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  • Por que é tão difícil para os pais deixá-los partir?
    Despertai! — 1983 | 8 de agosto
    • Por que é tão difícil para os pais deixá-los partir?

      “ATÉ LOGO, MAMÃE! ATÉ LOGO, PAPAI!”, disse ele pela terceira vez. Entre os ‘até logos’, ele procurava toda desculpa imaginável para se demorar mais um pouquinho.

      Mas agora o “até logo” tinha caráter definitivo. Mais um abraço choroso, um firme aperto de mão, e lá se vai ele. Como pais, vocês se entreolham com a sóbria compreensão de que ele não mais voltará para ficar. A casa, antes cheia com sua conversa e suas risadas, parece agora tão vazia!

      Muito tempo, esforço e emoção são investidos nos seus filhos. Por uns 20 anos, a rotina na vida de vocês tem girado em torno deles. “Ontem” você quase entrou em pânico ao som do choro de seu bebê. Preocupadamente você entrou no consultório do médico, quando seu filho de seis anos tinha febre. Prendia a respiração ao abrir seus boletins escolares, suspirava aliviado ao constatar sua aprovação. Protestava quando seus filhos tocavam alto a música preferida deles, mas chorava quando ameaçavam sair de casa. E agora, um por um, todos cresceram e partiram.

      Não é de surpreender que muitos consideram um verdadeiro desafio se ajustar ao “ninho vazio”. “Pela primeira vez na vida”, admitiu um homem depois que sua filha havia partido, “eu simplesmente chorei, chorei, chorei”.

      Guilherme e Evelina, porém, educaram seus filhos visando sua futura independência. Ainda assim, quando seus filhos partiram, “foi um ajuste e tanto”, disseram. “A gente costumava estar atarefado, sempre num corre-corre. E, quando eles se vão, você fica sozinho com o cônjuge. A pior coisa é chegar em casa e ver que os filhos não estão lá.” Norma, mãe duma filha crescida, admite: “Levou um bom tempo para me acostumar à idéia de que Luísa não estava no quarto dela. Assim, eu mantinha a porta fechada, porque se a mantivesse aberta, sempre tinha a impressão de que ela estava lá e sentia o impulso de querer conversar com ela.”

      Quase todos os pais sentem tais emoções conflitantes quando as “crianças” saem de casa. Há certo orgulho de que o filho alcançou a maturidade e alegria diante da perspectiva de se ter mais tempo pessoal. Não obstante, pode haver também dúvidas (“Será que o educamos corretamente?”), temor (“Será que nosso filho está realmente preparado para se virar sozinho?”), desapontamento (“Por que ela não se casou com o João, aquele excelente rapaz, em vez de com esse fracassado?”) e mesmo remorsos importunadores. Certo estudo recente mostra que homens, em especial, lamentam “não terem passado mais tempo com seus filhos quando eram pequenos”.

      O ‘ninho vazio’ pode também mudar seu casamento. Alguns casais passam a se entender melhor. Outros não. “Muitos casamentos hoje acabam em separação ou divórcio quando os filhos saem de casa”, dizem os autores de Nós e Nossos Filhos (em inglês).

      Ademais, a partida de seus filhos amiúde se dá numa fase da vida já repleta de crises. As mulheres entram na menopausa, que, segundo certo escritor, “talvez parece a ela uma desnecessária reafirmação da declaração: ‘Você não terá mais filhos.’” Os homens talvez enfrentem crescente pressão ou descontentamento no emprego. A aposentadoria talvez desponte no horizonte. A inflação pode ter corroído as economias da família. A saúde talvez comece a se debilitar. Aparentemente despojados da paternidade, alguns até mesmo duvidam de seu valor próprio.

      Não é de admirar que alguns pais obstinadamente se recusam a deixá-los partir! A ânsia de se apegar pode parecer irresistível. Mas, dizer até logo não significa necessariamente perder seus filhos. Significa pôr o seu relacionamento com eles sob novos termos e preencher a lacuna que a partida deles deixou em sua vida.

      Mas, como? E por que é deixá-los partir tão importante para um relacionamento saudável com seus filhos crescidos?

  • “O homem deixará”
    Despertai! — 1983 | 8 de agosto
    • “O homem deixará”

      “CERTO DIA nosso filho chegou em casa”, lembra-se Antônio, “e dava para adivinhar que algo lhe passava pela mente. Sentou-se comigo e com minha esposa, e disse: ‘Pois bem, gente. Encontrei a moça com quem vou me casar.’”

      Deus previu cenas assim, ao dizer: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.” (Gênesis 2:24) Compreenda, portanto, que a partida de seus filhos é algo inevitável.

      Isso, naturalmente, não significa que seus filhos devam sair de casa prematuramente. Mas, como disse o salmista: “Como flechas na mão dum poderoso, assim são os filhos da mocidade.” Mais cedo ou mais tarde a flecha deixa a aljava e é lançada na vida. — Salmo 127:4.

      Como uma flecha atirada, seu filho ou sua filha adulto(a) é basicamente removido (a) de sua jurisdição, depois que ele(a) parte. Casado, ele torna-se cabeça de sua própria família. Sua filha passa a estar sob a autoridade de seu marido. — Efésios 5:21-28, 33.

      A Bíblia mostra, porém, que pode ser difícil vocês se acostumarem a essa nova independência. A mãe de Jesus, por exemplo, aparentemente achava que retinha alguma autoridade sobre ele — mesmo depois que ele crescera e fora ungido qual Messias! Numa festa de casamento, Maria disse a Jesus: “Eles não têm vinho.” (Sugerindo: ‘Faça algo a respeito.’) Mas, com palavras firmes, porém bondosas, Jesus lembrou-lhe a sua independência — e realizou seu primeiro milagre. — João 2:2-11.

      O patriarca Jacó também teve dificuldade em deixar seu filho partir. Sua esposa amada, Raquel, morrera de parto ao dar à luz o filho que ele chamou de Benjamim. Pode imaginar o apego emocional que deve ter tido por esse filho! Assim, quando se lhe pediu que permitisse Benjamim viajar ao Egito, Jacó objetou: ‘Poderá sobrevir-lhe um acidente fatal’, e o manteve em casa. — Gênesis 35:16-18; 42:4.

      Mas, embora seja normal querer se apegar, o proceder sábio é aceitar o estado adulto e a independência deles.

      “Veja o Mal que Você Me Faz”

      ‘Mas, precisam eles ir tão longe?’, objetam alguns pais. ‘Por que não podem ser independentes e ainda assim morar perto de nós?’

      Quando tal mudança ocorre, pode doer. Por exemplo, a Bíblia mostra que se pediu a Rebeca que viajasse uma longa distância para se casar. Sua mãe e seu irmão pediram: “Deixa a moça [Rebeca] ficar conosco pelo menos dez dias. Depois ela pode ir.” Quão difícil era deixá-la partir! Rebeca, porém, disse: “Estou disposta a ir”, embora isso talvez significasse nunca mais rever sua família. — Gênesis 24:55, 58.

      Seu filho ou sua filha crescidos talvez tenham também uma necessidade legítima de se mudarem para longe, como no caso de uma perspectiva de emprego. Resistência indevida pode ser destrutiva. Para ilustrar, certa jovem esposa se lembra: “Quando nos casamos, queríamos ficar bastante tempo juntos. Mas mamãe não entendia isso. Em vez de nos dar um pouco de liberdade e permitir que nos achegássemos a ela, passou a nos importunar.” A situação piorou ainda mais quando esse casal decidiu mudar-se. Isso levou à plena hostilidade entre mãe e filha. “Onde é que diz que a obrigação de honrar seu pai e sua mãe foi anulada quando você se uniu a seu marido? Em que falhei em ser boa mãe para você?”, dizia a mãe, iradamente. O resultado dessa batalha? Além de provocar séria tensão marital para o jovem casal, abriu-se uma brecha entre mãe e filha. Durante meses não se falaram! E eram antes muito unidas.

      O livro No Strings Attached (Sem Compromissos) diz: “Se você reagir à saída de seus filhos por apelar à chantagem emocional (Veja o mal que você me faz, veja o mal que você causa a seu pai ou a sua mãe, como pode fazer isso com a gente), provavelmente afastará seu filho ainda mais.” — O grifo é nosso.

      O pai do filho pródigo, na parábola de Jesus, compreendia isso. Quando seu filho adulto exigiu independência, o pai não o repreendeu, ou o bombardeou com ameaças de fracasso. Em vez disso, bondosamente deixou seu filho partir. Essa atitude compreensiva provavelmente foi um fator importante para que o filho finalmente voltasse ao lar. Conseqüentemente, permitir que seu filho ou sua filha adulto(a) ‘flexione os músculos’ da independência pode ser a chave para reter a amizade com ele ou com ela. — Lucas 15:11-24; veja também Filipenses 2:4.

      “Que É que Ele Viu Nela?”

      “A gente quer realmente o melhor para os filhos, e quando se vê que casaram bem, a gente fica contente”, diz Norma. Seu esposo, Antônio, acrescenta: “Vou ser bem franco. Depois de todo tempo gasto para criar a nossa filha, não ia entregá-la à primeira pessoa que aparecesse.” Contudo, na escolha do cônjuge, os filhos às vezes desapontam amargamente seus pais. Como pode você reagir? — Veja Gênesis 26:34, 35.

      Não seria melhor fazer todo esforço possível para aceitar esse novo membro de sua família? Alguns estudos indicam que a aprovação dos pais pode ser um fator-chave na sobrevivência do matrimônio.a É verdade que a escolha que seu filho ou sua filha faz de um cônjuge talvez o surpreenda, ou até mesmo o desaponte. Contudo, o casamento é honroso à vista de Deus. — Hebreus 13:4.

      Em vez de ‘coar mosquitos’ e ficar obsedado pelas falhas do genro ou da nora, tente ser objetivo. Veja-o(a) através dos olhos de sua filha ou de seu filho. Essa pessoa certamente tem o seu lado bom! E lembre-se, seu próprio filho ou sua própria filha está longe de ser perfeito(a). Certo genitor que não gostou da moça que seu filho escolheu para se casar, admitiu: “Um pouco de humildade ajuda. Lembrei-me um dia que meus pais realmente não aprovavam meu casamento e quão enganados estavam.”

      O desagrado dum genitor para com o cônjuge do(a) filho(a) talvez se prenda mais ao ciúme — medo de perder a afeição do(a) filho(a) — do que à realidade. O ciúme, porém, pode destruir um bom relacionamento. (Provérbios 14:30) Assim, evite alienar esse novo filho ou essa nova filha. Familiarize-se com ele ou com ela. Evite atacar com críticas injustas, criar casos ou um clima de guerra desnecessário. Seja tolerante e, “no que depender de vós, sede pacíficos”. — Romanos 12:18.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Certa fonte diz que ‘duas vezes mais romances terminam cedo no casamento quando tanto a mãe como o pai se opõem à escolha do que quando a aprovam’.

      [Destaque na página 4]

      Mas, significa a partida de seu filho ou de sua filha que você não é mais genitor?

      [Foto na página 5]

      ‘Queríamos ficar bastante tempo juntos. Mas, em vez de nos dar um pouco de liberdade, mamãe passou a nos importunar.’

      [Foto na página 6]

      Nem sempre os pais aprovam a escolha do cônjuge feita por seu filho ou por sua filha.

  • “Você nunca deixa de ser genitor”
    Despertai! — 1983 | 8 de agosto
    • “Você nunca deixa de ser genitor”

      O AUTOR John Updike certa vez escreveu: “Embora o filho seja um enxuto senador de 70 anos, e o genitor um desjeitoso encurvado numa cadeira de rodas, o decrépito ainda precisa agarrar-se ao ponderoso cetro da paternidade.” Um pai de três filhos conveio: “Você nunca deixa de ser genitor. Ainda nos sentimos inquietos e nos preocupamos com relação aos filhos.”

      Os pais não devem ser desprezados só porque os filhos se tornaram adultos. “Escuta teu pai que causou o teu nascimento”, diz a Bíblia, “e não desprezes a tua mãe só porque ela envelheceu”. (Provérbios 23:22) Esse conselho não é dado apenas a crianças, pois uma pessoa cuja mãe “envelheceu” é provavelmente um adulto. De modo que os pais têm anos de experiência e sabedoria, destarte, muito a oferecer a seus filhos adultos em matéria de admoestação e conselho. — Provérbios 16:31.

      “Mas, como ‘ser genitor’ de um adulto?”, você pergunta. ‘Mui cautelosamente’, respondem muitos genitores. Como sabe, o estado adulto de seu filho ou de sua filha pode ser vacilante, de início. Embora gozem a independência, eles talvez ainda anseiem alguma tutela e apoio. Tal ambivalência pode torná-los extremamente sensíveis a qualquer conselho. Como explicou certa mãe, isso pode colocar a pessoa nas malhas de um dilema: “Quero que sintam que se tornaram adultos, no entanto, quero que sintam também que me preocupo com eles.”

      Onde termina a preocupação e começa a ingerência? E com que habilidade emocional você consegue trocar o desejo natural de tutelar pela preocupação moderada e controlada?

      Primeiro, aceite seu papel mudado. A mãe abandona sua tarefa de amamentadora quando o bebê começa a andar. Similarmente, você precisa agora trocar o prezado papel de guardião (a) pelo de conselheiro(a). Tomar decisões pelos seus filhos nesse estágio da vida seria tão inapropriado quanto fazê-los arrotar ou amamentá-los.

      Qual conselheiro(a) você tem limitações definidas. Não mais pode apelar à sua autoridade qual genitor para conseguir as coisas. (‘Faça isso porque eu mandei.’) Deve haver respeito pela condição adulta de seus filhos. Contudo, não é fácil. Certo genitor disse: “Preciso ser muito cauteloso quanto ao que digo a meus filhos. Preciso pisar em ovos para ter certeza de não ferir seus sentimentos ou de não interferir na vida deles.” Mas, é você obrigado a observar seus filhos adultos mergulharem de cabeça no desastre sem dizer nem mesmo uma única palavra?

      Certo pai disse: “Em assuntos pessoais, não interfiro. Mesmo se estiverem desperdiçando dinheiro, e daí? É apenas dinheiro. Mas, se um de meus filhos estivesse em vias de cometer um erro espiritual ou moral eu daria conselho franco porque sou seu pai.” Não é responsabilidade de todos os cristãos “reajustar” a pessoa prestes a dar um “passo em falso”? — Gálatas 6:1.

      “Eu Apenas Tentava Ajudar!”

      Alguns, no entanto, se tornam interferentes, em vez de ajudadores. (1 Timóteo 5:13) Devido a um labirinto de emoções — amor, medo, solidão e preocupação legítima — alguns empregam estratégias destrutivas. Por exemplo, a ajuda financeira pode tornar-se um suborno direto ou uma manobra para controlar. (‘Por que mudar para o outro lado da cidade? Podemos emprestar-lhes dinheiro suficiente para comprar um apartamento bem perto de nós.’) Pode ocorrer uma sabotagem sutil. (‘Deixe que hoje eu prepare a janta para vocês dois. Afinal, meu filho está acostumado com a minha comida.’) Ou clamorosa interferência. (‘Vocês não querem filhos agora? Querem que eu e sua mãe morramos antes de ver os netos?’)

      Acautele-se contra esse tipo de manipulação! O livro Dar-se Bem com Seus Filhos Adultos (em inglês) diz: “Pais que dão dinheiro a seus filhos adultos e daí estabelecem condições rígidas quanto a como aplicá-lo, estão, na verdade, inconscientemente, usando o dinheiro como agente de barganha para controlar a ‘criança’.”

      Reprima a tentação de dar infindáveis e não-solicitadas sugestões, que pode transformar o genro ou a nora num(a) inimigo(a). Certo autor até mesmo recomenda que você “nunca diga à sua nora o que o seu filho gosta, como preparar a comida dele, como decorar a sua casa, etc., a menos que seja clara e explicitamente solicitada a fazer isso”. Guarde suas sugestões para quando seus filhos estiverem um pouco mais estabilizados no casamento, destarte menos melindrosos.

      “Acho que muitos pais fazem as coisas ao contrário”, disse Antônio, pai de dois filhos. “Quando deviam ter interferido na vida deles não o fizeram, mas agora, que seus filhos cresceram, querem interferir.” Isso suscita outra pergunta: Como pode preparar seu filho ou sua filha para a futura partida dele(a)?

      [Destaque na página 8]

      “Quero que sintam que se tornaram adultos, no entanto, quero que sintam também que me preocupo com eles.”

      [Foto na página 7]

      Você precisa trocar o papel de guardião(ã) pelo de conselheiro(a).

      [Foto na página 8]

      Evite ser excessivamente crítico(a) de seu genro ou de sua nora.

  • Está preparando seus filhos para o ‘vôo’ deles?
    Despertai! — 1983 | 8 de agosto
    • Está preparando seus filhos para o ‘vôo’ deles?

      A MAJESTOSA águia executa bem o papel de genitor. Ela se interessa pelos seus filhotes, protege-os e alimenta-os. Enquanto pequenos, ela os alimenta na boca. À medida que crescem, ela os ensina a se alimentarem sozinhos.

      Mas, para sobreviver, precisam aprender a voar. De modo que ela faz com que seus filhotes exercitem suas asas por promover uma brincadeira de pular. E, quando estão preparados, a águia “remexe seu ninho”. Ela atrai as relutantes avezinhas à beirada do ninho, cutucando-as. Algumas aguiazinhas corajosamente tentam voar. As menos corajosas são bruscamente lançadas ao espaço! A mãe, porém, está atenta a se precipitar velozmente para baixo delas, até mesmo ‘carregando-as nas suas plumas’ — apenas para lançá-las de novo, até que aprendam a voar. — Deuteronômio 32:11.

      Tragicamente, muitos adultos jovens de modo algum estão preparados para seu “vôo” na vida. O dr. Richard C. Robertiello disse a respeito das teorias indulgentes sobre a criação de filhos que se popularizaram no início dos anos 50: “Os pais se empenharam em ser afetuosos, efusivos, condescendentes para com as necessidades da criança e mui indulgentes para com seu comportamento.”

      Embora esse método tenha tido algum êxito, o fruto dessas teorias é uma geração de adultos que “parecem não saber escolher uma profissão, ganhar o sustento adequado, canalizar seus . . . talentos para alguma carreira significativa”. Tais indivíduos “recorrem a nós, terapeutas, perdidos e desnorteados”. Por quê? “Proporcionou-se lhes uma situação . . . essencialmente isenta de durezas, privações, e desafios . . . Os pais criaram a expectativa de um mar de rosas, quando havia apenas um terreno comum que incluía boa porção de ervas daninhas.”

      A vida de modo algum é um “mar de rosas” Filhos despreparados são “como ovelhas no meio de lobos” num malévolo mundo materialista. (Mateus 10:16) É, pois, imperativo que prepare seus filhos para a sobrevivência. Mas, quando deve começar esse treinamento?

      Treinar os Filhos

      Carmem, mãe de três filhos, apercebeu-se da necessidade de começar cedo o treinamento e recorda: “Quando meu filho tinha apenas alguns meses, eu já o treinava para fazer coisas sozinho. Por exemplo, eu não o apanhava simplesmente. Eu segurava seus dedinhos e ele se afirmava enquanto eu o suspendia.”

      Crianças em idade pré-escolar podem até mesmo aprender deveres como ‘vestir-se, pentear-se, lavar-se, guardar os brinquedos’, segundo o dr. Robertiello.

      Mas, que dizer de filhos mais velhos? A Bíblia mostra que José e Davi — adultos bem-sucedidos — aprenderam a ter responsabilidade por executarem várias tarefas quando jovens. (Gênesis 37:2; 1 Samuel 16:11) É tal treinamento ainda prático?

      Roberto e Maria, pais de três excelentes rapazes, respondem que sim! “Preparamos os nossos filhos para a vida desde garotinhos.” E, sorrindo, Roberto disse: “Todos eles tinham um itinerário de entrega de jornais, e eu não os levava de carro, em caso de mau tempo! Eu dizia: ‘Essa tarefa é de vocês e vocês são responsáveis!’” Mas, era essa uma disciplina cruel e incomum? Roberto explica: “Províamos suas roupas, dávamo-lhes alimento e abrigo. Mas, achávamos que se quisessem coisas ‘adicionais’ deviam trabalhar para obtê-las.” Tal tratamento valeu a pena. Roberto acrescenta: “Não muito tempo atrás, um de meus filhos adultos se chegou a mim e disse: ‘Papai, obrigado por nos ter criado corretamente.’”

      Francisco e Diana disseram igualmente: “Ensinamos tudo aos nossos meninos! Sabem cozinhar, pintar, preparar conservas, cuidar do jardim, assentar tijolos, fazer compras.” Diana disse mais: “É fácil uma mãe dizer: ‘Não tenho tempo para ensiná-los. É mais fácil eu mesma fazer as coisas.’ Mas, a longo prazo, compensa dar-lhes esse treinamento.”

      Por outro lado, filhos desnecessariamente dependentes de seus pais podem “tornar-se estudantes desmotivados, malsucedidos, empregados descontentes e problemáticos e cônjuges insuportáveis e exigentes”, segundo o dr. Jerome Singer. A Bíblia disse acertadamente nesse respeito: “Se alguém está mimando o seu servo desde a infância, este se tornará posteriormente na vida até mesmo um ingrato.” — Provérbios 29:21.

      Valores Morais

      Os jovens adultos precisam também de um padrão do que é certo e errado, se hão de “voar” incólumes através da moderna sociedade gananciosa, imoral e materialista. Mas, como se provê tal treinamento?

      Roberto e Maria, mencionados antes, são Testemunhas de Jeová. Eles, portanto, avaliaram a importância de realizar um estudo regular da Bíblia com seus filhos. Foi fácil fazer isso? Roberto admite: “Sentar-se e realizar esse estudo e torná-lo interessante era difícil. Mas, fizemos disso uma rotina.” O estudo era complementado com associação e recreação saudáveis para a família. E de especial valor foi trabalharem com seus filhos na pregação de casa em casa. “Tivemos alguns de nossos melhores diálogos ao irmos de casa em casa”, recorda Maria.

      Os resultados dessa tarefa árdua são acalentadores. Todos os três filhos são servos devotados de Deus. Se você gostaria de instituir um programa similar na sua família, as Testemunhas de Jeová terão prazer em informá-lo de como isso pode ser feito. Para dar-lhes essa educação vitalizadora, não espere até que seus filhos sejam adolescentes ou adultos. Ensine-os enquanto forem jovens e sensíveis à sua influência.

      Pais que tomam tempo para preparar seus filhos para a vida podem até encarar com alegria a perspectiva de deixá-los partir.

      [Destaque na página 9]

      Um de meus filhos adultos disse: “Papai, obrigado por nos ter criado corretamente.”

      [Destaque na página 10]

      “Tivemos alguns de nossos melhores diálogos ao irmos de casa em casa.”

  • Você pode deixá-los partir com satisfação!
    Despertai! — 1983 | 8 de agosto
    • Você pode deixá-los partir com satisfação!

      VIMOS que a ânsia de querer cuidar de filhos adultos não é muito fácil de controlar. Liberá-los pode ser difícil. Pode significar prender sua respiração (e sua língua) à medida que seus filhos se aventuram na vida. Você deve apagar a sua imagem deles de bebês fofinhos e aceitá-los qual adultos. Deve deixá-los decidir e errar sozinhos, enquanto os faz saber que ainda estará à disposição, caso necessitarem de você.

      Você sempre será genitor, e nunca deixará de cuidar deles ou de se preocupar com eles. Mas, sua preocupação deve ser dosada com a aceitação da independência deles, e com o conhecimento de que você os treinou e instilou neles valores morais. Pode sentir-se confiante em que serão bem-sucedidos!

      De modo que você não precisa entrar em pânico diante da perspectiva do “ninho vazio”. Deixar seus filhos partir meramente abre novos horizontes, novas oportunidades, até mesmo a oportunidade de dar novo alento a seu casamento. Por algum tempo, a casa parecerá vazia. Após cuidar por anos de uma família, terá de fazer alguns ajustes.

      Mas a vida não acabou. Você apenas fechou um círculo. De início, havia apenas você e seu cônjuge. Daí vieram os filhos, em rápida sucessão. Os anos se passaram rapidamente, muito mais rapidamente do que poderia ter imaginado. E então, um por um, os filhos cresceram e partiram. Você voltou ao ponto de onde começou; sozinho(a) com a pessoa com quem prometeu passar junto o resto da vida. Mas, seu cônjuge já existia antes de seus filhos serem sequer concebidos, e ainda deve ser mui caro a seu coração.

      Reaproxime-se de seu cônjuge. Ora, “a qualquer momento você pode ir lá e beijar sua esposa junto à pia da cozinha”, disse certo pai, coisa “que não podia talvez fazer quando os filhos ainda estavam em casa”. Agora vocês têm mais tempo para conversar, viajar, ficar juntos. Talvez possa até mesmo expandir seu serviço a Deus.

      Mesmo pessoas enviuvadas ou cônjuges que vivem sozinhos não precisam forçosamente ser esmagados pela solidão. “Faça coisas pelos outros!”, insta Carmem. “Eu poderia ficar num canto chorando a morte de meu marido”, diz ela, “mas aprendi a me manter ocupada. Faço planos para convidar pessoas à minha casa e encorajar outros”.

      ‘Mas tenho medo que meus filhos se esqueçam de mim!’, você exclama. Não há necessidade de pensar assim. Sozinhos e lutando para ganhar a vida, seus filhos muitas vezes se lembrarão de casa e do caloroso amor que lhes foi demonstrado ali. De vez em quando telefonarão, para dizer como estão. Talvez até mesmo peçam seu sábio conselho. E, ocasionalmente, eles os visitarão; não tantas vezes quantas vocês gostariam, mas o suficiente para provarem que ainda os amam.

      Visto que amaram seus filhos o suficiente para deixá-los partir, vocês realmente não os perderam. A chama de amor que despertaram nos corações deles não se apagará — a menos que vocês a abafem. O amor altruísta é inquebrantável e aumentará, independente da distância. “O amor nunca falha.” — 1 Coríntios 13:8.

      Certo filho apreciativo, fora de casa e em vias de se casar, infundiu confiança em seus pais, da seguinte maneira: “Quero que saibam que amo muito a vocês e sinto sua falta. Mas a Bíblia diz que o homem deixará seu pai e sua mãe. Darei meu melhor para continuar o nome da família aqui e torná-lo respeitável. Quando eu e Sueli nos tornarmos um, visitaremos vocês regularmente.” E é assim que deve ser.

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