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MesopotâmiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ao redor de Harã (Gên. 24:2-4, 10), ou a região montanhosa setentrional em torno de Petor (Deut. 23:4; compare com Números 23:7), é incluída sob a designação “Arã-Naaraim” (Mesopotâmia). Embora a extensão da área sob controle do rei mesopotâmio Cusã-Risataim (o opressor de Israel no tempo do juiz Otniel) seja incerta, a sede de seu governo talvez também se situasse ao N. (Juí. 3:8-10) Foi provavelmente no norte da Mesopotâmia que o rei amonita, Hanum, alugou carros e cavaleiros para combater o Rei Davi. — 1 Crô. 19:6, 7.
Entre os judeus e os prosélitos presentes em Jerusalém para a festividade de Pentecostes de 33 EC havia também habitantes da Mesopotâmia. (Atos 2:1, 2, 9) Estes poderíam incluir residentes da parte S desta terra, a saber, do país de Babilônia. Neste sentido, é digno de nota que o historiador Josefo relata que “grandes números” de judeus se achavam no pais de Babilônia no primeiro século AEC. — Antiquities of the Jews (Antiguidades Judaicas), Livro XV, cap. II, par. 2.
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MessiasAjuda ao Entendimento da Bíblia
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MESSIAS
Da raiz verbal hebraica masháhh, que significa “besuntar”, e, assim, “ungir”. Messias (Mashíahh) significa “ungido” ou “o ungido”. O termo grego equivalente é Khristós, ou Cristo.
Nas Escrituras Hebraicas, a forma adjetiva mashíahh é aplicada a muitos homens. Davi foi oficialmente designado para ser rei por ser ungido com azeite, e, assim, é mencionado como “o ungido” ou, literalmente, “messias”. (2 Sam. 19:21; 22:51; 23:1; Sal. 18:50) Outros reis, incluindo Saul e Salomão, são chamados de “o ungido”, ou “o ungido de Jeová”. (1 Sam. 2:10, 35; 12:3, 5; 24:6, 10; 2 Sam. 1:14, 16; 2 Crô. 6:42; Lam. 4:20) O termo também é aplicado ao sumo sacerdote. (Lev. 4:3, 5, 16; 6:22) Os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó são chamados de “ungidos” ou meshihhím (LXX, khristoí) de Jeová. (1 Crô. 16:16, 22) O rei persa, Ciro, é chamado de “ungido”, no sentido de que foi designado por Deus para certa tarefa. — Isa. 45:1.
Nas Escrituras Gregas Cristãs, a forma transliterada Messías ocorre no texto grego em João 1:41, com a explicação, “que, traduzido, quer dizer: Cristo”. (Veja também João 4:25.) Às vezes, a palavra Khristós é usada sozinha, com referência àquele que é, ou que afirma ser, o Messias ou o Ungido. (Mat. 2:4; 22:42; Mar. 13:21) Na maioria de suas ocorrências, porém, Khristós é acompanhado pelo nome pessoal Jesus, como “Jesus Cristo” ou “Cristo Jesus”, para designá-lo como o Messias. Por vezes a palavra é usada sozinha, mas se referindo, especificamente, a Jesus, sendo entendido que Jesus é O Cristo, como a declaração: ‘Cristo morreu por nós’. — Rom. 5:8; João 17:3; 1 Cor. 1:1, 2; 16:24.
MESSIAS NAS ESCRITURAS HEBRAICAS
Em Daniel 9:25, 26, a palavra mashíahh se aplica exclusivamente ao vindouro Messias. (Veja Setenta Semanas.) No entanto, muitos outros textos das Escrituras Hebraicas também apontam para este Vindouro, mesmo que não o façam de modo exclusivo. Para exemplificar, Salmo 2:2 evidentemente teve sua primeira aplicação na época em que os reis filisteus tentaram destronar o ungido Rei Davi. Mas uma segunda aplicação, ao predito Messias, é estabelecida por Atos 4:25-27, onde o texto é aplicado a Jesus Cristo. Também, muitos dos homens chamados “ungidos”, em vários sentidos, prefiguraram ou representaram a Jesus Cristo e a obra que ele faria, entre estes achando-se Davi, o sumo sacerdote de Israel e Moisés (mencionado como Cristo em Hebreus 11:23-26).
Profecias que não empregam “Messias”
Numerosos outros textos das Escrituras Hebraicas que não mencionam especificamente o termo “Messias” eram entendidos pelos judeus como sendo profecias aplicáveis a ele. O dr. A. Edersheim localizou 456 trechos a que a “antiga Sinagoga se referia como sendo messiânicos”, e havia 558 referências nos mais antigos escritos rabínicos que apoiavam tais aplicações. [Life and Times of Jesus the Messiah (A Vida e a Época de Jesus, o Messias), Vol. 1, p. 163; Vol. 2, pp. 710-737] A título de exemplo, Gênesis 49:10 profetizava que o cetro governante pertencería à tribo de Judá, e que Siló viria através dessa linhagem. O Targum de Onkelos, o Targum de Jerusalém e o Midraxe reconhecem todos a expressão “Siló” como se aplicando ao Messias.
As Escrituras Hebraicas contêm muitas profecias que fornecem pormenores sobre a formação, as atividades, o tempo do aparecimento do Messias, o tratamento que outros lhe dariam, e o seu lugar no arranjo de Deus. Os vários indícios sobre o Messias combinavam- se para formar um grandioso quadro que ajudaria os adoradores verdadeiros a identificá-lo. Isto forneceria uma base para a fé nele como sendo o verdadeiro Líder enviado por Jeová. Embora os judeus não reconhecessem a priori todas as profecias que se relacionavam ao Ungido, a evidência contida nos Evangelhos mostra que eles, os judeus, dispunham de suficiente conhecimento através do qual poderiam reconhecer o Messias, quando ele surgisse.
ENTENDIMENTO DAS PROFECIAS MESSIÂNICAS NO PRIMEIRO SÉCULO EC
As informações históricas disponíveis revelam um quadro geral da amplitude de entendimento sobre o Messias que prevalecia entre os judeus no primeiro século da Era Comum. Tais informações são primariamente colhidas dos Evangelhos.
Rei e filho de Davi
Entre os judeus, era comumente aceito que o Messias seria um rei da linhagem de Davi. Quando os astrólogos indagaram sobre “aquele que nasceu rei dos judeus”, Herodes, o Grande, sabia que perguntavam sobre “o Cristo”. (Mat. 2:2-4) Jesus interrogou os fariseus quanto a de quem descenderia o Cristo ou Messias. Embora aqueles líderes religiosos não cressem em Jesus, eles sabiam que o Messias seria filho de Davi. — Mat. 22:41-45.
Nascido em Belém
Miquéias 5:2, 4 havia indicado que de Belém procederia aquele que seria “governante em Israel”, e que seria “grande até os confins da terra”. Entendia-se que isto se referia ao Messias. Quando Herodes, o Grande, perguntou aos principais sacerdotes e escribas onde é que o Messias nasceria, eles responderam: “Em Belém da Judéia”, e citaram Miquéias 5:2. (Mat. 2:3-6) E até mesmo alguns dentre o povo comum sabiam disso. — João 7:41, 42.
Um profeta que realizaria sinais
Por meio de Moisés, Deus predissera a vinda dum grande profeta. (Deut. 18:18) Nos dias de Jesus, os judeus esperavam por este. (João 6:14) O modo como o apóstolo Pedro empregou as palavras de Moisés, em Atos 3: 22, 23, indica que ele sabia que tais palavras seriam aceitas como sendo de natureza messiânica até mesmo por parte dos opositores religiosos e demonstra o generalizado entendimento de Deuteronômio 18:18. A mulher samaritana que estava junto ao poço também pensava que o Messias seria profeta. (João 4:19, 25, 29) O povo esperava que o Messias realizasse sinais. — João 7:31.
EXPECTATIVAS QUE LEVARAM À REJEIÇÃO DO MESSIAS POR PARTE DA NAÇÃO JUDAICA
O relato de Lucas indica que muitos judeus aguardavam ansiosamente o aparecimento do Messias no tempo específico em que Jesus esteve na terra. Simeão e outros judeus ‘esperavam a consolação de Israel’ e “o livramento de Jerusalém” quando o menino Jesus foi trazido ao templo. (Luc. 2:25, 38) Durante o ministério de João, o Batizador, o povo “estava em expectativa” do Cristo ou Messias. (Luc. 3:15) Muitos, porém, esperavam que o Messias satisfizesse suas noções preconcebidas. As profecias das Escrituras Hebraicas mostravam que o Messias viria em dois papéis diferentes. Um era “humilde, e montado num jumento”, ao passo que o outro era “com as nuvens dos céus”, para aniquilar os opositores e fazer com que todas as regências o servissem. (Zac. 9:9; Dan. 7:13, 27) Os judeus deixaram de avaliar que estas profecias se relacionavam a dois aparecimentos distintos do Messias, tais aparecimentos ocorrendo em épocas bem distantes uma da outra.
Fontes judaicas concordam com Lucas 2:38, no sentido de que o povo, naquele tempo, aguardava o livramento de Jerusalém. The Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica) observa: “Eles ansiavam o prometido libertador da casa de Davi, o qual os livraria do jugo do odiado usurpador estrangeiro, poria fim ao ímpio domínio romano e estabeleceria Seu próprio reinado de paz.” (Vol. 8, p. 508) Tentaram fazer dele um rei terrestre. (João 6:15) Quando não se dispôs a satisfazer suas expectativas, eles o rejeitaram.
Falsos Messias
Depois da morte de Jesus, os judeus seguiram muitos falsos Messias, como Jesus predissera. (Mat. 24:5) “Por meio de Josefo ficamos sabendo que parece que, no primeiro século, antes da destruição do Templo [em 70 EC], surgiram vários Messias, que prometiam o alívio do jugo romano, e encontraram prontos seguidores.” [The Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica), Vol. 10, p. 251] Daí, em 132 EC, Barcocheba (Bar Koziba), um dos mais destacados dos pseudomessias, foi saudado como o Messias-rei. Ao esmagar a revolta por ele dirigida, os soldados romanos mataram milhares de judeus. Ao passo que tais falsos Messias ilustram que muitos judeus estavam prioritariamente interessados num Messias político, mostram também que eles esperavam apropriadamente um Messias pessoal, e não apenas uma era messiânica ou uma nação messiânica. Alguns crêem que Barcocheba descendia de Davi, o que o teria ajudado em suas pretensões messiânicas. Mas tal afirmação carece de peso, pois os registros genealógicos foram destruídos em 70 EC. Assim, posteriores pretendentes ao cargo de Messias não podiam comprovar que eles eram da família de Davi. (O Messias, por conseguinte, tinha de aparecer antes de 70 EC, como Jesus apareceu, a fim de provar sua afirmação como herdeiro de Davi. Isto mostra que as pessoas que ainda aguardam o aparecimento terrestre do Messias estão erradas.) Entre tais posteriores pretendentes a Messias achavam-se Moisés de Creta, que asseverou que dividiria o mar entre Creta e a Palestina, e Sereno, que desencaminhou muitos judeus na Espanha. The Jewish Encyclopedia alista 28 falsos Messias entre 132 EC e 1744 EC.
JESUS AFIRMAVA SER O MESSIAS E FOI ACEITO COMO TAL
A evidência histórica encontrada nos Evangelhos demonstra que Jesus era deveras o Messias. As pessoas, no primeiro século, que estavam em condições de questionar as testemunhas e de examinar a evidência, aceitavam a informação histórica como autêntica. Estavam tão seguras de sua exatidão que
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