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As grandes empresas e o crimeDespertai! — 1984 | 22 de julho
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ao crime. Com freqüência, porém, as pessoas se tornam vulneráveis por outros motivos. O que acontece quando as grandes empresas, ao passo que se pautam estritamente dentro da lei, mostram falta de senso moral? Nesse caso, muitas pessoas talvez venham a sofrer terrivelmente.
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As grandes empresas e a moralDespertai! — 1984 | 22 de julho
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As grandes empresas e a moral
COMO podem as pessoas tornar-se vítimas, mesmo quando as grandes empresas se pautam pela lei? Porque o alvo natural das empresas é obter lucros. Muitos empresários não parecem considerar que lhes cabe fazer juízos morais sobre de onde procedem seus lucros.
A título de exemplo, teste após teste tem confirmado que muitos sofrem conseqüências letais devido ao fumo. Entretanto, as grandes indústrias do fumo continuam a obter enormes lucros com a produção e a comercialização de seu produto perigoso. E continuam a fazer anúncios para incentivar mais pessoas a adquirir tal hábito. Pelo visto, o lucro obtido é um argumento irrespondível na mente deles. E quando as empresas negociam com outros países, podem ser ainda mais indiferentes aos resultados de suas ações.
As grandes empresas podem fazer com que pessoas sejam suas vítimas de outro modo. A fim de vender um produto que ninguém realmente necessita, há firmas que gastam muito dinheiro em publicidade para gerar uma necessidade, para fazer que as pessoas pensem que este produto não-essencial é como que uma necessidade. Um exemplo disto veio a lume nos anos recentes, na comercialização de alimentos infantis — preparados para a mamadeira de bebezinhos — nos países pobres.
Todos os peritos concordam que o perfeito alimento para um recém-nascido é o leite de sua própria mãe. Todavia, tem-se acusado grandes firmas de promover a comercialização agressiva de alimentos infantis pré-fabricados, nos países pobres, de modo a persuadir as mães que seus bebês serão mais saudáveis se lhes forem dados tais alimentos. Com que resultado? As mães gastam seu dinheirinho contado neste produto geralmente não-essencial. Com freqüência, não conseguem entender as instruções e não avaliam a necessidade de esterilizar a mamadeira do bebê. Daí, o bebê talvez acabe ficando desnutrido ou com diarréia.
Relata-se que um dos modos empregados para promover a venda de alimentos infantis pré-fabricados era fornecer uma amostra grátis à mãe logo depois do nascimento do bebê. Quando acabava a amostra grátis, a mãe verificava que não mais podia aleitar ao peito seu bebê e tinha de continuar utilizando aqueles alimentos (ao preço comercial, naturalmente). Por quê? Porque o leite materno talvez seque em cerca de uma semana se se descontinuar a amamentação ao peito.
É Legal, Mas . . .
Efetivamente, as grandes firmas são alvo de pesadas críticas por seu comportamento nas terras mais pobres. Por exemplo, o que aconteceu com 2,4 milhões de pijamas infantis proscritos nos Estados Unidos porque tinham sido tratados com um composto que retardava sua queima, e que se descobriu que provocava o câncer? Foram enviados para países em que as leis não eram tão severas.
O jornal inglês, The Guardian, anunciou em data recente: “A indústria farmacêutica internacional, inclusive as principais firmas britânicas, foi acusada por Oxfam, na semana passada, de explorar de forma sistemática os pobres do Terceiro Mundo para obter lucro comercial.” O jornal prosseguia: “Sua denúncia mais contundente refere-se à disposição das principais companhias farmacêuticas de vender preparados altamente perigosos e potencialmente tóxicos ao Terceiro Mundo — freqüentemente com afirmações sobre sua segurança e eficácia que foram obrigadas a retirar no Ocidente.”
As notícias nos falam de fármacos enviados a países do Terceiro Mundo, por firmas ocidentais, muito embora tenham sido proscritos no mundo ocidental por causa de seus conhecidos efeitos colaterais perigosos. Um antibiótico amplamente vendido na Ásia pode produzir uma forma fatal de anemia. Um hormônio esteróide vendido na África pode causar o crescimento de barba e a calvície nas mulheres, e a ampliação do clitóris nas moças. Um remédio antidiarréico vendido na Indonésia foi retirado dos Estados Unidos e do Japão porque podia causar danos ao cérebro e cegueira.
Ademais, há representantes das companhias farmacêuticas que se empenham a fundo para colocar tais produtos nas prateleiras das farmácias e drogarias. Aos médicos e administradores hospitalares foi oferecido suborno que incluía “carros ou educação universitária gratuita para seus filhos”.
No entanto, os problemas morais das grandes empresas não são tão óbvios em nenhum setor como o são no maior negócio de todos — o comércio de venda de armas.
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As grandes empresas e a guerraDespertai! — 1984 | 22 de julho
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As grandes empresas e a guerra
A VENDA internacional de armas tornou-se um alto negócio no século 19. Produtores de aço, como a firma alemã Krupp, e as firmas inglesas, Vickers e Armstrong, começaram a produzir armas em grandes quantidades. Quando seus governos não puderam, ou não quiseram, comprar bastantes armas, tais firmas criaram um comércio internacional e logo se tornaram gigantescas multinacionais.
Desde seus dias iniciais, expressaram-se dúvidas quanto à moral da produção e da exportação de armas. Alfred Nobel, da Suécia, descobriu uma forma de cordite (pólvora sem fumo, chamada balistite) para canhões, e, aos 60 anos, comprou a fábrica de armas sueca Bofors. Todavia, professava interesse no pacifismo e de sua herança surgiu o famoso Prêmio Nobel da Paz, a ser concedido aos que fizessem o máximo para promover relações amigáveis entre nações. Quando William Armstrong morreu, em 1900, um jornal inglês comentou: “Há algo que deixa a imaginação estarrecida, na aplicação de uma mente fria e comedida, como a de lorde Armstrong, à ciência da destruição.”
Entretanto, quaisquer escrúpulos logo foram deixados de lado por se pensar, quer no patriotismo, quer nos lucros. Já no início da Primeira Guerra Mundial, vendedores de armas pululavam pela maioria das capitais do mundo, vendendo suas mercadorias. Tal guerra, porém, expôs o grave problema moral relacionado com o comércio de armas.
Durante a guerra, armas de fabricação
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