumenta que os “chamados para serem santos” (Rom. 1:7), tanto judeus como gentios (1:16, 17), são declarados justos “pela fé, à parte das obras da lei”. (3:28) Para substanciar seu argumento, ele abre uma longa explicação (4:1-22) e cita Gênesis 15:6, dizendo: “Abraão exerceu fé em Jeová, e isso lhe foi contado como justiça.” Daí, nos versículos concludentes do capítulo 4, Paulo diz que Jesus “foi entregue por causa das nossas falhas e foi levantado para que [nós, isto é, os “santos” (Romanos 1:7)] fôssemos declarados justos. Os “declarados justos” não podiam incluir Abraão, visto que ele morreu muito antes da morte e da ressurreição de Cristo. Portanto, nos capítulos seguintes, quando Paulo fala dos que hão de ‘reinar’ e de estes serem declarados justos “para a vida”, visando tornarem-se “filhos de Deus” e “co-herdeiros de Cristo”, ele obviamente fala sobre algo bastante diferente do caso de Deus atribuir justiça a Abraão. — Romanos 5:17, 18; 8:14, 17, 28-33.
10. Como lança Tiago luz sobre o alcance de Abraão ser declarado justo?
10 Também Tiago menciona Abraão como exemplo para provar que a fé tem de ser apoiada por obras piedosas. Depois de dizer que Abraão foi declarado justo, citando Gênesis 15:6, Tiago acrescenta um comentário que nos ajuda a compreender o alcance da justificação de Abraão. Ele escreve: “Cumpriu-se a escritura que diz: ‘Abraão depositou fé em Jeová, e isso lhe foi contado como justiça’, e ele veio a ser chamado ‘amigo de Jeová’.” (Tiago 2:20-23) Sim, Abraão, por causa de sua fé, foi declarado justo como amigo de Jeová, não como filho com direito à vida humana perfeita ou ao reinado com Cristo. É interessante notar que Robert Girdlestone escreveu no seu livro Sinônimos do Antigo Testamento (em inglês) a respeito da justiça de Abraão: “Esta justiça não era absoluta, i.e. tal como recomendaria Abraão a Deus como legítimo pretendente à herança dum filho.”
O Livro de Recordação de Jeová
11. Os nomes de quem estão inscritos no livro de recordação de Jeová por quê?
11 O crédito duma justiça relativa, concedido a homens e mulheres fiéis de antes de Cristo, era indício da justiça e perfeição reais e verdadeiras associadas com a vida eterna que eles poderão obter na nova terra de Deus. Por terem a perspectiva de vida, podem ser considerados como tendo os nomes deles inscritos num livro de recordação. (Veja Malaquias 3:16; Êxodo 32:32, 33.) Este contém os nomes daqueles que são considerados por Jeová como “justos”, que demonstraram sua fé por obras justas, e que estão destinados a receber a vida eterna na terra. — Salmo 69:28; Habacuque 2:4.
12. O que terão de fazer os “justos” ressuscitados, para manter seu nome no livro de recordação de Jeová?
12 Entretanto, esses nomes ainda não estão inscritos no “livro da vida” de Jeová. (Revelação 20:15) Quando tais homens e mulheres fiéis do passado voltarem à terra na ‘ressurreição dos justos’, sem dúvida aceitarão com fé a provisão de vida, feita por Jeová mediante o sacrifício resgatador de Cristo. (Atos 24:15) Tornar-se-ão assim parte das “outras ovelhas” de Jesus, junto com os da ‘grande multidão” que terão sobrevivido à “grande tribulação”. (João 10:16; Revelação 7:9, 14) Procedendo assim, manterão seus nomes no livro de recordação de Jeová.
Considerados Justos Como Amigos Para a Sobrevivência
13. A quem está trazendo agora o Pastor Excelente, e como chegam a ser inscritos no livro de recordação de Jeová?
13 O Pastor Excelente, Jesus Cristo, está trazendo agora as “outras ovelhas” que não são do “pequeno rebanho” dos 144.000 “santos”, aos quais se dá o Reino celestial. (Lucas 12:32; Daniel 7:18) Estas “outras ovelhas” escutam a voz do Pastor Excelente. (João 10:16) Exercem fé em Jeová e no seu Filho. Dedicam sua vida a Jeová, à base do sacrifício resgatador de Cristo. São batizados “em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo”, e reconhecem a necessidade de cultivar “os frutos do espírito”. (Mateus 28:19, 20; Gálatas 5:22, 23) Seus nomes são inscritos no livro de recordação de Jeová.
14. O que dá às “outras ovelhas” uma condição justa perante Jeová, mas o que têm de pedir a Deus?
14 Essas “outras ovelhas”, ajuntadas neste tempo do fim, constituirão a “grande multidão” que o apóstolo João viu em visão, depois de ter visto os 144.000 membros do Israel espiritual. (Revelação 7:4, 9) Ele descreveu a “grande multidão” como os que “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. (Re 7 Versículo 14) Por causa da sua fé no sangue derramado do Cordeiro, atribui-se-lhes um grau de justiça. Isto é retratado pelas suas simbólicas compridas vestes brancas. Têm uma posição limpa perante Jeová, e “é por isso” que ele lhes permite ‘prestar-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo’. (Re 7 Versículo 15) Todavia, precisam confessar diariamente seus pecados a Jeová e pedir perdão por meio de Jesus Cristo. — 1 João 1:9-2:2.
15. (a) Como mostra a parábola das ovelhas e dos cabritos que os das “outras ovelhas” têm uma condição justa perante Deus? (b) Até que ponto são atualmente declarados justos?
15 Que os das “outras ovelhas” são amigos de Deus e têm desde já uma condição de relativa justiça perante ele é também esclarecido na profecia de Jesus a respeito do ‘sinal da sua presença’, que inclui a ilustração das ovelhas e dos cabritos. Visto que os da classe das “ovelhas” fazem o bem aos do restante dos 144.000 “irmãos” de Cristo, ainda na terra, são abençoados pelo Pai de Jesus e chamados de “justos”. Iguais a Abraão, são considerados ou declarados justos como amigos de Deus. Sua condição justa também significará para eles a sobrevivência quando os “cabritos” partirem para o “decepamento eterno”. (Mateus 24:3-25:46) Eles ‘sairão da grande tribulação’ que assinalará o fim do atual sistema iníquo de coisas. — Revelação 7:14.
Levados à Perfeição
16. Como sabemos que os da grande multidão não são declarados justos para a vida antes de chegar a “grande tribulação”?
16 Os da “grande multidão”, que sobreviverão à “grande tribulação”, não são ainda declarados justos para a vida. Podemos ver isso no fato de que esse capítulo que os menciona passa a dizer: “O Cordeiro, que está no meio do trono, os pastoreará e os guiará a fontes de águas da vida.” (Revelação 7:17) Assim, embora Deus já anteriormente os considerasse como justos, em comparação com a humanidade em geral, e como seus amigos, eles precisam de ajuda adicional, ou dar certos passos, para poder ser declarados justos para a vida.
17. (a) O que se quer dizer com “a cura das nações”? (b) Quem precisará ter seu nome inscrito no “livro da vida”?
17 Durante o Milênio, o entronizado Cordeiro, Cristo Jesus, junto com seus 144.000 reis e sacerdotes associados, aplicará um programa de “cura das nações”, espiritual e física. (Revelação 22:1, 2) Essas “nações” serão constituídas pelos sobreviventes da grande tribulação, pelos filhos que lhes nascerem após o Har-Magedon e pelos que voltarem na “ressurreição tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15) Todos os que depositarem fé no sangue de Cristo e realizarem “ações” apropriadas terão por fim seu nome inscrito no “livro da vida”. — Revelação 20:11-15.
18. A que condição terão sido elevados os habitantes da terra no fim do Milênio?
18 No fim do Reinado milenar de Cristo, os habitantes da terra que tiverem demonstrado que aceitam o resgate de Cristo e viverem segundo as normas de Jeová terão sido elevados à perfeição. Serão como Adão antes de ele pecar. Assim como ele, serão provados quanto à sua obediência.
“Liberdade Gloriosa” Como “Filhos de Deus”
19. (a) O que ocorrerá logo após o Milênio? (b) O que acontecerá com aqueles cujo nome não for achado inscrito no “livro da vida”?
19 Logo após o Milênio, Cristo entregará ao Pai uma raça humana perfeita. (1 Coríntios 15:28) “Satanás será solto” para uma prova decisiva a que se submeterá a humanidade. (Revelação 20:7, 8] O nome daqueles que falharem na prova não será “achado inscrito no livro da vida”. Eles serão simbolicamente ‘lançados no lago de fogo’, que “significa a segunda morte. — Revelação 20:15; 21:8.
20. (a) A quem declarará Jeová justo para a vida, e por quê? (b) Como terá cumprido sua finalidade o misericordioso arranjo da justificação, provido por Jeová?
20 Os que se mostrarem leais a Jeová terão seu nome indelevelmente inscrito no “livro da vida”, como perfeitos em integridade e dignos do direito à vida eterna na terra. O próprio Jeová os declarará então justos em sentido pleno. (Romanos 8:33) Terão sido justificados para a vida eterna. (Revelação 20:5) Deus os adotará como seus filhos terrestres, e eles entrarão na prometida “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. (Romanos 8:20, 21) A paz e a harmonia terão sido restabelecidas no universo. A reconciliação com Deus será completa para as “coisas na terra” e as ‘coisas nos céus”. (Colossenses 1:20) O misericordioso arranjo da justificação, provido por Jeová, terá cumprido sua finalidade. À pergunta: “Está de bem com Deus?” toda criatura no céu e na terra poderá responder sim, e acrescentar: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro seja a bênção, e a honra, e a glória, e o poderio para todo o sempre.” — Revelação 5:13.
Quanto à condição das “outras ovelhas” perante Deus —
◻ Por que não foi Adão declarado justo?
◻ Até que ponto foram Abraão, e outros homens e mulheres de antes de Cristo, declarados justos?
◻ Os nomes de quem foram inscritos no livro de recordação de Jeová?
◻ Até que ponto têm as “outras ovelhas” atualmente uma condição justa, e quando serão levadas à perfeição?
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