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O que seu filho deve ler?Despertai! — 1978 | 8 de novembro
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leitores jovens. O conceito antiquado de que certas coisas deveriam constituir tabu para as crianças, simplesmente porque são jovens, não está mais em moda.” — The Writer (O Escritor), abril de 1975, p. 12.
Ela alista as razões para essa mudança como sendo (1) crianças de instrução mais elevada, (2) a abundância de revistas na casa que descrevem o mundo hodierno e (3) especialmente a televisão, com suas “reprises instantâneas” de “insurreições estudantis, assassinatos de figuras políticas, batalhas pelo controle da natalidade, mudanças do que é permitido sexualmente”.
Ao passo que muitos talvez discordem de seu raciocínio quanto ao porquê do “estilo” atual, a realidade é que muitos tópicos são agora incluídos na literatura infantil que não constavam dela há 10 ou 15 anos atrás. Um exame dos títulos recentes revela considerações da bebedice, divórcio, sexo pré-marital, gravidez, aborto, homossexualismo e senilidade.
Ademais, a tendência hodierna de alguns escritores infantis é encarar como sendo preconceituoso e bitolado escrever com “intuitos morais” — isto é, o de afastar os jovens do mal e orientá-los para o bem. Isto, argumentam, é “propaganda”. Em seu conceito, não devia ser o caso de “os bons sujeitos” contra os “sujeitos ruins” — heróis versus vilões. Afirmam que o escritor não deveria pregar aos jovens. Antes, devia simplesmente contar-lhes uma estória convincente.
Outra recente alteração foi na atitude de alguns autores infantis para com a Bíblia. Por exemplo, um deles disse: “Muitas das histórias do Velho Testamento baseiam-se no conceito primitivo de Jeová como Deus vingativo que castiga de modo terrível (como na história do Dilúvio), ou um Deus que exige evidência meticulosa de submissão à sua vontade (como na história de Abraão e Isaque).”
Na realidade, não é isto que a própria Bíblia ensina. Pelo contrário, continuamente apresenta Jeová como Pai amoroso, que insta com seus filhos errantes a que voltem a praticar o bem. (Mal. 3:6-10) Todavia, o escritor que adota tal posição antagônica para com o Deus da Bíblia por certo não incentivaria seu leitorzinho a voltar-se para Ele. O genitor cristão que crê que uma relação íntima com Deus é a maior dádiva que poderá dar a seu filho ou filha desejará manter-se alerta quanto a este conceito extremado.
Assim, pais, depois de considerarem a confusão existente no mundo da literatura infantil, cabe-lhes indagar a si mesmos: O que dizer dos muitos tipos de livros? O que permitirão que Joãozinho ou Terezinha leiam?
O Que Podem Fazer os Pais?
Obviamente, não é sábio classificar todas as publicações em qualquer uma das quatro categorias acima como sendo “todas elas ruins” ou “todas boas”. Ambos os genitores devem ter bem presente as necessidades emocionais do seu filho, segundo a idade dele, e como qualquer publicação poderia influenciar esse filho específico.
À guisa de exemplo, consideremos os contos de fada. Alguns argumentariam que a criança fica enriquecida — estimula-se sua imaginação, o bem usualmente triunfa sobre o mal. Outros arrazoariam que tais contos inculcam a superstição e promovem insalubre enfoque do sobrenatural. Ademais, talvez façam que a criança procure viver num mundo de sonhos, esperando soluções mágicas para os problemas da vida, ao invés de avaliar que é mister fazer esforços para alcançar os objetivos desejados.
Os pais têm de decidir. Mas, seja qual for a índole de seu raciocínio, não é importante considerar cada um de seus filhos como pessoa individual? Um filho poderá já ter a tendência para muitos “devaneios”, e, assim, seria sábio desviar a mente jovem dele em outras direções.
“Mas, como saberei que efeito seus livrinhos de histórias terão sobre ele?”, talvez pergunte. Nem sempre é fácil. Há muitas outras influências na vida dum jovem, além da leitura. Mas, há um enfoque mediante o qual poderá saber muito sobre o que deveras toca o coração do filhinho.
Leiam a história juntos. Os filhos apreciam muito tal atenção. Fornece um escape emocional para os filhos que apreciam a leitura, ao passo que incentiva os que não gostam tanto de ler. Com efeito, alguns professores sustentam que, se os genitores lerem para seus bebezinhos que ainda não sabem ler, isto forma na criança uma impressão inicial favorável ou “tendência” para a leitura.
E talvez fique surpreso diante de algumas conclusões que seu filho poderá tirar ou que aspectos da estória fascinem a ele ou ela. Pergunte a seu filho: “O que pensa sobre tal pessoa?” “O que mais gostou nessa estória?” Considerando as respostas, talvez queira fazer ajustes, possivelmente equilibrando a quantidade de matéria de ficção com a não-ficção. Isto produz o benefício adicional de incentivar seu filho não só a ler sobre as aventuras de outros, mas também de aprender a fazer coisas.
Naturalmente, este enfoque não elimina a necessidade de meditar sobre os livros que permitirá em sua casa. Por exemplo, provável é que deseje peneirar as histórias modernas da categoria friccional. Não deveria ser a pessoa que decide exatamente quando é que deseja que seu filho aprenda sobre sexo, gravidez e aborto? Semelhantemente, ao passo que é verdade que se deve ensinar aos jovens que as pessoas boas também cometem erros, será que deveras ajuda no desenvolvimento de sua personalidade lerem a respeito de vilões vitoriosos?
Similarmente, deseja que seu filho creia que “a força é o direito”? Antes, não deve ensinar a seus filhos que há procederes certos e errados e que os princípios são importantes? Muitos crêem que as estórias em quadrinhos de “super-heróis” que destroem tudo em seu caminho são perigosos “modelos” ou exemplos para os filhos pequenos.
Mesmo no setor dos livros não-ficcionistas, os pais talvez achem que vale a pena folhear o livro antes de dá-lo ao filho. Alguns livros apresentam certas raças ou nacionalidades em luz desfavorável. Outros contêm declarações muitíssimo dogmáticas.
Por exemplo, um livro de ciência talvez apresente os assuntos dum modo muito casual. Talvez assevere que toda vida na terra evoluiu de formas inferiores e, assim, dê a entender (ou até mesmo declare) que o relato da criação da Bíblia é simples ‘mito religioso’. Isto poderá contradizer a formação religiosa que o jovem recebe. Ao passo que o pai ou a mãe poderiam decidir que o valor geral do livro justifica que seu filho o leia, talvez o genitor queira primeiro considerar com seu filho certos conceitos apresentados na matéria.
Tudo isso leva tempo. Mas, significa que se interessa. Deseja que seu filho aprenda, mas quer que saiba o que é para seu bem e sua felicidade. Não se pode fugir das realidades deste mundo. Há um tempo e um modo certos de considerá-los com cada filho. Todavia, visto que aquela criaturinha pequena e nova — usualmente cheia de admiração e ânsia de aprender — lhe é confiada, não subestime quanto sua orientação, seu amor, podem ajudar no desenvolvimento mental e emocional de seu filhinho.
Ademais, o genitor sábio reconhece que todos nós — inclusive as criancinhas — temos uma necessidade espiritual. Os pequeninos amiúde têm muitas perguntas; às vezes fazem perguntas bem difíceis. A Palavra de Deus, a Bíblia, é uma fonte rica de sabedoria. Pode “dar argúcia aos inexperientes, conhecimento e raciocínio ao moço”. (Pro. 1:4) Ler a Bíblia junto com seus filhos o envolverá, naturalmente, em palestras a respeito das coisas realmente importantes. A maioria dos que persistiram em usar a Bíblia qual guia moral vieram a encará-la como sendo mais do que literatura excepcional, mas como uma necessária “luz” na vida. — Sal. 119:105, 160; 36:9.
Há mais literatura infantil disponível do que nunca antes. Também há muita competição para obter o tempo de seu filho — a televisão e crescentes possibilidades recreativas. Está certo em incentivar seus filhos a ler. Mas será sábio de se interessar no que lêem, de guiar suas energias juvenis.
Talvez, em última análise, as coisas sejam como o filósofo Bacon escreveu, há muito: “Alguns livros devem ser provados, outros engolidos, e uns poucos devem ser mastigados e digeridos.”
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Os enviados como são?Despertai! — 1978 | 8 de novembro
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Os enviados como são?
“QUE tipo de missionários serão?” Propôs K. A. Adams esta pergunta aos 24 estudantes que instruíra nos cinco meses prévios. A ocasião era a formatura da 64.ª turma da Escola de Gileade, realizada em 5 de março no Salão de Assembléia das Testemunhas de Jeová, em Long Island.
“Há lições que poderão aprender da vida dos que foram enviados antes dos irmãos”, continuou Adams. Daí, trouxe à atenção dos estudantes dois missionários mencionados na Bíblia, Jonas e o apóstolo Paulo. Comentou ele que Jonas tinha uma atitude ruim para com seu território designado, Nínive’, deixando de compartilhar o conceito de Deus para com o povo dela. Assim, Jonas partiu em outra direção. “Mas Deus o fez parar logo”, disse Adams, “deu-lhe alguns dias para pensar, e, por fim, do ventre do peixe, Jonas disse: ‘O que votei, vou pagar.’”
“Mas Jonas ainda tinha problemas”, comentou Adams. “Embora fosse a Nínive, e realizasse seu trabalho, evidentemente não tinha real interesse nas pessoas. Assim, quando elas abandonaram seus modos ruins, e Jeová determinou não destruí-las, a Bíblia afirma: ‘Isto desagradou muito a Jonas’.” Isso nos faz refletir, especialmente visto que a Bíblia indica que Jonas mostrava muito interesse em seu próprio conforto pessoal. — Jonas, caps. 1 a 4.
Os formandos entenderam o ponto dessa lição — que eles deviam estar genuinamente interessados em ajudar a outros, ao invés de preocupar-se demais com seus próprios confortos. Nos dias após a formatura, muitos adeuses foram dados, à medida que os estudantes começaram a partir para os 10 países a que foram designados: Baamas, Brasil, Chile, El Salvador, Equador, Guiana Francesa, Japão, Paraguai, Senegal e Serra Leoa. Ao todo, agora, desde que a Escola de Gileade começou há 35 anos atrás, 5.633 formandos foram enviados a cerca de 160 diferentes países.
Os que partiram nas semanas após a formatura dispõem do excelente exemplo de muitos missionários de turmas anteriores para imitar. Considere, por exemplo, Leo e Eunice Van Daalen, da primeira turma de Gileade. Em março de 1944, chegaram a Porto Rico, onde só havia seis pessoas ativas como Testemunhas de Jeová. O casal Van Daalen encontrou moradia e passou a pregar sob forte sol tropical. A meia dúzia de pregadores do Reino ali, em 1944, aumentou para 622 em novembro de 1951.
Daí, em abril seguinte, o casal Van Daalen viajou para os Estados Unidos, para visitar seus pais. No entanto, o avião caiu no oceano. Eunice, exímia nadadora, ofereceu seu salva-vidas a outra pessoa, os jornais louvando seu ato de altruísmo. Mas ela e o marido se afogaram. Durante oito anos, tinham trabalhado arduamente na pregação e, em grande medida, devido à atividade deles e de seus co-formandos de Gileade, há agora mais de 16.700
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