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A palavra de Deus continua a crescer no ChileDespertai! — 1971 | 8 de agosto
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Vigia, J. F. Rutherford. Determinado a ir para outro país a fim de pregar a Palavra de Deus, Laguna veio para o Chile.
Duas Testemunhas, Beta Abbott e Kay Palm, chegaram em 1936. Essa última Testemunha relata: “Trabalhei desde a cidade mais ao norte do Chile, Arica, até sua possessão mais meridional, a Terra do Fogo (4.300 quilômetros), levando a boa-nova aos depósitos de enxofre lá no alto das Montanhas Andinas, até os campos de nitrato nos Pampas de Tocopilla, Iquique e Antofagasta, e as minas de prata e os grandes ranchos de ovelhas no sul do Chile. Aqueles pastores e rancheiros eram grandes leitores, de modo que recebiam bem as publicações que explicavam a Palavra de Deus.”
Chegam os Formados em Gileade, Estabelece-se Uma Sucursal
No ano de 1945, uma sucursal da Sociedade Torre de Vigia (EUA), foi estabelecida em Santiago, com a chegada dos primeiros dois formados da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, e a pregação entrou numa base mais organizada. Uma dessas Testemunhas, Albert Mann, ainda trabalha aqui como supervisor dum circuito. No mesmo ano de 1945, teve-se a primeira visita ao Chile do presidente da Sociedade, N. H. Knorr; um congresso foi organizado para as oitenta e três Testemunhas no país. Foi agradável surpresa ver 480 pessoas comparecerem ao discurso público.
Nos anos seguintes, muitos outros missionários vieram para o Chile. Por exemplo, Robert Hannan e sua esposa foram para a cidade de Concepción, no ano de 1946, e ainda estão ali. Uma das pessoas com as quais a irmã Hannan começou primeiramente a estudar a Bíblia, mais tarde lhe disse: “No início, não compreendia nada do que tentava ensinar-me. No entanto, meu filho que estudara inglês a compreendia melhor do que eu e assim fizemos progresso. Mas, sua fidelidade em vir até aqui apesar de toda chuva e lama me convenceu de que o que ensinava era a verdade.” Os Hannans viram os poucos com os quais começaram vir a crescer, tornando-se duas congregações em Concepción e dez congregações nas áreas circunvizinhas em que pregaram a Palavra de Deus! Tornaram-se pais e avós de centenas de testemunhas de Jeová naquela área.
No ínterim, a região desértica ao norte, um dos lugares mais secos da face da terra, recebia atenção. A missionária Evelyn Valenzuela foi designada a iniciar a obra de pregação na cidade de Pedro de Valdívia. Ao chegar ali, não conseguiu encontrar casa para morar, mas ao invés de desanimar e ir embora, fez arranjos para dormir no chão da casa de uma senhora a quem conhecera noutra cidade. Além disso, preparava as refeições na casa de outra senhora que mostrara interesse na mensagem do Reino.
Com plena fé em Jeová, começou o seu trabalho, e, no primeiro mês, iniciou dez estudos bíblicos em uma rua, posteriormente ajuntando todos em um só lugar para dirigir um estudo de A Sentinela com eles. No segundo mês, conseguiu um salão em que reunir tais pessoas, e, por volta do terceiro mês, todas as reuniões das testemunhas de Jeová estavam sendo realizadas regularmente. “Pode imaginar minha alegria”, relata ela, “quando, depois de começar meu trabalho em maio, consegui ter vinte e cinco pessoas que me acompanhavam na atividade de pregação no dia 25 de dezembro seguinte!” Tratava-se duma cidade duma companhia, e, mais tarde, o administrador forneceu um terreno e o material para se construir um Salão do Reino para acomodar a nova congregação que foi formada.
Ganhando Ímpeto
Por volta do ano de 1952, a pregação da Palavra de Deus ganhava ímpeto, com 832 publicadores da boa-nova, o que era um aumento de 66 por cento em comparação com o ano anterior.
A oposição começou a manifestar-se. A Corporação da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia tentou parar a circulação de A Sentinela. Argumentaram que o nome La Atalaya (equivalente espanhol de A Sentinela) era similar à sua revista El Atalaya. O assunto foi levado aos tribunais. O tribunal decidiu que o subtítulo “Anunciando o Reino de Jeová” fazia com que a revista da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados fosse diferente. Os adventistas recorreram da decisão, mas o tribunal de apelação manteve a decisão do tribunal inferior, observando que A Sentinela começou a ser publicada muito antes da revista adventista. No ano passado, 1.119.714 exemplares de A Sentinela foram colocados nas mãos do povo chileno.
Chegara então o tempo para que a Palavra de Deus se espalhasse a Punta Arenas, uma das cidades mais meridionais do mundo, que às vezes é varrida por ventos de 145 quilômetros por hora. Os missionários que foram mandados para lá pela primeira vez, em 1956, logo souberam por que as árvores se inclinavam permanentemente numa direção, pois eles também tinham de andar curvados na direção do vento ao andarem de porta em porta.
A missionária Stella Semczyszyn, uma do grupo original que ainda trabalha em Punta Arenas, relata: “Chegamos ali em junho de 1956. Tinha havido uma inundação e o tempo era úmido e frio. A maioria dos católicos não só não possuía uma Bíblia, mas também não sabia o que era uma Bíblia!”
Algumas pessoas acataram a pregação da Palavra de Deus. Um dos primeiros homens a se tornar Testemunha em Punta Arenas relata: “Como membro da marinha chilena em 1950, eu viajava num navio quando ouvi uma conversa entre uma das testemunhas de Jeová e o famoso pintor Pablo Picasso. Visto que sempre me interessara pela Bíblia, aproximei-me da Testemunha mais tarde e obtive publicações. No entanto, não foi senão em 1956 que pude ter um estudo bíblico em minha própria casa, e, em 1957, fui batizado.”
Há agora duas congregações em Punta Arenas, com 140 ministros da boa-nova. Numa recente assembléia de circuito, 362 pessoas compareceram ao discurso público. Que diferença do primeiro discurso bíblico proferido na Estação Polar de Rádio, quando havia apenas uma pessoa interessada na assistência!
Multiplicam-se os Discípulos
No ano de 1960, havia 2.013 pregadores da Palavra de Deus nas sessenta e cinco congregações do Chile. Os discípulos continuaram a se multiplicar e, por volta de 1966, o número crescera a 4.112. Grande tem sido a fome do povo chileno quanto ao conhecimento bíblico, e muitas Bíblias e compêndios bíblicos foram levados ao povo. Ora, 77.745 Bíblias foram despachadas da sucursal nos últimos quatro anos. Em adição, 160.593 exemplares do livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna foram distribuídos. E, no tempo presente, 9.361 estudos bíblicos são dirigidos em todo o Chile.
Ilustrando o excelente potencial para crescimento futuro, há o grande número de pessoas que compareceram à última celebração da Refeição Noturna do Senhor. Havia 19.850 na assistência!
A capital, Santiago, agora possui trinta e três congregações dos discípulos do Senhor Jesus Cristo, e o ministro-presidente de uma delas é Ricardo Traub, que, quarenta anos antes, abriu a obra de pregação das testemunhas de Jeová no Chile.
As 7.572 testemunhas de Jeová no Chile, inclusive sessenta e três missionários, treze dos quais têm estado aqui já por mais de vinte anos, estão deveras ocupados em disseminar a boa-nova do Reino. Regozijam-se com o novo prédio da sucursal e novo lar que acaba de ser dedicado, e emocionam-se com esta nova evidência de que a Palavra de Deus continua a crescer no Chile.
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Quem escreveu Segunda Pedro?Despertai! — 1971 | 8 de agosto
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“A Tua Palavra É a Verdade”
Quem escreveu Segunda Pedro?
MUITOS modernos especialistas religiosos da cristandade expressam certa dúvida de que o apóstolo Pedro realmente escreveu Primeira Pedro. No entanto, muitos deles dogmaticamente asseveram que o apóstolo Pedro simplesmente não poderia ter escrito Segunda Pedro. Chamam-na de “pseudografia”, isto é, uma contrafação.
Assim, The Interpreter’s Bible (A Bíblia do Intérprete; 1957) embora refute as acusações de que Primeira Pedro não é genuína, declara que “a possibilidade da autoria de Pedro é definitivamente eliminada” com respeito à Segunda Pedro. The Jerusalem Bible (1966) semelhantemente considera Primeira Pedro como autêntica, mas diz no que tange a Segunda Pedro, que o escritor talvez “pertencesse a um grupo dos discípulos de Pedro. . . . Isto é o que chamaríamos de contrafação, mas é algo que naqueles dias, a convenção literária achava admissível”. Em sentido similar, a New Catholic Encyclopedia (1967), Vol. 1, p. 577, declara que “quase todos os críticos concordam que” Segunda Pedro é “pseudônimo”, isto é, uma contrafação.
Por que tantos críticos modernos que professam ser especialistas bíblicos questionam a canonicidade e a autenticidade de Segunda Pedro? Uma razão é que os primitivos “padres da igreja” citam pouco a carta. Por que isso se dá? Bem poderia ser que Segunda Pedro simplesmente não circulava tão amplamente quanto Primeira Pedro.
Entre outras objeções suscitadas a ter sido Segunda Pedro escrita pelo apóstolo Pedro acha-se o fato de que seu estilo de escrita é diferente do de Primeira Pedro. Mas, o que prova isso? Pouco, quando analisamos a carta. Em sua primeira carta, Pedro diz que usa Silvano como seu secretário. (1 Ped. 5:12) Em vista disso, é de se esperar que seu estilo difira um tanto do encontrado em Segunda Pedro, se Pedro usou outro secretário ou a escreveu ele mesmo.
Esta própria questão de estilo de escrita apóia fortemente que Pedro tenha escrito a segunda carta que leva seu nome. O falecido professor W. G. Moorehead declara que “não são poucos os casos em que palavras raramente encontradas nos outros livros da Bíblia são comuns às duas Epístolas”. Por exemplo, há areté, significando “virtude”. Encontra-se em ambas as cartas de Pedro, mas apenas em Filipenses 4:8 em todas as demais partes. (1 Ped. 2:9; 2 Ped. 1:3, 5) Este professor também observa
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