Observando o Mundo
Divergência Clerical
● O franco sacerdote brasileiro, Leonardo Boff, que foi chamado a Roma no ano passado, a fim de prestar esclarecimentos quanto à sua posição com respeito à controversial Teologia da Libertação, manifestou ainda mais suas divergências com a política oficial da Igreja numa visita que fez a Madri, na Espanha, quando publicou no jornal El País um artigo intitulado “Um Balanço da Minha Visita a Roma”. Neste ele declarou que em Roma há “homens que têm limitações: em sua inteligência, em seus vocabulários, em suas referências e em suas perspectivas de visão”. Tais declarações, comuns hoje nos círculos clericais, revelam grave divergência e divisão, fazendo lembrar as palavras de Cristo, quando declarou: “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir.” — Mateus 12:25, A Bíblia de Jerusalém.
Leilão Incomum
● A cidade turística de Itu, São Paulo, inaugurou recentemente seu novo e moderno Parque de Exposições com um leilão incomum: Animais de carga na forma de 160 jumentos, burros e mulas, com volume de vendas na ordem de Cr$ 650 milhões. O melhor animal, um jumento da raça Pega brasileira, foi arrematado por Cr$ 24 milhões. Anos atrás, com o advento da mecanização, esses humildes animais domésticos foram postos de lado como obsoletos, mas agora os fazendeiros estão ansiosos de reintroduzi-los para propósitos agrícolas. Além de serem bem menos custosos e mais curáveis que os tratores, descobriu-se que há outras vantagens. Devido a seu andar seguro, podem trabalhar em terrenos inclinados, entrar em cantos difíceis, e, em plantações de café, à medida que puxam o arado, involuntariamente preparam a terra com suas passadas, em vez de a compactarem como fazem os tratores. A maioria dos animais vendidos no leilão de Itu serão usados para reprodução, uma vez que se espera que a demanda deles seja grande em vista do sempre crescente preço do combustível. A natureza vence novamente!
Linchamentos de Criminosos
● As duas cidades normalmente pacíficas de Ibatiba, ES, e Araras, SP, foram cenários de hediondos linchamentos no último mês de 1984. Fernando Salomé, cidadão altamente respeitado, 63 anos, motorista de táxi, foi assassinado em Araras, em outubro, por quatro marginais armados. Capturados e levados ao Fórum local em 21 de dezembro, os criminosos, um dos quais era mulher, foram espancados até a morte por uma multidão furiosa de cerca de 150 pessoas, que invadiu o prédio, armada de porretes, facas, martelos e chaves de fenda. Em Ibatiba, no último dia de novembro sete homens assaltaram um banco, roubando Cr$ 3,3 milhões e matando um policial, José Pires de Andrade, encarado pela população local como cidadão exemplar. Cinco dos sete assaltantes foram apanhados e levados a Ibatiba em 3 de dezembro para a reconstituição do crime. Tomando a lei em suas próprias mãos, umas 500 pessoas iradas participaram no massacre de todos os cinco com tesouras, canivetes, barras de ferro e uma variedade de outros instrumentos. Em ambos os casos, os policiais foram incapazes de controlar a situação. Havia sentimentos confusos quanto à justiça do linchamento como meio de acertar as contas. A opinião geral, porém, parecia ser a de que esta é uma forma apropriada de se lidar com criminosos depravados e insensíveis. “Vox populi, vox Dei”, sugeriu certa autoridade.
Safra do Mato
● O que certa vez era conhecido como empreendimento familiar tornou-se um negócio de 10 bilhões de dólares anuais, operado na maior parte por ex-condenados e pessoas de formação econômica e educacional pobres. De que se trata? Do cultivo da maconha, noticia o The New York Times. As principais regiões produtoras são o norte da Califórnia, Havaí, Oregon, Kentucky, Missouri, Arkansas, Oklahoma, Washington, e Idaho, EUA. Os maiores cultivadores utilizam regiões despovoadas, na maior parte terras do Estado, para cultivar uma espécie híbrida, extraordinariamente potente, de maconha — avaliada entre 2.000 e 3.500 dólares (c. Cr$ 7 a 12 milhões) o pé — conhecida como sinsemilla. Cultivadores no norte da Califórnia já balearam excursionistas e caçadores que atravessaram de forma insuspeita seus terrenos, e mutilaram alguns com armadilhas explosivas. “A morte e a mutilação de pessoas ocorrem quase todos os dias no condado”, afirmou The Ukiah Daily Journal, um dos maiores jornais da região. Com respeito aos cultivadores, John Rooney, diretor do Departamento de Segurança de Idaho, diz: “Estes não são mais hippies, mas pessoas de formação econômica e educacional pobres que tratam isso como negócio, levam-no a sério e procuram proteger bem seu investimento.”
Escassez de Lenha
● “A lenha, o combustível dos pobres para o cozinhar e o aquecimento, tem seu suprimento reduzido e torna-se cada vez mais escassa em muitas regiões”, afirma a revista Science ao resumir um informe recente do Earthscan, parte do Instituto Internacional para o Ambiente e o Desenvolvimento, sediado em Londres. A escassez — chamada pela primeira vez à atenção do público uma década atrás — prossegue apesar dos esforços de muitos países do Terceiro Mundo e de órgãos de apoio, para promover o plantio de árvores e outros projetos. A demanda calculada indica “a necessidade dum aumento de cinco vezes a 20 vezes ou mais em certas partes da África, na região plantada” com árvores. “Para os que são realmente pobres”, conclui Earthscan, “o esgotamento dos suprimentos de lenha, que antes eram grátis, significa que o combustível junta-se à alimentação, à água e à moradia na lista das necessidades básicas que são satisfeitas inadequadamente e com grande dificuldade.”
Corrida Espacial
● No último mês de novembro, dois dias após o lançamento no espaço do ônibus espacial Discovery para resgatar dois satélites que vagavam inúteis no espaço, um foguete menos anunciado, Ariane V 11, subiu das selvas da Guiana Francesa e colocou em órbita dois satélites de telecomunicação — um deles para uma companhia estadunidense. A revista Time classificou a missão de “ominosamente bem-sucedida”. Por quê? Porque esta e outras missões bem-sucedidas fizeram do foguete espacial Ariane — produto da Agência Espacial Européia — o principal competidor do ônibus espacial para lucros no espaço. O que torna o Ariane tão atraente é sua mais elevada taxa de lançamentos bem-sucedidos de satélites em comparação com a dos ônibus espaciais. Também, o preço do lançamento de satélites com foguetes Ariane é competitivo, uma questão significativa, especialmente visto que as taxas do ônibus para o lançamento de satélites estão programadas para aumentar 80 por cento no próximo mês de outubro.
Prostituição nas Cidades Grandes
● “Grandes grupos de prostitutas vagueavam certa vez numa faixa de 9 quilômetros do Sunset Boulevard de Hollywood”, noticia The New York Times. “Mas, numa sexta-feira recente uma patrulha policial avistou apenas três, comparado com as cerca de 80” que avistavam oito meses antes. As prisões caíram de 30 ou 40 por noite para cerca de 7. O que aconteceu? Além duma eficiente e cuidadosa patrulha policial nas ruas, o uso de computadores impediu tentativas das prostitutas de usar pseudônimos. Os computadores comparam descrições físicas, antecedentes criminais, pseudônimos e impressões digitais. A identificação de reincidentes resultou em sentenças mais longas de prisão.
● Na Cidade de Nova Iorque, a polícia realizou no ano passado 17.000 detenções por prostituição, a maioria nas ruas. Mas, apenas 5 por cento das detenções resultaram em sentenças de prisão. Quase metade das prostitutas foram libertadas dentro de horas, e as restantes foram multadas. De acordo com o informe, a prostituição está “prosperando portas a dentro quase sem impedimento”. Algumas meretrizes trabalham em prostíbulos ocultados atrás das portas de apartamentos luxuosos. Outras trabalham para serviços de acompanhantes, ou por conta própria por meio de referências. Anunciam em pequenos jornais sobre sexo, na televisão por cabo em altas horas da noite, e na lista telefônica sob serviços de acompanhante.
● Em Melbourne, Austrália, embora a prostituição ocorra em casas de massagem, que receberam licença para operar em distritos comerciais e industriais, ainda é ilegal procurar os serviços duma prostituta na rua. Na Alemanha Ocidental, os prostíbulos e o trottoir nas ruas são legais em “zonas controladas”. Em Hamburgo, Amsterdã, e Zurique, milhares de turistas são atraídos todos os anos às zonas de prostituição. Afirma o proprietário dum bordel bem popular: “Enquanto existir mundo haverá prostituição.”
Surto de Bebês Ilegítimos
● “Mais de um de cada três bebês nascidos na cidade de Nova Iorque [em 1983] são ilegítimos”, veicula The New York Times. Este índice é o triplo do de 20 anos atrás. Isto preocupa os planejadores municipais, diz a notícia, “não por razões morais”, mas porque acreditam que essas crianças “bem provavelmente viverão na pobreza e terão mais dificuldades para obter educação, conseguir trabalho e assumir responsabilidades adultas”. O aumento dramático da imoralidade, dizem os especialistas, deve-se à elevada porcentagem de famílias de baixa renda que moram na cidade de Nova Iorque, e à atitude mais tolerante entre as pessoas em geral para com ter filhos ilegítimos. O sociólogo Kenneth B. Clark cita outro motivo. “Os jovens não têm praticamente mais nada para fazer”, disse ele. “Estão desempregados. Há para eles muito poucos prazeres na vida além do sexo e dos tóxicos.”
Rumor Ressuscitado
● “Em 1982, o rumor recebeu seu primeiro impulso dos protestantes fundamentalistas”, afirma The Wall Street Journal. “Desta vez, o maior grupo único do qual se originou . . . foram freiras e sacerdotes católico-romanos.” Qual é o rumor? Que o presidente da Procter & Gamble, o maior fabricante de produtos domésticos dos Estados Unidos, declarou-se adorador de Satanás, e que o logotipo da empresa, “homem na lua”, contém o sinal de Satanás. Dois anos atrás, P&G fez extensa publicidade negando o fato, remontando fontes, providenciando testemunhos de líderes eclesiásticos instaurando seis processos judiciais antes de a história se desvanecer. Mas, em setembro último, a história ganhou nova vida. Uma freira do oeste da Pensilvânia, EUA, recebeu pelo correio um folheto contendo a história — dum remetente anônimo — e enviou cópias a outros. Em resultado disso, somente em outubro de 1984, P&G recebeu mais de 5.000 indagações nos seus escritórios. Quando informados de que o rumor era inverídico, muitos dos que o espalharam lamentaram tê-lo feito. “Mas, alguns dos que acreditam no rumor relutam em desistir — qualquer que seja a evidência”, diz a notícia.
RCP Canina
● “Seu cão afasta-se do prato de comida, cambaleando, e cai morto. O que fará você?”, propõe The Wall Street Journal. Ressuscite-o, diz o dr. Gabor Vajda, veterinário de Phoenix, Arizona, EUA, que treinou uns 200 donos de animais de estimação e veterinários em “RCP canina” (ressuscitação cardiopulmonar canina). Os clientes são ensinados a restabelecer a vida aos seus cães por darem sopros curtos nas narinas deles. Ademais, um fabricante de equipamento educacional produziu uma versão canina da boneca Resusci-Annie — usada em alguns cursos de RCP — chamada Resusci-Dog. É completa, tendo “pêlo, instalação elétrica e todo o tipo de coisas”, afirma certo representante da companhia. Com respeito a desobstruir as vias respiratórias do animal, o dr. Vajda diz: “Nunca use seus dedos para retirar alimento.” Os cães mordem.
A AIDS Européia
● “Os casos de AIDS aumentaram quase 100% em 8 meses” em dez países europeus que fornecem regularmente dados, noticia o semanário Morbidity and Mortality Weekly Report, de 215 casos informados em 1983 até outubro para 421 casos até 15 de julho de 1984. “Dos pacientes dos 10 países europeus, 87,4% eram homossexuais do sexo masculino, 3,4%, pacientes hemofílicos, e 1,4%, toxicômanos”, afirma o informe. Mas, em quase todos os pacientes do Caribe e da África que foram observados na Europa, nenhum fator de risco conhecido foi detectado.
Cidade ‘à Prova de Terremotos’
● A cidade de Ech-Cheliff (antiga El Asnam), na Argélia, foi destruída pelo menos seis vezes por terremotos. Sua mais antiga destruição, segundo a lenda, foi no quinto século. Foi destruída duas vezes no século 19. A mesma cidade foi novamente destruída em 1936, e depois em 1954 — deixando desabrigados 470.000 dos seus habitantes. O mais recente terremoto, que ocorreu em 1980, deixou 3.000 mortos — em grande parte devido ao desmoronamento de edifícios de apartamentos de concreto, de muitos andares, construídos após o terremoto de 1954. Desta vez a cidade foi reconstruída utilizando-se 23.000 casas térreas pré-fabricadas, sobre alicerces rasos. “Se a terra se mover novamente”, afirma Rachid Artouf, principal autoridade administrativa de Ech-Cheliff, “as casas simplesmente saltarão como caixas de metal”. Ele está confiante de que isso diminuirá o número de mortes.