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A necessidade de justiçaA Sentinela — 1980 | 1.° de maio
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A necessidade de justiça
POR milênios, os homens vêm lutando com o problema da manutenção da lei e da ordem. Numerosos regulamentos foram formulados para a proteção do indivíduo e de seus bens. Instituíram-se órgãos para a execução da lei, bem como sistemas judiciais, a fim de serem levados a juízo os infratores da lei. Apesar dos bem-intencionados empenhos do homem, nenhuma providência, porém, pôde garantir justiça total para todos.
Ao passo que muitos homens de caráter fizeram o melhor que puderam para defender os direitos humanos, outros lucraram fazendo uso da injustiça. Por exemplo, há alguns anos, certo juiz norte-americano foi declarado culpado de ter recebido mais de US$ 600.000,00 (cerca de Cr$ 28.000.000,00) em troca de favores judiciais. Mediante evasivas jurídicas, conhecidos criminosos escaparam da punição. Certos advogados criminalistas se enriqueceram inventando falsos álibis para seus clientes culpados e usando meios inescrupulosos para lançar séria dúvida sobre o depoimento de testemunhas verídicas
A corrução não é o único obstáculo que intercepta a administração da justiça. O problema, às vezes, é a imperícia total. Houve casos em que juízes dando audiência estavam embriagados, enfastiados demais para ouvir, cansados demais para não cochilar durante o julgamento, ou eram tão ignorantes da lei que, na realidade, seus secretários pronunciavam por escrito as decisões
Em razão da corrução e da imperícia nos altos níveis, incontável número de pessoas têm sofrido. Sofreram injustamente reclusão em asilos e prisões, ou foram até mesmo condenadas à morte. Mulheres viram-se privadas do arrimo do marido. Crianças foram arrancadas de seus pais. Herdeiros legítimos perderam propriedades inteiras.
Não é infreqüente homens violadores da lei nunca serem levados a juízo. Simplesmente não há, no atual sistema de coisas, um meio de sanar todo o mal causado por difamações, calúnias, mexericos, fraudes, maquinações, meias-verdades, exageros ou outros agravos éticos.
Há, deveras, necessidade de ajustar a balança da justiça. Certo destacado jurista do século vinte fez alusão à maneira de se poder fazer isso. Ao descrever o “espírito da verdadeira liberdade”, declarou que este espírito “nunca se esqueceu completamente de que pode haver um reino onde os mínimos serão ouvidos e considerados lado a lado com os maiores”. Mas, haverá realmente tal julgamento? Que motivos temos para crer que será assim? Como deve isto influir mesmo agora em nossa vida?
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Um dia de ajuste de contas está garantidoA Sentinela — 1980 | 1.° de maio
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Um dia de ajuste de contas está garantido
HÁ MAIS de 1.900 anos, um homem, bem versado na lei de sua nação, expressou sua crença num futuro dia de ajuste de contas. Fez isso em solo estrangeiro, perante o tribunal do Areópago, na antiga Grécia. Este homem era um judeu cristianizado, o apóstolo Paulo
Por algum tempo, seus ouvintes escutaram o que ele tinha a dizer a respeito de Deus. Mas, daí, Paulo fez a seguinte declaração surpreendente com referência ao Criador: “Porque ele fixou um dia em que se propôs julgar em justiça a terra habitada, por meio dum homem a quem designou, e ele tem fornecido garantia a todos os homens, visto que o ressuscitou dentre os mortos.” — Atos 17:31.
O apóstolo não pôde prosseguir, pois ridicularizadores começaram a erguer a voz. Mas, as verdades que expressara foram o meio pelo qual o Deus Todo-poderoso abriu o coração de alguns que ouviram a defesa de Paulo. Quando o apóstolo partiu, essas pessoas “juntaram-se a ele e se tornaram crentes”. — Atos 17:32-34
Talvez perguntemos: Quem é o homem por meio de quem Deus julgará a terra habitada? Por que podemos estar confiantes em que se fará justiça? Quão segura é a garantia a respeito de um dia de ajuste de contas?
O homem a quem Deus escolheu é o Filho que se despojou de sua glória celestial, e, então, pelo poder divino, começou a se desenvolver como bebê perfeito no ventre de uma virgem judia de nome Maria. (Luc. 1:30-35; Fil. 2:7) Este Filho ficou conhecido como Jesus Cristo.
Sobre sua autoridade judicial, Jesus declarou: “O Pai não julga a ninguém, mas tem confiado todo o julgamento ao Filho.” (João 5:22) “Não posso fazer nem uma única coisa de minha própria iniciativa; assim como ouço, eu julgo; e o julgamento que faço é justo, porque não procuro a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” — João 5:30.
UM JUIZ SOLÍCITO
Quanto a que espécie de juiz Jesus seria, foi declarado profeticamente: “Não julgará pelo que meramente parece aos seus olhos, nem repreenderá simplesmente segundo a coisa ouvida pelos seus ouvidos. E terá de julgar com justiça os de condição humilde e terá de dar repreensão com retidão em benefício dos mansos da terra.” (Isa. 11:3, 4) Jesus Cristo não se deixará impressionar pela personalidade imponente, pela aparência ou pelo encanto exteriores. Ele pode ver além das aparências superficiais, discernindo a verdadeira motivação do coração de alguém. (Rev. 2:23) Palavras e argumentos hábeis não impedirão que conheça os fatos do caso, nem que faça julgamento imparcial. Não importa quão humildes sejam as pessoas, Jesus Cristo as tratará com eqüidade. “O sangue deles será precioso aos seus olhos.” — Sal. 72:14.
Temos toda razão para estar confiantes na absoluta imparcialidade do julgamento por parte de Jesus. Ele demonstrou sua preocupação pela humanidade por meio de seu maior ato de amor abnegado, entregando voluntariamente a sua vida. Chamando atenção para o que ele faria neste respeito, ele disse a seus discípulos: “Ninguém tem maior amor do que este, que alguém entregue a sua alma a favor de seus amigos.” — João 15:13.
UM JUIZ ENALTECIDO
Uma pessoa morta não pode, naturalmente, agir na qualidade de juiz, assim o apóstolo Paulo tornou claro que o Juiz designado por Deus ressuscitara dentre os mortos. Esta ressurreição permanece como garantia imutável do futuro dia de ajuste de contas. Não é uma garantia qualquer. Mais de 500 testemunhas viram o ressuscitado Filho de Deus. Para que não houvesse dúvida quanto à realidade da ressurreição, Jesus Cristo falou com seus discípulos, pedindo que o apalpassem, e alimentou-se na presença deles. (Luc. 24:36-43) A Bíblia relata: “Mostrou-se também vivo, por meio de muitas provas positivas, depois de ter sofrido, sendo visto por eles durante quarenta dias.” (Atos 1:3) Visto que as provas eram incontestáveis, os discípulos deram corajosamente testemunho da ressurreição de Jesus Cristo, apesar de violência física, ultraje e ameaça de morte.
Não só eram os discípulos de Jesus Cristo testemunhas de sua ressurreição, mas eram também testemunhas de sua ascensão aos céus. Dez dias após sua ascensão, cerca de 120 discípulos receberam a evidência de que o Filho fora elevado à destra de seu Pai. Que prova receberam? Antes de sua ascensão, Jesus Cristo dera a seguinte instrução a seus discípulos: “Não vos retireis de Jerusalém, mas persisti em esperar por aquilo que o Pai tem prometido, a respeito do qual me ouvistes falar; porque João, deveras, batizou com água, mas vós sereis batizados em espírito santo, não muitos dias depois disso.” (Atos 1:4, 5) Por conseguinte, quando, no dia de Pentecostes de 33 E.C., aproximadamente 120 discípulos receberam o prometido espírito santo e foram revestidos de poder por meio deste, para falarem em línguas estrangeiras aos judeus e prosélitos que haviam chegado a Jerusalém de lugares distantes para assistir à festividade de Pentecostes, esses discípulos souberam que o Filho estava com o Pai.
Foi por isso que o apóstolo Pedro pôde declarar a milhares de pessoas naquele dia: “A este Jesus, Deus ressuscitou, fato de que todos nós somos testemunhas. Portanto, visto que ele foi enaltecido à direita de Deus e recebeu do Pai o prometido espírito santo, derramou isto que vedes e ouvis.” — Atos 2:32, 33.
A INFALÍVEL EXECUÇÃO DA JUSTIÇA DIVINA
Os bem-atestados eventos que ocorreram em conexão com Jesus Cristo, no primeiro século, permanecem como garantia imutável de que haverá um dia de ajuste de contas para todas as nações. Foi para esse dia da execução da justiça divina que os fiéis discípulos de Jesus Cristo olharam com grande expectativa. Numa de suas cartas aos tessalonicenses, o apóstolo cristão, Paulo, apontou para isso, ao escrever:
“É justo da parte de Deus pagar de volta tribulação aos que vos [crentes] causam tribulação, mas, a vós, os que sofreis tribulação, alívio junto conosco, por ocasião da revelação do Senhor Jesus desde o céu, com os seus anjos poderosos, em fogo chamejante, ao trazer vingança sobre os que não conhecem a Deus e os que não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus. Estes mesmos serão submetidos à punição judicial da destruição eterna de diante do Senhor e da glória da sua força, no tempo em que ele vem para ser glorificado em conexão com os seus santos e para ser considerado com admiração, naquele dia, em conexão com todos os que exerceram fé.” — 2 Tes. 1:6-10.
A vinda de Jesus Cristo, na qualidade de executor da justiça divina, iniciará o tempo de serem endireitadas todas as coisas erradas. Deus, por intermédio de Cristo, julgará até mesmo “as coisas secretas da humanidade”. (Rom. 2:16) Embora não sabendo o dia e a hora da chegada desse tão esperado dia, temos a garantia de Deus de que virá e de que está cada vez mais perto. Isto nos deve induzir a levar uma vida em harmonia com a sua garantia. Mas o que é que isto exige de nós?
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Vida em harmonia com a garantia de DeusA Sentinela — 1980 | 1.° de maio
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Vida em harmonia com a garantia de Deus
SE TIVERMOS fé absoluta na garantia dada por Deus, a respeito do vindouro julgamento, devemos ter obras para provar nossa fé. A Bíblia diz: “Assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta.” — Tia. 2:26.
É claro que, se esperamos um julgamento totalmente imparcial, por parte de Jesus Cristo, devemos evitar o favoritismo. Isto significa conceder a todas as pessoas a dignidade que merecem, não desprezando os outros por causa de sua posição humilde ou suas limitações, tampouco dando preferência especial a pessoas só por serem ricas ou destacadas. Por outro lado, também, devemos evitar favorecer indevidamente a nós próprios. Quão incoerente seria ficarmos angustiados com os erros éticos que os outros porventura cometam, e egoistamente buscarmos sempre a nossa própria vantagem!
Faremos bem em ter presente que o julgamento divino, por Jesus Cristo, não é só de nosso próximo. É nosso também. As Escrituras declaram: “Se invocais o Pai que julga imparcialmente segundo a obra de cada um, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa residência como forasteiros.” (1 Ped. 1:17) Se tivermos temor sadio de nosso Criador e de seu Juiz designado, ou consideração por eles, ficaremos menos inclinados a olhar para o que os outros estão fazendo ou deixam de fazer. Antes, estaremos atentos a como cuidamos de nossos próprios assuntos na vida. Reconhecendo que só Jeová Deus, por intermédio de Jesus Cristo, pode endireitar todas as coisas, não ficaremos indevidamente agitados por causa de injustiças e não explodiremos de cólera a ponto de agirmos por conta própria. A Bíblia nos diz: “Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’” — Rom. 12:19.
Ao mesmo tempo, se pudermos ajudar outros a chegar a avaliar a importância de levarem uma vida em harmonia com a garantia dada por Deus, de um vindouro julgamento, certamente devemos desejar fazer isso. Podemos fazer isso agindo com bondade para com os que são injustos conosco. A Bíblia recomenda: “‘Se o teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se ele tiver sede, dá-lhe algo para beber: pois por fazeres isso, amontoarás brasas acesas sobre a sua cabeça.’ Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem.” (Rom. 12:20, 21) Uma reação bondosa pode fazer com que a pessoa injusta fique envergonhada, lastimando seu modo de agir. Assim, o tratamento bondoso poderá ter um efeito purificador nela, trazendo à tona suas qualidades melhores.
Nossa conduta exemplar, naturalmente, não será o suficiente para fazer que outros se apercebam da necessidade de harmonizarem sua vida com a garantia de Deus. Precisamos informá-los sobre a vontade e o propósito divinos. O apóstolo Paulo disse às pessoas em Atenas: “[Deus] está dizendo a humanidade que todos, em toda a parte, se arrependam.” (Atos 17:30) Visto que o dia da execução da justiça divina ainda não chegou, esta mensagem ainda precisa ser proclamada em toda a parte. Apropriadamente, pois, os proclamadores precisam ser pessoas que aceitam a Jesus Cristo como o Juiz designado por Jeová. Os que realmente têm fé na garantia de Deus não podem deixar de falar, pois “é da abundância do coração que a boca fala”. — Mat. 12:34.
Está reduzido o tempo para as pessoas aceitarem a chamada ao arrependimento. Nenhum humano sabe o que o dia seguinte lhe trará. Amanhã pode ser tarde demais. (Pro. 27:1; Tia. 4:13, 14) Por isso, são realmente sábias as pessoas que não tardam em atender a chamada de Deus para o arrependimento, e que começam a levar uma vida que apresenta evidência de fé na execução da justiça divina.
Mesmo agora é vantajoso levar tal vida. Contribui para termos uma consciência limpa para com Deus e para com nosso próximo, resultando em paz e contentamento no íntimo. Se formos altruístas nos nossos tratos com outros, teremos a maior felicidade que há em dar. (Atos 20:35) Diante de nós, há um futuro brilhante. Não só veremos a execução imparcial da justiça, mas serão coisas do passado todos os sofrimentos aos quais, por milênios, a humanidade tem estado sujeita. As Escrituras apresentam a promessa alentadora: “[Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:4.
Temos, de fato, bons motivos para viver em harmonia com a garantia de Deus. Se desejar aprender mais sobre o grandioso propósito do Criador e o que ele deseja que faça, as Testemunhas de Jeová na sua localidade terão imenso prazer em partilhar com você o conhecimento que adquiriram das Escrituras. Fazemos-lhe o convite de aceitar a sua oferta de um estudo bíblico domiciliar, gratuito.
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