-
Está o mundo na bancarrota moral?Despertai! — 1984 | 8 de abril
-
-
Está o mundo na bancarrota moral?
“A MENININHA magra na tela de cinema tem cerca de 6 anos. Ela usa o cabelo curto e reluzente. De vestido de algodão, meias três quartos e sapatos colegiais de amarrar, ela parece . . . uma criança vestida para seu primeiro dia de escola. Mas essa criança é a estrela involuntária de um filme de pornografia infantil.” — The Toronto Star.
Espantoso? Sim! Essa vitimada “menininha magra” poderia ser uma vizinha sua da casa do lado — ou alguém da sua parentela próxima. Um caso isolado? Não! Só nos Estados Unidos, uma estimativa de 300.000 crianças anualmente se tornam vítimas da pornografia. ‘Sim, mas as coisas não são tão ruins assim em toda a parte, não é verdade? Não significa que o mundo inteiro esteja falido moralmente’, dizem alguns.
Entretanto, considere esta ilustração: Seu vizinho, por falta de bom critério econômico, sofre revés econômico, fica financeiramente arruinado e abre falência. Contudo, ele se dá aparências, superficialmente, de que seus “negócios continuam normalmente” — até que de repente os credores executam hipoteca nos seus bens. Assim se dá com o atual sistema mundial de coisas. Superficialmente, pode parecer ter boa moral, mas um exame mais detido revela as irreparáveis fendas que vão até o próprio alicerce.
Indícios de Moral Falida
O mundo está moralmente destituído — falido — à beira de um colapso total. Por que dizemos isso? Ao olhar para os indícios da bancarrota moral, alistados abaixo, pense sobre quem e o que representam. Será que representam apenas os incultos? a classe pobre? os marginais calejados? os irreligiosos? Ou a pobreza moral permeia de tal forma a sociedade, desde seus líderes até seus seguidores, que o inteiro sistema se está tornando corrupto?
● Descobre-se, em proporção alarmante, fraude nas pesquisas feitas por cientistas, médicos e jornalistas.
●Mais de 17.000 agentes corruptos da polícia foram demitidos na Cidade do México desde 1976.
●Dois sacerdotes, mais de 540 homens de negócios e dezenas de autoridades do fisco foram acusados de defraudar a Itália, sonegando impostos sobre petróleo, no valor de 2,6 trilhões de cruzeiros.
●Uma recente pesquisa revelou que 200 chefes executivos de algumas das maiores empresas do mundo consideram que manter as normas da ética não é importante na concepção pública dos negócios.
● Os cidadãos defraudam a Itália em 20 por cento de seus impostos em potencial; na Alemanha, tal fraude atinge estimadamente Cr$ 10 trilhões. Em média, cada sueco adulto defrauda o governo em Cr$ 720 mil por ano em impostos. Nos Estados Unidos, a sonegação (deliberada ou impremeditada) de impostos federais atingiu Cr$ 29 trilhões há uma década, agora é de Cr$ 100 trilhões. “Se a situação continuar a piorar, poderá levar à ruptura de nossa economia e até mesmo a um colapso da sociedade”, declara o Instituto Americano de Peritos-contadores.
● O diretor da Divisão de Narcóticos da ONU descreveu o alarmante aumento da procura mundial de drogas ilícitas como “um miasma pernicioso de contrabando e crime, de sonegação de impostos, de suborno e corrupção”.
● A Organização Mundial de Saúde calcula que os pesticidas envenenam umas 500.000 pessoas anualmente em todo o mundo, amiúde em razão de distribuição não-ética de perigosas substâncias químicas. A segurança é sacrificada no altar dos lucros das empresas. Muitas indústrias estrangeiras de produtos químicos “despejam” nos países do Terceiro Mundo os pesticidas banidos, o que fez com que o vice-ministro do meio ambiente do Quênia clamasse: “Somos vítimas do mundo industrializado.”
● Anualmente, 55 milhões de mulheres fazem abortos, segundo a estimativa feita pela Federação Internacional do Planejamento Familiar. Esse número representa destruição de uma população em potencial maior do que as populações em separado da Argentina, da Austrália, do Canadá, da África do Sul, da França, da Polônia ou de outras 145 nações.
● Outrora as doenças venéreas ocorriam entre a ralé. Agora, o modo devasso de vida causou sua proliferação. Milhões de pessoas são contagiadas anualmente, até mesmo crianças. Novas e estranhas doenças sexuais aparecem e se espalham rapidamente, frustrando os médicos.
● Os bispos católicos romanos americanos e da Alemanha Ocidental apóiam nas suas cartas pastorais a teoria da “guerra justa”.
● Grandes quantidades de alimentos excedentes são desperdiçadas, ao passo que a subnutrição significa morte para milhões. Muitas nações do Terceiro mundo negligenciam a produção de alimentos a favor de produtos de exportação de renda imediata, tais como o tabaco ou o café, enchendo assim amiúde os bolsos da elite.
● Dentre 164 nações, 45 se empenham em alguma espécie de conflito armado, que envolve mais de quatro milhões de soldados em combate. E o que torna a guerra diferente hoje, em comparação com o passado? O chocante aumento de mortes entre os civis. Em média, três civis são mortos para cada morte de combatente.
● “Uns 500.000 cientistas em todo o mundo estão devotando seu conhecimento à pesquisa de armas mais sofisticadas e mais mortíferas”, declara o secretário-geral da ONU.
● O mundo gasta Cr$ 19,3 milhões anualmente por soldado, mas apenas Cr$ 380 mil por criança em idade escolar. Ao mesmo tempo, 25.000 pessoas morrem diariamente por causa de falta de água limpa, e 100.000 crianças ficam cegas anualmente por falta de vitamina A na sua dieta.
● Para enriquecer seus cofres, as nações industrializadas exportam seus armamentos a nações que menos se podem dar ao luxo de possuí-los — nações em desenvolvimento que estão muito ávidas disso — que amiúde usam essas armas contra seus pobres. “Nenhuma outra forma de exploração, seja imperialista, seja de outra forma”, diz o ex-embaixador dos EUA John Kenneth Galbraith, “tem sido mais nociva ou perigosa do que esta”.
É verdade, uma pessoa — um político, homem de negócios, o vizinho do lado ou outro — pode possuir seu elevado código moral próprio. Entretanto, a menos que seja altamente motivada a resistir, o sistema ao seu redor pode prendê-la a um padrão destituído de qualquer virtude e pode torná-la sua presa. Um antigo provérbio sintetiza a situação moral, dizendo: “Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar.” Como um pau que nasceu torto e é quebradiço, a moral do mundo é tão torta que para endireitá-la é preciso quebrá-la. — Eclesiastes 1:15.
Outro aspecto da moral falida se reflete no entretenimento. A cultura de uma sociedade, especialmente seu entretenimento, pode revelar muito sobre suas normas morais. Como reflete o entretenimento atual a moral de hoje?
-
-
O desvirtuamento moral nos espetáculos de hojeDespertai! — 1984 | 8 de abril
-
-
O desvirtuamento moral nos espetáculos de hoje
“Também do bom autor que outrora conhecia melhor linguagem
Agora é só baixa a linguagem.
Em prosa escreve . . .
Tudo serve.
O mundo enlouqueceu hoje
E o bom é mau hoje
E o preto é branco hoje
E o dia é noite hoje . . .
Tudo serve.” — Palavras do poeta lírico americano Cole Porter, 1934.
“Ai dos que dizem que o bom é mau
E que o mau é bom,
Os que põem a escuridão por luz
E a luz por escuridão.” — Palavras do profeta israelita Isaías, 732 AEC — Isaías 5:20.
MAIS de 26 séculos separam as citações acima. Cada uma delas foi escrita para um propósito diferente, uma para entreter platéias em Broadway, a outra para perscrutar o desregramento dos habitantes da antiga Judá. Todavia, ambas são pertinentes à nossa década. Hoje em dia, já que os conceitos sobre o certo e o errado mudam constantemente, pelo que parece, “tudo serve”.
Em nenhum outro lugar é talvez isso mais evidente do que no desvirtuamento dos espetáculos públicos para entretenimento. O entretenimento faz parte da cultura, e a cultura é o modo característico como uma sociedade aprendeu a agir, a pensar e a sentir. É o modo de vida inteiro de um povo. Por conseguinte, os conceitos morais de uma sociedade podem ser vistos através de sua cultura.
Nenhuma outra arte se multiplicou provavelmente tanto neste século ou é tão popular ou tão influente quanto os filmes cinematográficos e a televisão. Alguns dizem que os filmes espelham a vida. Contudo, ao mesmo tempo, visto que os astros do cinema são os modernos heróis do povo, os filmes podem dar amplitude, autoridade e sinal de aprovação a novos hábitos morais. A indústria cinematográfica está apercebida desse enorme poder manipulatório. Seu “Código de Produção” diz: “O espetáculo público pode ter caráter ÚTIL ou PREJUDICIAL à raça humana.” Que lhe dizem os espetáculos modernos sobre a moral do mundo e sobre que rumo a raça humana está tomando?
Em 1939, a Academia de Arte Cinematográfica premiou o filme E o Vento Levou que usou uma palavra obscena, chocando a muitos. Hoje não causaria nenhuma reação. Os espetáculos, em poucas décadas, passaram de inocentes atividades em família para “só para adultos”. Alguns justificam esse desvirtuamento drástico como um escapismo inocente. Mas será que é? A realidade é que três coisas destituíram a maioria dos espetáculos modernos de qualquer valor moral que pudessem ter — drogas ilegais, violência excessiva e sexo explícito.
Drogas e Derramamento de Sangue
Por décadas as novelas têm estado no ar diariamente no rádio e na TV. Hoje em dia temos espetáculos que apresentam o uso de tóxicos. No palco, na tela de cinema e na televisão, o alastramento prolífico do uso de tóxicos ilegais dentro da principal corrente social é apresentado como normal, como parte do dia-a-dia. Não mais são os usuários e os traficantes de drogas ilícitas identificados automaticamente como perdedores, degenerados e vilãos. Antes, amiúde se tornaram os heróis, os vencedores, os astros, a serem imitados pelos jovens e pelos idosos. E os produtores dos espetáculos lançam sobre o público a culpa de tal mudança e clamam: ‘Estamos dando o que o público deseja!’
A indústria de espetáculos está também imersa em exibições sangrentas. Nunca antes na história do cinema a violência esteve tão explícita e tão estupeficante. Literalmente, banhos de sangue são exibidos perante os olhos dos espectadores de cinema. Serras elétricas desmembram partes do corpo, brocas fazem buracos na cabeça das vítimas ao passo que o sangue sai jorrando, ouve-se o ruído do mascar canibalesco de partes do corpo. Amiúde, essa carnificina hedionda é mesclada de alguma espécie de situação erótica. Tais cenas e até mesmo outras mais nauseantes tornaram os ingredientes essenciais daquilo que muitas pessoas anseiam num espetáculo.
Hoje em dia as pessoas não precisam entrar furtivamente nos cinemas para ver esse tipo de filmes de horror. Se possuírem um vídeo doméstico, podem alugar ou comprar seus próprios filmes. Certo vídeo-filme foi anunciado como sendo de “92 minutos de estupro e massacre”! O mercado de tais degradantes filmes violentos está crescendo rapidamente. Por exemplo, um periódico britânico de comércio de vídeos, depois de considerar um dos novos vídeos de horror, em que as vítimas são retalhadas até morrerem, predizia: “Todo negociante tem de tê-lo. Não ficará por muito tempo nas prateleiras.”
A que conclusão sobre a vida podem chegar os espectadores regulares de tais exibições sangrentas senão a esta — que a vida normal está cheia de freqüente e rotineira violência. É de admirar que a violência no mundo real se tenha tornado mais aceitável a cada vez mais pessoas? Em suma, esse tipo de espetáculo é pornografia violenta.
Violência em Vídeo-rock
Agora existem, especialmente nos Estados Unidos, “exibições de vídeo-rock”. Num crescente número de cidades é possível os assinantes de televisão por cabo não só ouvir música de rock pesado com suas batidas ominosas, mas ver também a violência acompanhante. Pode-se comprar vídeo-rock em cassete ou pode ser visto numa tela grande num clube de rock.
Certo espectador, espantado com o programa de música de vídeo-rock que viu, descreve-o em The Wall Street Journal como sendo “a mais vil e a mais nauseante representação de sadismo que já vi”. O relato do jornal acrescenta: “Entremeadas nos números de rock havia breves vinhetas, tais como uma que mostrava uma mulher, gritando histericamente, que estava sendo forçada a comer um rato morto”. Poucos espectadores se queixam de tais programas.
Visto que a música pode estimular emoções, esta nova forma de música rock tem o potencial de reforçar conceitos distorcidos sobre a vida. Por quê? Porque dois sentidos humanos estão diretamente envolvidos — a audição e a visão. Ao ouvir música, o ouvinte fornece sua própria imagem do significado da música. Combinando-se a música com o vídeo, a pessoa é privada de sua própria imaginação em troca dos valores morais de outra pessoa — do criador do vídeo-rock. A revista Newsweek comenta: “Uma das notáveis virtudes da música é seu poder de despertar sensações profundas, sem palavras — efeitos que variam de um ouvinte para outro. O vídeo decide qual será sua imaginação e a coloca na tela toda vez que a canção é tocada.”
Pornografia
Outra forma de baixa titilação são as “exibições sobre sexo”. A pornografia não é coisa nova. A apresentação pública disso o é. As paredes que escondiam a pornografia dos olhos das pessoas em geral começaram a ruir na década de 1960, quando a Dinamarca se tornou o primeiro país a legalizar toda sorte de pornografia. Desde então, como pus que escorre de uma ferida purulenta, a pornografia espalhou sua mancha repulsiva no mundo inteiro.
Em alguns países, a pornografia é ainda um comércio às ocultas, embora lucrativo. Em outros, ela é espalhafatosamente aberta a todos, até mesmo aos jovens. Cenas sexuais explícitas e depravadas são lidas nas novelas ou vistas em revistas, na televisão ou nos cinemas num índice de aumento explosivo. As pessoas superlotam os cinemas de filmes impróprios para menores como moscas sobre montes de excremento.
Por exemplo, as bancas de jornais na Espanha estão cheias de publicações eróticas. E alguns de seus jornais trazem anúncios pornográficos como este: “Sexo, depravação e aberrações num filme que parece ter sido feito pelo Diabo.” Na Grã-Bretanha, o Daily Telegraph relata: “O fato é que o comércio do sexo parece ser quase a única indústria em crescimento na Grã-Bretanha moderna.” E no Japão, “o comércio da pornografia está em constante ascensão”, informa o Mainichi Daily News. “Suprem cada vez mais coisas horripilantes.” No ano passado, só nos Estados Unidos, a pornografia lucrou estimadamente sete bilhões de dólares (Cr$ 8,4 trilhões)!
Por que prospera a pornografia? Por causa da secular lei da oferta e da procura. Segundo noticiado em The Manchester Guardian Weekly, um ex-astro francês de filmes pornográficos forneceu a resposta: “A pornografia, por mais medíocre que seja, tem futuro por causa da existente procura.” E hoje, uma clientela que ficaria embaraçada de ser vista entrando num cinema pornográfico torna-se freguesia ávida através de vídeo-cassetes no recesso de seu próprio lar. Assim, pelo que parece, a procura justifica a oferta.
A decadência sexual enlaça até mesmo os jovens — desde bebês até adolescentes. “Atos sexuais praticados com bebês de apenas oito meses estão sendo filmados e fotografados por traficantes que trabalham às ocultas, satisfazendo uma crescente subcultura pornográfica”, informa o Daily News de Nova Iorque. A mesma fonte acrescenta que nos Estados Unidos “uma estimativa de 50.000 crianças desaparecem anualmente e nunca mais são encontradas”. Muitas delas são introduzidas à força à exploração sexual e à pornografia. Os filmes pornográficos são enviados aos países escandinavos para impressão e distribuição mundial, a fim de se satisfazer o gosto horripilante de um crescente número de pervertidos.
Por conseguinte, um espetáculo, quer retrate o sexo explícito entre adultos ou entre jovens, quer retrate a violência, faz com que o “mau”, o que é degradado, pareça ser “bom” e aceitável.
Pode este sistema de coisas sobreviver com tais influências corrompedoras que corroem seus alicerces? “Pode um homem juntar fogo no seu seio sem se queimarem suas vestes?” (Provérbios 6:27) Para onde está a moral de hoje levando este mundo?
-
-
Bancarrota moral — a que conduz?Despertai! — 1984 | 8 de abril
-
-
Bancarrota moral — a que conduz?
ERA a noite de 25 de julho de 1956. O reluzente navio branco a motor Stockholm deixava Nova Iorque em sua 103.ª travessia do Atlântico Norte em direção ao leste. Havia nevoeiro em volta dos baixios de Nantucket, mas isso era normal.
Em sentido oposto vinha o mais belo navio italiano, o Andrea Doria, abrindo rota através do nevoeiro. Visto que ambos os navios estavam equipados de radar, ninguém estava muito preocupado. De fato, a maioria dos passageiros já se havia recolhido à cama. Os oficiais a postos observavam. O Andrea Doria viajava a cerca de 22 nós. Subitamente, avistou-se o Stockholm. O comandante italiano gritou energicamente a ordem: “Tudo para a esquerda!” Mas, com o ímpeto e o peso do Andrea Doria, era tarde demais.
ÀS 23,09 horas, o Stockholm bateu no navio italiano a meia-nau. Apenas alguns oficiais e marinheiros estavam apercebidos do que estava para acontecer, e a tentativa de desvio foi em vão. Não puderam impedir a colisão. Onze horas mais tarde, o “insubmergível” Andrea Doria afundava.
Assim também hoje, a moral do mundo está num rumo desastroso. Algumas pessoas que têm princípios se apercebem disso. Portanto, procuram mudar o rumo das coisas. Mas, isso é muito pouco, é tarde demais. A corrupção do mundo é um empecilho para os líderes do mundo que notam que este sistema ganhou um ímpeto e segue um rumo que estão fora do controle deles. Outros não vêem nenhuma diferença no clima moral do mundo inteiro; alguns até mesmo se deleitam com isso.
Em tal situação, que esperança quanto ao futuro podem as pessoas de coração honesto ter? Dois antigos padrões fornecem uma resposta.
Padrão de Coisas por Vir
Os dois exemplos de uma sociedade destituída de caráter moral e do que lhes aconteceu são: o mundo antediluviano dos dias de Noé e os habitantes de Sodoma e Gomorra. As palavras de Jesus Cristo, em Lucas 17:26-30, mostram que esses exemplos têm seu equivalente nos dias atuais. Jesus, na qualidade de principal agente executivo de Deus, fará mundialmente um ajuste de contas. Lemos:
“Ademais, assim como ocorreu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem [Jesus Cristo]: comiam, bebiam, os homens casavam-se, as mulheres eram dadas em casamento, até aquele dia em que Noé entrou na arca, e chegou o dilúvio e destruiu a todos. Igualmente, assim como ocorreu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e destruiu a todos. Do mesmo modo será naquele dia em que o Filho do homem há de ser revelado.”
Em ambos os casos, as atividades normais de comer, beber, casar-se, construir, e assim por diante, assumiram um aspecto sinistro, porque o aviso de Deus foi desconsiderado. As pessoas deixaram de perceber o significado do que acontecera ao seu ambiente moral. Para eles, eram “atividades normais”. Olhemos mais de perto esses dois modelos.
“Nos dias de Noé”
No século 24 AEC, predominava a maldade na terra. As normas morais estavam fora de controle. O relato histórico, em Gênesis 6:5, diz: “Por conseguinte, Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo.” Em que sentido era só má e por quê?
A maldade se manifestou de dois modos destacados. Primeiro, sua violência. Segundo, a perversão sexual. Observe como se faz alusão a isso em Gênesis 6:4: “Naqueles dias veio a haver os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos do verdadeiro Deus continuaram a ter relações com as filhas dos homens e elas lhes deram filhos; eles eram os poderosos da antiguidade, os homens de fama.”
A palavra “nefilim” significa “derribadores”, ou “derrubadores”. Os nefilins eram valentões. Faziam outros cair violentamente. Sem dúvida, muitos seguiram seu exemplo violento ou se uniram a eles em saquear vítimas indefesas. Os nefilins eram a prole híbrida resultante dos atos sexuais entre anjos rebeldes, materializados, que eram outrora “filhos do verdadeiro Deus”, e mulheres na terra. Tal sexo entre anjos e humanos era desnatural, era perversão. (Para informação adicional, queira ler 1 Pedro 3:19, 20; Judas 6, 7.)
A que conduziu essa bancarrota moral? “De modo que Jeová disse: ‘Vou obliterar da superfície do solo os homens que criei, desde o homem até o animal doméstico, até o animal movente e até a criatura voadora dos céus, porque deveras deploro tê-los feito.’ Mas Noé achou favor aos olhos de Jeová.” (Gênesis 6:7, 8) Jeová executou aquele sistema moralmente degenerado por meio do maior cataclisma em toda a história humana até aquele tempo. Noé e sua família imediata foram os únicos humanos que escaparam daquele dilúvio.
Por que Noé e sua família encontraram favor aos olhos de Deus? “Noé era homem justo. Mostrou-se sem defeito entre seus contemporâneos”, diz Gênesis 6:9. Como fez isso? “Noé andou com o verdadeiro Deus”, declara a conclusão desse versículo. Noé era corajoso e se distinguia de seus contemporâneos imorais, permitindo que os princípios morais de Jeová fixassem os limites do caminho que ele e sua família seguiriam em toda a sua vida. Noé recusou terminantemente deixar-se levar pela conduta corrupta do mundo.
“Nos dias de Ló”
O outro exemplo ocorreu mais de 400 anos mais tarde. As cidades de Sodoma e Gomorra, que alguns crêem estão submersas na parte meridional do Mar Morto, persistiam em seguir na vida uma conduta que desafiava as normas morais de Deus. “O clamor de queixa a respeito de Sodoma e Gomorra, sim, é alto, e seu pecado, sim, é muito grave”, declara Gênesis 18:20.
Que fez com que os habitantes fossem tão repreensíveis aos olhos de Deus? Sua moral tinha falido. Práticas sexuais degradadas predominavam seu modo de vida. “Desde o rapaz até o velho . . . chamavam a Ló e diziam-lhe: ‘Onde estão os homens que foram ter contigo hoje à noite? Traze-os para fora a nós, para que tenhamos relações com eles [“os estupremos”, The Living Bible].’” (Gênesis 19:4, 5) Estão incluídos nesse “nós” os jovens, bem como os adultos!
Quando Jeová executou aquele sistema moralmente corrupto, apenas três almas foram poupadas da destruição por fogo — Ló e suas duas filhas. Por que eles? Porque Ló era “justo”, “a quem afligia grandemente que os que desafiavam a lei se entregavam à conduta desenfreada”, e recusava-se a imitar o modo dissoluto de vida deles. — 2 Pedro 2:7, 8.
Nos Nossos dias
A conta moral deste mundo está completamente a zero e pronta para execução total. De forma alguma pode levantar seus padrões morais. ‘O governante deste mundo imoral’, Satanás, o Diabo, tem retido a maioria da humanidade presa ao seu padrão de mau-procedimento. (João 12:31) São como passageiros num navio que ruma para a colisão. Seus líderes, como um comandante de navio, tentam evitar o desastre, mas não o conseguem. O ímpeto com que o mundo ruma, controlado por Satanás, torna inevitável a catástrofe.
Mas os que amam a justiça, assim como Noé e Ló podem moldar para si um padrão diferente de vida — um que seja pio — seguindo o proceder de conduta moral delineado na Bíblia. Quando Jeová e seu Filho Jesus Cristo em breve executarem este sistema mundial imoral, a conta dos justos mostrará ter um saldo credor. Deus lhes dará então o título da vida eterna num mundo justo. Será que você se qualificará para estar entre os justos? — Salmo 37:27-29; 2 Pedro 2:9.
-