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Havia o Messias de sofrer e morrer?Despertai! — 1983 | 22 de setembro
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desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava. . . . Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude das nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. . . . Iahweh fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. . . . Quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter ele sido ferido pela transgressão do seu povo? . . . Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado [“oferece a si mesmo em restituição”, JP], certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar. Após o trabalho fatigante da sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões. Eis por que lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a sua alma à morte . . . mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.”
Observe que Isaías falou da implantação da justiça por meio de uma pessoa que é ‘esmagada em virtude das nossas iniqüidades’ qual “sacrifício pelo pecado” e que por conseguinte leva “a iniqüidade de todos nós”. Visto que Daniel 9:24-26 indicou que o Messias proveria tal expiação, Isaías 53:3-12 também deve referir-se à obra do Messias.
Explicado um Paradoxo
Mas, se o Messias havia de sofrer e morrer para expiar os pecados de outros, como pode governar qual rei, como Isaías também havia profetizado? O próprio Isaías aludiu a esse aparente paradoxo ao dizer sobre o Messias: “Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, . . . prolongará os seus dias”, e “com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a sua alma à morte”. Como poderia realmente ocorrer tal evidente paradoxo? Como é possível a pessoa ‘prolongar os seus dias’ após ter ‘entregue a sua alma à morte’?
Como outro servo de Deus certa vez perguntou: “Se um homem morre, pode ele viver de novo?” (Jó 14:14) As Escrituras Hebraicas respondem com um retumbante Sim! Não só existem exemplos registrados em que os profetas de Deus trouxeram de novo à vida pessoas mortas, mas somos também informados da época em que “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão”. — Daniel 12:2; veja 1 Reis 17:17-24; 2 Reis 4:32-37; 13:20, 21.
Assim, para que a Palavra de Deus se cumprisse, o Messias também precisava ser trazido de novo à vida, ou ser ressuscitado. Apenas então estaria em condições de reinar e proporcionar bênçãos adicionais à humanidade. As palavras de Davi podiam, assim, ser corretamente aplicadas a ele: ‘‘Não abandonarás a minha alma na sepultura.” — Salmo 16:10, Le.
Essas profecias bíblicas foram eventualmente entendidas assim pelos discípulos judaicos de Jesus, do primeiro século. Assim, o sofrimento e a morte de Jesus não mais foram encarados como entraves a ele ser o Messias. Na verdade, tais eventos vieram a ser encarados como evidência corroborativa de que Jesus era o Messias!
Por Que Tão Difícil de Aceitar?
Contudo, a maior parte da nação judaica naquele tempo achou difícil aceitar esse conceito de um Messias sofredor e morredouro. Sem dúvida, isso se deu devido a outras crenças populares no período. Por exemplo, muitos judeus criam lhes ser possível sobrepujar completamente sua inclinação inata para o mal por meio de seus empenhos em guardar a Lei mosaica, a Torá. Tais pessoas esperavam “dar fim ao pecado” por conta própria, e conseqüentemente não viam nenhuma necessidade de um Messias morrer e assim expiar os pecados deles.
Outro ensinamento popular era o de que os judeus seriam declarados justos por Deus simplesmente por serem descendentes de Abraão. Novamente, se a justiça é automaticamente imputada aos judeus, não há necessidade de um Messias para ‘justificar a muitos’. Sim, como disse Klausner, “a inteira idéia de um Messias que havia de ser morto era, nos dias de Jesus, impossível de compreender . . . por parte dos judeus”.
Talvez por uns 100 anos após a morte de Jesus o povo judaico se recusou a crer num Messias que seria morto. E daí aconteceu algo que mudou isso. Que foi?
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Que aconteceu às expectativas judaicas?Despertai! — 1983 | 22 de setembro
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Que aconteceu às expectativas judaicas?
A COLEÇÃO de antigos escritos judaicos conhecida como Talmude da Babilônia, contém o seguinte comentário sobre o Messias, datado do início do segundo século:
“‘E a terra pranteará’ (Zac. 12:12). Qual a razão desse pranto? . . . o r[abino] Dosa diz: ‘[Prantearão] por causa do Messias, que será morto.’”
Curiosamente, essa passagem fala do Messias como sendo morto; contudo, temos visto que tal conceito era incompreensível para os judeus do primeiro século. Que contribuiu para a mudança de conceito?
Parece que a idéia de um Messias morredouro ganhou popularidade durante o segundo século de nossa Era Comum, especialmente desde a morte de Simeon Barcocheba. Barcocheba era guerreiro, um político revolucionário. Foi amplamente aclamado como sendo o Messias. Mesmo o rabino Aquiba-ben-José, que tem sido chamado de “o mais influente de todos os Sábios rabínicos aclamou Barcocheba qual Messias.
Barcocheba acabou liderando uma revolta judaica contra o governo romano. Após uma vitória inicial sobre as legiões de Roma, Barcocheba combateu por três anos os exércitos romanos que reapareciam, numa luta que exigiu mais de meio milhão de vidas judaicas. Contudo, a rebelião foi esmagada em 135 EC e Barcocheba foi morto.
A geração que sinceramente apoiou Barcocheba se encontrava agora numa situação estranha. A morte de Barcocheba pôs em questão não só a esperança messiânica mas também a honra do rabino José. O dr. José Heinemann, da Universidade Hebraica, em Jerusalém, explica o impacto da morte de Barcocheba sobre seus contemporâneos:
“Essa geração deve ter tentado, a todo custo, conseguir o impossível: apoiar o messianismo de Barcocheba, apesar de seu fracasso. Essa posição paradoxal não poderia encontrar expressão mais adequada do que na altamente ambivalente lenda do Messias militante condenado a cair em batalha e que, não obstante, permanece sendo um genuíno redentor.”
Mas, como podiam os judeus reconciliar essa idéia de um Messias morredouro com o fato de que o Messias havia de governar qual rei? Como observa Raphael Patai:
“Resolveu-se o dilema por dividir a pessoa do Messias em duas: uma delas, chamada Messias ben José [ou, filho de José], havia de sublevar os exércitos de Israel contra seus inimigos, e, após muitas vitórias e milagres, cairia vítima. . . . A outra, o Messias ben Davi [ou, filho de Davi], seguir-lhe-ia . . . e conduziria Israel à vitória derradeira, ao triunfo, e à messiânica era de bem-aventuranças.”
Essa idéia de um Messias morredouro continuou a se desenvolver nos anos que se seguiram à morte de Barcocheba, e eventualmente veio a ser aplicada a um Messias ainda futuro, que morreria em batalha. Elucidando isso, Patai explica: “Pensa-se que se deve entender que . . . [o Messias], qual Filho de José, morrerá no limiar do Fim dos dias, mas daí voltará de novo à vida qual Filho de Davi e completará a missão que começou em sua encarnação anterior.”
Quão estranhamente paralelo isso é às crenças dos cristãos do primeiro século! Ambos os grupos afirmavam crer num Messias que morreria e seria ressuscitado antes da predita era de paz!
Levantam-se Novas Objeções
Nos primeiros séculos de nossa Era Comum, o Império Romano pagão se converteu ao catolicismo romano, e o anti-semitismo tornou-se então popular entre os que professavam seguir a Jesus. Nos anos seguintes, os judeus testemunharam atrocidades tais como as Cruzadas e a Inquisição, atos que violavam claramente o mandamento de Deus de “amar o teu próximo como a ti mesmo”. (Levítico 19:18) Ademais, os que professavam seguir a Jesus abraçaram crenças não cristãs, tais como a adoração de um Deus trino. Contudo, Moisés ensinou: “O SENHOR É UM.” (Deuteronômio 6:4) Assim, embora a objeção original a Jesus qual Messias morredouro não mais pudesse ser considerada válida, surgiu uma nova objeção, uma objeção à conduta e às crenças antibíblicas dos que professavam seguir a Jesus. O judaísmo, pois, continuou a rejeitar o cristianismo.
O Messias — Real ou Ideal?
A esperança messiânica em Israel continuou através dos séculos. Por exemplo, quando o rabino medieval Maimônides formulou suas Treze Regras de Fé, incluiu a seguinte: “Creio . . . com plena fé que o Messias virá, e, embora possa tardar, ainda assim aguardarei cada dia a sua vinda.”
Contudo, em tempos mais modernos, a inteira idéia de um Messias pessoal foi relegada ao esquecimento entre muitos judeus. Por exemplo, um século atrás Joseph Perl escreveu: “Os judeus verdadeiramente instruídos de modo algum imaginam o Messias qual personagem real.”
Tais judeus encaram o Messias como sendo, não um indivíduo real, mas sim um ideal, de modo que preferem falar numa era messiânica em vez de num Messias. Contudo, sem um Messias pessoal não poderia haver era messiânica.
Mas, quando viria esse Messias? Que dizem as Escrituras Hebraicas?
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O aparecimento do Messias — quando?Despertai! — 1983 | 22 de setembro
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O aparecimento do Messias — quando?
O TALMUDE da Babilônia conserva uma lenda interessante sobre Jonathan ben Uzziel, o tradutor da paráfrase aramaica dos profetas hebreus conhecida como Targuns. Segundo a lenda, Jonathan desejava traduzir os livros hagiógrafos, a parte final das Escrituras Hebraicas, para o aramaico. Contudo, uma “voz celestial” disse a Jonathan que desistisse, porque essa parte das Escrituras continha a data do aparecimento do Messias.
Curiosamente, uma profecia de Daniel (o livro de Daniel é hagiógrafo) que já identificamos como se referindo especificamente ao Messias, deveras contém informação cronológica com respeito ao seu aparecimento. Veja de novo o que se nos diz em Daniel 9:24-27 (Zunz, em inglês):
“Setenta semanas (de anos) têm sido designadas sobre vós, povo, e sobre a vossa cidade santa, para reprimir a apostasia e dar fim ao pecado, e para expiar o erro, e para trazer salvação eterna. . . . E podeis saber e entender: desde a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, há sete semanas (de anos); também sessenta e duas semanas (de anos), de modo que a feira e o fosso serão reconstruídos, e isso na premência dos tempos. E após as sessenta e duas semanas (de anos) um Ungido será destruído. . . . E ele firmará com muitos um sólido pacto, por uma semana (de anos), e na metade da semana (de anos) ele cancelará o sacrifício e a oblação.”
Note que se diz que esse período é de “setenta semanas (de anos)”. A expressão hebraica usada aqui literalmente significa “setenta semanas”, ou “setenta héptadas”. Contudo, os eruditos judaicos geralmente têm entendido que a duração de cada semana não é de sete dias, mas, sim, de sete anos. Concordemente, o rabino Leopold Zunz traduziu tal expressão hebraica por “setenta semanas (de anos)” na tradução citada acima. (Veja também A Bíblia Viva, que a traduz por “quatrocentos e noventa anos”, e a Moffatt, em inglês, que a traduz por “semanas de anos”.) Assim, o período inteiro de “setenta semanas” abrange 490 anos.
Quando começa esse período de 490 anos? Segundo a profecia, o ponto de partida é “a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém”. Foi alguma vez baixado tal decreto?
Embora Daniel vivesse o suficiente para ficar sabendo de um decreto do Rei Ciro, da Pérsia, em 538/7 AEC, para reconstruir o templo em Jerusalém, foi quase um século mais tarde que foi baixado um decreto para reconstruir a própria Jerusalém. Neemias 2:1-8 registra que o Rei Artaxerxes Longímano emitiu tal decreto no 20.º ano de seu reinado. E quando foi isso? As fontes históricas mais confiáveis nos informam de que Artaxerxes começou seu reinado em 474 AEC, o que situa seu 20.º ano e seu decreto em 455 AEC.a Assim, esse período de 490 anos começou em 455 AEC.
Exatamente quando, durante esses 490 anos, haveria de aparecer o Messias? Note que as 70 semanas são divididas em três períodos, a saber, de 7 semanas, 62 semanas, e uma semana. Em adição, a profecia diz que o Messias apareceria depois que tanto o período de 7 como o de 62 semanas tivessem passado, ou depois de 69 “semanas de anos”, ou 483 anos. Podemos concluir, pois, que o aparecimento do Messias estava predito para 483 anos após 455 AEC, ou seja, em 29 EC.
Ademais, a profecia indica que o Messias seria destruído, ou morreria, após o período de 62 semanas (que segue ao período de 7 semanas), e, assim, durante o período final de uma semana de duração. Este período final de sete anos devia correr de 29 EC a 36 EC. Mas, quando durante esta semana final ele morreria? Informa-se-nos que “na metade da semana (de anos)” o Messias ‘cancelaria o sacrifício e a oblação. Como a profecia indicara também que a morte do Messias proveria expiação genuína pelo pecado, uma vez morto o Messias quaisquer sacrifícios animais no templo seriam inúteis. Assim, a profecia evidentemente predisse que o Messias morreria “na metade da semana (de anos)”, ou em 33 EC.
Apareceu realmente o Messias em 29 EC e morreu em 33 EC? Como já vimos, os judeus desse primeiro século aguardavam ansiosamente que o Messias viesse naquele tempo. (Lucas 3:15) Mas, de todos os que no primeiro século reivindicavam ser o Messias, só um surgiu no cenário mundial em 29 EC e morreu em 33 EC, e este foi Jesus de Nazaré! — Veja Lucas 3:1, 2.
Como também já vimos, os seguidores de Jesus do primeiro século não só puderam harmonizar eventos na vida de Jesus com profecias das Escrituras Hebraicas, mas estavam também convencidos, devido às aparições de Jesus após a sua morte, de que ele fora ressuscitado e que algum dia retornaria para governar qual Rei messiânico e introduzir a predita era de paz.
Mas, onde é que nós hoje nos enquadramos nisso? Já faz agora cerca de 2.000 anos desde que Jesus morreu, e ainda não vimos essa predita era de paz. Contudo, o próprio Jesus predisse quais seriam as condições prevalecentes na época dos “últimos dias” do atual sistema de coisas e o pleno estabelecimento do Reino messiânico de Deus. — Mateus, capítulo 24, e Lucas, capítulo 21.
Se for assim, isso significará que poderemos alcançar com vida a época em que “o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito; . . . e o leão comerá palha como o boi”, a época em que as pessoas “não ferirão nem destruirão”. — Isaías 11:1-10.
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