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Levítico, Livro DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Testemunhando que Levítico foi deveras escrito no deserto, há suas referências que refletem a vida num acampamento. (Lev. 4:21; 10:4, 5; 14:8; 17:1-5) Por isso, não foi escrito por alguém mais tarde, quando tais circunstâncias incomuns não mais prevaleciam, conforme afirmam alguns.
ESCRITOR
Toda a evidência precedente ajuda igualmente a identificar Moisés como o escritor. Ele obteve informações de Jeová (Lev. 26:46), e as palavras finais desse livro são: “Estes são os mandamentos que Jeová deu a Moisés como ordens para os filhos de Israel, no monte Sinai.” (Lev. 27:34) Ademais, Levítico é parte do Pentateuco, sendo geralmente admitido que o escritor deste é Moisés. Não só o início de Levítico: “e . . . ” indica sua conexão com Êxodo, e, portanto, com o restante do Pentateuco, mas também o modo como Jesus Cristo e os escritores das Escrituras Cristãs se referem a ele mostra que sabiam ser um escrito de Moisés, e parte inquestionável do Pentateuco. À guisa de exemplo, veja a referência de Cristo a Levítico 14:1-32 (Mat. 8: 2-4), a referência de Lucas a Levítico 12: 2-4, 8 (Luc. 2:22-24), e a paráfrase de Paulo de Levítico 18:5 (Rom. 10:5).
ESBOÇO DO CONTEÜDO
I. Regulamentos sobre sacrifícios (1:1 a 7:38)
A. Normas de procedimento para ofertas queimadas (1:1-17)
B. Preparação e apresentação de ofertas de cereais (2:1-16)
C. Maneira de lidar com sacrifícios de comunhão, inclusive a proibição de se comer gordura e sangue (3:1-17)
D. Normas de procedimento envolvendo ofertas pelo pecado e ofertas pela culpa; vários pecados que exigiam sacrifício (4: 1 a 6:7)
E. Instruções para sacerdotes sobre como cuidar da oferta queimada, da oferta de cereais, da oferta a ser apresentada no dia da unção, da oferta pelo pecado e da oferta pela culpa (6:8 a 7:7)
F. Sacerdote recebia partes de várias ofertas; regulamentos sobre comer sacrifícios de comunhão (7:8-38)
II. Norma de procedimento para investidura do sacerdócio arônico (8:1-36)
III. Sacerdócio arônico começa a operar (9:1 a 10:20)
A. Sacrifícios apresentados no altar; oferta queimada e pedaços gordos consumidos por fogo da parte de Jeová (9:1-24)
B. Nadabe e Abiú consumidos por fogo da parte de Jeová por terem oferecido fogo ilegítimo; Arão e outros filhos acatam ordem de não prantearem, nem deixarem a entrada da tenda de reunião (10:1-7)
C. Sacerdotes recebem ordem de não tomar vinho nem bebida alcoólica inebriante quando oficiam (10:8-11)
D. Moisés aconselha Arão, Eleazar e Itamar sobre a porção sacerdotal dos sacrifícios, e fica indignado porque Eleazar e Itamar não comeram bode da oferta pelo pecado (10:12-20)
IV. Animais limpos (puros) ou impuros como alimento; impureza vinda de cadáveres (11:1-47)
V. Purificação das mulheres ao darem à luz (12:1-8)
VI. Lepra; sintomas e normas de procedimento no caso de humanos, roupas, outros artigos e casas; oferta para leproso purificado e casa purificada (13:1 a 14:57)
VII. Impureza advinda de secreções sexuais de homens e mulheres (15:1-33)
VIII. Norma de procedimento seguida no anual Dia da Expiação (16:1-34)
IX. Regulamentos sobre comer carne, ofertas; proibição de se comer sangue; lei sobre comer animais já mortos (17:1-16)
X. Decisões judiciais sobre incesto, perversões sexuais e numerosas outras práticas detestáveis, inclusive idolatria, espiritismo, mentira, calúnia e coisas semelhantes (18: 1 a 20:27)
XI. Sacerdotes deviam manter-se santos; regulamentos sobre casarem-se e sobre defeitos que os tornariam inaptos para oficiar no santuário; impurezas sacerdotais; regulamentos sobre comer coisas sagradas e sobre sacrifícios (21:1 a 22:33)
XII. Festividades sazonais de Israel e modo de serem observadas (23:1-44)
XIII. Regulamentos sobre candelabro, pão da apresentação, abuso contra nome de Deus, assassínio, compensação e justiça retributiva, ano sabático, ano do Jubileu, recompra, conduta para com israelitas pobres e escravidão (24:1 a 25:55)
XIV. Bênçãos da obediência; maldições pela desobediência (26:1-46)
XV. Regulamentos sobre avaliações de votos, primogênito dos animais, coisas devotadas e dízimos (27:1-34)
VALOR DO LIVRO
Deus prometeu a Israel que, caso obedecessem à sua voz, tornar-se-iam para ele “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Êxo. 19:6) O livro de Levítico contém um registro de como Deus instituiu um sacerdócio para sua nação e lhes deu estatutos que os habilitariam a manter a santidade aos olhos dele. Embora Israel fosse apenas a “nação santa” típica de Deus, cujos sacerdotes ‘prestavam serviço sagrado numa representação típica e como sombra das coisas celestiais’ (Heb. 8:4, 5), a Lei de Deus, caso obedecida, os teria mantido limpos e como candidatos para completarem o número do seu espiritual “sacerdócio real, nação santa”. (1 Ped. 2:9) Mas a desobediência da maioria privou Israel de preencher com exclusividade os lugares dos membros do reino de Deus, conforme Jesus disse aos judeus. (Mat. 21:43) Todavia, as leis delineadas no livro de Levítico eram de inestimável valor para os que as acatavam.
Mediante as leis sanitárias e dietéticas, bem como os regulamentos sobre a moral sexual, proveram-se-lhes salvaguardas contra a doença e a depravação. (Lev., caps. 11-15, 18) Tais leis, porém, os beneficiavam mormente em sentido espiritual, porque os habilitavam a familiarizar-se com os modos santos e justos de agir de Jeová, e ajudavam-nos a ajustar-se a Seus modos. (Lev. 11:44) Ademais, os regulamentos delineados nesta parte da Bíblia, como parte da Lei, serviam como tutor para conduzir os crentes a Jesus Cristo, o grande Sumo Sacerdote de Deus, e aquele prefigurado pelos incontáveis sacrifícios oferecidos em harmonia com a Lei. — Gál. 3:19, 24; Heb. 7: 26-28; 9:11-14; 10:1-10.
O livro de Levítico continua a ser hoje de grande valor para todos que desejam servir a Jeová de forma aceitável. Um estudo do cumprimento de suas várias modalidades em relação com Jesus Cristo, o sacrifício de resgate e a congregação cristã, deveras fortalece a fé. Ao passo que é verdade que os cristãos não se acham sob o pacto da Lei (Heb. 7:11, 12, 19; 8:13; 10:1), os regulamentos delineados no livro de Levítico lhes fornecem uma perspectiva do ponto de vista de Deus sobre os assuntos. Por conseguinte, tal livro não é mera narração de pormenores secos, inaplicáveis, mas é uma fonte viva de informações. O cristão, por obter conhecimento de como Deus encara vários assuntos, alguns dos quais não são especificamente abrangidos nas Escrituras Gregas Cristãs, pode ser ajudado a evitar o que desagrada a Deus, e fazer aquilo que é agradável a Ele.
Veja o livro “Toda a Escritura Ê Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 24-28.
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LíbanoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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LÍBANO
[branco]. Em geral, a mais ocidental das duas cordilheiras que constituem o sistema montanhoso do Líbano. Seu nome talvez se derive da cor clara de seus penhascos e picos de pedra calcária, ou de que as encostas superiores da cordilheira estão recobertas de neve a maior parte do ano. (Jer. 18:14) Estendendo-se de N-NE para S-SO por c. 153 km, ao longo do mar Mediterrâneo, a cordilheira do Líbano corre paralela à do Antilíbano por c. 105 km. As duas cordilheiras são separadas por um longo e fértil vale (Coele-Síria, ou El Bicá), que mede de 10 a 16 km de largura. (Jos. 11:17; 12:7) Através deste vale corre para o N o rio Orontes, ao passo que o Litani (seu curso inferior sendo chamado de Nahr el-Kasimiye) flui para o S, e se curva em torno da ponta S da cordilheira do Líbano. O Nahr el-Kebir (Elêutero) passa fluindo pelo extremo N da cordilheira do Líbano.
Salvo raras exceções, os sopés da cordilheira do Líbano sobem quase que direto do mar Mediterrâneo, deixando apenas uma estreita planície costeira. Os picos desta cordilheira atingem, em média, entre c. 1.800 m e 2.100 m de altitude, dois picos ultrapassando essa média em mais de 900 m. Tanto a encosta oriental como a ocidental do Líbano são íngremes.
A própria cordilheira consiste em uma camada de fundo de dura pedra calcária, seguida por uma camada de arenito amarelo e vermelho que é recoberto e entremeado de pedra calcária, e, por fim, por outra camada de pedra calcária. Suas vertentes orientais são bem desprovidas de vegetação, e não possuem praticamente nenhuma corrente importante. Mas as vertentes ocidentais bem-regadas são entremeadas de riachos e gargantas. (Compare com O Cântico de Salomão 4:15.) As encostas mais baixas, em forma de terraço, do lado O, produzem cereais, vinhedos, pomares de frutas, amoreiras, nogueiras e oliveiras. (Compare com Oséias 14:5-7.) Pinheiros vicejam no rico solo da camada de arenito, e, nas maiores altitudes podem-se encontrar pequenos bosques dos majestosos cedros que, antigamente, recobriam a cordilheira, cuja madeira era usada para vários intentos. (1 Reis 6:9; Cân. 3:9; Eze. 27:5; veja CEDRO) Freixos, ciprestes e juníperos são também naturais da cordilheira do Líbano. (1 Reis 5:6-8; 2 Reis 19:23; Isa. 60:13) Entre os animais que habitam esta região acham-se os chacais, as gazelas, as hienas, os lobos e os ursos. Nos tempos antigos, eram abundantíssimas tanto as florestas como a vida selvagem, sendo uma guarida de leões e de leopardos. (Cân. 4:8; Isa. 40:16) Possivelmente, era a fragrância de suas grandes florestas que era conhecida como a “fragrância do Líbano”. — Cân. 4:11.
A região do Líbano não foi conquistada pelos israelitas sob a liderança de Josué, mas veio a se tornar a fronteira NO daquela terra. (Deut. 1:7; 3:25; 11:24; Jos. 1:4; 9:1) Os habitantes pagãos desta área, contudo, serviram para testar a fidelidade de Israel a Jeová. (Juí. 3:3, 4) Séculos mais tarde, o Rei Salomão exerceu jurisdição sobre uma parte do Líbano, e realizou ali algumas construções. (1 Reis 9:17-19; 2 Crô. 8:5, 6) É possível que um dos seus projetos de construções incluísse “a torre do Líbano, que olha para Damasco”. (Cân. 7:4; alguns, contudo, entendem que isto se refere a um dos picos do Líbano.) Nessa época, Hirão, o rei de Tiro, controlava outra parte do Líbano, de onde supria a Salomão madeira de cedro e de junípero. — 1 Reis 5:7-14.
EMPREGO ILUSTRATIVO
Muitas das referências bíblicas ao Líbano estão associadas à sua frutificação (Sal. 72:16; Isa. 35:2) e às suas luxuriantes florestas, em especial a seus majestosos cedros. (Sal. 29:5) Não raro, usa-se Líbano em sentido figurado. É representado como se estivesse num estado desconcertado, condoendo-se da terra de Judá, que fora despojada pelas forças assírias.
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