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  • Um vislumbre do céu?
    Despertai! — 1985 | 22 de abril
    • Um vislumbre do céu?

      “FOI o instante mais lindo de todo o mundo quando saí daquele corpo! . . . Tudo que eu vi foi extremamente agradável! Nem consigo imaginar algo no mundo, ou fora do mundo, que pudesse sequer comparar-se a isso. Nem mesmo os mais belos momentos da vida se comparariam com o que eu sentia.” — Paciente de 54 anos, operado do coração.

      “O que me lembro, enquanto estava na sala de cirurgia, era que parecia que eu estava flutuando perto do teto. . . . Era uma sensação estranha, porque eu estava lá em cima e este corpo estava embaixo. . . . Eu podia vê-los operando minhas costas. . . . Daí, posso lembrar-me de o dr. D dizer: ‘Aí está o disco. Aí está ele.’ Nesse ponto, desci para mais perto, para ver o que aconteceria.” — Senhora de 42 anos, de Missouri, EUA, descrevendo sua própria operação, conforme “assistida” por ela.

      “Durante esta visão que tive, não conseguia ver a mim mesmo, mas estava em pé sobre algo elevado, porque lá embaixo, em relação a mim, havia simplesmente o mais lindo e verdejante pasto. . . . Era exatamente como lindo dia de sol límpido. . . . Todo o panorama era parecido a um putting green [gramado onde está o buraco] num bem-cuidado campo de golfe.” — “Presenciado” por um operário da indústria têxtil, de 55 anos, ao sofrer uma parada cardíaca.

      O que têm em comum estas três experiências? São o que se chama agora de experiências de “morte temporária” (EMT; também chamada de quase morte ou de morte iminente [EMI]) de pessoas que estiveram bem próximas da morte. Médicos e cientistas documentaram centenas destes casos. Muitos destes pacientes que provaram a morte temporária tiveram o que se chama de experiências extracorpóreas. Mencionam ter visto uma luz brilhante, ou de estarem numa região de grande beleza cênica, e, em alguns casos de terem visto Jesus ou Deus.

      Em seu livro Recollections of Death (Reminiscências da Morte), o dr. Michael Sabom declara: “Muitas dessas pessoas, vítimas de parada cardíaca e de outras crises que ameaçam a vida, lembram-se duma série de eventos extraordinários ‘ocorridos’ enquanto inconscientes ou num estado de morte temporária. Alguns consideraram tal experiência um vislumbre privilegiado de outro domínio da existência.”

      Talvez fique imaginando se tais experiências constituem prova duma vida após a morte, como alguns destes tais pacientes presumiram. Por certo, estas experiências de morte temporária suscitam perguntas que exigem resposta. Por exemplo: Será que tais pessoas realmente tiveram “um vislumbre de outro domínio da existência” que vem depois da morte? Puderam descrever cenas de suas operações por estarem existindo como uma alma ou espírito invisível? Possui o leitor uma alma imperecível que viverá depois da sua morte? Há outra existência consciente depois da morte? A série subseqüente de artigos examinará a evidência relacionada com tais perguntas.

  • A experiência da “morte temporária” — é prova de imortalidade?
    Despertai! — 1985 | 22 de abril
    • A experiência da “morte temporária” — é prova de imortalidade?

      “A alma do homem é imortal e imperecível.” — Platão, filósofo grego, c. 428-348 AEC.

      “Tal harmonia se acha nas almas imortais.” — William Shakespeare, dramaturgo inglês, 1564-1616.

      “A alma é indestrutível . . . sua atividade continuará pela eternidade.” — João Wolfgang von Goethe, poeta e dramaturgo alemão, 1749-1832.

      “Nossa personalidade . . . sobrevive na outra vida.” — Thomas Edison, inventor americano, 1847-1931.

      POR milhares de anos, o homem tem crido que possui imortalidade inata. Os antigos governantes egípcios enchiam seus túmulos dos confortos e dos luxos da vida, de modo que o corpo fosse bem servido em sua reunião com o ka, ou alma.

      Assim, o homem tem tentado convencer-se de que a certeza da morte é anulada pela sobrevivência de uma alma ou espírito imortal. Outros, como Keats, poeta inglês, desejam crer, mas duvidam. Conforme Keats escreveu: “Anseio crer na imortalidade . . . Desejo crer na imortalidade.” Qual é sua crença quanto à suposta imortalidade do homem?

      Pelas palavras de Keats, talvez tenhamos um indício simples para entender as conclusões tiradas por alguns médicos e psiquiatras, bem como algumas pessoas que passam por uma EMT (experiência de “morte temporária”, ou quase morte). À guisa de exemplo, em testes feitos pelo dr. Michael Sabom, médico e professor de medicina, com aqueles que passaram por uma EMT, “a vasta maioria das pessoas que tiveram uma EMT relatava categórica redução no medo da morte e categórico aumento na crença numa outra vida”. — O grifo é nosso.

      A que conclusão chegou a psiquiatra dra. Elisabeth Kübler-Ross, depois de examinar mais de mil casos de EMT? Em seu livro On Children and Death (Sobre Crianças e a Morte), ela declarou: “E o mesmo se dá com a morte . . . o fim antes de outro começo. A morte é a grande transição.” Acrescenta: “Graças a pesquisas adicionais e a outras publicações, cada vez mais pessoas virão a saber, antes que acreditar, que nosso corpo físico é verdadeiramente apenas o casulo, a concha exterior do ser humano. Nosso eu interior e verdadeiro, a ‘borboleta’, é imortal e indestrutível, e liberta-se no instante que chamamos de morte.”

      O dr. Kenneth Ring, professor de psicologia e autor do livro Life at Death (A Vida por Ocasião da Morte), chega à seguinte conclusão: “Creio realmente . . . que continuamos a ter uma existência consciente depois de nossa morte física.” Daí, acrescenta: “Meu próprio entendimento destas experiências de ‘morte temporária’ me levam a considerá-las como ‘ensinamentos’. São, parece-me, por sua própria natureza, experiências reveladoras. . . . Neste sentido, as experiências [de morte temporária ou de quase morte] são parecidas com as experiências místicas ou religiosas. [O grifo é nosso.] . . . Deste ponto de vista, as vozes que ouvimos neste livro [Life at Death] são as dos profetas que pregam uma religião de fraternidade universal.”

      Ponto de Vista Contrastante

      Mas, que afirmam outros pesquisadores? Como explicam tais experiências de ‘morte temporária’ ou extracorpóreas? O psicólogo Ronald Siegel as vê sob diferente luz. “Tais experiências são comuns a uma ampla variedade de estímulos do cérebro humano, incluindo o LSD, a privação sensorial e o stress em casos extremos. O stress causa a projeção de imagens no cérebro. São as mesmas para a maioria das pessoas, porque nossos cérebros estão todos conectados similarmente para estocar informações, e tais experiências são, basicamente, leituras elétricas desta conexão.”

      O dr. Richard Blacher, da Faculdade de Medicina da univ. de Tufts, em Boston, EUA, escreveu: “Sugiro que as pessoas que passam por tais ‘experiências de morte’ sofram de anorexia cerebral [deficiência de oxigênio], durante a qual tentam lidar psicologicamente com as ansiedades provocadas pelos procedimentos e pela conversa dos médicos. . . . Lidamos, aqui, com a fantasia da morte, e não com a própria morte. Esta fantasia [dentro da psique, ou mente, do paciente] é muitíssimo atraente, visto que soluciona diversas preocupações humanas de uma só vez. . . . O médico precisa ser especialmente cuidadoso de não aceitar crenças religiosas como dados científicos.”

      Siegel indica outro ponto interessante a respeito das “visões” dos quase mortos: “Como acontece nas alucinações, as visões da outra vida são suspeitosamente parecidas com este mundo, segundo os relatos dos próprios pacientes moribundos.” Por exemplo, um senhor de 63 anos, que passara grande parte de sua vida no Texas, EUA, relatou a sua “visão” do seguinte modo: “Eu estava suspenso sobre uma cerca. . . . De um lado da cerca o território era extremamente escabroso, de matagal de algarobeiras . . . Do outro lado da cerca estava o mais lindo cenário de pastagem que acho que já vi . . . [Era] uma cerca de arame farpado de três ou quatro fios.” Será que este paciente realmente viu arame farpado no “céu”, ou no domínio depois da morte? É óbvio que tais imagens se baseavam em sua vida no Texas, sendo rememorados por seu banco de dados cerebral — a menos que nos peçam que creiamos que existe arame farpado “do outro lado”!

      Efetivamente, tantos casos de EMT são intimamente relacionados com as experiências e a formação de vida dos pacientes que é desarrazoado crer que estejam vislumbrando um domínio além da morte. Por exemplo, será que esses pacientes que vêem um “ser de luz” divisam a mesma pessoa, não importa se são cristãos, judeus, hindus ou muçulmanos? Em seu livro, Vida Depois da Vida (ed. do Círculo do Livro, p. 62), o dr. Raymond Moody explica: “A identificação do ser varia de indivíduo a indivíduo e parece estar muito em função dos antecedentes religiosos, da educação ou das crenças da pessoa em questão. Assim, a maioria dos que foram educados como cristãos, . . . identificam a luz com Cristo . . . Um homem e uma mulher judeus identificaram a luz com um ‘anjo’.”

      Num nível estritamente científico, o dr. Ring admite: “Lembro a minhas audiências que aquilo que tenho estudado são experiências da fronteira da morte, e não de após a morte. . . . Obviamente não há garantia de que tais experiências continuarão a desdobrar-se dum modo coerente com seu início, ou, deveras, que continuarão de algum modo. Esta, creio, é a correta posição científica a se tomar quanto ao significado de tais experiências.”

      O Bom-Senso e a Bíblia

      Quanto à morte, o psicólogo Siegel opina: “A morte, em termos de suas seqüelas físicas, não constitui mistério. Depois da morte, o corpo se desintegra e é absorvido no componente inanimado do meio-ambiente. O humano morto perde tanto a sua vida como sua consciência. . . . A conjectura mais lógica é a de que a consciência tenha o mesmo destino que o do cadáver. Surpreendentemente, este conceito de bom-senso não é o predominante, e a maioria da humanidade . . . continua a exercer sua motivação básica de permanecer viva e formular uma infinidade de crenças a respeito da sobrevivência do homem após a morte.”

      Há cerca de 3.000 anos, o mesmo “conceito de bom-senso” foi expendido por um Rei que escreveu: “Pois os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada, nem têm mais salário, porque a recordação deles foi esquecida. Também seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram, e por tempo indefinido eles não têm mais parte em nada do que se tem de fazer debaixo do sol. Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol [a sepultura comum da humanidade], o lugar para onde vais.” — Eclesiastes 9:5, 6, 10.

      Por certo, a Bíblia não dá margem a que se considere as experiências de “morte temporária” como prelúdio da vida após a morte. A descrição que o Rei Salomão fez da morte e de seus efeitos não fornece indício algum de que uma alma imortal sobreviva em alguma outra forma de existência consciente. Os mortos “não estão cônscios de absolutamente nada”.

      Naturalmente, os que praticam o espiritismo e a comunicação com os “mortos” ficam por demais contentes de receber aparente apoio de centenas de experiências de “morte temporária”. O psicólogo Siegel cita um orador sobre assuntos paranormais, ou sobrenaturais, como afirmando que “se havemos de examinar com honestidade e friamente a evidência de uma outra vida, precisamos libertar-nos da tirania do bom-senso”. (Revista Psychology Today [Psicologia Atual], de janeiro de 1981) É interessante que este mesmo orador “argumenta que os fantasmas e as aparições são deveras alucinações, mas são projetados de forma telepática da mente de pessoas mortas para a dos vivos!” Isso certamente não concorda com a conclusão de Salomão, de que os mortos estão mortos mesmo e não sabem de nada.

      As Experiências de “Morte Temporária” — Como Explicá-las?

      Como, então, podemos explicar todas as experiências de “morte temporária” e extracorpóreas? Basicamente, há pelo menos duas possibilidades — uma que é proposta por alguns psicólogos, no sentido de que o cérebro ainda ativo da pessoa quase morta se recorda e forma imagens sob os stresses da experiência da “morte temporária”. Estas são então interpretadas por alguns pacientes e pesquisadores como vislumbres da vida após a morte. Com efeito, como vimos pela Bíblia, isto não pode acontecer, pois o homem não possui uma alma imortal, e não existe tal coisa como a vida após a morte, segundo discernido nestes casos.

      Mas existe uma segunda possibilidade a ser levada em conta, e que pode explicar algumas de tais experiências. Trata-se dum fator que a maioria dos pesquisadores não querem admitir. Por exemplo, o dr. Moody explicou em seu livro Vida Depois da Vida (p. 146) que “ocasionalmente, alguém . . . propôs explicações demoníacas para as experiências de quase morte [sugerindo que tais experiências eram, sem dúvida, dirigidas por forças inimigas — do original, em inglês]”. No entanto, ele rejeita essa idéia, uma vez que acha que, em vez de os pacientes se sentirem mais piedosos depois de tal experiência, “O Diabo [Satã, no original], presumivelmente, dirá a seus servidores que sigam uma trajetória de ódio e destruição”. Acrescenta [edição original em inglês]: “Ele por certo fracassou miseravelmente — tanto quanto eu possa discernir — em obter emissários persuasivos para seu programa!”

      Neste respeito, o dr. Moody comete grave erro em dois sentidos. Primeiro, Satanás não proporia necessariamente o ódio e a destruição por meio destas experiências. Por que não? Porque a Bíblia declara: “O próprio Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz. Portanto, não é grande coisa se os ministros dele também persistem em transformar-se em ministros da justiça.” (2 Coríntios 11:14, 15) Se puder perpetuar a mentira básica que sempre sustentou — “Positivamente não morrereis” — poderá fazê-lo por meios, aparentemente, mais inocentes e esclarecedores. — Gênesis 3:4, 5.

      Em segundo lugar, ele não fracassou miseravelmente em obter emissários persuasivos para seu programa de mentiras sobre a alma imortal! Pelo contrário, agora possui médicos, psicólogos e cientistas dando pleno apoio à mentira que propalou mediante sacerdotes e filósofos através das eras! Quão apropriadamente Paulo resumiu a situação, ao escrever: “Agora, se as boas novas que declaramos estão de fato veladas, estão veladas entre os que perecem, entre os quais o deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus”! — 2 Coríntios 4:3, 4.

      Entretanto, como vimos, alguns psicólogos crêem que o homem possui existência consciente após a morte. Esta interpretação pessoal do significado das experiências de “morte temporária” obriga-nos a suscitar as seguintes perguntas pertinentes a favor dos que crêem na Bíblia: Existe qualquer base bíblica para se afirmar que o homem possui uma alma imortal que abandona o corpo assim como uma borboleta que sai do casulo? Que dizer daqueles textos da Bíblia que empregam as palavras “alma” e “imortalidade”?

      [Destaque na página 5]

      Dra. Kübler-Ross: “Nosso corpo físico é verdadeiramente apenas o casulo . . . Nosso eu interior e verdadeiro . . . é imortal.”

      [Destaque na página 5]

      Dr. Blacher: “Lidamos aqui com a fantasia da morte, e não com a própria morte.”

      [Foto na página 6]

      A filosofia de Platão contaminou os ensinos de muitas religiões.

      [Foto na página 7]

      O poeta inglês, Keats, ‘queria crer na imortalidade’.

  • A alma — é sua própria pessoa? ou está em seu íntimo?
    Despertai! — 1985 | 22 de abril
    • A alma — é sua própria pessoa? ou está em seu íntimo?

      ACHA que possui uma alma imortal que sobreviverá à sua morte? Muitas pessoas, com alguma formação religiosa — cristã, islâmica, judaica, xintoísta, budista ou hindu, compartilham esta idéia básica. Mas, por que crêem nisso? Porque têm provas? Ou porque a maioria das religiões e as crendices populares sempre lhes ensinaram dessa forma? Como foi, efetivamente, que a idéia da alma imortal penetrou no ensino “cristão”?

      Em seu livro Death Shall Have No Dominion (A Morte não Terá Domínio), escreve Douglas T. Holden: “A teologia cristã ficou tão fundida com a filosofia grega que criou pessoas que são uma mistura de nove partes do pensamento grego e uma parte do pensamento cristão.” Isto é bem ilustrado com respeito à crença geral numa alma imortal. Por exemplo, Platão, filósofo grego do quarto século AEC, escreveu: “A alma do homem é imortal e imperecível, e nossas almas realmente existirão em outro mundo!”

      Segundo Platão, para onde iam estas almas quando o corpo morria? “E os que parecem não ter vivido nem bem nem perversamente, vão para o rio Aqueronte, . . . e ali habitam e são purificados de suas más ações, e, tendo sofrido a penalidade pelos erros que cometeram contra outros, são absolvidos.” Não soa isso um tanto parecido com o ensino do purgatório, da cristandade? E onde vão as almas dos iníquos? “Elas são lançadas no Tártaro [para os antigos gregos, uma seção do Hades, reservada para o castigo dos piores transgressores], que é seu destino apropriado, e eles jamais sairão de lá.” Por certo, os antigos gregos já tinham sua crença de tormento eterno no inferno muito antes de os teólogos da cristandade se apossarem dela!

      Há Motivos de Dúvida?

      Caso seus Diálogos realmente reflitam suas próprias idéias, Platão estava convicto de ter uma alma imortal. E seus ensinos dentro em pouco começaram a convencer outros que o reverenciavam como filósofo. Em conseqüência disso, a filosofia platônica veio até a ser aceita pelos escritores cristãos do segundo século. Neste sentido, a Encyclopœdia Britannica declara: “Os platonistas cristãos davam a primazia à Revelação e consideravam a filosofia platônica como o melhor instrumento disponível para se entender e defender os ensinos da Escritura e da tradição eclesial. . . . Desde os meados do 2.º século AD, os cristãos que tinham certa formação filosófica grega começaram a sentir a necessidade de expressar sua fé nos termos dela, tanto para sua própria satisfação intelectual, como a fim de converter os pagãos instruídos. A filosofia que mais lhes agradava era o platonismo.”

      Não obstante, no decorrer dos séculos, houve notáveis dissidentes dos conceitos gregos sobre uma alma imortal. O tradutor da Bíblia, William Tyndale (c. 14921536) escreveu no prefácio de sua tradução: “Ao colocar as almas que partiram no céu, no inferno, ou no purgatório, destruís os argumentos com os quais Cristo e Paulo provam a ressurreição . . . Se a alma está no céu, dizei-me que motivo há para a ressurreição?” Trata-se duma pergunta lógica. Caso a morte seja vencida por meio de uma alma ‘imortal e imperecível’, então que propósito tem a ressurreição que Jesus ensinou, e na qual criam os antigos patriarcas hebreus? — Hebreus 11:17-19, 35; João 5:28, 29.

      Em seu livro The Agony of Christianity (Agonia do Cristianismo), o escritor Miguel de Unamuno pelejou com este mesmo conflito. Escreveu a respeito de Cristo: “Ele cria . . . na ressurreição da carne, segundo o modo judaico de pensar, e não na imortalidade da alma, segundo o modo platônico de pensar.” Chegou mesmo a prosseguir dizendo: “A imortalidade da alma . . . é um dogma filosófico pagão. . . . Basta ler o Fédon, de Platão, para se ficar convencido disto.”

      “Alma” na Bíblia

      O poeta Longfellow escreveu: “Tu és pó e ao pó voltarás, não foi mencionado a respeito da alma.” (O grifo é nosso.) Estava certo? Quando Deus disse: “Tu és pó e ao pó voltarás”, com quem estava falando? Com o primeiro homem, Adão. Será que tal sentença de morte só se aplicava ao corpo de Adão? Ou a Adão como alma que respirava?

      Gênesis 2:7 declara expressamente: “E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego da vida, e o homem veio a ser uma alma vivente.” Este texto é fundamental para se entender o termo “alma”, conforme empregado na Bíblia. Afirma com clareza que “o homem veio a ser [e não ter] uma alma vivente”. Assim, Deus disse que a alma vivente, ou criatura que respirava, Adão, se fosse desobediente, positivamente morreria e voltaria aos elementos da terra, da qual tinha sido formado. — Gênesis 2:17; 3:19.

      Queira notar que não se menciona qualquer destino alternativo para a suposta alma do homem. Por que não? Porque Adão, com todas as suas faculdades, era uma alma. Não possuía uma alma. Se existissem locais como um inferno de fogo e o purgatório, este é um lugar na Bíblia em que deviam ter sido mencionados. Todavia, não se faz sequer alusão a eles. Por que isto se dá? Porque o julgamento simples da desobediência era justamente o contrário da vida que Adão usufruía no Paraíso — a saber, a morte, e não a vida em alguma outra parte. Assim, Paulo declara com simplicidade, em Romanos 6:23: “O salário pago pelo pecado é a morte.” (Compare com Ezequiel 18:4, 20.) Não há aqui nenhuma menção de qualquer inferno de fogo, ou dum purgatório, apenas da morte. E não é essa uma punição suficiente?

      Outro fator a se ter presente é que o senso básico de justiça requeria que o homem conhecesse a plena extensão de seu possível castigo antes de ter desobedecido. Todavia, não existe absolutamente menção de qualquer alma imortal, inferno de fogo ou purgatório no relato de Gênesis. Ademais, se o homem tivesse realmente sido criado com uma alma imortal, então este inteiro conjunto doutrinário relacionado com a alma imortal e seu destino devia fazer parte integrante do ensino hebraico e judaico desde os tempos mais antigos. Mas, isso não acontece.

      Surge, também, outra pergunta lógica. Se o propósito original de Deus era que a humanidade perfeita e obediente vivesse para sempre numa terra paradísica, que propósito haveria em dotar o homem duma alma separada e imortal? Ela não seria só imortal; seria supérflua! — Gênesis 1:28.

      Ademais, as Escrituras Hebraicas mostram claramente que os homens e as mulheres fiéis da antiguidade aguardavam uma ressurreição, assim como Paulo comentou em Hebreus 11:35: “Mulheres receberam os seus mortos pela ressurreição [em certos casos miraculosos]; mas outros homens foram torturados porque não queriam aceitar um livramento por meio de algum resgate, a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor [para a vida eterna].” Evidentemente, não confiavam no mito da “borboleta”, criado pela filosofia humana.

      Mas, talvez pergunte: Que dizer das palavras de Paulo, quando menciona a imortalidade? Na verdade, ele diz: “Pois isto que é corruptível tem de revestir-se de incorrupção e isto que é mortal tem de revestir-se de imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir de incorrupção e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘A morte foi tragada para sempre.’” (1 Coríntios 15:53, 54) Mas, de forma alguma se pode ler algo, nessas palavras, que implique numa alma imortal. Paulo menciona o ‘revestir-se de imortalidade’. Por conseguinte, não existe nada inerente no homem, mas, em vez disso, trata-se duma nova criação daqueles que reinarão junto com Cristo em seu Reino celeste. — 2 Coríntios 5:17; Romanos 6:5-11; Revelação 14:1, 3.a

      Até teólogos modernos estão vindo a reconhecer isto, depois de séculos de ensino da alma imortal, por parte da cristandade. A título de exemplo, o teólogo católico Hans Küng escreve: “Quando Paulo menciona a ressurreição, o que quer dizer não é absolutamente a noção grega de imortalidade duma alma que seja libertada da prisão do corpo mortal. . . . Quando o Novo Testamento menciona a ressurreição, não se refere ao prosseguimento natural, duma alma-espírito, independente de nossas funções corpóreas.”

      O Catecismo Luterano Para Adultos (Evangelischer Erwachsenenkatechismus), alemão, declara a respeito da divisão de corpo-alma, ensinada por Platão: “Os teólogos evangélicos dos tempos modernos questionam esta combinação de conceitos gregos e bíblicos. . . . Rejeitam a separação do homem em corpo e alma. Visto que o homem, como um todo, é pecador, portanto, na morte, ele falece completamente, com corpo e alma (morte total). . . . Entre a morte e a ressurreição há uma lacuna; no melhor dos casos, a pessoa continua sua existência na memória de Deus.”

      As hodiernas Testemunhas de Jeová têm ensinado isso já por mais de cem anos! Jamais engoliram a filosofia pagã de Platão, pois conhecem muito bem o que Jesus ensinou: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão, os que fizeram boas coisas, para uma ressurreição de vida, os que praticaram coisas ruins, para uma ressurreição de julgamento.” (João 5:28, 29) A própria expressão “túmulos memoriais” subentende que os mortos são retidos na “memória” de Deus. Ele lhes restaurará a vida. Eis aí a verdadeira esperança para os mortos, que se realizará quando esta Terra estiver sob o pleno controle do governo do Reino de Deus, mediante Cristo. — Mateus 6:9, 10; Revelação 21:1-4.

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