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CircuncisãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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contudo, que tinham em mais alta conta participar nus nos jogos helenísticos do que permanecer fiéis a Jeová, esforçaram-se de se tornarem “incircuncisos” por meio duma operação que visava restaurar certa aparência dum prepúcio, evitando assim sofrerem zombaria e ridículo. Paulo talvez aludisse a tal prática ao aconselhar aos cristãos: “Foi alguém chamado no estado circunciso? Que não se torne incircunciso.” — 1 Cor. 7:18.
NÃO É EXIGIDA DOS CRISTÃOS
Depois de Jeová ter demonstrado sua aceitação de gentios na congregação cristã, e visto que muitas pessoas das nações acatavam a pregação das boas novas, o Corpo Governante em Jerusalém teve de fazer uma decisão sobre a questão: É necessário que os cristãos gentios sejam circuncidados na carne? Eis a conclusão do assunto: As “coisas necessárias” tanto para os gentios como para os judeus não incluíam a circuncisão. — Atos 15:6-29.
Paulo circuncidou Timóteo pouco depois desse decreto ser expedido, não como questão de fé, mas para evitar criar preconceitos entre judeus a quem iriam pregar. (Atos 16:1-3; 1 Cor. 9:20) O apóstolo tratou desse assunto em várias cartas. (Rom. 2:25-29; Gál. 2:11-14; 5:2-6; 6:12-15; Col. 2:11; 3:11) “Nós somos os que temos a verdadeira circuncisão [do coração], os que prestamos serviço sagrado pelo espírito de Deus”, escreveu Paulo aos cristãos gentios em Filipos. (Fil. 3:3) E aos em Corinto escreveu o mesmo apóstolo: “A circuncisão não significa coisa alguma e a incircuncisão não significa coisa alguma, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” — 1 Cor. 7:19.
Em sentido simbólico, usa-se de vários modos a “circuncisão” como figura de retórica. Depois de plantar uma árvore na Terra Prometida, por exemplo, ‘por três anos continuará para vós incircuncisa’; seu fruto era considerado seu “prepúcio” e não devia ser comido. (Lev. 19:23) Moisés disse a Jeová: “Eis que sou de lábios incircuncisos; portanto, como é que me escutará Faraó?” (Êxo. 6:12, 30) Em sentido figurado, a expressão “os incircuncisos” descreve, com desprezo repulsivo, aqueles que só são dignos de sepultamento num lugar comum, junto com os mortos da mais baixa espécie. — Eze. 32:18-32.
A circuncisão do coração era um requisito divino até mesmo para os israelitas que já eram circuncidados na carne. Moisés disse a Israel: “Tendes de circuncidar o prepúcio dos vossos corações e não deveis mais endurecer a vossa cerviz.” “Jeová, teu Deus, terá de circuncidar teu coração e o coração da tua descendência, para que ames a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, no interesse da tua vida.” (Deut. 10:16; 30:6) Jeremias lembrou a mesma coisa àquela nação inconstante de seus dias. (Jer. 4:4) A ‘circuncisão do coração’ significa livrar-se de qualquer coisa, nas afeições ou nos motivos da pessoa, que seja desagradável ou impuro aos olhos de Jeová, e que torne insensível o seu coração. Similarmente, ouvidos que não são sensíveis ou acatadores são mencionados como “incircuncisos”. — Jer. 6:10; Atos 7:51.
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Cirene, CireneuAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CIRENE, CIRENEU
Cirene era a antiga capital original do distrito da Cirenaica, na costa N da África, quase defronte da ilha de Creta. Situava-se a uns 24 km para o interior, e jazia num platô a quase 549 m acima do mar Mediterrâneo.
Pelo que parece, Cirene foi inicialmente povoada pelos gregos na sétima centúria A.E.C., e veio a ser reputada como uma de suas maiores colônias. Já em 96 A.E.C., Cirene estava sob o controle político romano, e, em 27 A.E.C., o distrito da Cirenaica e a ilha de Creta foram unidos de modo a formar uma única província, governada por um procônsul. Segundo o geógrafo Estrabão, por volta do início da Era Comum, os judeus constituíam uma das quatro classes reconhecidas de Cirene (junto com os cidadãos, os lavradores e os estranhos). Crêem certos historiadores que a revolta judaica contra os romanos, em 115-116 E.C., durante a regência de Trajano, irradiou-se da comunidade judaica de Cirene.
Simão, de Cirene (talvez um judeu helenístico), que foi obrigado a ajudar a carregar a estaca de tortura de Jesus, é chamado de “nativo” (natural) daquela cidade. — Mat. 27:32; Mar. 15:21; Luc. 23:26.
CRISTIANISMO
Alguns anos mais tarde, depois do aceitável batismo cristão de Cornélio, homens de Cirene ajudaram a promover a introdução das “boas novas do Senhor Jesus” em Antioquia, da Síria, entre os mencionados (pela maioria dos textos gregos de Atos 11:20, 21) como Hellenistás. Visto que esta mesma palavra grega é traduzida “judeus que falavam grego” (NM, BLH) em Atos 6:1, alguns concluíram que aqueles a quem se pregou em Antioquia, da Síria, deviam também ter sido judeus ou prosélitos circuncisos que falavam a língua grega. No entanto, ao passo que a pregação aos judeus e aos prosélitos de língua grega já estava sendo feita desde o dia de Pentecostes de 33 E.C., a conversão de grandes números destas pessoas em Antioquia parece ter sido algo novo e incomum, visto que Barnabé foi enviado para aquela cidade provavelmente para examinar, bem como incentivar, a obra ali. (Atos 11:22, 23) Indicando também que isto era uma mudança nas normas de fazer discípulos, há o fato de que a obra feita pelos cireneus e seus co- trabalhadores (V. 20) parece ter sido contrastada com a pregação que não fora feita “senão a judeus”. — V. 19.
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CiroAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CIRO
[Heb., Kóhresh; gr., Kyros]. O fundador do Império Persa e conquistador de Babilônia; chamado “Ciro, o Grande” para distingui-lo de Ciro I, seu avô.
Depois de Ciro ter conquistado o Império Babilônico, o documento cuneiforme conhecido como Cilindro de Ciro apresenta-o como dizendo: “Eu sou Ciro, rei do mundo, grande rei, rei legítimo, rei de Babilônia, rei da Suméria e de Acade, rei das quatro extremidades (da terra), filho de Cambises, grande rei, rei de Anxã, neto de Ciro [l], . . . descendente de Teispes,. . . uma familia (que) sempre (exerceu a) realeza.” [Ancient Near Eastern Texts (Textos Antigos do Oriente Próximo), de James B. Pritchard, 1955, p. 316] Mostra-se assim que Ciro pertencia à linhagem real dos reis de Anxã, uma cidade ou distrito de localização um tanto incerta, situada por alguns nas montanhas ao N de Elão, mas geralmente considerada como situada a E de Elão. Esta linhagem de reis é chamada “aquemênida”, em honra a Aquêmenes, o pai de Teíspes.
Os primórdios históricos de Ciro (II) são um tanto obscuros, dependendo mormente de relatos um tanto fantasiosos de Heródoto (historiador grego do 5.° século A.E.C.) e de Xenofonte (outro escritor grego de cerca de meio século depois). No entanto, ambos apresentam Ciro como filho de Cambises, o regente persa, com sua esposa Mandane, filha de Astíages, rei dos medos. (História, de Heródoto, Clás. Jackson, Livro I, sec. 107; Ciropedia, Clás. Jackson, Livro I, p. 7) Esta relação sanguínea de Ciro com os medos é negada por Ctésias, outro historiador grego do mesmo período, que afirma, ao invés, que Ciro se tornou genro de Astíages por se casar com a filha deste, Amitis.
Ciro foi o sucessor de Cambises I no trono de Anxã, que estava então sob a suserania de Astíages, rei medo. Africano (terceiro século E.C.) e Diodoro (primeiro século A.E.C.) colocam o início do reinado de Ciro no primeiro ano da 55.a Olimpíada, ou em 560/559 A.E.C. Heródoto relata que Ciro, depois disso, revoltou-se contra a regência média e que, devido à defecção das tropas de Astíages, conseguiu obter uma vitória fácil e capturou Ecbátana, capital dos medos. Isto se deu no sexto ano do reinado de Nabonido (550 A.E.C., na história secular), segundo a Crônica de Nabonido, que declara que o Rei Ishtumegu (Astíages) “convocou suas tropas e marchou contra Ciro, rei de Anxã, a fim de en[frentá-lo em batalha]. O exército de Ishtumegu [Astíages] se revoltou contra ele e o en[tregaram] em cadeias a Ciro”. Ciro conseguiu granjear a lealdade dos medos, e assim medos e persas, depois disso, combateram unidamente sob a sua liderança. Nos anos que se seguiram, Ciro procurou consolidar seu controle sobre a área O do Império Medo, avançando até a fronteira E do Império Lídio, no rio Hális (Quizil-Irmac) da Ásia Menor.
O abastado Rei Creso, da Lídia, confrontado com a ameaça deste novo imperador persa, segundo dito por Heródoto, fez uma aliança política com o Rei Nabonido, de Babilônia, e com o Faraó Amasis II, do Egito, bem como com os espartanos da Grécia. Contudo, antes que tais aliados pudessem prestar ajuda militar aos lídios, sob Creso, Ciro os derrotou e capturou Sardes. Então subjugou as cidades jônicas e colocou toda a Ásia Menor sob o domínio do Império Persa. Assim, em questão de poucos anos, Ciro se tornou o principal rival de Babilônia e de seu rei, Nabonido.
A CONQUISTA DE BABILÔNIA
Ciro então se cingiu para um confronto com a poderosa Babilônia e, deste ponto em diante, especialmente, figura no cumprimento das profecias bíblicas. Na profecia inspirada de Isaías sobre a restauração de Jerusalém e de seu templo, cita-se nominalmente este regente persa como aquele que foi designado por Jeová Deus para efetuar a derrubada de Babilônia e a libertação dos judeus que estariam exilados ali. (Isa. 44:26 a 45:7) Embora esta profecia fosse registrada bem mais de um século e meio antes da ascensão de Ciro ao poder, e embora a desolação de Judá evidentemente ocorresse até mesmo antes de Ciro nascer, ainda assim Jeová declarou que Ciro atuaria como Seu “pastor” a favor do povo judeu. (Compare com Romanos 4:17.) Em virtude desta designação antecipada, Ciro foi chamado de “ungido” (uma forma do hebraico mashíahh, messias, e do grego khristós, cristo) de Jeová. (Isa. 45:1) Ter Deus o ‘chamado pelo seu nome’ (Isa. 45:4) já desde essa ocasião não dá a entender que foi Ele quem deu a Ciro o seu nome, quando ele nasceu, mas, ao invés, que Jeová tinha presciência de que surgiría um homem com esse nome, e que a chamada dele por parte de Jeová não seria anônima, mas seria direta, específica, nominal.
Assim, sem que o Rei Ciro soubesse, pois ele era provavelmente um devoto pagão do zoroastrianismo, Jeová Deus, de modo figurado, ‘tomara a mão direita de Ciro’ para conduzi-lo ou fortalecê-lo, cingindo-o e preparando-o, bem como aplainando o caminho para que Ciro realizasse o propósito divino: conquistar Babilônia. (Isa. 45:1, 2, 5) Como Aquele “que desde o princípio conta o final, e desde outrora as coisas que não se fizeram”, o Deus Onipotente moldou as circunstâncias dos assuntos humanos para a plena realização do seu conselho. Ele chamara Ciro “desde o nascente”, da Pérsia (a E de Babilônia), onde foi construída Passárgada, a capital favorita de Ciro, e Ciro seria como uma “ave de rapina”, ao mergulhar rapidamente sobre Babilônia. (Isa. 46:10, 11) É digno de nota que, segundo The Encyclopoedia Britannica (1911, Vol. 10, p. 454b), “os persas traziam uma águia afixada na ponta duma lança, e o sol, como sua divindade, também estava representado em seus estandartes, que . . . eram guardados com o maior zelo pelos homens de maior bravura do exército”.
As profecias bíblicas relacionadas com a predita conquista de Babilônia, por parte de Ciro, prediziam um ‘secamento da profundeza
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