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Atos — registro de testemunho intrépido e zelosoA Sentinela — 1976 | 1.° de setembro
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própria casa alugada e recebe benevolamente a todos os que vêm a ele, pregando-lhes o reino de Deus’. — Atos 28:30, 31.
Deveras, as realizações destes primitivos cristãos demonstram de modo bem claro que a obra começada por Jesus é de Deus e não de homens. Dirigidos pelo seu ressuscitado Amo e com o poder do espírito santo de Deus, puderam testemunhar de modo intrépido, zeloso e muito frutífero, o que resultou em muitos milhares tornarem-se crentes. Conforme o apóstolo Paulo conta isso numa de suas cartas, o zelo deles resultou em que as boas novas foram “pregadas em toda a criação debaixo do céu”. — Col. 1:23.
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A misericórdia de Deus com a humanidade em nosso século vinteA Sentinela — 1976 | 1.° de setembro
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A misericórdia de Deus com a humanidade em nosso século vinte
“É conforme ele diz também em Oséias: ‘Aos que não são meu povo, eu chamarei de “meu povo”, e àquela que não era amada, de “amada”; e no lugar onde se lhes disse: “Vós não sois meu povo”, ali serão chamados de “filhos do Deus vivente”.’” — Rom. 9:25, 26.
1. Que misericórdia demonstrada pelos maridos podem agradecer hoje as esposas?
TODOS NÓS nos alegramos de que, quando nascemos, nossos pais tiveram misericórdia conosco no nosso desamparo. As esposas alegram-se de que seu marido lhes mostra misericórdia em vista de seus padecimentos femininos, perturbações emocionais e fraquezas femininas. Essas esposas podem apreciar, como algo ainda próprio hoje em dia, a exortação à misericórdia feita há dezenove séculos atrás: “Vós, maridos, continuai a morar com elas da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino, visto que sois também herdeiros com elas do favor imerecido da vida.” — 1 Ped. 3:7.
2. Por que alguns não se sentem felizes com a misericórdia de Deus, hoje em dia, considerando-se mais misericordiosos do que ele?
2 Ainda há pessoas que procuram aplicar na sua vida as palavras tiradas do famoso Sermão do Monte: “Felizes os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.” (Mat. 5:7) Sentem-se felizes em imitar o Criador da humanidade, na sua demonstração de misericórdia com nossa raça refratária. Outros, em crescente número, questionam que as qualidades do Criador incluem a misericórdia. Eles se queixam: “Se há um Deus, então por que permite toda esta iniqüidade e essas dificuldades na terra? Se ele é todo-poderoso, por que não nos mostra um pouco de consideração misericordiosa, acabando com tudo isso e deixando-nos gozar a vida?” Tais queixosos expõem-se à influência da teoria chocante de que “Deus está morto”. Quer dizer, “morto” no que se refere à sua preocupação misericordiosa com a humanidade. Talvez cheguem à conclusão de que eles mesmos são mais misericordiosos com outros do que tal Deus “morto”. Não vêem nenhuma evidência da misericórdia de Deus em nosso século vinte.
3. Em que sentido tem a tolerância da iniqüidade por Deus, até agora, um objetivo misericordioso para conosco?
3 Todavia, já pensamos em que a permissão da iniqüidade por Deus, e de uma vida tão dura, na realidade talvez tenha um objetivo misericordioso? Por exemplo, se não se tolerasse a iniqüidade, não se poderia mostrar simultaneamente a misericórdia por parte de Deus. Não existia a iniqüidade aqui na terra já por milhares de anos antes de nós nascermos? Sim! Então, se o Deus Todo-poderoso tivesse acabado com essa iniqüidade já antes de nosso tempo, viveríamos hoje?
4. A que oito humanos podemos agradecer estarmos hoje vivos, e por quê?
4 Pela verificação de registros históricos, autênticos, descobrimos que o Criador do céu e da terra acabou com a violência e iniqüidade mundiais há mais de quarenta e três séculos atrás, em 2370 A. E. C. Ele trouxe um dilúvio global, pelo qual apenas oito humanos passaram a salvo e escaparam dele numa enorme arca à prova de água. Em resultado disso, todas aquelas dezenas de milhares de famílias, que não entraram na arca construída por Noé e seus três filhos, tiveram todas as possíveis descendências até hoje cortadas por aquela catástrofe mundial. Podemos agradecer a Noé, Sem, Cã e Jafé, e suas esposas fiéis, por estarmos hoje vivos, neste século vinte. — Gên. 6:1 a 9:19.
5, 6. (a) Que pergunta surge agora a respeito da duração da misericórdia de Deus? (b) Que conceito equilibrado nos fornece Paulo em Romanos 9:21-26?
5 Na realidade, pois, podemos considerar nossa atual existência pessoal como evidência da misericórdia de Deus, não podemos? Sim, “misericórdia”, apesar de toda a violência e crescente violação da lei, que assinalam nosso século vinte. Mas, a grande questão agora é: Por quanto tempo mais suportará Deus esta iniqüidade em escala global, só por causa daqueles que se aproveitam de sua paciência e misericórdia? Não por muito mais tempo, segundo todas as indicações bíblicas. Portanto, não nos queixemos da permissão divina do mal na terra. Antes, aproveitemo-nos da misericórdia divina. Se fizermos isso, então, dentro em breve, quando Deus acabar com toda a iniqüidade que prevalece na humanidade, ele não acabará também com a nossa vida. Misericordiosamente, Ele nos introduzirá numa nova ordem justa e pacífica aqui na terra. Portanto, adotemos o conceito equilibrado do apóstolo cristão Paulo, que escreveu:
6 “O quê? Não tem o oleiro autoridade sobre o barro, para fazer da mesma massa um vaso para uso honroso, outro para uso desonroso? Se Deus, pois, embora tendo vontade de demonstrar o seu furor e de dar a conhecer o seu poder, tolerou com muita longanimidade os vasos do furor, feitos próprios para a destruição, a fim de dar a conhecer as riquezas de sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou de antemão para glória, a saber, nós, a quem ele chamou não somente dentre os judeus, mas também dentre as nações [gentias], o que tem isso? É conforme ele diz também em Oséias: ‘Aos que não são meu povo, eu chamarei de “meu povo”, e àquela que não era amada, de “amada”; e no lugar onde se lhes disse: “Vós não sois meu povo”, ali serão chamados de “filhos do Deus vivente”.’” — Rom. 9:21-26; note também 1 Pedro 2:9, 10.
PROBLEMA MARITAL DO PRÓPRIO DEUS
7. Quem era Oséias, e que tradução de seu escritos citou Paulo?
7 Quem era esse Oséias, de cujos escritos o apóstolo Paulo fez as citações mencionadas? Ele era profeta durante os séculos nove e oito antes de nossa Era Comum. O apóstolo Paulo fez as suas citações da tradução de Oséias 1:10 e 2:23 na Versão dos Setenta grega. Lemos ali: “Mas, acontecerá que, no lugar onde se lhes disse: Vós não sois Meu povo, serão chamados de filhos do Deus Vivente.” “E eu a plantarei para Mim na terra e amarei aquela que não era amada; e àqueles que não eram Meu povo direi: Tu és Meu povo: e eles dirão: Tu, o Senhor, és meu Deus.” — The Septuagint Bible por Charles Thomson.
8. Com suas palavras por intermédio de Oséias, Jeová indicou que existia que espécie de problema entre ele e alguém não amado?
8 É Jeová Deus quem fala assim por meio do profeta hebreu Oséias qual porta-voz Seu. Ao dizer: “Amarei aquela que não era amada” ou “chamarei . . . àquela que não era amada, de ‘amada’”, Jeová indicou que havia um problema entre ele e ela, a quem não amou por um tempo. Pela maneira em que Deus fala do assunto, era um problema marital entre ele e ela. Ele a comparou à esposa dum homem.
9. De quem fala Jeová como estando casada com ele?
9 Quem era esta, da qual Jeová disse que estava casada com ele? Ela não era uma mulher literal, uma mulher humana, individual. Por meio de suas próprias declarações, Jeová mostra que ela era um povo, a nação de Israel, que descendia dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. De modo que se tratava duma esposa nacional, duma esposa organizacional. Jeová estava casado com a organização das doze tribos de Israel. Semelhante a uma esposa comprada, do Oriente Médio, a nação das doze tribos de Israel estava casada com seu Deus, Jeová.
10. Quando, onde e como se realizou este casamento figurativo?
10 Quando se deu este casamento? Foi no ano 1513 A. E. C., depois de Jeová ter comprado as doze tribos de Israel. Como? Por libertá-las da escravidão na terra do Egito. Daí, sob a liderança visível do profeta Moisés, Jeová os levou ao monte Sinai, na península arábica. Ali, tendo a Moisés por mediador entre Deus e o homem, Jeová propôs a formação dum vínculo de união entre si mesmo e os israelitas libertos. Propôs a celebração dum pacto entre si mesmo e eles. Este pacto se basearia num código de leis, ao qual a nação de Israel concordaria sujeitar-se, assim como uma mulher, naqueles dias, estava sujeita à lei de seu marido. (Rom. 7:2) De cima do monte Sinai, Jeová disse aos israelitas: “Agora, se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos, pois minha é toda a terra. E vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxo. 19:1-6) Devidamente informados, os israelitas entraram voluntariamente neste pacto.
11. Como devia a nação de Israel manter vigente o casamento entre si mesma e Jeová?
11 Desta maneira, lá no ermo do Sinai, houve um casamento entre Jeová, qual Marido celestial, e a nação de Israel, como sua esposa organizacional, terrena. Esta relação sagrada foi estabelecida sobre o derramamento de sangue de sacrifícios animais. Parte deste sangue foi aspergido sobre o livro da lei de Deus, e parte sobre o povo de Israel. (Êxo. 24:1-8; Heb. 9:19, 20) A partir de então, enquanto vigorava o pacto da Lei, os israelitas tinham a obrigação de ser fiéis e verdadeiros para com Jeová, seu Deus, assim como a esposa deve ser fiel e verdadeira para com seu marido. Segundo os Dez Mandamentos, tinham a obrigação de adorar a Jeová como seu Deus, sem o uso de imagens. (Êxo. 20:1-6) Tinham de considerar-se como “propriedade especial”, não pertencente a ninguém mais. Tinham de manter-se como nação santa para Jeová, separada das nações mundanas. Por tal proceder, manteriam vigente e inviolado o vínculo marital. — Jer. 2:2, 3; 31:31, 32.
12. Por que é importante que consideremos o antigo casamento entre Jeová e a nação de Israel e o equivalente moderno dela?
12 Atualmente, não é incomum que vínculos legais se desfaçam, mesmo entre duas pessoas, homem e mulher. Então, como se sairia o casamento entre Jeová e toda uma nação, de milhões de pessoas? Devemos hoje estar interessados nisso, visto que aquilo que aconteceu com aquele antigo casamento tornou-se profético de algo a acontecer com um casamento posterior desta espécie. O que aconteceu com o casamento de Jeová com Israel afetou apenas uma nação. Mas o que acontece com o seu casamento posterior afeta todo o mundo religioso, sim, afeta a inteira família humana. Isto significa que nós, hoje, ficamos afetados. Portanto, todos nós poderíamos sofrer uma calamidade no futuro próximo. Isto explica por que é tão importante que consideremos o antigo casamento entre Jeová e Israel, e seu equivalente moderno.
OSÉIAS FOI USADO PARA ILUSTRAR A QUESTÃO
13. Por que foi o reino sobre Israel transferido da família de Saul para a família de Davi, e em quem acabaria a linhagem real de Davi?
13 Depois de alguns séculos, a nação de Israel ficou dessatisfeita em ter por Rei apenas a Jeová, seu invisível Marido celestial. Portanto, a seu pedido, em 1117 A. E. C., ele autorizou a unção de Saul, da tribo de Benjamim, como seu primeiro rei humano. Saul mostrou-se infiel a Jeová. Por conseguinte, não se permitiu que o reinado sobre todo o Israel continuasse na sua família. Jeová transferiu o reino para Davi, filho de Jessé, da tribo de Judá. Em 1077 A. E. C., Davi iniciou sua carreira como rei. Em 1070 A. E. C., tornou Jerusalém a capital de todas as doze tribos de Israel. Visto que Davi permaneceu fiel à adoração verdadeira, Jeová fez com ele um pacto solene para um reino eterno na sua família. De modo que a linhagem real de Davi acabaria no Messias, que se tornaria o rei eterno. — Atos 13:20-24; 2 Sam. 7:1-17.
14, 15. (a) Por que e quando foi reduzido o reino da linhagem do Rei Davi através de Salomão? (b) Como veio a ser adúltero o reino de Israel, de dez tribos, e a que deus se vinculou?
14 O primeiro sucessor de Davi, o Rei Salomão, entregou-se finalmente à estultícia, apartando-se da adoração pura de Jeová, qual Deus. Como punição divina, os sucessores do Rei Salomão tiveram seu reino reduzido a duas tribos, Judá e Benjamim, o que começou depois da ascensão do filho do Rei Salomão, Roboão, ao trono. Daí, separaram-se dez tribos, que estabeleceram um reino independente, tendo por rei a Jeroboão, filho de Nebate. Este rei rebelde estabeleceu uma adoração religiosa, separada da adoração de Jeová no templo de Salomão, em Jerusalém. Ele desviou o reino de Israel, de dez tribos, para a adoração de dois bezerros de ouro, um em Betel e o outro em Dã. Nos dias de Onri, sétimo rei do reino de Israel, de dez tribos, foi construída a cidade de Samaria, que se tornou a capital nacional.
15 Em Samaria, o filho do Rei Onri, Acabe, introduziu a adoração do deus sidônio Baal e construiu um templo para Baal. (1 Reis 16:23-33) Por tal proceder infiel, o reino de dez tribos abandonou em adultério o Marido celestial de todo o Israel e se ligou imoralmente ao falso deus Baal como seu marido nacional. — Osé. 9:10.
16. Como se comportaram, em sentido religioso, os reis do reino de Judá, até Ezequias?
16 Que dizer dos reis do reino de Judá, de duas tribos? Eles vacilaram entre a adoração pura de Jeová e sua vinculação com falsos deuses. O Rei Acaz, décimo segundo rei contado a partir de Davi, voltou-se para a adoração falsa. Até mesmo fechou as portas do templo de Jeová, em Jerusalém. Mas o seu filho, o Rei Ezequias, reabriu as portas do templo e restabeleceu a adoração pura no reino de Judá. Oséias continuou a profetizar com bastante proveito até o reinado do Rei Ezequias. Este profeta estava assim bem no meio das coisas sobre as quais falava.
TAREFA DESAGRADÁVEL DE SERVIÇO?
17, 18. Que espécie de tarefa recebeu Oséias, e por que sabemos que aquilo que nos conta sobre ela não é fictício?
17 Como nos sentiríamos, se nosso pai, como casamenteiro, quando atingimos a idade de casar, nos mandasse que nos casássemos com uma mulher de quem se nos dissesse que ela ia tornar-se infiel, entregar-se ao adultério e finalmente abandonar-nos por outro amante? Seria bastante desagradável, não seria? Contudo, foi algo assim que aconteceu com Oséias. Não se trata de imaginação, ficção ou mito!
18 Como pessoa histórica, real, Oséias nos conta os fatos no livro profético que leva seu nome. Sua veracidade é apoiada por ele ser citado pelo menos sete vezes nos escritos posteriores, inspirados, de Mateus a Revelação.a Ele foi citado até mesmo pelo Fundador do cristianismo. Portanto, quando Oséias nos fala sobre a sua tarefa de serviço, como profeta de Jeová, temos motivos sólidos para crer que ele está falando a pura verdade, em vez de nos contar alguma estória inventada, para divertir leitores de literatura pornográfica. Também, visto que o significado profético do proceder de Oséias se enquadra no resultado histórico dum povo ainda existente, sua verdade torna-se tanto mais convincente.
19. Nos reinados de que reis de Judá e de Israel situa Oséias a sua obra profética?
19 Situando-se num período específico da história documentada das doze tribos de Israel, Oséias apresenta-se, dizendo em primeiro lugar: “A palavra de Jeová que veio a haver para Oséias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel.” (Osé. 1:1) Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias eram descendentes do Rei Davi e reinaram em Jerusalém sobre o reino de Judá, de duas tribos. Uzias começou a reinar em 829 A. E. C. e Ezequias terminou seu reinado em 716 A.E.C. De modo que os reinados combinados destes três reis abrangeram um período de 113 anos. Por outro lado, na linhagem dos reis sobre o reino de Israel, de dez tribos, Jeroboão, filho de Joás, era o segundo a levar este nome, e por isso era Jeroboão II.
20. Bisneto de quem era Jeroboão II, e quando, durante o reinado deste rei, começou Oséias a sua carreira profética?
20 O bisavô deste Jeroboão havia sido o Rei Jeú, neto de Nimsi. Jeú destruiu a adoração de Baal no reino de Israel, de dez tribos. Mandou que a Rainha Jezabel fosse lançada pela janela, para a sua morte, visto que ela promovera iniquamente o baalismo em Israel. Mais tarde surgiu no cenário Jeroboão II, como rei, durante o reinado do Rei Amazias, em Judá. O reinado de Jeroboão coincidiu em parte com o reinado do sucessor de Amazias, o Rei Uzias. Portanto, no tempo em que o reinado de Jeroboão coincidiu com o do Rei Uzias, ou depois de 829 A. E. C., Jeová Deus iniciou Oséias na sua carreira profética.
21. Que espécie de esposa mandou Jeová que Oséias tomasse, e por quê?
21 Pode imaginar a reação de Oséias, quando ele nos relata o que aconteceu a seguir? “Deu-se início à palavra de Jeová por meio de Oséias, e Jeová passou a dizer a Oséias: ‘Vai, toma para ti uma esposa de fornicação e filhos de fornicação, porque é positivamente por meio de fornicação que a terra se desvia de seguir a Jeová.’” — Osé. 1:2.
22. De que modo era a mulher que Oséias havia de tomar uma “esposa de fornicação” e em que sentido seriam os filhos dela “filhos de fornicação”, e por quê?
22 Sentimo-nos chocados por Oséias ser iniciado na sua carreira profética com uma ordem dessas? No entanto, Jeová não ordenou que Oséias se casasse com uma mulher que já era prostituta. A mulher que se mandou Oséias tomar por esposa não é chamada de ‘mulher (ou: esposa) fornicadora’, mas, Jeová a chamou de “esposa de fornicação [literalmente: fornicações]”. Além disso, visto que esta mulher havia de ser usada como ilustração da figurativa “esposa” terrestre de Jeová, ela não se enquadraria nisso, se fosse mulher lasciva, fornicadora, desde o começo. Jeová casara-se com, ou tomara em casamento, uma esposa “virgem”, moralmente limpa, a fim de que Lhe desse à luz filhos legítimos, em sentido espiritual. Portanto, a expressão “filhos de fornicação” é profética da espécie de “filhos” que Ele obteria em sentido espiritual, a espécie de “filhos” que eles se tornariam. Por quê? “Porque”, disse Jeová, “é positivamente por meio de fornicação que a terra se desvia de seguir a Jeová”. A “terra” mencionada aqui era a das dez tribos de Israel.
23. A quem tomou Oséias por esposa, e quem lhe deu ela à luz?
23 Embora, naquele momento, as perspectivas de casamento fossem más, Oséias obedeceu à ordem divina. Foi assim que iniciou sua carreira como profeta de Jeová. “E ele passou a ir e a tomar Gômer, filha de Diblaim, de modo que ela ficou grávida e no tempo devido lhe deu à luz um filho.” — Osé. 1:3.
24. Que nome deu Jeová ao menino, e por que motivo?
24 Este filho era o filho legítimo de Oséias, não ‘filho de fornicação’, que tivesse de ser adotado por Oséias. No oitavo dia depois de nascer, quando este filho havia de ser circuncidado, que nome lhe devia dar Oséias? O nome do menino havia de ser profético; e assim, Jeová, quem dirigia o drama profético, deu-lhe o nome, em lugar de Oséias. O nome havia de indicar um dos propósitos de Jeová. “E Jeová prosseguiu, dizendo-lhe: ‘Chama-o pelo nome de Jezreel, pois ainda um pouco e terei de ajustar contas pelos atos de derramamento de sangue de Jezreel, contra a casa de Jeú, e terei de fazer cessar o domínio real da casa de Israel. E naquele dia terá de acontecer que terei de quebrar o arco de Israel na baixada de Jezreel.’” — Osé. 1:4, 5.
25. (a) Para que casa real e para que nação se predisse assim uma calamidade? (b) De que modo é que a nação de Israel não devia cometer adultério espiritual contra Jeová?
25 Assim se predisse calamidade tanto para a dinastia real do Rei Jeú, depois de sua quarta geração, como para todo o reino de Israel, de dez tribos. Este reino era a parte maior do antigamente unido reino de Israel, de doze tribos. Aquela nação de Israel, original, ficou espiritualmente casada com Jeová Deus no ermo de Sinai, lá em 1513 A. E. C. Foi quando se celebrou o pacto da Lei mosaica entre Israel e Jeová. Segundo o contrato matrimonial, a nação de Israel de doze tribos, havia de ser fiel e leal a Jeová, por adorar apenas a Ele como seu Deus. Israel não devia tornar-se culpado de adultério espiritual, por desviar-se dele para a adoração de deuses falsos.
26. A quem representava a esposa de Oséias?
26 O casamento de Jeová com Israel foi retratado pelo casamento de Oséias com Gômer, cujo nome significa “Complemento”. Logicamente, pois, Gômer representava a nação de Israel; mas, nos dias de Oséias, Israel era representado pela parte das dez tribos dele, que se tornou o reino de Israel de apenas dez tribos. Depois da existência deste reino por mais de 150 anos, tornara-se veraz, a respeito desta “terra”, o que Jeová dissera: “É positivamente por meio de fornicação que a terra se desvia de seguir a Jeová.”
27. Apesar do início puro de Israel, como se tornou a situação nacional, segundo Oséias 10:1, 2?
27 Apesar do início puro de Israel, sob o profeta Moisés, a situação nacional tornara-se assim como Jeová inspirou seu profeta a dizer, em Oséias 10:1, 2: “Israel é uma videira em degeneração.b Está produzindo fruto para si mesmo. [Uma vide luxuriante era Israel, e produzia prodigamente. (Moffatt, em inglês)] Multiplicou os seus altares na proporção da abundância de seu fruto. Ergueram colunas boas [pedras sagradas (Moffatt)] na proporção da bondade de sua terra. Seu coração tornou-se hipócrita; agora serão achados culpados.”
A SIGNIFICÂNCIA PROFÉTICA DO NOME “JEZREEL”
28. O que significa o nome Jezreel, e, por causa de seu significado profético, por que era apropriado para o filho de Oséias?
28 Por causa da ação que Jeová se propôs tomar contra o espiritualmente adúltero Israel, Ele fez com que Oséias chamasse seu filho primogênito com Gômer pelo nome de Jezreel. O nome era bem apropriado. Na língua de Oséias, o hebreu, significava “Deus Semeará”. Sim, “semeará”, mas não em sentido benéfico. A ‘semeadura’, aqui, tem o sentido de ‘espalhamento, dispersão’, visto que, quando se lançam sementes, estas são espalhadas. Agir Jeová contra a régia “casa de Jeú”, com um movimento de dispersão, significaria a queda dela, sua dissolução. Uma ação similar contra o reino de Israel, de dez tribos, significaria sua dissolução, sua desintegração. — Veja Lucas 22:31.
29. O que fez o Rei Jeú a respeito da adoração de Baal e o que fez quanto à adoração de bezerros, em violação de que mandamentos?
29 Era na cidade de Jezreel que o Rei Acabe, de Israel, tinha sua residência real, embora sua capital fosse a cidade de Samaria. A dinastia posterior do Rei Jeú também tinha sua residência real em Jezreel. Em obediência à sua comissão da parte de Jeová Deus, Jeú havia violentamente desarraigado a adoração de Baal do reino de Israel, de dez tribos. Contudo, manteve a adoração dos dois bezerros de ouro e desconsiderou a adoração de Jeová em Jerusalém. Por tal adoração de imagens esculpidas, a casa de Jeú violou os Dez Mandamentos. Violou assim também o mandamento de não assassinar. — Êxo. 20:2-6, 13.
30. Como é que Jeová ajustou contas com a casa de Jeú, por causa de seu derramamento de sangue em Jezreel?
30 Assim, a dinastia do Rei Jeú, adoradora de bezerros, cuja residência real estava em Jezreel, começou a estabelecer antecedentes de derramamento de sangue. O Dador dos Dez Mandamentos não podia desconsiderar tal atuação. Por conseguinte, ele disse: “Terei de ajustar contas pelos atos de derramamento de sangue de Jezreel, contra a casa de Jeú.” (Osé. 1:4) E aconteceu exatamente assim; a dinastia do Rei Jeú, sobre Israel, teve um fim violento depois de Zacarias, filho de Jeroboão II, ter reinado apenas seis meses. Ele foi assassinado. — 2 Reis 15:8-12.
31. Como se fez cessar o domínio real da casa de Israel, e de que modo se deu isso como na “baixada” de Jezreel?
31 A dinastia real do Rei Jeú sobre Israel terminou assim em 791 A. E. C. Mas o próprio reino de Israel, de dez tribos, continuou por mais cinqüenta e um anos, até 740 A. E. C. Assim, Jeová fez “cessar o domínio real da casa de Israel”. (Osé. 1:4) Ele usou a Potência Mundial Assíria para “quebrar o arco [de guerra] de Israel na baixada de Jezreel”. A derrubada da capital de Israel, Samaria, abateu a nação apóstata. O poder da nação foi espalhado, quando os sobreviventes israelitas foram deportados para as províncias distantes do Império Assírio, sendo espalhados quais sementes. Este terrível acontecimento ajustava-se ao significado simbólico da expressão “baixada de Jezreel [Deus Semeará]”. Não era nada parecido ao tempo em que o Juiz Gideão, libertador de Israel, com apenas trezentos guerreiros escolhidos, espalhou os midianitas invasores, não muito longe de Megido, perto da “baixada de Jezreel”. (Juí. 6:33, 34) Mas, em 740 A. E. C., sem libertador e não mais podendo batalhar pela sua existência, o reino de Israel, de dez tribos, ‘cessou’, pereceu.
32. Por que devemos tentar entender a significância do precedente, no nosso século vinte?
32 Entendemos a significância disso para nós, hoje? Devíamos entendê-la, pois, em nosso século vinte, encontra seu cumprimento no equivalente hodierno do espiritualmente adúltero e infiel Israel. Este equivalente é a cristandade, com quase um bilhão de membros das igrejas em todo o globo. Em face da iminente calamidade da cristandade, poderíamos perguntar: Onde se vê então a misericórdia de Jeová Deus em operação? Isto será esclarecido no nosso exame adicional dos tratos de Jeová com seu profeta Oséias.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja Mateus 2:15; 9:13; 12:7; Lucas 21:22; 23:30; Revelação 3:17; 6:8, 16, em comparação com Oséias 11:1; 6:6; 9:7; 10:8; 12:8; 13:14.
b Veja o vocabulário ou dicionário intitulado “Lexicon In Veteris Testimenti Libros”, de Koehler e Baumgartner, página 144, coluna 2, linhas 9 e 10.
[Quadro na página 532]
REIS DE JUDÁ E DE ISRAEL DURANTE A VIDA DE OSÉIAS
(Mostrando os anos de acessão)
Reis de Judá A. E. C. Reis de Israel
c. 843 Jeroboão II
Uzias (Azarias) 829
c. 792 Zacarias
791 Salum
c. 790 Menaém
780 Pecaías
778 Peca
Jotão 777
Acaz c. 761
c. 748 Oséias
Ezequias c. 745
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A misericórdia de Deus demonstrada no Har–MagedonA Sentinela — 1976 | 1.° de setembro
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A misericórdia de Deus demonstrada no Har-Magedon
1, 2. (a) Com os assuntos maritais de quem dramatizou Jeová os seus próprios? (b) Como foi que Israel se tornou adúltero nos dias do Rei Jeroboão I?
OS CASAMENTOS entre homens e mulheres têm encontrado dificuldades durante o reinado do pecado e da iniqüidade na terra. Isto foi o que aconteceu com o casamento de Deus com a antiga nação de Israel.
2 Deus dramatizou seu próprio casamento com o do profeta Oséias. Às ordens de Deus, Oséias casou-se com Gômer, filha de Diblaim. Isto retratou o casamento de Jeová com o antigo Israel, por meio do pacto da Lei mosaica, no monte Sinai, em 1513 A. E. C. Depois do falecimento do Rei Salomão, filho de Davi, em 997 A. E. C., a nação de Israel, há muito casada, foi dividida em duas partes. As duas tribos de Judá e Benjamim ficaram juntas sob o reino de Judá, e as outras dez tribos, sob o reino de Israel. O primeiro rei deste último foi Jeroboão, filho de Nebate, da tribo de Efraim. Sob este Jeroboão I, o reino de Israel rompeu seu contrato matrimonial com Jeová; boicotou a adoração Dele em Jerusalém e estabeleceu a sua própria adoração nacional, com imagens idólatras, dois bezerros de ouro, um em Dã e o outro em Betel. Assim, igual à esposa de Oséias, Gômer, o reino de Israel, de dez tribos, tornou-se adúltero.
3. Que nome mandou Jeová que se desse ao segundo bebê de Gômer, e por quê?
3 Depois de Gômer dar à luz, para Oséias, um filho legítimo chamado Jezreel, o que aconteceu com os assuntos maritais de Oséias, em ilustração dos assuntos de Jeová com a nação de Israel, de doze tribos? Oséias prossegue com a história, dizendo: “E ela passou outra vez a ficar grávida e a dar à luz uma filha. E Ele [isto é, Deus] prosseguiu, dizendo-lhe [isto é, a Oséias]: ‘Chama-a pelo nome de Lo-Ruama, pois não mais terei misericórdia para com a casa de Israel, porque positivamente os levarei embora [isto é, os israelitas]. Mas terei misericórdia para com a casa de Judá, e vou salvá-los por Jeová, seu Deus; mas não os [judeus] salvarei pelo arco, ou pela espada, ou pela guerra, por cavalos ou por cavaleiros.’” — Osé. 1:6, 7.
4. Quem era pai da filha de Gômer e contra quem se dirigia profeticamente o nome dela?
4 No caso mencionado, Oséias não diz que Gômer “lhe” deu à luz uma filha. Portanto, entende-se em geral que esta filha, chamada Lo-Ruama, era ‘filha de fornicação’. (Osé. 1:2) Cometer Gômer, esposa de Oséias, adultério era comparável à situação da relação marital existente entre Jeová Deus e a nação de Israel. Naturalmente, no caso de Oséias, a coisa vital nisso é o significado do nome dado à filha de Gômer — e o motivo pelo qual Jeová mandou que Oséias a chamasse por aquele nome desagradável e ominoso. O nome da filha, Lo-Ruama, significa literalmente “Não Lastimada”. Jeová dirigiu este nome profeticamente contra a nação espiritualmente adúltera de Israel, de dez tribos, com sua sede real na cidade de Jezreel. Por que motivo?
5. Em que resultou Jeová não ter misericórdia com o reino de Israel, de dez tribos, e o que sofrerá a cristandade de modo similar?
5 No nosso século vinte, a cristandade devia escutar o motivo apresentado por Jeová, porque o nome Lo-Ruama aplica-se agora. O motivo que Ele forneceu aplica-se hoje à cristandade: “Pois não mais terei misericórdia para com a casa de Israel.” (Osé. 1:6) A cristandade é agora a não lastimada, aquela que não recebe misericórdia. Similar ao reino de Israel, de dez tribos, ela se entrega ao adultério espiritual contra Jeová Deus, com quem afirma estar numa relação marital por meio do “novo pacto”, que foi mediado por Jesus Cristo no ano 33 E. C. (Jer. 31:31-34; Luc. 22:19, 20; Heb. 8:6-12) Visto que Jeová, a partir dos dias de Oséias, não mais teve misericórdia com o reino de Israel, de dez tribos, qual foi o resultado? A destruição daquele espiritualmente adúltero reino em menos de um século depois, isto é, em 740 A. E. C. De modo similar, não ter Jeová mais misericórdia com o equivalente hodierno de Israel acabará no aniquilamento da cristandade durante a vindoura “grande tribulação”, que atingirá seu clímax no Har-Magedon. — Mat. 24:21, 22.
6. Segundo Oséias 1:7, retirou-se totalmente a misericórdia de Jeová de todo o Israel, no tempo da destruição do reino de dez tribos?
6 Foi Jeová totalmente impiedoso na ocasião em que eliminou o reino de Israel, de dez tribos? Retirou-se totalmente a sua misericórdia de todas as tribos da nação que originalmente havia entrado numa relação matrimonial com ele, mediante o pacto da Lei, no monte Sinai? O próprio Jeová respondeu a estas perguntas, dizendo: “Mas terei misericórdia para com a casa de Judá, e vou salvá-los por Jeová, seu Deus; mas não os salvarei pelo arco, ou pela espada, ou pela guerra, por cavalos ou por cavaleiros.” — Osé. 1:7.
7, 8. (a) Por que motivo teve Jeová misericórdia com a casa de Judá? (b) Em vista da então dominante potência mundial, o que tinha de fazer Jeová, para salvar Judá sem equipamento de guerra?
7 É bom que observemos o motivo válido pelo qual Jeová escolheu ter misericórdia com o reino de Judá, de duas tribos, cuja capital era Jerusalém. Em Oséias 11:12, Jeová esclarece seu motivo da misericórdia divina, ao dizer: “Efraim cercou-me com mentiras, e a casa de Israel [representada pela tribo dominante, Efraim], com impostura. Mas Judá ainda está peregrinando com Deus e é fidedigno com o Mais Santo.”a A casa de Judá ainda ‘peregrinava’ com Jeová, como o Mais Santo, seu Deus. Assim, por causa de seu nome, Jeová era obrigado a salvar a casa de Judá. Foi por isso que ele disse: “Vou salvá-los por Jeová, seu Deus.”
8 Jeová tomou o propósito de salvar a casa de Judá, ao mesmo tempo em que levasse embora o reino de dez tribos e fizesse “cessar o domínio real da casa de Israel”. Para isso, Jeová tinha de ter um confronto com o Império Assírio. A Assíria, tornando-se altamente militarizada, viera a ser a potência mundial dominante daqueles dias. Nestas circunstâncias, para Jeová salvar a casa de Judá sem um arco de guerra, espada, guerra, cavalos para carros de combate, e sem cavaleiros, teria de realizar algum ato extraordinário.
VISLUMBRE DA MISERICÓRDIA DIVINA NO HAR-MAGEDON
9. Depois da destruição de Samaria de que modo se tornou a situação muito desafiadora para Jeová, quanto à Jerusalém?
9 Em 740 A.E.C., Jeová usou a Potência Mundial Assíria como seu “machado” para derrubar a adúltera e idólatra “casa de Israel”. A residência real desta, em Jezreel, foi esvaziada, sua capital Samaria foi derrubada e os israelitas sobreviventes foram levados ao exílio, a províncias distantes da Assíria. (Isa. 10:15) Isto produziu uma ameaça para Jerusalém, onde reinava o Rei Ezequias, da família real de Davi, sobre o reino de Judá, de duas tribos. Oito anos mais tarde, as hostes militares da Assíria invadiram a terra de Judá e começaram a derrubar suas cidades. O rei assírio invasor, Senaqueribe, tinha consigo muitos arcos, espadas, equipamento de guerra, cavalos para carros de combate e cavaleiros. Então, de que modo se mostraria a misericórdia de Jeová para com a casa de Judá? A situação passou a ser muito desafiadora para Jeová.
10, 11. Como salvou então Jeová a casa de Judá para enaltecer seu próprio nome?
10 Enquanto sitiava a cidade de Libna, Senaqueribe enviou ao Rei Ezequias, em Jerusalém, a uns trinta e seis quilômetros de distância, um ultimato que desafiava a Deus. Indignado, Jeová inspirou seu profeta Isaías a transmitir uma mensagem desafiadora à delegação assíria, que estava diante das muralhas de Jerusalém, para que a levasse ao blasfemo Senaqueribe. Depois de este rei receber a mensagem de advertência, Jeová salvou Judá para enaltecer seu próprio nome.
11 “E sucedeu, naquela noite”, conforme nos diz o registro em 2 Reis 19:35-37, “que o anjo de Jeová passou a sair e a golpear cento e oitenta e cinco mil no acampamento dos assírios. Quando pessoas se levantaram de manhã cedo, ora, eis que todos eles eram cadáveres. Partiu, pois, Senaqueribe, rei da Assíria, e foi e retornou, e passou a morar em Nínive. E sucedeu que, curvando-se ele na casa de Nisroque, seu deus, os próprios Adrameleque e Sarezer, seus filhos, golpearam-no com a espada, e eles mesmos escaparam para a terra de Ararate. E Esar-Hadom, seu filho, começou a reinar em seu lugar.”
12. De que era vislumbre a demonstração de misericórdia por Jeová para com a casa de Judá?
12 Não foi esta uma demonstração proeminente da misericórdia de Jeová para com o reino de Judá, que naquele tempo se apegava fielmente à sua relação marital, espiritual, para com Ele? Com significado consolador para nós hoje, foi um vislumbre da misericórdia que Jeová demonstrará durante a futura guerra no Har-Magedon. (Rev. 16:14, 16) Não se terá misericórdia divina com as hordas que desafiam a Deus, na terra, que lutarão sob Satanás, o Diabo, contra as testemunhas fiéis de Jeová, na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no que é chamado de Har-Magedon.b Jeová salvará suas testemunhas fiéis na terra, sem recorrer a arcos, espadas, guerra, cavalos e cavaleiros, nem a outros recursos militares.
13. A quem se aplicará então o nome Lo-Ruama, e assim, quem sobreviverá à demonstração do furor de Jeová nos “vasos do furor”?
13 Esta será uma ocasião de se demonstrar a ira divina contra os “vasos do furor” e para demonstrar misericórdia divina com o restante ungido dos co-herdeiros de Cristo, prefigurados pela “casa de Judá”. (Rom. 9:22) Estes se apegarão ao novo pacto, pelo qual Jeová está casado com seu Israel espiritual. Visto que os do restante são fiéis israelitas espirituais, não se aplica a eles o nome de Lo-Ruama (Não Lastimada), conforme se aplica agora à cristandade. (Gál. 6:16; Tia. 1:1; Rev. 7:4-8) É “por Jeová, seu Deus”, que os do restante espiritual serão salvos! Sobreviverão!
14, 15. (a) Que experiência teve Jonadabe, filho de Recabe, com o Rei Jeú? (b) A que calamidades nacionais sobreviveram os descendentes de Jonadabe, e a quem, da atualidade, retratavam estes recabitas?
14 Na antiguidade, quando o Rei Senaqueribe ameaçou Jerusalém, não só “a casa de Judá” teve a misericórdia de Jeová. Também a tiveram os não-judeus conhecidos como recabitas. Eram os descendentes de Jonadabe, filho de Recabe, o queneu. Quando o Rei Jeú, de Israel, se dirigiu a Samaria, para destruir a adoração de Baal ali, em cumprimento da comissão que Jeová lhe dera, convidou Jonadabe a acompanhá-lo e disse: “Vem deveras comigo e vê como não tolero rivalidade para com Jeová.” (2 Reis 10:15-27) Jonadabe fez isso.
15 Os descendentes do recabita Jonadabe sobreviveram quando Samaria caiu em 740 A.E.C. Eles sobreviveram também à invasão de Senaqueribe, na terra de Judá, em 732 A.E.C. Mais tarde, encontramos os recabitas associados com o reino de Judá, nos dias do profeta Jeremias. Isto aconteceu nos últimos dias de Jerusalém, antes de ela ser destruída pelos babilônios no ano 607 A. E. C. Por causa da fidelidade dos recabitas, Jeová prometeu-lhes Sua proteção, de modo que sobreviveriam à destruição de Jerusalém. (Jer. 35:1-19) A quem representavam estes, que eram alvos da misericórdia de Jeová? A “grande multidão” de adoradores de Jeová, associados hoje com os do restante ungido. Estes também sobreviverão à vindoura “grande tribulação”, tendo por esperança uma terra paradísica. — Rev. 7:9-17.
OS CHAMADOS “NÃO MEU POVO”
16. (a) O que significará a rejeição da cristandade, como não fazendo parte do povo de Jeová? (b) Que nome se deu ao segundo filho varão da esposa de Oséias, e por quê?
16 Agora, antes do irrompimento da “grande tribulação” no futuro próximo, é tempo de nos aproveitarmos da misericórdia de Jeová. Nunca nos esqueçamos do seguinte: Não se terá misericórdia com a cristandade durante a vindoura tribulação. Portanto, devemos querer dissociar-nos dela. Naquela ocasião, a rejeição dela, como não fazendo parte do povo de Jeová, será tornada conhecida além de qualquer refutação. Isto significará a destruição dela! Ela é a Lo-Ruama (Não Lastimada) da atualidade. (Osé. 1:6) Sua rejeição total foi prefigurada em outros assuntos maritais do profeta Oséias. Ele se referiu à sua esposa Gômer, ao dizer: “E ela foi desmamar Lo-Ruama e passou a ficar grávida e dar à luz um filho. De modo que Ele [Jeová] disse: ‘Chama-o pelo nome de Lo-Ami, porque vós não sois meu povo e eu mesmo mostrarei não ser vosso.”’ (Osé. 1:8, 9) Com estas palavras termina o primeiro capítulo do livro profético de Oséias em versões judaicas da Bíblia e em edições da Versão dos Setenta grega de Oséias.
17. Por que era apropriado o nome de Lo-Ami para o segundo filho varão de Gômer, e, assim, o que disse Jeová ao reino de Israel, de dez tribos, neste respeito?
17 Entende-se que o segundo filho varão de Gômer, esposa de Oséias, tampouco tinha por pai a Oséias, mas era filho do adultério de Gômer. Oséias não disse que Gômer deu à luz este segundo filho para ele. Portanto, havia bom motivo para Jeová mandar chamar o menino de Lo-Ami, pois o nome significa “Não Meu Povo”. Tinha significado profético. Explicando seu motivo para dar ao menino tal nome ominoso, Jeová dirigiu-se à “casa de Israel”, de dez tribos, ao dizer: “Porque vós não sois meu povo e eu mesmo mostrarei não ser vosso.” Com essas palavras, Jeová declarou que não era mais Marido celestial da “casa de Israel”, que violara o pacto.
18. Quando e como deixou Jeová saber que o reino de Israel, de dez tribos, não era seu povo?
18 Jeová tornou bem conhecido que não era mais o Deus e Marido espiritual da apóstata “casa de Israel”. Jeová fez isso quando permitiu a captura da capital de Israel, Samaria, pelos assírios, em 740 A. E. C. Assim, aquela “casa de Israel” não era mais Seu povo; era, conforme disse, Lo-Ami, ou: “Não Meu Povo”. Igual a uma esposa divorciada, aquele povo foi ao exílio na Assíria. Essa espiritualmente adúltera “casa de Israel” havia desprezado a oportunidade que se lhe oferecera no pacto da Lei mosaica, de tornar-se um “reino de sacerdotes” para Jeová. — Êxo. 19:5, 6.
19. Com o cumprimento de que palavras suas é que Jesus Cristo deixará a cristandade saber que ela não tem parte no cumprimento do propósito do novo pacto?
19 O “novo pacto” de Jeová, mediado por Jesus Cristo, o Moisés Maior, tem um objetivo similar. Este objetivo não será alcançado no equivalente moderno de Israel, a cristandade. Esta tem tentado reinar na terra, neste atual sistema de coisas, por servir qual consorte religiosa para os governantes políticos deste mundo. Jesus Cristo a deixará saber que ela não é candidata à co-herança com ele no reino celestial, quando se cumprirem suas palavras: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’ Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” — Mat. 7:21-23.
ESPERANÇA DE MISERICÓRDIA DIVINA COM PESSOAS
20, 21. (a) Quando se permitiu que pessoas da exilada “casa de Israel” se aproveitassem da misericórdia de Jeová, e como? (b) Com que palavras, em Oséias 1:10, 11, apontou Jeová para isso?
20 O protótipo antigo da cristandade, o reino de Israel, de dez tribos, nunca mais foi estabelecido na sua terra dada por Deus, no Oriente Médio. Concedeu-se que membros individuais daquela rejeitada “casa de Israel” se aproveitassem da misericórdia de Jeová e retornassem a ele, tornando-se parte de seu povo aprovado. Teriam este privilégio quando a sucessora da Assíria, a Potência Mundial Babilônica, fosse derrubada. Ciro, o conquistador, libertaria então os adoradores exilados do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Apontando para isso no futuro, Jeová prosseguiu, dizendo por meio de seu profeta Oséias:
21 “E o número dos filhos de Israel terá de tornar-se como os grãos de areia do mar que não se podem medir nem contar. E terá de acontecer que no lugar em que se costumava dizer-lhes: ‘Vós não sois meu povo’, ser-lhes-á dito: ‘Os filhos do Deus vivente.’ E os filhos de Judá e os filhos de Israel certamente serão reunidos em união e realmente estabelecerão para si mesmos um só cabeça e sairão subindo da terra, porque grande será o dia de Jezreel [Deus Semeará].” — Osé. 1:10, 11.
22. Quando ocorreu um cumprimento típico desta profecia e como se tornou “grande”, para eles, o “dia de Jezreel”?
22 Um cumprimento típico daquela profecia misericordiosa ocorreu em 537 A. E. C., quando o conquistador de Babilônia, Ciro, o Persa, deixou partir um restante fiel ‘dos filhos de Judá e dos filhos de Israel’, para saírem “subindo da terra” do exílio babilônico. Eles saíram unidos, sob as ordens do servo de Jeová, Ciro, para reconstruir o templo de Jeová em Jerusalém. (2 Crô. 36:20-23; Esd. 1:1-11) Daí, na sua própria terra, o restante tornar-se-ia novamente populoso, igual aos imensuráveis e incontáveis grãos de areia à beira do mar. Assim seria ‘grande o dia de Jezreel’. Neste caso, o nome Jezreel, significando “Deus Semeará”, cumprir-se-ia de modo favorável. Deus semearia os filhos de seu povo restabelecido quais sementes, multiplicando-os.
23. (a) Depois de rejeitar a quem e por meio de que ação da parte de Jeová cessou a nação de Israel de ser Seu povo? (b) Com quem, daquela nação rejeitada mostrou Jeová misericórdia, e como?
23 Portanto, Jeová não mais os chamaria de Lo-Ami ou “Não Meu Povo”. Em sentido típico, seriam chamados de “os filhos do Deus vivente”. Com referência ao cumprimento antitípico disso no domínio do cristianismo, os apóstolos Paulo e Pedro escreveram em Romanos 9:25, 26, e 1 Pedro 2:9, 10. Depois que os filhos naturais de Israel rejeitaram a Jesus como o Messias, em 33 E.C., deixaram de ser o povo de Jeová. Ele aboliu o seu pacto da Lei, por meio do qual se casara com a nação de Israel, de doze tribos, nos dias de Moisés. Misericordiosamente, porém, aceitou um restante crente da nação do Israel natural e celebrou com este o novo pacto mediado pelo seu Filho, Jesus, o Messias. Assim ele fundou uma nova nação, um Israel espiritual. — Gál. 6:16; Tia. 1:1; Rom. 2:28, 29; Rev. 7:4-8.
24. Por que e quando se voltou Jeová para os que nunca haviam sido seu povo, e como os tornou seu povo?
24 Infelizmente, não houve bastantes israelitas naturais que se tornassem cristãos, para constituir o pleno “descendente de Abraão”, em quem todas as nações terrenas haviam de ser abençoadas. Por isso, Jeová voltou-se para os que nunca haviam sido seu povo, os “Não Meu Povo”, Lo-Ami. Abriu este caminho em 36 E.C., para tais crentes não-israelitas se tornarem parte do Israel espiritual, no novo pacto. Eles foram constituídos parte do “descendente de Abraão”, que se havia de tornar igual à areia à beira do mar. — Gál. 3:8-29; Gên. 22:18.
25. (a) Quem é aquele “um só cabeça” a quem os do restante “reunido” dos israelitas espirituais ‘estabelecem para si mesmos’, com que libertação acompanhante? (b) Quem espera sobreviver junto com eles à guerra no Har-Magedon?
25 Aquele “um só cabeça” que os israelitas espirituais “reunidos” ‘estabelecem para si mesmos’ é Jesus Cristo, o agora já reinante Rei. Por meio dele, qual Ciro Maior, os do restante arrependido foram soltos do poder de Babilônia, a Grande, em 1919 E. C., após a Primeira Guerra Mundial. Este restante foi usado para restabelecer a adoração pura de Jeová na terra. Jeová tornou estes israelitas espirituais, libertos, “os filhos do Deus vivente”. Em harmonia com a misericórdia dele, esperam ser salvos na vindoura “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon, sim, sobrevivendo a ela para ver o início da Nova Ordem dele. Uma “grande multidão” de co-adoradores, iguais aos antigos recabitas, também espera compartilhar da misericórdia de Deus e sobreviver junto com o restante.
26, 27. (a) Os que agora esperam ter a misericórdia de Deus precisam reconhecer que a cristandade é o que em sentido espiritual, e por que não querem ser “filhos” dela? (b) O que os manda Jeová dizer sobre aqueles que são alvo de sua misericórdia?
26 Será que nós mesmos, hoje, esperamos obter a misericórdia de Jeová? Em caso afirmativo, temos de reconhecer a cristandade como sendo fornicadora espiritual. Aviltando-se ela com a religião babilônica, tornou-se parte de Babilônia, a Grande. Será destruída junto com aquele império mundial da religião falsa, na iminente “grande tribulação”. Não queremos fazer parte de seus “filhos de fornicação”. Nós, como alvos da misericórdia de Jeová, agimos assim como Ele nos manda agora:
27 “Dizei aos vossos irmãos: ‘Meu povo!’ e às vossas irmãs: ‘Ó mulher de que se teve misericórdia [em hebraico: Ó Ruama]!’ Pleiteai a causa com a vossa mãe; pleiteai a causa, porque ela não é minha esposa e eu não sou seu marido. E ela deve afastar de diante de si a sua fornicação e de entre os seus seios os seus atos de adultério, para que eu não a dispa e realmente a ponha como no dia em que nasceu, e realmente a torne semelhante a um ermo, e a ponha semelhante a uma terra árida, e a mate de sede. E não terei misericórdia para com os seus filhos, porque são filhos de fornicação. Pois a mãe deles cometeu fornicação. Aquela que esteve grávida deles tem agido vergonhosamente, pois disse: ‘Quero ir atrás dos que me amam apaixonadamente, os que me dão meu pão e minha água, minha lã e meu linho, meu azeite e minha bebida.”’ — Osé. 2:1-5.
28. Será agora um proceder obediente apoiar a Jeová em que causa jurídica perante o universo, e, assim que ação dele, na “grande tribulação”, aprovaremos?
28 Em obediência, pois, apoiemos a Jeová, o Marido celestial, quando ele pleiteia sua causa contra a cristandade, a qual afirma hipocritamente estar numa relação pactuada com ele, como esposa dele. Salientemos perante a Corte Suprema do universo que ela é culpada de fornicação e adultério espirituais, por se fazer amiga do mundo. (Tia. 4:4) Ela foi atrás dos mundanos de destaque, influência e riqueza, para que lhe satisfizessem seus desejos egoístas e materialistas. Apesar da admoestação divina, ela se recusou obstinadamente a afastar sua fornicação de diante de si e seu adultério de entre os seus seios. Seus filhos religiosos, os membros de suas igrejas, são “filhos de fornicação” espiritual. Quando Jeová a destruir na “grande tribulação”, aprovaremos isso calorosamente.
29. A quem devemos fazer expressões de relação familiar, e durante que vindoura guerra podemos esperar ter a misericórdia adicional de Jeová?
29 Tenhamos fraternidade com aqueles que reconhecemos ser biblicamente o povo de Jeová, a respeito dos quais ele diz “Meu povo!” Tenhamos relação familiar, como a de irmãs, com a organização purificada, fiel e fidedigna, à qual Jeová mostrou misericórdia neste “tempo do fim”, na história deste mundo, antes da iminente “grande tribulação”. (Mat. 24:21, 22; Rev. 7:14) Reconheçamo-la como a hodierna Ruama e digamos-lhe: “Ó mulher de que se teve misericórdia!” (Osé. 2:1) Se fizermos isso sinceramente, poderemos esperar ter a misericórdia adicional de Jeová, quando ele a demonstrar para com os seus dignos, na “guerra nacional do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no lugar que em hebraico se chama Har-Magedon. — Rev. 16:14, 16.
(Continua)
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