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Galiléia, GalileuAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ao dinheiro do que a um bom nome. Os galileus em geral não eram tão apegados à tradição como eram os judeus. No Talmude, os primeiros são efetivamente acusados de negligenciarem a tradição. Neste particular, deve-se observar que os fariseus e os escribas de Jerusalém, e não da Galiléia, foram aqueles que levantaram a questão de os discípulos de Jesus deixarem de observar a tradicional lavagem das mãos. — Mar. 7:1, 5.
Visto que o Sinédrio e o templo se localizavam em Jerusalém, sem dúvida uma concentração maior de mestres da Lei podia ser encontrada ali; daí o provérbio judaico: “Se quiser riquezas, vá para o norte [para a Galiléia], se quiser sabedoria, vá para o sul [para a Judéia].” Mas isso não significa que os galileus estivessem arraigados na ignorância. Por todas as cidades e aldeias da Galiléia havia mestres da Lei e sinagogas. Estas últimas eram, com efeito, centros educativos. (Luc. 5:17) No entanto, os principais sacerdotes e fariseus em Jerusalém evidentemente se consideravam superiores aos galileus comuns, e os encaravam como ignorantes quanto à Lei. À guisa de exemplo, quando Nicodemos falou em defesa de Jesus Cristo, os fariseus replicaram: “Será que tu também és da Galiléia? Pesquisa e vê que nenhum profeta há de ser levantado da Galiléia.” (João 7:45-52) Assim, ignoraram o cumprimento da profecia de Isaías a respeito da pregação do Messias. (Isa. 9:1, 2; Mat. 4:13-17) Não existe nenhuma evidência definida no registro bíblico, ou em outra parte, de que os da Judéia em geral nutrissem um sentimento de real animosidade para com os galileus. Nas Escrituras, jamais lemos sobre um choque entre os galileus e os judeus (os da Judéia) quando se reuniam em Jerusalém para as festividades.
Ministério de Jesus na Galiléia
A Galiléia foi cenário de muitos eventos notáveis na vida terrestre de Jesus. As cidades galiléias de Betsaida, Caná, Cafarnaum, Corazim, Naim e Nazaré, e as regiões de Magadã, são mencionadas especificamente em relação com a atividade dele. (Mat. 11:20-23; 15:39; Luc. 4:16; 7:11; João 2:11) A maior parte de sua vida terrestre, Jesus passou na cidade galiléia de Nazaré. (Mat. 2:21-23; Luc. 2:51, 52) Numa festa de casamento em Caná, ele realizou seu primeiro milagre por transformar a água em vinho da melhor qualidade. (João 2:1-11) Depois da prisão de João, o Batizador, Jesus afastou-se da Judéia para a Galiléia, e começou a proclamar: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mat. 4:12-17) À medida que Jesus viajava por toda a Galiléia, ensinava nas várias sinagogas. No decorrer do tempo, ele chegou à sua cidade natal, Nazaré, onde, no sábado, leu sua comissão em Isaías, capítulo 61. Embora os que estavam na sinagoga de início ficassem favoravelmente impressionados, quando Jesus comparou-os aos israelitas nos dias dos profetas Elias e Eliseu, a assistência na sinagoga ficou enraivecida e mostrou-se pronta a matá-lo. — Luc. 4:14-30.
Depois disso, Jesus foi para Cafarnaum, “uma cidade da Galiléia”, e estabeleceu ali seu lar. Foi evidentemente perto de Cafarnaum que ele chamou André, Pedro, Tiago e João para serem pescadores de homens. (Luc. 4:31; Mat. 4:13-22) Acompanhado destes quatro discípulos, Jesus começou uma grande excursão em que pregou na Galiléia. No desempenho de suas atividades de ensino e de realização de obras poderosas, Jesus convocou Mateus da coletoria em Cafarnaum para ser seu seguidor. (Mat. 4:23-25; 9:1-9) Mais tarde, num monte perto de Cafarnaum, ele escolheu os doze apóstolos. Todos eles, com a possível exceção de Judas Iscariotes, eram galileus. Também foi perto de Cafarnaum que Jesus proferiu o Sermão do Monte. (Luc. 6:12-49; 7:1) Na cidade galiléia de Naim, ele ressuscitou o filho único duma viúva. (Luc. 7:11-17) Numa posterior excursão pregadora, Jesus revisitou Nazaré, mas foi novamente rejeitado. (Mat. 13:54-58) Em Cafarnaum, por volta da época da Páscoa judaica de 32 E.C., no que aparentemente foi sua última cobertura intensiva do território galileu, muitos discípulos, tropeçando devido às palavras de Jesus sobre ‘comerem sua carne e beberem seu sangue’, abandonaram o Filho de Deus. — João 6:22-71.
Embora os Evangelhos sinópticos falem principalmente do ministério de Jesus na Galiléia, o Filho de Deus não ignorou a Judéia, como alguns deduziram erroneamente. É digno de nota que o interesse inicial dos galileus em Jesus foi suscitado pelo que o viram fazer em Jerusalém. (João 4:45) No entanto, é bem provável que se devota mais espaço à atividade de Jesus na Galiléia porque os galileus o acataram mais prontamente do que os judeus (os da Judéia). Isto é confirmado por serem galileus os cerca de 120 discípulos, que foram os primeiros a receber o espírito santo de Deus. (Atos 1:15; 2:1-7) O controle e a influência dos líderes religiosos judeus não deve ter sido tão forte entre os galileus como era entre os da Judéia. — Compare com Lucas 11:52; João 7:47-52; 12:42, 43.
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Galiléia, Mar DaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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GALILÉIA, MAR DA
Um lago interior de água doce situado no N da Palestina, que também tem sido chamado de mar de Quinerete (Núm. 34:11), de lago de Genesaré (Luc. 5:1), e de mar de Tiberíades. (João 6:1) (A palavra grega traduzida “mar” pode também significar “lago”.)
TAMANHO E TOPOGRAFIA DA ÁREA
O mar da Galiléia situa-se a uma média de 212 m abaixo do nível do mar Mediterrâneo, e faz parte do vale de abatimento tectônico do Jordão. Sua maior profundidade aquosa é de c. 48 m. Do N ao S, esta massa aquosa tem uma extensão aproximada de 21 km, com uma largura máxima de cerca de 12 km. Dependendo da estação, as águas cristalinas do mar da Galiléia variam de cor, indo do verde ao azul, e a temperatura média da água oscila entre 14°C em fevereiro a 30°C em agosto. Este lago é alimentado primordialmente pelo rio Jordão.
O leito do mar da Galiléia assemelha-se a enorme bacia. De suas margens do lado E ascendem íngremes montanhas de pedra calcária, recobertas de lava, atingindo uma elevação de c. 610 m. Mas, do lado O, as montanhas ascendem menos abruptamente. O mar da Galiléia vê-se praticamente cercado de colinas e montanhas, exceto nas planícies ao redor do Jordão, isto é, os pontos em que o rio deságua no lago, no extremo N, e onde renova seu curso, a SO.
CLIMA
O clima tépido ao redor do mar da Galiléia é propício para o crescimento de plantas tropicais, incluindo o lódão espinhoso, a palmeira e a anileira. Ao longo das margens do lago podem-se encontrar cágados, tartarugas, lagostins e pulgas-do-mar. Prolifera ali tanto a vida avícola como a píscea.
Tempestades súbitas, tais como as enfrentadas por Jesus Cristo e seus discípulos, não são incomuns. (Mat. 8:24; 14:24) Devido à altitude negativa do mar da Galiléia, a temperatura do ar é muito mais tépida ali do que nos planaltos e montes que o cercam. Isto resulta em distúrbios atmosféricos. Também, fortes ventos varrem o vale do Jordão, descendo do monte Hermom, com seu pico recoberto de neve, situado não muito ao N.
MINISTÉRIO DE JESUS NESSA ÁREA
Esta massa aquosa figurava de forma proeminente no ministério terrestre de Jesus. O Filho de Deus falou várias vezes dum bote a grandes multidões reunidas em suas margens amplas, pedregosas. (Mar. 3:9; 4:1; Luc. 5:1-3) Em uma destas ocasiões, fez com que alguns de seus discípulos apanhassem uma safra miraculosa de peixes e convocou Pedro, André, Tiago e João para serem “pescadores de homens”. (Mat. 4:18-22; Luc. 5:4-11) Na vizinhança do mar da Galiléia, Jesus realizou muitas obras poderosas. Curou os doentes, expulsou demônios (Mar. 3:7-12), acalmou o vento e o mar (Mar. 4:35-41), alimentou miraculosamente mais de 5.000 pessoas, e então, novamente, mais de 4.000, com vários pães e alguns peixes (Mat. 14:14-21; 15:29, 34-38), e também andou sobre o mar. (João 6:16-21) Com razão, Jesus condenou três cidades naquela área, Corazim, Betsaida e Cafarnaum, por permanecerem insensíveis, apesar das muitas obras poderosas que seus habitantes testemunharam. — Mat. 11:20-24.
Após sua ressurreição de entre os mortos, Jesus apareceu a alguns de seus discípulos junto ao mar da Galiléia e fez com que, pela segunda vez, pescassem milagrosamente muitos peixes. Ele então sublinhou a importância de alimentarem as suas ovelhas. — João 21:1, 4-19.
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GálioAjuda ao Entendimento da Bíblia
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GÁLIO
O procônsul da Acaia, em cujo tribunal os judeus acusaram Paulo de liderar outros homens a outra persuasão na adoração de Deus. Gálio rejeitou ouvir esse caso, à base de que não envolvia uma violação da Lei Romana. Assim, a multidão passou a espancar Sóstenes, o presidente da sinagoga, mas Gálio preferiu tampouco se preocupar com isso. — Atos 18:12-17.
Segundo fontes seculares, Gálio nasceu em Córdova, Espanha, por volta do início do primeiro século E.C. Era filho do retórico Sêneca, e irmão mais velho de Sêneca, o filósofo. O nome original de Gálio era Lúcio Aneu Novato, mas, ao ser adotado pelo retórico Lúcio Júnio Gálio, assumiu o nome de seu adotante.
Uma inscrição de Delfos aponta a data de 51-52 E.C. para o termo de Gálio como procônsul da Acaia. (Atos 18:12) Sendo apenas fragmentário, o texto da inscrição teve de ser reconstituído, mas contém definitivamente o nome de “[Lúcio] Júnio Gálio, . . . procônsul”. Os historiadores em geral concordam que o texto é uma carta do imperador Cláudio César, e que o número “26”, encontrado nele, refere-se a Cláudio ter recebido a aclamação imperial pela vigésima sexta vez. (Foi Cláudio quem restaurou a Acaia à posição de província separada, responsável ao Senado e, por isso, tendo um procônsul.) A evidência é de que esta carta foi escrita no primeiro semestre de 52 E.C., pois outras inscrições indicam que Cláudio foi aclamado imperador pela vigésima sétima vez antes de 1.° de agosto de 52 E.C. Uma inscrição cária e uma inscrição no aqueduto chamado de Aqua Claudia, em Roma, situam a vigésima sexta e a vigésima sétima aclamações imperiais de Cláudio no decurso do ano de seu décimo segundo período de poder como tribuno. Este décimo segundo período como tribuno correspondia ao decorrido entre 25 de janeiro de 52 E.C. e 24 de janeiro de 53 E.C. Por conseguinte, o proconsulado de Gálio sobre a Acaia (cargo que durava um ano, começando com o início do verão setentrional), evidentemente durou do verão setentrional de 51 E.C. ao verão setentrional de 52 E.C.
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