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  • O Livro de Mórmon e a Bíblia
    Despertai! — 1971 | 22 de março
    • O Livro de Mórmon e a Bíblia

      O LIVRO de Mórmon contém, na edição em português, mais de 600 páginas, divididas em 15 “livros”. Em inglês, duas edições se acham publicadas, uma pelo grupo mórmon maior de Utah; outra pela Igreja “Reorganizada” de Missouri. As divisões de capítulos e versículos foram feitas depois de os grupos se separarem, de modo que variam. Usamos a edição em português editada pela Missão Brasileira dos mórmons (edição de Utah).

      Segundo O Livro de Mórmon, quando a Bíblia “saía da boca do judeu continha as verdades do evangelho do Senhor”, mas, desde então “o livro [tem] passado pelas mãos da grande e abominável igreja”, e atualmente “desapareceram dele muitas passagens claras e preciosas”. Também, “vi outros livros também aparecerem entre eles, trazidos pelos gentios, pelo poder do Cordeiro” que “estabelecerão a verdade dos primeiros”. — 1 Néfi 13:24, 28, 39, 40.

      Subentende isto que Deus era tão fraco de modo a não poder proteger a Palavra que inspirara? As descobertas de manuscritos antigos do século seguinte provaram que não, e provaram ser falsa esta “revelação” mórmon. Se a “grande e abominável igreja” tivesse pervertido com êxito a Bíblia, então esse livro provaria as doutrinas dela. Mas, não prova. Condena clamorosamente as práticas dela, e é por isso que ela tem de recorrer ao subterfúgio de desanimar as pessoas de lê-lo.

      Se “outros livros”, inclusive O Livro de Mórmon, “estabelecerão a verdade [da Bíblia]”, então não irão contradizê-la. O Livro de Mórmon só pode ser de valor se estiver em harmonia com a revelação prévia, porque Deus não é culpado de se contradizer. Qual a posição de tal livro nesse respeito? Leva em conta o que está escrito na Bíblia, mas a Bíblia não apóia o que foi escrito em O Livro de Mórmon. A Bíblia não leva em conta, como o faz O Livro de Mórmon, de haver outros crentes a quem Cristo pregou nos Estados Unidos, embora os mórmons realmente afirmem que Ezequiel 37:16, 17; Revelação 14:6; João 10:16; Revelação 7:9, 10 e o Salmo 85:11 sejam referências indiretas a isto.

      A Afirmação Mórmon

      O primeiro destes textos diz: “E quanto a ti, ó filho do homem, toma para ti uma vareta e escreve nela: ‘Para Judá e para os filhos de Israel, seus associados.’ E toma outra vareta e escreve nela: ‘Para José, a vareta de Efraim, e para toda a casa de Israel, seus associados.’ E faze chegar uma à outra para serem para ti uma só vareta, e elas realmente se tornarão uma só na tua mão.” Um mórmon explica: “As varetas, naturalmente, eram rolos ou livros. A vareta de Judá é o Livro de Judá, obviamente a Bíblia.”

      Mas, será tão óbvio que as varetas são rolos ou livros? Caso fossem, seriam certamente curtinhos! Ficou imaginando por que “Por” foi posto com letra inicial maiúscula antes tanto de “Judá” como de “José” na Versão Almeida? Essa versão da Bíblia não usa aspas, apenas põe iniciais maiúsculas onde começa uma citação, mas os tradutores modernos mostram mais claramente o que estava escrito em cada vareta. A tradução do Pontifício Instituto Bíblico e outras incluem “Judá e os filhos de Israel, que lhe estão unidos” e “José, o bastão de Efraim e de toda a casa de Israel que lhe está unida” entre aspas. Estas são as palavras que foram escritas nas varetas, que de jeito nenhum eram livros. Brandir uma vareta indica ter poder, autoridade, liderança. Tais varetas eram emblemas da nacionalidade de Judá e das tribos que se uniram a ela, e da nacionalidade de Efraim e das tribos associadas que formavam o reino de Israel. Por causa da infidelidade de Efraim, a nacionalidade separada, conforme representada pela “vareta”, juntou-se à vareta de Judá para se tornar uma só, à medida que os grupos nacionais divididos das dez tribos e das duas tribos se uniram novamente depois da restauração do cativeiro babilônico em 537 A. E. C. A profecia nada tem a ver com livros ou com os EUA, mas diz respeito à restauração.

      O segundo texto, Revelação 14:6, diz: “E eu vi outro anjo voando pelo meio do céu, e ele tinha boas novas eternas para declarar, como boas notícias aos que moram na terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo.” Este, explicam os mórmons, é o anjo Moroni, que presumivelmente disse a Smith onde foram enterradas as placas. Mas, isso não se ajusta tampouco ao texto. Moroni não falou a toda nação a respeito das placas, nem apontou para escritos inspirados em outras terras, nem mesmo foi O Livro de Mórmon provido para tais pessoas. Em bem mais de 100 anos, havia sido traduzido em apenas vinte e cinco idiomas — uns cinqüenta menos que o número de idiomas de cada número da revista A Sentinela. Note que o texto não dá indício de que isto se aplique a qualquer livro; não faz referência alguma a O Livro de Mórmon. Antes, trata da pregação em toda a terra do evangelho eterno, que já se achava registrado na Palavra de Jeová Deus, a Bíblia.

      O terceiro texto, João 10:16, descreve as outras ovelhas de que são parte a “grande multidão” do quarto texto, Revelação 7:9, 10. Eram outras ovelhas em contraste com as 144.000 ovelhas celestes consideradas antes em Revelação 7. Nenhum dos dois textos se aplica exclusivamente aos estadunidenses.

      O último texto, o Salmo 85:11, tem de ser tirado completamente do contexto e só em desespero de causa se recorreria a ele. “Veracidade é que brotará da própria terra e justiça é que olhará para baixo desde os próprios céus.’ A veracidade que brota da terra, dizem eles, é O Livro de Mórmon enterrado em placas. Realmente, trata-se de linguagem profética que descreve as bênçãos vindouras do Reino. Se tomássemos isso literalmente, então a justiça e a paz têm órgãos de sentidos, pois o verso anterior diz que se beijaram, e haverá algumas cabeças feridas quando ‘o céu nublado escoar a justiça’. (Isa. 45:8) Ridículo? Naturalmente que sim, mas também o é a aplicação do Salmo 85:11 a O Livro de Mórmon.

      Por isso, apesar destas afirmações ao contrário, O Livro de Mórmon não é citado na Bíblia. Então, estabelece ele sua própria verdade por ensinar doutrinas fidedignas? Não, conforme evidenciado por suas muitas contradições diante da Bíblia.

      Alma, Estaca, Nova Jerusalém

      Um exemplo é Alma 42:9: “A alma nunca poderia morrer.” A Bíblia diz meridianamente: “A alma que pecar — ela é que morrerá.” (Eze. 18:20) Qual é verídico, a Bíblia ou O Livro de Mórmon? Não se trata de simples caso de “tradução errônea”, porque outros textos mostram que a alma pode morrer, ser morta ou destruída. (Sal. 78:50; Atos 3:23; Tia. 5:20; Rev. 16:3; Mat. 10:28) A tradição de que a alma não pode morrer é uma doutrina pagã inspirada pelos demônios que foi incorporada na cristandade moderna. Alma 42:9 coloca O Livro de Mórmon do lado do paganismo, antes que do lado da Bíblia.

      O Livro de Mórmon fala da morte de Cristo em 1 Néfi 11:32-34, mas, novamente, erra quando segue o uso da palavra “cruz” pela Versão Rei Jaime da Bíblia (em inglês), uma tradução errônea da palavra grega original staurós, que significava simplesmente uma estaca ou poste ereto, sem uma barra cruzada, ou uma estaca tal como usada num alicerce. A adoração da cruz foi outra relíquia do paganismo, tendo provindo dos egípcios antigos que adoravam os demônios. — Veja-se Despertai! de 22 de março de 1969, p. 26.

      Os mórmons dão considerável ênfase à futura construção de uma cidade, Nova Jerusalém. 3 Néfi 21:23, 24 diz: “A fim de que construam uma cidade, a qual será denominada Nova Jerusalém. E, então, ele assistirá a Meu povo que está dispersado por toda a superfície da terra, a fim de que se juntem todos na Nova Jerusalém.” Note: “A fim de que construam” indica que os homens o farão. Agora, note o que a Bíblia diz: “Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para seu marido.” — Rev. 21:2.a

      Qual está certo, O Livro de Mórmon, que afirma que ela será construída pelos homens, ou a Bíblia, que diz que provém de Deus? Essa seria uma tarefa e tanto para os homens, porque Revelação 21:16 diz que tem doze mil estádios de comprimento e também de largura e de altura. Doze mil estádios são 2.400 quilômetros! Essa largura é espantosa; mas imagine só sua altura! Equivale a 2.400.000 metros, que, considerados literalmente, dá lugar a um edifício fantástico de 660.000 pavimentos, 6.470 vezes a altura do edifício “Empire State”! Por isso, esta descrição da Nova Jerusalém, como sendo uma cidade, tem de estar na linguagem figurada comum à Revelação. A Nova Jerusalém é a regência justa que Abraão procurava mesmo antes de a Jerusalém natural ser construída, a cidade cujo “construtor e criador é Deus”. (Heb. 11:10) É seu reino justo para a terra toda, regida por Deus como o foi a fiel Jerusalém da antiguidade. Limitar esta grande, justa e global Nova Jerusalém a uma cidade de quaisquer dimensões nos “limites ocidentais do estado de Missouri”b é um descrédito ao escopo do governo da nova ordem de Jeová.

      Resgate, Tribos Perdidas

      Se tais contradições parecem sérias, então, que os mórmons sinceros meditem sobre 3 Néfi 10. Os versículos 18 e 19 afirmam: “Pouco depois da ascensão de Cristo ao céu, Ele verdadeiramente Se manifestou a esse povo. E mostrou-lhe Seu corpo, e o aconselhou.” Cristo apareceu a seus discípulos várias vezes durante os quarenta dias entre o ser pendurado na estaca e sua ascensão ao céu, mas não depois disso. Se apareceu mais tarde em seu corpo humano, a vida humana na carne que deu pela “vida do mundo” teria sido reassumida. (João 6:51) É por isso que Cristo não apareceu no corpo humano a Paulo. (Atos 9:3-9) É por isso que ele disse: “Mais um pouco, e o mundo não me observará mais.” (João 14:19) Cristo foi levantado em espírito, não num corpo humano, porque sacrificara sua vida humana, e, se 3 Néfi 10 fosse verídico, isso renunciaria, renegaria e repudiaria o resgate! — 1 Ped. 3:18.

      Se Smith inventou isto, foi sem avaliar devidamente o fundo do resgate. Mas, se o argumento mórmon é verdadeiro, de que Smith não era capaz de compor tal livro, que deve ter tido ajuda super-humana, então essa força espiritual deveria ter conhecido estas coisas, e estava de forma malévola, porém sutil, tentando negar o resgate! Segunda Pedro 2:1 admoesta: “No entanto, houve também falsos profetas entre o povo, assim como haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas e repudiarão até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz.” Quando se trata de escolher entre a Bíblia e O Livro de Mórmon nesta questão, escolhemos aceitar as declarações da Bíblia sobre Cristo ter entregue seu direito à vida humana como o resgate. Esperamos que os mórmons sinceros façam o mesmo. Não é uma questão a se tratar com leviandade!

      Que correspondência há entre O Livro de Mórmon e a Bíblia no que tange às “tribos perdidas da casa de Israel”? O livro mórmon diz que, quando Jesus visitou os EUA (o caso mencionado acima), disse: “Vou ao Pai e vou também manifestar-Me às tribos perdidas de Israel, porque não estão perdidas para o Pai.” (3 Néfi 17:4) Tem havido surpreendente confusão quanto a estas “tribos perdidas”, mas, o que diz a Bíblia? Diz que Jesus ordenou: “Ide antes continuamente às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mat. 10:6) Onde? A algum outro país? Não; Jesus não os enviou para fora da Palestina a fim de encontrar estes perdidos. Paulo disse que João pregara “a todo o povo de Israel”. (Atos 13:24) Onde? Bem ali na Palestina. Diante de Agripa, disse Paulo: “Agora estou sendo chamado a julgamento pela esperança da promessa que Deus fizera aos nossos antepassados, ao passo que as nossas doze tribos estão esperando alcançar o cumprimento desta promessa por lhe prestarem intensamente serviço sagrado, noite e dia.” (Atos 26:6, 7) Esdras e Neemias mostram que, em 537 A. E. C., fiéis representantes de todas as doze tribos voltaram para Jerusalém em unidade, e estes constituíram a nação de Israel. Por isso, nos dias de Jesus, as “tribos perdidas” estavam lá mesmo na Palestina. Perdidas? Muitos membros tribais estavam espiritualmente perdidos, mas, com certeza, as tribos não estavam perdidas em sentido geográfico.

      Encarando as Contradições

      Uma inspiração de Deus não pode contradizer a outra. Ele estabeleceu a religião pura, embora a mesma tenha sido rejeitada pela maioria do mundo. Ele tem a única verdade pura, e não diferentes revelações para diferentes lugares, e não precisa de “outros livros” para suplementar a verdade registrada em seu único Livro, a Bíblia, e especialmente isso não se daria quando tais outros livros contradizem o que está escrito em sua Palavra. Não deixou que tal norma da adoração pura fosse destruída, embora muitas tentativas infrutíferas fossem feitas. Não a podendo destruir, os demônios apresentaram outros livros “inspirados” para substituí-la. Milhões de pessoas aceitaram; Maomé e suas visões, creram e morreram na fé de Buda ou Confúcio, ou outras religiões; muitos dos quais tiveram visões e revelações, dons e poderes miraculosos que enganaram ou mantiveram os seguidores de tais religiões afastados da adoração pura. O Livro de Mórmon se junta aos mesmos em contradizer a Escritura Sagrada corretamente traduzida, pelo menos quanto à alma, à estaca, à Nova Jerusalém, à volta de Jesus e às dez tribos do reino setentrional de Israel.

  • As novas doutrinas do mormonismo
    Despertai! — 1971 | 22 de março
    • As novas doutrinas do mormonismo

      OS MEMBROS da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais comumente conhecida como os mórmons, aceitam sua religião com sinceridade, crêem que foi divinamente inspirada, e têm um fundo de perseguição sofrida que provoca um sentimento natural adicional para com qualquer crítica. Não é nosso propósito zombar, questionar a inteligência, laboriosidade, sinceridade, nem as obras de caridade, tudo o que possuem em boa medida, mas, antes, incentivar uma investigação doutrinária; não apenas uma pesquisa em busca de argumentos de apoio, mas um exame real da evidência, para descobrir o que realmente é verdadeiro.

      Um opúsculo mórmon, Temple Square, diz, na página 24, que a finalidade de Joseph Smith e dos Santos dos Últimos Dias “é conduzir os homens e mulheres ao conhecimento da verdade eterna que Jesus é o Cristo, o Redentor e Salvador do mundo”. Obviamente, para ser corretamente desincumbido, este nobre objetivo deve harmonizar-se com o aviso de Paulo: “No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado.” (Gál. 1:8) Os mórmons crêem que sua doutrina se harmoniza com tal aviso, que não têm nenhuma doutrina nova, apenas uma restauração do que foi perdido desde que os apóstolos declararam esta boa-nova.

      Mas, realmente têm outras doutrinas. Ensinam, por exemplo, que Adão existia no céu antes de vir à terra, e que Eva era uma de suas esposas celestes. Brigham Young disse, em Journal of Discourses (Vol. 1, página 50): “Quando nosso pai Adão chegou ao Jardim do Éden, chegou a ele com um corpo celeste e trouxe Eva, uma de suas esposas, junto com ele.” Todavia, a Bíblia não diz que o homem vivia em forma espiritual antes de pecar e que se tornou físico apenas como resultado de tal pecado, como o diz o mormonismo. Gênesis 1 e 2 não falam de duas criações separadas, a primeira em espírito e a segunda na carne, como pretende o mormonismo, mas trata-se de dois relatos da mesma criação. O primeiro relato trata da criação em geral; o segundo trata dela mais especificamente no que tange ao homem, que foi criado do pó da terra, mas à imagem de Deus, visto que era superior às demais formas de vida terrestre, e possuía certa medida de sabedoria, justiça, amor e poder, como o seu Criador celeste. — Gên. 2:7; 1:27.

      Para apoiar sua doutrina de que os homens, todos os homens, existiam no céu antes de virem à terra, referem-se a ser Jeremias conhecido por Deus e ordenado (ou, em linguagem moderna, designado) antes de nascer. No entanto, isto não é prova de preexistência. Antes, é referência óbvia a um caso especial da presciência e da habilidade de Deus de prever o futuro e de especificar que certa pessoa faria certo trabalho, e poderia ser colocado à parte, ordenado ou designado ao mesmo. Referem-se a perguntarem os discípulos a Jesus se certo homem que nascera cego pecara antes de nascer, e dizem que isto mostra uma vida diferente antes de se nascer na terra. Jesus negou isto; também o faz Romanos 9:11. Sem dúvida, estes discípulos se achavam contaminados pelos ensinos farisaicos e pagãos sobre a transmigração de almas. Também se referem a perguntar Deus a Jó onde estava este quando foi lançado o alicerce de terra, e dão a entender que Jó devia, portanto, estar em algum lugar naquele tempo. Na realidade, Deus mostrava que Jó não estava lá, que não existia nesse tempo, de modo que não dispunha de nenhum conhecimento de que Jeová dispunha. (Jer. 1:5; João 9:1-3; Jó 38) Não há declaração alguma na Bíblia que afirme que qualquer outro homem além de Cristo Jesus estivesse vivo em parte alguma antes de vir à terra. Esta é uma doutrina importante do mormonismo, mas os apóstolos nem sequer a mencionaram em seus escritos. É algo além do que pregaram, e deve, portanto, ser amaldiçoado. — Gál. 1:8.

      Adão, Espíritos, Casamento Celeste

      Doctrine and Covenants (Doutrina e Pactos), oficialmente aceito pelos mórmons, reconhece como superior um humano desobediente, aquele que a Bíblia, em 1 Timóteo 2:14, mostra ser um pecador voluntário, um rebelde que “não foi enganado”. Doctrine and Covenants (Sec. 29, v. 40) admite que Adão “tomou do fruto proibido e transgrediu o mandamento, no que se tornou sujeito à vontade do Diabo, porque cedeu à tentação”. Todavia, esse mesmo livro afirma que Adão é Miguel, e que Deus “designara Miguel, seu príncipe, e firmara seus pés, e o colocara bem alto, e lhe dera as chaves da salvação sob o conselho e a direção do Santo”. — 27:11; 78:16.

      Isso é crassa blasfêmia! Romanos 6:16 diz que é servo daquele a quem obedece. Adão obedeceu a Satanás e, pela primeira vez, participou na iniquidade. É outra blasfêmia dizer que isto era necessário para realizar os propósitos de Deus; que Deus é tão contraditório que o homem tinha de pecar a fim de endireitar as coisas; que, depois da desobediência da mulher, o homem teve de violar uma das leis de Deus para obedecer a outra, de agir do jeito de Satanás ao invés de esperar outras instruções sobre isto da parte de Deus. Dizer que Deus administrou conforto ao invés de destruição a Adão calha direitinho à linha de propaganda de Satanás de que estes rebeldes não só continuariam a existir, mas também se beneficiariam com a desobediência. — Gên. 3:4, 5.

      Os mórmons crêem que “o espírito do homem não só jamais morre, mas também vive através de estágios de progressão eterna”, que “a condenação ou ‘danação’ não é senão um retardamento na progressão”, que o homem “poderá, por fim, através da progressão, tornar-se tão inteligente e onipotente quanto Deus, Ele próprio”. (About Mormonism, página 10) Argumentam fortemente em favor disto, mas isto, também, está muito longe do que a Bíblia ensina. Ezequiel 18:4 diz que a alma que pecar morrerá. O Salmo 146:4 afirma que, ao morrer, ‘perecem os pensamentos’ do homem. O Salmo 6:5 diz que na morte não há recordação de nada. Gênesis 2:17 mostra que a morte completa, e não a progressão retardada, é a punição da desobediência. Cada um destes textos é uma crassa mentira se esta doutrina mórmon for verdadeira. Os textos, contudo, são verídicos.

      Os mórmons crêem no casamento celeste, o casamento por toda a eternidade, dizendo que Mateus 18:18 mostra que os apóstolos tinham “poder de ligar no céu seja lá o que for que ligassem na terra”, até mesmo incluindo o casamento. Trata-se duma aplicação bem ampla, contudo. O texto nada diz sobre o casamento, e, conforme os mórmons o aplicam têm de dar desculpas quanto às instruções bem explícitas de Paulo em 1 Coríntios 7:39, de que a morte abole o vínculo marital. Os apóstolos não fizeram nenhuma provisão para alguém que unissem no “casamento celeste”. Todos os escritos deles deixam de mencionar isto. Trata-se duma doutrina nova, algo além do que os apóstolos ensinaram. Realmente, o conceito mórmon se baseia em uma das “traduções errôneas” diante das quais se mostram céticos. Os peritos modernos mostram que, ao invés de homens insignificantes darem ordens ao céu, a idéia original era que o proceder dos apóstolos seria um que já havia sido tomado pelo céu.a

      Batismo por Causa dos Mortos

      Os mórmons sinceramente crêem no batismo por causa dos mortos. “Temos por obrigação salvar nossos mortos, se nós mesmos havemos de ser salvos”, escreveu Joseph P. Smith (não é o Joseph Smith que fundou o mormonismo).b Temple Square, página 8, diz: “Faz-se a pergunta, o que dizer dos que morreram sem conhecimento do evangelho? Podem, com justiça, lhes ser negadas as bênçãos dele? O Senhor, em Sua misericórdia, proveu um meio para estes. Nos Templos da Igreja, procuradores vivos recebem as ordenanças do evangelho para os que já foram para o além.” Isto tem sido chamado de “a maior responsabilidade neste mundo”. (Times and Seasons 6:616) Mas, onde é que a Bíblia afirma que ser batizados por eles é a provisão feita por Deus? Procurando evidência bíblica, os mórmons citam 1 Coríntios 15:29 (ALA): “Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles?”

      Eis aí a prova, afirmam. Mas, será? Paulo falou aqui dos membros do corpo de Cristo como sendo ‘batizados por causa dos mortos’, isto é, batizados para serem mortos junto com Cristo. Por isso, a Tradução do Novo Mundo diz: “Batizados com o objetivo de serem mortos.” Então, na ressurreição dos mortos, podem viver junto com Cristo no reino celeste. (2 Tim. 2:11, 12) Podemos estar seguros de que, se a obra cristã primária fosse o batismo por causa dos mortos, Cristo teria dito, “procurem seus mortos”, essa ordem teria sido registrada na Bíblia e teríamos exemplos abundantes de os apóstolos fazerem isso e instruírem outros a fazê-lo. Não temos.

      Outro texto que usam é Hebreus 11:40: “A fim de que eles não fossem aperfeiçoados à parte de nós.” No entanto, o resto do capítulo mostra que isto se aplica especificamente aos homens fiéis da antiguidade que não receberam nenhuma recompensa celeste por terem morrido antes do resgate de Cristo. Nada tem que ver com os ancestrais em geral, mas sim com este grupo específico de homens piedosos, e nada diz sobre o batismo. Seu uso mostra até que ponto têm de ir procurar apoio para tal prática. Não têm êxito em encontrá-lo, porque tal teoria não é ensinada na Bíblia. Convidamos os leitores mórmons sinceros a abrir os olhos a este fato. A provisão de Deus, conforme delineada na Bíblia, é que aqueles que não tiveram oportunidade de ouvir e obedecer a verdade, recebam tal oportunidade na ressurreição dos justos e injustos, sem a necessidade de um batismo substitutivo. — Atos 24:15.

      Dois Conceitos Sobre Poligamia

      Há dois grupos grandes e diversos grupos menores de mórmons. Nossa consideração até agora lidou principalmente com o grupo maior, com mais de um milhão de membros, com sede na Cidade do Lago Salgado, Utah, EUA. Os Reorganizados Santos dos Últimos Dias, com dezenas de milhares de membros e sede em Independence, Missouri, não aceitam a poligamia, o casamento celeste, e outras determinadas doutrinas do grupo de Utah. Ambos aceitam O Livro de Mórmon e muitas das revelações de Joseph Smith, embora possuam diferentes versões de Doctrine and Covenants. (Nossas referências, a menos que seja indicado de outra forma, são da edição de Utah.)

      A questão do casamento pluralista (poligamia) tem sido controversial já por muito tempo. O grupo Reorganizado afirma que Joseph Smith não o ensinou. O grupo de Utah diz que ensinou, mas que isso já acabou e que é agora um assunto morto. Seus oponentes os acusam de “ainda aderirem a uma crença na divindade da doutrina, ao passo que renunciam à sua prática”, e que: “Não se trata dum assunto morto, nem pode sê-lo enquanto seu livro de Doctrine and Covenants for a todas as partes do mundo, levando suposta revelação que estabelece a poligamia . . . como a vontade do céu e diz que aqueles que rejeitam este documento estão condenados.”c

      A Seção 132 de Doctrine and Covenants da Igreja de Utah, contém esta revelação, embora a igreja tenha proscrito sua prática atual. A “revelação”, contudo, permanece em contradição direta ao princípio bíblico de “uma só esposa” para o superintendente cristão. (1 Tim. 3:2, 12; Tito 1:6) Citam o princípio da poligamia praticado nos tempos antigos qual prova de que Deus a instituiu, chegando a dizer que Deus ordenou a Abraão que tomasse a Agar. Ordenou ele? Não! Leia Gênesis 16:1-3 e veja se Deus o ordenou ou se isso foi idéia de Sara!d Dizem que Deus a aprovava. Deus não a condenou porque não a tinha proibido especificamente até o tempo de Cristo, mas Deus não a ordenou jamais em tempo algum! É interessante notar que não foi o filho de Agar, que deveras se multiplicou consideravelmente, mas o filho de Sara, Isaque, que recebeu a bênção de Jeová de ser o antepassado de Seu povo escolhido.

      Dízimos, Trindade, Leis de César

      Ambos os grupos exigem o dízimo. Os apóstolos mostraram que a lei já fora cumprida e não era mais vigorante, por conseguinte, abolindo o mandamento de dar o dízimo.

      Ambas as igrejas ensinam a trindade, crendo em Éter 3:14, em O livro de Mórmon, que apresenta Cristo como dizendo: “Eu sou o Pai e o Filho”, em contradição direta com a declaração de Jesus: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28.

      Ambas aceitam a declaração de seu Doctrine and Covenants (Utah 58:21; Reorganizada 58:5): “Que nenhum homem viole as leis do país, pois aquele que guarda as leis de Deus não tem necessidade de violar as leis do país.” Estará certa esta “revelação” mórmon, ou é correto o princípio bíblico de que, quando as leis dos homens e as ordens de Deus se chocam, ‘Temos de obedecer a Deus antes que aos homens’? — Atos 5:29; 4:19, 20.

      Revelações Sobre O Que, de Onde?

      As novas doutrinas por meio destas novas “revelações” fornecem ainda mais dificuldades. Convenientes revelações “de Deus e não do homem” chegaram ao ponto de dizer a certo indivíduo, Martin Harris, a dar sua propriedade para a impressão de O Livro de Mórmon, e “pagar a dívida que contraíste com o impressor”. (Doctrine and Covenants, Utah 19:34, 35; Reorganizada 18:5) Tais revelações até mesmo ordenaram a construção duma casa para Smith viver. — Utah 124:23, 56; Reorganizada 107:9, 18.

      Talvez uma das mais embaraçosas de tais “revelações” ordenou a construção dum templo em Nauvoo, Illinois, EUA. Segundo a mesma, Deus não só alistou os nomes dos que deviam comprar ações do templo, e especificou um mínimo de Cr$ 250,00, mas também disse: “Se não fizerdes estas coisas ao término da designação, sereis rejeitados qual igreja, junto com vossos mortos, diz o Senhor, vosso Deus.” — Doctrine and Covenants, Utah 124:31, 32; Reorganizada 107:10, 11.

      Agora, em linha com esta “revelação”, o grupo Reorganizado afirma que o templo não foi terminado pelo grupo que foi para Utah, de modo que Deus o rejeitou. Joseph F. Smith, antigo presidente do grupo de Utah, retorquiu que, ao passo que o prédio “talvez não tivesse sido ‘completamente terminado’”, “o Senhor, graças a Deus, não é tão técnico e rabugento como os homens, senão, ai de todos nós”.e Contudo, não se trata de “o Senhor” ser liberal e camarada com os que decidem não seguir suas orientações, mas de, quando uma dificuldade inesperada impede o cumprimento completo de uma “revelação”, os “reveladores” terem de apresentar desculpas ou acusar “o Senhor” de não ter querido dizer isso em primeiro lugar. É a autenticidade de tal “ordem” que fica em dúvida, e não as normas de obediência “do Senhor”.

      Um exemplo principal de tal “revelação” é a tradução feita por Joseph Smith para o inglês de certo “livro perdido” egípcio, supostamente escrito por Abraão e agora incluído em Pearl of Great Price (Pérola de Grande Valor) de Smith. An Analysis of the Book of Mormon (Análise do Livro de Mórmon), página 2, faz a seguinte defesa da tradução de Smith: “A gravura três na placa dois consiste em um homem com cabeça de cão sentado em um trono, segurando um bastão de mando, tendo um disco sobre a cabeça. Joseph Smith disse que este era ‘Deus sentado em seu trono, revestido de poder e autoridade.’ Os que o contradizem afirmam que é Horus-Ra. Mas, quem era Horus-Ra? O Livro dos Mortos, acreditado por todos os egiptólogos, contém diversos hinos de louvor a Ra, entre eles o seguinte: . . . ‘Homenagem a ti, ó tu, senhor do certo e da verdade, ao único, o senhor da eternidade e criador da eternidade. Chego até ti, ó meu senhor Ra.’ (Vol. 2, página 481).”

      Outro ancião mórmon, George Reynolds, perguntou: “Que grande diferença existe na idéia? e como foi que Joseph Smith sabia que representava a Deus (pode chamá-lo pelo nome típico que quiser) senão por revelação?” A diferença, contudo, não é insignificante. Se a fonte de inspiração de Smith chamou a Ra de “Deus”, então ela se qualificou como pagã. Ra era um deus do demonismo, um dos deuses pagãos desafiados por Jeová com as pragas sobre o Egito, o deus-sol egípcio; e a adoração do sol foi proibida aos servos de Deus. — Deu. 4:15-19; 17:3-5; 2 Reis 23:11; Eze. 8:15-17.

      A diferença entre Jeová e Ra é a diferença entre a verdade e a falsidade, entre a adoração verdadeira e a adoração diabólica. Não importa quão repulsivo isto pareça ser para os mórmons sinceros, quando seus livros e suas doutrinas contradizem a Bíblia, isto não se deve a algumas traduções errôneas da Bíblia que os peritos estão localizando e corrigindo, mas às “inspirações” mórmons que se juntam sutilmente à hoste de outras revelações falsas, provenientes da única fonte que procura todo meio possível (até a aparência de cristã) para substituir, desacreditar ou abolir a norma toda-suficiente da adoração pura, a Bíblia.

  • A honestidade evita uma surra
    Despertai! — 1971 | 22 de março
    • A honestidade evita uma surra

      ■ Na Nigéria, um pregador de tempo integral das testemunhas de Jeová testemunhava num povoado. Dois jovens opositores decidiram correr à frente dele e esconder-se, de modo que, quando passasse por lá, pudessem pular sobre ele e surrá-lo. Ao irem pela estrada, um deles deixou cair a carteira. A Testemunha, que vinha atrás, apanhou-a e chamou o dono em voz alta. Ao examinar a carteira, o dono verificou que todo o seu conteúdo se achava intocado. Os dois rapazes então contaram à Testemunha quais eram as suas intenções, mas que agora haviam mudado de plano. Ao invés de surrarem a Testemunha, aquele que deixara cair a carteira agora goza de um estudo bíblico que é dirigido com ele pela Testemunha.

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