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Doença e morte — por quê?Felicidade — Como Encontrá-la
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Capítulo 11
Doença e morte — por quê?
NÃO importa o que as pessoas façam para cuidar de sua saúde, envelhecem, adoecem e finalmente morrem. Ninguém pode evitar isso. Nem mesmo homens devotados a Deus o podiam. (1 Reis 1:1; 2:1, 10; 1 Timóteo 5:23) Por que se dá isso?
2 As células de nosso corpo parecem ter o potencial de substituir as gastas por muito mais tempo do que fazem agora, e nosso cérebro tem mais capacidade do que poderíamos usar em muitas vidas. Por que — se não éramos para usar estas faculdades? Na realidade, os cientistas não conseguem explicar por que envelhecemos, adoecemos e morremos. Mas a Bíblia o explica.
A CAUSA DA DOENÇA E DA MORTE
3 O apóstolo Paulo indica-nos a direção certa, dizendo: “Em Adão todos morrem.” (1 Coríntios 15:21, 22) Paulo refere-se com isso ao relato bíblico sobre Adão e Eva, narrativa que Jesus Cristo confirmou como correta. (Marcos 10:6-8) O Criador colocara o primeiro casal num lar-jardim, com a perspectiva feliz de terem uma vida sem fim, em harmonia com a Sua vontade. Eles tinham abundante alimento sadio, das diversas árvores e de outra vegetação. Além disso, Adão e Eva eram humanos perfeitos. Sua mente e seu corpo eram sem defeito, e não havia nenhum motivo para que deteriorassem, assim como acontece hoje com os humanos. — Deuteronômio 32:4; Gênesis 1:31.
4 Apenas uma restrição fora imposta àquele primeiro casal humano. Deus dissera: “Quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gênesis 2:17) Por acatarem esta limitação, mostrariam reconhecimento da autoridade de Deus para decidir o que é bom e o que é mau para os homens. Com o tempo, eles estabeleceram suas próprias normas quanto ao bem e ao mal. (Gênesis 3:6, 7) Por desobedecerem à ordem explícita de Deus, cometeram o que a Bíblia chama de “pecado”. Tanto no hebraico como no grego, “pecar” significa “errar [o alvo].” Adão e Eva erraram o alvo ou falharam quanto à obediência perfeita. Não mais refletiram a perfeição de Jeová, e isso lhes acarretou a sentença justa de Deus. — Lucas 16:10.
5 O pecado de Adão e Eva afetou a ambos e a nós. Por que a nós? Ora, Deus não os executou imediatamente. Mostrando consideração para com tudo o que estava envolvido, Jeová deixou que o primeiro casal tivesse filhos. Mas, Adão e Eva não eram mais perfeitos; quando pecaram, começaram a degenerar física e mentalmente. Por isso, não podiam produzir filhos perfeitos. (Jó 14:4) A situação poderia ser comparada à de um casal, hoje em dia, que tem um defeito genético que transmite a seus filhos. Herdamos o defeito do pecado, porque todos descendemos do primeiro casal imperfeito. Paulo explica: “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Romanos 5:12; Salmo 51:5.
6 Ficou a situação sem esperança? Tanto a história como a Bíblia confirmam que, se dependesse dos homens, não haveria esperança. Somos incapazes de purificar a nós mesmos da mácula do pecado ou de livrar-nos da condenação de Deus. Se havia de haver um livramento, Deus o proveria. A lei Dele é que fora violada, de modo que caberia a Ele determinar como se poderia aplicar a justiça perfeita e prover um livramento. Jeová Deus mostrou sua benignidade imerecida por providenciar um alívio para os descendentes de Adão e Eva, inclusive para nós. A Bíblia explica qual é esta provisão e como nós podemos ser beneficiados por ela.
7 As seguintes passagens fornecem a base para o entendimento deste assunto:
“Deus amou tanto o mundo [da humanidade], que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” — João 3:16.
“O Filho do homem [Jesus] veio, não para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” — Marcos 10:45.
“Todos pecaram e não atingem a glória de Deus, e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate pago por Cristo Jesus. Deus o apresentou como oferta [compensadora] por intermédio da fé no seu sangue.” — Romanos 3:23-25.
O QUE É O “RESGATE”?
8 Dois destes textos mencionam um “resgate”. Este, basicamente, é um preço pago para libertar um cativo. (Isaías 43:3) Muitas vezes ouvimos esta palavra usada com relação a dinheiro pago pela libertação de vítimas de seqüestro. Em nosso caso, o cativo é a humanidade. Adão nos vendeu à servidão ao pecado, com a resultante doença e morte. (Romanos 7:14) O que havia de valor que podia remir a humanidade e abrir para nós a perspectiva de vida livre dos efeitos do pecado?
9 Lembre-se de que a Bíblia disse que Jesus ‘deu a sua vida como resgate’. (Marcos 10:45) Disso podemos ver que se precisava duma vida humana. Pecando, Adão perdeu a vida humana perfeita. A fim de abrir para a humanidade o caminho para recuperar a vida em perfeição era preciso outra vida humana perfeita para compensar ou comprar de volta o que Adão perdeu. Isto destaca por que nenhum descendente imperfeito de Adão podia prover o resgate. Conforme diz o Salmo 49:7, 8 (ou: vv. 8, 9): “O homem não pode remir-se a si próprio, nem pagar a Deus o seu resgate. Grande, sobremodo, é o preço das suas vidas, não o conseguirá definitivamente.” — Missionários Capuchinhos, Lisboa.
10 A fim de prover o preço de resgate, Deus enviou seu perfeito Filho espiritual desde o céu para nascer como homem. Um anjo explicou à casta virgem Maria como Deus se asseguraria de que Jesus fosse perfeito ao nascer: “Poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.” (Lucas 1:35; Gálatas 4:4) Por não ter Jesus um pai humano imperfeito, ele estava livre do pecado herdado. — 1 Pedro 2:22; Hebreus 7:26.
11 Depois de viver como homem, de pleno acordo com a vontade de Deus, Cristo renunciou à sua vida humana perfeita. Era uma vida igual a que Adão tinha quando foi criado, de modo que Jesus se tornou um “resgate correspondente por todos”. (1 Timóteo 2:5, 6; 1 Coríntios 15:45) Sim, foi “por todos”, por ele pagar o preço para comprar a inteira família humana. Por conseguinte, a Bíblia diz que temos sido “comprados por um preço” (1 Coríntios 6:20) Deus, por meio da morte de Jesus, lançou assim a base para anular o que Adão causou ao trazer o pecado, a doença e a morte para a humanidade. Esta verdade pode ter significado real para tornar nossa vida feliz.
COMO PODEM SER PERDOADOS OS NOSSOS PECADOS?
12 É bom saber da Bíblia que Jesus pagou o preço de resgate. Mas, há mais uma coisa que pode ser um empecilho para termos a aprovação e a bênção de Deus. Esta é que nós, pessoalmente, somos pecadores. ‘Erramos o alvo’ muitas vezes. Paulo escreveu: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus.” (Romanos 3:23) O que se pode fazer sobre isso? Como podemos tornar-nos aceitáveis para o nosso Deus justo, Jeová?
13 Certamente, não esperaríamos que Deus nos encarasse com aprovação, se continuássemos num proceder de que sabemos que é contrário à sua vontade. Temos de arrepender-nos sinceramente de nossos desejos, conversa e conduta errados, e depois temos de esforçar-nos a nos harmonizar com as Suas normas especificadas na Bíblia. (Atos 17:30) Ainda assim, nossos pecados — passados e presentes — precisam ser compensados. Neste respeito nos serve o sacrifício resgatador de Jesus. Paulo fornece um indício disso, escrevendo que Deus ‘apresentou Jesus como oferta compensadora por intermédio da fé no seu sangue’. — Romanos 3:24, 25.
14 O apóstolo referiu-se ali a algo que Deus providenciara muito antes e que retratava ou indicava Jesus. No antigo Israel, ofereciam-se regularmente sacrifícios de animais pelos pecados, a favor do povo. E até mesmo pessoas individuais podiam fazer ofertas pela culpa, em casos especiais de transgressão. (Levítico 16:1-34; 5:1-6, 17-19) Deus aceitava estes sacrifícios de sangue como expiando ou cancelando os pecados humanos. Mas isso não trazia alívio duradouro, porque a Bíblia diz que “não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”. (Hebreus 10:3, 4) Todavia, essas particularidades da adoração, que envolviam sacerdotes, templos, altares e ofertas, eram “uma ilustração” ou “uma sombra das boas coisas vindouras”, referentes ao sacrifício de Jesus. — Hebreus 9:6-9, 11, 12; 10:1.
15 A Bíblia mostra quão importante isto é para obtermos perdão, dizendo: “Mediante ele temos o livramento por meio de resgate, por intermédio do sangue desse [Jesus], sim, o perdão de nossas falhas.” (Efésios 1:7;1 Pedro 2:24) Portanto, além de sua morte prover o resgate, pode também compensar nossos pecados; podemos obter o perdão de nossos pecados. Mas, isso requer algo de nós. Visto que fomos comprados, sim, “comprados por um preço”, pelo resgate de Cristo, temos de estar dispostos a aceitar Jesus como nosso Senhor ou Dono, e temos de obedecer-lhe. (1 Coríntios 6:11, 20; Hebreus 5:9) Por conseguinte, temos de arrepender-nos de nossos pecados, e, junto com isso, ter fé no sacrifício de Jesus, nosso Senhor.
16 Se fizermos isso, não teremos de esperar o perdão até que Deus alivie a humanidade de todos os efeitos do pecado, acabando com a doença e a morte. As Escrituras falam deste perdão como algo que podemos usufruir agora mesmo, resultando numa consciência limpa perante Deus. — 1 João 2:12.
17 Portanto, o sacrifício de Jesus deve ter um significado muito pessoal para nós, cada dia. Por meio dele, Deus pode perdoar os erros que cometemos. O apóstolo João explica: “Escrevo-vos estas coisas para que não cometais pecado. Contudo, se alguém cometer pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.” (1 João 2:1; Lucas 11:2-4) Este é um ensino bíblico primário e é vital para a nossa felicidade eterna. — 1 Coríntios 15:3.
O QUE FARÁ VOCÊ?
18 Como reage ao que a Bíblia diz sobre a causa da doença e da morte, o resgate e a provisão de perdão por meio de Jesus Cristo? Alguém talvez assimile mentalmente estes pormenores, sem que toquem seu coração e sua vida. No entanto, requer-se mais de nós.
19 Reconhece o amor de Deus em prover o resgate? O apóstolo João escreveu: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito.” (João 3:16) Lembre-se de que os homens envolvidos são pecadores, apartados de Deus. (Romanos 5:10; Colossenses 1:21) Entregaria o seu ente mais querido a favor de pessoas que na maioria mostram pouco ou nenhum interesse em você? Jeová, porém, fez com que seu Filho puro e fiel, seu Primogênito amado, viesse à terra para enfrentar desprezo, vergonha e a morte, a fim de prover alívio para a humanidade. Isto induziu Paulo a escrever: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” — Romanos 5:8.
20 O Filho também mostrou seu amor. Quando veio o tempo para isso, ele se rebaixou voluntariamente para se tornar homem. Tornou-se escravo a favor dos homens imperfeitos, ensinando-os e curando-os. E embora fosse inocente, aceitou a zombaria, a tortura e uma morte vergonhosa das mãos dos inimigos da verdade. Como ajuda para poder avaliar isso, tome o tempo para ler o relato sobre Jesus ser traído, julgado, ultrajado e executado, conforme registrado em Lucas 22:47 a 23:47.
21 Como reagirá diante de tudo isso? Certamente, ninguém deve deixar que sua aceitação da amorosa provisão do resgate se torne uma desculpa para a conduta errada. Isso desacertaria o objetivo dela, e até mesmo poderia resultar num pecado além de perdão. (Hebreus 10:26, 29; Números 15:30) Em vez disso, devemos esforçar-nos a viver dum modo que honre o nosso Criador. E a fé na grandiosa provisão feita por meio de Seu Filho devia induzir-nos a falar a outros sobre ela, ajudando-os a reconhecer como também podem ser beneficiados. — Atos 4:12; Romanos 10:9, 10; Tiago 2:26; 2 Coríntios 5:14, 15.
22 Quando Jesus Cristo esteve na terra, ele disse que podia oferecer o perdão dos pecados por Deus. Alguns inimigos o criticaram por isso. Portanto, Jesus o provou por curar um homem paralítico. (Lucas 5:17-26) De modo que, assim como o pecado produziu efeitos físicos na humanidade, o perdão dos pecados pode resultar em benefícios. É importante saber isso. O que Jesus fez na terra mostra que Deus pode acabar com a doença e a morte. Isto está em harmonia com o que o próprio Jesus Cristo disse, a saber, que Jeová Deus deu seu Filho, para que pessoas com fé tivessem “vida eterna”. (João 3:16) Mas como? Quando? E que dizer de nossos entes queridos que já faleceram?
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Capítulo 12
A morte não é um inimigo invencível
A MORTE é o inimigo da vida. Cada enterro mostra que a morte é como um Rei que parece conquistar todos. (Romanos 5:14) Algumas árvores vivem mais de 1.000 anos; alguns peixes, 150; mas os anos do homem são apenas 70 ou 80, antes de ele ser tragado pela morte. — Salmos 90:10.
2 É com bons motivos que a Bíblia apresenta a morte como sendo inimigo. Embora pareçamos ter um desejo inerente de viver e de aprender infindavelmente, não importa o que o homem tenha aprendido, não importa quais as suas habilidades, e que estima dos amigos e parentes esteja gozando, a morte o reivindica. (Eclesiastes 3:11; 7:2) A maioria das pessoas, concordando que a morte é um inimigo, procura desesperadamente adiar a vitória dela. Outros procuram freneticamente todos os prazeres que podem tirar da vida, antes de serem derrotados.
3 No decorrer da história, porém, muitos têm acreditado que haja vida após a morte. O filósofo grego Platão ensinava que temos uma alma imortal que sobrevive ao corpo. Temos mesmo? O interesse nisso tem sido estimulado por histórias recentes sobre pessoas que supostamente morreram, foram revivificadas e depois descreveram o que ‘viram além da porta da morte’. Será que os mortos estão vivos em outro lugar? Pode a morte ser vencida?
A PRIMEIRA VITÓRIA DA MORTE
4 A Bíblia mostra que os humanos foram criados para viver, não para morrer. Deus colocou Adão e Eva num lindo jardim, onde podiam usufruir a vida. Designou uma das árvores como sendo “a árvore da vida”. É provável que, se Adão e Eva tivessem mostrado apreço e lealdade para com Deus, ele teria permitido que comessem dessa árvore, simbolizando que lhes concedia terem vida eterna. (Gênesis 1:30; 2:7-9) No entanto, Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus. Seu pecado trouxe-lhes a sentença de morte. — Gênesis 3:17-19.
5 Para entendermos se a morte é ou não é realmente um inimigo invencível, precisamos examinar o resultado da vitória da morte sobre Adão e Eva. ‘Morreram’ eles completamente? Ou foi essa “morte” apenas uma transição para uma espécie diferente de vida?
6 Depois de Adão pecar tolamente, Jeová cumpriu com sua palavra justa e reta. Ele disse a Adão:
“No suor do teu rosto comerás pão, até que voltes ao solo, pois dele foste tomado. Porque tu és pó e ao pó voltarás.” — Gênesis 3:19.
O que significava isso para Adão e para nós, hoje?
7 O relato anterior sobre a criação de Adão nos conta: “Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente.” (Gênesis 2:7) Pense no que isso significa. Antes de Deus o criar do pó Adão não existia. Portanto, depois de ele morrer e voltar ao pó Adão não existiria mais. — Gênesis 5:3-5.
OS MORTOS ESTÃO CÔNSCIOS?
8 Muitos talvez fiquem surpresos com a idéia de que, quando Adão morreu, ele deixou de existir. No entanto, a penalidade especificada para o pecado — Adão morrer e voltar ao pó — não continha nenhum indício da continuação da vida. A morte é o contrário da vida, quer do homem, quer do animal. Ambos têm o mesmo “espírito” ou força de vida. De modo que a Bíblia comenta:
“Há um evento conseqüente com respeito aos filhos da humanidade e um evento conseqüente com respeito ao animal, e há para eles o mesmo evento conseqüente. Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal . . . Todos eles vieram a ser do pó e todos eles retornam ao pó.” — Eclesiastes 3:19, 20.
9 Significa isso que os mortos não têm pensamentos, nem sentimentos? Eclesiastes 9:4, 5, responde: “Melhor está o cão vivo do que o leão morto. Pois os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada.” Quando alguém morre, “perecem deveras os seus pensamentos”, não tendo ele mais nenhuma faculdade de sentir ou trabalhar. — Salmo 146:3, 4; 31:17.
10 Visto que a Bíblia nos assegura que os mortos não estão cônscios e não podem sentir nada, isto significa que a morte acaba com a dor e o sofrimento. Jó servo fiel de Deus, sabia disso. Quando padeceu duma doença dolorosa, ele disse:
“Por que não passei a morrer desde a madre? . . . Por que fui confrontado por joelhos, e por que por peitos, para que eu mamasse? Pois agora eu já estaria deitado para ter sossego, então dormiria, estaria descansando.” — Jó 3:11-13.
11 Mas, será que isso toma em consideração a alma?
12 Expresso de modo simples, as Escrituras ensinam que sua alma é você mesmo. Isto é demonstrado por aquilo que já lemos em Gênesis 2:7. Deve lembrar-se de que Deus formou o corpo do homem com o pó. Deus proveu então a vida e o fôlego necessários para sustentá-lo. Com que resultado? Segundo a própria Palavra de Deus, o homem “veio a ser uma alma [em hebraico: néfes] vivente”. (Gênesis 2:7) Adão não recebeu uma alma, nem veio a ter uma alma. Ele era uma alma. A Bíblia toda é coerente quanto a este ensino. Muitos séculos mais tarde, o apóstolo Paulo citou Gênesis 2:7, escrevendo: “O primeiro homem, Adão, tornou-se alma [em grego: psiqué] vivente.” — 1 Coríntios 15:45.
13 A palavra hebraica néfes e a palavra grega psiqué, encontradas nestes textos, são traduzidas de diversos modos. Em Ezequiel 18:4 e em Mateus 10:28, encontrará que, em muitas versões da Bíblia, elas são traduzidas por “alma”. Em outros trechos, estas mesmas palavras originais são traduzidas por “ser”, “criatura” ou “pessoa”. Estas são traduções válidas das palavras originais, e uma comparação delas mostra que a alma é a própria criatura ou pessoa, não alguma parte invisível do homem. A Bíblia aplica as mesmas palavras das línguas originais aos animais, mostrando que eles são almas ou têm vida como almas. — Gênesis 2:19; Levítico 11:46; Revelação (Apocalipse) 8:9.
14 Adão, ou qualquer de nós, como alma, podia comer, ficar faminto ou cansar-se. No original hebraico, a Bíblia diz que as almas fazem todas essas coisas. (Deuteronômio 23:24; Provérbios 19:15; 25:25) Deus, ao declarar uma proibição que se aplicava aos israelitas com referência a trabalhar em certo dia, esclareceu outro ponto importante sobre a alma, dizendo: “Quanto a qualquer alma que fizer qualquer sorte de obra neste mesmo dia, terei de destruir esta alma dentre o seu povo.” (Levítico 23:30) Portanto, aqui e em muitos outros textos, a Bíblia mostra que a alma pode morrer. — Ezequiel 18:4, 20; Salmo 33:19.
15 O conhecimento de tais verdades bíblicas pode ajudar-nos a avaliar as recentes histórias sobre pessoas que supostamente morreram (não havendo nenhuma discernível batida cardíaca ou atividade cerebral), mas que foram reanimadas e que depois contaram sobre terem flutuado fora do corpo. Uma possibilidade é que talvez tenham tido alucinações por causa da medicação ou por causa da condição do cérebro privado de oxigênio. Quer esta seja a plena explicação disso, quer não, temos certeza de que nenhuma alma invisível saiu do corpo.
16 Também, se os mortos estão totalmente inconscientes e se nenhuma “alma” sai flutuando do corpo, então não pode haver nenhum inferno de fogo à espera das almas dos iníquos, não é verdade? Contudo, muitas igrejas ensinam que os iníquos serão atormentados após a morte. Ao saberem da verdade sobre os mortos, alguns ficaram justificadamente perturbados, perguntando: ‘Por que não nos disse a nossa religião a verdade sobre os mortos?’ Qual é a sua própria reação? — Veja Jeremias 7:31.
QUE FUTURO HÁ PARA OS MORTOS?
17 Se o único futuro dos que agora vivem fosse estarem inconscientes após a morte, então a morte seria um inimigo invencível. Mas a Bíblia mostra que não é assim.
18 O futuro imediato da pessoa, após a morte, é a sepultura. As línguas em que a Bíblia foi escrita tinham palavras para o lugar dos mortos, a sepultura comum da humanidade. Em hebraico, era chamado Seol. Em grego, Hades. Estas palavras foram traduzidas em algumas Bíblias por termos tais como “sepultura”, “cova” ou “inferno”. Não importa como tenham sido traduzidas, o significado dos termos, nas línguas originais, não é o de um lugar quente de sofrimento, mas é o da sepultura de mortos inconscientes. Lemos:
“Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol [inferno, Douay Version, católica, em inglês; sepultura, Figueiredo; Almeida, rev. e corr.] o lugar para onde vais.” — Eclesiastes 9:10.
O apóstolo Pedro assegura-nos que até mesmo Jesus, ao falecer, foi para a sepultura, para o Seol, Hades ou inferno. — Atos 2:31; veja Salmo 16:10.
19 O morto, naturalmente, não tem nenhum poder para mudar de condição. (Jó 14:12) Portanto, é a inconsciência na morte todo o futuro que há? Para alguns, sim A Bíblia ensina que os que Deus rejeita totalmente permanecerão mortos para sempre. — 2 Tessalonicenses 16-9.
20 Os antigos judeus criam que os extremamente iníquos não teriam nenhum futuro depois da morte. Os judeus não enterravam a tais. Antes jogavam os cadáveres deles num vale fora de Jerusalém, onde se mantinham fogos acesos para eliminar o lixo. Era o Vale de Hinom, ou Geena. Referindo-se a este costume, Jesus usou a Geena como símbolo de destruição total, sem nenhuma perspectiva futura. (Mateus 5:29, 30) Por exemplo, ele disse:
“Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma [ou a perspectiva de viver como alma], antes, temei aquele [Deus] que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” — Mateus 10:28.
As palavras de Jesus, porém, oferecem-nos motivos de esperança, de que muitos dos falecidos viverão de novo, no futuro, vencendo assim a morte.
VITÓRIA POR MEIO DA RESSURREIÇÃO
21 Deus, em um dos atos mais importantes da história, ressuscitou Jesus Cristo para a vida, após este ter estado morto por dias. Jesus tornou-se criatura espiritual, vivente, assim como havia sido antes de vir à terra. (1 Coríntios 15:42-45; 1 Pedro 3:18) Centenas de pessoas viram Jesus aparecer depois de ter sido ressuscitado. (Atos 2:22-24; 1 Coríntios 15:3-8) Essas testemunhas estavam dispostas a arriscar a vida em apoio de sua fé na ressurreição de Jesus. A ressurreição de Jesus mostrou que a morte não é um inimigo invencível. A vitória sobre a morte é possível! — 1 Coríntios 15:54-57.
22 Também são possíveis vitórias adicionais sobre a morte. As pessoas podem voltar à vida humana na terra. Jeová, que não pode mentir, assegura-nos na sua Palavra “que há de haver uma ressurreição tanto de justos [que conheciam a vontade de Deus e a faziam] como de injustos [os que não praticavam a justiça].” — Atos 24:15.
23 Podemos confiar na capacidade de Deus, de trazer pessoas de volta à vida humana. Os homens têm a capacidade de registrar em filmes ou em video-tapes a imagem, a voz e os maneirismos duma pessoa. Não poderá Deus fazer muito mais? Sua memória é muito mais ampla do que qualquer filme ou tape, de modo que pode recriar perfeitamente aqueles que ele quer ressuscitar. (Salmo 147:4) Ele já demonstrou isso. A Bíblia contém vários relatos sobre Deus usar seu Filho para trazer humanos de volta à vida. Poderá ler duas destas narrativas emocionantes em João 11:5-44 e Lucas 7:11-17. Homens que adoravam a Deus no passado tinham bons motivos para aguardar o tempo em que ele se lembraria deles e os ressuscitaria. Seria como que acordá-los do sono inconsciente. — Jó 14:13-15.
24 Aquelas ressurreições no passado devem ter alegrado muito a parentes e amigos. Mas elas derrotaram a morte apenas temporariamente, porque os ressuscitados finalmente morreram de novo. Não obstante, fornecem-nos uma emocionante previsão, porque a Bíblia indica uma vindoura “ressurreição melhor”. (Hebreus 11:35) Ela será muitíssimo melhor, porque os que voltam à vida na terra não terão de morrer de novo. Isto significará uma vitória muito maior sobre a morte. — João 11:25, 26.
25 O que a Bíblia diz sobre como Deus pode derrotar e derrotará a morte certamente indica o seu interesse amoroso nos humanos. Deve ajudar-nos a entender a personalidade de Jeová e achegar-nos mais a ele. Estas verdades ajudam-nos também a ter equilíbrio, porque somos protegidos contra o temor mórbido da morte que aflige a tantos. Podemos ter a esperança feliz de ver novamente até mesmo nossos parentes e amados falecidos, quando a morte for derrotada pela ressurreição. — 1 Tessalonicenses 4:13; Lucas 23:43.
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