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    Despertai! — 1979 | 22 de setembro
    • Uma feia cicatriz no queixo de Glória que lhe vai até a clavícula, é uma das primeiras coisas que se nota nesta senhora nova-iorquina de 24 anos de idade. Ela era uma das seis filhas. Quando o pai estava bêbedo, batia muitas vezes na esposa e nas filhas. A mãe de Glória fugia às vezes de casa para escapar à violência. Mas retornava.

      Glória recorreu à heroína como meio de escape. O próximo passo que deu foi abandonar o lar e casar-se com Roberto, outro viciado em tóxicos. Ele batia nela, mas, por causa da infância que teve, isto parecia para Glória uma parte normal da vida familiar. Quando Glória ficou grávida, procurou fazer tratamento para abandonar o vício da heroína. Após o nascimento de seu filho, os choros dele tornaram a vida mais difícil. Ela começou a beber excessivamente. Sob a tensão de seu casamento e a de cuidar de uma criancinha, Glória começou a judiar de seu bebê — dando palmadas nele, espancando-o e queimando-lhe os pés com um ferro quente; certa vez, ela até mesmo lhe quebrou ambos os braços. Quando seu bebê tinha apenas pouco mais de um ano de idade, foi entregue a um lar adotivo.

      A reação de Roberto foi bater cada vez mais em Glória e finalmente ele a abandonou. Logo depois disso, ela começou a se interessar por Alberto e esperava uma mudança real. Mas ele era irascível e, quando ficava nervoso, batia nela violentamente. Durante uma das brigas, ele bateu tanto em Glória que ela foi parar no hospital com fraturas nas costelas. Será que isto os abalou de modo a mudarem? Dificilmente. Quando Alberto a trazia de volta do hospital para casa, ficou irado novamente. Apanhando uma garrafa de uma valeta, quebrou-a e fez um corte no pescoço de Glória, deixando a horrível cicatriz que mencionamos.

      A família começou a receber ajuda de assistentes sociais. Glória deixou de beber e procura preparar alimentação mais equilibrada para a família. Alberto tenta controlar seu temperamento, e agora passa, às vezes, semanas sem bater na esposa.

      Pergunte-se: ATÉ QUE PONTO FOI O ÁLCOOL PARTE DO PROBLEMA? COMO A VIDA QUE GLÓRIA LEVOU NA INFÂNCIA INFLUIU NELA?

      O casamento de Sara certamente não se suavizou com os anos. Ela era agredida pelo marido com cada vez mais freqüência. Além dos tranqüilizantes que tomava, a história recente de Sara — duas costelas quebradas, a falta de um dente, contusões, dilacerações e três vezes hospitalizada — testificava que seu marido estava perdendo a calma com mais facilidade. Seus dois filhos adolescentes também podiam ver isto.

      Certo dia, o marido de Sara, antes de sair para ir trabalhar, disse a seu filho de 16 anos de idade que limpasse a garagem. Até a hora do almoço, não tinha sido limpada e o rapaz disse que ia nadar com seus amigos. Isto deixou Sara apreensiva, pois sabia que o marido tiraria dela a desforra. As articulações de seus dedos estavam brancas no encosto da cadeira da cozinha ao dizer para seu filho: “Você tem de limpar a garagem hoje.” “Não me importune!” gritou ele, e subiu as escadas, vociferando, em direção de seu quarto. Sara, correndo para cima atrás dele, agarrou-lhe o braço e começou a dizer: “Você não vai a parte alguma até . . . ” Mas não concluiu. Ele se voltou e deu violentamente um empurrão no peito dela. Tentando agarrar o corrimão, Sara não conseguiu e caiu da escada contra uma pilha de coisas lá embaixo.

      Pergunte-se: A SOLUÇÃO, SERIA ESPERAR? QUE RELAÇÃO PARECE EXISTIR ENTRE O TEMPERAMENTO E AS AÇÕES DO PAI E DO FILHO?

      [Carta a um conselheiro:] “Tenho 13 anos de idade e estou escrevendo esta carta não só para meu benefício, mas para o de meus quatro irmãos e irmãs mais novos. Eles têm 11, 10, 9 e 6 anos de idade. Nossos pais não passam uma noite sem brigar. Estamos fartos dos gritos, berros e xingos, do bater de portas e atirar pratos. Papai trabalha arduamente e é um bom sujeito. No minuto que ele põe os pés dentro de casa, mamãe o ataca com uma série de queixas. Ele manda ela calar a boca e então começa a briga. Depois de terminada a luta, mamãe chora e diz que papai não a ama. Ela está errada. Ele a ama muito. Mas, mesmo que não a amasse, poderia incriminá-lo? Quem é que gosta de ouvir queixas todo o tempo? Por favor, ajude-nos a endireitar estes dois. Não queremos que nossa família se divida, mas não dá para viver assim.”

      Pergunte-se: A QUEM CABE A CULPA DESSAS BRIGAS VIOLENTAS? O QUE SE PODE FAZER PARA EVITAR TAIS CENAS DE IRA? CONHECE VOCÊ CRIANÇAS QUE TENHAM MOTIVO PARA ESCREVER TAL CARTA?

      Connie fora espancada por seu marido de há muitos anos ao ponto de quase desmaiar. Sentindo-se muito embaraçada para ir a um hospital a fim de receber tratamento necessário, ela recorreu a um asilo de mulheres maltratadas que havia sido aberto ali perto em San Antonio, Texas. Sem entrar nos pormenores das tensões ou frustrações mútuas que levaram ao acesso de ira, Connie descreveu a ocasião em que ela foi espancada.

      O marido havia chegado a casa, mas não estava no seu estado normal. Cambaleava, de tão bêbedo que estava, e seu bafo cheirava a cerveja. No confronto de emoções que se seguiu, Connie deu uma bofetada nele. Era a primeira vez que fazia isto durante seus anos de casamento. “Daí”, lembra-se ela, “ele acertou um golpe em mim. Começou a me bater como se eu fosse um homem — dando-me socos no estômago, no pescoço. E, depois de eu cair, ele me deu pontapés.” Foi um ataque brutal, uma agressão.

      Pergunte-se: QUEM TEVE CULPA DA VIOLÊNCIA NESTE CASO E COMO PODERIA SER EVITADA ESTA BRIGA? O QUE TERIA FEITO VOCÊ SE ESTIVESSE NO LUGAR DE CONNIE?

      Embora estes exemplos não abranjam todos os casos de violência no lar, ilustram, com efeito, alguns dos aspectos mais comuns do problema. E as perguntas subseqüentes talvez já o tenham ajudado a compreender até certo ponto a violência no lar. Nos artigos que seguem, serão considerados alguns dos fatores destes relatos verídicos. Também, focalizaremos especificamente as causas e os resultados da violência que envolvem maridos, esposas e filhos. Assim, poderemos avaliar melhor o conselho sobre como solucionar este problema ou evitar este alastrado flagelo que está destruindo atualmente famílias e a vida de tantas pessoas.

  • Esposas espancadas/maridos espancados — o que há por trás disso?
    Despertai! — 1979 | 22 de setembro
    • Esposas espancadas/maridos espancados — o que há por trás disso?

      A VIOLÊNCIA no lar é tão comum que muitos de nós vimos o estrago que causa. Se der uma olhada no seu vizinho ou no seu colega de serviço, notará talvez efeitos comuns de muitas brigas de família — ferimentos e arranhaduras só parcialmente ocultos por trás de óculos escuros, suéter de gola alta ou acentuada maquilagem. A pessoa se pergunta: ‘Que espécie de casamento ela (ou ele) tem? Certamente se amavam quando se casaram. Portanto, o que aconteceu?’

      Sim, o que está por trás do espancamento? Quem é culpado de espancar seu cônjuge? Será principalmente o marido? Que atmosfera no lar dá origem à violência na família? São comuns certas influências externas? De modo prático, o que se pode fazer a respeito? Consideremos a questão.

      Que Tipo de Homem Espanca a Esposa?

      Quanto à violência no lar, vem à mente de muitas pessoas certo tipo convencional de pessoa. Amiúde, as pessoas imaginam alguém de nível sócio-econômico inferior — talvez um motorista de caminhão, um poceiro ou lixeiro — que pára num bar local, ‘enche-se’ de cerveja e vai cambaleando para casa pronto para brigar. Há muitos assim, conforme vimos antes nos casos de Connie e de Glória.

      Mas, se pensa que a violência na família se limita principalmente a tais pessoas, engana-se. “A violência na família”, declara a coluna “Relatório do Serviço de Informações”, “não conhece barreira racial, social e educacional. Está muito alastrada e ocorre com tanta freqüência entre a camada superior da classe média como entre a inferior” (Parade, de 16 de outubro de 1977, pág. 18) A publicação Bater na Mulher: A Crise Silenciosa (em inglês) salienta:

      “Os que trabalham com mulheres espancadas relatam que há vítimas entre esposas de médicos, advogados, professores universitários e até mesmo de clérigos. No estudo feito pelo Dr. Gelles sobre agressão de cônjuge, as famílias em que havia mais violência eram as que tinham a condição econômica mais elevada.” — p. 7.

      Por que é que a violência na família pode mutilar e de fato mutila toda sorte de famílias? Há uma razão por trás disso que a maioria dos sociólogos despercebe. Estando ciente disto, poderá entender a raiz da questão, quer esteja pensando em sua própria família, quer em algum amigo íntimo ou parente.

      O mais antigo registro da vida em família, a Bíblia, mostra que o primeiro casamento humano era perfeito. Quando Adão e Eva se casaram, eram sem pecado. Seu pensamento, suas ações e suas emoções eram perfeitamente equilibrados. Nessa condição, não teriam sofrido violência no lar, não é assim? Contudo, com o tempo, eles desobedeceram a Deus, tornando-se imperfeitos. Quanto a um dos efeitos de sua desobediência, Deus perscrutou o futuro e disse à mulher: “Terás desejo ardente de teu esposo, e ele te dominará.” (Gên. 3:16) Sim, a maioria das mulheres teria tal desejo de um marido ao ponto de até estar disposta a suportar um homem despótico e brutal. Os milênios da história acentuam esta triste realidade. Também, Jeová Deus previu que muitos maridos, desequilibrados pela imperfeição, levariam sua chefia a extremos, tornando-se tiranos espancadores de esposa. Portanto, qual é o denominador comum de todos os casos de violência na família? A imperfeição humana.

      É de suma importância que todos nós reconheçamos que descendemos desse primeiro casal e herdamos uma natureza humana imperfeita. (Rom. 5:12) Por conseguinte, a semente ruim de ser violento no lar existe dentro de todos nós — ricos ou pobres, iletrados ou de alto nível de cultura. O que, então, a faz brotar e florescer? A frustração, o álcool, a falta de comunicação, a inveja e os sentimentos de rejeição ou de insegurança são como elementos nutritivos na água que fazem com que brote a semente da violência. Antes de considerarmos o que pode ser feito a respeito destes fatores, vejamos como alguns deles dão origem à violência hoje em muitas famílias.

      Um Homem Frustrado — Um Homem Violento?

      Focalizando uma causa comum da violência no lar, certo médico comentou: “Acho que temos de considerar o espancamento de esposa dentro do contexto de uma sociedade em que há enorme quantidade de frustração e tensão. Vivemos num período de tempo extraordinário, em que as tensões econômicas e o desemprego são muito grandes. Tais pressões influem inevitavelmente na família.”

      Traduzamos isto em termos cotidianos. Podemos imaginar um marido tenso que volta para casa do trabalho. Talvez já estivesse cansado quando saiu de casa de manhã para ir trabalhar, e quem sabe se não teve de enfrentar um engarrafamento de trânsito ou os metrôs barulhentos. No serviço, houve talvez repetidas controvérsias com os fregueses ou com seu patrão. Mas ele teve de guardar dentro de si sua frustração. Quando finalmente volta para casa, talvez se defronte imediatamente com crianças que choram ou esposa que tem um aborrecimento justificável e que estava esperando para lhe contar. O que acontece então? Às vezes, a frustração e a tensão explodem em violência. Por medo de perder o emprego, ele não pôde bater no patrão, e não pôde ir contra o trânsito engarrafado. Mas ai da esposa ou dos filhos! “Quando um homem está aborrecido”, disse certo terapeuta matrimonial, “ele não deve chorar. É mais varonil dar soco na parede. Só que às vezes a parede é sua esposa.”

      Se for marido, pode imaginar-se assim dando vazão à sua frustração? Se for esposa, pode imaginar seu marido reagindo tão violentamente? É preciso que haja um grande conflito antes que isto aconteça?

      Na realidade, a faísca que pode dar início à violência talvez seja em si mesma bem pequena: O jantar não está pronto a tempo, a esposa diz que quer cursar faculdade ou que não está com vontade de ter relações sexuais. Seu marido, tenso e frustrado, talvez ache que tais fatores estejam desafiando sua autoridade. Ele explode em violência furiosa.

      “Quem é vagaroso em irar-se”, diz Provérbios 14:29, “é abundante em discernimento, mas aquele que é impaciente exalta a tolice”. Muitos homens que bateram na esposa viram depois vergonhosamente a veracidade deste provérbio. Uma vez que um homem tenha dado vazão às suas frustrações recalcadas por bater na esposa ou no filho num momento de ira, em geral surgem depois mais problemas. O primeiro ato de espancamento leva amiúde a um segundo. Pode ser como uma fenda numa represa; pode aumentar facilmente até que uma torrente impetuosa inunde o casamento.

      Dois estudantes de direito entrevistaram esposas vítimas de maus tratos, bem como autoridades públicas que lidam com tais problemas. Qual foi a conclusão a que chegaram?

      “A tendência de bater na esposa não é uma única explosão infeliz de ira, mas um sintoma de problema crônico. [95 por cento] das mulheres com quem falaram apanharam pela primeira vez no primeiro ano de casamento e as agressões tendiam a se tornar mais freqüentes e com mais violência com o passar dos anos. Se não fossem reprimidas, poderiam com o tempo até resultar em morte. . . . Geralmente, o que causava o acesso de ira era algum aborrecimento relativamente pequeno — claramente um simples catalisador de uma fúria mais profunda ou de uma antiga frustração.”

      O primeiro ano de casamento é especialmente crítico por causa das novas pressões que talvez se acumulem. Além de os cônjuges tentarem ajustar-se um ao outro, o marido sente então um fardo econômico mais pesado. E, quando a esposa fica grávida, isto aumenta a tensão nele, bem como suscita possivelmente ressentimento ou ciúme por ela se empolgar e se preocupar com algo que significa menos atenção dada a ele.

      O Álcool — A Causa?

      Amiúde, o álcool entra em cena. Certa pesquisa levou à seguinte conclusão: “Em 60 por cento dos casos, o consumo de bebidas alcoólicas por parte do agressor estava sempre envolvido na ocasião do ataque.” O diretor de um centro de crise, de Washington, D. C., EUA, diz que até 80 por cento dos espancamentos de esposa estão relacionados com o uso de bebida alcoólica.

      Mas é o álcool realmente a causa? Talvez a resposta seja Não; mas, muitas vezes, é Sim. Quanto à relação entre beber e bater na esposa, a Dr.ª Lenore Walker, psicóloga, observa: “Pode ser usado como desculpa, mas não parece ser diretamente uma causa e efeito.” Entretanto, a Bíblia diz perceptivamente: “O vinho é zombador, a bebida inebriante é turbulenta, e quem se perde por ele não é sábio.” (Pro. 20:1) Nunca observou que o álcool tende a diminuir as inibições, de modo que a pessoa se torna turbulenta ou menos controlada? Assim, quando um marido frustrado ou irado com a esposa chega a beber, é mais fácil ele se tornar violento. Após um estudo sobre este problema, o Dr. Richard J. Gelles relatou:

      “O que bebe pode usar o período em que está bêbedo como um ‘intervalo’ em que não é responsável pelas suas ações. Também, o álcool pode servir de desculpa . . . não há nada de errado na família, o culpado é o ‘demônio do rum’.”

      Há aqui uma lição a se aprender no uso de bebidas alcoólicas?

      Comunicação ou Socos?

      Como pode observar, os casais que recorrem à violência física têm amiúde uma grave fraqueza com respeito à comunicação. Acham difícil expressar seus sentimentos, inclusive os fortes como o ciúme, a solidão, a insegurança e o medo. “Embora vivamos numa sociedade de muita verbosidade”, diz o sociólogo Sherod Miller, “poucos dentre nós aprendemos a conversar uns com os outros sobre assuntos melindrosos”.

      Isto é principalmente um problema que os homens têm. “Uma das grandes causas da violência doméstica”, comenta Jan Peterson, do Congresso Nacional da Comunidade Feminina, “é a falta de habilidade dos homens de se comunicar com as mulheres, exceto por meios físicos”.

      Se um homem puder aprender, porém, a expressar seus sentimentos com palavras controladas — não em acessos de ira e profanidade — o fruto disso na sua família será muito melhor do que recorrer à violência. O antigo Rei Salomão disse: “Dos frutos da sua boca o homem comerá aquilo que é bom, mas a própria alma dos que agem traiçoeiramente é violência.” — Pro. 13:2.

      Embora se creia geralmente que as mulheres tendem mais a expressar seus sentimentos em palavras, a evidência é que muitas mulheres contribuem para o problema da falta de comunicação. Paul Shaner, conselheiro de família, observa que, às vezes, a esposa que é espancada talvez “esteja usando o jogo da força” por dar a seu marido “o tratamento do silêncio”. Algumas esposas, explica ele, afirmam que seu silêncio é em razão do medo de dizerem a coisa errada, “mas o homem vê nisso uma tática da força”. Shaner conclui: “Estas duas pessoas não se falaram, não se comunicaram realmente uma com a outra, por um período muito longo.” Nós que somos casados, faremos bem em nos perguntar: Há comunicação normal no nosso casamento?

      Mulheres Violentas?

      Não é incomum ouvir falar de maridos que batem na esposa, mas acha você que muitas esposas batem no marido? Será que muitas mulheres usam de violência, aumentando consideravelmente o problema da violência no lar? Sim!

      “Grande parte de crime não-relatado não é espancamento de esposa”, diz a socióloga Suzanne Steinmetz. “É espancamento de marido. . . . No que diz respeito ao uso de pouca força física, de dar bofetada, soco, empurrão, simplesmente não parece haver diferenças reais entre homens e mulheres. Um dos motivos do fenômeno da esposa espancada não é que os homens sejam mais agressivos, eles simplesmente parecem ser mais fortes em sentido físico e podem causar mais dano.”

      Ouve-se menos sobre maridos serem espancados porque quantos maridos tendem a ir até à delegacia de polícia (ou mesmo telefonar para lá) para dizer a um robusto sargento: “Minha esposa bate em mim”? Entretanto, muitas esposas fazem exatamente isso! O marido talvez seja menor, mais velho, fraco ou até doente. E, mesmo que seja forte para se defender, talvez não faça isso por um senso de cavalheirismo ou porque teme que, se fizesse realmente sua defesa, poderia machucar gravemente sua esposa.

      Algumas esposas que clamam fortemente contra a violência por parte do marido desconsideram a sua própria culpa. Por exemplo, certa esposa fica sabendo que o marido depositou dinheiro no banco no nome dele em vez de numa conta conjunta. Na discussão resultante, ela dá um tapa nele. Talvez semanas mais tarde ela pareça ser a malfeitora, por, digamos, blasfemá-lo ou recusar ter relações sexuais com ele, e ele, irado, acabar batendo nela. É verdade que é ela que apresenta ter ferimentos físicos. Mas não foram ambos culpados de violência? Relembre o caso de Connie, apresentado na página 6. A violência da esposa pode ser como uma faísca que dá origem a uma explosão.

      Como deve reagir a esposa diante dos maus tratos do marido que é mais forte? A tragédia em muitos casos é por apanhar e usar qualquer arma que estiver à mão — uma panela, um vaso, uma faca ou um furador de gelo. Considere o que aconteceu com Roxanne Gay, de 1,58 metros de altura e que pesava 50 quilos. Segundo os jornais de 1977, ela havia telefonado diversas vezes para a polícia porque seu marido a espancava brutalmente. Tratava-se de Blenda Gay, de 1,95 metros de altura, que pesava 120 quilos, e era um lateral do time de futebol americano “Eagles” de Filadélfia. Por fim, durante uma briga, esta esposa pequena apanhou uma faca e a enfiou no pescoço dele. A polícia o encontrou morto numa poça de sangue.

      O Que Se Pode Fazer?

      Examinamos diversas coisas por trás do problema de esposas espancadas e maridos espancados. A raiz da dificuldade está na imperfeição humana, que significa que todos somos suscetíveis a nos tornar violentos. As muitas frustrações que enfrentamos na vida moderna tornam isto bem possível. A falta de controle das emoções, tais como o ciúme ou o ressentimento, também tende a levar a pessoa a explosões de violência. Amiúde, a violência no lar ocorre sob o efeito do álcool. E vimos que tanto homens como mulheres são culpados de agressão contra o cônjuge.

      Embora este estudo sobre as causas da violência no lar seja importante, precisamos mais que isso. A prevalência deste problema torna necessário que procuremos positivamente prevenir ou solucionar este problema. O que dizer das seguintes perguntas: Como devemos agir quando ficamos irados? Está envolvido nisso nosso conceito sobre bebida alcoólica, sobre dinheiro ou nosso emprego? Se reinar em nosso lar a violência, será o divórcio a melhor solução? Pode a Bíblia ajudar as pessoas a fazer verdadeira mudança de personalidade e em suas reações? Os artigos seguintes consideram estas perguntas.

      [Destaque na página 10]

      “Nos homicídios que envolvem marido e mulher, a esposa foi vítima em 52% dos casos e o marido nos restantes 48.” — Estatísticas do FBI sobre crimes.

      [Destaque na página 11]

      “Algumas esposas provocam seu marido. Embora este certamente não seja sempre o caso, acho que em geral é. Tenho visto diversos casais, cujo caso foi de ter a esposa batido repetidas vezes no marido antes de ele finalmente bater nela em revide.” — Dr.ª Marguerite Fogel.

  • Os filhos num clima de violência
    Despertai! — 1979 | 22 de setembro
    • Os filhos num clima de violência

      “CADA ano, tantos quantos 6,5 milhões de crianças são machucadas pelos pais ou por outros membros da família. . . . Milhares de crianças cada ano são espancadas tão seriamente por seus pais que precisam de tratamento médico. Outras 700.000 são privadas de alimento, roupa e abrigo, e entre 60.000 e 100.000 são abusadas sexualmente.” — “U. S. News & World Report”, 15 de janeiro de 1979.

      O mau trato de crianças é realmente um problema aflitivo. As crianças vítimas são simplesmente fracos objetos à mão, em que os pais dão vazão, às frustrações, ao ciúme ou à ira. Já em muitos outros casos é uma questão de os pais levarem a um extremo danoso algo de que as crianças necessitam — disciplina. O sábio e amoroso Originador da vida familiar nos diz: “Castiga teu filho enquanto há esperança.” “A vara e a repreensão é que dão sabedoria; mas, o rapaz deixado solto causará vergonha à sua mão.” — Pro. 19:18; 29:15.

      Ao estudar o problema do mau trato de crianças, o psicólogo D. J. Madden percebeu que “as crianças podem sentir-se oprimidas por muita disciplina ou abandonadas por tolerância demais”. Ele explicou: “As crianças esperam que os pais tomem as decisões. Quando eles não o fazem, a criança questiona se pode estar sujeita a seus pais. E se a criança assume o comando, ela pode tornar-se a disciplinador.”

      A “Despertai!”, de 22 de janeiro de 1977, tratou extensivamente de maus tratos de crianças, inclusive o que os pais podem fazer para se certificar de que, embora dêem a seus filhos a necessária disciplina, não se tornem espancadores de crianças.

      Contudo, daremos atenção aqui a como as crianças são afetadas por viverem num clima de violência de marido/esposa. Será que as crianças que vêem tal mau trato aprendem lições importantes disto e assim, quando crescem, são motivadas a evitar tornar-se um espancador de esposa ou do esposo?

      Se uma criança vir a mãe ou o pai ser maltratado, este quadro é arquivado. Futuramente, quando ele ou ela se irar, como adulto, será fácil reverter ao modelo visto na mocidade. Declarado de modo simples, violência gera violência.

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