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    Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial!
    • Capítulo 3

      Um Messias transformado que os políticos terão de enfrentar

      1. Iguais aos governantes políticos de 33 E. C., os governantes políticos da atualidade terão de decidir definitivamente o que farão com quem?

      NO FUTURO próximo, os governantes políticos de todas as nações e povos terão de decidir definitivamente o que fazer quanto ao Messias. Perto dos meados do primeiro século de nossa Era Comum, este Messias, Jesus, o Descendente do Rei Davi, teve encontros diretos com um par de governantes políticos, mundanos. O Rei Herodes Ântipas, da Galiléia, depreciou Jesus como sendo o Messias e zombou dele no tribunal, mandando-o de volta ao governador romano da Judéia, Pôncio Pilatos, para um julgamento final. O Governador Pilatos, representando o Imperador Tibério de Roma, cedeu à pressão duma turba antimessiânica e sentenciou Jesus à morte, por ser pregado numa estaca, como escravo criminoso. (Lucas 23:1-25) Mas, hoje em dia, os governantes políticos terão de enfrentar um Messias muito diferente do Messias abnegado do ano 33 E. C.

      2. Por que ficarão espantados os governantes políticos diante de seu confronto com o Messias dentro em breve?

      2 OS governantes políticos, especialmente os da cristandade, estão mais ou menos familiarizados com as narrativas evangélicas da vida terrestre de Jesus Cristo. É provável que o quadro mental mais familiar que têm dele seja o apresentado por muitos artistas religiosos, o de Jesus com rosto abatido, sob uma coroa de espinhos, e com mãos e pés pregados numa cruz. Pouco, ou antes, de modo algum, esperam os atuais governantes políticos ter um confronto com Jesus Cristo qual poderoso Rei celestial, todo preparado para lutar contra seus inimigos terrestres. Para seu completo espanto, será um Messias transformado com quem terão de confrontar-se em breve.

      3. Por que é agora oportuno e importante examinar a profecia de Isaías 52:13 a 53:12?

      3 Esta assombrosa transformação na posição do Messias e também no que foi oficialmente comissionado a fazer foi predita na profecia de Isaías 52:13 a 53:12. É agora oportuno examinarmos esta profecia específica e também os fatos que mostram como se cumpriu a profecia. Isto é de importância para nós hoje.

      4, 5. A quem passa a considerar abruptamente Isaías 52:13-15?

      4 Depois de Isaías, capítulo 52, falar do livramento dos judeus de décadas de exílio no país estrangeiro da Babilônia, no vale da Mesopotâmia, o versículo treze muda abruptamente no que considera. Note como rezam os versículos finais deste capítulo:

      5 “Eis que meu servo agirá com perspicácia. Ele estará num alto posto, e certamente será elevado e muitíssimo exaltado. Ao ponto que muitos olharam para ele assombrados — tanta foi a desfiguração quanto à sua aparência, mais do que a de qualquer outro homem, e quanto à sua figura imponente, mais do que a dos filhos da humanidade — a tal ponto surpreenderá muitas nações. Por causa dele, reis fecharão a sua boca, pois verão realmente aquilo que não se lhes narrou e terão de dar sua consideração aquilo que não ouviram.” — Isaías 52:13-15.

      6. Qual é o conceito ortodoxo judaico sobre aquele a quem Jeová chama de “meu servo”, conforme revela uma nota marginal judaica sobre isso?

      6 De quem é que Jeová Deus fala aqui profeticamente como “meu servo”? A opinião judaica, ortodoxa, acredita que não seja uma pessoa. Uma nota sobre isso, no livro de Isaías, do Dr. I. W. Slotki, M. A., LITT. D., publicado por The Soncino Press, em 1949, reza: “O servo é o Israel ideal ou o restante fiel. Que não se trata dum indivíduo é a opinião de todos os comentaristas judaicos e da maioria dos não-judaicos, modernos. ‘Não importa quais as causas que possam ter induzido a estimular a defesa desta forma de interpretação (a saber, a cristológica), é importante que os exegetas cristãos reconheçam que este caminho da exposição judaica está principalmente certo e que o caminho dos interpretadores cristãos, até o tempo de Rosenmüller (i. e. 1820) tem sido principalmente errado.’ (Whitehouse).” Mas, está certo tal “caminho da exposição judaica”?

      7. Tanto tempo depois da profecia de Isaías, que prova podem oferecer os judeus ortodoxos e os da Reforma quanto à existência de tal “Israel Ideal” entre os judeus hoje em dia?

      7 Ao considerarmos a acima expressa opinião judaica sobre a identidade de “meu servo”, somos obrigados a perguntar: Quem, hoje, ou onde, hoje, existe o que o Dr. Slotki chama de “Israel ideal”? Será que é encontrado nesta geração de judeus naturais, que sobreviveram ao regime do ditador nazista Hitler, na Europa, e às opressões comunistas, e que ainda ascendem a cerca de 14.443.925? Encontramos o “Israel ideal” ou esse “servo” do Deus Altíssimo na atual república de Israel, especialmente na sua população judaica, que controla o governo político? Qual o judeu, quer da parte religiosa, ortodoxa, quer da parte religiosa da Reforma, que vê em todo o povo judeu ou em qualquer parte do atual povo judeu o “Israel ideal”, mais de 2.700 anos depois de se proferir a profecia de Isaías? Por isso, não possuem prova alguma de que o “servo” da profecia de Isaías seja o “Israel ideal”, composto de judeus naturais.

      8. Onde podemos achar a descrição inspirada do verdadeiro “Israel ideal”, e como é descrito ali?

      8 Se quisermos identificar o verdadeiro “Israel ideal”, poderemos encontrar a descrição inspirada dele em Revelação (Apocalipse), recebida pelo ex-pescador judeu do Mar da Galiléia, chamado João, filho de Zebedeu, quando ele estava em exílio e encarceramento na ilha penal, romana, de Patmos, no Mar Egeu. A evidência indica que esta Revelação foi dada a João depois da destruição de Jerusalém e seu templo pelos romanos, no ano 70 E. C. Isto aconteceu depois do incêndio de Roma pelo Imperador Nero, que levou à perseguição dos falsamente acusados cristãos. Numa das visões reveladoras, João viu e ouviu um anjo dizer a quatro anjos, que refreavam os ventos tempestuosos da terra: “Não façais dano nem à terra, nem ao mar, nem às árvores, até depois de termos selado os escravos de nosso Deus nas suas testas.” (Revelação 7:1-3) Daí, João prosseguiu escrevendo:

      E ouvi o número dos selados: cento e quarenta e quatro mil, selados de toda tribo dos filhos de Israel;

      Da tribo de Judá, doze mil selados;

      da tribo de Rubem, doze mil;

      da tribo de Gade, doze mil;

      da tribo de Aser, doze mil;

      da tribo de Naftali, doze mil;

      da tribo de Manasses, doze mil;

      da tribo de Simeão, doze mil;

      da tribo de Levi, doze mil;

      da tribo de Issacar, doze mil;

      da tribo de Zebulão, doze mil;

      da tribo de José, doze mil;

      da tribo de Benjamim, doze mil selados. — Revelação 7:4-8.

      9, 10. O que é que torna ideais esses israelitas selados?

      9 O número desses israelitas selados certamente é ideal, quer dizer, doze vezes doze mil, ou seja, cento e quarenta e quatro mil, número perfeitamente equilibrado. Mas, o que os torna um “Israel ideal” não é inteiramente seu número, porém, antes, suas qualidades morais e religiosas. João escreveu, num comentário inspirado sobre estas qualidades:

      10 “E eu vi, e eis o Cordeiro em pé no Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas. E ouvi um som vindo do céu, como o som de muitas águas e como o som de forte trovão; e o som que eu ouvi era como de cantores ao acompanhamento de harpas, tocando as suas harpas E estão cantando como que um novo cântico diante do trono e diante das quatro criaturas viventes e das pessoas mais maduras; e ninguém podia aprender esse cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. Estes são os que não se poluíram com mulheres; de fato, são virgens. Estes são os que estão seguindo o Cordeiro para onde quer que ele vá. Estes foram comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro, e não se achou falsidade na sua boca; não têm mácula.” — Revelação 14:1-5.

      11. (a) Que espécie de israelitas são e que espécie de circuncisão receberam? (b) Quando se tornou o próprio Jesus Cristo um israelita espiritual?

      11 Esses são israelitas espirituais, que fizeram o que o profeta Moisés disse que a antiga nação de Israel devia fazer: “Tendes de circuncidar o prepúcio dos vossos corações e não deveis mais endurecer a vossa cerviz.” Também: “Jeová, teu Deus, terá de circuncidar teu coração e o coração da tua descendência, para que ames a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, no interesse da tua vida.” (Deuteronômio 10:16; 30:6) Mesmo que alguns destes israelitas espirituais fossem judeus naturais, teriam de ter a circuncisão do coração e ser judeus no íntimo, iguais aos demais do Israel espiritual. (Romanos 2:28, 29) Até mesmo aquele a quem seguem, “o Cordeiro”, Jesus Cristo, tornou-se israelita espiritual, quando foi ungido pelo espírito de Deus logo depois de ser batizado por João Batista no rio Jordão. — Mateus 3:13-17.

      12, 13. (a) Como identifica Revelação 21:2, 9-14, o “Israel ideal” com “a esposa do Cordeiro”? (b) De que modo são as “pedras de alicerce” desta cidade celestial significativas na identificação do “Israel ideal”?

      12 Que o “Israel ideal”, na realidade, é o Israel espiritual é ilustrado adicionalmente em Revelação 21:2, 9-14. Ali, as doze tribos de Israel, compostas dos 144.000 selados “escravos de nosso Deus”, são comparadas à Nova Jerusalém, “a noiva, a esposa do Cordeiro”. A respeito desta Nova Jerusalém celestial, espiritual, está escrito: “Mostrou-me a cidade santa de Jerusalém descendo do céu, da parte de Deus, e tendo a glória de Deus Seu resplendor era semelhante a uma pedra mui preciosa’ como pedra de jaspe, brilhando como cristal. Tinha uma grande e alta muralha, e tinha doze portões, e, junto aos portões, doze anjos, e havia nomes inscritos, os quais são os das doze tribos dos filhos de Israel. Ao leste havia três portões, e ao norte havia três portões, e ao sul havia três portões, e ao oeste havia três portões. A muralha da cidade tinha também doze pedras de alicerce, e sobre elas os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.”

      13 o Israel carnal, natural, foi fundado nos doze filhos do patriarca Jacó mas é o Israel espiritual, o Israel cristão, que é fundado nos doze apóstolos do Cordeiro Jesus Cristo. (Efésios 2:20) Assim, sem qualquer dúvida, é este Israel espiritual que é o “Israel ideal”. Mas, isso de modo algum prova que seja o “servo” descrito no Isa. capítulo 53 da profecia de Isaías.

      IDENTIFICAÇÃO INSPIRADA DE “MEU SERVO”

      14. A que fonte recorremos para a identificação certa daquele a quem Deus chama de “meu servo”?

      14 Assim, pois, exatamente quem é aquele a quem Deus chama de “meu servo”, não só em Isaías 52:13, mas também em Isaías 53:11? Em vez de aceitarmos as opiniões de homens tais como o Dr. I. W. Slotki, de 1949 E. C., e o orientalista alemão Ernst F. K. Rosenmüller, de 1820 E. C., não ficamos na incerteza ao aceitarmos a identificação de “meu servo” conforme fornecida nas Escrituras Sagradas, inspiradas. Esta interpretação das palavras de Deus, “meu servo”, foi dada a um prosélito judaico, um etíope, que havia subido à Jerusalém do primeiro século E. C. para adorar ali no templo. O relato inspirado sobre o incidente reza:

      15, 16. Com respeito à profecia de Isaías, que palestra ocorreu entre Filipe e um eunuco etíope?

      15 “O anjo de Jeová falou a Filipe, dizendo: ‘Levanta-te e vai para o sul, à estrada que desce de Jerusalém para Gaza.’ (Esta é a estrada do deserto.) Em vista disso, levantou-se e foi, e eis um eunuco etíope, homem de poder sob Candace, rainha dos etíopes, que estava sobre todo o tesouro dela. Tinha ido a Jerusalém para adorar, mas regressava e estava sentado no seu carro, e lia em voz alta o profeta Isaías. De modo que o espírito disse a Filipe: ‘Aproxima-te e junta-te a este carro.’ Filipe correu ao lado dele e ouviu-o lendo em voz alta Isaías, o profeta, e disse: ‘Sabes realmente o que estás lendo?’ Ele disse: ‘Realmente, como é que eu posso, a menos que alguém me guie?’ E suplicou que Filipe subisse e se assentasse com ele. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo em voz alta era: ‘Como ovelha ele foi levado à matança e como cordeiro que está sem voz diante do seu tosquiador, assim não abre a sua boca. Durante a sua humilhação foi-lhe tirado o julgamento. Quem contará os pormenores de sua geração? Porque a sua vida lhe é tirada da terra.’

      16 “Em resposta, o eunuco disse a Filipe: ‘Rogo-te: A respeito de quem diz isso o profeta? A respeito de si mesmo ou a respeito de outro homem?’ Filipe abriu a sua boca e, principiando com esta escritura, declarou-lhe as boas novas a respeito de Jesus. Então, ao avançarem pela estrada, chegaram a certo corpo de água, e o eunuco disse: ‘Eis um corpo de água! O que me impede ser batizado?’ Com isso mandou o carro parar, e ambos desceram à água, tanto Filipe como o eunuco; e ele o batizou. Tendo eles saído da água, o espírito de Jeová conduziu Filipe rapidamente dali, e o eunuco não o viu mais, pois seguiu caminho, alegrando-se. Mas Filipe achou-se em Asdode, e, passando pelo território, declarava as boas novas a todas as cidades, até chegar a Cesaréia.” — Atos 8:26-40.

      17. (a) Que parte da profecia de Isaías lia o eunuco etíope? (b) Como chegou a saber a identificação do “servo” mencionado naquela profecia?

      17 A passagem das Escrituras, que o eunuco etíope lia em voz alta, é hoje numerada como sendo o capítulo cinqüenta e três de Isaías, versículos sete e oito. Tem referência àquele a quem Deus chama de “meu servo”, em Isaías 52:13 e 53:11. Os judeus no templo em Jerusalém não haviam indicado a este etíope convertido ao judaísmo exatamente quem era tal “servo”. Então, quem estava biblicamente habilitado para identificar esse “servo” ao eunuco etíope, lá por volta de 34 E. C., e para nós hoje? Certamente, era Filipe, o “evangelizador”, a quem o anjo de Jeová havia dirigido ao carro deste estudante etíope da Bíblia. E quem, disse este Filipe, que era o “servo”? Deve ter sido Jesus Cristo, pois, Atos 8:35 diz: “Principiando com esta escritura, [Filipe] declarou-lhe as boas novas a respeito de Jesus.” É verdade que este Jesus é Cabeça celestial do Israel espiritual, mas Filipe não aplicava a profecia de Isaías, a respeito do “servo” de Jeová, à congregação dos israelitas espirituais, mas aplicou-a apenas à Cabeça, Jesus Cristo. — Atos 21:8; Colossenses 1:18.

      18. Como somos ajudados pela identificação correta do “servo” mencionado nesta profecia?

      18 Filipe não foi o único a fazer esta aplicação da profecia. Outros escritores inspirados fizeram a mesma aplicação, conforme veremos. Com tal identificação correta deste “servo” específico de Jeová, podemos passar a examinar a profecia em pormenores. Isto nos ajudará a apreciar ainda mais o Messias com quem os políticos mundanos terão de lidar no futuro próximo

      19, 20. (a) Como indica a fraseologia de Isaías 52:13-15 que seu cumprimento afetaria os políticos do século vinte? (b) No primeiro século, como agiu Jesus “com perspicácia”, e desde quando passou a ter um “alto posto”?

      19 Se omitirmos a última parte do versículo quatorze, que está entre travessões, por se tratar dum pensamento e comentário parentético, a profecia começa por dizer: “Eis que meu servo agirá com perspicácia. Ele estará num alto posto, e certamente será elevado e muitíssimo exaltado. Ao ponto que muitos olharam para ele assombrados . . . a tal ponto surpreenderá muitas nações. Por causa dele, reis fecharão a sua boca, pois verão realmente aquilo que não se lhes narrou e terão de dar sua consideração àquilo que não ouviram.” — Isaías 52:13-15.

      20 Não parece isso como se o cumprimento desta profecia afetasse todos os políticos deste século vinte? Não pode haver dúvida sobre isso! É com um Messias transformado que as nações e seus governantes políticos terão de lidar no futuro próximo, um Messias diferente na sua posição e comissão daquele Messias com quem lidaram o Sinédrio judaico, as nações gentias, o Rei Herodes Ântipas e o Governador romano Pôncio Pilatos, no ano 33 E. C. Lá naquele tempo, Jesus, o Messias, agiu “com perspicácia” quanto às profecias bíblicas que se aplicavam a ele, para orientá-lo em fazer a vontade de Jeová Deus. Desde a sua ressurreição dentre os mortos e posterior ascensão ao céu, ele tem ocupado um “alto posto”. Tem sido “elevado e muitíssimo exaltado”? Em resposta, podemos tomar o que o apóstolo cristão Pedro disse a milhares de judeus, que celebravam o dia festivo de Pentecostes, dez dias depois de Pedro ter visto Jesus Cristo subir em direção ao céu:

      21, 22. Como mostram as Escrituras que Jesus, o Messias, foi “elevado e muitíssimo exaltado”?

      21 “Realmente, Davi não ascendeu aos céus, mas ele mesmo diz: ‘Jeová disse a meu Senhor: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.”’ Portanto, que toda a casa de Israel saiba com certeza que Deus o fez tanto Senhor como Cristo, a este Jesus, a quem pendurastes numa estaca.” — Atos 2:34-36.

      22 Anos depois, Pedro escreveu numa carta inspirada: “Ele está a direita de Deus, pois foi para o céu; e foram-lhe sujeitos anjos, e autoridades, e poderes.” (1 Pedro 3:22) Sobre quanto foi elevado e exaltado Jesus, o Messias, o apóstolo Paulo escreveu: “Humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura. Por esta mesma razão, também, Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, a fim de que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos no céu, e dos na terra, e dos debaixo do chão, e toda língua reconheça abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.” — Filipenses 2:8-11.

      23. Que atitude dos governantes políticos para com a exaltação de Jesus no céu seria um erro sério da parte deles?

      23 Que efeito deve tudo isso ter sobre a atitude dos políticos deste mundo? Ninguém deve pensar, nem por um instante, que a elevação e exaltação do “Servo” de Jeová, Jesus Cristo, a uma posição muito elevada, em cumprimento de Isaías 52:13, passaria sem efeito nas nações terrenas e seus governantes políticos! Os políticos não devem dar de. ombros e dizer: ‘Jesus Cristo foi exaltado ao céu, foi? E daí?’ Não devem adotar a atitude de: ‘Agora que está no céu, ele está fora de nosso caminho. E que ele cuide lá das coisas no céu, enquanto nós cuidaremos das coisas aqui na terra; esta é nossa responsabilidade. Não vamos mais escutá-lo sobre como governamos a terra!’

      24. Como indica o direito governamental, que Jesus tinha por ocasião de sua ascensão novamente ao céu, que sua exaltação terá conseqüências sérias para os governantes políticos?

      24 Tal atitude política baseia-se em premissas absolutamente erradas. A grande elevação e exaltação do “Servo” de Jeová terá as conseqüências mais sérias para eles e sua continuação em cargos terrenos. Devem lembrar-se de que, quando Jesus Cristo subiu de volta para Jeová Deus, no céu, fez isso ainda de posse do direito e da prerrogativa do governo régio do Rei Davi sobre toda a terra da Palestina, prometida aos seus antepassados Abraão, Isaque e Jacó. — Lucas 1:31-33; 2 Samuel 7:11-16; 1 Crônicas 17:10-14; Lucas 22:29, 30; Salmo 89:27-37.

      25. Como indica o efeito do sacrifício de resgate de Jesus que os políticos terão de prestar contas a Jesus Cristo pelo modo que governam?

      25 Além disso, ascendeu na posse firme do valor de seu sacrifício humano, por meio do qual podia comprar toda a família humana descendente de Adão e Eva. (1 Timóteo 2:5, 6) Ao apresentar o mérito de seu sacrifício resgatador a Deus, no céu, comprou de volta a família humana, que havia sido vendida sob o pecado, a condenação e sua penalidade, a morte. (Hebreus 9:24-28; Mateus 20:28) Por conseguinte, o povo comum, governado por todos os políticos, pertence ao “Servo” de Jeová, Jesus Cristo, por direito de compra, e os políticos terão de prestar contas a ele quanto a como governam.

      26. Durante que período fixado por Deus tiveram os governantes políticos das nações gentias permissão de exercer o domínio sobre a terra, mas desde quando estão os governos humanos no seu “tempo do fim”?

      26 Especialmente hoje, neste período crítico da história humana, não nos esqueçamos, nem façamos pouco caso de que Jesus Cristo, Descendente régio de Davi, tem certos direitos legais inalienáveis com respeito a esta terra. Estes não seriam deixados de lado para sempre, sem serem assumidos. Os governos nacionais e seus governantes políticos receberiam a concessão de apenas um período fixo e limitado, durante o qual poderiam exercer o controle político sobre a terra. Jeová Deus fixou um “tempo do fim” para os governos dos homens e seus reis, imperadores, presidentes, xás, xeques e outros governantes. Os 2.520 anos que passaram a contar desde a primeira desolação de Jerusalém, em 607 A. E. C., e que são chamados de “tempos dos gentios”, esgotaram-se no outono setentrional de 1914 E. C. Desde aquela data, os governos do homem, na terra, estão no seu “tempo do fim”. Seu fim já está agora à vista. — Lucas 21:24; Daniel 12:4.

      27. (a) O que chegou no outono de 1914 E. C. para o “Servo” de Deus, Jesus Cristo? (b) Que ação predita no Salmo 2:8, 9, devia então acontecer?

      27 Em contraste com isso, o tempo de espera à mão direita de Deus, no céu, terminou para o “Servo” Jesus Cristo naquele outono de 1914 E. C. (Salmo 110:1, 2; Hebreus 10:12, 13) Para ele, o ano de 1914 marcou o início dum ‘tempo de começo’ no exercício ativo de seus direitos régios. Daí, exatamente em tempo, nasceu nos céus o reino messiânico de Deus, alto demais para ser pisado pelos pés dos gentios, em desafio a Deus. (Revelação 12:1-5; Lucas 21:24; Ezequiel 21:25-27) Chegou então o tempo para o recém-entronizado Rei, Jesus, o Messias, agir em harmonia com o convite profético contido no Salmo 2:8, 9: “Pede-me, para que eu te dê nações por tua herança e os confins da terra por tua propriedade. Tu as quebrantarás com um cetro de ferro, espatifá-las-ás como se fossem um vaso de oleiro.” — Revelação 2:27; 12:5; Daniel 2:44.

      ASSOMBRO DOS POLÍTICOS

      28. Quando ocorrer o confronto final entre Jesus Cristo e todos os políticos da terra, por que ‘olharão para ele assombrados’?

      28 À luz destas declarações proféticas de Jeová a respeito de seu “Servo”, será deveras um Messias transformado com quem todos os políticos da terra terão de lidar no futuro próximo. A transformação será tão grande, que os deixará assombrados. Dentro em breve, quando vier o confronto final deles com ele, ‘olharão para ele assombrados’. Não que o vejam literalmente, com olho nu, mas verão a evidência visível de seu poder como Combatente a favor de Jeová Deus e saberão que estas evidências procedem deste Messias elevado e exaltado. Isto será bem diferente do modo em que os clérigos da cristandade apresentaram Jesus Cristo.

      29, 30. (a) Como apresentaram os clérigos da cristandade Jesus Cristo aos elementos políticos do mundo? (b) Conforme predito em Isaías 52:14, como houve uma “desfiguração” do Messias pelo que aconteceu até mesmo no primeiro século?

      29 Com os seus crucifixos e suas Missas, os clérigos da cristandade fizeram com que o elemento político do mundo encarasse Jesus Cristo como figura lastimável. Afirmam que, quando subiu ao céu, tomou consigo até mesmo seu corpo humano com que foi pregado na estaca, levando ainda os arranhões da coroa de espinhos na testa e os sangrentos furos dos pregos nas mãos e nos pés, bem como a ferida da lança no lado. É verdade que Jesus Cristo sofreu uma morte extremamente dolorosa e vergonhosa, por certos motivos. Mas antes disso, foi desacreditado, muito difamado, acusado de ser violador da lei, violador do sábado, louco, possesso de demônio, blasfemador, falso Cristo, enganador, ameaça para a nação judaica e sedicioso contra a Roma pagã. Certamente, sua reputação foi desvirtuada e a imagem que os falsos acusadores pintaram dele era inteiramente desfigurada; e é neste sentido especial que se deve entender Isaías 52:14:

      30 “Tanta foi a desfiguração quanto à sua aparência, mais do que a de qualquer outro homem, e quanto a sua figura imponente, mais do que a dos filhos da humanidade.”

      31, 32. (a) De que modo é Jesus Cristo hoje diferente de quando era homem na terra? (b) Como se cumprirá Isaías 52:15 em breve nos políticos?

      31 O descrédito, a difamação e deturpação de Jesus Cristo in absentia tem continuado até o dia de hoje. Mas, atualmente, dezenove séculos mais tarde, ele não é mais o “menino Jesus” (bambino Gesú); não é mais ‘Servo sofredor’ na terra, sem resistir aos seus inimigos maliciosos. Ele é agora o “Servo” elevado e exaltado, o Messias acreditado de Deus. Não importa o que os políticos, sob a má orientação de seus clérigos religiosos, tenham dito contra o “Servo” de Jeová e em desafio a ele, deixarão de ser tão ruidosos em dizer palavras de desprezo, quando se confrontarem com o antigamente humilhado “servo”, no vindouro confronto de poder por causa da questão: Quem governará a terra? Pois, os políticos verão, então, realmente a exibição daquilo que seus clérigos religiosos não lhes contaram; ver-se-ão obrigados a dar consideração ao que não ouviram falar em advertência, de seus altamente respeitados líderes religiosos. Conforme diz Isaías 52:15:

      32 “A tal ponto surpreenderá muitas nações. Por causa dele, reis fecharão a sua boca, pois verão realmente aquilo que não se lhes narrou e terão de dar sua consideração àquilo que não ouviram.”

      33. Visto que as testemunhas cristãs de Jeová têm narrado publicamente a verdade a respeito de Jesus, o Messias, por que é que os políticos não ouviram e por isso olham para ele espantados?

      33 Não é que as fiéis testemunhas cristãs de Jeová não tenham narrado tais coisas às nações e seus reis, tentando fazer com que as nações e seus governantes políticos dessem consideração a tais coisas. Mas estes, na maior parte, fizeram-se surdos e cegos para com aquilo que tais seguidores fiéis do “Servo” de Jeová têm proclamado em todo o mundo e têm esboçado em linguagem descritiva. Ao contrário, é dos clérigos assalariados que as nações e seus governantes políticos não ouviram narrar os fatos reais sobre como o “Servo” de Jeová na realidade guerreará contra eles, na execução dos julgamentos de Jeová. São os líderes religiosos assalariados que mantiveram as nações e os reis cegos para com o que os aguarda quando Jeová, por meio de seu “Servo”, agir contra eles para decidir a questão: Quem governará a terra e o povo sobre ela? Por isso, forçosamente ‘olharão para ele assombrados’ e “fecharão a sua boca”, ao se confrontarem com algo inteiramente diferente daquilo que esperavam.

      34. Que aviso dá o segundo Salmo aos governantes políticos, mas por que deixaram de agir em harmonia com ele?

      34 Neste “tempo do fim”, desde 1914 E. C., não foram os clérigos da cristandade que Jeová Deus usou para transmitir o seguinte aviso: “E agora, ó reis, usai de perspicácia; deixai-vos corrigir, ó juízes da terra. Servi a Jeová com temor e jubilai com tremor. Beijai ao filho, para que Ele não se ire e não pereçais no caminho, pois a sua ira se acende facilmente. Felizes todos os que se refugiam nele.” (Salmo 2:7, 10-12) Por dependerem de seus clérigos assalariados, os governantes políticos do povo judeu e os governantes políticos da cristandade não ‘beijaram o Filho’. Quer dizer, não expressaram nenhuma afeição pelo ‘Servo’ de Jeová, seu Filho celestial, Jesus, o Messias, a quem Ele assentou no Monte Sião celestial e a quem deu ‘nações por herança e os confins da terra por propriedade’.

      35. (a) Por meio de quem transmitiu Jeová este aviso inspirado aos governantes e juízes? (b) Visto que essas próprias testemunhas ‘beijam o filho’, como são consideradas pelos homens, e qual é sua situação perante Deus?

      35 Foram as Suas testemunhas cristãs por meio de quem Jeová transmitiu este aviso aos governantes políticos e aos juízes dos tribunais. Estas próprias testemunhas ‘beijam o filho’, e por causa disso tornaram-se pessoas odiadas por todas as nações, e houve desfiguração de sua aparência aos olhos de pessoas mal informadas. (Mateus 24:9) Jeová não ficará irado com suas testemunhas fiéis e obedientes, nem se acenderá a sua ira contra elas, de modo que pereçam no meio de seu proceder. Ele não se voltará contra os que se refugiam Nele, e, por isso, Suas testemunhas são hoje as pessoas mais felizes na terra, apesar do ódio do mundo e da desfiguração maliciosa de sua reputação. Observam agora com crescente interesse para ver como os “reis” ou governantes políticos das nações olharão assombrados e fecharão a boca diante da manifestação espantosa do transformado Messias, o “Servo” exaltado de Jeová.

  • A transformação do “servo” messiânico
    Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial!
    • Capítulo 4

      A transformação do “servo” messiânico

      1. Como reagirão os reis da atual geração diante da demonstração de poder do “Servo” messiânico de Jeová?

      OS REIS da atual geração da humanidade ‘olharão assombrados’ para a vindoura demonstração apresentada pelo “Servo” messiânico, de sua posição mudada na organização de Deus. Fecharão a boca em silêncio, ao darem consideração à demonstração atemorizante, que confirmará a transformação do “Servo”, de Jeová, o Messias. — Isaías 52:13-15.

      2. Por que é que a transformação do “Servo” messiânico não constitui boas novas nem para os “reis” das nações, nem para a maioria dos outros habitantes da terra?

      2 A transformação do “Servo” messiânico é da mais alta importância; do contrário, Jeová não teria chamado atenção especial para ela, por meio de seu profeta Isaías, no oitavo século antes de nossa Era Comum. Estas deviam ser realmente boas novas para todos na terra. Mas não as são para os “reis” das nações. Para estes governantes políticos, o caso é de se apegarem ao seu poder político, ou de serem desalojados pelo reino celestial do “Servo” exaltado de Jeová, Jesus, o Messias. Não gostam da idéia de serem desalojados por um governo melhor para todo o povo. Não é de estranhar, pois, que a transformação do antes auto-sacrificado “Servo” de Jeová no Seu servidor mais elevado no universo, não sejam boas novas para eles! Quanto a isso, para quem, dentre os quatro bilhões de habitantes da terra, atualmente, é isso algo a ser crido como boas novas? Quem dentre todos esses bilhões tem fé nestas notícias espantosas, que hoje são proclamadas em todo o mundo pelas testemunhas cristãs de Jeová?

      3. De fato, lá quando foi registrada a profecia de Isaías, que pergunta foi suscitada?

      3 A questão quanto a se ter fé nesta notícia surpreendente foi suscitada já no oitavo século A. E. C., quando Jeová inspirou Isaías a predizer a mudança maravilhosa na condição do “Servo”. Por isso, logo depois de falar sobre a transformação milagrosa na condição do “Servo”, o profeta Isaías passa a levantar a questão: “Quem depositou fé na coisa ouvida por nós? E quanto ao braço de Jeová, a quem foi revelado?” — Isaías 53:1.

      4, 5. No primeiro século E. C., que pergunta surgiu sobre a profecia de Isaías, e por quê?

      4 Lá no oitavo século antes de nossa Era Comum, a questão era: É verídica a informação dada a Isaías e relatada por ele à nação de Israel? Ocorreria mesmo a enorme transformação com respeito ao “Servo” de Jeová? Revelar-se-ia o “braço de Jeová”, seu enorme poder para realizar coisas, tornando veraz a informação divulgada? Mais de setecentos e sessenta anos depois, suscitou-se a questão: Mostrou-se veraz a informação transmitida por Isaías? Podia-se divulgar seu cumprimento a todos como fato realizado pelo invencível “braço de Jeová”? Revelou-se Seu “braço” a todos os que têm olhos para ver?

      5 Suscitou-se assim no primeiro século E. C. a questão sobre tudo isso, por causa da controvérsia sobre Jesus Cristo, Descendente de Abraão e de Davi. Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu sobre o assunto e mostrou que a informação ouvida por Isaías se cumprira em Jesus Cristo, como o “Servo” mencionado em Isaías 52:13 e 53:11. A glorificação de Jesus Cristo, no céu, depois de seus sofrimentos extraordinários como homem na terra, eram boas novas, Boa-Nova, Evangelho. “Não obstante”, escreveu o apóstolo Paulo com referência especial ao seu próprio povo, “nem todos obedeceram às boas novas. Pois Isaías diz: ‘Jeová, quem depositou fé na coisa ouvida [de] nós?’ De modo que a fé segue à coisa ouvida. Por sua vez, a coisa ouvida vem por intermédio da palavra acerca de Cristo.” — Romanos 10:16, 17.

      6. Apesar de que fatos é verdade mesmo hoje que “nem todos obedeceram às boas novas”?

      6 Algo similar pode-se dizer hoje. “Nem todos obedeceram às boas novas.” Isto se dá mesmo depois de as testemunhas cristãs de Jeová terem gasto mais de sessenta anos na proclamação de que os “tempos dos gentios” terminaram no outono (setentrional) de 1914 E. C., em plena primeira guerra mundial, e que o “Servo” de Jeová recebeu então um novo enaltecimento, por ser exaltado ao trono do reino messiânico. (Hebreus 10:12, 13; Salmo 110:1, 2; Lucas 21:24; Revelação 12:5-10) A evidência sobrepujante que se acumulou desde 1914 E. C., em prova deste glorioso fato, foi indicada por essas Testemunhas de Jeová. As boas novas sobre o reino messiânico do “Servo” de Jeová são melhores notícias hoje do que eram há dezenove séculos atrás, nos tempos apostólicos. Em vista da relativamente pequena proporção da população do mundo, que depositou fé na “coisa ouvida [de] nós” ou proclamada por nós, pode-se dizer verazmente: “Nem todos obedeceram às boas novas.” Isto explica o estado lamentável do mundo da humanidade hoje em dia.

      COMEÇO SEM PERSPECTIVAS PROMISSORAS

      7, 8. (a) Para cumprir a profecia inspirada de Isaías, aonde enviou Jeová seu Filho? (b) Como descreve Isaías 53:2 a espécie de começo que teria o Filho de Deus como homem?

      7 O que o profeta Isaías passa a contar-nos então, no capítulo cinqüenta e três, depois de fazer as perguntas iniciais, exigia que o “Servo” de Jeová estivesse por um tempo aqui, na terra. Jeová sabia disso, e, no seu tempo devido, enviou seu Filho mais fidedigno desde o céu, para nascer na nossa raça e tornar-se criatura humana, homem, filho duma mulher. Mais do que isso, Jeová deu a este Filho transferido um começo de aparência tão humilde e pobre, que não parecia provável que chegasse a ser alguma coisa, e que a luminosa profecia sobre o “Servo” de Jeová se cumprisse nele. De modo que Isaías explica o motivo de suas perguntas iniciais, por dizer a seguir:

      8 “E ele subirá qual rebento perante alguém [um observador] e como raiz dentre uma terra árida. Não tem nenhuma figura imponente, nem qualquer esplendor; e vendo-o nós, não há aparência, de modo que o desejássemos.” — Isaías 53:2.

      9. Como se deu que o começo que Jesus recebeu como homem foi humilde?

      9 Surge como “rebento”, muda ou renovo, sim, como “raiz” dependente de água em solo seco, árido e crestado. Imagine só! Não seria uma grande humilhação para o “Servo” de Jeová receber tal começo fraco na terra, como homem? Contudo, foi assim que se deu com o começo terrestre de Jesus Cristo. Sem considerar se havia famílias de destaque, muito estimadas, lá no ano 2 A. E. C., com ligações régias com o Rei Davi, Jesus foi dado à luz por uma virgem judia que passou a estar casada com um humilde carpinteiro, na cidade obscura de Nazaré, na Galiléia. Quando Maria deu à luz seu filho primogênito, Jesus, ela estava num estábulo em Belém e deitou o filho recém-nascido numa manjedoura. Sendo visitantes em Belém, encontraram a cidade tão apinhada de gente, que se registravam ali segundo o decreto de César, que não havia para eles nem mesmo lugar num albergue.

      10. Como aconteceu que Jesus cresceu em Nazaré, e que efeito teve isso sobre a atitude das pessoas para com ele?

      10 Depois de Maria e seu marido carpinteiro, José, se terem fixado numa casa em Belém, tiveram de fugir para preservar a vida de Jesus contra as ordens do Rei Herodes, o Grande, de que os soldados matassem todos os meninos de dois anos ou menos de idade, em Belém. Depois de voltarem da terra de refúgio, o Egito, não voltaram à sua cidade natal de Belém, mas fixaram-se na pouco estimada cidade Galiléia de Nazaré. Jesus cresceu ali e tornou-se carpinteiro igual ao seu Pai adotivo, José. Portanto, era natural que, quando mais tarde se relatou que Jesus era daquela cidade, certo buscador do Messias perguntasse: “Pode sair algo bom de Nazaré?” Numa disputa também se fez a pergunta: “Será que o Cristo vem realmente da Galiléia?” e lançou-se o desafio: “Pesquisa e vê que nenhum profeta há de ser levantado da Galiléia.” — João 1:46; 7:41, 52.

      11. Como se mostrou veraz que o “Servo” de Jeová, Jesus Cristo, não tinha “figura imponente”, nem “esplendor”?

      11 De modo que Jesus não parecia ter suas raízes terrenas no solo certo, no que se referia à localidade. Embora nascesse como varão perfeito, pela operação milagrosa do espírito de Deus, a humildade de sua relação com a família real de Davi não lhe dava nenhuma “figura imponente” aos olhos daqueles que procuravam um Messias majestoso, com formação muito impressionante, segundo as normas do mundo. Tampouco tinha Jesus qualquer “esplendor” externo, quanto a apresentar-se em grande estilo, a fim de magnificar suas relações régias e sua reivindicação legítima do trono de Davi, em Jerusalém. Jesus sabia que era o “Servo” de Jeová, enviado desde o céu, e que fora feito temporariamente “um pouco menor que os semelhantes a Deus”, “um pouco menor que os anjos”, e que, depois de sua volta ao céu, seria o tempo para Deus cumprir o Salmo 8:5 e coroá-lo de “glória e honra” e sujeitar-lhe “a vindoura terra habitada”. — Hebreus 2:5-9.

      12. (a) O que indica que não foi a aparência física de Jesus que o tornou incomum? (b) Então, o que havia na sua “aparência” que fez com que os líderes religiosos, judaicos, não o desejassem?

      12 As Escrituras Sagradas não nos fornecem nenhuma descrição inspirada a respeito da aparência física, perfeita, de Jesus, mas, evidentemente, por si mesmo, podia passar por um homem comum. Assim podia subir a Jerusalém de modo incógnito, sem ser identificado na multidão. (João 7:9-13) Embora Jesus Cristo tivesse boa aparência, contudo, foi o que ele representava e o que pregava e ensinava que lhe deu uma aparência diferente aos olhos do povo. A opinião pública a respeito dele estava dividida: “Havia muitos cochichos sobre ele entre as multidões. Alguns diziam: ‘Ele é um homem bom.’ Outros diziam: ‘Não é, mas desencaminha a multidão.’ Ninguém, naturalmente, falava dele publicamente, por causa do temor dos judeus.” E por que havia tal “temor dos judeus”? Porque a multidão sabia que Jesus era homem procurado: “Os judeus buscavam matá-lo.” (João 7:1, 12, 13) Sim, para os líderes religiosos, judaicos, na antiga Jerusalém, não havia “aparência, de modo que o desejássemos”, quer dizer, que desejassem a Jesus, o Messias.

      13. (a) Como foi que os líderes religiosos, judaicos, do primeiro século, tornaram Jesus muito repelente tanto para judeus como para gentios? (b) Qual era seu objetivo?

      13 No primeiro século E. C., os líderes religiosos, judaicos, que praticavam o judaísmo daqueles dias, eram os que controlavam o pensamento religioso das massas. Faziam as pessoas encarar as coisas do modo em que eles mesmos as encaravam. Eram estes líderes religiosos que chamavam Jesus de beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores. (Mateus 11:19; Lucas 7:34; 19:1-7) Foram estes líderes religiosos que acusaram Jesus perante o Governador Pôncio Pilatos de ser blasfemador, falso Cristo e sedicioso contra o Império Romano, e também, mais tarde, como “impostor”. (Mateus 27:11-26, 62-64) Assim, Jesus foi feito o menos atraente possível aos olhos do público em geral, judeu e gentio. Os que dominavam a opinião pública não lhe concediam nenhum atrativo. O objetivo disso era apagar todo o desejo público por ele, como o verdadeiro Messias, o Descendente de Abraão e do Rei Davi. Apenas um pequeno restante judaico via o atrativo do verdadeiro Messias em Jesus.

      DEU-SE-LHE UMA APARÊNCIA REPELENTE

      14. Que descrição adicional deu Isaías 53:3 quanto a como seria tratado o “Servo” de Jeová?

      14 Até que ponto Jesus Cristo foi difamado entre seu próprio povo, segundo a carne, é descrito adicionalmente na profecia de Isaías, a respeito do “Servo” de Jeová: “Ele foi desprezado e evitado pelos homens, homem de dores e conhecedor de doença. E era como se se ocultasse de nós a face. Foi desprezado e não o tivemos em conta.” — Isaías 53:3.

      15, 16. Quem ‘desprezava’ e ‘evitava’ a Jesus, e por quê?

      15 Em harmonia com esta profecia a respeito do “Servo” de Jeová, por quem foi Jesus desprezado e evitado? O registro diz que, mesmo até a última semana de sua vida terrestre, o povo comum ouvia Jesus de bom grado: “E a grande multidão escutava-o com prazer.” (Marcos 12:37) Mas, numa reunião de fariseus e de principais sacerdotes, disse-se: “Será que um só dos governantes ou dos fariseus depositou fé nele? Mas esta multidão, que não sabe a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” (João 7:48, 49) Os líderes religiosos, justos aos seus próprios olhos, e os aderentes deles, eram os que desprezavam Jesus e o evitavam, exceto para virem e o atacarem verbalmente, ou tentarem apanhá-lo nas suas palavras, tendo assim com que acusá-lo, para promover seus próprios interesses. — Mateus 12:22-30; Marcos 12:13; Lucas 11:53, 54; 20:20-26.

      16 Sob tal influência religiosa, não era de se admirar que a maioria do próprio povo de Jesus ficasse induzido a desprezá-lo e a evitá-lo, bem como seus seguidores, como se ele fosse falso profeta, falso Messias, pseudocristo. Em resultado disso, veio a dar-se o declarado em João 1:10, 11: “Ele estava no mundo, e o mundo veio à existência por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio ao seu próprio lar, mas os seus não o acolheram.” Deu-se exatamente o que Jesus disse aos seus próprios concidadãos ali na sinagoga de Nazaré, na Galiléia: “Deveras, eu vos digo que nenhum profeta é aceito no seu próprio território.” (Lucas 4:24) Também: “Um profeta não passa sem honra a não ser no seu próprio território e em sua própria casa.” (Mateus 13:57; Marcos 6:4; João 4:43, 44) Mas, pense em quanto as pessoas perderam por desprezarem e evitarem o “Servo” de Deus!

      17. Visto que o próprio Jesus nunca ficou doente, de que modo mostrou ser “homem de dores e conhecedor de doença”?

      17 Como criatura humana, perfeita, nascido sem pecado e doença inerentes, Jesus nunca esteve nenhum dia doente, na sua vida terrestre. Contudo, Isaías 53:3 disse: “Foi . . . homem de dores e conhecedor de doença.” Mas, essas dores não eram suas próprias, tampouco a doença. Ele veio dum céu sadio, mas a um mundo doentio, cheio de dores e conhecedor de todas as espécies de doenças, até a morte. Veio como médico amoroso. Curou a muitos de suas doenças físicas e aliviou-lhes os sofrimentos do corpo. Mas, veio especialmente para aliviar as pessoas pecaminosas de seus males espirituais e aliviá-las de suas dores duma consciência que as condenava. Tampouco evitava os fisicamente doentes ou os espiritualmente enfermos. Quando se hospedou com o cobrador de impostos Zaqueu, de Jericó, e ajudou-o a recuperar a saúde espiritual, Jesus disse: “O Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” (Lucas 19:1-10) Quando foi criticado pelos escribas judaicos e fariseus por comer com cobradores de impostos e pecadores, que procuravam a cura espiritual, Jesus disse: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os que estão adoentados. Eu não vim chamar os que são justos, mas sim pecadores ao arrependimento.” (Lucas 5:27-32) No entanto, os principais sacerdotes e escribas judaicos, bem como os fariseus, encaravam Jesus como doente e enfermo, que precisava das ministrações religiosas deles.

      18. (a) Conforme mencionado em Isaías 53:3, a face de quem é ‘oculta’? (b) Uma comparação de traduções bíblicas indica, evidentemente, que quem é que ‘oculta’ a face?

      18 A profecia de Isaías 53:3 diz sobre o “Servo” de Jeová neste respeito: “Era como se se ocultasse de nós a face.” O que se ocultava era a face do “Servo”. Mas a pergunta é: Quem a ocultava? Era o “Servo” que ocultava a sua própria face, igual ao leproso, a quem a lei mosaica ordenava que ocultasse o rosto e clamasse: “Impuro!”? É assim que a tradução da Liga de Estudos Bíblicos verte esta passagem, dizendo: “Como alguém que esconde seu rosto.” Mas a versão do Pontifício Instituto Bíblico de Roma reza: “Como pessoa da qual se desvia o rosto.” Assim, o rosto de quem é ocultado? Será que o de aspecto feio escondia o seu próprio rosto? Ou somos nós os que escondemos o rosto dele? Então, este, de aspecto feio, saberia que nos recusamos a olhar para ele, em horror ou desprezo e desdém. Conforme o fraseia a versão do Centro Bíblico Católico de São Paulo (5.ª edição): “Como aqueles, diante dos quais cobrimos o rosto.” Ou, segundo a versão atualizada da tradução de João Ferreira de Almeida: “Como um de quem os homens escondem o rosto.” Naturalmente, nós mesmos podemos ocultar de nós a face daquele de aspecto feio por simplesmente virarmos a cabeça ou cobrirmos os olhos.

      19, 20. (a) Tinha Jesus algum motivo para ocultar seu rosto em embaraçamento? (b) Quem é que o ‘desprezou e não o teve em conta’, e como mostraram isso?

      19 Jesus Cristo, porém, não tinha nada de que se envergonhar ou pelo qual devia, embaraçado, ocultar o rosto de nós. Olhava as pessoas nos olhos. (Marcos 3:5; 10:21) Eram seus opositores e inimigos que se recusavam a olhar para ele com favor e reconhecê-lo como o predito “Servo”, o Messias de Deus. Conforme Isaías 53:3 prossegue dizendo: “Foi desprezado e não o tivemos em conta.” Não foi estimado como o Messias; não foi considerado como tendo o valor precioso do Messias. Foi classificado como não valendo mais do que um escravo negociável. (Êxodo 21:32) Trinta moedas de prata, o preço dum escravo em Israel, foi o pagamento que os principais sacerdotes de Jerusalém estipularam a Judas Iscariotes, por lhes trair seu Amo, Jesus Cristo. (Mateus 26:14-16; 27:3-10) Na profecia de Zacarias 11:12, 13, trinta moedas de prata são chamadas sarcasticamente de “valor majestoso”, com que se avaliava um pastor espiritual assim como Jesus Cristo era.

      20 Além disso, quando foi para fazer uma escolha perante o juiz provincial Pôncio Pilatos, os líderes religiosos deram a Jesus Cristo menos valor do que ao assaltante criminoso Barrabás. Clamaram ao Governador Pôncio Pilatos que lhes livrasse este assassino, no Dia da Páscoa, em vez de o “Servo” de Jeová, Jesus Cristo. (Mateus 27:15-26) A que extremo maior poderia ir-se para mostrar quanto Jesus Cristo era desprezado pelos que desejavam tirá-lo do caminho? Assim, na pessoa de Jesus Cristo, o “Servo” de Jeová ‘não foi tido em conta’.

      OS QUE CONFESSAM SUA RESPONSABILIDADE

      21, 22. (a) As pessoas de que nação são indicadas por Isaías como tendo a atitude errada para com o “Servo” de Jeová? (b) O que disse o apóstolo Pedro que “homens de Israel” tinham feito ao “Servo” de Jeová?

      21 Notamos a quem o inspirado profeta Isaías envolve em tudo isso? Ele não disse: ‘Foi desprezado e os gentios não o tiveram em conta.’ Não disse que houve ocultamento da face diante dos gentios, das nações não-judaicas. Isaías disse, sob inspiração, que se ocultava a face “de nós”, e que nós “não o tivemos em conta”. (Isaías 53:3) É ao seu próprio povo que Isaías envolve nesta atitude e proceder errados para com o “Servo” de Jeová. Isaías como que faz ali uma confissão pelo seu próprio povo, a nação de Israel. É por isso que o apóstolo Pedro, alguns dias depois da festividade de Pentecostes de 33 E. C., disse a uma multidão de adoradores no pórtico de Salomão, do templo em Jerusalém:

      22 “Homens de Israel, por que vos admirais disso [da cura milagrosa que Pedro e João acabavam de realizar], ou porque estais fitando os olhos em nós como se nós o tivéssemos feito andar [o homem curado] por intermédio de poder pessoal ou de devoção piedosa? O Deus de Abraão, e de Isaque, e de Jacó, o Deus de nossos antepassados, glorificou o seu Servo, Jesus, a quem vós, da vossa parte, entregastes e repudiastes na face de Pilatos, quando ele tinha decidido livrá-lo. Sim, vós repudiastes aquele santo e justo, e pedistes que um homem, um assassino, vos fosse concedido liberalmente, ao passo que matastes o Agente Principal da vida. Mas, Deus levantou-o dentre os mortos, fato de que somos testemunhas. Conseqüentemente, o seu nome, pela nossa fé no seu nome, tornou forte este homem que observais e conheceis, e a fé que é por intermédio dele tem dado ao homem esta saúde completa à vista de todos vós. E agora, irmãos, sei que agistes em ignorância, assim como também fizeram vossos governantes. Mas, deste modo Deus tem cumprido as coisas que ele anunciou de antemão por intermédio da boca de todos os profetas, que o seu Cristo havia de sofrer. Deus, depois de suscitar o seu Servo, enviou-o primeiro a vós, para vos abençoar, por desviar a cada um de vós das vossas ações iníquas.” — Atos 3:12-18, 26; Lucas 23:18-25.

      23. Como se juntaram os gentios aos judeus em mostrar que tinham Jesus em pouca conta?

      23 Naturalmente, é verdade que os gentios se juntaram aos judeus em mostrar em quão pouca conta tinham a Jesus. Lemos em Mateus 27:27-31: “Os soldados do governador levaram então Jesus para o palácio do governador e ajuntaram em volta dele todo o corpo de tropa. E, tendo-o despido, puseram sobre ele um manto escarlate, e trançaram uma coroa de espinhos e a puseram na cabeça dele, e puseram uma cana na sua direita. E, ajoelhando-se diante dele, divertiam-se às custas dele, dizendo: ‘Bom dia, ó Rei dos judeus!’ E, cuspindo nele, tomaram a cana e começaram a bater-lhe na cabeça. Por fim, tendo-se divertido às custas dele, tiraram o manto e puseram nele sua roupagem exterior, e o levaram para ser pendurado numa estaca.”

      24, 25. (a) Mas, a liderança de quem seguiam os gentios neste respeito? (b) Como já fora Jesus tratado perante o Sinédrio judaico?

      24 No entanto, aqueles gentios apenas seguiam a liderança que lhes fora provida pelos líderes religiosos, judaicos. Segundo Mateus 26:63-68, depois de Jesus se negar a responder às acusações levantadas contra ele por muitas testemunhas, perante o Sinédrio judaico de Jerusalém, presidido pelo sumo sacerdote, aconteceu o seguinte:

      25 “O sumo sacerdote disse-lhe, por isso: ‘Pelo Deus vivente, eu te ponho sob juramento para nos dizeres se tu és o Cristo, o Filho de Deus!’ Jesus disse-lhe: ‘Tu mesmo o disseste. Contudo, eu vos digo: Doravante vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo nas nuvens do céu.’ O sumo sacerdote rasgou então a sua roupagem exterior, dizendo: ‘Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vede! Agora ouvistes a blasfêmia. Qual é a vossa opinião?’ Eles deram a resposta: ‘Está sujeito à morte.’ Cuspiram-lhe então no rosto e o esmurraram. Outros o esbofetearam, dizendo: ‘Profetiza-nos, ó Cristo. Quem te golpeou?’”

      26. Quem iniciou a ação que levou Jesus a julgamento perante o governador romano?

      26 Depois daquela sessão noturna do Sinédrio de Jerusalém, houve de madrugada uma reunião dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo, para se consultarem sobre a maneira de eliminar Jesus, a quem o Sinédrio havia condenado à morte como blasfemador. Não foi por qualquer exigência da autoridade gentia, do governador romano Pôncio Pilatos, mas de sua própria iniciativa que decidiram entregar Jesus a Pilatos e a levantar acusações políticas contra ele. — Mateus 27:1, 2.

      27. Portanto, segundo os fatos, às mãos de quem sofreu o Messias todos estes maus tratos?

      27 Ninguém pode corretamente negar que Isaías era judeu natural, circunciso. Na sua profecia inspirada, ele não desculpa seu próprio povo, nem prediz que seu próprio povo estaria livre da culpa relacionada com os maus tratos infligidos ao “Servo” sofredor de Jeová. Como um dos do seu próprio povo, Isaías usa o pronome “nós” e a primeira pessoa do plural em predizer as indignidades lançadas sobre este “Servo”. Era ao povo de Isaías que este notável “Servo” de Jeová havia de ser enviado, e os fatos da história provam que este “Servo”, o Messias, veio ao povo de Isaías no tempo devido de Jeová. O profeta Isaías predisse como iriam tratar tal “Servo” messiânico. E os fatos históricos mostram que os gentios também ficaram envolvidos. Havia um motivo vital para isso, conforme revela a própria profecia de Isaías.

      28. Por que era necessário que Jesus Cristo passasse por todo este sofrimento e desgraça?

      28 Aqui parece impor-se a nós a pergunta: Por que sujeitaria Jeová este notável “Servo” seu a todo esse sofrimento e desgraça? Sem dúvida, era para demonstrar uma coisa. Era preciso resolver uma questão, que exigia que o Deus Todo-poderoso permitisse todo esse sofrimento. Em primeiro lugar, Jesus Cristo, enviado na qualidade do predito “Servo”, provou que podia suportar todo este sofrimento e indignidade, mesmo até uma morte dolorosa e ignominiosa numa estaca de execução. Provou que podia ser completamente submisso a Jeová Deus, em todo este sofrimento, sem lamuriar em queixa. Em tudo isso, manteve a sua perfeita inocência, em lealdade e fidelidade imaculadas ao Soberano Senhor Jeová Deus. Ora, este era o ponto a ser salientado. Era a questão predominante a ser resolvida por meio deste “Servo” de Jeová.

      29. (a) Quando se suscitara anteriormente a questão a respeito da submissão, lealdade e fidelidade dos servos de Jeová? (b) Por que se suscitou esta questão em conexão com Jó?

      29 Declarada em termos claros, a questão da submissão, devoção leal e fidelidade dos servos e adoradores de Jeová fora suscitada com relação ao homem Jó, não muito antes do nascimento do profeta Moisés no século dezesseis A. E. C. O que tornava esta questão tão séria, com aplicação universal, era que uma pessoa espiritual, celestial, o principal adversário de Jeová, Satanás, o Diabo, a havia suscitado. Jó não era hebreu, israelita ou judeu, mas era adorador devoto de Jeová, como único Deus vivente e verdadeiro. Satanás, o Diabo, tinha seus próprios seguidores no céu, os anjos demoníacos, e ele não gostava de ver Jeová apontar para este Jó, da terra de Uz, como caso exemplar de devoção sincera, reverente e de coração puro a Jeová. Satanás não tinha confiança na honestidade e no altruísmo da adoração de Jó a Jeová, nem nos de qualquer outra criatura inteligente em existência, quer no céu, quer na terra. Satanás queria demonstrar um caso notável. Por meio disso, queria provar que tinha razão em não ter confiança em que alguma criatura se apegasse a Jeová qual Deus e Soberano Universal, sem interesse egoísta.

      30. O que tentou Satanás provar com respeito a todos os servos de Jeová, no céu e na terra?

      30 Portanto, Satanás pôs-se a provar o erro da confiança de Jeová em Jó, e, por meio deste caso de prova, também o erro da confiança de Jeová em todos os outros servos e adoradores dele, no céu e na terra. Não se havia o próprio Satanás, o Diabo, rebelado contra a soberania universal de Jeová? Não tinha também consigo outros rebeldes, os anjos demoníacos? Ora, pensava ele, por que devia qualquer outra criatura ser diferente dele e de seus anjos demoníacos? Satanás pensava e argumentava, por isso, que todos os que ainda se mantinham sujeitos à soberania universal de Jeová haviam sido subornados por Ele. Se apenas tivesse permissão e oportunidade, provaria isto no caso deste homem Jó, classificado como inculpe na devoção a Jeová.

      31. (a) Onde foi que Satanás suscitou o desafio a respeito de Jó? (b) Como mostrou Jeová sua confiança no homem Jó?

      31 Na presença dos reunidos filhos celestiais de Deus, Satanás disse na face de Deus, a respeito do então próspero Jó: “Mas, ao invés disso, estende tua mão, por favor, e toca em tudo o que ele tem, e vê se não te amaldiçoará na tua própria face.” Tão forte era a confiança de Jeová no homem Jó, que Ele não tinha medo de deixar Jó ser provado assim, a fim de refutar o desafio de Satanás. O próprio Jeová não tocou nos vastos bens de Jó. Deixou que o maldoso Satanás fizesse isso e assim transformasse Jó de “maior de todos os orientais” no mais pobre de todos, privando-o até mesmo de seus sete filhos e três filhas. Rebelou-se Jó contra a soberania universal de Jeová sob a pressão desta extrema adversidade?

      32. O que mostram os fatos sobre se Jó se mostrou rebelde sob tal pressão?

      32 Não havia nem o mínimo indício de rebelião nas palavras de Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá [para o solo]. O próprio Jeová deu e o próprio Jeová tirou. Continue a ser abençoado o nome de Jeová.” E o historiador acrescenta o comentário: “Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus algo impróprio.” — Jó 1:1-22.

      33. Como foi Jó afligido adicionalmente quanto à sua saúde e no seu lar, e qual foi a sua reação?

      33 Sem se convencer a respeito de Jó, Satanás desafiou Jeová para submetê-lo a outra prova. Novamente, na presença dos reunidos filhos celestiais de Deus, Satanás, disse a Deus: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma. Ao invés disso, estende agora tua mão, por favor, e toca-lhe até o osso e a carne, e vê se não te amaldiçoará na tua própria face.” Jeová não recuou diante deste desafio, mas deixou que Satanás atingisse Jó com uma doença terrível e repugnante, da cabeça aos pés. A carne dele se decompôs. Perdendo toda esperança de que seu marido se restabelecesse, a esposa de Jó disse-lhe: “Ainda te aferras à tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!” Será que Jó violou então sua integridade exemplar e amaldiçoou o Soberano Universal às instigações de sua esposa, que havia perdido seus dez filhos de um só golpe? Não, porque o historiador registra: “Mas ele lhe disse: ‘Como fala uma das mulheres insensatas, também tu falas. [Devemos] aceitar apenas o que é bom da parte do verdadeiro Deus e não aceitar também o que é mau?’ Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.” — Jó 2:1-10.

      34. Que efeito tiveram sobre Jó os argumentos dos três pretensos consoladores?

      34 Com o decorrer do tempo, três pretensos consoladores vieram como amigos para visitar o mortalmente enfermo Jó. Vieram a ser consoladores lastimáveis. Um após outro, todos os três discutiram com Jó para convencê-lo de que era hipócrita religioso, assim como Satanás havia argumentado perante Deus. Insistiram no argumento de que Jó sempre havia sido pecador, e, por isso, Deus o punia. Jó negou isso corretamente. Recusou desistir da afirmação de sua integridade no passado e disse a estes acusadores: “É inconcebível da minha parte declarar-vos justos! Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade!” (Jó 27:5) Apesar da afirmação de Jó, de sempre ter sido homem íntegro até o tempo de sua doença, Jó não achava que Jeová exercia a Sua soberania universal de modo errado e opressivo. Jó não se rebelou contra Deus por deixá-lo sofrer assim perda, doença e acusações falsas, apesar de ter servido e adorado fielmente o Soberano Universal, Jeová.

      35. Qual foi o resultado do caso de prova envolvendo Jó, e como resultou em vindicação?

      35 Por conseguinte, Satanás não viu nem ouviu Jó amaldiçoar Deus na face. Perdeu este caso decisivo de prova. Mesmo no caso deste homem imperfeito, o desafio de Satanás a Deus mostrou não ter base. Satanás foi obrigado a retirar a mão de tocar nos ossos e na pele de Jó, e o Deus Todo-poderoso curou a Jó. A carne dele tornou-se mais nova do que a dum jovem. (Jó 33:25) Ficou tão rejuvenescido, que se tornou pai de mais dez filhos, sendo sete filhos e três filhas. Ficou também duas vezes mais rico do que antes. Acrescentaram-se-lhe cento e quarenta anos à sua vida e ele viu seus bisnetos. (Jó 42:10-17) Naturalmente, isto foi uma vindicação de Jó como homem de integridade inquebrantável para com o Soberano Universal, Jeová Deus. Sim, mas foi especialmente uma vindicação do próprio Jeová, como Soberano Universal. Ele ocupa legitimamente tal posição. Exerce sua soberania de modo tal, que até mesmo criaturas humanas na terra podem ver a justeza dela e apegar-se a ela inseparavelmente, apesar de sofrimentos.

      36. (a) Quando e como foi suscitada pela primeira vez a questão da soberania universal? (b) Que alcance tinha a questão envolvendo a integridade das criaturas de Deus?

      36 No entanto, a questão não se resolveu com Jó. Nem era uma questão nova, que surgiu pela primeira vez nos dias de Jó. Naquele tempo, já tinha mais de 2.400 anos. Como? Porque a questão foi suscitada no Jardim do Éden, pouco depois da criação do perfeito Adão e Eva. Naquele tempo, o filho espiritual de Deus, que agora é Satanás, o Diabo, viu o que achava ser uma oportunidade de estabelecer uma soberania para si mesmo, pelo menos sobre a humanidade, se não também sobre anjos. Rebelou-se contra o seu Pai celestial, Jeová, e separou-se da soberania deste. Daí, usando Eva como tentadora, Satanás exerceu pressão sobre o homem perfeito, Adão, para se juntar a ele na rebelião contra o Soberano Universal, Jeová. Assim se suscitou pela primeira vez a questão da soberania universal. O caso não era então apenas: Quem dentre a humanidade aderirá à soberania universal de Jeová, mas, era mais crítico: Quem no céu manterá a integridade para com o Deus Altíssimo e permanecerá leal e fiel à Sua soberania universal como legítima para toda a criação?

      37. Por que era especialmente apropriado que o principal Filho celestial de Jeová fosse provado — também como homem na terra — quanto à questão da devoção altruísta à soberania universal de Jeová?

      37 Por este motivo, a questão suprema estendia-se tão alto quanto o principal filho celestial de Deus, o principal servidor de Jeová, “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15; Revelação 3:14) Sua posição oficial no céu era a de Logos ou Palavra, Porta-voz. (João 1:1-3) Mais do que todas as outras criações de Jeová Deus, era este servidor mais elevado de Deus que precisava ser testado e provado nesta questão da devoção altruísta à soberania universal de Jeová. Até o tempo de Jó, e por mais de quinze séculos depois, ele havia mantido sua integridade para com seu Pai celestial, Jeová. Havia-se comportado de modo imaculado como servidor principal de seu Pai, como A Palavra. No entanto, isto se dera sem ele sofrer dores físicas, sem passar pela maior humilhação e desonra imerecida. Não foi aqui nesta terra, como homem igual ao perfeito Adão no Jardim do Éden. Mas, agora, que este altamente honrado e respeitado servidor de Deus sofra tais coisas adversas aqui na terra — às mãos de Satanás, o Diabo — e veja-se então se ele manterá sua integridade para com Deus e permanecerá submisso à soberania universal Dele! Este era, logicamente, o raciocínio de Satanás.

      38, 39. Logo depois da rebelião no Éden, como indicou Jeová que era do seu propósito que houvesse tal prova?

      38 Enfrentar o desafio de Satanás nesta questão, exigiria que o Deus Todo-poderoso trouxesse seu Filho unigênito, o Logos, para baixo à terra, por fazê-lo nascer como criatura humana. Com completa confiança neste Filho amado e na sua devoção inquebrantável ao seu Pai celestial, Jeová propôs-se fazer isso. Tomou este propósito logo depois de Satanás, o Diabo, ter conseguido quebrantar a integridade do homem perfeito Adão. Este propósito está contido nas palavras de Deus, dirigidas à simbólica serpente, no Jardim do Éden:

      39 “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” — Gênesis 3:15.

      40. O sofrimento intenso que isso significaria para o Filho de Deus, ao passar por esta prova, é retratado em que profecia?

      40 A machucadura do calcanhar do ‘‘descendente’’ da mulher significava intenso sofrimento para o principal servidor celestial de Jeová na terra, das mãos do mesmo que havia causado todo o sofrimento injusto ao fiel Jó. Mas, Satanás, o Diabo, não se satisfazia com menos do que isso. Nunca acharia que se fez uma prova satisfatória, permitindo-lhe provar seu argumento. Seu desafio à soberania universal de Jeová nunca seria enfrentado plenamente sem que se concedesse tal coisa. Jeová apercebia-se disso. Estava decidido a resolver a questão por meio do seu tesouro celestial mais prezado, seu Filho unigênito, seu principal servidor executivo. Sua determinação de fazer isso foi expressa nesta profecia notável a respeito de “meu servo”, apresentada em Isaías 52:13 a 53:12.

  • Recompensada a integridade provada do “servo”
    Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial!
    • Capítulo 5

      Recompensada a integridade provada do “servo”

      1. (a) O que é um bode expiatório? (b) Torna-se o sofrimento mais leve quando alguém morre por toda a humanidade?

      NÃO é fácil sofrer como bode expiatório e ao mesmo tempo manter a integridade para com o Deus da Justiça. Quem serve de bode expiatório é inocente e ainda assim leva a culpa pelos outros ou sofre em lugar deles. A prova de integridade, em tal situação, não fica mais fácil quando se tem de levar a culpa e sofrer mesmo até a morte por todo o mundo da humanidade. Conforme certo escritor inspirado apresentou o caso: “Pois, dificilmente morrerá alguém por um justo; deveras, por um homem bom, talvez, alguém ainda se atreva a morrer.” — Romanos 5:7.

      2. O que diz a Bíblia sobre um bode expiatório nas suas instruções a respeito do antigo Dia da Expiação Judaico?

      2 Contudo, tão cedo quanto no século dezesseis antes de nossa Era Comum, revelou-se pela primeira vez que alguém serviria de bode expiatório por toda a raça da humanidade. No código de leis dado à nação de Israel, por meio de Moisés, no monte Sinai, em 1513 A. E. C., Jeová Deus fez a provisão para os israelitas celebrarem o solene Dia da Expiação no décimo dia do sétimo mês lunar (tisri) de cada ano. Havia um cabrito feito bode expiatório relacionado com a expiação de pecados feita por meio do sangue dum novilho e dum bode, levado ao Santíssimo do tabernáculo e aspergido diante da arca dourada do pacto de Deus. Como se escolhia este bode e o que se fazia com ele está descrito para nós no capítulo dezesseis do terceiro livro de Moisés, do seguinte modo:

      E [Arão] tomará da congregação dos filhos de Israel dois cabritinhos para uma oferta pelo pecado e um carneiro para um holocausto. E Arão ofertará seu novilho da oferta pelo pecado que é para ele mesmo, e fará expiação por si e pela sua casa. E tomará os dois bodes e os apresentará perante o SENHOR à porta do tabernáculo da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma sorte para o SENHOR e a outra sorte para o bode expiatório. E Arão trará o bode sobre o qual caiu a sorte do SENHOR e o oferecerá por oferta pelo pecado. Mas o bode sobre o qual caiu a sorte para ser bode expiatório será apresentado vivo perante o SENHOR, para fazer expiação com ele e deixá-lo ir como bode expiatório para o ermo.

      E quando tiver acabado de reconciliar o lugar santo, e o tabernáculo da congregação, e o altar, ele trará o bode vivo: E Arão porá ambas as mãos na cabeça do bode vivo e confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões em todos os seus pecados, pondo-as sobre a cabeça do bode, e o enviará ao ermo pela mão dum homem apto: E o bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para a terra não habitada: e ele soltará o bode no ermo. — Levítico 16:5-10, 20-22 Versão Autorizada, em inglês; veja a nota marginal na versão da Liga de Estudos Bíblicos.

      3, 4. Como sabemos que o bode expiatório do Dia da Expiação tem significado típico?

      3 Traduções modernas vertem “bode expiatório” por ‘bode para Azazel’. A antiga Versão dos Setenta (ou Septuaginta) feita por judeus de Alexandria, no Egito, segundo a tradução inglesa de Charles Thompson, chama a sorte para este bode como sendo “uma sorte: ‘Para escape’”. Também: “para fazer expiação sobre ele, a fim de deixá-lo escapar”. (Levítico 16:8-10) A antiga Vulgata latina verte-o por “bode emissário” (caper emissarius), que corresponde a “bode expiatório”. Ora, este bode, que era uma particularidade do Dia da Expiação anual do antigo Israel, tinha significado típico. Tipificava algo de bom a vir para a humanidade. Em Hebreus 10:1 está escrito: “A Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras.” E, falando sobre as vítimas sacrificiais do Dia da Expiação, Hebreus 13:11-14 diz:

      4 “Os corpos daqueles animais, cujo sangue é levado para dentro do lugar santo pelo sumo sacerdote, pelo pecado, são queimados fora do acampamento. Por isso, Jesus também, para santificar o povo com o seu próprio sangue, sofreu fora do portão. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando o vitupério que ele levou, porque não temos aqui uma cidade que permaneça.”

      5. Como indica a linguagem de Isaías 53:4, 5, que o “Servo” de Jeová havia de servir qual “bode expiatório” antitípico?

      5 Segundo a profecia de Isaías, capítulo cinqüenta e três, o “Servo” de Jeová é o portador de pecados tipificado pelo bode expiatório do Dia da Expiação, que continuou a ser observado no templo de Jeová até a destruição da cidade de Jerusalém pelos romanos, em 70 E. C. O profeta Isaías passa a mostrar que o “Servo” messiânico havia de servir de “bode expiatório” antitípico, dizendo: “Verdadeiramente, foram as nossas doenças que ele mesmo carregou; e quanto às nossas dores, ele as levou. Mas nós mesmos o considerávamos afligido, golpeado por Deus e atribulado. Mas ele estava sendo traspassado pela nossa transgressão; estava sendo esmigalhado pelos nossos erros. O castigo intencionado para a nossa paz estava sobre ele, e por causa das suas feridas tem havido cura para nós.” — Isaías 53:4, 5.

      6. Com que atividade da parte de Jesus relacionou o apóstolo Mateus o cumprimento de Isaías 53:4?

      6 Há outro escritor bíblico inspirado que aplica a profecia de Isaías a respeito do “Servo” de Jeová a Jesus Cristo, e este é Mateus Levi, o ex-cobrador de impostos Contando os milagres de Jesus, de curar a doença humana, Mateus 8:14-17 diz: “Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e atacada de febre. De modo que tocou na mão dela e a febre a abandonou, e ela se levantou e começou a ministrar-lhe. Mas, depois do anoitecer, trouxeram-lhe muitas pessoas possessas de demônios; e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou a todos os que passavam mal; para que se cumprisse o que fora falado por intermédio de Isaías, o profeta, dizendo: ‘Ele mesmo tomou as nossas doenças e levou as nossas moléstias.’” — Isaías 53:4.

      7. Como indicam as Escrituras que havia uma saída de vitalidade do corpo de Jesus quando realizava curas?

      7 Não sabemos quanto esta realização de curas milagrosas exigiu da vitalidade de Jesus. Mas, está escrito em Lucas 6:18, 19: “Até mesmo os aflitos com espíritos impuros foram curados. E toda a multidão procurava tocá-lo, porque saía dele poder e sarava a todos eles.” Que Jesus era sensível a esta vazão de vitalidade de seu corpo, mesmo no caso de uma só pessoa curada, e evidente do seguinte incidente registrado em Lucas 8:42-48: “Enquanto ia, as multidões o comprimiam. E uma mulher, por doze anos padecendo dum fluxo de sangue, que não conseguira cura da parte de ninguém, aproximou-se por detrás e tocou na orla de sua roupa exterior, e o seu fluxo de sangue parou instantaneamente. De modo que Jesus disse: ‘Quem foi que me tocou?’ Quando todos o negavam, Pedro disse: ‘Preceptor, as multidões te rodeiam e apertam.’ Contudo, Jesus disse: ‘Alguém me tocou, pois percebi que poder saiu de mim.’ Vendo que não passara despercebida, a mulher veio trêmula e prostrou-se diante dele, e revelou perante todo o povo a causa pela qual o tocara e como fora curada instantaneamente. Mas ele lhe disse: ‘Filha, a tua fé te fez ficar boa; vai em paz.’” — Veja Marcos 5:25-34.

      8. Que incidente indica que as curas realizadas por Jesus tinham algo que ver com seu papel de portador de pecados?

      8 No caso do “Servo” de Jeová, as curas que Jesus realizou assim milagrosamente eram evidência de que ele era o Portador de pecados. Por exemplo, quando críticos religiosos acusaram Jesus de blasfemar por dizer a um paralítico: “Coragem, filho! Teus pecados estão perdoados”, aconteceu o seguinte: “E Jesus, sabendo os seus pensamentos, disse: ‘Por que imaginais coisas iníquas nos vossos corações? Por exemplo, o que é mais fácil, dizer: Teus pecados estão perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda? No entanto, a fim de que saibais que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados —’, ele disse então ao paralítico: ‘Levanta-te, apanha a tua cama e vai para casa.’ E ele se levantou e foi para casa. As multidões, ao verem isso, ficaram com medo e glorificaram a Deus, que concedera tal autoridade a homens.” — Mateus 9:2-8.

      9. (a) Por que é a purificação de pecados mais vital para a humanidade do que a cura física? (b) Que provisão era necessária como base para tal purificação?

      9 Embora os muitos milagres maravilhosos atestassem que Jesus era o Messias, o Ungido (Atos 10:38), estava mais preocupado em curar toda a humanidade da causa básica de toda esta doença. A cura principal necessitada era a de ser liberto do pecado, cujo salário é a morte, com todas as suas enfermidades e moléstias físicas acompanhantes. (Romanos 6:23) A cura espiritual era mais vital do que a cura física, porque a realização duma cura física em alguém por Jesus ou por seus discípulos autorizados não significava a salvação eterna para o curado. A purificação de pecados exigia o derramamento do sangue de Jesus Cristo em morte sacrificial, no antitípico Dia da Expiação. — Hebreus 9:22.

      10. (a) O que deu a Jesus a aparência como se fosse “afligido” por Deus? (b) De que modo era o castigo dele “intencionado para a nossa paz”?

      10 Por causa da perseguição religiosa movida contra ele pelos que legitimamente serviam no templo em Jerusalém e por outros líderes religiosos, muito estimados, parecia como se Jesus fosse “afligido” pelo próprio Deus. Parecia ter vergões causados por Deus mediante os que aparentemente se empenhavam no verdadeiro serviço de Deus. Mas, suportar ele isso sem queixa foi uma disciplina excelente para Jesus, da parte de seu Pai celestial. Em vista de sua severidade, era para ele como castigo. (Hebreus 12:2-8) Mas, tal castigo estava “intencionado para a nossa paz”, quer dizer, suportar Jesus tal castigo destinava-se a produzir para nós uma relação pacífica com Deus.

      11. Como reagiu Jesus ao sofrimento acumulado sobre ele, e com que benefício para nós?

      11 Se Jesus se tivesse rebelado contra esta disciplina na terra, teríamos perdido tudo. Mas, um de seus apóstolos mais íntimos, Simão Pedro, escreveu-nos, dizendo: “Cristo sofreu por vós, deixando-vos uma norma para seguirdes de perto os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca. Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente. Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões fostes sarados’.” (1 Ped. 2:21-24) O apóstolo Pedro cita ali Isaías 53:5, e assim se torna mais outro judeu que, sob inspiração divina, identifica a Jesus Cristo como o “Servo” predito na profecia de Isaías.

      COMO OVELHA QUE NÃO RESISTE

      12. Como foi predita em Isaías 53:6, 7, a submissão de Jesus ao que Jeová permitiu?

      12 Jesus Cristo teria de ser muito submisso à soberania universal de Jeová, se houvesse de cumprir o que Isaías disse adicionalmente sobre o “Servo”, ao fazer comparações com ovelhas. Mostrando a diferença entre nós e o “Servo”, Isaías 53:6, 7, diz: “Todos nós temos andado errantes quais ovelhas; viramo-nos cada um para o seu próprio caminho; e o próprio Jeová fez que o erro de todos nós atingisse aquele. Viu-se apertado e deixou-se atribular; contudo, não abria a sua boca. Foi trazido qual ovídeo ao abate; e como a ovelha fica muda diante dos seus tosquiadores, tampouco ele abria a sua boca.”

      13. (a) A quem aplicou Filipe, o evangelizador, este texto? (b) Em sentido espiritual, como éramos quais ovelhas errantes e o que era necessário para nos trazer alívio?

      13 Quando um eunuco etíope perguntou a respeito de sobre quem o profeta Isaías falava ali, quer sobre si mesmo, quer sobre outro homem, Filipe, o evangelizador, aplicou o texto a Jesus Cristo. (Atos 8:26-35) Sem dúvida, Pedro também pensava neste texto ao escrever a concristãos: “E ‘pelos seus vergões fostes sarados’. Porque vós éreis como ovelhas, perdendo-vos; mas agora voltastes para o pastor e superintendente das vossas almas.” (1 Pedro 2:24, 25) Sim, porque éramos espiritualmente como ovelhas errantes, perdendo-nos em ignorância, erro e pecado, precisávamos ser recuperados. Isto exigia que uma “ovelha” substituta, sem mácula, fosse abatida por nós, por causa de nosso proceder errado. Em bela harmonia com a profecia de Isaías, João Batista apontou para o batizado e ungido Jesus, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” — João 1:29, 36.

      14. Como indica Revelação 5:8-10 quem veio A ser aquele ‘ovídeo trazido ao abate’?

      14 No livro alistado por último nas Escrituras Sagradas, Revelação ou Apocalipse, Jesus Cristo é repetidas vezes chamado de “o Cordeiro”, e a ele se diz: “Foste morto e com o teu sangue compraste pessoas para Deus, dentre toda tribo, e língua, e povo, e nação, e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus, e reinarão sobre a terra.” — Revelação 5:8-10; 22:1; veja 1 Pedro 1:18, 19.

      15. (a) Quando Jesus foi levado a julgamento, como se cumpriu que ele estava ‘mudo’ qual ovelha diante de seus tosquiadores? (b) Por que escolheu ele tal proceder?

      15 Quando finalmente sua vida terrestre estava em julgamento, este “Cordeiro” recusou-se a responder às acusações falsas dos que testemunhavam contra ele. Ficou ‘mudo’, pois não desejava dizer nada que interferisse no cumprimento da vontade de seu Pai celestial, conforme expressa, por exemplo, em Isaías 53:5. Preferiu que os antecedentes públicos que havia estabelecido perante a nação de Israel falassem por si mesmos. Se os seus juízes terrestres não quisessem apegar-se a este testemunho verídico e válido, então a responsabilidade recaía sobre eles, perante o Juiz Supremo, Jeová Deus. Eles mostraram, porém, que não se iriam orientar pelos fatos verdadeiros, mesmo que Jesus tivesse rompido seu silêncio propositado. Ele não lutou contra a morte qual cordeiro abatido, para a redenção de toda a humanidade do pecado, da doença e da morte. Confiou no poder do Deus Todo-poderoso, de ressuscitá-lo dentre os mortos para a vida imortal. — Mateus 26:65; Lucas 23:8-11; João 19:8-11.

      MORTE E ENTERRO DO “SERVO”

      16. Por que não restringiu Deus os inimigos que se apoderaram de seu “Servo”?

      16 Deus Todo-poderoso não impusera nenhuma restrição aos inimigos, quando chegou o tempo devido para o “Servo” de Jeová lhes ser entregue. Deixou-os ir até o limite e assim mostrar o grau de sua perversidade e maldade. Conforme Jesus disse aos que vieram ao Jardim de Getsêmane, na noite da Páscoa, para prendê-lo: “Viestes com espadas e com cacetes, como contra um salteador? Enquanto eu estava convosco no templo, dia após dia, não estendestes as vossas mãos contra mim. Mas esta é a vossa hora e a autoridade da escuridão.” — Lucas 22:52, 53.

      17, 18. Por quem foi imposta a “restrição”, conforme predito em Isaías 53:8, e de que modo?

      17 Então, quem aplica a restrição, e a quem ou a que é aplicada, segundo aquilo que o profeta Isaías passa então a dizer sobre o “Servo” de Jeová? “Por causa da restrição e do julgamento, ele foi levado embora; e quem é que se ocupará com os pormenores de sua geração? Pois foi cortado da terra dos viventes. Por causa da transgressão do meu povo, sofreu o golpe. E ele fará a sua sepultura mesmo com os iníquos e com a classe rica, na sua morte, apesar do fato de que não praticara nenhuma violência e não havia engano na sua boca.” — Isaías 53:8, 9, NM; Young, em inglês.

      18 Isto mostra que a restrição foi imposta pelos adversários do “Servo” de Jeová. Também, era uma restrição imposta à justiça, à justeza, para que não fosse respeitada e executada. (Veja Salmo 40:11; Isaías 63:15.) Isto está de acordo com o modo em que este versículo (Isaías 53:8) é citado em Atos 8:33, onde se cita a Versão dos Setenta (LXX) grega. Reza: “Durante a sua humilhação foi-lhe tirado o julgamento. Quem contará os pormenores de sua geração? Porque a sua vida lhe é tirada da terra.” De modo que se usa a palavra “humilhação” em vez de “restrição”. Mas, notamos que o versículo não diz: ‘Durante a sua humildade’, referindo-se à humildade e submissão do “Servo”; mas diz: “Durante a sua humilhação.” De modo que os inimigos de Jesus o humilharam por restringirem a justiça. Enquanto retiveram assim a justiça e a eqüidade, o “julgamento” eqüitativo e a sentença correta, sem preconceito, ‘foi-lhe tirada’.

      19. Como é a idéia expressa ali transmitida por outras traduções da Bíblia?

      19 Assim, como predisse Isaías 53:8, “por causa da restrição e do julgamento, ele foi levado embora”. A essência do que realmente aconteceu é provida em forma simples na tradução inglesa da Bíblia de S. T. Byington, que reza: “Ele foi tirado fora da lei e da ordem.” Naturalmente, tudo parecia legal, não se deixando de lado os tribunais; mas, do modo como se tratou do caso do “Servo” de Jeová era um ultraje para a justiça; Conforme reza a versão da Imprensa Bíblica Brasileira: “Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado.” A Nova Bíblia Inglesa reza de modo correspondente: “Sem proteção, sem justiça [ou, na versão marginal: Depois de prisão e sentença], foi levado embora.”

      20. Relacionado com isso, que pergunta passa a fazer o profeta Isaías?

      20 Daí, Isaías 53:8 passa a fazer a pergunta: “E quem é que se ocupará com [os pormenores de] sua geração?” A Versão dos Setenta grega reza assim: “Quem contará os pormenores de [ou: relatará plenamente] sua geração?” — Atos 8:33.

      21, 22. (a) A quem não se aplica aqui a palavra “geração”? (b) Como é isso demonstrado por diversas traduções da Bíblia?

      21 A palavra “geração” não se aplica aqui à “geração pervertida” de pessoas, segundo Atos 2:40, no meio da qual Jesus Cristo vivia. O profeta Isaías não desvia nossa atenção do “Servo” sofredor para os contemporâneos do “Servo”, que lhe causaram os sofrimentos; conforme é sugerido na versão inglesa produzida pela Sociedade Publicadora Judaica: “E quem raciocinou com sua geração?” a que se acrescenta o comentário numa nota ao pé da página: “Ninguém. O martírio foi-lhe infligido sem interferência ou protesto por parte de alguém.” — Veja o livro Isaiah, da The Soncino Press, página 263, publicado em 1949.

      22 Em vez disso, o profeta Isaías mantém nossa atenção fixa no “Servo”, mesmo quando usa a palavra hebraica para “geração”. Isto é enfatizado em várias traduções modernas: “Quem se preocupa pela sua sorte?” (PIB) “Quem se importa pela sua causa?” (LEB) “Quem pensaria ainda mais no seu destino?” (The New American Bible) “Quem . . . se incomodou com isso?” (Jacob Penteado) “E quem se incomodou como caiu?” (Moffatt, em inglês) E a tradução inglesa feita da antiga versão aramaica Pesito reza: “E quem pode descrever sua angústia?” (Lamsa) Assim, nossa atenção não é desviada do “Servo”.

      23. Em que sentido, pois, devemos entender a pergunta feita em Isaías 53:8?

      23 O “Servo” de Jeová não havia de ter filhos terrestres, de modo natural. Por isso, a palavra “geração” não pergunta a respeito de nenhum descendente do “Servo”, o Messias. A palavra “geração” talvez contenha a idéia de “direito de primogenitura” ou “descendência”, os antecedentes naturais da pessoa. E neste sentido, portanto, que se deve entender a pergunta feita por Isaías: “E quem é que se ocupará com [os pormenores de] sua geração?” “Quem contará os pormenores de sua geração?” (Isaías 53:8; Atos 8:33) Por conseguinte, não se poderia ter feito esta pergunta no tempo dos julgamentos de Jesus, o Messias? Quem, daquele Supremo Tribunal judaico, o Sinédrio de Jerusalém, tomou em conta quem era este homem em julgamento perante eles? Preocuparam-se honestamente em saber os verdadeiros fatos a respeito dos antecedentes deste homem — que ele cumpria todos os requisitos que provavam que era deveras o prometido Messias? Quando o sumo sacerdote, como presidente do Sinédrio, pôs Jesus sob juramento, de fazer uma admissão veraz de sua identidade, o tribunal inteiro uniu-se em acusá-lo de blasfêmia, e, por isso, de merecer a morte segundo a Lei mosaica. — Mateus 26:59-68.

      24. (a) Quando Jesus estava diante de Pôncio Pilatos, como foi que também Pilatos deixou de dar a devida importância aos “pormenores de sua geração”? (b) Portanto, conforme predito em Isaías 53:8, qual foi o resultado?

      24 O governador romano, Pôncio Pilatos, ao saber que Jesus era tido por muitos como sendo o Messias, o Cristo, ficou preocupado e tomou medidas para saber algo sobre sua origem. Mas, apesar de seu receio, cedeu à pressão da turba fanática que reclamava que Jesus, o Messias, fosse pendurado numa estaca, e ele o sentenciou à morte numa estaca de execução. (Mateus 27:24-26; Lucas 23:6-25; João 18:33 a 19:16) Assim, “os pormenores de sua geração” não foram bem examinados e ponderados, e os que tratavam do caso do Messias não sentiam a devida preocupação. Visto que a resposta à pergunta de Isaías era: Ninguém com autoridade secular, não é de se admirar que o restante de Isaías 53:8 prossiga com esta observação: “Pois foi cortado da terra dos viventes. Por causa da transgressão do meu povo, sofreu o golpe.”

      25. Quando foi Jesus Cristo “cortado da terra dos viventes”, sofrendo assim o “golpe” merecido por outros?

      25 Isto significava que a vida terrestre do Messias havia de ser abreviada. E assim foi, porque Jesus Cristo foi morto à idade de trinta e três anos e meio. Recebeu o golpe que outros mereciam por causa da transgressão deles. No entanto, isto não aconteceu antes do tempo determinado de Deus para seu “Servo” messiânico ser decepado do meio dos viventes na terra. Jeová disse, na profecia de Daniel 9:24-27, a respeito da setuagésima e última semana das setenta semanas de anos que envolviam o Messias: “E depois de sessenta e duas semanas [que seguem às anteriores sete semanas] o Messias será decepado, sem ter nada para si mesmo. . . . E ele terá de manter em vigor o pacto para com muitos por uma semana [do outono setentrional de 29 E. C. ao outono de 36 E.C.]; e na metade da semana [na primavera setentrional de 33 E. C.] fará cessar o sacrifício e a oferenda [em virtude de seu próprio sacrifício humano, perfeito].”

      26. A “transgressão” de quem se refere Isaías no Is capítulo 53, versículo 8?

      26 O profeta Isaías, no Is capítulo 53, versículo 8, envolve novamente seu próprio povo, ao dizer “meu povo”, o qual era então também o povo escolhido de Deus. Isaías admite assim, também, a “transgressão” de sua própria nação e indica a inocência do “Servo” messiânico, Jesus Cristo. No entanto, este Messias estava disposto a sofrer em inocência pela causa da nação judaica, “meu povo”, conforme o chama Isaías. Esta nação, em especial, era culpada de transgressão contra Jeová, seu Deus. Eles haviam sido introduzidos no pacto da Lei por intermédio do mediador Moisés, no monte Sinai, na Arábia, em 1513 A. E. C. Por não guardarem perfeitamente este pacto da Lei, tornaram-se nação amaldiçoada, sujeita a todas as maldições sobre as quais Moisés os advertira em Deuteronômio 28:15-68. Não era uma maldição que recaísse sobre os remanescentes da família humana, visto que nenhum destes gentios estava incluído no pacto da Lei mosaica.

      O MESSIAS É TORNADO MALDIÇÃO PARA UMA NAÇÃO

      27, 28. (a) Como podia ser tirada da nação judaica a maldição pela violação do pacto da Lei? (b) O que dizia a Lei sobre como Deus encarava alguém pendurado numa estaca?

      27 Como podia esta maldição ser tirada da nação judaica? Pela morte de alguém de sua própria nação, numa estaca ou madeiro de execução. Em Deuteronômio 21:22, 23, está escrito:

      28 “E caso venha a haver num homem um pecado que mereça a sentença de morte, e ele tenha sido morto e tu o tenhas pendurado num madeiro, seu cadáver não deve ficar toda a noite no madeiro; mas deves terminantemente enterrá-lo naquele dia, pois o pendurado é algo amaldiçoado por Deus; e não deves aviltar teu solo que Jeová, teu Deus, te dá por herança.”

      29. Assim, conforme explica o apóstolo Paulo, como proveu Jesus o meio de livramento para a nação judaica, da maldição pela violação da Lei?

      29 Era necessário que Jesus não só morresse como sacrifício resgatador, mas também que morresse numa estaca de execução. “Pois”, diz o apóstolo Paulo, “todos os que dependem de obras da lei estão sob maldição; porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele que não continuar em todas as coisas escritas no rolo da Lei, a fim de as fazer.’ Além disso, é evidente que pela lei ninguém é declarado justo diante de Deus, porque ‘o justo viverá em razão da fé’. Ora, a Lei não adere a fé, mas ‘quem os cumprir, viverá por meio deles’. Cristo nos livrou da maldição da Lei por meio duma compra, por se tornar maldição em nosso lugar, porque está escrito: ‘Maldito é todo aquele pendurado num madeiro.’ O propósito foi que a bênção de Abraão, por meio de Jesus Cristo, fosse para as nações, a fim de que recebêssemos o espírito prometido, por intermédio da nossa fé.” — Gálatas 3:10-14; Deuteronômio 27:26; Levítico 18:5.

      30. O que predisse Isaías 53:9 sobre a sepultura do Messias?

      30 Jesus, o Messias, tornou-se maldição em lugar da nação judaica, quando morreu na estaca de execução, no Calvário, fora de Jerusalém, no Dia da Páscoa de 33 E. C. O falecido Jesus não tinha controle sobre onde seria enterrado. Seu cadáver poderia ter sido levado igual ao dum criminoso amaldiçoado, que não merecia a ressurreição, e ser lançado na Geena, o Vale de Hinom, ao sul e sudoeste de Jerusalém, onde se mantinham acesos fogos de incineração para o lixo da cidade santa, misturando-o até mesmo com enxofre. Mas, a profecia de Isaías 53:9 tinha de se cumprir nele: “E ele fará a sua sepultura mesmo com os iníquos e com a classe rica, na sua morte, apesar do fato de que não praticara nenhuma violência e não havia engano na sua boca.”

      31. Como se cumpriu que Jesus foi sepultado “com os iníquos” e “com a classe rica”?

      31 Morrer Jesus entre dois criminosos conhecidos, pendurados em estacas, classificava o enterro de Jesus como sendo “com os iníquos”, embora não fosse sepultado ao lado deles. Segundo a lei de Deus por meio de Moisés, Jesus tinha de ser tirado da estaca e sepultado no mesmo dia, antes do por do sol. O tempo se esgotava, e os judeus pediram a Pilatos que mandasse que seus soldados tirassem os cadáveres de todos os três homens, antes de findar o Dia da Páscoa. (João 19:31-37) Prevendo isso, um discípulo secreto de Jesus Cristo, um homem rico chamado José de Arimatéia, foi e obteve permissão do Governador Pilatos para tirar o cadáver de Jesus e sepultá-lo. De modo que Jesus foi sepultado num túmulo recém-escavado, no qual ainda não jazera nenhum cadáver. Ao mandar fazer isso, este rico José não se dava conta de que tinha parte no cumprimento de Isaías 53:9, de que o “Servo” de Jeová faria sua sepultura “com a classe rica, na sua morte”. — João 19:38-42; Mateus 27:57-60; Marcos 15:42-46; Lucas 23:50-53.

      32. Mesmo depois da morte de Jesus, como mostraram os judeus inimigos que classificavam a Jesus como impostor iníquo?

      32 Tal sepultamento de Jesus, o Messias, “com a classe rica” não eliminava o estigma de ele morrer com os iníquos e ser sepultado como iníquo. Os judeus inimigos descobriram onde o cadáver de Jesus foi sepultado e fizeram com que o Governador Pilatos selasse a pedra tumular, permitindo que se postasse uma guarda de soldados junto ao sepulcro, porque classificavam a Jesus como impostor iníquo. Temiam que os discípulos, de outro modo, furtassem o cadáver dele e depois dissessem que havia sido ressuscitado, fazendo com que “esta última impostura seja pior do que a primeira”. Embora a guarda de soldados relatasse no terceiro dia que fora um anjo glorioso do céu que rompera o selo do governador e rolara a pedra tumular para um lado, os principais sacerdotes e os anciãos subornaram os soldados da guarda para dizerem ao povo que os discípulos de Jesus haviam feito esta “última impostura” e eram piores impostores do que o próprio Jesus. — Mateus 27:62-66; 28:11-15.

      33, 34. (a) Por que permitiu Jeová toda esta humilhação de seu “Servo”? (b) Como indicou a profecia de Isaías 53:10 que o Messias não manteria em vão a sua integridade?

      33 Toda esta humilhação de Jesus, o Messias, ocorreu às mãos de seus inimigos, embora, conforme predito em Isaías 53:9, ele “não praticara nenhuma violência e não havia engano na sua boca”. Por que foi isso permitido pelo Deus Todo-poderoso? Deu-se porque era preciso refutar de uma vez para sempre o desafio lançado por Satanás, o Diabo, envolvendo até mesmo o “Servo” de Jeová. Seu “Servo” tinha de ser provado aqui mesmo, na terra, e mostrado como inabalavelmente leal à soberania universal de Jeová, apesar de todo o sofrimento e humilhação que se permitiu a Satanás, o Diabo, causar ao “Servo”. Guardar a integridade piedosa sob tal prova sem paralelo, do “Servo” de Jeová, não seria em vão, nem ficaria sem recompensa satisfatória. Por isso Isaías, 53:10 diz:

      34 “Mas o próprio Jeová se agradou em esmigalhá-lo; fez que adoecesse. Se puseres a sua alma como oferta pela culpa, ele verá a sua descendência, prolongará os seus dias, e na sua mão o agrado de Jeová será bem sucedido.”

      A RECOMPENSA PELA INTEGRIDADE PROVADA

      35. (a) Em que sentido ‘esmigalhou’ Jeová seu “Servo” e o ‘fez adoecer’? (b) Na realidade, em que ‘se agradou o próprio Jeová’?

      35 Jeová Deus não ‘esmigalhou’ pessoal e diretamente seu “Servo” messiânico. Não foi ele quem o fez ‘adoecer’, falando-se figurativamente e segundo todas as aparências. Mais de quatro milênios antes, no Jardim do Éden, Jeová dissera à serpente, aos ouvidos daquele invisível que manipulara essa serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” (Gênesis 3:15) Em cumprimento desta profecia, Jeová teve de permitir que a Grande Serpente, Satanás, o Diabo, machucasse o calcanhar do “Servo” messiânico, mesmo até a morte. Agradou-se perfeitamente em deixar que a Grande Serpente fizesse isso. No sentido de Ele permitir isso, segundo seu propósito, Jeová “fez que adoecesse” mesmo até a morte. O que agradava a Jeová Deus era aquilo que se provava neste esmigalhamento e na doença mortal, a saber, a integridade de Jesus.

      36. Segundo diz o texto, por que deve ser Jeová quem põe a alma de seu “Servo” “como oferta pela culpa”?

      36 À luz do que Isaías, capítulo cinqüenta e três, diz a respeito do “Servo” de Jeová, esse proveu uma “oferta pela culpa” para os outros. A versão da Imprensa Bíblica Brasileira diz: “Quando ele se puser [Trinitariana, ed. 1948: “Quando fizeres da sua alma”] como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.” (Isaías 53:10b) Ao dizer: “Se puseres a sua alma como oferta pela culpa”, conforme reza o hebraico, aquele de quem se fala assim deve ser Jeová Deus, visto que as ofertas típicas pela culpa eram oferecidas a Ele pelo antigo Israel e é também a ele que Jesus Cristo oferece a oferta antitípica pela culpa a favor de toda a humanidade. (Hebreus 9:24 a 10:14) É Jeová quem decide o valor dum sacrifício, quanto a se satisfaz os requisitos para livrar os pecadores de sua culpa e das conseqüências dela.

      37. Em cumprimento do que se prefigurava no Dia da Expiação judaico de que modo apresentou Jesus a Deus uma oferta aceitável pela culpa?

      37 A fim de que se lhe apresentasse no céu a oferta aceitável pela culpa, Jeová ressuscitou seu “Servo” dentre os mortos, no terceiro dia. Visto que o “Servo” messiânico deu a sua alma humana como oferta pela culpa, estava impedido de ser ressuscitado à vida novamente como alma humana, com corpo de carne, sangue e ossos. Por isso, o Deus Todo-poderoso o ressuscitou como pessoa espiritual, mas ainda de posse do mérito ou valor de seu perfeito sacrifício humano. Assim, quando Jesus, o Messias, subiu finalmente ao céu e entrou na presença de seu Pai celestial, não entrou ali de mãos vazias. Tinha na mão o que correspondia ao sangue das vítimas animais do Dia da Expiação judaico, a saber, o mérito de sua vida humana sacrificada como oferta pela culpa. Foi este que ele apresentou no grande e antitípico Dia da Expiação, e Jeová aceitou-o a favor de toda a humanidade.

      DESCENDÊNCIA

      38. De que maneira é que Jesus, o Messias, passa a ter “descendência”, conforme mencionado em Isaías 53:10?

      38 Conforme mostra Isaías, capítulo cinqüenta e três, O “Servo” messiânico morreria sem descendência. Foi assim que Jesus Cristo morreu, solteiro e sem filhos. Em contraste com o primeiro Adão, que pecou e perdeu a vida para sua descendência, escreveu-se a respeito de Jesus, o Messias: “O último Adão tornou-se espírito vivificante.” (1 Coríntios 15:45) Por meio de sua oferta pela culpa, podia comprar de volta, do pecado e da morte, toda a descendência de Adão e Eva, e podia devolver-lhes a vida, vida perfeita livre da condenação divina. Será que o “espírito vivificante”, Jesus, o Messias, fará tal maravilha? Sim, e este é o significado das palavras de Isaías 53:10: “Se puseres a sua alma como oferta pela culpa, ele verá a sua descendência, prolongará os seus dias, e na sua mão o agrado de Jeová será bem sucedido.” Isto prometia uma “descendência” ou “posteridade” ao “Servo”.

      39. Que outros textos indicam que o Rei messiânico teria descendência?

      39 Paralela a esta promessa de descendência há aquela feita ao Rei messiânico nas seguintes palavras do salmo profético: “Em lugar de teus antepassados virá a haver teus filhos, os quais designarás para príncipes em toda a terra.” (Salmo 45:16) E, quanto à promessa relacionada de Isaías 53:10, “prolongará os seus dias”, significaria que o “Servo” ressuscitado de Jeová seria por muito tempo pai da descendência. Por quanto tempo? Eternamente, segundo a profecia de Isaías 9:6, relativa ao descendente messiânico do Rei Davi. Lemos ali: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” De modo que este Rei messiânico teria filhos, mas não para se tornarem sucessores dele no cargo, porque ele seria Pai Eterno, alguém que daria vida eterna aos filhos.

      40. Por que é que “o agrado de Jeová será bem sucedido” na mão do “Servo” messiânico?

      40 Este “Servo” ressuscitado de Jeová não só seria bem sucedido em restabelecer na vida eterna a descendência comprada e adotada do primeiro Adão, mas também seria bem sucedido em todas as outras coisas, cujo controle Jeová confiaria à sua mão. O “Servo” messiânico terá cuidado em cumprir conscienciosamente “o agrado de Jeová”. Assim, sob a bênção assegurada de Deus, aquilo em que o “Servo” empenha sua mão terá bom êxito, para a glória de Jeová e em benefício de todos os outros envolvidos.

      “SATISFEITO” DEPOIS DA DESGRAÇA DE SUA ALMA

      41. Depois de todas as dificuldades que passou como alma humana, como se sentiria o “Servo” de Jeová, conforme predito em Isaías 53:11?

      41 Apresentou-se uma perspectiva alegre ao “Servo” messiânico. Depois de toda a desgraça que sofreria como alma humana, havia de ficar satisfeito com o que veria realizado. Não teria motivos para ressentimentos por causa de tudo o que se permitiu que sofresse na terra. A perspectiva apresentada em Isaías 53:11 foi: “Por causa da desgraça da sua alma, ele verá, ficará satisfeito. Por meio do seu conhecimento, o justo, meu servo, trará uma posição justa a muita gente; e ele mesmo levará os erros deles.”

      42. O que daria satisfação especial a este “Servo”?

      42 O mais satisfatório que este “Servo” íntegro veria seria a vindicação da soberania universal de Jeová Deus, seu Pai celestial. Manter ele sua integridade para com o Soberano Universal, sob a prova mais severa, aqui na terra, forneceu ao seu Pai celestial uma resposta válida a dar a Satanás, o Diabo, que escarnecia de Jeová Deus. Nunca mais poderia este Adversário abrir a sua boca suja num ataque contra o servo mais elevado na organização universal de Jeová. — Provérbios 27:11.

      43. Por meio de que “conhecimento” traria o Messias uma posição justa a muita gente, que havia herdado o pecado de Adão, e como faria isso?

      43 Associado com a vindicação do Soberano Senhor Jeová dar-se-ia uma posição justa a muitos aqui na terra, que herdaram a injustiça e a condenação do pecador Adão. (Romanos 5:12) O “conhecimento” por meio do qual ele produz isso evidentemente é conhecimento adquirido. É o conhecimento que adquiriu por tornar-se homem na terra e sofrer injustamente, em contato com a humanidade doentia e pecaminosa. Tornou-se “homem de dores e conhecedor de doença”. (Isaías 53:3) Seu “conhecimento”, aqui, denota ou dá a entender sofrimento sob uma prova de integridade até à morte amarga. O que ele não conhecera na sua vida pré-humana, lá no céu, a saber, o sofrimento doloroso pela sua fidelidade ao Soberano Senhor Jeová, passou a sentir e realmente conhecer aqui na terra, durante o tempo em que Satanás, o Diabo, é o “deus deste sistema de coisas”, “o governante deste mundo” (2 Coríntios 4:4; João 12:31) Por chegar a conhecer o sofrimento até a morte, de primeira mão, pôde prover o sacrifício expiatório para tornar justos a muitos.

      44. Para quem vem tal “posição justa”, e quando?

      44 Tal justiça ou posição justa perante Deus vem aos 144.000 co-herdeiros de Jesus Cristo primeiro de modo imputado. O apóstolo Paulo escreveu a tais, em 2 Coríntios 5:21, dizendo: “Aquele que não conheceu pecado, ele fez pecado por nós, para que, por meio dele, nos tornássemos a justiça de Deus.” Também, em Romanos 5:19: “Pois, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, do mesmo modo também pela obediência de um só muitos serão constituídos justos.” No tempo devido, os filhos do Pai Eterno, Jesus Cristo, receberão uma posição justa. Durante o reinado dele exercido sobre a terra por mil anos, soerguerá sua “descendência” terrestre a uma posição justa em perfeição, para que ela possa mostrar ser leal e fiel à soberania universal de Jeová em sentido perfeito, a fim de obter o dom da vida eterna. — Revelação 20:4-6, 11-15.

      45. Por que temos motivos de ser muito gratos a Jeová por ele prover tal “Servo” que mantém a integridade?

      45 Cumprir-se-á para com os muitos que assim são levados a uma posição justa a profecia de Isaías 53:11: “E ele mesmo levará os erros deles.” Quer dizer, ele mesmo, como “Servo” messiânico de Jeová, levaria a penalidade pelo erro deles e assim os aliviaria da condenação à morte. O apóstolo Pedro descreve como se fez isso, dizendo com referência ao “Servo” de Jeová: “Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões fostes sarados’. Porque vós éreis como ovelhas, perdendo-vos; mas agora voltastes para o pastor e superintendente das vossas almas.” (1 Pedro 2:24, 25) Quão gratos devemos ser pelo que este “Servo” messiânico fez por nós! Quão gratos devemos ser a Jeová por prover tal “Servo” íntegro! — Romanos 3:24-26.

      “UM QUINHÃO ENTRE OS MUITOS” PARA O “SERVO”

      46, 47. Explique a promessa profética: “[Eu] lhe repartirei um quinhão entre os muitos.”

      46 Antes da vinda do “Servo” messiânico de Jeová, houve “muitos” servos fiéis de Jeová que haviam permanecido fiéis ao Soberano! Senhor Jeová e aos quais Jeová concedeu um quinhão apropriado até mesmo durante esta vida. Tome, por exemplo, os casos de Noé, Abraão, Isaque, Jacó (Israel), José e Jó. Reserva-se um quinhão aos muitos de integridade piedosa, no vindouro novo sistema de coisas de Jeová, sob o reino do “Servo” messiânico, exercido sobre toda a terra. Tais adoradores fiéis de Jeová estiveram entre “os muitos” pelos quais Seu “Servo” levou o fardo do pecado. Do mesmo modo como Jeová mostrou assim apreço pela integridade mantida por esses “muitos” leais dos tempos anteriores, assim concederia coerentemente um quinhão ao seu “Servo” messiânico entre esses “muitos” fiéis da antiguidade. Por isso, Isaías 53:12 diz:

      47 “Por isso lhe repartirei um quinhão entre os muitos e será com os potentes que ele repartirá o despojo, devido ao fato de que esvaziou a sua alma até a própria morte e foi contado com os transgressores; e ele mesmo carregou o próprio pecado de muita gente e passou a interceder pelos transgressores.” — NM; IBB; CBC.

      48. Quem são os “potentes” com os quais o “Servo” de Jeová reparte os despojos, e isso em resultado duma guerra travada onde?

      48 O “Servo” não só recebe de Jeová um “quinhão entre os muitos”, mas também obtém despojos de guerra pela vitória sobre seus inimigos e os inimigos do Deus, de quem é o servo principal. Repartir ele o despojo com os “potentes” indica que ele mesmo também é “potente”. Ora, quem são estes “potentes”? Os potentes com quem reparte os despojos são os que participam com ele na guerra. (Isaías 60:22) Os “potentes” não parecem ser os anjos celestiais, junto com os quais o “Servo” messiânico lutará na vindoura guerra no Har-Magedon contra os inimigos de Jeová Deus. (Revelação 16:14, 16; 19:11-14) Antes, os “potentes” são os que compartilham da mesma espécie de guerra que o “Servo” travou aqui na terra. Isaías 53:12 introduz sua repartição dos despojos com outros por causa do que ele fez na terra até o tempo em que foi cortado de cima da terra, “da terra dos viventes”. — Isaías 53:8.

      49. O que dizem as Escrituras sobre as vitórias de Jesus e de seus seguidores aqui na terra?

      49 Na noite da Páscoa do ano 33 E. C., pouco antes de Jesus ser preso, levado a julgamento e sentenciado à morte, ele disse aos seus apóstolos fiéis: “No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” (João 16:33) Também, com evidente referência a uma procissão de vitória, o apóstolo Paulo escreveu, em 2 Coríntios 2:14: “Graças . . . a Deus, que sempre nos conduz numa procissão triunfal, em companhia do Cristo, e que faz que o cheiro do conhecimento dele seja perceptível em toda a parte por nosso intermédio!” Além disso, falando sobre o que Deus fez por meio de Jesus Cristo, o apóstolo Paulo escreveu: “Ele o tirou [o documento manuscrito contra nós] do caminho por pregá-lo na estaca de tortura. Desnudando os governos e as autoridades, exibiu-os abertamente em público como vencidos, conduzindo-os por meio dela numa procissão triunfal.” — Colossenses 2:14, 15.

      50, 51. Visto que a guerra é espiritual, qual é o “despojo” que Jesus reparte com a sua congregação?

      50 Portanto, visto que a referência de Isaías 53:12 obviamente é a uma guerra espiritual que o “Servo” messiânico teve de travar, qual é o “despojo” que reparte com os 144.000 “potentes” de sua congregação? Biblicamente, seriam as “dádivas em homens”, “dádivas em forma de homens”, que ele deu à sua congregação a partir de Pentecostes de 33 E.C. Com referência ao guerreiro Salmo sessenta e oito e citando o versículo dezoito, o apóstolo Paulo escreveu a respeito de Jesus Cristo:

      51 “Por isso ele diz: ‘Quando ele ascendeu ao alto, levou consigo cativos; deu dádivas em homens.’ Ora, a expressão, ‘ele ascendeu’, o que significa senão que ele também desceu às regiões mais baixas, isto é, à terra? O mesmo que desceu é também aquele que ascendeu muito acima de todos os céus, para que desse plenitude a todas as coisas. E ele deu alguns como apóstolos, alguns como profetas, alguns como evangelizadores, alguns como pastores e instrutores, visando o treinamento [reajustamento; ed. ingl. 1971] dos santos para a obra ministerial, para a edificação do corpo do Cristo.” — Efésios 4:8-12.

      52, 53. (a) De que modo mostram ser “potentes” os co-herdeiros de Cristo? (b) Conforme mencionado em Isaías 53:12, qual é o “despojo” que arrebatam do inimigo, e por quê?

      52 Estas “dádivas em homens” estavam entre os cativos que ele levou consigo, em resultado de ele dar sua alma humana como resgate pelo mundo condenado da humanidade. (Mateus 20:28; 1 Timóteo 2:5, 6) Tais “dádivas em homens” foram concedidas pelo ressuscitado Jesus Cristo, que ascendeu, à sua congregação de 144.000 co-herdeiros ungidos, a fim de fortalecê-los todos para travarem uma guerra triunfante contra este mundo e seu deus, e assim participarem com Jesus na vindicação da soberania universal de Jeová Deus. Ele lhes diz, em Revelação 3:21: “Aquele que vencer, concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com o meu Pai no seu trono.” Por motivo de sua conquista sobre o mundo iníquo e o deus deste, mostram ser “potentes”, e o “Servo” messiânico de Jeová lhes repartirá também participação nos privilégios do Reino. O que eles arrebatam do inimigo vencido é a base que o inimigo tinha para zombar de Jeová quanto ao altruísmo da devoção dos adoradores de Jeová à sua soberania universal. — Provérbios 27:11.

      53 Esta participação na vindicação do Soberano Senhor Jeová junto com Jesus Cristo, o “Servo”, é o “despojo” precioso de que os 144.000 vencedores recebem um quinhão. Naturalmente, isto não significa que não participem dos gloriosos despojos da vitória que o “Servo” de Jeová ganhará na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon. (Revelação 19:11-21; 2:26, 27) No entanto, não é disto que Isaías 53:12 trata em especial, referindo-se claramente a uma obra propiciatória ou intercessora da parte do “Servo” messiânico de Jeová.

      54. Segundo a explicação registrada por Isaías, por que é o “Servo” recompensado assim?

      54 Por que é o “Servo” recompensado desta maneira enaltecida? O versículo responde: “Devido ao fato de que esvaziou a sua alma até à própria morte e foi contado com os transgressores; e ele mesmo carregou o próprio pecado de muita gente e passou a interceder pelos transgressores.”

      55. Com que objetivo ‘esvaziou Jesus a sua alma até à própria morte’?

      55 No Jardim de Getsêmane, Jesus disse aos seus apóstolos fiéis, antes de ser preso ali: “Minha alma está profundamente contristada, até à morte.” (Mateus 26:38) Não obstante, expôs a sua alma humana à morte e apegou-se ao propósito de ele se ter tornado alma humana: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” Deu a sua alma humana em troca, por morrer como homem. (Mateus 20:28) Esvaziou-se, derramando a sua alma até a própria morte. Isto habilitou a Jeová Deus a por “a sua alma como oferta pela culpa”, para que se pudesse dar uma posição justa aos que aceitassem o sacrifício resgatador de Jesus Cristo. — Isaías 53:10, 11.

      56, 57. (a) Apercebia-se Jesus que estava cumprindo o que fora predito em Isaías, capítulo 53, a respeito do “Servo” de Jeová? (b) Por quem “foi contado com os transgressores” e por que suportou tal humilhação?

      56 Jesus Cristo reconheceu que era o “Servo” predito em Isaías, capítulo cinqüenta e três. Admitiu que era o “Servo”, quando disse aos seus apóstolos fiéis, na noite da Páscoa em que foi traído e preso: “Mas agora, quem tiver bolsa, apanhe-a, e assim também um alforje; e quem não tiver espada, venda a sua roupa exterior e compre uma. Pois eu vos digo que se tem de efetuar em mim o que foi escrito, a saber: ‘E ele foi contado com os que são contra a lei.’ Porque aquilo que se refere a mim está sendo efetuado.” (Lucas 22:36, 37) De modo que aconteceu, mais tarde naquela noite, quando a turba veio ao jardim para prendê-lo, que veio armada de cacetes e espadas, como para prender um homem que era contra a lei, transgressor e assaltante. (Marcos 14:48, 49) Esta foi uma ação secreta da turba, sob a cobertura da noite. Mais tarde, porém, durante as horas do dia, Jesus foi publicamente exposto como sendo contado entre os transgressores, por ser pendurado numa estaca como violador da lei, e, para intensificar ser ele contado entre os transgressores, “junto com ele, penduraram também em estacas dois salteadores, um à sua direita e outro à sua esquerda”. (Marcos 15:27) Mas Jesus suportou esta humilhação, a fim de que se vindicasse a Palavra de Jeová como veraz e infalível, e para que ele levasse o golpe da penalidade pela transgressão de seu próprio povo. — Isaías 58:8.

      57 Ter Jeová Deus recompensado e muito enaltecido seu “Servo” messiânico prova que, Ele mesmo não contou este “Servo” com os transgressores. Apenas predisse que o mundo classificaria assim o “Servo” messiânico. No entanto, Jesus Cristo suportou tal humilhação, difícil de agüentar para um servo fiel de Deus, aparentemente para o vitupério de seu Deus e para o mérito daquele que escarnecia de Deus. Mas, Jesus bebeu tal copo de humilhação pública, a fim de se mostrar misericordioso para com a humanidade condenada e moribunda. É a isto que Isaías 53:12 traz a nossa atenção ao dizer: “E ele mesmo carregou o próprio pecado de muita gente e passou a interceder pelos transgressores.” — Veja Hebreus 2:14-18; 4:15.

      58. (a) A misericórdia de quem foi assim notavelmente demonstrada para com os transgressores humanos, e até que ponto? (b) Por que foi seu Filho unigênito a quem ele escolheu para desempenhar o papel de seu “Servo”?

      58 Ele mesmo intercedeu e levou o próprio pecado dos muitos transgressores, a fim de que a misericórdia de Jeová Deus se estendesse a toda a humanidade. Por enviar seu “Servo” messiânico e deixá-lo suportar todo este sofrimento e humilhação, até à própria morte, Jeová demonstrou sua própria misericórdia ilimitada para com nós transgressores. Toda a idéia da misericórdia para com a humanidade condenada originou-se de Jeová Deus. Sua misericórdia foi tão grande, que não poupou nem mesmo seu mais amado Filho celestial neste respeito. (Romanos 8:31, 32) Não quis que seu propósito, de conceder misericórdia, fracassasse por ele depender dum agente de quem não pudesse ter absoluta certeza. Tinha a mais elevada confiança no seu Filho unigênito, de que este Filho não Lhe falharia em nenhuma, nem em todas as circunstâncias, e por isso escolheu este Filho para desempenhar o papel de “Meu Servo”. (Isaías 52:13; 53:11) Ao fazer este Filho passar por tal severa disciplina prescrita para este “Servo”, Deus mostrou que ele o amava muitíssimo. — Hebreus 12:3-6.

      59. A quem atribuem as Escrituras esta expressão maravilhosa de “amor ao homem”?

      59 Todos os agradecimentos cabem a Jeová Deus por suscitar tal “Servo” fidedigno, por meio de quem Seu próprio amor e misericórdia são enaltecidos. Esta ação foi deveras uma demonstração de Sua própria filantropia; assim como está escrito: “Quando se manifestou a benignidade e o amor ao homem da parte de nosso Salvador, Deus, não devido a obras de justiça que tivéssemos realizado, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou por intermédio do banho que nos trouxe à vida, e por nos fazer novos por espírito santo. Este espírito ele derramou ricamente sobre nós por intermédio de Jesus Cristo, nosso Salvador.” — Tito 3:4-6.

      60. (a) Embora Jó fosse ricamente recompensado por manter a sua integridade, por que recebeu Jesus Cristo uma recompensa muito maior? (b) O que garante, quanto ao futuro, a fidelidade de Jesus sob prova, quando na terra?

      60 Alegramo-nos de que a integridade provada do “Servo” fiel, Jesus Cristo, foi tão dignamente recompensada, com categoria mais elevada e maior responsabilidade na organização universal de Jeová. Como ilustração antecipada disso, o paciente Jó, da antiguidade, foi recompensado com o dobro do que tinha antes de sua prova severa, por ter mantido inquebrantável a sua integridade. (Jó 42:10) Havia muitíssimo mais envolvido na prova de Jesus Cristo na terra e em ele manter sua integridade, e, apropriadamente, sua recompensa foi muito maior. Tão certamente como ele foi fiel sob uma prova tão severa de sua integridade quando na terra, será plenamente fiel em desincumbir-se de suas responsabilidades mais grandiosas agora, neste tempo crítico, e em todo o futuro. — Lucas 16:10.

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