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É misericordioso assim como seu Pai é misericordioso?A Sentinela — 1973 | 15 de março
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É misericordioso assim como seu Pai é misericordioso?
JEOVÁ é um Deus que “é rico em misericórdia”. O salmista cantou a seu respeito: “Jeová é clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e grande em benevolência. Jeová é bom para com todos, e suas misericórdias estão sobre todos os seus trabalhos.” — Efé. 2:4; Sal. 145:8, 9.
De que significado lhe é isso? Pensa na misericórdia de Deus como qualidade que se manifesta apenas quando pessoas estão “em prova” perante ele, por terem cometido alguma transgressão? Expressa ele a misericórdia apenas quando alivia sua sentença de julgamento contra infratores?
De modo algum. É verdade que a misericórdia (hebr.: rahhám; grego: éleos), conforme usada nas Escrituras, pode ser descrita como ação negativa, tal como refrear-se de punir. Mas ela é mais freqüentemente descrita como ação positiva. Conforme já tratado num número anterior desta revista,a a misericórdia é basicamente “compaixão em ação”, uma expressão de bondade ou pena que dá alívio aos em necessidade, dificuldade ou perigo.
Longe de se limitar a decisões judiciais, a misericórdia é uma qualidade característica da personalidade de Deus. É seu modo normal de reagir para com os em necessidade, um aspecto de seu amor, que acalenta o coração. O Filho de Deus, que revelou a personalidade de seu Pai, ajuda-nos pela sua própria personalidade, expressão e ação a reconhecer que Jeová deveras é “o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo”. (João 1:18; 2 Cor. 1:3) De fato, um dos principais motivos pelo qual o Filho de Deus foi enviado à terra era o de “se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas referentes a Deus”, alguém por meio de quem podemos aproximar-nos, “com franqueza no falar, do trono de benignidade imerecida, para obtermos misericórdia e acharmos benignidade imerecida para ajuda no tempo certo”. — Heb. 2:17, 18; 4:15, 16.
Não é que Deus seja sentimentalista. Seu uso de misericórdia sempre está em harmonia com as suas outras qualidades e suas normas justas, inclusive sua justiça e sua santidade. (Osé. 2:19) Por isso, nunca devemos tentar abusar da misericórdia de Deus, pensando que ele continuará a ser misericordioso conosco, não importa o que façamos. Não se pode zombar dele, e os que deliberadamente semeiam o mal, só podem esperar ceifar o mal. (Gál. 6:7) Se tivermos desrespeito deliberado para com os modos justos de Deus, pelas nossas palavras, nossas ações e nosso proceder na vida, então o ofendemos, e ele poderá de direito ‘cortar em ira as suas misericórdias’. — Sal. 77:9; Rom. 2:4-11.
MISERICÓRDIA GERA MISERICÓRDIA
O Filho de Deus disse: “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.” (Mat. 5:7) Isto é assim também em grande parte mesmo nos nossos tratos com outros, não é? Jesus expressou o princípio de que “assim como quereis que os homens façam a vós, fazei do mesmo modo a eles”. Depois de exortar seus discípulos a ‘continuar a tornar-se misericordiosos’, iguais ao seu Pai, e a parar de julgar e de condenar outros, ele acrescentou: “Praticai o dar, e dar-vos-ão. Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante. Pois, com a medida com que medis, medirão a vós em troca.” — Luc. 6:31, 36-38.
Muitos dos provérbios inspirados salientam este ponto. Provérbios 28:27 diz: “Quem dá àquele de poucos meios não terá carência, mas aquele que oculta os seus olhos receberá muitas maldições.” Também: “Quem é bondoso de olho será abençoado, porque deu do seu alimento ao de condição humilde.” — Pro. 22:9.
Tais tratos compassivos, porém, certamente não se limitam a dádivas materiais. É preciso alimentar a mente e o coração das pessoas, pois precisam de sustento espiritual, de notícias animadoras e de encorajamento. Senão sofrerão necessidades e fome mais dolorosas do que se faltasse alimento material. Isto é mais veraz hoje do que antes.
Num mundo em que há muita insensibilidade para com as necessidades das pessoas, em que as críticas duras são tão freqüentes e as expressões animadoras de apreço são tão poucas, a pessoa misericordiosa é deveras uma bênção revigorante. Dar ela generosamente de si mesma, ainda mais do que de seus bens, não passará sem recompensa — certamente não passará sem recompensa da parte de Jeová. A Palavra de Deus diz: “Aquele que mostra favor ao de condição humilde está emprestando a Jeová, e Ele lhe retribuirá o seu tratamento.” (Pro. 19:17) Sim, Jeová aprecia os que imitam a sua misericórdia.
A Bíblia associa intimamente a misericórdia com a bondade. Depois de prometer a Moisés que lhe ia revelar ‘toda a sua bondade’, Jeová fez com que seu anjo passasse diante do profeta e falasse sobre a misericórdia e a benevolência de Deus. (Êxo. 33:19; 34:6, 7) Também o Salmo 145:9 faz o paralelo entre a bondade e a misericórdia, dizendo: “Jeová é bom para com todos, e suas misericórdias estão sobre todos os seus trabalhos.”
Até que ponto a pessoa misericordiosa pode suscitar sentimentos recíprocos de compaixão em outros se vê na expressão de Paulo em Romanos 5:7, onde ele diz: “Pois, dificilmente morrerá alguém por um justo, deveras, por um homem bom, talvez alguém ainda se atreva a morrer.” Então, por que é mais provável que alguém se atreva a morrer por um “homem bom” do que por um “justo”?
Um homem poderia ser considerado pelas pessoas como “justo” se for mesmo justo, honesto e não culpado de imoralidade. É um homem livre de acusação duma transgressão. Mas o “homem bom” vai além disso. Ele não só se preocupa com fazer o que é direito e correto. Ele é movido pela compaixão para fazer ainda mais do que a justiça exige, sendo motivado pela consideração sadia para com os outros e pelo vivo desejo de dar-lhes proveito, de ajudá-los, contribuindo assim o máximo que puder para a sua felicidade. Ao passo que o “justo” obtém respeito e admiração, seu atrativo para o coração não é tão forte como o de um “homem bom”. Sim, porque o homem cordial, cortês, misericordioso e prestimoso, cuja bondade é deveras notável, criando afeto no coração dos outros — por um homem assim, diz Paulo, alguém talvez ainda esteja disposto a morrer. E se os homens podem mostrar tal apreço pela pessoa compassiva, quanto mais o faz Deus! Pois o sacrifício que Deus fez de seu Filho amado exemplifica seu próprio amor à bondade e à compaixão. — Rom. 5:6-8.
A FALTA DE COMPAIXÃO OFENDE
Se a misericórdia gera misericórdia, o inverso dela também é verdade. A parábola de Jesus, a respeito do escravo desapiedado, o qual, depois de seu amo régio lhe perdoar uma enorme dívida, não mostrou nenhuma compaixão para com um co-escravo que lhe devia apenas uma quantia pequena, ilustra isso muito bem. A falta de misericórdia da parte do homem foi repugnante aos outros escravos, que contaram isso ao amo; e o amo, chamando o escravo desapiedado, disse: “Escravo iníquo, eu te cancelei toda aquela dívida, quando me suplicaste. Não devias tu, por tua vez, ter tido misericórdia de teu co-escravo, assim como eu também tive misericórdia de ti?” Ficando irado, o amo mandou que o escravo desapiedado fosse lançado na prisão. — Mat. 18:32-34.
Um sentimento similar foi expresso por Davi ao ouvir a narrativa de Natã sobre o rico que tirou a única cordeira dum pobre, para oferecer um banquete a um hóspede. Davi clamou irado: “O homem que fez isso merece morrer!” Por quê? “Por não ter tido compaixão” para com o seu próximo. Mas Davi, embora no coração fosse homem compassivo, conforme mostrou a sua própria expressão, sofreu um golpe esmagador ao ser informado: “Tu mesmo és o homem!” Portanto, embora nós mesmos talvez pratiquemos a misericórdia, não podemos ficar complacentes, mas temos de acatar a exortação: “Continuai a tornar-vos misericordiosos, assim como vosso Pai é misericordioso.” — 2 Sam. 12:1-7; Luc. 6:36.
A seriedade do assunto é vista na declaração bíblica de que os “desapiedados” são contados entre os que Deus considera como ‘merecendo a morte’. (Rom. 1:31, 32) Tome o caso dos fariseus, dos quais ,Jesus disse que, como classe, estavam destinados para a Geena, para a destruição eterna. (Mat. 23:23, 33) Evidentemente, a falta de misericórdia contribuiu em grande parte para merecerem esta condenação. Ao repreendê-los por ‘condenarem os inocentes’, Jesus disse-lhes que ‘fossem e aprendessem o que significa: “Misericórdia quero, e não sacrifícios.”’ — Mat. 9:11-13; 12:7; Osé. 6:6.
A raiz do problema dos fariseus era sua maneira legalista de encarar todos os assuntos. Preocupavam-se intensamente com regras, regulamentos e procedimentos, mas despercebiam ou davam menos consideração aos princípios mais ponderosos da Palavra de Deus e aos preceitos fundamentais da verdadeira adoração. Certamente não eram semelhantes Aquele a quem professavam ter por Pai celestial. (João 8:41) Percebemos em nós mesmos qualquer inclinação de ser semelhantes a eles?
Embora a misericórdia de Deus de modo algum se limite a tempos de julgamento, estas são certamente ocasiões em que ela se manifesta notavelmente. E quanto nós devemos desejar ser o alvo da misericórdia de Deus em tais ocasiões!
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“A misericórdia exulta triunfantemente sobre o julgamento” — como?A Sentinela — 1973 | 15 de março
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“A misericórdia exulta triunfantemente sobre o julgamento” — como?
QUE a misericórdia pode ‘exultar triunfantemente sobre o julgamento’ deve ser de vivo interesse para todos nós. Por quê? Porque o apóstolo Paulo, nos seus escritos sagrados, assegura que “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. — Tia. 2:13; Rom. 14:12.
O que deve aumentar nossa preocupação é que já se aproximou muito o tempo de Deus agir de modo judicial para com toda a humanidade. As profecias mostram que a mística “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa, bem como todas as nações políticas sentirão em breve a força do julgamento divino. Todos os que estão na terra confrontam-se com um período de “grande tribulação”, e a sobrevivência a ela dependerá de se ter a aprovação de Deus, o seu julgamento favorável. (Mat. 24:21, 22; 25:31-34, 41; Rev. 17:1-5; 19:11-15) Este tempo de tribulação introduzirá a regência milenar do Filho de Deus sobre a terra, o “Dia de Juízo” durante o qual tanto os sobreviventes vivos como os mortos ressuscitados serão julgados segundo os seus atos. — Mat. 11:21-24; 12:41, 42; Atos 10:42; Rev. 20:12, 13.
Mas a misericórdia pode ‘exultar triunfantemente sobre o julgamento’ mesmo no tempo atual, porque as sentenças judiciais de Deus não se limitam exclusivamente àqueles períodos de julgamento ainda no futuro. Jeová Deus trata diariamente com seus servos por meio de Cristo Jesus que é cabeça da congregação cristã em toda a terra. Ele manifesta seu favor ou desfavor para com eles em vários graus e de diversos modos, tanto de maneira coletiva como individual, assim como fez com a congregação do Israel carnal, na antiguidade.
Por exemplo, Jeová pode atuar como Juiz em elevar alguém a um cargo de maior responsabilidade entre seu povo, ao passo que rebaixa outro. (Veja o Salmo 75:6, 7) Ou quando há controvérsia entre os que afirmam servi-lo alguém talvez sendo acusado ou hostilizado injustamente, Deus pode de modo similar deixar saber seu ponto de vista e manifestar a quem favorece nesta questão. (Sal. 35:1, 23, 24) Por outro lado, também, as Escrituras mostram que na congregação cristã há anciãos que servem como juízes, representando a Cristo Jesus, seu Chefe, e seu Pai, Jeová Deus. Seu julgamento deve orientar-se pela Palavra expressa de Deus e basear-se nela. Deus pode usar tais homens para expressar julgamento ou aplicar disciplina. — 1 Cor. 5:3-5, 12, 13; 6:2-5.
EVITE ‘TER SEU JULGAMENTO SEM MISERICÓRDIA’
Quer em algum ponto crítico no tempo atual, quer no Dia do Juízo que se aproxima rapidamente, como passaremos nós ao prestarmos contas a Deus e a seu Juiz designado, Cristo Jesus? Há muitos fatores envolvidos, mas podemos considerar aqui, com muito proveito, aquele que foi enfatizado por Tiago, discípulo e meio-irmão de Jesus, ao dizer: “Pois, quem não praticar misericórdia terá o seu julgamento sem misericórdia. A misericórdia exulta triunfantemente sobre o julgamento.” (Tia. 2:13) Como poderemos provar que ‘praticamos a misericórdia’ para evitar o “julgamento sem misericórdia”?
Considere primeiro o texto circundante das palavras inspiradas de Tiago. Ele salientou antes quão errado é mostrar favoritismo na congregação, ser parcial para com os financeiramente prósperos, em detrimento dos pobres. (Tia. 2:1-9) Ele salientou também a importância de se ajudar os necessitados entre os discípulos e de se cuidar deles. (Tia. 1:27; 2:14-17) Daí, ao considerar o julgamento mais pesado” ao qual estão sujeitos os que servem como instrutores congregacionais, ele declarou vigorosamente a necessidade de se usar a língua de modo correto — para abençoar e beneficiar, não para amaldiçoar e prejudicar. — Tia. 3:1-18.
Portanto, onde nos enquadramos nisso? Mostramos consideração especial para com os financeiramente prósperos em detrimento dos financeiramente pobres, quer ministremos dentro quer fora da congregação de Deus? Se tivermos um cargo de responsabilidade entre o povo de Deus, concedemos favores, privilégios e concessões especiais nesta base? Ou tratamos a todos com imparcialidade, estando mais interessados em discernir boas qualidades espirituais, em vez de bens materiais ou tino comercial? Lembramo-nos de que, embora alguns talvez contribuam mais de modo financeiro do que outros, ainda são as ‘moedinhas da viúva necessitada’ que são mais elogiáveis, porque são dadas, não da abundância, mas da carência da pessoa? — Luc. 21:1-4.
Mas o que tem isso de ver com a misericórdia? Como é a misericórdia afetada pela parcialidade ou pelo favoritismo?
Tiago escreveu: “Ora, se estiverdes executando a lei régia, segundo as Escrituras: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo’, fazeis muito bem. Mas, se continuardes a mostrar favoritismo [“esnobismo”, New English Bible], estais praticando um pecado, porque sois repreendidos pela lei como transgressores.” (Tia. 2:8, 9) A parcialidade ou o favoritismo são contrários à misericórdia e a sufocam. Fazem com que a pessoa seja insensível para com as necessidades dos outros, ou como diz Provérbios 21:13, com que ‘se tape o ouvido’ para não ouvir “o clamor queixoso do de condição humilde”.
É verdade que se pode mostrar e em alguns casos se deve mostrar consideração especial. Mas o que nos deve induzir a mostrar tal consideração especial devem ser as boas qualidades espirituais da pessoas. Por exemplo, 1 Timóteo 5:17 diz: “Os homens mais maduros [anciãos], que presidem de modo excelente, sejam contados dignos de dupla honra, especialmente os que trabalham arduamente no falar e no ensinar.” Paulo escreveu a respeito de Epafrodito, que “chegou quase a morrer . . ., expondo a sua alma ao perigo” para prestar serviço a Paulo: “Tende em estima a homens desta sorte.” (Fil. 2:25, 29, 30) Isto não é parcialidade. Significa dar reconhecimento devido e merecido por serviço fiel prestado.
Tiago mostra que a misericórdia desempenha um papel vital na adoração verdadeira. Ele diz que “a forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação, e manter-se sem mancha do mundo”. (Tia. 1:27) Quando observa que irmãos estão em sérias necessidades, tal adoração não lhe permite mostrar preocupação apenas por expressar o desejo ou até mesmo a fé no sentido de que ‘tudo sairá bem’. Sentir-se-á induzido a agir a favor deles, fazendo o possível para ajudar. — Tia. 2:14-17.
O apóstolo João escreveu no mesmo sentido: “Todo aquele que tiver os meios deste mundo para sustentar a vida e observar que o seu irmão padece necessidade, e ainda assim lhe fechar a porta das suas ternas compaixões, de que modo permanece nele o amor de Deus? Filhinhos, amemos, não em palavra nem com a língua, mas em ação e em verdade.” Sim, junto com a “declaração pública” do nome de Deus, não nos queremos esquecer de “fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios”, porque “vosso Pai é misericordioso”. — 1 João 3:17, 18; Heb. 13:15, 16; Luc. 6:36.
Além, disso, a verdadeira adoração exige ‘domar a língua’, não a usando em orgulho ou em ciúme, nem se gabando ou mostrando parcialidade, mas, antes, usando-a em mansidão, de modo pacífico e razoável. Tal uso bondoso e salutar da língua mostra que se tem a sabedoria que está “cheia de misericórdia”. (Tia. 3:13-18) Isto também é vital, porque “é da abundância do coração que a boca fala”. Este é o motivo de Jesus dizer que “de toda declaração sem proveito que os homens fizerem prestarão contas no Dia do Juízo”. — Mat. 12:34-36.
Portanto, se formos parciais em nossos tratos com outros, se formos insensíveis quanto a nos preocuparmos com as necessidades deles, se nosso uso da língua for duro contra os outros, julgando-os de modo crítico — o que poderemos esperar no tempo do julgamento, Tiago disse: “Quem não praticar misericórdia terá o seu julgamento sem misericórdia.” Sim, “quanto àquele que tapa seu ouvido contra o clamor queixoso do de condição humilde, ele mesmo também clamará e não se lhe responderá”. (Pro. 21:13) Deus, realmente, ‘pagar-lhes-á na mesma moeda’.
COMO A MISERICÓRDIA PODE EXULTAR TRIUNFANTEMENTE EM TEMPOS DE JULGAMENTO
Jeová Deus é deveras “clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e grande em benevolência”. Mas, os que desejam ter sua misericórdia em tempos de julgamento precisam eles mesmos ser misericordiosos. Jesus salientara antes o mesmo que Tiago, quando disse: “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.” — Sal. 145:8; Mat. 5:7.
Portanto, caso um cristão que é realmente compassivo caia em dificuldades, talvez por falhar em certo sentido ou mesmo por algum passo errado do momento, ele não precisa temer o “julgamento sem misericórdia”. Tal pessoa misericordiosa não se compara com o homem que abandona completamente o proceder justo para seguir o proceder iníquo, com o resultado de que “não será lembrado nenhum dos seus atos justos que praticou”, por parte de Deus ou pelos Seus representantes. (Eze. 18:24) Em tempos de julgamento — quer antes, quer durante, quer depois da “grande tribulação’ — seu proceder misericordioso ser-lhe-á de valor. “Pois Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome, por terdes ministrado aos santos e por continuardes a ministrar.” — Heb. 6:10.
Isto é ilustrado pelo caso de Davi. Se Deus tivesse considerado Davi apenas pelo que era na ocasião em que cometeu seus atos errados com respeito a Urias, o hitita, e a esposa dele, Jeová certamente não teria tido nenhum motivo para ter misericórdia no caso de Davi. Mas Jeová sabia que este ato não era nada característico de Davi e que este, na realidade, era um homem compassivo. Os antecedentes de Davi, quanto à devoção sincera e ele ser misericordioso no coração, certamente contribuíram muito para Jeová ter misericórdia com ele naquela ocasião, embora Davi de modo algum escapasse de ser disciplinado por Deus.
Jó perguntou, quando sob a pesada acusação de pretensos amigos: “Quando [Deus] demanda uma prestação de contas, que lhe posso responder?” Em que pensava Jó?
As suas palavras circundantes mostram que Jeová se interessaria muito em saber se Jó havia sido um homem de verdadeira compaixão, um homem de benevolência, bem como alguém que mantivera a integridade. (Jó 31:13-22, 29-32; veja Salmo 37:21-26.) Note que também Paulo, por causa da bondade revigorante que o discípulo Onesíforo teve para com ele, orou para que o Senhor concedesse a este homem e à sua família “achar naquele dia misericórdia da parte de Jeová”. — 2 Tim. 1:16-18.
Portanto, Deus usa corretamente de misericórdia para com os que têm bons antecedentes de tratos misericordiosos. Quando são levados a julgamento perante Deus, seu proceder misericordioso oferece-lhe um motivo justo para aplicar generosamente a eles as provisões agora disponíveis por meio do sacrifício resgatador de seu Filho. De modo que a misericórdia, de fato, pode ‘exultar triunfantemente’ sobre a ameaça de julgamento adverso que de outro modo seria aplicado a eles. (Tia. 2:13) Foram compassivos nos tratos com outros, e Jeová é compassivo para com eles.
Os que servem como anciãos nas congregações certamente procurarão representar fielmente os conceitos e os modos de Jeová em todos os seus tratos com seus irmãos e suas irmãs. Lembrar-se-ão de que eles mesmos terão de ‘prestar contas’ perante o Principal Pastor do rebanho. (Heb. 13:17; 1 Ped. 5:2-4) Ao servirem como juízes, não deixarão de observar os bons antecedentes de misericórdia da parte de alguns que talvez por um momento tropecem no seu caminho cristão, mas que se arrependem e manifestam o desejo sincero de continuar em fidelidade.
Sim, todos nós temos um motivo real para desejar vivamente que nossas “contas” mostrem que tivemos muita misericórdia, porque “a misericórdia exulta triunfantemente sobre o julgamento”.
[Foto na página 168]
Receberão misericórdia da parte de Deus os que mostram favoritismo para com os financeiramente prósperos?
[Foto na página 168]
É misericordioso empenhar-se em tagarelice prejudicial?
[Foto na página 169]
A misericórdia genuína requer atos, não apenas palavras, quando surgem casos de necessidade entre concristãos.
[Foto na página 170]
Os anciãos tratam com misericórdia os que praticam a misericórdia.
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A Refeição Noturna do SenhorA Sentinela — 1973 | 15 de março
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A Refeição Noturna do Senhor
◆ Na terça-feira, 17 de abril, a noitinha, após as 18 horas, as testemunhas cristãs de Jeová se reunirão nos seus Salões do Reino para comemorar a morte de seu Senhor Jesus Cristo. Trata-se dum acontecimento muito importante, porque o próprio Jesus ordenou expressamente que seus seguidores o fizessem. (1 Cor. 11:23-26) Ele Instituiu esta comemoração de sua morte para os membros prospectivos de seu reino, um restante dos quais participara nesta ocasião dos emblemas de pão e vinho. Entretanto, são bem-vindos todos os outros que se interessam em obter a vida por intermédio dos méritos do sacrifício de Cristo. Estes tirarão proveito espiritual da palestra sobre a refeição noturna do Senhor ou Ceia do Senhor, bem como da associação em cânticos e oração com outros cristãos.
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