-
A longanimidade de Deus é uma bênção eterna para a humanidadeA Sentinela — 1967 | 15 de janeiro
-
-
A longanimidade de Deus é uma bênção eterna para a humanidade
“O amor é longânime.” — 1 Cor. 13:4.
1. (a) Como é Jeová representado nas Escrituras? (b) Por que Jeová é longânimo?
POR todas as Escrituras Sagradas aprendemos a respeito da longanimidade de Deus. Na Bíblia, Jeová é representado como Deus de disposição meiga. Alguém que prefere antes abençoar do que punir. Sua indulgência suspende até mesmo o castigo merecido, quando o pecado cometido clama por vingança. A longanimidade de Jeová suporta repetidas provocações da parte de homens e de anjos. Ele é chamado pelo salmista de Deus “vagaroso em irar-se”. (Sal. 103:8) Jeová suporta muita coisa porque é Deus e porque é amor, pois “Deus é amor”. — 1 João 4:16.
2. (a) Definam longanimidade. (b) Como é traduzida a palavra longanimidade em muitos trechos das Escrituras Hebraicas?
2 Longanimidade significa perseverança sob mal tratamento, sem irritação ou retaliação. Significa possuir um espírito tolerante quanto àqueles cuja conduta ou linguagem exaspera e provoca a ira ou indignação. O significado literal da palavra grega da qual “longanimidade” é tradução é “de temperamento constante”, o oposto da expressão “irascível”. Em três trechos das Escrituras Hebraicas (Êxo. 34:6; Núm. 14:18; Sal. 86:15), a Tradução do Novo Mundo usa “vagaroso em irar-se”, tradução mais literal da frase hebraica “comprimento da face ou narinas, onde a ira se acende” em lugar de “longanimidade” da Versão Autorizada, em inglês. Em muitos trechos, contudo, tais como em Neemias 9:17; Salmos 103:8; 145:8; Jeremias 15:15; Joel 2:13; Jonas 4:2 e Naum 1:3, as duas traduções são intercambiáveis. As duas expressões “longanimidade” e “vagaroso em irar-se” são, portanto, sinônimas ou têm o mesmo significado.
3. Qual é o significado em português da palavra “sofrer”, e como é que isto concorda com a definição bíblica da palavra?
3 A palavra portuguesa “sofrer”, conforme usada, tem vários significados, entre os quais: suportar, ou tolerar; conter-se, ou reprimir-se; tal como conter ou reprimir a execução dum julgamento. O significado bíblico da palavra “sofrer” é amiúde o mesmo. Significa ser vagaroso em expressar ira, indulgência, disposição de deferir, isto é, de permitir que o iníquo siga seu próprio curso até o devido tempo de Deus agir.
4. O que não significa a longanimidade, e por quê?
4 A longanimidade não significa o rebaixamento dos padrões de justiça no tocante ao certo e ao errado. O profeta Moisés nos assegura disto, sendo ele quem escreveu sobre Jeová: “A Rocha, perfeita é sua atividade, pois todos os seus caminhos são justiça. Um Deus de fidelidade, em quem não há injustiça; justo e reto é ele:” (Deu. 32:4) Aqueles que desprezam a indulgência de Deus ignoram o propósito pela qual a manifesta. Aqueles que a confundem com fraqueza, ou com injustiça ou indiferença, são simples cegos moralmente.
5. Por que a longanimidade não é pacifismo?
5 A longanimidade de Deus não é tampouco pacifismo. Talvez seja e é acompanhada pela guerra até à morte contra o mal ou erro. O inspirado Provérbios nos diz: “Não invejes ao homem violento, nem adotes o seu procedimento, porque o Senhor [Jeová] detesta o que procede erradamente, mas reserva sua intimidade para com os homens retos. Sobre a casa do ímpio pesa a maldição divina, a bênção do Senhor [Jeová] repousa sobre a habitação do justo.” (Pro. 3:31-33, CBC; Êxo. 20:5, 6) Jeová não transige com os perversos, mas é paciente com eles, “porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento” e vivam. — 2 Ped. 3:9; 1 Tim. 2:4; Eze. 3:17-21.
6. De que forma a longanimidade é mais do que a paciência, e como se prova isto no caso de Israel?
6 A longanimidade é, portanto, mais do que a paciência. A palavra não subentende apenas a perseverança paciente em face de provocação, mas a recusa de perder a esperança de melhoramento nas relações perturbadas. Este aspecto da longanimidade pode ser visto quando Jeová, mediante o profeta Isaías, disse ao antigo Israel: “Estendia constantemente as mãos a uma nação indócil e rebelde, que seguia o mau caminho de acordo com suas inclinações; há pessoas que não cessam de provocar-me diretamente.” Ainda assim, Deus não as repele ou destrói. Por que não? O profeta continua: “Eis o que diz o Senhor [Jeová]: quando se encontra sumo num cacho de uvas diz-se: ‘Não o destruam, há aí uma bênção.’ Assim, por amor a meus servos em lugar de tudo destruir, tirarei de Jacó uma raça, e de Judá um herdeiro de minhas montanhas; meus eleitos as possuirão, e meus servos aí viverão. . . . Quanto a vós, os desertores do Senhor [Jeová], que haveis esquecido meu monte santo, . . . à espada eu vos destino; todos vós vos curvareis para ser degolados. Porque quando eu chamava, não respondestes, quando falava, fizeste-vos de surdos, praticastes o que eu acho ruim, e escolhestes o que me desagrada.” (Isa. 65:2-12, CBC) Portanto, Jeová exerceu um tipo peculiar de longanimidade em favor dos que se provariam fiéis a Ele. A estes Ele promete abençoar com preciosas posses, ao passo que aos iníquos eventualmente devotará à destruição.
LONGANIMIDADE PARA COM A HUMANIDADE
7. Por que é bom para a humanidade que Jeová seja longânimo, e que fim visa a longanimidade de Deus?
7 Felizmente para a humanidade, Jeová é longânimo, Deus vagaroso em irar-se. Pois onde estaria qualquer um de nós se ele lidasse conosco apenas quanto aos nossos méritos e valores? Se Jeová lidasse com o primeiro casal humano estritamente do ponto de vista de sua justiça, depois de o terem desobedecido, a raça humana teria acabado bem ali. (Gên. 2:17) Somente o amor de Deus e seu fruto, a “longanimidade”, impediram uma catástrofe total naquela hora. A longanimidade de Deus visava magnificar a Sua glória por meio do Descendente de sua promessa. — Gên. 3:15; João 3:16; Gál. 5:22.
8. (a) Como e por que teve Jeová de demonstrar sua longanimidade antes do Dilúvio? (b) Que propósito vital cumpriu a Sua longanimidade?
8 Pouco depois da expulsão do homem do Éden, Jeová teve de continuar demonstrando sua indulgência para com a humanidade. Nos dias de Enos os homens começaram a “invocar o nome de Jeová” de forma vituperadora. (Gên. 4:26) Aumentou a iniqüidade com a crescente população. Os homens e os anjos desafiavam a Deus. Chegou-se ao ponto em que “todos os pensamentos do . . . coração [do homem] estavam continuamente voltados para o mal”. O registro divino afirma: “A terra corrompia-se diante de Deus e enchia-se de iniqüidade. Deus olhou para a terra e viu que ela estava corrompida: toda a criatura seguia sobre a terra o caminho da corrupção.” (Gên. 6:5-12, CBC) A bem da terra e das poucas almas decentes nela (só oito no total), Deus pôs cobro à iniqüidade mediante destruir os perversos no Dilúvio. (1 Ped. 3:20; Gên. 7:17-23) Sua paciência chegara ao limite. Todavia, sua longanimidade cumpriu um propósito vital. Justificou a decisão de limpar a terra. Nem sequer um dos sobreviventes do Dilúvio, por um momento sequer, questionou a sabedoria do poderoso ato de Jeová. A longanimidade de Deus não deixava margem a dúvidas quanto à sua retidão.
9. Como foi a longanimidade de Jeová uma bênção para a humanidade depois do Dilúvio, e como foi considerada?
9 A indulgência de Jeová proveu à humanidade um novo e diferente começo na terra. Permitiu que a raça humana continuasse. O Dilúvio deveria gravar indelèvelmente na mente dos homens o temor e a reverência para com Jeová, seu Salvador, mas não gravou. A descendência dos sobreviventes do Dilúvio logo confundiram a longanimidade de Deus com a indiferença. Nas palavras do salmista, disseram em seus corações: “Deus esqueceu-se; cobriu o seu rosto, e nunca verá isto. Por que blasfema de Deus o ímpio, dizendo no seu coração que tu não inquirirás?” (Sal. 10:11, 13, Al; Ecl. 8:11-13) A iniqüidade atingiu outro clímax nos dias de Abraão.
10, 11. (a) Como foi demonstrada a longanimidade de Jeová em relação com as cidades de Sodoma e Gomorra? (b) Que exemplo de aviso permanece nisto para nós?
10 Em Manre, Abraão, o fiel servo de Jeová, pleiteou com Deus que não destruísse Sodoma e Gomorra. Jeová, porém, argumentou que estas cidades se tornaram inteiramente corruptas. “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande”, disse Jeová a Abraão. (Gên. 18:20, CBC) No entanto, Abraão suplicou a preservação destas cidades. Parece que não podia crer que eram inteiramente devassas, estando além de salvação. Assim, argüiu: “Fareis o justo perecer com o ímpio?” (Gên. 18:23, CBC) Abraão achava que ainda havia algumas pessoas boas em Sodoma, que seria injusto para com as pessoas justas ali que ela fosse destruída. Assim, suplicou a Deus: “Talvez haja cinqüenta justos na cidade: fá-los-ei perecer? Não perdoaríeis antes a cidade, em atenção aos cinqüenta justos que nela se poderiam encontrar? Não, Vós não saberíeis agir assim, matando o justo com o ímpio, e tratando o justo como o ímpio! Longe de vós tal pensamento! Não exerceria o Juiz de toda a terra a justiça?” — Gên. 18:24, 25, CBC.
11 Então Jeová respondeu a Abraão: “Se eu encontrar em Sodoma cinqüenta justos, perdoarei a toda a cidade em atenção a eles.” Abraão, porém, foi além: Suponhamos que encontrasse quarenta e cinco, ou apenas quarenta, ou trinta, ou só vinte, ou talvez dez, o que faria então? Por certo, se houvesse menos de dez pessoas decentes em Sodoma, Abraão aparentemente ficaria satisfeito de que ela não merecia permanecer. Mas, não foi possível encontrar dez pessoas justas, apenas quatro. Muitas pessoas, atualmente, acham que o mundo não se encontra moral e espiritualmente em condições tão ruins como dizem as testemunhas de Jeová. Falam esperançosamente sobre o mundo. Todavia, a Santa Bíblia o compara a Sodoma e Gomorra, incapazes de apresentar dez almas justas no dia de seu julgamento. Estas cidades sumiram no meio de fogo e enxofre, fato este confirmado por Jesus Cristo e a arqueologia. Este mundo, segundo a Palavra de Deus, também terá fim. — Gên. 18:26-33; 19:1-29; Luc. 17:29, 30; 2 Ped. 3:7.
12. Que bom propósito cumpriu a longanimidade de Jeová em relação com estas cidades?
12 Abraão não se queixou a Deus quando Sodoma e Gomorra sumiram nas chamas. Não lamentou a perda de propriedade, nem teve pena da perda de vidas ali. Os ímpios receberam a sua devida recompensa. O exercício, por parte de Deus, da longanimidade obriga, sim, exige que os servos de Deus fiquem completamente satisfeitos com a justiça de Deus, quando administrada. Não deixa dúvidas em suas mentes de que os perversos foram tratados com justeza, e que Jeová é deveras um Deus vagaroso em irar-se e cheio de benevolência e verdade. Ajuda-os adicionalmente a apreciar que “a salvação dos justos provém de Jeová; ele é a sua fortaleza no tempo de angústia. E Jeová os ajudará e lhes fornecerá o escape. Ele lhes fornecerá o escape das pessoas iníquas e os salvará, porque nele se têm refugiado”. — Sal. 37:39, 40.
A LONGANIMIDADE DE DEUS E ISRAEL
13. Como foi que Jeová manifestou sua longanimidade para com o antigo Israel, mas, como foi considerada?
13 Em parte alguma da Bíblia a longanimidade de Deus é tão evidente como em seus tratos com a antiga nação de Israel. Eis ali um povo que Jeová livrara da escravidão egípcia e transformara em poderosa nação. Tanto o favorecia como o distinguia acima de todos os demais povos. Sobre ele concedera abundantemente benefícios tanto temporais como espirituais, durante muitos séculos. Por fim, até mesma enviou seu Filho unigênito entre eles. Muito embora matassem a Seu Filho na estaca de tortura, Jeová ordenara, em infinita misericórdia, que as primeiras propostas de suas boas novas lhes fossem feitas. Rogou-lhes, mediante seus profetas, apóstolos e ministros, que aceitassem a Sua salvação por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Ainda assim a ampla maioria não quis nada disso. Estranhamente confundiram o intuito da bondade de Deus. Deveria tê-los conduzido ao arrependimento, como fez a um restante, mas, ao invés, a maioria sem comparação sentiu-se agravada com a bondade de Deus e se tornou vil em sua ingratidão. De alguma forma foram levados a concluir que a abundante misericórdia e longanimidade de Deus para com eles significava que sempre os favoreceria, não importava quão ingratos fossem em rebelar-se contra ele. A História prova que estavam redondamente enganados em sua conclusão. — Vejam-se Neemias 9:4-35 e Atos 2:14-47; 7:51-53.
14, 15. (a) Será que a longanimidade de Jeová foi desperdiçada? (b) Que lição ulterior temos a respeito da longanimidade de Deus?
14 A longanimidade de Deus não foi desperdiçada para com os judeus. Serviu a seu fim. Deu a um restante a oportunidade de arrepender-se. As manifestações da misericórdia de Deus lhes forneceram motivos e incentivos para se desviarem de seu passado iníquo e de fazerem o que era certo. Assim se tornaram recebedores do favor de Deus, para se tornarem seus filhos espirituais, num reino celeste junto com Cristo, como seu cabeça.
15 Os judeus, contudo, que rejeitaram a longanimidade de Deus, foram com efeito os perdedores. Sua perda significou lucro para os gentios, a quem foi concedida a oportunidade de se tornarem membros do reino celeste, por causa da descrença judaica. Sua contínua teimosia resultou na perda do favor de Jeová, e, por conseguinte, a perda de Sua proteção e bênção, como ficou bem demonstrado em 70 E. C., quando a cidade de Jerusalém foi destruída pelas legiões romanas. Não traz benefícios nem ao judeu nem ao gentio tratar levianamente a longanimidade de Deus. — Romanos, capítulo onze.
POR TRÁS DA INDULGÊNCIA DE DEUS
16. Por que Jeová é longânimo, segundo o apóstolo Paulo?
16 Mas, qual a razão da longanimidade de Deus? É simplesmente para a salvação dos homens que Ele tem sofrido suas indignidades? Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, responde para nós: “Se Deus, pois, embora tendo vontade de demonstrar o seu furor e de dar a conhecer o seu poder, tolerou com muita longanimidade os vasos do furor, feitos próprios para a destruição, a fim de dar a conhecer as riquezas de sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou de antemão para glória, a saber, nós, a quem ele chamou não somente dentre os judeus, mas também dentre as nações, o que tem isso? É conforme ele diz também em Oséias: ‘Aos que não são meu povo, eu chamarei de “meu povo”, e àquela que não era amada, de “amada”; e no lugar onde se lhes disse: “Vós não sois meu povo”, ali serão chamados de “filhos do Deus vivente”.”’ (Rom. 9:22-26) Em outras palavras, Deus, por meio de sua longanimidade, tira um povo para o Seu nome. E por meio deles, magnífica a si mesmo em toda a terra. — 1 Cor. 3:9, 16, 17; 2 Cor. 6:16; Atos 15:14.
17. Que bênçãos para a humanidade têm resultado da longanimidade de Deus?
17 Estes se tornam testemunhas de Jeová, ordenados para declarar as excelências de seu Deus, Jeová. Deles, o apóstolo Pedro escreveu: “Vós sois raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. Porque vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; vós éreis aqueles a quem não se mostrara misericórdia, mas agora sois os a quem se mostrou misericórdia.” (1 Ped. 2:9, 10) A misericórdia e a longanimidade de Deus os habilitou a se tornarem Seus filhos, seus herdeiros, ou povo. “Então, se somos filhos”, escreveu Paulo, “somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo, desde que soframos juntamente, para que também sejamos glorificados juntamente. Conseqüentemente, eu considero os sofrimentos da época atual como não importando em nada, em comparação com a glória que há de ser revelada em nós”. (Rom. 8:3, 4, 14-18; 2 Cor. 5:17; Gál. 6:15) Que emocionante perspectiva, pois estes compõem o reino celeste junto com Cristo! E hão de reinar a terra junto com ele por mil anos, trazendo bênçãos eternas a humanidade. Por meio deles, Jeová glorificará o próprio lugar de seus pés, segundo a sua promessa escrita. (Isa. 60:13) Assim vemos que, por trás da longanimidade de Deus acha-se a vindicação de seu nome e Palavra por meio de Cristo e seu reino.
EXEMPLIFICADA A LONGANIMIDADE EM JESUS CRISTO
18. Em quem foi exemplificada a longanimidade de Jeová, e como?
18 Entre os homens na terra, a longanimidade de Jeová foi exemplificada na vida de Jesus Cristo. Escreveu o apóstolo Paulo: ‘Olhamos atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. Pela alegria que se lhe apresentou, ele aturou uma estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se tem assentado à direita do trono de Deus.’ (Heb. 12:2) Quão longânimo era Jesus para com os doentes e pobres! Quão longânimo foi para com Pilatos e Herodes! Quão longânimo foi com aqueles que o pregaram na estaca, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.” (Luc. 23:34) Sobre Jesus Cristo, escreveu o profeta Isaías: “Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz à matança, ou uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca).” (Isa. 53:7, CBC) Não se queixou nem murmurou, mas regozijou-se ao sofrer, pois estava cônscio da alegria que lhe foi apresentada.
19. De que forma a longanimidade de Jesus Cristo foi um exemplo para nós?
19 Jesus ensinou aos homens a sofrer por muito tempo e com verdadeira dignidade. Pelo seu exemplo, mostrou a seus seguidores como suportar as fraquezas de seus associados. Lembre-se de como Jesus suportou a Pedro, a Tomé e aos outros apóstolos, e como os edificou depois de sua ressurreição. (João 20:24-29; 21:15-17) Demonstrou como suportar os erros e as fraquezas dos bêbedos, dos leprosos e das prostitutas. Suportou o abuso dos inquiridores ignorantes, a malícia dos homens de mentalidade perversa, e o fez sem queixumes, sem irritação ou retaliação, exemplo que se recomenda para que o sigamos.
20. Que lições se pode aprender da longanimidade?
20 Há lições a aprender no sofrimento, lições que até mesmo o homem perfeito Jesus teve de aprender. As Escrituras dizem: “Cristo nos dias da sua carne, ofereceu súplicas e também petições àquele que era capaz de salvá-lo da morte, com fortes clamores e lágrimas, e ele foi ouvido favoravelmente pelo seu temor piedoso. Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu; e, depois de ter sido aperfeiçoado, tornou-se responsável pela salvação eterna de todos os que lhe obedecem.” (Heb. 5:7-9) Todos os que hão de ganhar a salvação têm de aprender a lição da obediência. — 1 Sam. 15:22, 23.
A ATUAL NECESSIDADE DA LONGANIMIDADE DE DEUS
21. Como foi manifestada a longanimidade de Jeová nos tempos modernos?
21 A necessidade da longanimidade de Deus em nossa era moderna foi sublinhada por Jesus Cristo, quando disse: “Não causará Deus que se faça justiça aos seus escolhidos que clamam a ele dia e noite, embora seja longânime para com eles? Eu vos digo: Ele causará que se lhes faça velozmente justiça. Não obstante, quando chegar o Filho do homem, achará realmente fé na terra?” (Luc. 18:7, 8) Quando Jeová Deus veio a seu templo para julgamento, junto com seu Rei-Filho entronizado, achou grande necessidade de ser longânimo para com os que professavam o Cristianismo na terra. Os dedicados a ele estavam saturados de religião babilônica. Suas vestes estavam manchadas da hipocrisia religiosa e das transigências políticas. Deus suportou por muito tempo as fraquezas deles. Com o tempo, os de coração honesto avaliaram a longanimidade de Deus e se arrependeram de seus pecados e puseram suas vidas em ordem. Jeová, então, os abençoou com o privilégio de se tornarem suas testemunhas em toda a terra. Foi-lhes dado o glorioso tesouro de serviço de anunciar o reino estabelecido de Deus e a rápida aproximação da guerra do grande dia de Deus, o Onipotente, no lugar chamado Armagedom. — Mat. 24:14; Rev. 16:16.
22. De que forma foi recompensadora para a humanidade a longanimidade de Jeová?
22 Recompensadora, deveras, tem sido a longanimidade de Deus. Tem resultado em incrementada glória a Deus. Para a humanidade, tem significado um Redentor e a esperança renovada de vida interminável. (Tito 1:1, 2; 1 João 2:25) A longanimidade de Jeová tem tornado possível um governo do Reino, com muitos filhos espirituais, para a bênção da humanidade. Nestes últimos dias, não só a sua longanimidade tornou possível que o número dos membros do corpo do Reino fosse completado, mas também abriu o caminho para que uma grande multidão de pessoas correspondesse à misericórdia de Deus e obtivesse a sua salvação. Além disso, tem resultado em a verdadeira adoração ser restabelecida na terra e na presença duma sociedade de pessoas espiritualmente limpas, dedicadas ao propósito de Deus. Isto é maravilhoso aos nossos olhos, pois, se não fosse pela longanimidade de Jeová, nenhuma carne teria sido salva. (Mat. 24:22) Mas, agora, vemos os preciosos frutos da longanimidade de Deus em bem mais de um milhão de pessoas o louvarem. Na verdade, Jeová fez destacar a sua glória mediante sua longanimidade!
23. (a) Que aviso é dado em relação com a longanimidade de Deus? (b) O que sempre devem ter presente os cristãos, de modo que não despercebam o propósito da longanimidade de Deus?
23 Junto com estas boas novas, contudo, surge uma palavra de aviso para que nós, individual e coletivamente, não despercebamos o propósito da longanimidade de Jeová. O apóstolo Pedro sabiamente nos acautela, afirmando: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” Daí, o apóstolo acrescenta: “Contudo, o dia de Jeová virá como ladrão.” Os iníquos serão destruídos. Desejamos ficar sempre seguros e cônscios destes fatos — o dia de Jeová virá — os iníquos serão destruídos. Visto ser este o caso, “considerai a paciência de nosso Senhor como salvação”. Por conseguinte, tire proveito da mesma. Para aqueles que assim fizerem, há em reserva bênçãos eternas na nova ordem de Deus, sob Cristo, bênçãos resultantes da longanimidade de Deus. — 2 Ped. 3:9-18; Gál. 6:9.
-
-
Seja longânime para com todosA Sentinela — 1967 | 15 de janeiro
-
-
Seja longânime para com todos
“Sede longânimes para com todos.” — 1 Tes. 5:14.
1. Entre quem se pode achar a longanimidade, e por quê?
ENTRE todas as criaturas da terra, apenas o homem parece ter a qualidade divina da longanimidade. Até mesmo entre os homens é rara. Isto se dá primariamente porque a longanimidade é fruto do espírito de Deus. (Gál. 5:22) Por conseguinte, pode ser encontrada principalmente entre as pessoas em que opera o espírito de Deus. O exercício deste fruto é deveras uma bênção, não só para aquele que é longânime, mas também para os seus associados. As pessoas que vivem hoje neste mundo impaciente e egoísta precisam ser mais longânimes umas para com as outras.
2. (a) Que fatos destacam a escassez desta qualidade na terra? (b) O que torna desejável a longanimidade?
2 Quando temos presente que a longanimidade significa suportar maus tratos sem irritação ou retaliação, sem murmúrios ou queixumes, e que tem como seu fim altruísta a salvação da humanidade, ficamos imediatamente perplexos com a escassez desta qualidade divina entre a humanidade, e ficamos também impressionados com a enorme necessidade da mesma. A necessidade se torna ainda mais notória quando compreendemos que toda a humanidade foi concebida em pecado e nasceu num mundo alienado de Deus e mergulhado na corrupção. (Sal. 51:5; 1 João 5:19) A sobrevivência diária em si mesma exige certa quantidade de longanimidade, tolerância das pequenas ofensas e injustiças. As pessoas cônscias de suas falhas pessoais sentem-se eternamente gratas de toda indulgência que lhes é concedida. Verdadeiramente esperam as tenras afeições, a simpatia e a compaixão dos outros. Não receber a misericórdia e a compreensão pode e amiúde lança os homens em terríveis depressões. Muitos se sentem esmagados sob os pesados pensamentos quanto à sua própria insignificância. Portanto, o exercício de longanimidade suaviza seus pensamentos, dá-lhes novo gosto pela vida, por assim dizer. A longanimidade se torna bênção preciosa para eles, qualidade que torna a vida mais tolerável e suportável para todos. É o modo mais excelente do amor, pois o “amor é longânime”. — 1 Cor. 12:31; 13:4.
3. Que outros fatores a respeito da longanimidade devem ser relembrados?
3 O servo de Deus é convocado não só a suportar por longo tempo as injustiças dos outros, mas tem por obrigação fazer isso com a correta disposição mental, isto é, sem se queixar disso. Sua indulgência tem de ser em imitação de Deus e de Jesus Cristo. Jeová não se lamuria nem alimenta má vontade ou ressentimento contra seus oponentes. É esta qualidade de longanimidade que tem mérito. Disse Jesus: “Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito.” — Mat. 5:48.
4. O que ajuda os cristãos a suportar o sofrimento, e como é que as Escrituras destacam isto?
4 Em adição ao maravilhoso exemplo de longanimidade de Jeová, o cristão também tem os incentivos adicionais que o auxiliam a suportar o sofrimento. Ele precisa destes, pois nunca é fácil sofrer. Jesus Cristo, em seu famoso Sermão do Monte, mencionou brevemente o que são estas pessoas, quando disse: “Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o reino dos céus. Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus.” (Mat. 5:10-12) Sim, Jesus trouxe à atenção a recompensa de se sofrer o mal. E, quando comparamos o sofrimento suportado com as riquezas do reino e a vida eterna, deveras é coisa pequena sofrer por causa da justiça! Na realidade, temos toda razão de nos regozijar e pular de alegria, se apenas crermos nas promessas de Deus. “Irmãos”, disse o discípulo Tiago, irmão de nosso Senhor Jesus Cristo, “tomai por modelo do sofrimento do mal e do exercício da paciência os profetas, que falaram em nome de Jeová. Eis que proclamamos felizes os que perseveraram. Ouvistes falar da perseverança de Jó e vistes o resultado que Jeová deu, que Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso. Feliz o homem que estiver perseverando em provação, porque, ao ser aprovado, receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo.” (Tia. 5:10, 11; 1:12) Quando sob prova por fazer o que é certo, creia nas promessas de Deus e a alegria advirá de sua longanimidade.
5, 6. (a) O que tinha a dizer o apóstolo Paulo aos colossenses a respeito de se sofrer? (b) Como pode o sofrimento ser chamado de privilégio e de dádiva?
5 O apóstolo Paulo também comenta sobre este ponto de se regozijar durante provas e sofrimentos. Em sua carta aos colossenses, diz: ‘Sede longânimes com alegria, agradecendo ao Pai, que vos tornou idôneos para a vossa participação na herança dos santos.’ (Col. 1:10-12) A indulgência ou longanimidade cristã deve ser acompanhada de alegria. E será, se considerarmos tal sofrimento como um privilégio e avaliarmos que a perseverança traz a aprovação, e a aprovação a coroa da vida.
6 É um privilégio sofrer? Sim! Com efeito, é uma dádiva sofrer a favor de Cristo. Note como o apóstolo Paulo faz-nos ver este ponto em sua carta aos filipenses. Afirma: “Porque a vós foi dado o privilégio, a favor de Cristo, não somente de depositardes nele a vossa fé, mas também de sofrerdes a favor dele.” (Fil. 1:29) Ninguém com fé negará que crer em Cristo é precioso privilégio, mas Paulo leva o assunto um passo adiante. Informa-nos que sofrer em favor de Cristo não deixa de ser privilégio e dádiva, pois uma coisa dada é uma dádiva. E, até certo ponto, “todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus serão perseguidos”. (2 Tim. 3:12) Avaliarmos isto nos ajudará a entender a razão pela qual é necessário sermos longânimes para com todos.
7. Qual foi a experiência de Paulo com o sofrimento, e por que poderia recomendar o proceder da longanimidade a outros?
7 O apóstolo Paulo não só escreveu a respeito de sofrer e ser longânimo, mas ele mesmo sofreu muito. Em sua segunda carta aos coríntios (11:23-29), relata algumas das coisas que sofreu em favor de Cristo. Foi encarcerado muitas vezes, açoitado quase até à morte; cinco vezes foi chicoteado com trinta e nove chicotadas. Foi apedrejado, sofreu três vezes naufrágio. Padeceu fome, noites sem dormir e perigos. Todavia, insta com seus irmãos cristãos a que sejam longânimes para com todos. Poderia fazer isto porque conhecia a questão que envolvia a integridade cristã e porque estava convencido do glorioso prêmio de vida que Deus daria aqueles que perseverassem. Outro fator que fortaleceu a Paulo foi sua convicção de que nada poderia acontecer aos cristãos a menos que Jeová permitisse. E se Deus permitia que acontecesse, então ele, como servo de Deus, se deleitaria no serviço, qualquer que fosse o preço. — 2 Cor. 6:3-10; 2 Tim. 4:6-8.
EXEMPLOS DE SOFRIMENTO
8. O que habilitou José a ser longânimo para com seus perseguidores?
8 É surpreendente ver este fato quanto à vontade de Deus sobre o sofrimento ser destacado vez após vez pelos servos fiéis de Deus. Tome, por exemplo, José, o filho de Jacó. Foi vendido ao Egito pelos seus irmãos, mas não ficou zangado com eles. Foi acusado falsamente e encarcerado; ainda assim seu espírito não ficou amargurado. Quando, depois de muitos anos, encontrou-se com os irmãos e se revelou a eles, o que disse: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me ter vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós.” (Gên. 45:4, 5, CBC) José viu a mão orientadora de Deus por trás de tudo o que ocorria. Isto o ajudou a ser longânimo para com todos que o prejudicaram.
9. Como foi que o Rei Davi acolheu abusos e por quê?
9 Em certa ocasião, o Rei Davi sofreu abusos da parte de um homem de boca perversa, chamado Simei. Este filho de Gera atirou pedras em Davi e gritou: “Sai, sai, homem de sangue, e imprestável!” Abisai, servo de Davi, queria matar Simei. Mas Davi disse: “Deixe que ele invoque o mal, porque o próprio Jeová lhe disse: ‘Invoca o mal sobre Davi!’” (2 Sam. 16:5-13) Davi suportou a humilhação como sendo a vontade de Deus. Não são muitos os homens em posições de poder que fariam o que Davi fez. Mas Davi desejava agradar a Jeová e não a si mesmo. Foi isto que o ajudou a ser longânime.
10. Que fatos enfatizou Jesus a Pôncio Pilatos, e como foi que isto o ajudou a ser longânime?
10 Quando zombavam e açoitavam a Jesus, e uma turba louca clamava pela sua vida, o Governador Pôncio Pilatos perguntou curiosamente a Jesus: “Donde és?” Mas Jesus não lhe deu resposta. Por isso, Pilatos perguntou-lhe: “Não falas comigo? Não sabes que tenho autoridade para te livrar e que tenho autoridade para te pendurar numa estaca?” Jesus disse a ele aquilo que todo servo de Deus que já sofreu sabe: “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima.” (João 19:1-11) Jesus reconheceu a vontade de Deus no que ocorria. Se a mesma significava sofrer, então ele sofreria, e com alegria. — Sal. 40:8; Heb. 10:5-10.
11. Que espírito vemos nos seguidores de Jesus? Dêem exemplos.
11 Vemos a mesma mente e espírito nos seguidores de Jesus Cristo até os nossos dias. Quando Pedro e os outros apóstolos de Jesus foram açoitados por representar a Cristo, regozijaram-se “porque tinham sido considerados dignos de serem desonrados a favor do nome dele”. (Atos 5:41) Quando Paulo e Silas foram lançados na prisão, depois de serem castigados com muitos açoites, cantaram cânticos de louvor a Deus. (Atos 16:22-25) A História abunda de exemplos de cristãos que cantaram ao serem lançados aos leões e queimados na estaca. Relatos modernos das testemunhas cristãs de Jeová falam de elas enfrentarem com intrepidez a guilhotina, as câmaras de gás, pelotões de fuzilamento, campos de concentração, prisões, minas de sal, e seja o que for. Elas gravaram na mente e no coração a questão da integridade a Deus. Sabem por que sofrem. E sabem, também, quais são as gloriosas promessas da fidelidade, que as habilitam a regozijar-se no sofrimento. — João 15:18-21.
CULTIVANDO OS FRUTOS DA LONGANIMIDADE
12. Como podemos cultivar a longanimidade em nossas vidas? Dêem quatro requisitos básicos para se obter o espírito de Deus.
12 Como podemos vir a ter esta mesma apreciação da vontade de Deus? Como podemos cultivar a longanimidade em nossas vidas? A longanimidade é fruto do espírito de Deus. Por conseguinte, a fim de termos tal qualidade precisamos ter o espírito de Deus. Há primariamente quatro coisas que temos de fazer para obtê-lo. (1) Temos de estudar a Bíblia, a Palavra de Deus, cheia de espírito. (2 Tim. 3:16, 17; Heb. 4:12) Ao aplicarmos seus princípios em nossas vidas, o espírito de Deus se manifestará num novo modo de vida para nós. Então viremos a apreciar a nossa relação para com Jeová, nosso Criador, e a questão da integridade para com Deus, que envolve a nós. (Jó, capítulos um e dois) (2) Precisamos então nos associar com os interessados em cumprir a vontade de Deus. Tal associação nos estimulará à fidelidade. Ajudar-nos-á a ‘tornar-nos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes’. (Tia. 1:22) (3) A oração também é essencial para obtermos e mantermos o espírito de Deus. Por conseguinte, temos de aprender a orar a Jeová e ‘persistir em orar’. (Rom. 12:12; 1 Tes. 5:17) O povo de Jeová sabe que “a súplica do justo, quando em operação, tem muita força”. (Tia. 5:16) E (4), além disso tudo, há a necessidade diária de praticarmos as coisas boas aprendidas da Bíblia. Precisamos praticar a longanimidade para com todos. (Fil. 4:9) Se aplicarmos este conselho, então receberemos o espírito de Jeová e as bênçãos que ele traz.
MOSTRAR LONGANIMIDADE PARA COM TODOS
13, 14. O que se admoesta que os cristãos façam? Que exemplos temos para seguir? Como isto será de ajuda?
13 Admoesta-se aos cristãos que ‘sejam longânimes para com todos’, realmente ‘revestindo-se da longanimidade’, ‘andando dignamente da chamada com que foram chamados, com completa humildade mental e brandura, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor, diligenciando observar a unidade do espírito no vínculo unificador da paz’. (1 Tes. 5:14; Col. 3:12-14; Efé. 4:1-3; 1 Cor. 13:4) Qual é a melhor forma de fazermos isto?
14 Jesus Cristo é nosso exemplo. E visto que veio ao mundo para salvar pecadores, faremos bem em prestar atenção a seu exemplo. Deu-nos um exemplo de sua longanimidade no caso de Saulo de Tarso. Saulo, segundo ele mesmo admitiu, era blasfemador, perseguidor dos cristãos, homem insolente, alguém que aprovou o assassinato do cristão Estêvão. Assim mesmo, Cristo o alcançou e fez dele um representante cristão especial, um apóstolo, a quem hoje em dia conhecemos como o apóstolo Paulo. A Timóteo, Paulo disse: “A razão pela qual me foi concedida misericórdia era que, por meio de mim, como o principal caso, Cristo Jesus demonstrasse toda a sua longanimidade, como amostra dos que irão descansar a sua fé nele para a vida eterna.” (1 Tim. 1:12-16) Que esta demonstração de longanimidade de Cristo seja nosso exemplo quando ficarmos pensando em quão longânimes devemos ser uns para com os outros. — Mat. 6:14, 15; 18:21, 22; Sal. 103:13, 14.
15, 16. (a) Por que é necessária a longanimidade no circulo familiar? (b) Como pode a longanimidade ser aplicada com respeito aos maridos e às esposas? (c) Que exemplo temos para mostrar que a longanimidade é proveitosa?
15 Vivemos em tempos críticos, difíceis de enfrentar, onde a qualidade da longanimidade está constantemente em exigência. (2 Tim. 3:1-5) No círculo familiar, por exemplo, a menos que se mostre paciência e indulgência, a família perderá a sua alegria. Não prosperará. A longanimidade é como óleo amenizante sobre irritações que ardem. Seu fim é a união e a felicidade. O apóstolo Pedro nos dá conselho sadio a este respeito. Aconselha às esposas que se sujeitem aos próprios maridos, “a fim de que, se alguns não forem obedientes à palavra, sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito. . . . Seja o vosso adorno . . . a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorruptível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus”. Daí, diz aos maridos: “Vós, maridos, continuai a morar com elas [as esposas] da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino, visto que sois também herdeiros com elas do favor imerecido da vida, a fim de que as vossas orações não sejam impedidas.” (1 Ped. 3:1-7) O apóstolo insta com os cônjuges a que considerem primeiro o aspecto espiritual de suas vidas, suportando as falhas um do outro com vistas à salvação, não só de si mesmos, mas também de seu cônjuge.
16 A longanimidade nunca é a saída fácil. É esperança que aguarda sua ocasião. É oração que trabalha no sentido da resposta. Algumas esposas sofreram abusos por parte dos maridos descrentes por dez, doze, dezesseis e mais anos, para finalmente conseguirem que os maridos trilhassem a vereda da vida. Há maridos, também, que fizeram o mesmo. Certo marido escreve: “Durante doze anos fui o pior inimigo de minha própria esposa . . . porque ela aprendeu a verdade.” Ele relata que batia nela, ficava bêbedo só de raiva e era tão sórdido quanto possível. “Passaram-se assim doze anos em minha luta selvagem contra a verdade e contra minha esposa e filho”, diz. “Há algum tempo, sentei e rememorei os últimos doze anos de minha vida. Esta análise me deixou acabrunhado. Vi quão terrivelmente sórdido tinha sido para com minha esposa, ao passo que ela suportava tudo com humildade. . . . Quanto mais cruel eu era, tanto mais amor e misericórdia ela demonstrava. Sim, é somente agora que vejo tudo isso. . . . Há duas semanas atrás simbolizei minha dedicação ao único Deus verdadeiro, Jeová, pela imersão em água, ao Deus que, durante o tempo de minha loucura, conduziu minha esposa e meu filho de forma tão maravilhosa.” Que grandiosa recompensa foi colhida depois de doze anos de longanimidade! Que esta carta o encoraje a ser longânimo para com os membros descrentes de sua família.
17. (a) Como e por que a longanimidade deve ser aplicada para com os filhos? (b) Como podem os filhos ser longânimes? (c) Que conselho devem seguir tanto os pais como os filhos?
17 A qualidade da longanimidade deveria ser aplicada para com os filhos na família. Se o comportamento adulto nem sempre é angélico, isto devia ajudar os pais a compreender que seus filhos nem sempre serão tidos por “anjos”, tampouco. Os filhos, em sua conduta, amiúde refletem a herança do pecado. Por conseguinte, merecem a mesma paciência que esperamos que os outros nos mostrem por causa de nossas falhas herdadas. Os filhos, também, com seu vívido senso de justiça e a perspectiva de madureza adulta, deveriam apreciar que seus pais tampouco são perfeitos. Daí a necessidade de os filhos serem longânimes para com os pais. Isto pode ser melhor conseguido se tanto os pais como os filhos cumprirem a injunção bíblica de Efésios 6:1-4, que reza: “Filhos, sede obedientes aos vossos pais em união com o Senhor, pois isto é justo: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’; que é o primeiro mandado com promessa: ‘Para que te vá bem e perdures por longo tempo na terra.’ E vós, pais, não estejais irritando os vossos filhos, mas prossegui em criá-los na disciplina e no conselho de autoridade de Jeová.” A longanimidade por parte tanto dos pais como do filho tornará possível o cumprimento desta ordem, para a bênção de ambas as partes e para a glória de Deus.
18. Por que os cristãos devem ser longânimes para com seus parentes do mundo?
18 O círculo familiar faz lembrar os parentes do mundo. Neste caso, também, pode-se praticar a paciência. A bondade cristã desarma. Deixa as pessoas do mundo com ótima impressão. Os parentes descrentes chegam a ver que o nosso Cristianismo não significa palavra apenas, mas é verdadeiramente uma forma agradável de vida. Isto talvez os incentive a algum dia se tornarem testemunhas cristãs de Jeová também. Temos de suportar muita coisa visando isto.
A LONGANIMIDADE NA CONGREGAÇÃO
19. De que formas devem os superintendentes ser longânimes para com as pessoas da congregação?
19 Outro lugar em que se pode aplicar a longanimidade é na congregação cristã. O superintendente tem de ser longânime para com todos na congregação, quer sejam novatos ou estejam na congregação já por muitos anos. Poderá aconselhar, mas jamais intimidar ou mostrar impaciência. O superintendente tem de suportar a fraqueza dos atrasados habituais nas reuniões, na esperança de seu melhoramento. Suporta a carga dos inativos, com anseio esperançoso de se tornarem ativos. É indulgente quando seus ajudantes não cumprem suas responsabilidades da forma como deveriam. Quando alguns procrastinam, quando é fraca a participação nas reuniões, quando os pais são indiferentes e os filhos não se comportam, o superintendente tem de demonstrar paciência, longanimidade. Suporta muita coisa na esperança de que todos sob seus cuidados algum dia talvez cheguem à plena apreciação do ministério cristão, que o abracem de toda a alma como o caminho à vida, e vivam. — Col. 3:23.
20. Em que ocasiões os servos ministeriais auxiliares acharão necessário ser longânimes?
20 Os servos ministeriais auxiliares, também, têm de exercer a longanimidade na congregação. Têm de ser indulgentes quando o superintendente talvez pareça ser um tanto exigente às vezes, quando seus irmãos cristãos não aproveitam seus privilégios do modo apropriado. Por exemplo, o servo da escola do ministério tem de exercer a longanimidade quando aqueles que estão no programa não comparecem para fazer suas partes; o servo de contas tem de suportar quando as contribuições custam a aparecer; o servo de literatura é paciente quando os pedidos de publicações não são apanhados, e os dirigentes dos centros de serviço são longânimes quando há pouca ou nenhuma resposta ao serviço, quando não são estudadas as lições, quando poucas pessoas aparecem para ajudá-lo a limpar o Salão do Reino. Há necessidade de os servos serem longânimes para com todos.
21. Por que e como os missionários e os ministros de Betel têm de praticar a longanimidade?
21 Os missionários em designações no estrangeiro e os ministros nos lares de Betel, onde são impressas Bíblias e ajudas bíblicas, têm também de praticar a longanimidade. Em alguns territórios missionários as pessoas são vagarosas em aceitar as boas novas a respeito do reino estabelecido de Deus. O missionário tem de perseverar. Tem de ser paciente com ele próprio ao aprender um novo idioma, quando se adapta a um modo de vida inteiramente novo. Nos lares de Betel, os ministros amiúde moram em grandes números e em acomodações relativamente estreitas, o que pode ser provador às vezes. É preciso suportar e desperceber as fraquezas do nosso próximo. Os horários e as rotinas exigem ajustes, disciplina. Mas os ministros suportam tudo por se revestirem de amor e de seu fruto — a longanimidade. — Col. 3:12-14.
22. Em que outras ocasiões os servos e os membros da congregação acharão necessário praticar a longanimidade? Como se deve suportar tal carga?
22 Quando os ministros erram, cai sobre a congregação invariavelmente uma carga pesada. As pessoas colocadas em provação por má conduta ou outras falhas lançam pesadas cargas sobre o conjunto de servos. Estas devem ser suportadas com amor. (Rom. 15:1-6) As pessoas desassociadas causam grandes durezas e tristeza não só aos membros da congregação, mas também, com freqüência, aos membros da família relacionados. Todavia, tais vitupérios têm de ser agüentados no espírito de Cristo.
LONGÂNIMES PARA COM TODOS OS DE FORA
23. (a) Por que os cristãos verificarão ser necessário que sejam longânimes para com outras pessoas de fora da congregação cristã, e como deve ser suportado tal sofrimento? (b) Como têm demonstrado longanimidade os pais e os filhos cristãos? (c) De que modo as testemunhas de Jeová demonstram longanimidade no ministério de campo, e será que isso passa despercebido? (d) Que conceito têm os cristãos a respeito do sofrimento, e por quê?
23 Há grandes cargas a serem suportadas hoje em dia, em favor de Cristo. Muitos cristãos, devido às circunstâncias, são obrigados a trabalhar no meio de pessoas do mundo que usam linguagem vil, que mentem, tapeiam, roubam e fazem quase toda coisa indecente que se possa imaginar. Ainda assim, o cristão tem de suportar isto sem ser contaminado. (João 17:15-19; 1 Cor. 5:9-6:11) As indignidades raciais, os ódios religiosos, os preconceitos nacionais, tudo tem de ser suportado pelos cristãos. Por quanto tempo têm sofrido os ministros de Jeová, por causa do mal forjado por meio de lei! Por quanto tempo têm suportado os ódios dos ditadores na Rússia, Espanha, Portugal e outros lugares da terra! Por quanto tempo têm pais cristãos e seus filhos sofrido os abusos da parte de patriotas de agitar bandeiras, que ignoram a lei de Deus que proíbe a idolatria! Por quanto tempo têm os cristãos suportado os insultos, a rudeza e as portas serem fechadas em seu rosto, em seu ministério de casa em casal Têm demonstrado paciência quase semelhante à divina em suas atividades de revisitas e estudos bíblicos domiciliares. Ainda assim, regozijam-se! E sua perseverança não passou despercebida. Certa publicação católico-romana recentemente declarou que uma característica das testemunhas de Jeová que ela apreciava era “sua disposição de sofrer ridículo e abusos por causa de suas crenças”. Os cristãos são espetáculos diante dos homens e dos anjos. Semelhante a ardorosos atletas que não ficam contentes de sentar-se nas laterais, mas se regozijam ao terem a oportunidade de provarem o que são. Pois que atleta não sofre em preparação e no esforço de vencer ou de ganhar o prêmio? Ter a oportunidade de competir não raro é considerado deveras uma honra ou um privilégio incomum, apesar do custo. É assim que os cristãos consideram a sua busca do prêmio da vida eterna. Seus irmãos torcem por eles e consideram felizes aqueles que perseveram. “Se fordes vituperados pelo nome de Cristo”, disse o apóstolo Pedro, “felizes sois, porque o espírito de glória, sim, o espírito de Deus, está repousando sobre vós”. (1 Ped. 4:14, 16; 2:20) Com o espírito de Jeová repousando sobre eles, persistem em suportar muita coisa com alegria.
24. De que modo é ímpar a longanimidade cristã, e qual é sua recompensa?
24 A longanimidade cristã, por conseguinte, é deveras ímpar. Promove a paz e a união. Abre completamente a porta que leva ao arrependimento. Nutre a obediência e torna mais firme a fé. Jeová é glorificado por meio dela, sua organização avança e Seu povo se torna feliz. Por meio da longanimidade, o cristão assegura para si mesmo e para outros o prêmio — o único prêmio pelo qual vale a pena sofrer — o prêmio da vida eterna. Que maior incentivo poderia haver para que a pessoa seja longânime para com todos?
-