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Palavras CruzadasDespertai! — 1990 | 8 de outubro
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SOLUÇÕES NA PÁGINA 22
Soluções horizontais
7. LEBRE
8. NOBRE
9. ISSACAR
10. ZERÁ
12. HARÃ
13. USO
15. MENTIR
17. SACUTE
18. ANTRO
19. CAIFÁS
20. LÁQUIS
21. HOR
23. ABEL
25. EDOM
27. DIREITA
29. ÁRNON
30. ABIDÃ
Soluções verticais
1. FEBRE
2. LEVI
3. ELISEU
4. GANCHO
5. ANER
6. CRIAR
11. AITOFEL
12. HUCOQUE
14. SÍTIO
16. RÃS
17. SOL
21. HERMES
22. REINAR
24. BORRA
26. OBEDE
27. DANO
28. ARÃO
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Parte 5: Poder ilimitado — bênção ou maldição?Despertai! — 1990 | 8 de outubro
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relações humanas tendem a ser superficiais e transitórias. É uma sociedade em que, em meio às massas de gente, pessoas solitárias buscam constantemente suas raízes e um senso de comunidade.
É controversial até que ponto a sociedade de massa fomentou o desenvolvimento do totalitarismo. Segundo a falecida cientista política alemã Hannah Arendt, sua influência foi considerável. Seu livro The Origins of Totalitarianism (As Origens do Totalitarismo) comenta que o totalitarismo é edificado, não sobre classes, mas sobre massas de gente que, “ou por causa do grande número de pessoas, ou da indiferença, ou por uma combinação de ambos, não conseguem integrar-se em nenhuma organização baseada no interesse comum, em partidos políticos, ou em governos municipais, ou em organizações profissionais, ou em sindicatos”.
Arendt menciona também outros fatores que contribuíram para a ascensão do totalitarismo: o imperialismo, o anti-semitismo e a desintegração da nação-estado tradicional.
Imperialismo?
Pouco antes da virada do século, a colonização teve um surto. O economista britânico John Atkinson Hobson data 1884 a 1914 como período do que hoje é chamado de novo imperialismo. Isto não passou do uso autoritário do poder por parte de governos monárquicos ou democráticos com o objetivo de expandir seus impérios. Conseguiu-se o predomínio sobre outros países quer por adquisição direta, quer por dominação indireta de seus assuntos políticos e econômicos. Hobson interpreta o imperialismo principalmente como uma questão econômica. De fato, esta nova marca de colonialismo com freqüência tinha menos que ver com o poder político do que com a expansão econômica e com a criação de novos mercados para os produtos duma nação.
Em nenhuma outra parte isso ficou mais evidente do que no que ficou conhecido como a Luta pela África. Já no início da década de 1880, a Grã-Bretanha, a França e Portugal tinham numerosas colônias na África. Mas, quando a Bélgica e a Alemanha começaram a lançar olhares invejosos, iniciou-se a corrida. Com exceção da Etiópia e da Libéria, a África inteira logo ficou sob domínio europeu. Os negros africanos foram obrigados a ficar olhando enquanto os colonos brancos, “cristãos”, os expropriavam de suas terras.
Os Estados Unidos da América também se tornaram um poder imperial. Em fins do século 19, adquiriram o Alasca, o Havaí, as ilhas Filipinas, Guam e Samoa, e outras ilhas do Pacífico, bem como Porto Rico e outras ilhas do Caribe. É de grande interesse um comentário feito por Henry F. Graff, professor de História na Universidade Colúmbia, que escreve: “As atividades dos missionários cristãos tiveram tanta influência quanto as dos publicistas em edificar o moderno imperialismo.” Mas se aqueles missionários da cristandade tivessem sido cristãos genuínos, teriam permanecido politicamente neutros na luta pela África e por outros impérios coloniais, em harmonia com as palavras de Jesus: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” — João 17:16; Tiago 4:4.
A era do imperialismo supostamente terminou em 1914. O mesmo não se deu, porém, com seu espírito autoritário. Este espírito foi bem resumido por Cecil Rhodes, primeiro-ministro, na década de 1890, do que hoje faz parte da África do Sul, quando disse: “A expansão é tudo.” Sendo uma força propulsora da expansão do Império Britânico, ele certa vez se jactou: “Eu tomaria posse dos planetas se pudesse.” Este espírito de egoísmo ainda motiva nações a controlar, o quanto puderem, as diretrizes políticas e econômicas de outros países para seu próprio proveito. O Japão, por exemplo, tendo fracassado em vencer em sentido militar, é às vezes acusado de tentar vencer agora em sentido econômico.
É a Derrubada do Governo Autoritário a Solução?
Poder ilimitado nas mãos de humanos gananciosos e sem princípios é uma maldição, não uma bênção. São apropriadas as palavras do antigo Rei Salomão: “Eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder, de modo que não tinham consolador.” — Eclesiastes 4:1.
Sob governos autoritários, “as lágrimas dos oprimidos” têm sido realmente muitas. No entanto, em seu livro Perestroika (ed. em inglês) de 1987, Mikhail Gorbachev advertiu: “É possível suprimir, compelir, subornar, romper ou explodir, mas apenas por um certo período.” Concordemente, apesar de o poder estar “do lado dos seus opressores”, os cidadãos têm repetidas vezes se levantado para lançar fora as cadeias do governo autoritário. A sangrenta derrubada na Romênia, em dezembro último, de Nicolae Ceausescu e suas forças de segurança, a Securitate, é um exemplo.
Derrubar um governo autoritário pode deveras trazer alívio. Mas também é verdade que, como diz um provérbio birmanês, “só quando surge um novo governante é que se dá valor ao antigo”. Quem pode garantir que o que era mau não será substituído por algo ainda pior?
Para se mencionar apenas um exemplo, o governo autoritário dum país latino-americano fora derrubado. A população estava cheia de esperança de que as coisas melhorariam, mas será que melhoraram? Comentando a situação anos depois, certa revista noticiosa relatou que a vida havia mudado, “se é que mudou, para pior”. Comentando a galopante inflação, a revista classificou a moeda nacional de “praticamente sem valor”, deplorou os inadequados serviços de saúde do país, e comentou que a desnutrição estava aumentando. Com o tempo, esse regime também foi removido do poder.
Não é bem óbvio que o governo humano, em todas as suas formas, foi achado inadequado? Contudo, as pessoas continuam buscando o governo ideal. Dois notáveis exemplos da frustração a que isso pode levar, mergulhando nações inteiras nas profundezas do desespero sem nenhum “consolador”, serão considerados em nossa próxima edição.
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