-
Anseia a volta dos “bons tempos” antigos?A Sentinela — 1978 | 15 de junho
-
-
feito pela humanidade. Conforme já mencionado, alguns têm especialmente saudade do modo de vida ou do ambiente que costumava haver. Talvez admitam que os atuais bens manufaturados são em certos sentidos superiores aos produtos de antigamente, mas, isto, por si só não lhes dá contentamento. Talvez sintam pessoalmente que não se lhes satisfaz alguma necessidade fundamental assim como antigamente. Outrossim, alguns talvez se perguntem se esta falta básica de satisfação não pode ser atribuída ao colapso geral da moral, que vemos prevalecer, apesar do progresso material do homem. — 2 Tim. 3:1-5.
Examinemos, então, por que parece hoje existir um espírito ou ambiente diferente, e o que podemos fazer a respeito disso.
-
-
Compreensão do espírito dos “bons tempos” antigosA Sentinela — 1978 | 15 de junho
-
-
Compreensão do espírito dos “bons tempos” antigos
JULIUS ERVING, jogador estadunidense de basquete, foi entrevistado depois de ter assinado um contrato de três milhões e meio de dólares para jogar. Noticiou-se que, quando se perguntou a Erving: “Há alguma coisa que queira e que ainda não possa comprar?” ele respondeu: “Talvez haja coisas emocionais ou espirituais que ninguém pode comprar, mas nada de material.”
O comentário deste jogador milionário de basquete talvez tenha tocado num motivo básico pelo qual tantas pessoas, hoje, falam com saudade dos “bons tempos” antigos. Ao passo que, em muitas partes da terra, as pessoas têm um progresso material ou tecnológico sem precedentes, muitos ainda assim não estão contentes. Acontece que a satisfação de nossas necessidades emocionais e espirituais não necessariamente se relaciona com os bens materiais que possuímos. Nem podemos comprar a satisfação emocional e espiritual. De fato, os esforços que muitos fazem para obter mais dinheiro, para comprar coisas técnicas mais avançadas, hoje amiúde interferem na satisfação de suas necessidades espirituais e emocionais básicas.
O próprio Jesus trouxe atenção ao fato de que os homens não são meros materialistas. Certa vez, quando Jesus tinha fome e o diabo instou com ele para que abusasse de seu poder milagroso para transformar pedras em pão, Jesus respondeu: “Está escrito: ‘O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.’” (Mat. 4:14) Jesus trouxe assim à atenção o fato de que não somos meros animais, com necessidades físicas, de modo que sejamos automaticamente mais felizes quanto mais elas são supridas. Antes, os homens têm também necessidades espirituais e emocionais. E se estas não forem satisfeitas, não seremos realmente felizes ou não acharemos verdadeira alegria no viver.
As observações de alguns pesquisadores da Universidade de Connecticut, E. U. A., ilustram isso parcialmente. Eles estudaram setenta e cinco homens, que haviam renunciado a cargos executivos em favor de posições de remuneração inferior, as quais significariam menos pressão sobre eles. E o resultado? Embora esses homens não mais podiam ter tanto, em sentido material, “muitas vezes tinham vida mais feliz e casamento melhor”. Outro estudo recente de especuladores bem sucedidos no mercado de ações indicou que eles tendiam a ter insucesso no romance. Por quê? Parece que seu envolvimento em ganhar dinheiro ‘impedia que se tornassem íntimos de alguém’.
Assim, embora muitos verifiquem que agora têm mais dinheiro e mais bens materiais do que em anos anteriores, ainda assim se lembram com saudade dos “bons tempos” de antanho. É verdade que, nos anos passados, a maioria tinha de trabalhar arduamente para ganhar a vida, amiúde por mais horas do que é comum hoje em dia. Mas, normalmente, tratava-se de trabalharem para obter as necessidades básicas da vida e depois usufruí-las. Por outro lado, hoje em dia, muitos procuram desesperadamente produtos técnicos cada vez mais avançados; mas o fato é que sua adquirição parece dar-lhes menos satisfação real. O conselho do sábio é assim ainda mais apropriado hoje:
“Pois, o que é que o homem vem a ter de todo o seu trabalho árduo e do esforço de seu coração com que trabalha arduamente debaixo do sol? Porque todos os seus dias sua ocupação significa dores e vexame, também durante a noite seu coração simplesmente não se deita. Também isto é mera vaidade. Para o homem não há nada melhor do que comer, e deveras beber, e fazer sua alma ver o que é bom por causa do seu trabalho árduo.” — Ecl. 2:22-24.
Sim, o espírito prevalecente parece ser diferente hoje. Visto que muitos, no nosso tempo, vêem menos do ‘que é bom por todo o seu trabalho árduo’, eles tendem a ansiar a volta dos “bens tempos” antigos.
AMIGOS E FAMÍLIA
Outra coisa que agradava antigamente a muitos era que as pessoas pareciam mais amigáveis. Chegava-se a conhecer outros como amigos. Os vizinhos não eram simplesmente pessoas que moravam por perto — eram também amigos. Havia menos atenção às coisas materiais e mais às relações pessoais.
Sobre isso, quando se perguntou ao jogador milionário de basquete, Julins Erving: “Há algumas desvantagens em se ter muito dinheiro?” ele respondeu:
“Você fica sendo um alvo, em muitos sentidos. É difícil manter uma relação genuinamente franca. A gente precisa saber avaliar as pessoas, ter suspeitas. A grande maioria vão ser os conhecidos. Talvez se possa dizer ‘amigo’, mas, na realidade, significa conhecido.”
Erving simplesmente confirmou os provérbios bíblicos: “A abastança é a que acrescenta muitos companheiros, mas quem é de condição humilde é separado até mesmo do seu companheiro. . . . Toda a gente é companheiro do homem que distribui dádivas.” (Pro. 19:4, 6) Esta costumava ser a situação nos dias do Rei Salomão. E muitas vezes se dá hoje, quando ‘aquilo que se tem’ ou ‘aquilo que se pode ter’ parece
-