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Os jovens de hoje — um quadro globalDespertai! — 1990 | 8 de setembro
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Os jovens de hoje — um quadro global
ESTEREÓTIPOS populares apresentam os adolescentes como rebeldes loucos por tóxicos, de cabeça vazia, egotistas e preguiçosos, não pensando muito em outra coisa senão em roupas, TV e sexo. Para a maioria, contudo, este conceito negativo sobre a juventude parece estar muito distante da realidade.
Uma pesquisa publicada na revista Psychology Today, comprovou que ‘quase três quartos dos pesquisados pareciam ser bem-ajustados. Em geral, eles eram felizes, tinham domínio de si e se importavam com outros, preocupando-se com as repercussões de suas ações’. Verificou-se que a maioria dos jovens, longe de serem alienados dos pais, “tinham atitudes muito positivas para com a família”.
Outras pesquisas revelam que muitas das esperanças, das aspirações e dos temores dos jovens de hoje igualmente refletem um modo de pensar sensato e sóbrio. Em 1985, o Correio da Unesco perguntou a jovens em 41 terras: “Qual é o problema que mais preocupa todos os jovens atualmente?” Foram obtidas respostas muito sensatas, tais como “os problemas da guerra e da paz” (50 por cento), “o desemprego e o trabalho” (30 por cento) e “o futuro” (10 por cento).
Mesmo quando o foco passa a ser as ambições pessoais, os jovens de novo adotam um enfoque surpreendentemente pragmático. Depois de realizar uma pesquisa entre “um grupo nacionalmente representativo de homens e mulheres jovens [dos EUA], entre os quatorze e vinte e um anos”, a revista Seventeen disse a seus leitores jovens: “Mais do que qualquer outra coisa, vocês desejam casar-se e ter uma família. A segunda coisa que vocês mais desejam é um emprego ou uma carreira. Visam ganhar dinheiro. Estão preocupados com dinheiro, também, e com instrução. Mais de 60 por cento de vocês, porém, não acreditam que os problemas do mundo sejam assim tão grandes que sua geração não possa melhorar as coisas.”
Em sua maioria, então, os jovens de todo o mundo desejam as mesmíssimas coisas que seus entes queridos mais velhos buscam: felicidade, segurança, famílias unidas. Estão preocupados com o mundo em que vivem, e sinceramente desejam melhorá-lo. Todavia, existe um aspecto sombrio desse quadro.
Jovens Tristes e Autodestrutivos
O estudo supracitado fez a seguinte triste descoberta: “Um quarto dos adolescentes consultados disseram que freqüentemente se sentem tristes, solitários e vazios emocionalmente, bem como esmagados sob o peso dos problemas da vida. Alguns até mesmo admitiram ter idéias e inclinações suicidas.” Os jovens, em alguns países, vão além de simplesmente pensarem nisso. A taxa de suicídio entre os adolescentes de mais idade, nos Estados Unidos, virtualmente dobrou nos últimos 20 anos!a
Outro motivo de grande preocupação é o aumento mundial do consumo, pelos adolescentes, de tóxicos tais como maconha, heroína, cocaína e crack, uma forma de cocaína. Uma jovem de 14 anos, nos Estados Unidos, disse sobre seu hábito de fumar maconha: “Nem é mais a coisa da ‘moda’. É quase uma parte da vida de todo o mundo.”
Nem os países em desenvolvimento escaparam deste problema. É comum, em muitos de tais países, ver jovens fumando pasta de cocaína e substâncias similares. O Secretário-Geral da ONU, Javier Pérez de Cuéllar, disse, assim, que o problema do ilícito tráfico de tóxicos e seu consumo “apresenta uma ameaça tão destrutiva para as gerações atuais e futuras quanto as pragas que varreram muitas partes do mundo, em outras épocas”.
Entre os jovens, o consumo de drogas legalizadas, tais como álcool e fumo, deixa também preocupados muitos peritos — e pais. Informa o UN Chronicle: “Nos últimos 30 a 40 anos, segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], crescentes porcentagens de crianças e de adolescentes começaram a ingerir álcool; aumentaram as quantidades e a freqüência do consumo; e diminuiu a idade em que começam a beber.”
Deve-se admitir que apenas uma minoria de jovens se sentem deprimidos ou demonstram um comportamento autodestrutivo. Em todo mundo, contudo, isso ainda assim totaliza muitos milhões de jovens que têm graves problemas. Como veremos em seguida, os jovens de hoje acham-se expostos a stresses e a pressões exclusivos dos tempos em que vivemos.
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Os jovens de hoje — os desafios que eles enfrentamDespertai! — 1990 | 8 de setembro
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Os jovens de hoje — os desafios que eles enfrentam
“AS PESQUISAS mostram que os anos da adolescência são, sem dúvida, a época mais confusa e estressante da vida.” Assim escreveu a Dra. Bettie B. Youngs em seu livro Helping Your Teenager Deal With Stress. No passado, os jovens se ocupavam apenas em ser jovens. Nos dias de hoje, porém, eles têm de enfrentar tanto os problemas da adolescência como as tremendas pressões adultas da vida, nos anos 90.
Escreveu o Dr. Herbert Friedman, na revista A Saúde do Mundo: “A transição de criança para adulto nunca teve lugar num período de alterações tão espetaculares, seja o aumento extraordinário da população mundial, a urbanização acelerada que o acompanhou, e as revoluções tecnológicas nas comunicações e viagens que, quase de um dia para o outro, criaram condições nunca antes existentes.”
Uma adolescente chamada Kathy diz, assim, o seguinte: “É tão difícil crescer em tempos como os nossos.” A toxicomania, o suicídio, o consumo abusivo de álcool — estas são as reações de alguns jovens aos stresses e às tensões destes “tempos críticos, difíceis de manejar”. — 2 Timóteo 3:1.
Revolução na Família
A Dra. Youngs relembra: “Nossos pais dispunham de tempo para nós. Muitos de nós tínhamos mães cuja carreira de tempo integral era criar os filhos.” Mas, atualmente, “muitas mulheres não podem, ou não querem, dedicar todo o seu tempo a ficar em casa e criar seus filhos. Elas trabalham fora, e têm carreiras e famílias que exigem muito malabarismo da parte delas. Não há suficientes horas num dia; algo precisa ser relegado. Com muita freqüência, o que é relegado é o tempo e o apoio que um genitor pode dedicar a seu filho. Deixa-se sozinho o adolescente, no período mais vulnerável de sua vida, para enfrentar suas mudanças físicas, mentais e emocionais”. — Helping Your Teenager Deal With Stress.
Os anos 90 continuarão, sem dúvida, a ver as estruturas familiares serem dramaticamente alteradas pelo divórcio (50 por cento dos casamentos nos Estados Unidos terminam em divórcio), por filhos ilegítimos e pela crescente tendência de casais viverem juntos sem serem legalmente casados. Já cerca de 1 em cada 4 famílias, nos Estados Unidos, é dirigida por um único genitor. Crescente número de famílias incluem madrastas ou padrastos, resultantes de um novo casamento.
Correm os filhos, em tais estruturas familiares, o risco de sofrer danos emocionais ou psicológicos? Alguns afirmam, por exemplo, que os filhos que vivem em famílias de um só genitor tendem mais à solidão, à tristeza e à insegurança do que os jovens criados em famílias tradicionais. Na verdade, muitas famílias de um único genitor e as famílias que incluem padrastos ou madrastas funcionam com poucos danos aparentes para os filhos. As Escrituras tornam claro, porém, que Deus tencionava que os filhos fossem criados por ambos os genitores. (Efésios 6:1, 2) Variações desta situação ideal certamente trazem stresses e tensões adicionais.
Em muitos países em desenvolvimento também está acontecendo uma revolução na vida familiar. Ali, a estrutura tradicional era a família extensiva, em que todos os membros adultos da família faziam sua parte na criação dos filhos. A urbanização e a industrialização estão cortando rapidamente os vínculos das famílias extensivas — e o fluxo do apoio necessário para os jovens.
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