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Livro bíblico número 3 — Levítico“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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22. (a) Por que é notável o capítulo 16? (b) Qual é o procedimento no Dia da Expiação?
22 Dia da Expiação (16:1-34). Este é um capítulo notável, pois contém as instruções para o dia mais importante para Israel, o Dia da Expiação, que cai no décimo dia do sétimo mês. É um dia para afligir a alma (com toda a probabilidade com jejum) e não se permitirá nenhum trabalho secular. Começa com a oferta de um novilho pelos pecados de Arão e sua família, a tribo de Levi, seguida da oferta de um bode pelo restante da nação. Depois da queima do incenso, parte do sangue dos dois animais tem de ser trazida, por sua vez, para o Santíssimo do tabernáculo, a fim de ser aspergido perante a tampa da Arca. Mais tarde, as carcaças dos animais têm de ser levadas para fora do acampamento e ser queimadas. Neste dia tem de se apresentar também um bode vivo diante de Jeová, e sobre ele tem de se declarar todos os pecados do povo, após o que tem de ser conduzido para fora, para o ermo. Daí, dois carneiros tem de ser oferecidos como ofertas queimadas, um para Arão e sua família, e outro para o restante da nação.
23. (a) Onde encontramos uma das mais explícitas declarações sobre o sangue na Bíblia? (b) Que outros regulamentos se seguem?
23 Estatutos sobre sangue e outros assuntos (17:1-20:27). Esta parte apresenta muitos estatutos para o povo. Proíbe-se outra vez o sangue, numa das mais explícitas declarações sobre sangue que existe nas Escrituras. (17:10-14) O sangue pode ser usado apropriadamente no altar, mas não para consumo. Proíbem-se práticas detestáveis, como incesto, sodomia e bestialidade. Há regulamentos para a proteção dos aflitos, dos humildes e dos estrangeiros, e dá-se o mandamento: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Jeová.” (19:18) Resguarda-se o bem-estar social e econômico da nação, e os perigos espirituais, tais como a adoração de Moloque e o espiritismo, são proscritos, sob pena de morte. Deus frisa outra vez a necessidade de seu povo manter-se separado: “E tendes de mostrar-vos santos para mim, porque eu, Jeová, sou santo, e estou passando a separar-vos dos povos para vos tornardes meus.” — 20:26.
24. O que delineia Levítico quanto às qualificações sacerdotais e às festas sazonais?
24 O sacerdócio e as festividades (21:1-25:55). Os três capítulos seguintes tratam principalmente da adoração formal de Israel: os estatutos que governam os sacerdotes, as suas qualificações físicas, com quem podem casar-se, quem pode comer coisas sagradas e os requisitos quanto a animais sadios que devem ser usados em sacrifícios. Ordenam-se três festividades nacionais sazonais, proporcionando ocasiões de ‘alegria perante Jeová, vosso Deus’. (23:40) Como um só homem, a nação voltará assim a sua atenção, louvor e adoração a Jeová, fortalecendo a sua relação com ele. Essas são festividades para Jeová, santos congressos anuais. A Páscoa, juntamente com a Festividade dos Pães Não Fermentados, é marcada para princípios da primavera; o Pentecostes, ou a Festividade das Semanas, em fins da primavera; e o Dia da Expiação, juntamente com a Festividade das Barracas, ou Recolhimento, de oito dias, no outono.
25. (a) Como se demonstra que “o Nome” tem de ser tido em honra? (b) Que regulamentos envolvem o número “sete”?
25 No capítulo 24, dá-se instrução relativa ao pão e ao azeite a serem usados no serviço do tabernáculo. Segue-se ali o incidente em que Jeová decide que todo aquele que abusar do “Nome” — sim, o nome Jeová — tem de ser morto por apedrejamento. Declara a seguir a lei da punição de igual por igual: “Olho por olho, dente por dente.” (24:11-16, 20) No capítulo 25, acham-se regulamentos sobre o sábado de um ano, ou ano de repouso, a ser comemorado a cada 7 anos, e o Jubileu, a cada 50 anos. Neste 50.º ano, deve-se proclamar a liberdade em todo o país, e as propriedades hereditárias vendidas ou cedidas durante os últimos 49 anos devem ser restituídas. Dão-se leis que protegem os direitos dos pobres e dos escravos. Nesta parte, o número “sete” aparece destacadamente — o sétimo dia, o sétimo ano, festividades de sete dias, um período de sete semanas, e o Jubileu, a vir depois de sete vezes sete anos.
26. Em que atinge Levítico o seu clímax?
26 As conseqüências da obediência e da desobediência (26:1-46). O livro de Levítico atinge o seu clímax neste capítulo. Jeová alista aqui as recompensas pela obediência e os castigos pela desobediência. Ao mesmo tempo, apresenta a esperança para os israelitas se estes se humilharem, dizendo: “Vou lembrar-me, em seu benefício, do pacto dos antecessores que fiz sair da terra do Egito sob os olhares das nações, para mostrar-me seu Deus. Eu sou Jeová.” — 26:45.
27. Como termina Levítico?
27 Estatutos diversos (27:1-34). Levítico termina com instruções sobre o manejo das ofertas votivas, sobre o primogênito para Jeová e sobre a décima parte que é santificada para Jeová. Daí, vem o breve colofão: “Estes são os mandamentos que Jeová deu a Moisés como ordens para os filhos de Israel, no monte Sinai.” — 27:34.
POR QUE É PROVEITOSO
28. De que proveito é Levítico para os cristãos hoje?
28 Como parte das Escrituras inspiradas, o livro de Levítico é de grande proveito para os cristãos hoje. É ajuda maravilhosa para se ter apreço por Jeová, seus atributos e seus modos de tratar as suas criaturas, conforme demonstrou tão claramente para com Israel sob o pacto da Lei. Levítico declara muitos princípios básicos que sempre vigorarão, e contém muitos modelos proféticos, bem como profecias, cuja consideração fortalece a fé. Muitos de seus princípios são declarados outra vez nas Escrituras Gregas Cristãs, alguns deles sendo citados diretamente. Sete pontos de realce são considerados abaixo.
29-31. Como é que Levítico frisa o respeito (a) pela soberania, (b) pelo nome e (c) pela santidade de Jeová?
29 (1) A soberania de Jeová. Ele é o Legislador, e nós, como criaturas suas, temos de prestar-lhe contas. De direito, ele nos ordena que o temamos. Como Soberano Universal, ele não tolera rivalidade, seja esta em forma de idolatria, de espiritismo ou de outras formas de demonismo. — Lev. 18:4; 25:17; 26:1; Mat. 10:28; Atos 4:24.
30 (2) O nome de Jeová. O seu nome precisa ser mantido sagrado, e não nos atrevemos a trazer opróbrio sobre ele mediante palavras ou ações. — Lev. 22:32; 24:10-16; Mat. 6:9.
31 (3) A santidade de Jeová. Visto que ele é santo, seu povo precisa também ser santo, isto é, santificado ou separado para o Seu serviço. Isto inclui mantermo-nos separados do mundo ímpio que nos cerca. — Lev. 11:44; 20:26; Tia. 1:27; 1 Ped. 1:15, 16.
32-34. Que princípios são delineados quanto (a) ao pecado, (b) ao sangue e (c) à culpa relativa?
32 (4) A excessiva pecaminosidade do pecado. É Deus quem determina o que é pecado, e nós precisamos precaver-nos dele. O pecado sempre requer um sacrifício de expiação. Além disso, requer também da nossa parte a confissão, o arrependimento e corrigir a situação ao máximo possível. Para certos pecados não pode haver perdão. — Lev. 4:2; 5:5; 20:2, 10; 1 João 1:9; Heb. 10:26-29.
33 (5) A santidade do sangue. Visto que o sangue é sagrado, não pode ser ingerido no corpo de forma alguma. O único uso permitido do sangue é como expiação pelo pecado. — Lev. 17:10-14; Atos 15:29; Heb. 9:22.
34 (6) Relatividade da culpa e da punição. Nem todos os pecados e os pecadores eram considerados à mesma luz. Quanto mais elevado o cargo, tanto maiores eram a responsabilidade e a penalidade pelo pecado. O pecado deliberado era punido de modo mais severo do que o pecado não intencional. As penalidades variavam muitas vezes segundo a habilidade de pagar. Este princípio de relatividade se aplicava também nos campos que não fossem de pecado e de punição, como na impureza cerimonial. — Lev. 4:3, 22-28; 5:7-11; 6:2-7; 12:8; 21:1-15; Luc. 12:47, 48; Tia. 3:1; 1 João 5:16.
35. Como resume Levítico os nossos deveres para com o nosso próximo?
35 (7) Justiça e amor. Resumindo os nossos deveres para com o próximo, Levítico 19:18 diz: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” Isto abrange tudo. Torna proibitivo mostrar parcialidade, roubar, mentir ou caluniar, e requer que se mostre consideração para com os incapacitados, os pobres, os cegos e os surdos. — Lev. 19:9-18; Mat. 22:39; Rom. 13:8-13.
36. O que prova que Levítico é proveitoso para a congregação cristã?
36 Também, provando que Levítico é notavelmente ‘proveitoso para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça’ na congregação cristã, há as repetidas referências feitas a ele por Jesus e seus apóstolos, notavelmente Paulo e Pedro. Estes trouxeram à atenção os muitos modelos proféticos e as sombras das coisas por vir. Segundo observou Paulo: “A Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras.” Delineia uma ‘representação típica e sombra das coisas celestiais’. — 2 Tim. 3:16; Heb. 10:1; 8:5.
37. Que cumprimentos de prefigurações são descritos em Hebreus?
37 O tabernáculo, o sacerdócio, os sacrifícios e em especial o anual Dia da Expiação tiveram todos um significado prefigurativo. Paulo, na sua carta aos hebreus, ajuda-nos a identificar as partes correspondentes espirituais destas coisas, em relação com a “verdadeira tenda” da adoração de Jeová. (Heb. 8:2) O principal sacerdote, Arão, representa a Cristo Jesus “como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita”. (Heb. 9:11; Lev. 21:10) O sangue dos sacrifícios de animais prefigura o sangue de Jesus, que obtém “para nós um livramento eterno”. (Heb. 9:12) O compartimento mais recôndito do tabernáculo, o Santíssimo, onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para apresentar o sangue sacrificial, é “cópia da realidade”, o “próprio céu”, para o qual Jesus ascendeu, “para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus”. — Heb. 9:24; Lev. 16:14, 15.
38. Como foram cumpridos em Jesus os sacrifícios típicos?
38 As próprias vítimas sacrificiais — animais sadios e sem mácula oferecidos como ofertas queimadas ou pelo pecado — representam o sacrifício perfeito e sem mácula do corpo humano de Jesus Cristo. (Heb. 9:13, 14; 10:1-10; Lev. 1:3) É interessante que Paulo considera também a característica do Dia da Expiação, em que as carcaças dos animais das ofertas pelo pecado eram levadas para fora do acampamento e queimadas. (Lev. 16:27) “Por isso, Jesus também”, escreve Paulo, “sofreu fora do portão. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando o vitupério que ele levou”. (Heb. 13:12, 13) Mediante tal interpretação inspirada, os procedimentos cerimoniais, esboçados em Levítico, assumem importância maior, e podemos começar, deveras, a compreender quão maravilhosamente Jeová fez ali sombras que inspiram respeito, indicando as realidades que só poderiam ser esclarecidas mediante o espírito santo. (Heb. 9:8) Tal entendimento correto é vital para os que querem tirar proveito da provisão para a vida que Jeová faz mediante Cristo Jesus, o “grande sacerdote sobre a casa de Deus”. — Heb. 10:19-25.
39. Como é que Levítico se une a “toda a Escritura” em dar a conhecer os propósitos do Reino de Jeová?
39 Semelhante à casa sacerdotal de Arão, Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote, tem subsacerdotes associados consigo. Fala-se a respeito destes como sendo “sacerdócio real”. (1 Ped. 2:9) Levítico indica claramente e explica o trabalho de expiar pecados feito pelo grande Sumo Sacerdote e Rei de Jeová, bem como os requisitos exigidos dos membros de sua casa, dos quais se fala como sendo ‘felizes e santos’, e ‘sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinando com ele por mil anos’. Que bênção esse trabalho sacerdotal realizará em soerguer humanos obedientes à perfeição, e que felicidade esse Reino celestial trará, restaurando a paz e a justiça na terra! Certamente, devemos todos agradecer ao Deus santo, Jeová, o seu arranjo de um Sumo Sacerdote e Rei, e de um sacerdócio real para declarar em toda a parte as Suas excelências, em santificação de Seu nome! Deveras, Levítico se une de modo maravilhoso a “toda a Escritura” em dar a conhecer os propósitos do Reino de Jeová. — Rev. 20:6.
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Livro bíblico número 4 — Números“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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Livro bíblico número 4 — Números
Escritor: Moisés
Lugar da Escrita: Ermo e planícies de Moabe
Escrita Completada: 1473 AEC
Tempo Abrangido: 1512-1473 AEC
1. Por que foram registrados os eventos em Números, e o que inculcam em nós?
OS EVENTOS da jornada dos israelitas pelo ermo foram registrados na Bíblia para o nosso proveito hoje.a Como disse o apóstolo Paulo: “Ora, estas coisas tornaram-se exemplos para nós, para que não fôssemos pessoas desejosas de coisas prejudiciais.” (1 Cor. 10:6) O vívido registro de Números inculca em nós que a sobrevivência depende de santificar o nome de Jeová, de lhe obedecer em todas as circunstâncias e de mostrar respeito pelos seus representantes. Seu favor não resulta de bondade ou de mérito de seu povo, mas de Sua grande misericórdia e benignidade imerecida.
2. A que se refere o nome Números, mas, que título mais apropriado deram os judeus a esse livro?
2 O nome Números se refere à numeração das pessoas, efetuada primeiro junto ao monte Sinai e, mais tarde, nas planícies de Moabe, segundo registrada nos capítulos 1-4 e 26 de Números. Este nome vem do título Numeri, na Vulgata latina, e se deriva de A·rith·moí na Septuaginta grega. Contudo, os judeus chamam esse livro mais apropriadamente de Bemidh·bár, que significa “No Ermo”. A palavra hebraica midh·bár indica um lugar descampado, desprovido de cidades e povoados. Foi no ermo, ao sul e ao leste de Canaã, que ocorreram os eventos de Números.
3. Que prova há de que Moisés escreveu Números?
3 Números evidentemente fazia parte do volume quíntuplo original, que incluía os livros de Gênesis a Deuteronômio. O primeiro versículo(1:1) começa com a conjunção “e”, ligando-o com o que precede. Assim, deve ter sido escrito por Moisés, o escritor dos registros precedentes. Isto também fica claro da declaração no livro de que “Moisés registrava” e do colofão: “Estes são os mandamentos e as decisões judiciais que Jeová ordenou aos filhos de Israel por meio de Moisés.” — Núm. 33:2; 36:13.
4. Que período abrange Números, e quando foi completado o livro?
4 Os israelitas haviam saído do Egito um pouco mais de um ano antes. Iniciando o relato no segundo mês do segundo ano depois do Êxodo, Números abrange os próximos 38 anos e nove meses, de 1512 a 1473 AEC. (Núm. 1:1; Deut. 1:3) Embora não se enquadrem nesse período, os eventos relatados em Números 7:1-88 e 9:1-15 são incluídos como informações de fundo. As partes iniciais do livro foram, sem dúvida, escritas à medida que os eventos se desenrolavam, mas é evidente que Moisés não poderia ter completado Números senão perto do fim do 40.º ano no ermo, em princípios do ano calendar de 1473 AEC.
5. Que características atestam a autenticidade de Números?
5 Não pode haver dúvida quanto à autenticidade do relato. A respeito da terra geralmente árida
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