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Decisões que contribuíram para uma vida felizA Sentinela — 1979 | 1.° de junho
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nossos irmãos na estação apinhada de gente? Mas, de fato, rostos sorridentes que nunca antes tínhamos visto apareceram logo na janela do vagão. Eles nos haviam visto!
A pequena congregação de Paracou compunha-se de membros de diferentes tribos e línguas. As reuniões eram realizadas em francês. Enquanto estávamos ali, construiu-se um belo Salão do Reino. Muitos daqueles com quem estudávamos a Bíblia ajudavam na construção. Entre eles havia uma mulher da tribo nômade dos peul, das regiões interioranas da África ocidental. Um pouco depois, ela se tornou publicadora das “boas novas”, pregando nas muitas línguas que conhecia.
A tradição local ainda prevalecia muito em Paracou. Quando morreu o rei, o mercado, o centro de atividades, ficou fechado por quatro meses. Os seguidores dele e os do novo rei realizavam grandes comícios, a cavalo. As noites estavam cheias do som dos tambores, que acompanhavam as respectivas cerimônias.
A ideologia anti-religiosa de Marx e Lenine passou finalmente a dominar a população. Progressivamente, as pessoas, especialmente os escolares, foram obrigados a repetir lemas tais como: ‘Glória ao povo, todo o poder ao povo.’ Depois de servirmos em Paracou por mais de um ano, as autoridades insistiram que cessássemos com a atividade de pregação de casa em casa. Alguns irmãos foram presos, e, poucos meses mais tarde, fomos transferidas para Cotonu, deixando as Testemunhas locais continuar a pregação de modo menos conspícuo.
Ao passo que as restrições impostas pelo governo aumentaram, os irmãos enfatizaram repetidas vezes os pontos da Sentinela que tratavam de perseguição, a fim de estarem preparados. Com o tempo, alguns foram severamente espancados, quando não quiseram exclamar os lemas revolucionários.
Certo dia, Gisela e eu voltamos da cidade e encontramos o prédio da Sociedade em Cotonu cercado por membros armados do comitê revolucionário. Permitiram-nos entrar na casa, onde ficamos detidas junto com os outros. No dia seguinte, homens uniformizados, com metralhadoras, vasculharam bem a casa e a bagagem. Dois deles ficaram pensando sobre os nomes Elias e Eliseu, encontrados num de meus cadernos de notas. Finalmente, conseguimos fazê-los entender que se tratava de profetas de Deus, que viveram há mais de 2.500 anos!
Fomos levados à sede da Segurança Nacional, onde fomos informados de que, no dia seguinte, seriamos expulsos do país. “Visto que são cristãos, confiamos em vocês”, disse um oficial, “de modo que podem passar a noite na sua casa”. No dia seguinte, observamos a maioria dos missionários sendo levados para a Nigéria. Naquela tarde, um policial acompanhou-nos até a fronteira de Togo. Depois de nos deixar, o motorista levou-nos até o escritório das Testemunhas de Jeová em Lomé.
Como era consolador estar com os irmãos em Togo! E como gostamos de poder novamente ir de casa em casa com a mensagem do Reino! Depois de algumas semanas em Togo, chegou o tempo para uma nova designação.
Em maio de 1976, fomos levadas de carro até Alto Volta. A viagem de dois dias levou-nos através de lindas paisagens, terminando no lar missionário de Uagadugu. Terminamos logo um curso de língua no idioma mossi, e começamos a pregar às pessoas da região em francês e neste idioma local. Estou muito satisfeita de estar aqui ajudando a cuidar das muitas pessoas que se interessam na verdade da Bíblia.
FAMÍLIA MUNDIAL DE AMIGOS
Nunca lamentei a decisão de usar minha vida no serviço de Jeová. Sendo formada em química, poderia ter seguido uma carreira materialmente recompensadora, mas considero isso como nada em comparação com o privilégio de ajudar pessoas na Alemanha, na França, em Madagáscar, em Quênia, em Benin e agora, aqui, em Alto Volta, a fim de aprenderem a verdade sobre os grandiosos propósitos de Deus. Não poderia imaginar uma vida mais satisfatória e recompensadora do que esta, cheia de muitas emoções e novas experiências.
Recentemente, visitei minha querida mãe, que agora já tem quase 80 anos, mas que ainda prossegue com forte fé ali em Munique, ajudando outros a aprender a verdade de Deus. Ela se sente feliz de que estou no serviço missionário. Esta viagem de ida e volta, desde Alto Volta, fizeram Gisela e a mim pensar em quão abençoadas somos.
Encontramos no aeroporto de Paris amigos com quem servimos anos antes. Nosso agradável intercâmbio de lembranças e notícias foi descontinuado por volta da meia-noite só por causa da necessidade de descansar. Daí, durante uma breve escala em Niamei, na República do Níger, diversos amigos africanos, que havíamos conhecido em Benin, vieram encontrar-nos no aeroporto. Nossas animadas saudações e palestras induziram um funcionário do aeroporto a perguntar que grupo éramos, visto que negros e brancos confraternizavam tão livremente.
Por fim, nosso avião estacionou perto do edifício do aeroporto de Uagadugu. Os rostos sorridentes de nossos amigos, que acenavam desde o terraço de observação, refletiram os nossos próprios sentimentos de alegria, de estarmos novamente com eles. Deveras, dá uma profunda alegria satisfatória fazer parte duma família mundial de irmãos e irmãs genuínas. Tome você também as decisões, na vida, que lhe trarão bênçãos tão animadoras.
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Um provérbio sábioA Sentinela — 1979 | 1.° de junho
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Um provérbio sábio
“Os próprios lábios do justo estão apascentando a muitos, mas os próprios tolos estão morrendo por serem faltos de coração.” — Pro. 10:21.
No princípio, pode parecer que este provérbio trata basicamente do uso da língua, mas o ponto do seu argumento é realmente mais profundo. Tem que ver com o que se tem no coração e como isto afeta as coisas.
Aquele que sente sua necessidade espiritual, e que tanto se esforça em satisfazê-la como em viver segundo ela, é uma bênção para os que o rodeiam. Ele reconhece o conselho e os princípios de Jesus. Isto se evidencia em como e por que usa seus lábios.
Todavia, como é que ‘o justo está apascentando a muitos’? Algumas versões da Bíblia traduzem isso por “alimentam a muitos”. Mas, a palavra hebraica usada aqui transmite um significado maior do que apenas o de ‘alimentar’. Contém a idéia de guiar, além de nutrir, bem similar à maneira em que o pastor da antiguidade cuidava de suas ovelhas. (1 Sam. 16:11; Sal. 23:1-3; Cân. 1:7) Assim é com o justo. Ele guia ou conduz outros ao caminho da virtude e da justiça, sendo que sua fala nutre os ouvintes. Em resultado, estes podem levar uma vida mais feliz, mais satisfatória. E podem receber a vida eterna.
Em que contraste isso está, porém, com o que é ‘falto de coração’! Ele mostra falta de boa motivação ou pouco se importa com as conseqüências de seu proceder. Não conhece muitos assim, cujo conceito da vida é: ‘Ora, deixe o barco correr’? Tal pessoa faz simplesmente o que bem entende, sem se importar com o resultado. Visto que não faz caso de pensar nas penalidades de seu proceder, amiúde cai vítima delas. Ao passo que o justo ajuda outros a continuarem vivos, o falto de coração não consegue manter vivo nem a si mesmo.
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