BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Jeová nosso Deus — justo e eqüitativo
    A Sentinela — 1976 | 1.° de dezembro
    • Jeová nosso Deus — justo e eqüitativo

      “Deus de fidelidade . . . justo e reto é ele.” — Deu. 32:4.

      1, 2. (a) Que descrição fornece a Bíblia a respeito de Jeová, como Juiz? (b) Como talvez reajamos a isso, e por quê?

      UM SALMISTA hebraico cantou, há muito tempo, a respeito de Jeová Deus: “Ele ama a justiça e o juízo.” Em outro salmo, lemos: “Bem sei, ó Jeová, que as tuas decisões judiciais são justiça.” Embora essas expressões fossem feitas há muitos séculos, não lhe são agradáveis? Não é satisfatório e reconfortante pensar no Criador, a derradeira autoridade no universo, como sendo alguém que “ama a justiça e o juízo”? — Sal. 33:5; 119:75.

      2 Sem dúvida, um motivo pelo qual reagimos assim é que cada um de nós ficou sujeito a algumas formas de injustiça e iniqüidade. Pode ser que você, leitor, tenha sido tratado de modo injusto por causa de sua origem nacional, racial ou social. Ou talvez tenha sido tratado injustamente na escola, no emprego ou na sua vizinhança. E quantas vezes ouvimos falar sobre tratamento injusto por parte de alguém em autoridade!

      3, 4. Como se compara isso com o proceder de juízes humanos, suscitando que perguntas?

      3 Jesus sabia como o povo se sentia ao ser tratado desta maneira, conforme evidencia a descrição que forneceu em uma das suas ilustrações. Falou sobre um juiz, que evidentemente fora nomeado pelos romanos. Como era esse juiz? Em vez de ser alguém a quem se podia recorrer com a confiança de receber um tratamento justo, ele era “injusto”. De fato, o juiz foi descrito como concedendo finalmente justiça a uma viúva judaica apenas para que não o importunasse mais. — Luc. 18:1-6.

      4 O que acha de tal juiz? É um homem que supostamente deve fazer decisões justas, mas que hesita em fazê-las. Que contraste animador há no Juiz descrito verazmente como alguém que “ama a justiça e o juízo”! Mas, considere o seguinte: Embora isso seja o que o salmista disse a respeito de Jeová, está você convencido de que Ele é assim? Talvez saiba que alguns afirmam que Deus não é justo e eqüitativo. Já se viu confrontado com tal afirmação? Será que afeta seu conceito sobre Deus? Poderia apresentar razões convincentes para concordar com o salmista?

      5. Que aspectos da justiça e da eqüidade de Deus têm sido um ponto de indagação para alguns?

      5 Por outro lado, também, há muitos que se interessam na Palavra e nos propósitos de Deus, mas que ficam perturbados com perguntas que lançam uma sombra de dúvida sobre a sua confiança na justiça e na eqüidade de Jeová. Por exemplo, talvez se perguntem sobre como todas as pessoas possam ter uma oportunidade de ouvir e aceitar, ou então rejeitar, a mensagem do Reino, no pouco tempo que resta antes de a “grande tribulação” acabar com este sistema iníquo de coisas. (Mat. 24:21) Outro ponto de indagação é sobre se certos parentes, homens vis dos tempos modernos e outros serão ressuscitados dentre os mortos, na Nova Ordem. Ou pode haver apreensões pelos privilégios que Deus concederá na Nova Ordem, em especial quanto a assuntos de casamento e de família. Com respeito a tais assuntos, sente-se perturbado ou tem confiança em que Jeová fará o que é justo e eqüitativo?

      6. O que significa ser “justo” e “eqüitativo”?

      6 O que significa ser justo e eqüitativo? Sem nos envolvermos em extensas definições jurídicas, podemos dizer: “Justo” é aquele que faz o que é moralmente correto. Ele é virtuoso e está livre de culpa. Relacionado com isso, aquele que é “eqüitativo” administra de modo imparcial o que é correto e justo. Assim, pois, há muito significado na seguinte descrição de Jeová: “Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele.” — Deu. 32:4.

      CONSIDERE O TESTEMUNHO

      7. O exame de que testemunho é apropriado?

      7 Um famoso advogado disse certa vez: “Não há tal coisa como justiça — dentro ou fora do tribunal.” Sua experiência na advocacia, combinada com o testemunho de outros, levou-o a formar tal conceito. Embora isso talvez seja verdade, neste mundo em geral, o que tem mostrado a “experiência” a respeito de Jeová? Examinemos alguma evidência, o testemunho daqueles que tiveram tratos pessoais com Ele.

      8, 9. (a) Como ficou Abraão envolvido numa questão judicial? (b) Como reagiu ele diante da situação?

      8 Mesmo já antes de se começar a escrever a Bíblia, homens de fé expressaram-se sobre a justiça e a eqüidade de Deus. Abraão é uma ilustração disso. Às ordens de Deus, ele partiu da cidade mesopotâmica de Ur e tornou-se habitante migrante na terra de Canaã. (Gên. 12:1-5; Rev. 11:8) Seu sobrinho Ló passou a morar perto da cidade de Sodoma. Mais tarde, Abraão foi visitado por um anjo que representava a Jeová. O anjo disse que ia fazer uma inspeção judicial de Sodoma e Gomorra, por causa do clamor pelos pecados dos seus habitantes. (Gên. 18:20, 21) Note que o anjo não disse que alguma ação judicial, específica, já tivesse sido decidida. Antes, ia “ver se de fato agem segundo o clamor sobre isso” e segundo a queixa. Como reagiu Abraão a esta informação?

      9 Estando interessado na possibilidade de que os habitantes de Sodoma, inclusive Ló, pudessem ser poupados, Abraão indagou, com oração, sobre o que poderia acontecer. O registro em Gênesis 18:23-25 cita Abraão como dizendo: “Arrasarás realmente o justo junto com o iníquo? Suponhamos que haja cinqüenta homens justos no meio da cidade. Arrasá-los-ás então e não perdoarás ao lugar por causa dos cinqüenta justos que há nele? É inconcebível a teu respeito que atues desta maneira para entregar à morte o justo junto com o iníquo, de modo que se dê com o justo o que se dá com o iníquo! É inconcebível a teu respeito. Não fará o Juiz de toda a terra o que é direito?” Daí, procurando saber o número mínimo de justos na cidade, que permitiria que ela fosse poupada, Abraão perguntou: Suponhamos que haja quarenta e cinco, ou quarenta, trinta, vinte, ou mesmo apenas dez justos? — Gên. 18:26-33.

      10, 11. Acreditou Abraão que Jeová faria algo de errado?

      10 Abraão não sabia, como nós sabemos, que não havia nem mesmo tantos habitantes “justos”, no sentido de tentarem fazer o que era moral, virtuoso e reto. Mas, quando Abraão perguntou: “Não fará o Juiz de toda a terra o que é direito?” será que ele questionava seriamente a justiça de Deus e temia que Ele agisse de modo injusto?

      11 De modo algum. Ao contrário, em vista do que Abraão sabia sobre a personalidade de Jeová, a evidência indica que ele simplesmente não podia imaginar que o Criador destruísse o justo junto com o iníquo. Para Abraão, isso era “inconcebível”; era inimaginável. Abraão conhecia a Deus melhor, do que pensar tal coisa. Conforme o apóstolo Paulo indica em Hebreus, capítulo 11, Abraão sabia que Jeová é “recompensador dos que seriamente o buscam”. Confiava em que Deus não trataria os que querem fazer o que é direito do mesmo modo como os iníquos. Mas, como é que podia saber isso?

      12. Por que podia ter Abraão confiança nos tratos de Jeová?

      12 Em primeiro lugar, Abraão sabia o que Jeová fizera no seu próprio caso. Atuando em fé, Abraão obedecera ao sair de Ur. Será que Deus desconsiderou isso? Não, ele abençoou Abraão e deu-lhe prosperidade. (Gên. 12:16; 13:2) No Egito, Jeová protegera a esposa de Abraão, para que não fosse violentada pelo faraó. (Gên. 12:17-20) Mais tarde, com a ajuda de Deus, Abraão obtivera uma vitória sobre quatro reis, que haviam ‘seqüestrado’ seu sobrinho Ló. (Gên. 14:14-20) Sim, ele conhecia a Deus por experiência própria.

      13. Como entravam nisso os tratos passados de Deus?

      13 No entanto, Abraão tinha mais outro motivo para crer que Jeová era justo e eqüitativo. Eram os tratos de Deus com pessoas que viveram antes do tempo de Abraão. Por exemplo, antes do dilúvio, Noé, antepassado de Abraão, vivia com sua família no meio dum mundo de pessoas, ‘cuja inclinação dos pensamentos de seu coração era só má, todo o tempo’. (Gên. 6:5-7, 11, 12) Quando Deus acabou com aquele mundo violento, que aconteceu com Noé, homem que ‘se mostrou sem defeito entre os seus contemporâneos’? (Gên. 6:9, 13) Eliminou Deus ao justo Noé e sua família junto com os iníquos? Decididamente não fez isso, e Abraão o sabia! — 2 Ped. 2:5.

      14. A que conclusão levaria esta evidência?

      14 Portanto, quando Abraão se confrontou com esta situação aparentemente indeterminada, quanto a se Deus trataria do mesmo modo tanto o justo como o iníquo em Sodoma, ele tinha muita coisa para orientar seu modo de pensar. Tinha razão em concluir que era “inconcebível” que o justo Juiz tratasse ambas as classes do mesmo modo? Certamente que tinha! Sodoma e as cidades circunvizinhas foram destruídas. Mas Jeová cuidou de que “o justo Ló” tivesse a oportunidade de escapar, junto com sua família. — 2 Ped. 2:7, 8; Gên. 19:21-29.

      15. Por que nos interessa isso?

      15 Então, o que se daria se você, leitor, se confrontasse com uma pergunta sobre como Deus lidaria com uma situação futura, envolvendo a vida ou a morte de justos e iníquos? Conhece os tratos de Deus com Noé, bem como Seus tratos com Abraão. Pode ver que aquilo que Deus fez foi justo e eqüitativo. Afetaria isso sua avaliação do que se pode esperar de Deus em tal situação ainda futura? Não faria você caso do testemunho da Bíblia ou deixaria que ajustasse corretamente seu modo de pensar?

      A NECESSIDADE DA MODÉSTIA

      16, 17. Por que precisamos ser modestos neste assunto?

      16 Sabendo à base da narrativa bíblica quão inteiramente depravados eram os habitantes pervertidos de Sodoma e Gomorra, podemos entender por que subiu um clamor a respeito dos pecados deles. E podemos concordar em que Deus agiu com justiça e eqüidade ao acabar com eles. (Gên. 19:4-11; Rom. 1:26-28, 32) Mas o que se daria no caso de alguém que não soubesse de todos os fatos e talvez pensasse que os habitantes eram gente normal e aparentemente inocente? Daí, se fosse informado de que Deus destruiu as cidades com fogo e enxofre, talvez chegasse a uma conclusão precipitada e incorreta a respeito do Criador.

      17 Isto deve salientar a necessidade de sermos modestos ao tirar conclusões sobre os tratos de Deus. Provérbios 11:2 diz que “a sabedoria está com os modestos”, e isto certamente se aplica neste caso. Seria sábio que um mero homem, a quem provavelmente falte conhecimento dos fatos essenciais sobre alguns dos tratos de Deus no passado, se arvorasse em juiz e júri, e então passasse a condenar “o Juiz de toda a terra”? Outro provérbio diz: “Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação.” (Pro. 18:13) Não se daria isso no caso de alguém que só conhecesse alguns pormenores, mas não soubesse especialmente dos fatos importantes e dos princípios envolvidos, chegando à conclusão de que “o Juiz de toda a terra” agiu de modo ineqüitativo e injusto?

      18. O que levou a que Jó sofresse sérias dificuldades?

      18 O relato bíblico sobre Jó pode ser usado para ilustrar isso ainda mais. Sem que o soubessem Jó e seus três companheiros, que mais tarde o aconselharam, Satanás havia desafiado a Jeová quanto à integridade de Jó. Jeová tinha confiança na lealdade amorosa de Jó, de modo que permitiu que Satanás causasse uma série de dificuldades a Jó. Jó perdeu os seus bens. Os pastores de seus rebanhos e de suas manadas foram mortos por incursores. Seus filhos e suas filhas morreram num vendaval incomum. Daí, Jó foi atacado por severos males físicos, e até mesmo sua esposa o censurou. (Jó 1:6-19; 2:1-9) Qual seria a reação de Jó e de outros? Como teria reagido você, leitor? A que conclusão teria chegado quanto a Deus?

      19. Como reagiu Jó? Mas, que dizer de seus três companheiros?

      19 Embora estivesse decidido a permanecer leal a Deus, Jó não entendia por que estava sofrendo. Em defesa de sua própria justiça, disse que Deus tinha o direito de afligir tanto o justo como o iníquo. (Jó 32:2; 10:7; 16:17; 23:11; 33:8-12) Naturalmente, sabemos agora que Jó ‘falava sem conhecimento’, pois era Satanás, não Jeová, quem o afligia. (Jó 34:35) Que atitude adotaram os companheiros de Jó? Eles responderam, com falta de modéstia e de maneira tola, também sem saberem dos fatos. Acusaram a Deus de não estar interessado na integridade do homem. (Jó 4:17-19; 15:15, 16) Na realidade, também condenaram os filhos de Jó como tendo sido pecadores e afirmaram que Jeová os matara. (Jó 8:3, 4, 20) Sim, a Bíblia diz corretamente que o efeito da argumentação dos companheiros de Jó era “pronunciar Deus iníquo”. — Jó 32:3.

      20. (a) Como deve este exemplo afetar nossa reação a certas narrativas bíblicas? (b) Qual deve ser a nossa reação?

      20 Hoje, podemos estudar a narrativa inteira, e não temos dificuldade em ver quão errados aqueles companheiros estavam nos seus conceitos sobre os tratos de Deus. Mas, que dizer de outros relatos bíblicos, sobre os quais talvez não tenhamos tanta informação assim? Por exemplo, quando lemos na Bíblia que Jeová, ou pessoas sob a sua direção, executaram gente, cidades ou nações iníquas, será que vamos imitar os companheiros de Jó e passar a “pronunciar Deus iníquo”? (Deu. 9:1-5) Quanto mais sábio e modesto seria chegar à conclusão de que, embora não soubéssemos todos os fatos ou questões envolvidos, o ocorrido deve estar em harmonia com o fato de que Jeová “ama a justiça e o juízo”. (Deu. 7:2, 23-26; Lev. 18:21-27) Esta foi a convicção de Eliú, um homem jovem que corrigiu a Jó e seus companheiros. Eliú proclamou: “Longe está do verdadeiro Deus agir ele iniquamente e do Todo-poderoso agir injustamente! Sim, de fato, o próprio Deus não age iniquamente, e o próprio Todo-poderoso não perverte o juízo.” — Jó 34:10, 12.

      JUSTO E EQÜITATIVO PARA COM TODOS

      21, 22. Em que sentido significativo diferem a justiça e a eqüidade de Jeová do modo de agir dos homens?

      21 Quanto abrangem a justiça e a eqüidade de Jeová? Pode-se esperar que sejam aplicadas de modo igual a todas as pessoas e em todas as ocasiões? É bem possível que nos preocupemos com isso, pois, quando homens têm autoridade ou ocupam cargos elevados, a maneira em que alguém é tratado depende muitas vezes de “quem ele é”. Quando alguém rico e importante faz um mal, talvez se “fechem os olhos” a isso, ou ele seja perdoado ou receba uma punição leve, ao passo que o pobre e insignificante provavelmente é punido com severidade. Já observou isso? Mas, que dizer de Jeová?

      22 Os comentários de Eliú nos fornecem a resposta. Note que Eliú, ao descrever a Jeová, não limitou suas observações aos tratos de Deus com Jó. Ele fez a declaração global: “O próprio Deus não age iniquamente, e o próprio Todo-poderoso não perverte a justiça.” Daí, Eliú acrescentou que Jeová “não tem mostrado parcialidade para com príncipes e não tem dado mais consideração ao nobre do que ao de condição humilde, porque todos eles são trabalho das suas mãos”. — Jó 34:19.

      23. Como é este fato corroborado pela lei mosaica?

      23 Este fato pode ser apoiado por se observar um aspecto da lei que Jeová deu aos israelitas. Ao fazer a provisão de que juízes humanos tratassem dos problemas e da possível má conduta de pessoas, Jeová ordenou aos juízes: “Não deveis ser parciais no julgamento. Deveis ouvir o pequeno do mesmo modo como o grande.” (Deu. 1:17; 16:18-20) Exigia-se isso simplesmente para evitar motivos de desassossego? Não, era esperado porque, desta maneira, os juízes refletiriam corretamente as caraterísticas de seu Deus. Lemos: “Não é para o homem que julgais, mas é para Jeová; e ele está convosco na questão do julgamento. . . . Porque com Jeová, nosso Deus, não há injustiça, nem parcialidade, nem aceitação de suborno.” — 2 Crô. 19:6, 7; Êxo. 23:6, 7.

      24. Assim, em que podemos ter confiança?

      24 Não é reanimador este testemunho a respeito da justiça e da eqüidade imparciais de Jeová, fornecendo-nos a evidência de como Ele lidará conosco? Também devemos ver nisso um indício de que, mesmo em assuntos ainda futuros, podemos ter a certeza de que Ele agirá em harmonia com as normas que estabeleceu e seguiu no passado.

      NOSSO SENSO DE JUSTIÇA E EQÜIDADE

      25. O que atesta nosso próprio “senso” íntimo a respeito de Jeová?

      25 Outra maneira em que se pode encarar a justiça e a eqüidade de Jeová envolve um senso íntimo que possuímos. A Bíblia diz que o homem foi feito à imagem de Deus. (Gên. 1:27) Isto não se refere à Sua forma física, pois Ele é espírito e nós somos carne. Antes, como mostra Colossenses 3:10, esta “imagem” envolve personalidade e qualidades. Deus criou Adão com as qualidades que Ele mesmo possui, incluindo amor, eqüidade, justiça e sabedoria. Embora sejamos imperfeitos e estejamos muito afastados de Adão quando era perfeito, a maioria dos humanos refletem estas qualidades divinas em certa forma, do mesmo modo em que os homens, em toda a terra, mostram ter certo grau de consciência ou senso moral. (Rom. 2:14, 15) Sendo assim, nosso próprio senso de eqüidade e justiça deve ser para nós um motivo de confiança em que Deus possui e demonstra essas qualidades, mas dum modo muito superior a nós, humanos.

      26, 27. Como se pode ilustrar isso com o ensino do inferno de fogo?

      26 Ilustrando a reação deste “senso”, veja como muitos — e talvez também nós mesmos — reagem ao ensino do inferno de fogo. Muitas igrejas, especialmente no passado, ensinaram que as almas dos iníquos são atormentadas para sempre no inferno. A Bíblia não promove tal idéia, pois declara que os mortos não estão conscientes e que a maioria dos mortos viverá novamente, por meio duma ressurreição. (Ecl. 9:5, 10; Eze. 18:4; João 5:28, 29; 11:11-14) No entanto, mesmo sem saber o que a Bíblia diz, muitos sentem repulsa diante da doutrina do inferno de fogo. Não podem aceitá-la, embora sua própria igreja a ensine. É ‘contrário ao seu feitio’. Não podem crer que um Deus de amor, eqüidade e justiça tomasse alguém que foi mau, digamos, por sessenta anos, e o atormentasse com sofrimento horrível para todo o sempre. E muitos ficam aliviados ao serem informados de que seu senso de eqüidade e justiça é corroborado pela Palavra de Deus.

      27 Já o mero fato de que nós, humanos, que refletimos apenas de modo imperfeito a “imagem” de Deus, temos o desejo compulsivo de ver que se faça o que é justo e eqüitativo devia aumentar nossa certeza de que o próprio Jeová é guiado por tais qualidades.

      28. Por que precisamos continuar a ter cautela quanto ao que achamos ser o proceder correto?

      28 Por outro lado, sermos admitidamente imperfeitos devia recomendar que nos previnamos para que este “senso” não fique deturpado e nos leve a conclusões errôneas. Se o senso de justiça e eqüidade, de alguém, ficasse exagerado pela imperfeição, poderia ser igual a um homem que olha através duma vidraça ondulada. Não importa quanto ele queira enxergar bem o que há do outro lado, a imagem que chega aos seus olhos é afetada pelo vidro imperfeito.

      29, 30. (a) A que conclusão chegaram alguns quanto à salvação? (b) No entanto, o que ensina a Bíblia?

      29 Que algo similar pode acontecer com nosso conceito a respeito da justiça e da eqüidade dos tratos de Deus pode ser reconhecido naquilo que as pessoas passaram a crer. Movidas pelo seu próprio senso de compaixão, justiça e eqüidade, e convencidas de que, já que elas pensam assim, certamente deve ser ainda mais o modo de Deus pensar, passaram a ensinar a doutrina da salvação universal. Argumentam que não seria eqüitativo e justo se Deus deixasse que homens imperfeitos perecessem eternamente. Por isso concluem que Deus, baseado no sacrifício de Cristo, perdoará a todos os humanos que já viveram. Ora, vão ao ponto de dizer que Deus perdoará ao próprio Satanás, o Diabo!

      30 Embora essa doutrina talvez ‘encontre eco’ nas emoções ou nos sentimentos de alguns, simplesmente não se harmoniza com o que o próprio Jeová diz na sua Palavra. A Bíblia nos habilita a ver claramente o conceito Dele, que não é deturpado pela imperfeição humana. Assim, a Bíblia diz sobre aquele que peca e blasfema contra o espírito santo: “Não lhe será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que há de vir.” (Mat. 12:32) Também, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos hebreus: “Se praticarmos o pecado deliberadamente, depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento.” (Heb. 10:26, 27) Sim, as Escrituras mostram claramente que alguns não obterão a salvação eterna. Conforme Jesus expressou isso: “Quem exerce fé no Filho tem vida eterna; quem desobedece ao Filho não verá a vida, mas o furor de Deus permanece sobre ele.” — João 3:36; Rom. 2:7, 8.

      31. Que mais é preciso, além de nosso próprio “senso” e por quê?

      31 Portanto, podemos avaliar que o mero raciocínio humano, baseado no nosso próprio “senso” de justiça e eqüidade, precisa ser equilibrado e guiado pelo que o próprio Jeová diz. Quão gratos podemos ser de que há uma abundância de testemunho e evidência que confirmam que Deus “ama a justiça e o juízo”! (Sal. 33:5) E esta gratidão deve aumentar com o conhecimento de que o exercício destas qualidades por Ele não pode ser deturpado pela imperfeição. Ele faz o que é perfeito e em harmonia com seu abundante conhecimento, sabedoria e amor, de todos os modos, em todas as ocasiões e com todas as pessoas. Sempre poderemos dizer: “Bem sei, ó Jeová, que as tuas decisões judiciais são justiça.” — Sal. 119:75; Rom. 33:36.

      32. Que pontos podemos então considerar?

      32 Nossa confiança nisso certamente deve influenciar nossa maneira de pensar em perguntas sobre os tratos futuros de Deus, tais como nos assuntos já mencionados, a respeito do alcance da pregação do Reino, da ressurreição e do casamento na Nova Ordem. No artigo que segue, portanto, examinaremos estes assuntos à luz da Bíblia, e com a plena certeza de que nosso Deus é justo e eqüitativo.

  • Aguarde o futuro com confiança na justiça e na eqüidade de Deus
    A Sentinela — 1976 | 1.° de dezembro
    • Aguarde o futuro com confiança na justiça e na eqüidade de Deus

      1, 2. Por que talvez não seja convidado por conhecidos a participar em alguma atividade imprópria?

      SUPONHAMOS que um grupo de pessoas, lá onde trabalha, na sua escola ou na sua vizinhança, decida ir ao cinema para ver um filme imoral. Daí, alguém menciona você, leitor, curioso de saber se você acompanharia o grupo. Como acha que reagiriam os que o conhecem? Responderiam: ‘Ora, não adianta convidá-lo. Ele não está interessado em tais coisas; isso não é do feitio dele’? Certamente, esta deveria ser a avaliação dos interesses e empenhos do cristão. — 2 Tim. 2:19.

      2 No entanto, o que levaria tais conhecidos a reagir assim? Conhecendo os princípios a que você se apega e tendo-o observado agir no passado, poderiam ter a certeza de como você reagiria em tal situação.

      3. Que base temos para ter certeza de que o proceder de Deus sempre será justo e eqüitativo?

      3 Se homens observadores saberiam qual o proceder que o cristão adotaria, quanto mais podemos nós ter a certeza do proceder que Jeová Deus adotará em certas situações. No Éden foi suscitada uma questão de moral quanto à soberania universal de Jeová e à justiça dos seus tratos com a humanidade. Esta questão precisa ser resolvida. As páginas da história bíblica registram as medidas progressivas nos tratos de Jeová, para a solução final da questão. E este mesmo registro nos fornece amplos motivos para termos confiança em que Ele sempre fará aquilo que é justo e eqüitativo. O registro nos assegura também que o proceder adotado por Jeová sempre será nos melhores interesses duradouros dos homens, bem como justo e eqüitativo.

      4. É falta de justiça e eqüidade da parte de Jeová que ele permita que a humanidade sofra?

      4 O apóstolo Paulo escreveu: “Porque a criação [a humanidade descendente de Adão e Eva] estava sujeita à futilidade [por nascer em pecado e enfrentar a morte], não de sua própria vontade [nós, humanos, não pudemos controlar que o pecado de Adão nos trouxe o pecado e a imperfeição], mas por intermédio daquele [Deus] que a sujeitou [por permitir que Adão tivesse descendentes], à base da esperança de que a própria criação será também liberta da escravização à corrução e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.” (Rom. 8:20, 21) Sim, permitir Deus que os humanos nascessem, embora sofressem dores e problemas na vida, de modo algum era injusto ou contrário à eqüidade. Pois, no tempo devido, Deus lhes apresentou também a oportunidade de ter vida perfeita para sempre, num paraíso.

      5. Por que somos hoje especialmente favorecidos quanto à “escravização à corrução” da humanidade?

      5 Nós somos hoje especialmente favorecidos, porque estamos no limiar da nova ordem de Deus, na qual a humanidade obediente será “liberta da escravização à corrução”. O cumprimento da profecia bíblica prova que desde 1914 estamos na “geração” que verá Deus exterminar a iniqüidade na terra e estabelecer um paraíso global. Por isso, as Testemunhas de Jeová estão atarefadíssimas em proclamar as “boas novas do reino”, o qual trará aos homens leais a Jeová a “liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. — Mat. 24:3-14, 21, 34.

      COMO SE FAZ A PREGAÇÃO A TODOS OS POVOS?

      6. Que perguntas podem surgir a respeito das palavras de Jesus em Marcos 13:10?

      6 Jesus disse: “Em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas.” (Mar. 13:10) Apesar dos esforços estrênuos das Testemunhas de Jeová, parece haver ainda centenas de milhões de pessoas que não receberam um testemunho pessoal. Mesmo nos países em que as Testemunhas são ativas, há pessoas com as quais ainda não se entrou em contato. E há outros milhões que moram onde há poucas Testemunhas ou nenhumas. Poderá a mensagem do Reino chegar em tempo a todas estas pessoas? Em caso afirmativo, como? Devemos ‘simplesmente deixá-lo entregue a Deus’ ou estamos de algum modo envolvidos nisso? Qual será o julgamento de Deus?

      7. Por que podemos ter confiança no cumprimento de Marcos 13:10?

      7 Se a obra de pregação fosse dos homens, poderia haver motivos de preocupação. A tarefa pareceria grande demais, em vista das barreiras políticas que agora retardam a pregação em alguns países, bem como em vista da “explosão demográfica”, que resulta em haver cada ano outros milhões de pessoas que não ouviram a mensagem. Mas, felizmente, Quem decide até que ponto se deve dar testemunho às nações não é homem ou grupo de homens; é Jeová Deus! O que ele fará estará em plena harmonia com o que ele é — Deus sábio, justo, amoroso e compassivo. Por que podemos ter certeza disso?

      8. Qual é o conceito de Jeová sobre os homens obterem a vida eterna?

      8 Jeová enviou seu Filho à terra como “resgate correspondente por todos”. (1 Tim. 2:6; João 3:16) Deus assegura-nos que não deseja que alguém perca a vida pela desobediência. Conforme diz 2 Pedro 3:9: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, . . . mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” Visto que Ele “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”, o Criador concedeu às pessoas tempo para saberem da salvação e se arrependerem. (1 Tim. 2:4, Matos Soares) Que Jeová fez com que suas Testemunhas proclamassem as “boas novas” em mais de 200 terras e ilhas dos mares é evidência de que ele se importa; Jeová quer que as pessoas se tornem obedientes e obtenham a bênção da vida eterna. — Rom. 6:23; Heb. 5:9; veja Isaías 55:6, 7; Malaquias 3:7.

      9. (a) Como é possível que a obra de pregação atinja uma escala ainda maior? (b) Que exemplos corroboram isso?

      9 Simplesmente não sabemos quanto maior será ainda a escala da obra de testemunho. Não devemos desperceber que Jeová é responsável por esta obra e que ele está usando anjos no céu para supervisioná-la. (Rev. 14:6, 7) Veja o que aconteceu num único dia do ano de 33 E. C.! (Atos 2:37-42) Nos tempos modernos, pense no que aconteceu na União Soviética. Não faz muitos anos atrás, talvez parecesse impossível imaginar que as “boas novas” fossem pregadas em todo aquele país comunista. Mas agora estão sendo pregadas até mesmo na remota Sibéria. No livro O Dilema Humano do Cremlim (em inglês), Maurice Hindus escreveu sobre as Testemunhas de Jeová:

      “Não se consegue impedi-las. Suprimidas em um lugar, reaparecem em outro ora na Rússia Européia, ora na Sibéria. . . . Parecem tão indestrutíveis como a polícia soviética que está decidida a eliminá-las do cenário soviético.” — P. 304.

      Também, em muitos países os Salões do Reino ficam lotados dum modo que é espantoso para os que participaram na obra de pregação antes dos meados dos 1960. Sim, Jeová faz com que sua mensagem seja pregada.

      10. No que se refere a esta pregação, em que devemos nós concentrar-nos?

      10 Visto que se nos garante que nosso Deus todo-poderoso e justo decidirá quando a pregação já foi feita ao ponto que ele determinou, podemos concentrar-nos inteiramente no que nós temos de fazer. Ele não disse que nós devemos decidir quando já se fez pregação suficiente, mas mandou que continuássemos a proclamar as boas novas. Há vidas em jogo. Reconhecermos isso, junto com a percepção de que Deus nos comissionou que pregássemos, deve induzir-nos à ação!

      11. (a) Que lição podemos aprender das palavras de Jeová em Ezequiel 33:7-9? (b) Assim como Paulo, que preocupação devemos ter com a pregação?

      11 Podemos tirar uma lição daquilo que Jeová Deus disse a Ezequiel, sobre a responsabilidade deste para com a iminente destruição:

      “Constituí-te vigia para a casa de Israel, e da minha boca terás de ouvir a palavra e dar-lhes aviso da minha parte. Quando eu disser ao iníquo: ‘Ó iníquo, positivamente morrerás!’ mas tu realmente não falares para avisar o iníquo do seu caminho, ele mesmo morrerá como iníquo no seu próprio erro, mas o sangue dele requererei de volta da tua própria mão. Mas, no que se refere a ti, se realmente avisares o iníquo do seu caminho, para que recue dele, mas ele realmente não recuar do seu caminho, ele mesmo morrerá no seu próprio erro, ao passo que tu mesmo certamente livrarás a tua própria alma.” — Eze. 33:7-9.

      Jeová falou estas palavras antes da destruição de Jerusalém em 607 A. E. C. Mas, elas também têm significado para os cristãos atuais, que têm uma mensagem que serve tanto de aviso como de convite, para que as pessoas ‘recuem de seus pecados e pratiquem o juízo e a justiça’. (Eze. 33:14) Nossa preocupação deve ser igual à do apóstolo Paulo:

      “Paulo começou a ocupar-se intensamente com a palavra, testemunhando aos judeus para provar que Jesus é o Cristo. Mas, quando persistiam em opor-se e em falar de modo ultrajante, sacudiu a sua roupa e disse-lhes: ‘O vosso sangue caia sobre as vossas cabeças. Eu estou limpo.’” — Atos 18:5, 6.

      Com tanta evidência disponível a respeito da iminência da terminação deste sistema iníquo de coisas, nós também devíamos ‘ocupar-nos intensamente com a palavra, testemunhando’. Procedendo assim podemos estar ‘limpos do sangue de todos os homens’ e podemos aguardar a decisão de Deus sobre quando a obra de pregação estará feita para a sua satisfação. — Atos 20:26.

      QUAL SERÁ O JULGAMENTO DELE?

      12, 13. (a) Há motivo de preocupação com o julgamento de Jeová na terminação do sistema de coisas? (b) Como é isso corroborado por aquilo que lemos em Ezequiel 33:17?

      12 Relacionado com a questão de até que ponto as boas novas do Reino ainda serão pregadas há certo desassossego da parte de alguns quanto a qual será o julgamento de Jeová na terminação do sistema de coisas. Preocupam-se, de certo modo, em saber se o julgamento de Jeová será eqüitativo e justo, ou não.

      13 Na realidade, porém, será que há qualquer motivo para se preocupar, visto que Jeová será responsável pelo resultado? Há muito tempo atrás, o profeta Isaías escreveu sobre Jeová Deus: “Com quem se consultou ele para que o faça compreender ou quem o ensina na vereda da justiça, ou lhe ensina conhecimento, ou lhe faz saber o próprio caminho do verdadeiro entendimento?” (Isa. 40:14) Não é verdade que nenhum homem jamais precisou ensinar a Deus eqüidade e justiça? Quando alguns israelitas disseram: “O caminho de Jeová não é acertado”, quem é que estava em falta? Não Jeová, mas aqueles homens imperfeitos, com seu conceito imperfeito do que era certo. Conforme Ezequiel registrou: “No que se refere a eles, é o caminho deles que não é acertado.” (Eze. 33:17) Podemos ter absoluta confiança em que o julgamento de Jeová, na terminação do sistema de coisas, será justo, eqüitativo, amoroso e misericordioso.

      14. Quando se cumpre a ilustração das ovelhas e dos cabritos?

      14 Uma ilustração que Jesus contou fornece alguma informação sobre este julgamento. Os apóstolos haviam perguntado a Cristo sobre o ‘sinal da sua presença e da terminação do sistema de coisas’. (Mat. 24:3) A parte final da resposta dele foi a parábola das ovelhas e dos cabritos. (Mat. 25:31-46) Esta ilustração tem cumprimento agora, pois, em 1914 E. C., começou a sua “presença” no poder do Reino; foi então que ‘o Filho do homem chegou na sua glória e se assentou no seu trono glorioso’. (Mat. 25:31; Dan. 7:13, 14) A sua aplicação a este período, entre o começo de sua “presença” e a destruição do sistema de coisas, é também confirmado por Jesus falar a respeito de seus irmãos espirituais, os remanescentes dos 144.000, como sendo maltratados e encarcerados; isto é algo que lhes acontece agora, não algo que ocorrerá na Nova Ordem. — Rev. 12:17.

      15. Por que podemos concluir que estamos num tempo de julgamento?

      15 Nesta ilustração, Jesus disse que, durante este período, “diante dele [como Rei entronizado] serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”. (Mat. 25:32) Não se trata ali de mera solução temporária do assunto, mas envolve julgamentos decisivos feitos por aquele que foi designado por Jeová para julgar os vivos e os mortos”. (2 Tim. 4:1; João 5:26, 27) Pois bem, podemos concluir disso que, no período atual, a atitude e as ações de alguns resultarão em merecerem a destruição eterna? Embora alguns talvez hesitem em chegar a uma conclusão tão decisiva, note o que Jesus disse sobre os que agora mostram ser “cabritos”: “Afastai-vos de mim, vós os que tendes sido amaldiçoados, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos.” (Mat. 25:41, 46; 2 Tes. 1:6-9) Portanto, o tempo atual é quando a vida eterna de tais pessoas está em jogo; é um tempo de julgamento.

      16, 17. (a) Por que não estão os homens em condições de fazer um julgamento a respeito dos “cabritos”? (b) O que devemos fazer a respeito disso?

      16 Note, porém, que Jesus não deixou entregue aos homens a decisão de quem é “ovelha” e quem é “cabrito”. E isso é muito bom! Pois, se nós, humanos, fôssemos responsáveis pelo julgamento, como poderíamos avaliar devidamente fatores tais como: Quanta oportunidade teve a pessoa para ouvir e aceitar as boas novas? Foi a reação dela condicionada pela sua formação genética, familiar ou religiosa? Qual é a condição de seu coração — ama ela a justiça? Se for criança ou tiver nascido com retardamento mental, que influência teria nisso a responsabilidade familiar ou comunal? — 1 Cor. 7:14; Deu. 30:19.

      17 Sem dúvida, nenhum de nós está habilitado para pesar esses fatores e princípios vitais, e talvez também muitos outros. Não poderíamos fazer julgamentos ‘perfeitos, justos e retos’. (Deu. 32:4) Então, por que devíamos ficar desnecessariamente envolvidos em tentar decidir quem sobreviverá e quem não? Se disséssemos: ‘Acho que essas pessoas, nesta determinada situação, são “cabritos” e perecerão eternamente, mas aquelas outras, naquela categoria, viverão’, não nos constituiríamos em juízes? (Tia. 4:12) Em vez de tentarmos decidir se certa pessoa, família ou grupo de pessoas se enquadra na descrição dos “cabritos”, ou não, podemos contentar-nos em deixar o assunto entregue ao “Juiz de toda a terra”. — Gên. 18:25.

      18. (a) Segue Deus apenas uma justiça estrita? (b) Por que podemos ter certeza de que seus julgamentos serão justos e eqüitativos?

      18 Os julgamentos de Deus não são mera aplicação da justiça estrita e insensível. Sua misericórdia, compaixão e amor também estão envolvidos. Conforme o expressou o salmista Davi: “Ele nem mesmo fez a nós segundo os nossos pecados; nem trouxe sobre nós o que merecemos segundo os nossos erros.” (Sal. 103:10) Na realidade, o único salário que os homens imperfeitos e pecadores merecem é a morte. (Rom. 6:23) Contudo, Jeová, na sua misericórdia e compaixão, determinou que a mensagem de salvação fosse divulgada amplamente, para que os homens pudessem obter a vida. Ele quer que a obtenham. (Eze. 33:11; Isa. 55:6, 7) Se a misericórdia, o amor e a compaixão foram demonstrados de modo tão coerente até o tempo atual, e nós fomos beneficiados com isso, então, não podemos ter absoluta certeza de que também entrarão em jogo no julgamento na terminação do sistema de coisas? Sim, os sobreviventes estarão absolutamente certos ao proclamarem: “Jeová Deus, o Todo-poderoso, verdadeiras e justas são as tuas decisões judiciais.” — Rev. 16:5-7; 19:1, 2.

      RESSURREIÇÃO — DE QUEM?

      19, 20. O que ensina a Bíblia sobre uma ressurreição futura?

      19 Vimos que há bons motivos para termos confiança na eqüidade e justiça de Deus, no que se refere à pregação das “boas novas do reino” e seu julgamento na terminação do sistema de coisas. Temos igual motivo de confiança quanto ao que Jeová fará na ressurreição de pessoas.

      20 Ele nos assegura na Sua Palavra que “há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15) O testemunho bíblico indica que todos os que morreram e que foram ao Seol ou Hades, a sepultura comum da humanidade falecida, serão ressuscitados. (Rev. 20:13) Portanto, muitos milhões de pessoas que morreram no passado terão a oportunidade de seguir os caminhos justos de Jeová, na Nova Ordem, e obter a vida eterna. Mas, a Bíblia mostra também que nem todos serão ressuscitados. Conforme vimos, isto se dará porque alguns pecaram contra o espírito santo e foram julgados por Jeová como merecendo a destruição eterna, sendo entregues à Geena. — Mar. 3:28, 29; Heb. 6:4-6; Mat. 23:33.

      21. Estamos em condições de saber quem será ressuscitado dentre os mortos? Por quê?

      21 Alguns se perguntaram: ‘Será que este parente meu será ressuscitado? Ou que dizer daquele conhecido ou daquele determinado governante, que perseguiu os verdadeiros cristãos?’ É possível que surjam tais perguntas. Contudo, será que alguém de nós está em condições de chegar a conclusões definitivas? Quando a própria Bíblia não diz especificamente que determinada pessoa foi para o Hades, ao morrer, ou que foi entregue à destruição eterna, simplesmente não podemos ser dogmáticos quanto ao que vai acontecer. Não sabemos todos os fatos a respeito da vida da pessoa. Além disso, quem pode ler o coração da pessoa? Nós não. Mas Jeová possui todos os fatos e pode ler o coração. Lemos: “Eu, Jeová, esquadrinho o coração, . . . para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo os frutos das suas ações.” (Jer. 17:9, 10; 1 Sam. 16:7) Portanto, em vez de tentarmos decidir quem será ressuscitado e quem não, temos bons motivos de ter confiança em que Jeová e Jesus farão o que for justo e eqüitativo. — João 5:30; Rom. 9:14.

      CONFIANÇA NO QUE ELE PROVER

      22. Fornece a Bíblia todos os pormenores sobre o que Deus proverá aos ressuscitados?

      22 A Bíblia não fornece todos os pormenores sobre a ressurreição. Por exemplo, ela não diz com quem os ressuscitados viverão, nem onde. Por isso, será sabedoria da nossa parte não especular sobre tais assuntos e talvez perturbar a nós mesmos e a outros. Antes, com confiança em Deus, podemos simplesmente esperar para ver.

      23. (a) Que pergunta fizeram líderes religiosos judaicos a Jesus sobre a ressurreição? (b) A quem se aplica a resposta de Jesus?

      23 A Bíblia, porém, faz alguns comentários sobre a questão do casamento. Certa vez, alguns líderes religiosos, judaicos, que não sabiam nada sobre uma ressurreição à vida no céu, fizeram uma pergunta a respeito duma mulher judaica, sob a lei de Moisés, que tivera sete maridos. Perguntaram sobre a esposa de quem ela seria na ressurreição. Jesus respondeu:

      “Os filhos deste sistema de coisas casam-se e são dados em casamento, mas os que têm sido contados dignos de ganhar aquele sistema de coisas e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem são dados em casamento. De fato, tampouco podem mais morrer, porque são como os anjos, e são filhos de Deus por serem filhos da ressurreição. Mas, que os mortos são levantados, até mesmo Moisés expôs, no relato sobre o espinheiro, quando ele chamou Jeová ‘o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó’. Ele é Deus, não de mortos, mas de viventes, pois, para ele, todos estes vivem.” — Luc. 20:34-38; Mat. 22:29-32.

      Estava Jesus falando sobre uma ressurreição celestial? Não, Jesus não deixou sem resposta a sua pergunta sobre a ressurreição terrestre; respondeu a ela. Falou sobre a ressurreição para a vida na terra, tal como Abraão, Isaque e Jacó terão. Esses fiéis não receberão a imortalidade, mas serão semelhantes aos anjos. Como? Em que os anjos são mortais, mas por permanecerem leais a Jeová, nunca morrerão. Recompensados com o direito à vida eterna, ninguém lhes poderá tirar a vida sem autorização de Deus. A vida infindável na terra é uma bênção que só Jeová pode prover, e ele a proverá e preservará!

      24. Por que motivo se incluiu na Bíblia a informação quanto ao efeito da morte sobre o vínculo marital?

      24 Ao dar a resposta, Jesus indicou que a morte dissolve os vínculos maritais, fato que mais tarde foi confirmado por Paulo. (Rom. 7:3; 1 Cor. 7:39) Portanto, caso o marido duma mulher morra, precisa ela sentir-se obrigada a ficar sem marido ou pai para seus filhos? Não. E por que sabemos isso? Porque Jeová incluiu bondosamente esta informação na Bíblia. Embora não tentasse fornecer-nos todos os pormenores sobre os arranjos familiares na Nova Ordem, ajudou-nos assim a eliminar um possível problema para os cristãos que ainda estão no atual sistema de coisas. Não aumenta nossa confiança em que quaisquer arranjos que Ele fizer para nós na Nova Ordem também refletirão amor, compaixão e sabedoria, visto que mostrou tanta compreensão e compaixão assim?

      25. Por que temos prazer em servir a Jeová?

      25 Satanás afirmou que os homens servem a Jeová apenas pelo que podem egoistamente conseguir com isso. Mas os verdadeiros cristãos não servem a Deus primariamente pelas bênçãos que recebem agora ou por causa daquilo que esperam receber na Nova Ordem. Servem a Ele por genuíno amor e por causa do privilégio que têm, de santificar o nome dele, e têm prazer em servir a Jeová tanto agora como para sempre, por causa daquilo que ele é. Ele é nosso Criador, a quem agradecemos a vida. (Sal. 100:3-5) Ele é também um Deus que merece nossa adoração por causa das suas próprias qualidades e seu proceder: “Deus de fidelidade e sem injustiça; justo e reto é ele.” — Deu. 32:4.

      26. Nosso conhecimento de Jeová e de Jesus nos fornece que conceito sobre o futuro?

      26 Jeová nunca nos desapontará. Seus atos justos nos induzem a ser sempre gratos que Ele é nosso Deus. E o governo milenar de seu Filho, que “é o reflexo da sua glória e a representação exata do seu próprio ser”, ficará assinalado pela mesma justiça e eqüidade. (Heb. 1:3) A Bíblia descreve este governo do seguinte modo: “Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido. O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” (Isa. 9:7; 11:2-5) Podemos aguardar com plena confiança essas bênçãos de Jeová Deus e seu Filho.

  • ‘Nem apto para tirar as sandálias do Messias’
    A Sentinela — 1976 | 1.° de dezembro
    • ‘Nem apto para tirar as sandálias do Messias’

      ● Com respeito ao Messias, João Batista disse: “O que vem depois de mim é mais forte do que eu, não sendo eu nem apto para tirar-lhe as sandálias.” (Mat. 3:11) No primeiro século E. C., era comum que as pessoas tirassem as sandálias ao entrarem numa casa, pondo-as depois novamente ao saírem. O serviço de tirar as sandálias de alguém era considerado muito ordinário, a ser realizado pelo escravo mais inferior. Portanto, ao falar assim, João expressou grande humildade, apresentando-se como indigno de ser mesmo apenas escravo do Messias.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar