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Cumprindo meu propósito na vidaA Sentinela — 1961 | 15 de janeiro
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estavam sendo usados naquele tempo, consegui colocar o livro Filhos. Que satisfação! O problema seguinte era aumentar o meu vocabulário o suficiente para fazer revisitas e estudar com os interessados.
O que nos ajudou foi assistir às reuniões numa cidade vizinha, onde havia uma congregação mexicana. No principio parecia que os irmãos falavam muito rápido, proferindo todas as palavras juntas. Reconheci apenas ocasionalmente alguma palavra, mas não demorou até que cheguei a compreender o sentido. Em pouco tempo cheguei a responder a algumas das perguntas e a dirigir estudos bíblicos domiciliares. Com a ajuda e a paciência dessas pessoas humildes, conseguimos fazer bom progresso.
Passaram-se mais de dois anos, mas ainda não tínhamos conseguido vistos para o México. No entanto; durante certos meses do ano chegavam trabalhadores mexicanos aos quais testemunhávamos. Estes cruzavam ilegalmente o Rio Grande para ganhar alguns dólares durante a colheita de frutas, pois o vale do Rio Grande é famoso pelas suas frutas cítricas. Ao voltarem para o México, alguns destes foram procurar as Testemunhas nas suas próprias cidades. Assim, embora não pudéssemos entrar no México, participávamos um pouco na transmissão da mensagem naquele país.
Em princípios de 1946, nossa designação foi mudada para Cuba, e fomos designadas a um lar junto com algumas colegas de aulas da escola. Era como se encontrássemos novamente parte de nossa família, da qual tínhamos ficado separadas por quase três anos. Éramos seis no lar para dividir o serviço de casa e partilhar nossas experiências de campo. Tivemos de acostumar-nos a muitas coisas novas, tais como cozinhar com carvão e comer alimento fosse para nós, mas gostamos do privilégio de ter uma designação no estrangeiro. De modo geral, os cubanos são muito humildes, e isto tornou fácil testemunhar-lhes. Em resultado de sua pronta aceitação da mensagem, formaram-se muitas congregações animadas nos lugares onde havia missionários designados à ilha.
ASSEMBLÉIAS INTERNACIONAIS
Depois de termos estado em nossa designação em Cuba por alguns meses, voltamos aos Estados Unidos para assistir ao congresso de 1946 em Cleveland, Ohio. Minha companheira e eu fomos de automóvel de Miami, Flórida, levando conosco quatro pioneiras cubanas, inclusive uma irmã de oitenta anos. Visto que tínhamos poucos recursos, parávamos apenas para tirar umas sonecas e para comer ao longo da estrada, mas ninguém se queixou. A assembléia deu-nos grande alegria, especialmente o programa em espanhol, em que ouvimos as experiências de outros missionários e naturais de outros países latino-americanos. Com renovado zelo voltamos para a nossa designação, que chegamos a amar cada vez mais, ao passo que chegávamos a conhecer melhor o povo.
No verão de 1948 fomos informados de que alguns missionários seriam tirados de Cuba e enviados a outros países, pois já havia publicadores nativos bastante fortes e capazes para assumir a responsabilidade do trabalho ali. Nosso grupo foi perguntado se estava disposto a ir. Estávamos dispostas a aceitar qualquer designação, considerando-a como vinda de Jeová. Por algum tempo fomos mantidas em suspense e nosso palpite era quase cada país na terra ao qual poderíamos ser enviadas — exceto a Argentina — mas foi para lá que fomos.
As seis de nós fizemos a viagem por navio, embarcando em Nova Iorque. Portanto, em setembro de 1948 nos despedimos de nossos conhecidos cubanos e iniciados a longa viagem. Depois duma parada na Carolina do Norte, para ver a minha família, e depois de alguns dias passados em Nova Iorque, partimos num dia frio de outubro. Quando chegamos a Buenos Aires, era primavera; não era que levamos meses para a viagem, mas as estações ali eram naturalmente as opostas às dos Estados Unidos.
Achamos Buenos Aires uma cidade moderna e limpa de aproximadamente quatro milhões de habitantes, com trens subterrâneos e outros meios modernos de transporte. Sendo uma cidade cosmopolita, o trabalho de porta em porta era tanto mais interessante, visto que nunca sabíamos que tipo de pessoas íamos encontrar na próxima casa.
Pouco depois de chegarmos a Buenos Aires, assistimos à nossa primeira assembléia e chegamos a conhecer muitos de nossos irmãos argentinos. Encontramos ali grande necessidade de missionários, pois a seara era grande e os trabalhadores poucos em comparação. Quando chegamos, havia ali cerca de mil publicadores ativos em todo o país. Agora, quase doze anos depois, há cerca de 7.000.
Nossa próxima assembléia foi por ocasião da visita do irmão Knorr, em princípios de 1949. Esta foi interrompida pela polícia, que levou centenas de nós para a cadeia até se fazerem investigações. Todas as nossas assembléias públicas foram então proscritas e as portas de todos os Salões do Reino foram fechadas. Não obstante, Jeová, o Todo-poderoso, continuou a prosperar os nossos esforços, e tem havido um contínuo aumento no número de publicadores, ano após ano.
Todas as nossas reuniões tinham de ser realizadas em lares particulares, onde estudávamos juntos em dez ou quinze. Era mais como reunião familiar e nos sentíamos à vontade para participar. Eu fui designada dirigente de um destes grupos, o que significava responsabilidade adicional, e eu era grata a Jeová por ter sido usada.
Depois de estar na Argentina por quase cinco anos, fiz pela primeira vez uma nova visita aos Estados Unidos. Isto foi em 1953, para assistir à Assembléia da Sociedade do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová, que foi internacional. Foi um acontecimento muito agradável. Tive também o privilégio de estar na Assembléia Internacional da Vontade Divina de 1958. Ao voltar para a Argentina, fui designada com mais três missionárias para trabalhar na cidade de Salta, perto da fronteira boliviana. Somos muito felizes nesta designação e temos visto um aumento constante aqui, tanto em números como na madureza da pequena congregação, que já estava formada quando chegamos.
Olhando para trás, posso dizer realmente que os meus dezessete anos de serviço missionário valeram o custo. Apesar de dificuldades que tivemos às vezes, ainda temos a paz de Deus, que excede todo o entendimento. (Fil. 4:7) Fiel à sua promessa, Jeová ‘abre as janelas do céu, e derrama uma bênção, até que não haja mais lugar para recebê-la’. — Mal. 3:10, NA.
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“Alma de cinco dólares”A Sentinela — 1961 | 15 de janeiro
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“Alma de cinco dólares”
Certa igreja em Clarksville, Tennessee, E. U. A., realizou recentemente uma reunião de reanimação oficiada por um evangelista visitante do Texas. Cada pessoa, ao entrar, recebeu um pedacinho de sola de sapato. Quando começou o culto, os crentes foram informados de que a sola [palavra que em inglês é de pronúncia parecida à de alma] representava a alma deles, e que, se davam valor à sua alma, bastava embrulhar o pedaço de sola de sapato numa nota de 5 dólares e colocá-lo no prato de coleta — outra evidência de que os falsos pastores estão atualmente empenhados em tosquiar as ovelhas em vez de apascentá-las.
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