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O livro dos Salmos — curativo para o coraçãoA Sentinela — 1980 | 1.° de março
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ESPERANÇA E CONFIANÇA EM DEUS
“Bendito seja Jeová, que diariamente carrega o fardo para nós,
O verdadeiro Deus de nossa salvação. Selá.
O verdadeiro Deus é para nós um Deus de atos salvadores;
E a Jeová, o Soberano Senhor, pertencem as saídas da morte.” — Sal. 68:19, 20.
“A quem tenho nos céus?
E além de ti não tenho outro agrado na terra.
Falharam-me o organismo e o coração.
Deus é a rocha de meu coração e meu quinhão por tempo indefinido.
Pois, eis que perecerão os mesmos que se mantêm longe de ti.
Certamente silenciarás a todo aquele que te abandona imoralmente.
Quanto a mim, porém, chegar-me a Deus é bom para mim.
Pus o meu refúgio no Soberano Senhor Jeová,
Para declarar todas as tuas obras.” — Sal. 73:25-28.
“Tenho posto a minha confiança em Deus. Não temerei.
Que me pode fazer o homem terreno?” — Sal. 56:11.
“Porque este Deus é o nosso Deus por tempo indefinido, para todo o sempre.
Ele mesmo nos guiará até morrermos.” — Sal. 48:14.
O REINO MESSIÂNICO
Os Salmos têm muito a dizer sobre Cristo Jesus e o reino messiânico, não o mencionando por nome, mas descrevendo-o, especialmente como Rei glorioso que governa a terra inteira em paz e justiça. Alguns salmos parecem profetizar diretamente sobre o Messias, como por exemplo os Salmos 2 e 110. Em muitos casos, outros salmos não falam diretamente sobre o Messias, mas o fazem de modo típico e figurativo. Quer dizer, o salmista tinha seus próprios problemas ou assuntos da nação logo em mente, e o que ele dizia aplicava-se diretamente ao seu próprio tempo. Mas, em princípio, ou num segundo cumprimento completo ou final, o que ele dizia é tornado aplicável a Cristo pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs. É bem provável que o salmista nem sempre estivesse pensando no Messias, nem entendesse plenamente a aplicação típica ou figurativa, assim como o apóstolo Pedro disse que os profetas de modo algum entendiam plenamente o significado de todas as coisas que profetizavam. — 1 Ped. 1:10-12.
Um exemplo disso é encontrado no Salmo 102:25-27, acima citado. O Sal 102 versículo um do salmo mostra que o salmista estava falando a Jeová. Mas, em Hebreus 1:10-12, o apóstolo Paulo atribui estas qualidades a Jesus Cristo, porque foi a Jesus que Deus usou na obra de criação e a quem ele tem confiado agora toda a autoridade “no céu e na terra”. (Mat. 28:18; Col. 1:15-17) Jesus representa para nós a Deus de modo pleno em todas as suas qualidades e ações.
O Salmo 22, atribuído a Davi, relata alguns dos sofrimentos de Cristo, parcialmente em linguagem figurada. (Compare o Salmo 22:1 com Marcos 15:34; compare também o salmo inteiro com os quatro relatos evangélicos sobre o julgamento de Jesus e como foi pendurado na estaca.) A descrição dos acontecimentos é fraseada de tal maneira, que tem um cumprimento mais pleno na vida de Cristo.
Todavia, os salmistas tinham algum entendimento sobre a aplicação de seus escritos ao Messias. Quando Davi escreveu o Salmo 16, ele foi inspirado a profetizar sobre o Messias, cuja alma não havia de ser abandonada ao Seol ou Hades (a sepultura) para sempre, nem havia de sofrer sua carne enterrada corrução completa. (Atos 2:31, A Bíblia de Jerusalém; Mateus Hoepers, ed. 1974) Por conseguinte, o apóstolo Pedro, falando a milhares de judeus no dia de Pentecostes, salientou que a referência era ao Messias, dizendo: “Portanto, visto que [Davi] era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado com juramento que faria sentar um dos frutos dos seus lombos sobre o seu trono, previu e falou a respeito da ressurreição do Cristo, que ele nem foi abandonado no Hades [em hebraico: Seol], nem viu a sua carne a corrução.” — Atos 2:30, 31.
Perante os judeus reunidos, que aceitavam plenamente os Salmos como inspirados, Pedro usou este argumento de maneira bem vigorosa, junto com o messiânico Salmo 110, para provar que a referência era a Cristo e que este tinha sido ressuscitado do Hades (Seol). Disse que o próprio Davi morrera e fora enterrado, e que seu túmulo estava ali mesmo, entre os judeus, como evidência deste fato. Eles sabiam que ele fora para o Seol ou Hades e que a sua carne viu a corrução ou a decomposição. Entendiam assim que Davi não estava falando sobre si mesmo. Portanto, sendo assim, Davi, como profeta, estava falando sobre um de seus próprios descendentes com quem se daria isso. A evidência composta pelos eventos relacionados com a morte e a ressurreição de Jesus também se encontrava então diante dos judeus, provando claramente que Davi estava falando profeticamente de Cristo, que era descendente de Davi. (1 Ped. 1:10-12) Este argumento teve um efeito poderoso sobre os judeus que escutaram o discurso de Pedro. — Atos 2:29-36.
De todas as maneiras, os Salmos enaltecem a Deus e seu Filho, e ajudam-nos a chegar a conhecer melhor aqueles de quem se diz: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Os Salmos descrevem as provações que são comuns a toda a humanidade, e nos mostram como orar em tempos felizes e em tempos dificultosos. Qualquer que seja o problema que tenhamos, há um salmo para ajudar-nos e para oferecer um calmante para o coração.
O apóstolo Paulo falou sobre a necessidade de ajuda na oração, dizendo: “Não sabemos em prol de que devemos orar assim como necessitamos.” (Rom. 8:26) Isto acontece amiúde com cada cristão. Muitas vezes podemos obter do livro dos Salmos a ajuda necessária para expressar nossos pensamentos e desejos mais íntimos de maneira mais plena a Deus. — Veja Efésios 5:19; Colossenses 3:16.
Os Salmos, por tocarem nas diversas emoções humanas, têm um cordial atrativo pessoal. O leitor pode ver a si mesmo e pode sentir que estão falando a ele ou por ele. Seus pensamentos mais íntimos e suas motivações são abrangidos, e seu coração é esquadrinhado. Ele se sente induzido a fazer ajustes na sua vida. Procedendo assim, é enriquecido e chega mais perto a ter conhecimento de Deus. Todos deviam ler os Salmos, do primeiro ao último. Ninguém os pode ler sem ser beneficiado.
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Nazaré, onde Jesus fora criadoA Sentinela — 1980 | 1.° de março
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Nazaré, onde Jesus fora criado
NAZARÉ, cujo nome significa “Cidade do Ramo”, era uma cidade na Baixa Galiléia, onde Jesus passou a maior parte de sua vida terrestre, junto com seus meios-irmãos e meias-irmãs. (Luc. 2:51, 52; Mat. 13:54-56) Tanto José como Maria eram habitantes de Nazaré quando Gabriel anunciou o vindouro nascimento de Jesus. (Luc. 1:26, 27; 2:4, 39) Mais tarde, após o seu retorno do Egito, passaram a morar novamente em Nazaré. — Mat. 2:19-23; Luc. 2:39.
LOCALIZAÇÃO
A evidência favorece a identificação de Nazaré com o lugar na moderna En-Nasira, na Galiléia. Se este conceito for correto, Nazaré ficava nas montanhas baixas pouco ao norte do Vale de Jezreel, aproximadamente a meio caminho entre a ponta meridional do Mar da Galiléia e o litoral do Mediterrâneo. Ficava numa bacia nas montanhas, com os morros elevando-se de 122 a 152 metros acima dela. A região era bem povoada, com várias cidades e povoações perto de Nazaré. Calcula-se também que se podia andar de Nazaré a Ptolemaida, no litoral do Mediterrâneo, em sete horas, a Tiberíades, no Mar da Galiléia, em cinco horas, e a Jerusalém, em três dias.
Em certa ocasião, o povo de Nazaré tentou lançar Jesus da “beirada do monte em que se situava a sua cidade”. (Luc. 4:29) Isto não quer dizer que Nazaré ficava logo junto à borda ou beirada, mas que estava situada num morro com uma beirada escarpada da qual queriam lançar Jesus. Esta tem sido muitas vezes identificada com uma escarpa rochosa de uns 12 metros de altura ao sudoeste da cidade.
O DESTAQUE DE NAZARÉ
É difícil dizer com certeza que destaque Nazaré tinha no primeiro século. O conceito mais comum dos comentaristas é que Nazaré era mais uma aldeia retirada, insignificante. A principal declaração bíblica para apoiar este conceito é o que Natanael disse quando soube que Jesus vinha de lá: “Pode sair algo bom de Nazaré?” (João 1:46) Isto tem sido tomado como significando que Nazaré era menosprezada até mesmo pelo povo da Galiléia. (João 21:2) Além disso, alguns afirmam que Nazaré não se encontrava diretamente nas rotas comerciais daquela região. Não foi mencionada por Josefo, embora ele mencionasse a vizinha Jafia como a maior aldeia fortificada da Galiléia, dando a idéia de que Nazaré fora eclipsada pela sua vizinha.
Por outro lado, Natanael talvez só expressasse surpresa diante da afirmação de Filipe de que um homem da cidade vizinha de Nazaré, na Galiléia, fosse o prometido Messias, porque as Escrituras predisseram que ele viria de Belém, em Judá. (Miq. 5:2) Josefo não mencionou muitos dos povoados da Galiléia, de modo que não mencionar ele Nazaré talvez não tenha significado especial. É digno de nota que a
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