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SIDS — tenta-se descobrir os sintomas e as causasDespertai! — 1988 | 22 de janeiro
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SIDS — tenta-se descobrir os sintomas e as causas
“A síndrome de morte súbita do bebê (SIDS) é responsável por aproximadamente 2 mortes em cada 1.000 nativivos, nos Estados Unidos, resultando em 7.500 a 10.000 mortes anuais.” — Revista “The New England Journal of Medicine”, 30 de abril de 1987.
FOI somente nos anos recentes que a SIDS tornou-se conhecida como definição de uma causa de morte. Nas gerações anteriores, este tipo de morte era encoberto no meio de todas as demais estatísticas das existentes causas múltiplas da morte de bebês. Os avanços da ciência médica eliminaram atualmente tantas das causas anteriores de mortes de bebês que a SIDS agora sobressai — tanto assim que foi somente em 1979 que a Organização Mundial da Saúde incluiu a categoria da “Morte súbita do bebê” em sua Classificação Internacional de Moléstias. Todavia, alguns peritos médicos julgam que podem encontrar exemplos daquilo que nós agora chamamos de SIDS já desde os tempos bíblicos!
Eles citam o caso das duas mulheres que compareceram perante o Rei Salomão, cada uma afirmando ser a mãe dum bebê vivo, em vez daquele que tinha morrido porque a mãe “se deitara sobre ele”. (1 Reis 3:16-27) Conforme escreve o patologista Bernard Knight: “Até bem recentemente, deitar sobre a criança era a crença clássica quanto à causa da morte súbita no berço.” No entanto, há um fator que torna duvidoso que a Bíblia descreva ali um caso de SIDS — o bebê morreu quando tinha apenas três dias, “o que é muito pouca idade para uma verdadeira morte súbita do bebê”, de acordo com Knight.
Ao passo que é verdade que alguns bebês morreram por terem sido acidentalmente sufocados pela mãe que dormia, também é verdade que muitos destes casos, no decorrer dos séculos, foram o que, hoje em dia, é chamado de síndrome da morte súbita do bebê.
O Mistério da SIDS
A SIDS é um problema mundial. Calcula-se, por exemplo, que de 1.000 a 2.000 bebês morram por ano na Grã-Bretanha, sendo sua morte classificada como SIDS. Nos países desenvolvidos a média é de cerca de um bebê para cada 500. À base duma estimativa de aumento da população mundial de 83 milhões por ano, isso representa, pelo menos, 166.000 mortes anualmente. Mas também subentende milhões de pais preocupados, que alimentam aquele temor secreto. Conforme confessou Phyllis, uma mãe de Nova Iorque, de seus 30 e poucos anos: “Toda vez que ponho meu bebê para dormir, eu oro para que ele acorde de novo.”
A SIDS continua a deixar perplexos os pesquisadores médicos e os patologistas. Um artigo publicado na revista Pediatrics recentemente considerava a SIDS em gêmeos. Examinaram-se trinta e dois casos, e “não se descobriu nenhuma causa de morte, apesar de completos exames post-mortem”. Dez outros casos de SIDS em gêmeos foram pesquisados por clínicas universitárias em Antuérpia, em Paris e em Ruão. O que se descobriu? “A causa da SIDS continuou inexplicada, depois de uma autópsia completa.” Continua a existir a causa, ou as causas, misteriosas.
No entanto, segundo outro comunicado médico, em 11 de 42 pares comparados, “a futura vítima da SIDS apresentava um peso inferior em mais de 300 gramas ao de seu irmão (irmã) que continuou vivo”. A conclusão foi a de que os únicos itens que diferençavam os bebês vítimas da SIDS dos bebês usados como controle eram “peso e altura médios inferiores ao nascer, a ocorrência prévia de cianose [pele e mucosas azuladas, devido à falta de oxigênio no sangue], ou a lividez durante o sono, e a recorrente e profusa sudorese noturna.
Em seu informe sobre 16 casos de SIDS na Inglaterra, um grupo de médicos declarou: “A SIDS geralmente ocorre entre 1 a 6 meses de idade, com um auge entre os 2 a 4 meses. . . . Outros fatores previamente comunicados como estando associados à SIDS são um histórico maternal de fumo durante a gravidez, a pouca idade da mãe por ocasião do parto, a condição de solteira, a família grande, [e] baixa condição socioeconômica.” Acrescentam: “A SIDS é também notificada com mais freqüência em bebezinhos do sexo masculino e ocorre mais durante os meses do outono e do inverno.” No entanto, Bernard Knight acautela: “Deve-se enfatizar que a morte súbita do bebê pode ocorrer — e ocorre mesmo — em qualquer família, sem se considerar sua posição na hierarquia social.”
Patologistas Tentam Desvendar o Mistério.
Quando morre um bebê sem nenhuma causa óbvia, o médico-legista geralmente chama um patologista para examinar o corpo, e para realizar uma autópsia. A razão disto é tentar determinar a causa exata da morte e utilizar este conhecimento na prevenção de casos futuros. O que foi que os patologistas descobriram em muitos destes casos?
Com o decorrer dos anos, seguiram-se diferentes pistas. Houve tempo em que a SIDS era atribuída ao sufocamento com travesseiros, pela roupa de cama, e pela postura. Isso foi rejeitado quando se provou que os bebês normalmente se esforçam para sair de qualquer posição que os sufoque. E as roupas de cama são geralmente porosas o suficiente para permitir a respiração. Daí, pensava-se que as mamadeiras e o uso de leite de vaca fossem a causa. Mas os bebês amamentados ao peito também morriam de SIDS. Por longo tempo, culpou-se a apnéia do sono, ou a respiração interrompida. Atualmente já se abandonou isto quase que totalmente como causa primária.
Há alguns anos, alguns patologistas “realmente criam que a infecção respiratória era a causa subjacente da morte . . . Embora hoje em dia [em 1983] se julgue que a infecção seja o que a provoca, em vez de a causa subjacente, não resta dúvida de que um quadro clínico de inflamação branda das vias respiratórias acha-se envolvido em grande número de casos da SIDS”. — Sudden Death in Infancy.
O Professor Knight conclui que “agora parece óbvio que não existe apenas uma causa singular da morte súbita no berço”, mas que “diversos fatores passam a apresentar-se de forma simultânea num determinado bebê, em determinado momento, e provocam a sua morte. Conhecemos alguns destes fatores, mas não outros”. Assim, o trabalho de detetive continua, à medida que se procuram outros indícios. Recentemente, contudo, fez-se uma nova descoberta.
Alteração da Hemoglobina — Causa ou, Sintoma?
Este passo à frente foi comunicado na revista The New England Journal of Medicine, de 30 de abril de 1987. Declarava: “A elevação prolongada dos níveis da hemoglobina fetal (hemoglobina F) em bebezinhos com SIDS poderia indicar um transporte comprometido de oxigênio para locais dos tecidos sensíveis.”a O informe indicava que, depois do nascimento dum bebê, existe uma substituição normal da hemoglobina fetal pela hemoglobina A produzida pelo corpo do bebê — assim, a sua própria hemoglobina transportadora de oxigênio. Nas vítimas da SIDS, significativo número de vítimas ainda apresentava elevada proporção da hemoglobina fetal menos eficaz do que o normal. Assim, que conclusão tiraram os médicos?
“Nossa interpretação desta descoberta é de que os bebês com SIDS se caracterizam por marcante demora na troca de hemoglobina F para hemoglobina A — fenômeno que pode refletir um quadro clínico crônico subjacente.” Por que isto acontece? “A razão da persistência anormal da hemoglobina F é incerta.”
Embora eles não encarassem isto como uma causa da SIDS, eles o consideraram deveras como um marcador útil através do qual selecionar os bebês que poderiam estar mais propensos à SIDS, “especialmente aqueles que passam das 50 semanas da idade pós-concepcional”.
Os médicos que deram origem a tal estudo declararam que “os estudos da SIDS sugerem uma associação com o baixo peso ao nascer, a prematuridade, e o crescimento retardado, e o fumo materno”.
Este último ponto é digno de comentários. O Dr. Bernard Knight, da Universidade do País de Gales, em Cardiff, escreveu: “Tem-se mostrado haver uma ligação bem forte do fumo com a SIDS, embora, também neste caso, seja difícil saber-se se este é um vínculo direto ou simplesmente uma ligação com fatores sociais.” Entretanto, ele cita estatísticas reveladoras. Numa pesquisa feita com 50.000 nativivos na cidade de Cardiff, a taxa de SIDS para as mães que não fumavam, ou que deixaram de fumar, era de 1,18 por 1.000 nativivos. Mas, para as mães que fumavam mais de 20 cigarros por dia, o total saltou para 5,62 para cada 1.000 nativivos — um aumento de cinco vezes!
Há mães que perguntam: “Que dizer da amamentação ao peito? Será que isso dá ao bebê maior proteção contra a SIDS?” O Dr. Bergman, destacado nos Estados Unidos no campo das pesquisas da SIDS, declarou: “Acontece que eu creio na amamentação ao peito e acho que é melhor, por um monte de razões; mas não acho que se deva dar a entender às pessoas, que perderam bebês devido à morte súbita no berço, que seu bebê ainda estaria vivo se elas tão-somente o tivessem amamentado ao peito.”
Em vista do precedente, existe algo que os pais possam fazer para desfazer a ameaça da SIDS? Existem meios de prevenção?
[Nota(s) de rodapé]
a A hemoglobina é o componente do sangue que é a matéria de coloração dos glóbulos vermelhos, e é um composto de proteína e de oxigênio. Transporta o oxigênio dos pulmões para o corpo.
[Quadro na página 6]
Pais Vistos com Suspeição
O enigma que cerca as mortes pela SIDS às vezes tem provocado dor e sofrimento desnecessários aos pais. Como assim? Porque as demais pessoas, inclusive, às vezes, os policiais e o pessoal médico, têm encarado a morte como altamente suspeitosa, especialmente quando ocorre simultaneamente no caso de gêmeos. E segundo uma pesquisa que abrangia mais de 47.000 mortes em Cardiff, no País de Gales, entre 1965 e 1977, houve um aumento quíntuplo no risco de SIDS no caso de gêmeos. O Dr. John E. Smialek, colaborando na revista médica Pediatrics, comunicou dois casos excepcionais que ocorreram com cinco anos de intervalo no Condado de Wayne, Missouri, e em Detroit, Michigan, EUA.
Declara ele: “O anúncio das mortes do primeiro par de gêmeos resultou numa atmosfera de intensa suspeição para com os pais . . . por parte de membros da comunidade médica e de outras pessoas leigas que não estavam a par da existência deste fenômeno [SIDS].” Pode-se compreender isto com facilidade quando nos lembramos de que a SIDS só recebeu grande publicidade desde 1975, quando o Governo dos EUA deu apoio a programas de informação e de aconselhamento sobre o assunto. Quando um caso similar de gêmeos com SIDS aconteceu em Detroit, cinco anos depois, houve muito menos suspeita. Os profissionais e o público estavam ficando informados.
Todavia, até mesmo agora, quando se sabe muito mais sobre o assunto, o Dr. Smialek admite: “Embora a SIDS seja agora amplamente aceita como um quadro clínico que os pais não têm meios de prever ou de prevenir, a ocorrência de mortes simultâneas de bebezinhos gêmeos é um fenômeno que ainda suscita perplexidade e suspeição.”
Mas por que os gêmeos seriam mais suscetíveis à SIDS? Responde o patologista Bernard Knight: “Muitas vezes, eles são prematuros e não raro nascem com peso inferior ao normal. Mui freqüentemente precisam passar a primeira parte da vida em unidades de cuidados especiais, nos hospitais-maternidades. . . . Todos estes fatores os tornam mais vulneráveis à morte súbita do bebê.”
[Foto na página 4]
“Não existe apenas uma causa singular da morte súbita no berço.” — Professor Knight.
[Foto na página 7]
“A ocorrência de mortes simultâneas de bebezinhos gêmeos é um fenômeno que ainda suscita perplexidade e suspeição.”.
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SIDS — há meios de prevenção?Despertai! — 1988 | 22 de janeiro
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SIDS — há meios de prevenção?
“Nos anos recentes, têm-se empregado, cada vez mais, os recursos de monitoramento doméstico de bebês julgados de alto risco quanto à síndrome da morte súbita do bebê (SIDS), na tentativa de impedir a morte súbita do bebê.” — Revista “Pediatrics” de junho de 1986.
TEM-SE usado cada vez mais o monitoramento doméstico, mas será este um meio de prevenção da SIDS? Milhares de pais já usaram ou estão usando monitores domésticos. O monitor, ligado ao bebê, dá um sinal alertador quando existe ameaçadora irregularidade nos batimentos cardíacos ou na respiração. A revista Science News informa que calculadamente de 40.000 a 45.000 monitores domésticos são utilizados nos Estados Unidos, e de 10.000 a 15.000 outros são fabricados a cada ano. Visto que o período de perigo é o primeiro ano de vida, o monitor não precisa ser utilizado durante anos. Mas são tais aparelhos realmente eficazes em salvar vidas?
O Dr. Ehud Krongrad e Linda O‘Neill, enfermeira registrada, do Hospital Infantil da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque, EUA, estudaram 20 bebês considerados de alto risco. O estudo feito por eles indica ser extremamente difícil identificar com exatidão um bebê que corre risco, e, assim sendo, que realmente careça dum monitor doméstico. Declararam: “Não há disponível nenhum teste que indique, com alto grau de especificidade ou de sensibilidade, ou com razoável valor de predição, que um bebê seja de alto risco.”
Eles argumentam que os pais são, naturalmente, muito subjetivos em diagnosticar as reações do filhinho, e declaram: “A maioria dos sinais alarmantes percebidos pelos pais como sendo verdadeiros sinais ligados a alterações físicas não é acompanhada pela instabilidade elétrica cardíaca.” Com efeito, seus dados “sugerem que a imensa maioria de bebês que têm morte súbita e inesperada não mostra quaisquer sintomas observáveis e/ou clinicamente úteis.” Como resultado disso, George A. Little, da Faculdade de Medicina de Dartmouth, declarou: “Se os critérios no informe do painel de consenso forem aplicados pelos médicos, eu preveria significativa queda do uso do monitor doméstico para evitar a apnéia infantil.”
Esta conclusão serve para apoiar o conselho do médico-legista para Tottie, citada em
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