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Poderia um Deus de amor atormentar almas?A Sentinela — 1973 | 15 de outubro
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noite a tua mão pesava sobre mim. A seiva da minha vida se transformou como no calor seco do verão.” — Sal. 32:3, 4.
A tentativa de reprimir a consciência culpada esgotava a Davi. A angústia por causa do que havia feito reduzia seu vigor, assim como uma árvore pode perder sua seiva vitalizadora durante o calor intenso de um verão seco. O tormento que Davi sentiu, porém, produziu bons resultados. Induziu-o a confessar seu pecado e a recuperar uma relação correta com seu Deus.
Mesmo a mais severa disciplina a que Jeová Deus possa sujeitar um povo tem um objetivo. Pode produzir a sua melhora. Jeová Deus nunca aflige a ninguém só para derivar disso prazer pessoal. Ele não se deleita em dar punição, assim como um pai amoroso tampouco se deleita nisso ao tratar com um filho desobediente. Ilustrando o objetivo de sua disciplina, Jeová declarou por meio de seu profeta Isaías:
“Acaso é o dia inteiro que o lavrador ara a fim de semear, que ele afrouxa e grada seu solo? Tendo aplainado a sua superfície, não espalha ele então o cominho preto e esparrama o cominho, e não tem de plantar o trigo, o sorgo e a cevada no lugar designado, e espelta como seu termo? E corrige-se a ele segundo o que é direito. Seu próprio Deus o instrui. Pois não é com o debulhador que se trilha o cominho preto; e sobre o cominho não se revolve nenhuma roda de carroça. Pois é com um bastão que geralmente se malha o cominho preto e o cominho, com uma vara. Costuma-se pulverizar o próprio cereal do pão? Pois nunca se continua incessantemente a trilhá-lo. E ele terá de pôr em movimento o rolo da sua carroça, bem como seus próprios corcéis, mas não o pulverizará. Isto também é o que procedeu do próprio Jeová dos exércitos, que tem sido maravilhoso no conselho, que tem agido grandiosamente em trabalho eficiente.” — Isa. 28:24-29.
A lavoura e a colheita estão limitadas. A dureza do solo controla até que ponto ou com que intensidade se deve arar. O tipo de cereal determina a força e o peso dos instrumentos usados na debulha. De modo similar, Jeová Deus não disciplina nem pune para sempre os que transgridem sua lei. Ele os disciplina principalmente para abrandá-los, para torná-los mais receptivos ao seu conselho e à sua orientação. Isto ilustra a sabedoria de Deus em purificar pessoas, livrando-as de tendências indesejáveis por meio dum tratamento mais adequado às necessidades existentes.
Às vezes, aquilo que Jeová Deus permite que sobrevenha a pessoas pode ser para elas um verdadeiro tormento. Pode expor dolorosamente seu proceder errado. (Veja Revelação 11:10.)
Os que deixam de prestar atenção às denúncias que Jeová Deus proclamou pela boca de seus servos sentem o efeito atormentador da mensagem. Perdem as bênçãos que receberiam se se arrependessem e mudassem de proceder. Entretanto, mesmo no seu caso, o tormento alcança certo objetivo. Revela que não merecem ser poupados à execução do julgamento de Deus.
Mas, pode-se dizer que o tormento eterno tenha um objetivo? Se Jeová Deus submetesse os humanos ao tormento eterno, seriam beneficiados com isso os atormentados? Evidentemente que não. Mesmo que quisessem, não poderiam tornar-se pessoas melhores, nem melhorar sua situação. Por outro lado, também, o Criador não ganharia nada com atormentá-los eternamente. Só o obrigaria a fazer algo que não quer fazer, a saber, olhar para o constante sofrimento, o qual não serve a nenhum objetivo bom para aquele que tem de suportá-lo sem qualquer possibilidade de alívio. O profeta Habacuque escreveu com referência a Deus: “És de olhos puros demais para ver o que é mau; e não podes olhar para a desgraça.” (Hab. 1:13) Então, como poderia Deus por toda a eternidade olhar para a angústia dos que transgridem a sua lei?
Deveras, é inconcebível que um Deus de amor faça algo completamente contrário à sua personalidade, aos seus modos e aos seus tratos.
Entretanto, poderíamos perguntar: É esta a única evidência contrária ao ensino do tormento eterno? Não existe outra evidência para mostrar que algo sobrevive à morte do corpo? Não continua a existência consciente após a morte? Portanto, há tormento para aquilo que sobrevive à morte do corpo? Para obter a resposta a estas perguntas, convidamo-lo a ler o artigo que segue.
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O que é sua alma?A Sentinela — 1973 | 15 de outubro
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O que é sua alma?
MUITOS crêem que o homem tem uma alma que é distinta e separada do seu corpo. Pensam que esta alma abandona o corpo por ocasião da morte. Dependendo de a pessoa ter levado uma vida boa ou não, diz-se que a sua alma ou vai para o inferno e sofre tormentos ou vai para o céu e usufrui felicidade eterna com Deus.
Vê-se assim que a crença num inferno ardente se baseia no ensino de que o homem tem uma alma que sobrevive à morte do corpo. Mas está este ensino em harmonia com a Bíblia?
O livro inicial das Escrituras Sagradas, Gênesis, revela a natureza da alma humana. Descrevendo a criação do primeiro homem, Gênesis 2:7 declara: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente [hebraico: néfes].” Note que a Bíblia não diz que ‘o homem recebeu uma alma’, mas que “o homem veio a ser uma alma vivente”.
O apóstolo Paulo mostra na sua carta inspirada aos Coríntios que o ensino cristão sobre a alma não difere do que se apresenta em Gênesis. Ele cita Gênesis 2:7, dizendo: “Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente.’” (1 Cor. 15:45) Visto que Paulo usou a palavra grega para alma, psiqué, prova-se que, igual à palavra hebraica néfes, psiqué pode designar o próprio homem.
É digno de nota que diversos eruditos bíblicos do século vinte, católicos, protestantes e judaicos, admitiram abertamente que o próprio homem é uma alma. Lemos:
“O famoso versículo de Gênesis [2:7] não diz, conforme muitas vezes se supõe, que o homem se compõe de corpo e alma; diz que Iavé formou o homem, com terra do solo, e depois passou a animar a figura inerte com fôlego vivo soprado nas narinas dele, de modo que o homem tornou-se um ser vivente, que é todo o que néfes [alma] aqui significa.” — Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft, Volume 41.
“Não se deve pensar no homem como tendo uma alma; ele é uma alma.” — The New Commentary.
“A alma, no A[ntigo] T[estamento], significa, não uma parte do homem, mas o homem inteiro — um homem como ser vivente. Similarmente no N[ovo] T[estamento] significa vida humana: a vida de uma pessoa individual, consciente.” — New Catholic Encyclopedia.
“No Novo Testamento, ‘salvar a alma’ (Mar. 8:35) não significa salvar alguma parte ‘espiritual’ do homem, em oposição ao seu ‘corpo’ (no sentido platônico), mas a inteira pessoa, com ênfase no fato de que a pessoa está viva, desejando, amando e querendo, etc., em adição a ser concreta e física.” — The New American Bible, “Glossário de Termos Bíblicos de Teologia”.
“A Bíblia não diz que tenhamos uma alma. ‘Néfes’ é a própria pessoa, sua necessidade de alimento, o próprio sangue nas suas veias, seu ser.” — Dr. H. M. Orlinsky, do Hebrew Union College, citado no Times de Nova Iorque de 12 de outubro de 1962.
Visto que as palavras das línguas originais para “alma” (néfes e psiqué) podem referir-se ao próprio homem, devemos esperar encontrar funções físicas normais ou características humanas atribuídas a ela. Dá-se isso? É sua alma realmente sua pessoa? Considere o seguinte:
O estudo do uso bíblico destas palavras hebraica e grega revela que a alma humana nasce. (Gên. 46:18) Ela pode comer ou jejuar. (Lev. 7:20; Sal. 35:13) Pode estar alegre ou triste. (Sal. 35:9; Mat. 26:38) Pode enamorar-se. (Gên. 34:3) Pode abençoar os outros. (Gên. 27:4) Pode escutar. (Atos 3:23) A alma pode pecar, jurar, almejar coisas e ter medo. (Lev. 4:2; 5:4; Deu. 12:20; Atos 2:43) Pode ser raptada e posta em ferros. (Deu. 24:7; Sal. 105:18) Não são todas estas as coisas que você, leitor, pode fazer ou que se podem fazer a você? Sim, sua alma é sua pessoa.
Portanto, quando sua alma morre, você morre, deixa de ter existência consciente. A Bíblia fala repetidas vezes de a alma morrer. Jeová declarou por meio de seu profeta Ezequiel: “Eis que todas as almas — a mim me pertencem. Como a alma do pai, assim também a alma do filho — a mim me pertencem. A alma que pecar — ela é que morrerá.” (Eze. 18:4, 20) A profecia de Isaías predisse a respeito do Messias ou Cristo: “Esvaziou a sua alma até a própria morte.” (Isa. 53:12) E Jesus Cristo disse: “Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á.” — João 12:25.
Mas, não há pelo menos alguns textos que possam ser entendidos como sugerindo a possibilidade de o homem ter uma alma imortal? Não. É interessante que até mesmo eruditos bíblicos que não são testemunhas de Jeová chegaram a esta conclusão, à base de seus estudos. David G. Buttrick, Professor Adjunto de Igreja e Ministério, no Seminário Teológico de Pittsburgo, escreveu em Presbyterian Life (maio de 1970), declarando: “Não encontro nada na Escritura para apoiar a idéia de que as almas tenham ‘uma subsistência imortal’.” A respeito do significado da palavra “alma”, este catedrático observa: “Quando a Bíblia usa esta palavra alma, usualmente significa ‘vida’ ou ‘vivência’, e não alguma parte separada de nós. Portanto, reflita: Quando a Bíblia nos diz que somos mortais, ela diz que morremos — que realmente morremos.” Continuando a sua argumentação, ele diz: “Se tivéssemos almas imortais, não precisaríamos de Deus — nossa imortalidade resolveria o problema. Mas a Bíblia contradiz tal esperança vã: somos mortais e por isso temos de apegar-nos apenas ao amor de Deus. Os cristãos não crêem na continuação, mas na ressurreição.”
A Bíblia torna claro que não há existência consciente no estado de morte. Eclesiastes 9:10, segundo a tradução da Versão Douay, católica romana, em inglês, reza: “O que tua mão puder fazer, faze seriamente: porque não haverá nem obra, nem raciocínio, nem sabedoria, nem conhecimento, no inferno para onde te apressas.” Não havendo alma imortal para sobreviver à morte do corpo, não há nada que possa ser atormentado após a morte num inferno ardente.
A promessa de ressurreição por Deus, porém, garante que os mortos no inferno voltarão a viver. O que é este inferno e como podem os mortos ser libertos de suas garras? Queira considerar o artigo que segue.
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Como a ressurreição beneficiará todos os mortos no infernoA Sentinela — 1973 | 15 de outubro
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Como a ressurreição beneficiará todos os mortos no inferno
“Oh! Se Tu no Cheol me escondesses, ocultando-me até passar Tua ira.” — Jó 14:13, versão católica romana da Liga de Estudos Bíblicos.
1, 2. (a) Que perguntas são suscitadas pela grande asserção da Sentinela a respeito do “inferno”? (b) Que perguntas se sentiriam induzidos a fazer a respeito de si mesmos aqueles que talvez vivam nesta época?
HAVIA uma vez um tempo em que não existia “inferno”. E haverá novamente um tempo em que não existirá “inferno”. Em vista duma asserção tão forte, alguém talvez pergunte: Como se dará isso? Quem o fará? Viveremos até que isso aconteça?
2 Ao falarmos sobre nós vivermos para ver este tempo em que não haverá mais “inferno” somos levados a perguntar: Será isso de benefício para nós os que vivermos então na terra? Fará o desaparecimento do “inferno” com que se solte sobre esta terra um enxame de pessoas do pior tipo, para tornar nossas condições morais e sociais ainda piores do que são hoje? Tal idéia é chocante e amedrontadora. Que coisa boa poderia resultar disso para alguém, para Deus ou para o homem, especialmente para nós, os que já sofremos com perturbações e perturbadores? Estas parecem ser perguntas difíceis. Há, porém, respostas fidedignas a todas estas perguntas. Sem dúvida, todos estarão interessados em saber delas. Assim entenderemos o que realmente há de acontecer.
3. Como traduziram Tyndale, Lutero e Jerônimo a palavra grega original em Mateus 11:23 e como retratou Dante este lugar?
3 O “inferno” sempre esteve relacionado com a religião. De modo que o mais antigo Livro religioso, a Bíblia, devia poder dar as respostas certas. E ela as dá. A palavra “inferno” tem sido usada durante séculos. Por exemplo, quando o perseguido tradutor da Bíblia, William Tyndale, fez a sua tradução da parte grega da Bíblia original para o inglês, no ano 1525, ele disse em Mateus 11:23: “E tu Cafarnaum, que estás elevada ao céu, para o inferno [hell] serás rebaixada.” Quando o Dr. Martinho Lutero traduziu estas Escrituras Gregas Cristãs para o alemão, em 1522, ele usou a palavra alemã correspondente, “Hoelle”. Mas quando o santo católico romano Jerônimo traduziu as mesmas escrituras do grego comum para o latim, em 383 E. C., ele usou a palavra “infernus”. Então, o poeta italiano Dante Alighieri, do século quatorze, escreveu seu famoso poema intitulado Divina Comédia e chamou a primeira parte dele “Inferno”. Ele retratou o “Inferno” como uma cova funda com círculos cada vez mais apertados, nos quais as almas humanas condenadas sofriam após a morte do corpo. Tinha Dante razão?
4. A imagem do “inferno” criada pelos clérigos da cristandade depende de que doutrina que eles ensinam?
4 Os clérigos religiosos da cristandade criaram na mente das pessoas de suas igrejas uma imagem do que eles entendem ser o “inferno”. É uma imagem terrível. A sua idéia do “inferno”, ensinada já por muito tempo, depende da doutrina da alma humana ensinada por eles. Imaginam que a alma humana seja uma coisa separada e distinta do corpo humano. Também, ao passo que o corpo humano é mortal e corrutível, a alma humana supostamente é imortal e incorrutível, sendo espiritual e por isso invisível, algo que não podemos sentir com o tato.
5. Para onde vai a alma por ocasião da morte, segundo os clérigos, e como se contrasta o “inferno” com o céu?
5 Portanto, conforme dizem os clérigos, quando o corpo humano morre, a alma humana não morre, mas sobrevive, embora não a possamos ver com os olhos naturais. Visto que ela precisa então abandonar o corpo em que viveu, precisa ir para outra parte no mundo invisível, espiritual. Mas, para onde? Em termos simples, as almas boas vão para o céu, mas as almas más vão para o inferno. O céu é assim posto em oposição ao inferno, e visto que o céu é um lugar de eterna felicidade e bênção, portanto, o inferno deve ser o lugar de eterno sofrimento, de tormento eterno. Os clérigos dizem que há fogo e enxofre lá no inferno.
6. Ensina a Bíblia a existência dum “inferno”, e como podemos saber o que este lugar é?
6 Os clérigos da cristandade têm ensinado tal idéia dum “inferno” durante muitos séculos. Visto que afirmam ensinar o que a Bíblia Sagrada diz sobre o “inferno”, vemo-nos obrigados a ir diretamente à própria Bíblia para saber exatamente o que ela diz sobre este assunto. É verdade que a palavra “inferno” ocorre dezenas de vezes em diversas traduções da Bíblia, e, segundo tais traduções, a Bíblia ensina que há um “inferno”. Mas, a questão é: O que disseram e mostraram os escritores da Bíblia quanto a que é tal “inferno”? Temos de guiar-nos por aquilo que eles mostraram que é, não por aquilo que outros dizem que tais escritores bíblicos disseram que é. Poderíamos enganar a nós mesmos se deturpássemos aquilo que estes escritores bíblicos disseram.
DESDE QUANDO EXISTE O “INFERNO”
7. Pelo menos até que tempo remonta o “inferno”, pelo que sabemos, e qual era a palavra na língua antiga primeiro usada para se referir a ele?
7 Sabemos que este “inferno” já existe pelo menos desde o ano 1750 antes de nossa Era Comum, o que foi há mais de 3.720 anos atrás. Este foi o ano em que os meios-irmãos invejosos de José, filho de Jacó, venderam José em escravidão ao Egito. Mais tarde, estes meios-irmãos mentiram ao seu pai Jacó a respeito do que havia acontecido ao seu amado filho José. Deram-lhe a impressão de que José fora morto por uma fera. O que disse o patriarca Jacó no seu pesar? Onde ele disse que estava então seu filho José? Jacó era hebreu, e a tradução católica romana da Bíblia feita sob os auspícios da Liga de Estudos Bíblicos mostra qual a palavra hebraica que Jacó usou, em Gênesis 37:35. Lemos ali: “Todos os seus filhos e filhas vinham consolá-lo, mas ele recusava toda consolação e dizia: ‘Não! Quero descer em luto ao Cheol [Seol], para junto do meu filho!’” Anos depois, quando os meios-irmãos de José pediram permissão para levar Benjamim, irmão germano de José, ao Egito, Jacó usou novamente esta palavra hebraica e disse: “Se lhe acontecer uma desgraça
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