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Marcos, As Boas Novas SegundoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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F. Soldados zombam de Jesus, é levado e pregado na estaca; expira (15:16-41)
VIII. Enterro, ressurreição de Jesus (15:42 a 16:8); aparecimentos pós-ressurreição (conclusão longa; 16:9-20)
CONCLUSÕES LONGA E CURTA
Alguns imaginam que Marcos 16:8, que termina com as palavras “e não disseram nada a ninguém, pois estavam tomadas de temor” é abrupta demais para ter sido a conclusão original deste Evangelho. No entanto, não e preciso tirar tal conclusão, em vista do estilo geral de Marcos. Também, os peritos do quarto século, Jerônimo e Eusébio, concordam que o registro autêntico termina com as palavras “estavam tomadas de temor”.
Há vários manuscritos e versões que acrescentam uma conclusão longa ou uma curta, depois de tais palavras. A conclusão longa (que consiste em doze versículos) é encontrada no Ms. Alexandrino, no Códice Ephraemi rescriptus (Cópia de Efraim) e no Manuscrito de Cambridge. Aparece também na Vulgata latina, na Versão Siríaca curetoniana e na Versão Pesito, siríaca. Mas é omitida no Ms. Sinaítico, no Ms. Vaticano N.° 1209, no códice Sinaítico (em siríaco antigo) e na Versão Armênia. Certos manuscritos e versões posteriores apresentam a conclusão curta. O Códice Regius, do século VIII EC, inclui ambas as conclusões, dando primeiro a conclusão curta. Prefixa uma nota a cada conclusão, afirmando que estes trechos são correntes em alguns quadrantes, embora, evidentemente, não reconhecesse a nenhuma delas como sendo de peso.
Ao comentar as conclusões longa e curta do Evangelho de Marcos, o tradutor bíblico, Edgar J. Goodspeed, comentou: “A Conclusão Curta se liga muito melhor com Marcos 16:8 do que a Longa, mas nenhuma delas pode ser considerada como parte original do Evangelho de Marcos.” — The Goodspeed Parallel New Testament (O Novo Testamento Paralelo, de Goodspeed), p. 127.
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 174-179.
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Mar De Fundição (Ou, Mar De Cobre)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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MAR DE FUNDIÇÃO (ou, Mar de Cobre)
Quando o templo foi construído, no reinado de Salomão, um “mar de fundição” ou “mar de bronze” (CBC; LEB; MC) substituía a bacia portátil de cobre usada em conexão com o anterior tabernáculo. (Êxo. 30:17-21; 1 Reis 7:23, 40, 44) Construído por Hirão, hebreu-fenício, era evidentemente chamado de “mar” por causa da grande quantidade de água que podia conter. Este vaso, também de cobre, media “dez côvados [c. 4,40 m] de uma borda à sua outra borda, circular em volta; e tinha a altura de cinco côvados [c. 2,20 m], e requeria um cordel de trinta côvados [13,40 m] para circundá-lo em toda a volta”. — 1 Reis 7:23.
CIRCUNFERÊNCIA
A circunferência de trinta côvados é, evidentemente, um número redondo, pois deveria ter, mais precisamente, 31,4 côvados. Neste respeito, certo comentário bíblico contém as seguintes informações: “Até o tempo de Arquimedes [século III AEC], a circunferência dum círculo era sempre medida em linhas retas pelo raio; e Hirão descreveria naturalmente o mar como tendo trinta côvados de circunferência, medindo-o, como era então invariavelmente costumeiro, pelo seu raio, ou semidiâmetro, de cinco côvados, que, sendo aplicado seis vezes em volta do perímetro, ou ‘borda’, daria os trinta côvados declarados. Não havia, evidentemente, nenhuma intenção no trecho senão a de dar as dimensões do Mar na linguagem costumeira que todos entendessem, medindo a circunferência do modo como todos os trabalhadores peritos, como Hirão, costumavam medir os círculos naquele tempo. Ele, naturalmente, devia saber perfeitamente bem, contudo, que, visto que o hexágono poligonal assim circunscrito pelo seu raio tinha trinta côvados, a verdadeira circunferência curva seria um pouco maior.” Assim, parece que a relação de três por um (isto é, a circunferência tendo o triplo do diâmetro) era a forma costumeira de expressar as coisas, visando-se que fosse entendida como sendo apenas aproximativa.
DE COBRE
O mar de cobre era adornado com ‘ornamentos em forma de colocíntidas’, e possuía, como sua base, doze figuras de touros, voltados para o N, o S, o E e o O, em grupos de três. A borda do mar se assemelhava a a uma flor de lírio. Visto que a espessura deste grande vaso era da “largura da mão [c. 7,4 cm]”, é bem possível que pesasse por volta de 27 toneladas métricas. (1 Reis 7:24-26) Esta enorme quantidade de cobre provinha das reservas que o Rei Davi tinha obtido em suas conquistas da Síria. (1 Crô. 18:6-8) A fundição foi feita num molde de argila, na região do Jordão, e era, realmente, um feito notável. — 1 Reis 7:44-46.
CAPACIDADE
O relato em 1 Reis 7:26 se refere ao mar como ‘contendo a medida de dois mil batos’, ao passo que o relato paralelo em 2 Crônicas 4:5 menciona-o como ‘contendo a medida de três mil batos’. Alguns afirmam que tal diferença resulta dum erro de cópia no relato de Crônicas. No entanto, ao passo que o verbo hebraico que significa “conter” é o mesmo em cada caso, há certa amplitude permissível de tradução do mesmo. Assim, alguns tradutores vertem 1 Reis 7:26 de modo a rezar que o vaso “levava” (Al; IBB) ou “continha” (NM) 2.000 batos, e traduzem 2 Crônicas 4:5 para rezar que tinha a “capacidade” (Al), “cabiam nele” (IBB) e “podia conter” (NM) 3.000 batos. Isto permite que se entenda que o relato de Reis declara o volume de água costumeiramente estocado no receptáculo, ao passo que o relato de Crônicas fornece a capacidade real do vaso quando cheio até a beirada.
Existe evidência de que o “bato” antigamente se igualava a c. 22 litros, de modo que, se mantido cheio em dois terços de sua capacidade, o mar normalmente conteria por volta de 44.000 litros de água. Para que alcançasse a capacidade indicada, seus lados não podiam ser retos, mas, antes, os lados abaixo da borda ou beirada tinham de ser curvos, dando a tal vaso um formato bulboso. Um vaso de tal formato e nas dimensões acima declaradas poderia conter até 66.000 litros. Josefo, historiador judeu do primeiro século EC, descreve o mar como sendo “hemisférico”. [Antiquities of lhe Jews (Antiguidades Judaicas), Livro VIII, cap. III, par. 5] Josefo também indica que a localização do mar era entre o altar das ofertas queimadas e o prédio do templo, um tanto para o S. — Ib., par. 6.
Além do mar de cobre (bronze) havia dez bacias menores de cobre pousadas sobre carrocins e estas, evidentemente, eram enchidas com água retirada do mar de cobre. (1 Reis 7:38, 39) A tradição rabínica é que o mar possuía torneiras. As dez bacias eram empregadas para a lavagem de certos sacrifícios, e, provavelmente, para outras tarefas de limpeza, mas “o mar . . . era para os sacerdotes se lavarem nele”. — 2 Crô. 4:6.
NA PROFECIA
Isto, sem dúvida, fornece a chave para se entender as referências, no livro de Revelação, ao “mar vítreo”, observado diante do trono de Deus, na visão obtida pelo apóstolo João. (Rev. 4:6; 15:2) Era “semelhante a cristal”, assim sendo, possuía evidentemente lados transparentes (compare com Revelação 21:18, 21), de modo que seu conteúdo podia ser visto. Os que estavam em pé junto dele, as pessoas vitoriosas sobre a “fera” e sua “imagem”, correspondem aos “chamados, e escolhidos, e fiéis”, descritos em Revelação 17:14; 20:4-6. Estes servem como “sacerdotes de Deus e do Cristo” e como reis junto com Cristo durante seu reinado milenar. (Compare com 1 Pedro 2:9.) A posição desta classe sacerdotal junto ao “mar vítreo” situado diante do trono de Deus faz lembrar a referência do apóstolo a ser a congregação cristã ‘purificada com o banho de água por meio da palavra’. (Efé. 5:25-27) Jesus também falou do poder purificador da palavra de Deus, que ele proclamava. (João 15:3) O ‘misturar o fogo’ (Rev. 15:2) com o conteúdo aquoso do mar sem dúvida se relaciona aos julgamentos de Deus, pois o fogo é usado, com frequência, neste sentido, e o próprio Deus é descrito como um “fogo consumidor” para com os que rejeitam a Sua vontade divina. — Heb. 12:25, 29.
O simbolismo do “mar vítreo” na visão de João ilustra assim a explanação inspirada de Paulo de que o tabernáculo e o templo terrestres, com seus equipamentos e suas funções sacerdotais, serviam como representações de coisas celestes. (Compare com Hebreus 8:4, 5; 9:9, 11, 23, 24; 10:1.) Quanto ao significado das figuras dos touros, sobre os quais pousava o mar de cobre (bronze) do templo de Salomão, veja TOURO.
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MarfimAjuda ao Entendimento da Bíblia
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MARFIM
As defesas ou presas branco-leitosas do elefante, do hipopótamo, da morsa e de outros animais. Embora seja duro, tendo uma densidade de cerca de três vezes e meia maior do que a do cedro secado ao ar livre, é altamente elástico e pode ser esculpido ou trabalhado com facilidade. Sua granulação fina o torna agradável ao toque, e lhe dá um acabamento dotado de notável durabilidade. As camadas que se cruzam de dentina, alterando-se em matiz, contribuem para sua utilidade com uma beleza toda própria. Escritos não-bíblicos falam que manadas de elefantes perambulavam pelo Oriente Médio no primeiro e no segundo milênios AEC, ao passo que as descobertas arqueológicas confirmam o emprego bastante amplo do marfim, por parte da nação de Israel e seus vizinhos.
O marfim tem sido associado com as coisas luxuosas da vida — a arte requintada, o mobiliário elegante, as riquezas apreciadas. Os navios de Salomão, a cada três anos, traziam grandes quantidades de marfim de lugares distantes. (1 Reis 10:22; 2 Crô. 9:21) Fazendo jus à sua glória e grandeza, Salomão “fez um grande trono de marfim e o recobriu de ouro refinado”. (1 Reis 10:18; 2 Crô. 9:17) Os Salmos mencionam “o grandioso palácio de marfim”, relacionado com os instrumentos musicais de corda. (Sal. 45:8) No lindo Cântico de Salomão, o escritor emprega o marfim como metáfora e símile para expressar a beleza: “Seu abdome é uma placa de marfim, coberta de safiras.” “Teu pescoço é como torre de marfim.” (Cân. 5:14; 7:4) O Rei Acabe também construiu para si mesmo um palácio,
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