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Obstáculos que influem no conceito judaico sobre JesusDespertai! — 1972 | 8 de junho
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de fugir de Jerusalém surgiu até mesmo depois de os exércitos romanos, sob o comando de Céstio Galo, cercarem a cidade em 66 E. C. Relata o historiador judeu do primeiro século, Flávio Josefo:
“Céstio . . . repentinamente mandou seus homens voltar, perdeu a esperança, embora não tivesse sofrido reveses, e agindo contrário a toda a razão, retirou-se da Cidade.”
Será que os judeus cristãos aproveitaram a oportunidade para sair de Jerusalém, ou ficaram envolvidos na guerra com Roma? Escreve o erudito judaico Joseph Klausner;
“Ao passo que até mesmo os essênios, apesar de todo o seu asceticismo, juntaram-se aos lutadores a favor da liberdade . . ., os cristãos abandonaram Jerusalém imediatamente depois do irrompimento da rebelião, e fugiram para Pela, na Transjordânia, cidade que, em sua maior parte, era estrangeira. . . . Os cristãos, e até mesmo os nazarenos judeus [cristãos], não aceitaram o aspecto político do Messianismo Judaico de jeito nenhum. E o aspecto religioso e espiritual já se havia consumado em Jesus — assim sendo, que interesse teriam eles numa guerra entre os judeus e os romanos?” — From Jesus to Paul (De Jesus a Paulo), pags. 598, 599.
Naturalmente, os eruditos judeus tais como Klausner talvez não admitam que fora uma profecia proferida por Jesus que movera os cristãos judeus a deixar Jerusalém. Tais estudiosos, porém, admitem que os judeus que participavam na guerra contra Roma não incluíam nenhum seguidor de Jesus. Assim, torna-se evidente que a aceitação de Jesus como o Messias poupou os judeus cristãos do terrível sofrimento que sobreveio aos judeus quando os romanos destruíram Jerusalém em 70 E. C. Acatar as palavras proféticas de Jesus resultou na preservação da vida.
Por isso, há boa razão para fazer-se uma investigação cabal de que Jesus é o Messias, de modo a não trazer dano desnecessário a si mesmo. (Deu. 18:18, 19) Também, o investigador sincero desejará encontrar pessoas que vivam realmente em harmonia com os ensinos de Jesus, de modo a certificar-se de que o Cristianismo tem tido um efeito saudável em suas vidas. Isto não exige um exame extensivo de todas as várias organizações religiosas que pretendem ser cristãs. A culpa de sangue que compartilham as igrejas da cristandade é prova suficiente de que representam mal a Jesus e aos seus ensinos.
No entanto, há um grupo de cristãos que é conhecido em toda a terra por sua ausência de orgulho e ódio nacionalistas. Efetivamente, por causa disto, tais cristãos, conhecidos como testemunhas de Jeová, têm provado amarga perseguição no século vinte. Mas, não permitem que a perseguição silencie sua exposição das transgressões das leis justas de Deus ou que transforme sua posição moral. Não têm participado na culpa de sangue de qualquer nação. Portanto, por que não permite que as testemunhas de Jeová o ajudem em sua investigação sobre Jesus e seus ensinos?
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Quem é o Messias do livro de Daniel?Despertai! — 1972 | 8 de junho
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Quem é o Messias do livro de Daniel?
HÁ CERCA de vinte e cinco séculos atrás, o anjo Gabriel revelou a Daniel uma verdade vital. Foi que um “ungido” ou “messias” viria ao término de um número prescrito de “semanas”, não semanas comuns, mas “semanas de anos”. O fato de um anjo transmitir esta mensagem sugeria em si que a chegada deste “ungido” seria um evento da mais alta relevância, evento que exerceria profundo efeito sobre o gênero humano.
O que foi que Gabriel disse a Daniel? Segundo a tradução da Sociedade Publicadora Judaica dos EUA (copyright de 1917), disse:
“Setenta semanas se acham decretadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, para acabar a transgressão, para por fim ao pecado, e para perdoar a iniqüidade, e para trazer a justiça eterna, e para selar a visão e o profeta, e para ungir o lugar santíssimo. Saiba, portanto, e discirna, que desde a saída da palavra para restaurar e edificar Jerusalém até o ungido um príncipe, serão sete semanas; e por três vintenas e duas semanas, será construída de novo, com amplo lugar e fosso, mas em tempos atribulados. E, depois de três vintenas e duas semanas, será cortado o ungido, e não será mais; e o povo de um príncipe que virá destruirá a cidade e o santuário.” — Dan. 9:24-26.
O palavreado desta tradução faz parecer que o “ungido, um príncipe”, apareceria após “sete semanas”, ao passo que outro “ungido” seria “cortado” após sessenta e duas “semanas”. Será que a história confirma este entendimento dos assuntos?
Conceitos Judaicos
Segundo os comentaristas judaico, a “palavra para restaurar e edificar Jerusalém” saiu quando o profeta Jeremias predisse que a cidade seria reconstruída, depois de ter sido desolada pelos caldeus. Por exemplo, Jeremias 30:18 declara: “A cidade será realmente reconstruída sobre o seu montão.” Isto lhes permite interpretar as “sete semanas” como designando o período de setenta anos de desolação que terminou com a volta do restante judeu do exílio babilônico. Indo mais além, certos comentaristas judeus gostariam de ligar o “ungido, um príncipe” com o Rei Ciro, que expediu o decreto que permitiu que os exilados judeus voltassem para Judá e Jerusalém. Outros favorecem a identificação do “ungido” com o Governador Zorobabel ou o Sumo Sacerdote Josué, ambos os quais voltaram de Babilônia depois de ser expedido o decreto de Ciro.
E, o que dizer das “três vintenas e duas” ou sessenta e duas “semanas”? Os comentaristas judaicos aplicam-nas a um período de 434 anos, tempo em que Jerusalém deveria ser plenamente restaurada. Alguns crêem que o “ungido” que deveria ser “cortado” (Dan. 9:26) designa o Rei Agripa (II) que viveu no tempo da destruição de Jerusalém em 70 E. C. Mas, outros consideram o “ungido” como sendo o Sumo Sacerdote Onias, a quem Antíoco Epifânio depôs em 175 A. E. C.
Assim, os comentaristas judeus não estão de forma alguma seguros do significado das palavras de Gabriel. Com feito, há incoerências na explicação. Ao passo que se entende que as “sete semanas são de dez anos cada uma somando setenta anos (7 X 10), as ‘sessenta e duas semanas’ são consideradas como sendo de sete anos cada uma, totalizando quatrocentos e trinta e quatro anos (62 X 7). Assim, estes comentaristas judeus realmente manipularam as características de tempo, no esforço de forçar uma explicação das palavras de Gabriel.
“Parada” Acrescentada Muda o Sentido
Surpreendente como talvez pareça para alguns, os copistas judeus e vários tradutores judeus têm feito adições ao texto original de Daniel 9:25. Os escribas conhecidos como massoretas acentuaram o texto hebraico de Daniel 9:25 com um ‘Ath.nahh’ ou ‘“parada”, depois de “sete semanas”, destarte dividindo-as das ‘sessenta e duas semanas’. Adicionalmente, várias traduções judaicas acrescentam “por” ou “durante” antes de ‘sessenta e duas semanas’ de anos pára fazerem parecer que Jerusalém seria plenamente restaurada naquele período. Se não fossem tais ajustes no texto, Daniel 9:25 rezaria: “Deves saber e ter a perspicácia de que desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas. Ela tornará a ser e será realmente reconstruída, com praça pública e fosso, mas no aperto dos tempos.” Uma tradução similar é encontrada em muitas traduções não-judaicas.
Esta tradução deixa bem claro que um “messias” ou “ungido” deveria chegar, não no fim das sete “semanas”, mas no fim das sete e mais “sessenta e duas semanas” isto é, no fim de sessenta e nove “semanas”. Por conseguinte, o “messias” que deveria ser cortado algum tempo depois das “sessenta e duas semanas” seria o mesmo que foi predito que chegaria no fim das “sete semanas, também sessenta e duas semanas”. Será que um “ungido” apareceu naquele tempo?
Tempo do Aparecimento do Messias
Para determinar a resposta a esta pergunta, temos de verificar quando foi dada a ordem para se restaurar e reconstruir Jerusalém. Razoavelmente, deveríamos esperar que tal ordem fosse dada quando se pudesse agir em cumprimento da ordem, ao invés de no tempo em que Jeremias profetizou, antes de a cidade ser destruída.
Embora um restante judeu voltasse para Judá e Jerusalém, do exílio babilônico, em 537 A. E. C., a muralha da cidade e suas portas não foram reconstruídas ou consertadas senão anos depois. Ao descrever a cidade, uma delegação de exilados judeus disse a Neemias, o copeiro judaico do persa Rei Artaxerxes (Longímano): “Os que restaram, que remanesceram do cativeiro, lá no distrito jurisdicional, estão em grandes apuros e em vitupério; e a muralha de Jerusalém está derrocada e seus próprios portões foram queimados com fogo.” (Nee. 1:3) Alguns meses depois de receber este relatório, Neemias foi comissionado pelo Rei Artaxerxes para reconstruir Jerusalém. Isto se deu no mês de nisã, no vigésimo ano do reinado de Artaxerxes. (Nee. 2:1-6) A melhor evidência histórica indica que o nisã daquele vigésimo ano caiu em 455 A. E. C.a Assim, aconteceu que, com a chegada de Neemias a Jerusalém, vários meses depois, em 455 A. E. C., a palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém podia vigorar.
Usando-se 455 A. E. C. como ponto inicial para a contagem das sessenta e nove semanas de anos (483 anos), verificamos que um “messias” ou “ungido” deveria chegar em 29 E. C. Estavam os judeus esperando um “messias” naquele tempo? Apareceu então um “messias”?
Aludindo a Daniel, capítulo 9, um bem conhecido rabino do século dezessete E. C., Manasseh ben Israel, declarou: “Há alguns que aceitariam aqueles 70 ciclos de sete como afirmando que depois de seu fim viria o Messias. . . . Deveras, todos os judeus que tomaram armas contra os romanos naquele tempo eram dessa opinião.” O estudioso judeu, Abba Hillel Silver, observa: “Esperava-se o Messias por volta do segundo quartel do primeiro século E. C.” O Talmude Babilônico, em seu Tratado Sinédrio, página 97a, fala do “ciclo de sete anos, no fim do qual virá o filho de Davi [o Messias]”. Assim, os judeus esperavam, não que qualquer “messias”, mas que o Messias, o “filho de Davi”, aparecesse no próprio tempo indicado em Daniel, capítulo 9.
Identificado o Messias
A única pessoa que apareceu como este Messias em 29 E. C. foi Jesus, descendente do Rei Davi. A Bíblia, junto com a história secular,b fornece a evidência de que Jesus, no outono setentrional de 29 E. C., veio a João e foi batizado. Logo depois de seu batismo “os céus se abriram e ele viu o espírito de Deus descendo sobre ele como pomba. Eis que também houve uma voz dos céus que disse: ‘Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.’” (Mat. 3:16, 17) Ao ser ungido pelo espírito de Deus, Jesus se tornou o Messias ou Cristo, palavras que significam “Ungido”. Desde aquele tempo em diante, as palavras de Isaías 61:1 se aplicavam a ele: “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim: porque o SENHOR me ungiu para trazer boas novas aos humildes.” (Sociedade Publicadora Judaica) Três anos e meio depois de sua unção, Jesus foi “cortado” na morte.
Assim, a evidência de Daniel 9:25 aponta inequivocamente a Jesus como sendo o prometido Messias. Admitiu o Rabino Simon Luzatto (do século dezessete E. C.):
“Este texto notabilissimo . . . tem deixado os Rabinos tão perplexos e inseguros que não sabem se estão no céu ou na terra. O resultado de continua investigação desta profecia, da nossa parte, poderia facilmente resultar que todos nós nos tornássemos cristãos. Não pode, deveras, ser negado que o advento do Messias se acha claramente delineado nela e que o tempo deve ser aceito como já tendo passado.”
Evidentemente, portanto, devido a sua rejeição de Jesus, os massoretas acrescentaram uma “parada” em Daniel 9:25, destarte esforçando-se de ocultar o fator tempo que definitivamente identificava Jesus como o prometido Messias. O Professor E. B. Pusey, numa nota marginal em uma de suas preleções na Universidade de Oxford (publicado em 1885), observou sobre a acentuação massorética:
“Os judeus colocam a principal parada do versículo em [sete], pretendendo separar os dois números, 7 e 62. Isto eles devem ter feito desonestamente, . . . (como Rashi [proeminente Rabino Judeu, do décimo segundo século E. C.] afirma ao rejeitar as exposições literais que favoreciam os cristãos).”
Não deve constituir surpresa que a maioria dos judeus continuem a rejeitar Daniel 9:25 como se aplicando a Jesus Cristo. Seus conceitos têm sido grandemente influenciados pelos estudiosos e pensadores judeus que floresceram entre os séculos onze e quinze E. C. Este período foi o tempo em que os judeus sofreram devido a extremo anti-semitismo, a maior carga de ódio sendo fomentada por pessoas que afirmavam ser seguidores de Jesus Cristo. Isto fez com que o nome de Jesus se tornasse um cheiro desagradável para a maioria dos judeus. Não é de admirar, então, que os comentários rabínicos sobre a Bíblia, daquele período, negam a aplicação messiânica de muitas profecias que tiveram óbvio cumprimento em Jesus.
Numerosos judeus sinceros, contudo não têm permitido que o mal, executado por pessoas que hipocritamente afirmavam ser “cristãs” os deixe com preconceitos contra o nome de Jesus. Têm examinado por si mesmos a evidência, por lerem os relatos a respeito do ministério terrestre de Jesus que foram assentados por escrito pelos evangelistas judeus, Mateus, Marcos, Lucas e João. Também examinaram as profecias hebraicas que identificam Jesus como o prometido Messias. Sua investigação os levou a crer que Jesus é deveras o Messias.
Se estiver entre os milhões de judeus que não crêem que o prometido Messias já veio, por que não reserva tempo para investigar cabalmente o assunto? Por certo, se Jesus é o Cristo, conforme expressamente declarado em Daniel, capítulo 9, não desejaria colocar-se em oposição a ele, com perda de bênçãos para si mesmo. De modo que possa ser um recebedor das bênçãos da regência justa do Messias, as testemunhas de Jeová se sentirão felizes de ajudá-lo em seu exame de fatos adicionais que apontam para Jesus como sendo o Messias.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o livro Aid to Bible Understanding (Ajuda ao Entendimento da Bíblia). págs. 137, 328-330.
b Veja o livro Aid to Bible Understanding (Ajuda ao Entendimento da Bíblia), págs. 920, 921.
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