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    A Sentinela — 1968 | 1.° de março
    • Controlando a língua

      “Não faleis tão altivamente assim, não deixeis que nada irrestrito saia da vossa boca, pois Jeová é um Deus de conhecimento, e por ele as ações são corretamente avaliadas.” — 1 Sam. 2:3.

      1. Quão valiosa é a língua?

      A LÍNGUA é um dos instrumentos mais úteis que o homem possui, e é deveras uma grande dádiva de Jeová Deus. Não deveria, então, a maior expressão do homem servir para honrar a Jeová e atribuir grandeza a ele? A Bíblia transborda de casos em que os fiéis servos de Deus usaram a língua desta forma, e tais relatos se acham preservados de modo que possamos lê-los e então usar a língua para repetir tais expressões de reconhecimento grato à bondade de Deus.

      2. (a) Como é que Jeová mostra que se agrada com as palavras proferidas a ele e a respeito dele? (b) O que o agrada de modo especial?

      2 Será que poderia haver um som mais alegre do que as primeiras palavras dum bebê? Daí, à medida que o bebê gradualmente amadurece, os pais vibram de excitação ao serem proferidas palavras dotadas de significado. Quanto mais razoável é imaginar que nosso Pai celeste se agrada de ouvir seus filhos terrestres exprimirem com palavras a sua apreciação da dádiva devida que procede dele! As orações que seus filhos dirigem a Ele são como música nos seus ouvidos, porque são os meios de comunicarem a Ele os desejos e anseios do nosso coração. Até mesmo o falarmos com outros a respeito dele traz recompensa: “Naquele tempo, os que temeram a Jeová falaram uns aos outros, cada um com o seu companheiro, e Jeová continuou prestando atenção e ouvindo. E um livro de memória começou a ser escrito perante ele para os que temerem a Jeová e para os que pensarem em seu nome.” (Mal. 3:16) Considere apenas isso: Jeová faz indelével registro para os que pensam em seu nome! Mas, o uso da língua para magnificar tal nome, especialmente agora, quando se acha amplamente desconhecido, é rara honra. Exaltarmos tal nome por meio de o declararmos em toda parte traz-nos proteção, como portadores do nome. Deixarmos de fazer isso talvez seja desastroso. “O nome de Jeová é torre forte. Para ela o justo corre e lhe é dada proteção.” — Pro. 18:10.

      3. Qual deve ser o desejo ardente de toda pessoa? Será que isso será conseguido algum dia?

      3 Como toda pessoa viva gostaria que seu Deus soubesse o quanto aprecia o dom da vida, da felicidade, o amor de Jeová e o conselho valioso de Jeová contido na Bíblia! Eventualmente, todos que merecerem a vida eterna honrarão o Supremo do universo e a Jesus, seu Filho glorioso. “E toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e todas as coisas neles, eu ouvi dizer: ‘Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro seja a bênção, e a honra, e a glória, e o poderio para todo o sempre.’” “Aplaudi com as mãos, todos os povos; cantai a Deus com voz de triunfo.” — Rev. 5:13; Sal. 47:1, Al.

      4. (a) De que forma a atual geração é especialmente abençoada? (b) Por que é atualmente de especial valor a Bíblia?

      4 O homem se acha numa posição ímpar, atualmente. A Bíblia inteira, a Palavra escrita de Deus, tem sido preservada para o uso e a edificação do Homem. Tal Palavra se acha disponível a praticamente todo homem hoje, em seu próprio idioma. Paulo, o mais prolífico escritor da Bíblia em nossa Era Comum, diz-nos a razão: “Porque todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” (Rom. 15:4) Por que é de valor especial hoje em dia? O mesmo escritor bíblico afirma que constituem “aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas”. Ao passo que é verdade que Paulo escreveu às primitivas congregações em Roma e Corinto, também escreveu para estes dias, conforme indicado pelo tradutor da Bíblia, o Dr. Richard Weymouth, que registra (em inglês) as palavras de Paulo como seguem: “Foi registrado em forma de admoestação para nós que vivemos nos últimos dias do mundo.” Também, The Emphatic Diaglott, de Benjamin Wilson, com tradução interlinear em inglês, palavra por palavra, diz: “Estas coisas lhes ocorreram de modo típico, e foram escritas para nossa Admoestação, a quem os fins das eras têm chegado.” — 1 Cor. 10:11.

      5. Mostrem como são importantes estes “últimos dias”.

      5 Já chegamos ao tempo da história do mundo em que “os fins das eras têm chegado”. Este é o tempo que visionaram os profetas de Deus. (Heb. 11:10; João 8:56; Dan. 12:8, 9) É o tempo a respeito do qual Jesus nos ensinou a orar. É o tempo de os velhos “sistemas de coisas” desaparecerem e darem lugar à gloriosa nova ordem de coisas de Deus em reserva para a humanidade justa. É o tempo de as pessoas e nações reconhecerem o Eterno, que diz: “Rendei-vos e sabei que eu sou Deus. Eu serei exaltado entre as nações.” (Sal. 46:10; 2:10-12; Luc. 11:2) É tempo para que o domínio que Satanás, o príncipe ou governante do mundo, tem mantido sobre a humanidade seja desfeito. Como poderá ser desfeito este poder profano? Pode o homem destruir a influência demoníaca que prevalece em toda parte? É a guerra de Deus contra seu antigo inimigo, o Diabo. Deus humilhará completamente o Diabo por meio de seu Filho-Rei executivo, Jesus Cristo. — João 12:31; 14:30.

      6. (a) Como podemos ter êxito em combater as forças más de Satanás? (b) Que exemplo deu Jesus? (c) Que ajudas têm sido providas?

      6 O homem hoje, porém, tem o privilégio e o dever de travar uma guerra contra o Diabo e suas forças demoníacas. E o homem pode fazer isso com êxito por aproveitar as armas providas para uma luta espiritual, visto que “as armas de nosso combate não são carnais, mas poderosas em Deus para demolir as coisas fortemente entrincheiradas”. (2 Cor. 10:4) O homem Jesus nos deu o exemplo. Pôde resistir ao Diabo por recorrer à Palavra escrita de Deus, dizendo: “Está escrito.” (Luc. 4:1-13) Não usou nenhuma espada literal, nenhuma arma terrestre. Usou a língua, a sua língua devidamente educada e devidamente controlada, para pôr em fuga o adversário. Temos de fazer o mesmo, confiando na Palavra de Deus, “a espada do espírito”, para defendermo-nos. Mas, há outras armas ou ajudas para nos auxiliar na luta “com principados e poderes, com aqueles que são senhores do mundo nestes dias obscuros, com influências malignas numa ordem superior à nossa”. O apóstolo Paulo identifica nosso equipamento como o cinto da verdade, a couraça da justiça, as sandálias das boas novas de paz, o escudo da fé, o capacete da salvação, e a espada do espírito, junto com a oração. Em nossa própria força, não podemos competir com as forças invisíveis do mal. Mas, com as ajudas divinamente providas, podemos ter êxito. — Efé. 6:11-18, Knox, em inglês.

      7. Expliquem a ligação da “espada do espírito” com nossas línguas.

      7 Assim, acha-se disponível o equipamento. A Palavra de Deus, a Bíblia, “é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração”. Usarmos coerentemente esta “espada” na “luta excelente da fé” resultará em nos ‘apegarmos firmemente à vida eterna’ e em sermos salvaguardados agora por Jeová. Assim, aprendamos como usar esta “espada”, de modo a estar “sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito”. Isso significa usar nossa língua, uma língua devidamente controlada. — Heb. 4:12; 1 Tim. 6:12; 1 Ped. 3:15; Sal. 31:23.

      8-10. (a) Como é que o jovem pastor Davi nos deu um bom exemplo? (b) Será que há alguma desculpa para alguém perder o controle?

      8 Que tremendo controle tinha o jovem pastor Davi! Tinha apenas cinco pedras lisas e sua atiradeira, em contraste com a pesada veste de malha e a lança de quase sete quilos do Golias, de dois metros e setenta e quatro centímetros de altura. Mas, com perícia infalível, tendo completo controle, embora corresse à medida que lançava a pedra, subjugou o inimigo, atingindo o alvo. As pedras lisas eram sem dúvida bonitas, mas, não teriam valor na sacola do seu pastor a menos que ele soubesse usá-las eficazmente. A Bíblia seria igualmente inútil se não aprendêssemos a usá-la. É preciso utilizá-la mais do que apenas tê-la em nossa biblioteca para ser admirada como um belo livro, escrito em linguagem e estilo belos. As palavras e os princípios justos enunciados nela têm de se tornar os nossos e ser aplicados. Têm de ser firmemente inculcados em nossos corações e nas nossas mentes, ficando prontos para serem proferidos por nós quando surgir a ocasião.

      UTILIZANDO O CONHECIMENTO

      9 O controle da língua significa mais do que ter conhecimento; tem de haver a utilização correta do conhecimento, conforme indicado acima em 1 Pedro 3:15 ‘fazendo-o com temperamento brando’. A Bíblia mostra que os servos de Deus têm sido orientados a falar por ele, às vezes palavras de denúncia. Há casos raros em que perderam o controle, e, quando o fizeram, sofreram por causa disso. Aos membros da congregação em Filipos se instou que enfrentassem as condições prevalecentes ali. Considere a instrução que receberam a respeito do uso correto da língua: “Persisti em fazer todas as coisas livres de resmungos e de argüições, para que venhais a ser inculpes e inocentes, filhos de Deus, sem mácula no meio duma geração pervertida e deturpada, entre a qual estais brilhando como iluminadores no mundo, mantendo-vos firmemente agarrados à palavra da vida.” — Fil. 2:14-16.

      10 Jesus, também, foi alguém que teve oportunidade de usar palavras duras ao falar com aquela “geração pervertida e deturpada”, o povo obstinado e rebelde dos seus dias. Todavia, a respeito dele, foi dito: “Nunca homem algum falou como este.” (João 7:46) Esta declaração não poderia se aplicar provavelmente a alguém que falasse de forma descuidada, impensada, sem propósito. Aplicar-se-ia a alguém que mantinha sob controle a língua, alguém que escolhia as palavras, alguém que tinha algo digno a dizer e sabia como dizê-lo. Será que suas palavras provocam tais comentários de outros? Será que pensa antes de falar? Um lema que tem adornado a mesa de muitos executivos reza um tanto assim: ‘Não abra a boca antes de engrenar a mente.’

      11. (a) O que ocasionou a expressão: “Nunca homem algum falou como este”? (b) O que tornou Jesus franco assim?

      11 Quem foi que descreveu assim as palavras de Jesus? Foram seus parentes de carne e sangue ou seus vizinhos? Foram os homens enviados para prendê-lo. Foram oficiais enviados pelos sacerdotes judeus que estavam aborrecidos porque Jesus ignorava suas ameaças e continuava intrepidamente a declarar a palavra de seu Pai. Foi quando voltaram de mãos vazias e se lhes perguntaram: “Por que é que não o trouxestes?” que responderam: “Nunca homem algum falou como este.” Ficaram tão impressionados com a sua maneira de ensinar, saindo de seus lábios a graça ou encanto, que se esqueceram de sua missão. Ficam tão atônitos com a qualidade de sua mensagem, com o seu completo domínio da língua, que seus empregadores religiosos os acusaram de terem sido desencaminhados, e lhes foi lembrado de que nem “um só dos governantes ou dos fariseus depositou fé nele”. (João 7:45-48) Jesus não era um orador destacado, pois não fora treinado nas escolas rabínicas. Mateus relata, porém, que, depois de Jesus proferir seu sermão do monte, “as multidões ficaram assombradas com o seu modo de ensinar; pois ele as ensinava como quem tinha autoridade, e não como seus escribas”. — Mat. 7:28, 29.

      12, 13. (a) Por que era tão eficaz a linguagem de Jesus? (b) Por que era confiante?

      12 Os fariseus ouviam com aborrecimento quando Jesus usava a língua conforme seu Pai propôs, mas seus discípulos ouviam com ouvidos contentes e foram ricamente abençoados. Jesus jamais perdeu o controle da língua. Manteve o domínio próprio até mesmo quando reprovou os falsos líderes religiosos. Nunca era vulgar, lascivo ou imodesto em sua linguagem. Jamais saiu-lhe da boca uma palavra corrompida. — Mat. 13:15, 16; João 8:43-45; Mat. 23; Efé. 4:26, 29.

      13 Jesus não falava para granjear popularidade junto aos líderes. Falava a verdade com intrepidez e assim fornecia um exemplo correto para seus discípulos. Tinha supremo controle da língua e firme convicção de que seu Pai o apoiava no uso devido da língua, conforme confessou: “Não faço nada de minha própria iniciativa; mas assim como o Pai me ensinou, estas coisas eu falo. E aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou só, porque faço sempre as coisas que lhe agradam.” — João 8:28, 29; Atos 4:31.

      14-16. (a) Será nossa imperfeição uma barreira para controlarmos a língua? (b) Será que temos desculpa de não controlarmos a língua?

      14 Que bom exemplo para nós seguirmos! Faremos bem em seguir de perto suas pisadas para nos assegurarmos da aprovação de Jeová. Mas, será que replica que é pedir demais que devamos, como fez Jesus, um homem perfeito, ter controle de nossas línguas, quando a Bíblia diz: “Eis que com erro me deu à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe”, e que Deus não esperaria que o homem pecaminoso tivesse tal controle perfeito? É verdade, talvez não atinjamos o controle perfeito agora, mas não devemos dar ouvidos à sutil sugestão do Diabo de que não adianta nem tentarmos. Sabe que somos imperfeitos, e usará todo meio de nos fazer pecar com nossos lábios. Seu conhecimento de que Jesus era perfeito não o impediu de tentar a Jesus. Tendo vindo expressamente de sua posição celeste à terra para resolver uma vez para sempre o desafio do Diabo, Jesus bem que poderia estar inclinado a ‘estourar’ e ‘passar um carão’ no Diabo. Mas, será que o fez? Calma e desapaixonadamente, usou a Bíblia para responder-lhe, dizendo: “Está escrito”, e assim frustrou a tentativa do Diabo de o dominar. — Sal 51:5; Luc. 4:1-13; Deu. 8:3; 6:13, 16; 1 Ped. 2:21.

      15 Ou, a pessoa talvez se julgue velha demais para mudar. Quando se compreende que práticas há muito mantidas são erradas, seria tolice eximir-se da responsabilidade que as novas informações esclarecedoras talvez tragam, por se dizer: “Já sou velho demais para mudar.” A pessoa nunca é velha demais para mudar seu modo de agir. Se continuar a seguir um proceder em conflito com a Palavra de Deus, a Bíblia, seria desagradável a Deus. Assim, quando a pessoa vê que sua maneira de falar é repugnante ao seu Criador, tem de fazer uma decisão. Será que encarará os fatos, muito embora talvez envolva uma mudança radical? É preciso iniciativa, coragem e humildade para a pessoa harmonizar sua vida aos justos princípios da Bíblia, mas isto é recompensador, visto que fará que Deus olhe favoravelmente para tal pessoa. E é vitalmente, importante fazer tal mudança, se a pessoa espera viver no novo sistema de coisas de Deus.

      16 Não sermos perfeitos constitui motivo maior para que sejamos diligentes em sujeitar a língua, de modo que não faça a vontade do Diabo, mas traga honra a Deus e a nós mesmos. E não temos de ser ‘peritos na linguagem’ para erguermos tal baluarte contra o ataque do Diabo. Paulo é excelente exemplo de alguém que, com êxito, contendeu contra as tendências que a ‘carne decaída’ tem de ser influenciada pelo velho sistema de coisas: “Portanto, corro de modo nada incerto; dirijo os meus golpes de modo a não golpear o ar; mas, amofino o meu corpo e o conduzo como escravo.” E ele não ficou preocupado com o que os vizinhos pensavam de sua determinação em seguir um proceder justo: “Assim como por Deus fomos provados aptos para sermos incumbidos das boas novas, assim falamos, agradando, não a homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.” — 2 Cor. 11:6; 1 Cor. 9:26, 27; 1 Tes. 2:4.

      17. O que determina o tipo de linguagem que proferiremos, segundo as palavras de Jesus?

      17 Pode-se ver prontamente que a língua, a fim de ser um servo obediente da mente treinada, tem de ser capturada e escravizada. A língua reflete a mente e o coração. Jesus sabia disso, conforme disse aos fariseus: “Descendência de víboras, como podeis falar coisas boas quando sois iníquos? Pois é da abundância do coração que a boca fala. O homem bom, do seu bom tesouro, envia coisas boas, ao passo que o homem iníquo, do seu tesouro iníquo, envia coisas iníquas. Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo; pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado.” — Mat. 12:34-37.

      RESISTÊNCIA ÀS INFLUÊNCIAS DO AMBIENTE

      18, 19. Em vista dos “tempos críticos” em que vivemos e a maneira descuidada de falar, o que se exige tanto dos pais como dos filhos?

      18 Basta apenas ouvirmos nosso colega de trabalho, ou de compras, ou de escola, ou lermos os jornais ou revistas, ou escutarmos o rádio, para sermos bombardeados com ‘palavras descuidadas’, palavras ‘inoportunas’. A linguagem tola e sem graça é falada em toda parte que se vá e enche as páginas dos livros populares. Sim, neste tempo do ‘encontro das eras’ há persistente esforço de glorificar a linguagem devassa e a língua corrompida. É tão comum, que as pessoas ficam habituadas a ela e a ouvem sem aborrecimento. Conforme Salomão indicou: “O mau dá ouvido aos lábios iníquos, o mentiroso presta atenção à língua perniciosa.” — Pro. 17:4, CBC.

      19 Mas, tenha presente, também, que isto é algo a respeito do qual a pessoa justa tem de combater. Tem de recusar-se tornar-se parte desta campanha imunda. Tem de continuar a apegar-se ao padrão de palavras saudáveis. Este é o tempo que o apóstolo Paulo chama de “tempos críticos, difíceis de manejar”, quando é tão urgente que usemos a língua para o louvor de Deus. (2 Tim. 3:1) O lar, atualmente, se tornou contaminado pela linguagem desonrosa. O pai a aprende no serviço, a mãe ao fazer compras ou no clube, e os filhos nos folguedos. Sem pensar, todo membro da família cai na rotina e adota esta maneira de conversar. Os filhos não nascem com linguagem vulgar, mas, sem treinamento caseiro, logo adotam ‘a gíria do lamaçal’ como parte de seu vocabulário cotidiano. Pais: em seu próprio benefício, bem como para o bem de seus filhos, determinem tirar da mente as coisas que não são edificantes e encher a mente de coisas proveitosas e edificantes. Então, as línguas de seus filhos falarão pensamentos dignos, tirando-os de mentes educadas.

      20. (a) Onde devemos buscar conselhos sobre proteger a mente e a linguagem? (b) Com o que se pode alimentar a mente?

      20 Não há melhor lugar para se buscar instrução do que a Bíblia. Considere, por exemplo, este conselho de Filipenses 4:8: “Todas as coisas que são verdadeiras, todas as que são de séria preocupação, todas as que são justas, todas as que são castas, todas as que são amáveis, todas as coisas de que se fala bem [graciosas de ser contadas, de boa reputação], toda virtude que há e toda coisa louvável que há, continuai a considerar tais coisas.” Baseado nisto e na regra que Jesus delineou (que a boca fala do que está cheio o coração), a língua é harmonizada com os princípios justos, quando se enche a mente de forma apropriada com pensamentos justos. Somente por guardarem a mente podem os pais e os filhos ser protegidos da linguagem corrompedora que se origina na mente. Pensamentos limpos produzem linguagem limpa; pensamentos impuros produzem linguagem impura. Para que a linguagem seja limpa, a mente tem de ser guardada de todas as intrusões impuras.

      21, 22. (a) Como é que o conselho da Bíblia se tornará nossa possessão? (b) Pode o homem preguiçoso esperar ser esclarecido?

      21 A Bíblia contém um depósito de coisas verdadeiras, sérias, justas, castas, amáveis, virtuosas e dignas de louvor. Mas, elas têm de ser buscadas. Contrário ao que talvez digam algumas pessoas bem-intencionadas, contudo, estas coisas não podem ser localizadas por se fecharem os seus olhos, daí, por abrir a Bíblia a esmo e colocar o dedo na resposta. O espírito santo não dirige assim as pessoas. Quem é que se senta e fica esperando que o seu ‘pão diário’ apareça miraculosamente, ou que prefere ser alimentado intravenosamente três vezes por dia? A maioria das pessoas dizem que ‘vivem para comer’. Assim, têm de trabalhar para prover o alimento, e então se sentar à mesa e o comer. O alimento espiritual, que Jesus disse que era mais importante do que ‘somente o pão’, tem de ser buscado com igual diligência, tem de ser ganho pelo trabalho e então mastigado e digerido. Para provar isto, considere as palavras de Salomão em Provérbios 2:1-5: “Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares em ti os meus próprios mandamentos, de modo que, com o teu ouvido, prestes atenção à sabedoria, a fim de inclinares o teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pelo próprio entendimento e elevares a tua voz em busca do próprio discernimento, se persistires em buscá-lo como se busca a prata, e, como se buscam tesouros escondidos, persistires em pesquisá-lo, nesse caso, entenderás o temor de Jeová, e descobrirás o próprio conhecimento de Deus.”

      22 Realmente, a pessoa que nunca trabalha para sustentar-se, mas contenta-se em ‘viver à custa dos outros’, não tem verdadeira apreciação pelo que recebe. Paulo lembrou à congregação em Tessalônica que não os procurou para ter comida de graça, mas trabalhou e labutou de modo a “não impor a nenhum de vós um fardo dispendioso. . . . De fato, também, quando estávamos convosco, costumávamos dar-vos esta ordem: ‘Se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma.’ É, uma alegria, portanto, e não a forma de agir do preguiçoso, a pessoa agir como fizeram os bereanos de ‘mentalidade nobre’, que examinavam diariamente com cuidado as Escrituras. — 2 Tes. 3:8-10; Atos 17:11.

  • A língua — um poder para o bem ou para o mal
    A Sentinela — 1968 | 1.° de março
    • A língua — um poder para o bem ou para o mal

      “Eu vos digo que de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo; pois é pelas tuas palavras que serás declarado justo e é pelas tuas palavras que serás condenado.” — Mat. 12:36, 37.

      1, 2. Do que talvez dependa a nossa vida futura, e como podemos controlar o resultado?

      QUANDO Jesus proferiu as palavras acima, talvez tivesse presente as palavras de Salomão em Eclesiastes 12:14: “O verdadeiro Deus mesmo levará toda sorte de obra a juízo, em relação com toda coisa escondida, quanto a se é boa ou se é má.” Isso nos faz parar e pensar. Será que a linguagem é tão importante que pode determinar a vida futura da pessoa? Se assim for, pareceria proveitoso que toda pessoa ‘examinasse a si mesma’. Vale a pena o esforço de controlar nossa vida daqui por diante, de modo que possamos ter esperança de vida na nova ordem de coisas de Deus?

      2 Para que o esforço seja recompensado, tem de ter um propósito. Lembre-se do que disse o apóstolo Paulo: que antes preferia castigar o seu corpo e o controlar como escravo a enfrentar as conseqüências da rejeição. Compreendendo que “não é o homem dono de seu destino, e que ao caminhante não lhe assiste o poder de dirigir seus passos”, temos de procurar a devida orientação. (Jer. 10:23, CBC) A fonte de tal orientação é a Bíblia, a Palavra inspirada de Deus. “Confia em Jeová de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Considera-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Pro. 3:5, 6) Com tal orientação divina, devemos poder falar corretamente, controlar nossa linguagem de modo inteligente e trazer “todo pensamento ao cativeiro, para fazê-lo obediente ao Cristo”. — 2 Cor. 10:5.

      3, 4. A respeito de que condição nas congregações estava preocupado Tiago, e ao que a podia atribuir?

      3 Para avaliar a magnitude da tarefa, considere o que o discípulo Tiago tem a dizer a respeito do que chama de “coisa indisciplinada e prejudicial”. (Tia. 3:8) Avaliava que a língua tem poder, o qual poderia ser influência para o bem ou para o mal. Sendo superintendente na congregação de Jerusalém e membro do corpo governante da primitiva igreja ou congregação, estava profundamente preocupado com as dificuldades internas das congregações, assim como o estivera o apóstolo Paulo a respeito da congregação de Corinto, onde existia contenda, inveja, ira, disputas, calúnias, murmúrios, orgulho e desordens gerais. (2 Cor. 12:20) Tiago, por conseguinte, concitou as “doze tribos que estão espalhadas” a considerar com cuidado a necessidade de se despojarem de toda impureza, de toda maldade moral, de distinções de classe e das coisas que causem tropeço. — Tia. 1:1, 21; 2:4, 9.

      4 Tiago lhes pediu que reconhecessem suas imperfeições e a tendência natural de tropeçar. Disse: “Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito, capaz de refrear também todo o corpo. Se pomos freios nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam, dirigimos também todo o seu corpo. Eis que até mesmo barcos, embora sejam grandes, e sejam impelidos por fortes ventos, são dirigidos por um leme muito pequeno para onde queira a inclinação do timoneiro. Assim também a língua é um membro pequeno, contudo, faz grandes fanfarrices. . . . Ora, a língua é um fogo. A língua constitui um mundo de injustiça entre os nossos membros, pois mancha todo o corpo e incendeia a roda da vida natural.” Daí, Tiago fala como pode agir este pequeno membro incoerente, a língua: “Com ela bendizemos a Jeová, sim, o Pai, e ainda assim amaldiçoamos com ela a homens que vieram a existir na ‘semelhança de Deus’. Da mesma boca procedem bênção e maldição.” Sim, a língua com certeza tem poder para o bem ou para o mal. — Tia. 3:2-6, 9, 10.

      5, 6. (a) Que perguntas talvez cada pessoa considere? (b) Por controlarmos os nossos lábios, que favor poderemos obter?

      5 Apenas ler estas palavras provavelmente lhe faz lembrar de pessoas que são assim de ‘língua doble’. Mas, espere — será que a consideração mais profunda das palavras de Tiago o obriga a aplicá-las a si mesmo? Será que constitui exceção à regra? Será que deixa a língua fugir de controle, como um fogo florestal, para o dano de outros, bem como o seu próprio? Será que esquece de usar a língua para refletir amor ao próximo, bem como amor a Deus? Isto é, será que louva ou bendiz a Deus parte do tempo e malha o próximo em outras ocasiões com a mesma língua? Será que até mesmo usa seus lábios para amaldiçoar a Deus, ou emprega mal Seu nome quando fala desfavoravelmente de outros? Estas são perguntas perscrutadoras, mas, lembre-se sempre delas; de modo algum reduza sua importância!

      6 O fato de a pessoa ser imperfeita não a desculpa de fazer continuamente o mesmo erro. Se o faz, seu patrão achará inúteis os seus serviços. Assim acontece que “não pode faltar o pecado num caudal de palavras, quem modera seus lábios é um homem prudente. A língua do justo é prata finíssima, o coração dos maus, porém, para nada serve. Os lábios dos justos nutrem a muitos, mas os néscios perecem por falta de inteligência [ou bom motivo]”. Assim, não pare de falar com receio de errar, mas determine manter controlados os seus lábios, e isto é especialmente importante com respeito aos que são notavelmente honrados hoje em dia por Deus para serem ‘pastores’ em ‘nutrirem a muitos’. — Pro. 10:19-21, CBC.

      7. (a) A que prática errada se entregam muitas pessoas? (b) Como se poderá evitar isto?

      7 É difícil o homem pecaminoso controlar os lábios hoje em dia, quando, por toda a sua volta, há tamanho desrespeito pelas palavras saudáveis. Tantas pessoas estão inclinadas a ‘pagar na mesma moeda’, isto é, de responder com linguagem do mesmo tipo. (Pro. 24:29) Sem pararem para considerar que realmente se estão degradando a um nível inferior que deploram, perdem o controle e permitem que a língua fique descontrolada. O temperamento ruim faz que o homem diga o que pensa quando deveria pensar mais no que diz. Davi foi uma pessoa repetidas vezes provocada à ira. Mas, será que deu vazão a ela? Disse: “Velarei sobre os meus atos, para não mais pecar com a língua. Porei um freio em minha boca, enquanto o ímpio estiver diante de mim.” (Sal. 38:1, CBC; 39:1, Al) Conhecia a tendência pecaminosa do homem: “Com erro me deu à luz, com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” Assim, orou pedindo ajuda: “Põe guarda, ó Jeová, à minha boca; põe um vigia à porta dos meus lábios.” (Sal. 51:5; 141:3) Nós, também, podemos e devemos não só fazer tudo para sujeitar a língua, mas, reconhecendo que “ao caminhante não lhe assiste o poder de dirigir seus passos”, devemos orar a Jeová para fazer-nos cumprir sua vontade. — Jer. 10:23, CBC.

      FREANDO A LÍNGUA

      8. (a) Que vício temos de evitar, e por quê? (b) Como poderá uma pessoa estigmatizar-se?

      8 Este freio colocado em nossa língua não impede que falemos. Mas ajuda a purificar a linguagem. Alguns dizem que acham difícil, depois de se associarem por tanto tempo com as pessoas do mundo, conversar até mesmo por breve tempo sem usar “palavras insultuosas”. O hábito se torna tão difícil de largar como um hábito do álcool, de entorpecentes ou de fumar. Sem lhes ser permitido usar palavras que incluam a Deus ou a Jesus na conversa de forma “licenciosa”, ou a usar palavras vulgares que se acostumaram a usar, sentem a ‘língua presa’. Este é um mau hábito que traz desonra, não só àquele que está viciado a usá-lo, mas também a Jeová Deus, o Criador da língua. Será que simplesmente devemos dar de ombros e continuar a usar o nome de Deus de modo indigno quando sabemos que isso entristece a ele? Há alguma defesa lógica para o hábito prejudicial? Lembre-se: “Não usarás o nome do Eterno, teu Deus, de modo profano; pois o Eterno jamais eximirá qualquer pessoa que usar seu nome de modo profano.” (Exo. 20:7, Moffatt, em inglês) Não há nada elogioso a respeito de tal linguagem. Ao passo que a pessoa talvez não compreenda, quem emprega tal linguagem automaticamente se estigmatiza e se coloca numa classe distinta. Não há nada do que se jactar. “Proferem impiedades e falam cousas duras, vangloriam-se os que praticam a iniqüidade.” — Sal. 94:4, ALA.

      9. Que razões bíblicas ditam que os cristãos hodiernos controlem a língua?

      9 Os cristãos estão autorizados a ser “embaixadores, substituindo a Cristo”, para brilharem “como iluminadores no mundo”, para “que divulgassem as excelências” daquele que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’, para serem “a luz do mundo”. (2 Cor. 5:20; Fil. 2:15; 1 Ped. 2:9; Mat. 5:14) Para nos provarmos dignos desta alta honra, temos de manter sob estrito controle aquele pequeno instrumento importante, nossa língua, de modo que não se frustre o propósito mesmo de seu uso no serviço de Deus. O que os cristãos dizem e fazem atualmente reflete-se na mensagem que levam, bem como naquele que representam. Como portadores da luz das boas novas do reino estabelecido de Deus, podem trazer glória a Deus, mas apenas se forem corretos portadores da luz. Assim, “deixai brilhar a vossa luz perante os homens, para que vejam as vossas obras excelentes e dêem glória ao vosso Pai, que está nos céus”. — Mat. 5:16.

      10. Por que é importante fazer-se cuidadosa escolha dos amigos, hoje em dia?

      10 Alguns estão sempre ‘deixando a língua solta’, aparentemente não se preocupando com o que resulta disso, até mesmo se influi adversamente sobre amigos íntimos. O leitor já aprendeu a evitar tais pessoas; até mesmo se sente contaminado por se associar com elas, temeroso de que sua conduta desconsiderada lhe seja transmitida. Sim, sabe que más associações estragam hábitos úteis, que más conversas corrompem os bons costumes, que a má companhia corrói a boa moral. (1 Cor. 15:33, NM; Ne; Versão Normal Revisada, em inglês) Assim, seja cuidadoso ao escolher amigos. Por que não escolher amigos que tenham resolvido: “Por intermédio dele [Jesus], ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome”? — Heb. 13:15.

      11. (a) Ao que pode levar a linguagem impensada e descontrolada? (b) Como poderá a pessoa corrigir um dano causado por meio duma palavra mal proferida, e quando?

      11 Desculpas tais como ‘sinto muito’, ‘não queria dizer bem isso’, ‘foi um lapso da língua’, ‘falei sem pensar’, ajudam até certo ponto a curar feridas causadas sem intenção, quando a pessoa não controla a língua. Mas, quão muito melhor é pensar antes de falar! Quão muito melhor é a mente orientar a linguagem em sentido construtivo! Que calamidade pode causar a linguagem impensada! A linguagem descontrolada usualmente é linguagem impensada. Pode levar à desunião, à divisão, a mágoas. Quem deseja observar os dois grandes mandamentos do amor a Deus e amor ao próximo tem, por conseguinte, de frear a língua. Mas, quando alguém, sem intenção, por meio de linguagem impensada, fere a outrem, deveria ser o suficiente humilde para engolir seu orgulho e pedir desculpas, pedir perdão. Não deveria permitir que a brecha se ampliasse. Deveria saná-la na primeira oportunidade. Não deveria deixar que o sol se pusesse sobre ele em estado provocado. É elogiável corrigir indiscrições na linguagem. Não só a pessoa sanará o que poderia tornar-se uma ferida profunda, mas sua própria consciência ficará limpa perante Deus e a pessoa ofendida. — Efé. 4:26; Atos 24:16; Efé. 4:31, 32; Mat. 5:22.

      12, 13. (a) Por que o cristão não deve usar “lábios suaves” ou uma “língua doble”? (b) Que perigo existe em se dar ouvidos à “linguagem suave”?

      12 Davi apontou profeticamente para os dias em que vivemos, afirmando: “Pois as pessoas fiéis desapareceram dentre os filhos dos homens. Continuam a falar falsidade uns aos outros; continuam a falar com lábio suave, até com coração dúplice. Jeová cortará todos os lábios suaves, . . . os que têm dito: ‘Com a nossa língua prevaleceremos. Nossos lábios estão conosco. Quem será senhor de nós?’” (Sal. 12:1-4) Atualmente, os que têm “coração dúplice” são como os sacerdotes e anciãos infiéis que ainda permaneceram em Jerusalém depois de um número representativo ser levado cativo para Babilônia em 617 A. E. C. Ezequiel registra sua jactância e justificativa apresentada para se empenharem na adoração pagã falsa e detestável: “Jeová não nos vê.” (Ezequiel, capítulos 8 e 9) Pedro aconselha a respeito de tal coração dúplice e tal língua doble: “Aquele que amar a vida e quiser ver bons dias, refreie a sua língua do que é mau e os seus lábios de falar engano.” (1 Ped. 3:10) Ecoou as palavras de Salomão em Provérbios 4:24: “Remove-te da perversidão de linguagem; e o desvio dos lábios coloca bem distante de ti mesmo.” Um dos requisitos para o servo ministerial da congregação cristã é que não seja de “língua dobre”. A conversa macia, a linguagem lisonjeira e as saudações pias visam seduzir ou desviar os corações dos inocentes ou incautos. — 1 Tim. 3:8; Rom. 16:18; Mat. 23:6, 7.

      13 Com demasiada freqüência, hoje em dia, as pessoas gostam de sentir comichão nos ouvidos. Apreciam uma ‘religião suave’. Gostam de ouvir coisas que lhes dêem a sensação de segurança e de bem-estar, não necessariamente as coisas que as despertariam às suas responsabilidades. Paulo disse que viria o tempo “em que não suportarão o ensino salutar, porém, de acordo com os seus próprios desejos, acumularão para si instrutores para lhes fazerem cócegas nos ouvidos; e desviarão os seus ouvidos da verdade”. (2 Tim. 4:3, 4) Assim, evite aqueles que usam linguagem lisonjeira, que se empenham em suave conversa doble, pois “mais suaves do que manteiga são as palavras de sua boca, mas seu coração está disposto a lutar. Suas palavras são mais macias do que o azeite, mas são espadas desembainhadas” que podem causar incalculável dano. Davi bem que poderia falar as palavras registradas no Salmo 55:21. Nos dias de Jesus (como nos dias de Isaías) havia tal ‘conversa doble’ que denunciou, citando o que Deus dissera mediante o profeta Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está muito longe de mim. É em vão que persistem em adorar-me, porque ensinam por doutrinas os mandados de homens.” — Mat. 15:8; Isa. 29:13.

      USANDO-A POSITIVAMENTE PARA O BEM

      14. O que está envolvido em se controlar a língua?

      14 O controle da língua não se limita a evitar dizer coisas que desonram a Deus e ao homem, assim como a aprovação do patrão duma pessoa não é granjeada por evitar fazer erros. Há o lado positivo. Controlar a língua significa usá-la para honrar o Criador, a si mesmo e ao seu próximo. Que uso valioso é feito da língua, quando ela é utilizada para apoiar o nome, a supremacia e o reino de Jeová Deus! Todo cristão deveria resolver em seu coração reservar algum tempo, todo dia, para fazer exatamente isso, e a resolução deve ser feita agora. Não há tempo mais oportuno. — Col. 4:5, 6.

      15. De que várias formas pode a língua ser usada para efetuar uma obra curativa?

      15 Atualmente, o uso elevado da língua pode ser aplicado praticamente a toda fase de nossa vida. “Maçãs de ouro sobre prata gravada: tais são as palavras oportunas.” (Pro. 25:11, CBC) Na verdade, “o falador fere como golpes de espada, a língua dos sábios, porém, cura”. (Pro. 12:18, CBC) O controle perfeito da língua talvez esteja além do nosso alcance neste atual sistema iníquo de coisas, mas, para a maioria das pessoas, é possível uma obra maior de cura com a língua do que estão conseguindo. As palavras da língua que curam podem ser proferidas num lar, quando um membro da família está enfermo; quando alguém é ferido; em tempo de tristeza; quando há preocupações com a saúde, insegurança ou falhas; palavras confortadoras podem ser ditas quando há temor de que outros não gostem da pessoa; ou até para compensar o temor de se achar só. A pessoa de visão pode falar dos verdadeiros valores e pode ajudar a vencer ansiedades. “A aflição no coração do homem o deprime, uma boa palavra restitui-lhe a alegria.” — Pro. 12:25, CBC.

      16. Quando é mesmo que se pode dar verdadeiro conforto, e como, nessa ocasião?

      16 Assim como um médico é inútil a menos que saiba curar, ou, pelo menos, fornecer alguma melhora, assim também, a menos que a pessoa saiba como transmitir aos necessitados uma “boa palavra”, ela, com efeito, está com a língua presa. Assim, controlar a língua significa usá-la eficazmente. O estudo diligente da Palavra de Deus, a Bíblia, é recompensador. A Bíblia é a única fonte de verdadeiro conforto, pois é a palavra do Deus de todo conforto. É a Jeová Deus que nos voltamos de modo que possamos ter a língua corretamente orientada e assim usar nossa língua para o bem. Em Isaías 50:4 (Al), o profeta disse: “O Senhor Jeová me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado.” Para confortar os cansados, os esgotados, precisamos de tal língua erudita e deveríamos suplicar a Jeová para no-la conceder. Ele acolhe a oração do justo, conforme Tiago nos assegura: “A súplica do justo, quando em operação, tem muita força.” Assim, tal oração, “em operação”, tem de ser acompanhada de obras. — Tia. 5:16; 2:14-26.

      17. O que garante a direção correta da língua?

      17 A mente educada é responsável pela direção correta da língua. Assim, a mente deve ser alimentada com a verdade. Tem de ser guiada pela força ativa de Deus, seu espírito santo, de modo que possa orientar a língua a proferir “as declarações de Jeová [que] são declarações puras, como prata refinada numa fornalha de terra, clarificada [purificada] sete vezes”. (Sal. 12:6) Há um grupo de pessoas, atualmente, que oraram pedindo tal orientação divina e a tem aceito, e dedicaram a vida para servir a Jeová. Têm suplicado: “Faze-me conhecer os teus próprios caminhos, ó Jeová; ensina-me as tuas próprias veredas. Faze-me andar na tua verdade e ensina-me, pois tu és meu Deus de salvação.” (Sal. 25:4, 5) Por isso, usam seu tempo, seu esforço e os recursos que possuam para fazer as coisas que agradam a Deus. São uma organização de pessoas que falam. Esforçam-se em exercer estrito controle sobre a língua. Não têm a língua presa. Ficariam constrangidos se não pudessem usar a língua. Mais do que isso, seriam infiéis à sua comissão. (1 Cor. 9:16) Discernem, por conseguinte, a necessidade de renderem de forma inteligente os seus louvores. Assim, estudam a Bíblia.

      18. Quão valioso é o estudo congregacional, mas, o que mais é parte necessária de nossa adoração a Deus?

      18 Um estudo da Bíblia é necessário para render adoração aceitável a Deus. Não há substituto para o estudo pessoal, mas isso não basta. Por este motivo, as testemunhas de Jeová por toda a terra (exceto nos países em que as autoridades demonistas, contrárias a Deus, quer políticas quer religiosas, impeçam isso pela lei totalitária) fazem arranjos de ter cinco ocasiões, cada semana, para se reunirem a fim de estudarem juntas a Palavra de Deus e também para considerar como podem usar melhor suas línguas em louvar a Deus. Compreendem que adorar a Deus envolve mais do que se reunirem; têm de ‘obedecer à mensagem’ e não ‘simplesmente ouvi-la’ para ter a aprovação de Deus. Assim, acham-se interligadas o controle da língua e a nossa adoração a Deus. O servo de Deus tem de ser um louvador diário de Deus: em casa, com sua família, em associação com amigos, no trabalho, na escola, e na diversão. Jamais deverá “descuidar a vigilância” e deixar temporariamente de usar de maneira correta a língua controlada. Temos de lembrar-nos de que “nos temos tornado um espetáculo teatral para o mundo, tanto para anjos como para homens”. — 1 Cor. 4:9; Tia. 1:22.

      19, 20. (a) Descrevam um uso especialmente desfrutável da língua. (b) Que inescapável responsabilidade pesa sobre os que são ajudados?

      19 Não se deve desperceber o louvor diário a Deus no ministério de porta em porta. Que uso desfrutável e recompensador da língua! Em tal serviço a língua, sendo posta à prova, é verdadeiro poder para o bem. As pessoas de coração honesto buscam conhecer o que podem fazer a fim de terem o favor de Deus, como podem habilitar-se a ser “homens de boa vontade” e obter a vida. As testemunhas de Jeová sentem-se felizes de ter o privilégio de agir como ‘salva-vidas’, levando a “palavra da vida” a tais pessoas, sentando-se com elas em seus lares e estudando a Bíblia e mostrando-lhes o que é exigido a fim de se colocarem em linha para a vida. Não é de se admirar que exclamem, como fizeram os emissários enviados para prender Jesus: “Nunca homem algum falou como este” homem. Quão diferente isso é das coisas usuais que ouvem!

      20 Tais honestos buscadores da justiça compreendem que, depois de serem ajudados a atingir o conhecimento exato da verdade, têm então uma responsabilidade; que, depois de terem recebido, têm então de dar, e verificam que se trata duma responsabilidade jubilosa, como Jesus disse que verificariam. (Atos 20:35) A declaração de Salomão se aplica então a eles: “Não negues um benefício a quem é devido, quando está em tuas mãos fazer isto. Não digas ao teu próximo: ‘Vai! Volta depois, eu te darei amanhã’, quando dispões de meios.” (Pro. 3:27, 28, CBC) Reter informações vitalizadoras por manter fechada a boca por qualquer motivo poderá resultar na perda da vida, tanto para aquele que retém as informações como para aquele a quem foram negadas. Mas, o uso correto da língua pode trazer vida a ambos. “Está escrito: ‘Por minha vida’, diz Jeová, ‘todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua reconhecerá abertamente a Deus.’ Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.” — Rom. 14:11, 12.

      21. Que ajuda adicional é provida?

      21 A pessoa não precisa sentir-se angustiada atualmente por sua falta de habilidade em extrair da Bíblia as verdades tão necessárias para que aprenda a agradar a Deus. Atualmente, Jeová tem sua organização do seu “escravo fiel e discreto” na terra para prover o alimento espiritual neste “tempo apropriado”. (Mat. 24:45-47) A tal organização se associam 24.900 congregações por toda a terra, hoje em dia. Há uma congregação na sua vizinhança. Poderá identificar o local de reuniões pelo letreiro familiar: SALÃO DO REINO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. Tal organização provê compêndios bíblicos em 166 línguas para ajudar as pessoas de toda nacionalidade. Esta revista, A Sentinela, é ela própria publicada em 74 idiomas e, na última impressão, a edição era de 5.000.000 de exemplares. Adicionalmente, a tal organização se associam mais de um milhão e cem mil pessoas que se empenham ativamente em usar a língua para magnificar o Soberano Supremo do universo, Jeová Deus, e exercer amor ao próximo. Tal amor é indicado por suas visitas persistentes a pessoas de todas as raças, línguas e convicções religiosas, a fim de ajudá-las a ter melhor apreciação do Pai celeste, de modo que possam ‘ser salvas e venham a ter um conhecimento exato da verdade’. (1 Tim. 2:4) Acolha-as quando visitarem o seu lar para lhe prestar tal ajuda.

      22. Que erro mortífero cometeram Adão e Eva, e, assim, o que deve toda criatura atualmente resolver fazer?

      22 Nossos pais comuns, Adão e Eva — criados à imagem e semelhança de Deus, com sua inquestionável habilidade de usar perfeitamente a língua para honrar seu Criador, desonraram-no e difamaram-no por tomarem o lado daquele que empregou mal a língua, o mentiroso original, o Diabo. Perderam o direito à vida futura. O privilégio de usar esse instrumento divinamente provido, a língua, de forma correta se estende ao homem atualmente. Todos os que buscam a verdade deveriam reconhecer Jeová como sendo o dador de todas as boas dádivas, inclusive a dádiva de linguagem, e dedicar-se inteiramente a Ele. Estamos no limiar da nova ordem de Deus sob o Seu eterno reino de justiça. Durante a nova ordem, “tudo que respira” louvará a Jeová. (Sal. 150:6) Inversamente, todo que não render tal louvor não se achará entre os que respiram. “Agora é o tempo especialmente aceitável” de usar nossas vozes para honrar nosso Criador, este proceder nos conduzindo à vida. (2 Cor. 6:2) A oração de cada pessoa deve ser: “Que os dizeres de minha boca e a meditação do meu coração se tornem agradáveis diante de ti, ó Jeová, minha Rocha e meu Redentor.” — Sal. 19:14.

  • Felizes coincidências
    A Sentinela — 1968 | 1.° de março
    • Felizes coincidências

      ● De 1946 a 1948, um soldado estadunidense e um civil alemão trabalharam juntos numa base norte-americana na Alemanha Ocidental e se tornaram bons amigos. Depois de diversas transferências, ambos se encontraram de novo em 1951 e trabalharam juntos até 1952. Foi durante este período de tempo que as esposas de ambos começaram a estudar a Bíblia junto com as testemunhas de Jeová, causando grande preocupação ao soldado e oposição da parte do alemão.

      Em 1952, os dois se separaram e perderam contato um com o outro durante os seguintes quinze anos. Daí, encontraram-se de novo em fevereiro deste ano em South Lansing, Nova Iorque, EUA. Ambos estavam ali para assistir à Escola do Ministério do Reino por duas semanas, um curso de recordação para os superintendentes e ajudantes ministeriais das testemunhas de Jeová. Que alegria foi encontrarem-se de novo depois de todos esses anos! Especialmente de estarem unidos na adoração do único Deus verdadeiro, Jeová!

      Quando os dois se sentaram juntos na escola e examinaram suas vidas, foi interessante notar que a esposa de um deles pôde vencer a falta de interesse, ao passo que a esposa do outro vencer a oposição. Foi interessante notar que ambos tinham começado a estudar a Bíblia em 1953; ambos foram batizados em 1956, com uma diferença de dois meses entre eles; ambos receberam sua primeira designação como servos ministeriais na congregação em 1958. E agora, em 1967, ambos freqüentavam a 90.a turma da Escola do Ministério do Reino!

      Ambos os ministros sentem-se gratos a Jeová Deus pela bênção de lhes conceder um novo começo na vida, e pela esperança de poderem ser usados ainda mais para honrar o Seu nome.

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