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Morrer e retornar?Despertai! — 1980 | 22 de janeiro
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Morrer e retornar?
PODE uma pessoa que morre ser trazida de volta à vida? Muitos despachos noticiosos provenientes de todo o mundo contam-nos que isto está acontecendo. O Star de Toronto, Canadá, de 20 de fevereiro de 1976, estampava esta manchete surpreendente:
“‘Morto’ por 105 minutos médicos revivem garoto”
O jornal canadense explicava:
“Um garoto de 16 anos que ‘morreu’ por 105 minutos, há três semanas atrás agora simplesmente deseja retornar à escola.
“Edward Milligan desmaiou numa excursão escolar com raquetas de neve, e não apresentava mais batimentos cardíacos, nenhuma pulsação e não respirava pelo menos por 105 minutos. . . .
“O Dr. Arnold Tweed, especialista do [Hospital das Clínicas de Selkirk], disse que ‘é o tempo mais longo que conhecemos’ em que o coração dum paciente parou de bater e o paciente se recuperou sem aparentes lesões cerebrais.”
Menos de um ano depois, em 20 de janeiro de 1977, o Post de Nova Iorque publicou uma notícia ainda mais surpreendente. A manchete desse jornal rezava:
“A Morte Mais Longa: Revivido Depois de 4 Horas”
A notícia falava de uma índia chippewa, de 20 anos, Jean Jawbone, que foi encontrada desmaiada num banco de neve. Ela tinha estado ali por cerca de duas horas, numa temperatura tão baixa quanto 36° C abaixo de zero! Seu coração parara, e a temperatura de seu corpo era de apenas 24° C, cerca de 13° C abaixo da normal! Relatava o Post:
“Os médicos aplicaram a massagem cardíaca sem parar, comprimindo o esterno e apertando o coração durante duas horas, antes de obterem quaisquer sinais de retorno da vida.
“Inseriu-se um cateter em sua traquéia, para bombear o ar.
“Por fim, usaram uma técnica rara conhecida como diálise peritoneal — a injeção de uma solução tépida na cavidade abdominal.
“Depois de a temperatura corpórea da mulher subir suficientemente, usou-se um defibrilador para dar ao coração um choque elétrico que restabeleceu os batimentos regulares.
“Ela recuperou a consciência, conseguiu falar, e ‘portou-se exatamente como alguém que acordasse da anestesia’, disse o [Dr. Brian] Pickering.
“Ontem, a Srta. Jawbone estava ‘apenas esperando voltar para casa’.”
Por certo, trata-se de recuperações notáveis. E, com o advento de modernas técnicas médicas, recuperações como estas estão ocorrendo com maior freqüência. Mas podem suscitar perguntas intrigantes, conforme observado numa manchete do Union de San Diego, EUA, de 1.º de outubro de 1978:
“Caso Suscita Problema da ‘Morte’ no Texas”
O jornal explicava:
“A surpreendente volta à vida de Roger Ragland, depois de 12 horas de aparente morte clínica, renovou o debate sobre o que constitui a morte, no Texas. . ..
“‘Ele apresentava todos os sinais neurológicos de morte cerebral’, disse o Dr. James Lindley, que examinou o jovem na sala de emergência do Hospital Brackenridge.
“Os médicos tinham recebido a permissão da família dele para usar os rins do adolescente num transplante, e o colocaram numa máquina respiradora para manter a circulação sangüínea e do ar nos tecidos do corpo. A família havia avisado uma casa funerária.
“No dia depois do acidente, contudo, o neurocirurgião Bryon Neely notou movimentos nas pernas de Ragland, e então detectou a atividade cerebral. . . .
“O Texas não possui atualmente nenhuma definição legal de morte. Tal legislação poderia ser proposta ao Legislativo quando este se reunir em janeiro.”
Será que tais pessoas realmente retornaram de entre os mortos? Podem fornecer aos vivos alguma percepção da verdadeira condição daqueles que já morreram? O que realmente é a morte?
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Identificar o que é a morteDespertai! — 1980 | 22 de janeiro
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Identificar o que é a morte
A MORTE tem sido encarada por muitos como simples mudança de uma forma de vida para outra. Tal conceito sustenta que, na morte, a alma é liberada do corpo e continua viva em outra parte. Mas é realmente isto que acontece?
Veremos isso mais tarde, mas, primeiro, examinemos algumas coisas que têm sido aprendidas sobre a morte. A morte não ocorre toda ela de imediato; é um processo que tem sido separado em duas categorias.
A Morte Clínica
“Uma pessoa cujo coração e pulmões deixem de funcionar pode ser considerada clinicamente morta”, explica The World Book Encyplopedia. Todavia, há atualmente milhares de pessoas que certa vez estavam clinicamente mortas e que hoje estão vivas e saudáveis. Em resultado dum ataque cardíaco, de afogamento ou de eletrocussão, seu coração e seus pulmões deixaram de funcionar. Mas havia pessoas presentes nessa ocasião que sabiam como inverter o processo da morte. Como?
A pessoa aplicou a ressuscitação cardio-pulmonar, RCP, e reviveu com êxito a vítima.a Caso os batimentos cardíacos e a respiração duma pessoa tenham parado por mais do que cerca de quatro a seis minutos, geralmente é tarde demais para restaurá-la a uma vida significativa. Por volta desse tempo, seu cérebro usualmente já sofreu lesões, devido a ser privado de oxigênio por demasiado tempo. Como, então, talvez pergunte, é possível que pessoas clinicamente mortas durante horas às vezes sejam restauradas à boa saúde?
A queda rápida da sua temperatura corpórea por ocasião da “morte” é a responsável por isso. O Dr. Brian Pickering, que fez reviver Jean Jawbone (mencionada no artigo anterior), explica: “Ela é uma mulher de muita sorte. O frio extremo teve o efeito de congelar seu cérebro e impedir quaisquer lesões ao mesmo.” Pessoas que se afogaram em água muito fria também foram revividas com êxito depois de ficarem “mortas” por um período bem longo.
Percepção da Verdadeira Natureza da Morte?
Hoje, andam por aí, gozando de boa saúde, literalmente milhares de pessoas que certa vez estavam clinicamente mortas. Será que sua experiência lhes forneceu a percepção da verdadeira natureza da morte? Lembram-se de algo sobre ela?
Muitos afirmam que sim. Os médicos entrevistaram um bom número de tais pessoas, e vários livros recentes se baseiam em relatos que contaram. Os jornais noticiam tais descobertas debaixo de manchetes que captam a atenção. Por exemplo, em 6 de janeiro de 1979, dizia certa manchete do Star de Toronto, Canadá:
“Existe vida após a morte e poderá ser um inferno, afirma médico
Livro relata experiências de pessoas que ‘morreram’”
The National Observer, dos EUA, estampou a manchete:
“Voltar da Morte?
Alguns Que Estiveram Lá Afirmam Ter Encontrado Sinais da Outra Vida”
Similarmente, o Constitution, de Atlanta, EUA, proclamou:
“Vida Após a Vida
Pessoas Que Morreram ‘Clinicamente’ Descrevem Uma Sensação de a Alma Deixar o Corpo”
Muitos dos relatos feitos captam a atenção e são estonteantes. O cardiologista, Dr. Maurice Rawlings, do Hospital de diagnósticos de Chattanooga, Tennessee, EUA, ressuscitou a centenas de pacientes. Amiúde, afirma ele, os pacientes descrevem vívidas experiências ao serem revividos. Quase todos eles falam de gozarem coisas mui agradáveis, jubilosas. Mas, nem todos. Em certo caso, um carteiro de 48 anos “caiu morto” ao correr numa esteira rolante em seu escritório. Rawlings o ressuscitou vez após vez, explicando:
“Toda vez que recuperava os batimentos cardíacos e a respiração, o paciente berrava: ‘Estou no inferno!’ Ele estava aterrorizado, e suplicava-me para ajudá-lo. . . .
“Este paciente apresentava grotesca careta que demonstrava patente horror. Suas pupilas estavam dilatadas e estava suando e tremendo — parecia como se seus cabelos estivessem eriçados.
“Ele dizia: ‘Não compreende? Estou no inferno. Cada vez que pára de massagear meu peito, eu retorno ao inferno. Não me deixe retornar ao inferno!’”
Experiências como esta convenceram o Dr. Rawlings de que existe vida após a morte. E vários outros profissionais da medicina e pesquisadores chegaram à mesma conclusão como resultado de relatos que ouviram de pessoas “mortas”. Assim, o Post de Nova Iorque estampou a manchete:
“A ciência começa a crer que existe vida após a vida”
Por Que se Crê em Tais Relatos
O fato é que, às vezes, os relatos feitos por pacientes revividos são deveras notáveis, desconcertantes. A Dra. Elizabeth Kubler-Ross, uma das principais pesquisadoras das chamadas experiências de após a morte, fala de uma jovem de 12 anos que, ‘ao cruzar o limiar para a outra vida’, encontrou-se com um irmão mais velho, a quem descreveu em pormenores. Mas, como explicou tal médica, o irmão morrera três meses antes de tal jovem nascer, e os pais dela jamais lhe haviam falado sobre este irmão.
O Dr. Raymond A. Moody Jr., que também entrevistou muitos de tais pacientes, afirma que, enquanto “morta”, uma jovem saiu de seu corpo e dirigiu-se a outro quarto do hospital. Ali encontrou sua irmã chorando, e dizendo: “Oh, Kathy, por favor não morra.” Mais tarde, quando Kathy contou à sua irmã exatamente o que ela dissera e onde estava quando dissera isso, sua irmã ficou atônita.
‘Não são tais experiências a prova de que algo deixa o corpo, por ocasião da morte, para continuar a viver em outra parte?’, alguns perguntarão. O Dr. Moody afirma: “Não existe nenhum modo normal de tais pessoas terem adivinhado o que se passava no aposento enquanto elas estavam ‘mortas’.” Diz ele: “Se o Sr. Jones lhe conta que seu espírito estava flutuando perto do teto e passa a descrever quem estava no aposento, quando e o que se passou, parece que a pessoa não tem outra alternativa senão a de crer nele.”
Todavia, não existe realmente nenhuma outra explicação alternativa? Será exato afirmar que tais pessoas revividas estavam realmente mortas? Será que a paralisação da respiração e dos batimentos cardíacos significa que a morte real segue-se de imediato?
Morte Biológica
Não, não segue. Conforme observado antes, a morte não ocorre toda ela de imediato. Explica The World Book Encyclopedia: “As células individuais do corpo continuam a viver por vários minutos [após a morte clínica]. A pessoa poderá ser revivida caso o coração e os pulmões comecem a funcionar de novo e forneçam às células o oxigênio de que elas carecem.” Mas, que acontece se o oxigênio vital não é fornecido com bastante presteza?
Esta enciclopédia continua: “As células cerebrais — que são mui sensíveis à falta de oxigênio — começam a morrer. A pessoa logo estará morta, além de qualquer possibilidade de reavivamento. Gradualmente, outras células do corpo também morrem. As últimas a perecer são as células dos ossos, dos cabelos e da pele, que podem continuar a crescer por várias horas.”
Assim, tais pessoas que foram alegadamente restauradas à vida não estavam realmente mortas. Não haviam experimentado a morte completa, biológica. Seus batimentos cardíacos e sua respiração simplesmente pararam de forma temporária.
Por que é, então, que tantas pessoas que foram revividas contam experiências tão surpreendentes? Não será possível que, em seu estado de morte clínica, estivessem recebendo uma previsão do que as aguarda numa vida futura? Será que a morte abre a porta para uma outra vida?
[Nota(s) de rodapé]
a Veja Despertai! de 22 de julho de 1979, págs. 8-10, em que se considera a “ressuscitação cardiopulmonar”
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A morte — porta para o quêDespertai! — 1980 | 22 de janeiro
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A morte — porta para o quê
POR certo, todos desejam usufruir uma vida de felicidade além de nossa existência atual. A vida agora é curta demais e cheia de dificuldades. Um estudante da Universidade da Virgínia, EUA, resumiu bem a atitude das pessoas em geral, ao dizer:
“É muito duro para José, trabalhador mediano, atravessar essa vida e tudo que ela nos impõe, e então dizer para si mesmo: ‘Quer dizer que isto é tudo o que há?’ A idéia geral é que tem de haver algo mais do que simplesmente isto.”
É natural que os humanos pensem desta forma. Por quê? Porque Deus criou o homem, não para viver somente 70 ou 80 anos, mas para sempre. Assim, a Bíblia fala da “esperança de vida eterna que Deus, que não pode mentir, prometeu”. — Tito 1:2.
Mas, como se consumará tal esperança? Por meio duma alma imortal? Muitos pensam assim.
Relatos Conflitantes
A crença numa alma imortal é praticamente universal. A revista Presbyterian Life (Vida Presbiteriana), de 1.º de maio de 1970, descreve o conceito popular: “Existe uma alma divina em cada um de nós, aprisionada em nosso corpo. Quando, ao morrer, lançamos de lado nosso corpo, nossa alma retorna ao seu verdadeiro lar no céu.”
Os relatos de muitos que foram revividos da morte aparente pareceriam confirmar tal conceito. Exemplificando: É típica a descrição do que certa mulher disse que acontecera com ela quando supostamente estava morta:
“Depois de flutuar, atravessei este túnel escuro e saí numa luz brilhante. Um pouco depois, eu estava lá, com meus avôs, meu pai e meu irmão, que já tinham morrido. Havia a luz mais brilhante por toda a volta. E este era um lugar lindo. Havia cores — cores brilhantes — não como aqui na terra, mas simplesmente indescritíveis. Havia pessoas ali, pessoas felizes.”
Por outro lado, a maioria das pessoas revividas não dizem nada sobre uma outra vida. O Dr. George E. Burch, que é bem conhecido cardiologista do Centro Médico de Tulane, EUA, explica: “Já entrevistei aproximadamente 100 de tais pacientes. . . . Eles me disseram que, durante os três minutos e quinze segundos, ou menos, antes de serem revividos, todos sentiram uma sensação de sono profundo, agradável, pacífico.” Não se lembravam de nada.
Por que existem tais relatos conflitantes? O que realmente acontece quando morremos?
Vida Continuada Após a Morte?
“As pessoas da maioria das culturas crêem que, por ocasião da morte, algo que deixa o corpo tem vida continuada”, comenta o livro Funeral Customs the World Over (Costumes Fúnebres em Todo o Mundo). Mas as perguntas são: Onde se originou tal crença? Ensina-a a Bíblia?
A revista Presbyterian Life, supracitada, que descreveu o conceito popular da alma, indica a fonte de tal crença. Explica: “A imortalidade da alma é uma noção grega formada nos antigos cultos misteriosos e aprimorada pelo filósofo [grego, antigo] Platão.” O Dr. Moody, que procurou paralelos nos escritos antigos para o que os pacientes revividos lhe contaram, escreve: “O filósofo Platão deixou-nos descrições de ocorrências mui similares às sentidas em situações de quase morte.”
Mas, não apóia também a Bíblia este ensino da imortalidade da alma? Moody teve de admitir que realmente não apóia. E Presbyterian Life concluiu enfaticamente que não existe “nada na Escritura que apóie a idéia de que as almas têm ‘subsistência imortal’”.
Concordando com isto, The Jewish Encyclopedia observa: “A crença de que a alma continua sua existência depois da dissolução do corpo é um assunto de especulação filosófica ou teológica, ao invés de simples fé, e, concordemente, não se acha ensinado expressamente em parte alguma da Santa Escritura” (Grifo acrescentado.)
Não, a alma não é uma parte separada dos humanos que pode sobreviver à morte. A Bíblia não ensina este conceito pagão, como explica a New Catholic Encyclopedia: “A alma no A[ntigo] T[estamento] significa, não uma parte do homem, mas o homem inteiro — o homem como ser vivente. Similarmente, no N[ovo] T[estamento] significa vida humana: a vida de uma pessoa individual, consciente.”
Não importa quanto pesquise a Bíblia, não encontrará um texto sequer que afirme que a alma é imortal ou que sobreviva à morte da pessoa. Todavia, encontrará muitos textos bíblicos que afirmam que a alma morre, ou está sujeita à morte. Por exemplo, os de Ezequiel 18:4, 20 rezam: “A alma que pecar — ela é que morrerá.”
Assim, a Bíblia não ensina que a morte é uma porta para uma outra vida. Tal ensino é mentira. Na revista Psychology Today, de julho de 1977, observou-se: “Há milhares de anos, uma cobra, surpreendentemente, disse a uma certa jovem senhora: ‘Certamente não morrereis.’ Desde então, parece que todos cremos, ou gostaríamos de crer, nesta primeira mentira.” (Gên. 3:4) A verdade é: a morte é terrível inimigo — é o fim da vida, a não-existência. — 1 Cor. 15:26.
Como é, então, que alguns, depois de serem revividos, relatam ter experimentado a vida além da “morte”? Por certo, nem todas as pessoas que relatam tais coisas estão mentindo, estão?
Possíveis Explicações
Desde a juventude, em muitas pessoas se inculcou a crença numa vida após a morte, e assim tais idéias sobre a imortalidade estão incrustadas profundamente em sua mente. O Dr. Nathan Schnaper, que vê a muitos destes pacientes revividos, rejeita seus relatos como fantasias psicológicas. “Tais pessoas sentem um vácuo”, afirma ele, “e, psicologicamente, não toleramos um vácuo. É um vazio que precisa ser preenchido, de modo que inventam tais experiências”.
Isto não quer dizer que façam isso intencionalmente. É significativo que os pacientes sob medicação também relatem alucinações e experiências fora do corpo. De forma similar, nos minutos críticos em que um paciente está perto da morte — quando o coração pára de bombear sangue, todavia, antes de as células morrerem — o quadro clínico em que o cérebro carece de oxigênio resulta em efeitos extraordinários. Aqueles que se recuperam podem estar simplesmente relatando os resultados desta condição alterada. Julian DeVries, o editor médico do Republic do Arizona, EUA, identifica tais fatores como responsáveis pelas experiências relatadas.
“Quando a capacidade física superior está em seu ponto mais baixo”, escreve ele, “como sob a anestesia, ou como resultado de doença ou ferimento, o controle automático das funções do corpo diminui concordemente. Assim, os neurohormônios e as catecolaminas do sistema nervoso são liberados e lançados em quantidades não controladas. O resultado disso, entre outras manifestações, é a alucinação, racionalizada após o retorno à consciência, como tendo morrido e retornado à vida.”
Perguntas não Respondidas
Todavia, o acima não explica como certos pacientes, ao serem revividos da morte aparente, sabem de coisas que aconteceram enquanto inconscientes. Como disse o Dr. Moody: “Se o Sr. Jones lhe conta que seu espírito estava flutuando perto do teto e passa a descrever quem estava no aposento, quando e o que se passou, parece que a pessoa não tem outra alternativa senão a de crer nele.” Como se pode explicar este notável conhecimento por parte dos pacientes revividos?
Também, se a morte traz fim à vida, como se consumará a esperança de vida eterna, prometida por Deus? Como poderá alguém vir a usufruir a vida além do túmulo?
Examinemos agora tais perguntas.
[Foto na página 8]
“Atravessei este túnel escuro e saí numa luz brilhante . . .”
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Revelações de outro mundo?Despertai! — 1980 | 22 de janeiro
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Revelações de outro mundo?
“REVELAÇÕES” provenientes de ‘outro mundo’ acham-se simplesmente difundidas demais para serem ignoradas. Comumente, alega-se que tais comunicações provêm de pessoas mortas com as quais os vivos estavam familiarizados como humanos. Em seus diários, W. L. Mackenzie King, primeiro-ministro do Canadá por mais de 20 anos, afirmava receber tais revelações. O Star de Toronto, de 3 de janeiro de 1979, explica:
“Suas visões e sessões espíritas o mantinham em contato com sua adorada mãe, há muito falecida, com Hitler e com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, entre outros.
“Em 29 de agosto de 1948, em Kingsmere, sua casa em Gatineau Hills, ao norte de Otava, King escreveu que tivera uma visão do ditador alemão, Adolfo Hitler, andando sobre ‘algo que parecia ser o acolchoado da minha cama, fazendo fileiras de ilhós de botões sobre a parte superior.’
“Todas as suas ‘conversas’ e ‘visões’ foram registradas em seus diários.”
James Albert Pike, destacado bispo episcopal durante as décadas de 50 e 60, também obteve revelações de ‘outro mundo’. Tais comunicações, obtidas com a ajuda dum médium espírita, eram alegadamente de seu filho morto, Jim. Na revista Look, Pike relatou a seguinte conversa com Jim:
“‘Obrigado, Jim’, repliquei. ‘ . . . Eu telefonarei para sua mãe, para lhe contar o que está acontecendo aqui, agora.’
“‘Ótimo’, foi sua resposta. ‘Quero que ela saiba — que saiba que realmente a amo — que estou vivo.’
“‘Ela crê nisso, Jim’, respondi, tranqüilizando-o. ‘Ela sempre cria. Aliás, quanto às coisas em sua nova situação: está . . . sozinho, ou — ’
“‘Há massas de gente ao meu redor, e mãos que me erguem, por assim dizer’, ouviu-se dizer — e, depois de uma pausa, ‘Eu me sentia muito infeliz até poder comunicar-lhe isso.’”
Há muitos relatos de conversas assim, do mesmo modo que há relatos similares de pessoas que foram revividas da morte aparente. É evidente que as comunicações estão sendo recebidas de alguém. Mas não estão sendo recebidas dos mortos! A Bíblia é muito enfática sobre isso, ao afirmar: “Os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada.” (Ecl. 9:5) A morte não é uma transição da vida aqui para uma outra vida.
Quem, então, é responsável por tais revelações de ‘outro mundo’?
Promotores da Primeira Mentira
Lembra-se do que Deus disse ao primeiro casal humano que seria sua penalidade pela desobediência? “Positivamente morrerás”, disse Deus. (Gên. 2:17; 3:3) Mas foi “a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada” quem disse a Eva: “Positivamente não morrereis.” (Rev. 12:9; Gên. 3:4) Em vista disso, devia realmente constituir surpresa que o anjo rebelde, Satanás, e os anjos que se juntaram a ele em rebelião contra Deus, promovessem esta mentira de que, caso as pessoas desobedecessem à ordem de Deus, elas não morreriam, desaparecendo da terra, mas continuariam a viver como humanos?
Têm feito isto por ensinar que, por ocasião da morte do corpo humano, a “alma” sobrevive no domínio espiritual. Para apoiar isto, fornecem feiticeiros, médiuns espíritas e adivinhos dotados de conhecimento especial que parece originar-se das almas que partiram ou dos espíritos dos mortos. Mas Jeová Deus procurou proteger seu povo deste maligno engano. Quando os israelitas estavam prestes a entrar na terra de Canaã, para a possuir, Ele lhes ordenou:
“Não deves aprender a fazer conforme as coisas detestáveis dessas nações. Não se deve achar em ti . . . alguém que empregue adivinhação, algum praticante de magia ou quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamento, ou alguém que vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos, ou alguém que consulte os mortos. Pois, todo aquele que faz tais coisas é algo detestável para Jeová.” — Deu. 18:9-12; Lev. 19:31; 20:6, 27.
Todavia, os servos de Deus têm sido repetidas vezes tentados por pessoas a quem Satanás usa para disseminar sua mentira da imortalidade da alma, como diz a Bíblia: “As pessoas lhe dirão que peça mensagens dos adivinhos e dos médiuns, que chilram e murmuram. Elas dirão: ‘Afinal de contas, as pessoas devem pedir mensagens dos espíritos e consultar os mortos a favor dos vivos.’” Mas, o que aconselha a Bíblia? “Deve responder-lhes: ‘Ouçam o que o SENHOR lhes ensina! Não ouçam a médiuns — o que eles lhes dizem não lhes fará nenhum bem.’” — Isa. 8:19, 20, Today’s English Version.
Entretanto, alguém talvez objete: ‘Não promove a própria Bíblia o conceito de que os vivos podem consultar os mortos? Não obteve o Rei Saul informações do profeta morto, Samuel? Examinemos isto.
Inquirição dos Mortos por Parte do Rei Saul
Saul estava bem a par da lei de Deus sobre médiuns espíritas e adivinhos. Assim, o relato sobre sua inquirição dos mortos é prefaciado pelo comentário: “Ora, o próprio Samuel havia morrido, e todo o Israel passara a lamentá-lo e a enterrá-lo em Ramá, sua própria cidade. Quanto a Saul, tinha removido do país os médiuns espíritas e os prognosticadores profissionais de eventos.” — 1 Sam. 28:3.
Mas surgiu uma situação desesperadora no 40.º ano do reinado de Saul. Poderosa força inimiga de filisteus subiu contra o exército israelita, acampado no Mte. Gilboa, no vale de Jezreel. Saul ficou aterrorizado. Por ter deixado as leis de Jeová, Jeová não mais respondia aos apelos dele. Antes de sua morte recente, o profeta Samuel se havia recusado a ver Saul. Assim, agora, nesta situação desesperada, Saul procurou orientação duma médium espírita.
Os servos de Saul lhe disseram que uma de tais médiuns vivia na cidade de En-Dor, situada a cerca de 16 quilômetros, não muito distante dos filisteus acampados na cidade de Suném. Assim, Saul se disfarçou e, com dois de seus homens, fez a perigosa viagem a En-Dor, sob a coberta da noite. A mulher foi encontrada e, depois de obter a garantia de que não seria exposta por praticar sua arte condenada por Deus, concordou em contatar o falecido Samuel. (1 Samuel 28:4-12) No decorrer da sessão espírita, aparece “Samuel”, à medida que a médium espírita o descreve para o Rei Saul:
“‘Vejo um deus subir da terra.’ [Saul] lhe disse imediatamente: ‘Qual é a sua figura?’ a que ela disse: ‘É um homem idoso que está subindo, e ele mesmo se cobriu com uma túnica sem mangas.’ Em vista disso, Saul reconheceu que era ‘Samuel’, e ele passou a inclinar-se com o seu rosto para a terra e a prostrar-se.
“E ‘Samuel’ começou a dizer a Saul: ‘Por que me inquietaste, fazendo-me subir?’ A isso Saul disse: ‘Estou num sério aperto, visto que os filisteus estão lutando contra mim, e o próprio Deus se retirou de mim e não me respondeu mais . . . E ‘Samuel’ prosseguiu, dizendo: ‘Então por que indagas de mim, quando o próprio Jeová se retirou de ti?’” — 1 Sam. 28:13-16.
Está a Bíblia ensinando aqui que tal mulher realmente trouxe de volta a Samuel em alguma forma espiritual? Ou será que a mente dela, controlada pelos demônios, visualizou uma representação de Samuel?
Era ou não Samuel?
Lembre-se, a lei de Deus condenava os médiuns espíritas, dizendo: “Não vos vireis para médiuns espíritas e não consulteis prognosticadores profissionais de eventos, de modo a vos tomardes impuros por eles. Eu sou Jeová, vosso Deus. . .. Certamente porei minha face contra essa alma e a deceparei dentre seu povo. E quanto ao homem ou à mulher em quem se mostre haver um espírito mediúnico ou um espírito de predição, sem falta devem ser mortos.” — Lev. 19:31; 20:6, 27.
É evidente que o Deus Onipotente opunha-se fortemente a todas as práticas espíritas. E, conforme notamos, Deus também se desagradava de Saul por causa de sua desobediência, e se recusava a comunicar-se com ele. Assim, mesmo que um médium espírita pudesse entrar em contato com os mortos, conseguiria tal médium obrigar Deus a fornecer uma mensagem por meio do morto Samuel? É um médium espírita mais forte do que Deus?
Considere também o seguinte: Samuel, profeta de Deus, opunha-se fortemente aos médiuns espíritas enquanto vivo. Como seguidor da lei de Deus, certificou-se de que fossem mortos. Assim, então, será que ele, enquanto morto, permitiria que um médium espírita fizesse arranjos para ele se encontrar com Saul? Se Samuel se recusava a falar com Saul enquanto vivo, poderia um médium condenado obrigá-lo a fazê-lo depois de morto?
Ademais, por que a lei de Deus rotulou a prática de consultar os mortos como algo ‘impuro’, “detestável” e digno de morte? Se a comunicação fosse realmente com entes queridos falecidos, por que um Deus de amor designaria isto como sendo terrível crime? Por que desejaria privar os vivos de obter mensagens confortadoras dos mortos?
Não, obviamente não era Samuel que a médium espírita de En-Dor contatou. Samuel estava morto, e, ao morrer, segundo a Bíblia, a pessoa “volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus pensamentos”. (Sal. 146:4) Antes, a voz era duma pessoa espiritual iníqua, um dos anjos de Satanás, que estava personificando Samuel. Tais agentes poderosos, invisíveis, de Satanás têm promovido, por tais métodos, a mentira de Satanás sobre a imortalidade humana, já por milhares de anos.
Fonte do Conhecimento
Assim, quando certos pacientes, revividos de situações de quase morte, sabem de coisas que aconteceram durante o tempo em que estavam “mortos”, isto poderá ser devido a sonhos que tiveram, quer quando ficaram inconscientes quer quando saíram desse estado. Ou, visto que os pacientes não estavam vivos em alguma forma espiritual para testemunhar pessoalmente tais coisas, talvez tenham obtido tal conhecimento da mesma fonte que a médium espírita de En-Dor. Em sua situação crítica, próxima da morte, ao se esvaírem suas forças de vida, os demônios lhes transmitiram informações que não poderiam receber por meios comuns.
Não devíamos surpreender-nos de Satanás operar por tais meios sinuosos. “O próprio Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz”, avisa a Bíblia. Com efeito, afirma a Palavra de Deus: “O deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus.” — 2 Cor. 11:14; 4:4.
“Incrédulos” — pessoas, por exemplo, que se recusam a aceitar o que a Bíblia afirma sobre a morte, preferindo, ao invés, crer em filosofias pagãs — continuarão cegadas às “gloriosas boas novas”. Talvez ainda pergunte, contudo: ‘Se, como diz a Bíblia, a morte realmente é a extinção, como será obtida a vida eterna? Como poderá ser usufruída a vida além do túmulo?’
[Destaque na página 12]
AO SE ESVAÍREM SUAS FORÇAS DE VIDA, OS DEMÔNIOS LHES TRANSMITIRAM INFORMAÇÕES QUE NÃO PODERIAM RECEBER POR MEIOS COMUNS.
[Foto na página 10]
“Suas visões e sessões espíritas o mantinham em contato com . . . Hitler e . . . Roosevelt, entre outros.”
W. L. Mackenzie King
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Vida após a morte — uma esperança seguraDespertai! — 1980 | 22 de janeiro
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Vida após a morte — uma esperança segura
ALGUMAS pessoas depositam suas esperanças na ciência médica, de restaurar os mortos à vida. Talvez indaguem: Visto que pessoas que desmaiaram num banco de neve, ou se afogaram num rio congelado, foram revividas depois de estarem “mortas” durante horas, não poderia uma pessoa ser revivida mesmo depois de muitos anos em que esteve congelada? As descobertas de um novo estudo, chamado criobiologia, têm dado causas a alguns para serem otimistas.
A criobiologia é o estudo dos efeitos de temperaturas extremamente baixas sobre as células ou organismos. À guisa de exemplo, o cérebro dum gato alegadamente foi congelado durante seis meses a 19° C abaixo de zero e registrou atividade cerebral normal três horas depois de descongelado. E é comum agora que pele, córneas, tecido nervoso e ossos humanos sejam congelados para possível utilização numa data futura. Esperando que se descubram no futuro as curas, de doenças e do envelhecimento, alguns preparam-se agora para beneficiar-se delas então. Como?
Fazem com que seus corpos sejam congelados ao morrer, na esperança de que possam ser trazidos de volta à vida quando se conseguir a cura para a doença que provocou sua morte. Tal prática é chamada crônica. Dezenas de pessoas já foram congeladas. Somente na área da Baía de São Francisco, Califórnia, EUA, pelo menos 45 outras pessoas assinaram documentos para serem congeladas.
O corpo da pessoa a ser congelada é ligado a uma máquina de ressuscitação coração-pulmões antes do início da completa morte biológica. Isto mantém o oxigênio em circulação pelo sangue. O corpo é então gradualmente resfriado, e o sangue é substituído por uma solução anticongelante. Daí, o corpo é colocado numa cápsula criogênica de armazenagem, cheia de nitrogênio líquido, e é resfriado à temperatura extremamente fria de 196° C abaixo de zero. O processo é oneroso, e também o custo de manutenção. Mas muitos se dispõem a pagar tal custo na esperança de que, à medida que a ciência médica aprenda as respostas para as doenças e o envelhecimento, a pessoa possa ser revivida e manter-se viva indefinidamente.
Todavia, quão sólida é tal esperança de retornar à vida? Desde que o homem é incapaz de agora reviver os mortos congelados, que razão sólida existe para se crer que será possível mais tarde?
Na realidade, quer congelados quer não, os mortos podem ser ressuscitados. Já aconteceu antes, e houve centenas de testemunhas oculares.
Motivo de Confiança
Segundo a Bíblia, o homem Jesus Cristo foi morto pelos opositores religiosos. No entanto, no terceiro dia depois disso, foi ressuscitado. No primeiro dia de sua ressurreição, segundo a Bíblia revela, ele apareceu em cinco ocasiões diferentes a alguns de seus discípulos. (Mat. 28:1-15; João 20:11-25; Luc. 24:13-43) Daí, durante os dias que se seguiram, ele se mostrou a eles diversas outras vezes, certa vez a mais de 500 discípulos! (João 20:26-29; 21:1-19; 1 Cor. 15:3-7) Com que efeito?
Quando Jesus foi morto, seus discípulos ficaram abatidos, em pranto. Mas, ao obterem esta prova absoluta de que havia ressuscitado, foram soerguidos ao ápice da suprema alegria e ficaram cheios de coragem para pregar estas novas maravilhosas. Declararam-na galhardamente apesar da perseguição homicida dos oponentes religiosos. (Atos 4:1-3, 33; 17:18) Considere agora: Caso a ressurreição de Jesus não tivesse realmente ocorrido, será que centenas de pessoas teriam arriscado a vida — algumas até mesmo sendo martirizadas — para proclamar esta mensagem? — Atos 7:55-59.
Todavia, estes discípulos iniciais de Cristo dispuseram de ainda mais evidência de que os mortos poderiam retornar à vida.
Outras Ressurreições
Nas Escrituras então disponíveis a eles, registram-se três casos de mortos serem trazidos de volta à vida. (1 Reis 17:17-23; 2 Reis 4:17-37; 13:20, 21) Os discípulos tinham toda razão de crer nestes relatos, pois Jesus Cristo repetidas vezes sublinhou a veracidade das Escrituras. E o próprio Cristo disse a seus seguidores: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão.” (João 5:28, 29) Alguns de seus seguidores tinham sido realmente testemunhas oculares das três ressurreições realizadas por Jesus, que deram força e credibilidade à sua promessa supracitada. — Luc. 7:11-17; 8:49-56; João 11:1-44.
A última destas ressurreições, que Jesus realizou, ocorreu pouco antes de sua própria morte. Jesus estava ministrando em Peréia, do outro lado do rio Jordão. Enquanto estava ali, avisaram-no de que, lá na Judéia, seu querido amigo, Lázaro, irmão de Maria e Marta, estava doente. Dois dias após receber a notícia, ele disse aos seus discípulos: “Vamos voltar para a Judéia.” O relato bíblico reza:
“Quando Jesus chegou, Lázaro já havia sido enterrado fazia quatro dias. Betânia [a cidade natal de Lázaro] ficava a menos de três quilômetros de Jerusalém. Por isso muitos judeus vieram visitar Marta e Maria para as consolar pela morte do irmão. . . .
“Quando Maria chegou aonde Jesus estava, caiu aos pés dele, dizendo:
“— Se o senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido!
“Jesus viu Maria chorar, e viu que os judeus que estavam com ela também choravam. Então ficou muito triste e comovido, e perguntou:
“— Onde é que vocês o sepultaram? . . .
“Jesus ficou outra vez muito comovido. Foi até o túmulo, que era uma cova com uma pedra colocada na entrada.
“— Tirem a pedra! — ordenou ele.
“Marta, a irmã de Lázaro, disse:
“— Senhor, ele está cheirando mal, pois faz quatro dias que foi sepultado!
“Eu não disse que, se você crer, verá a glória de Deus? — respondeu Jesus.
“Aí tiraram a pedra, Jesus olhou para o céu, e disse:
“— Pai, eu te agradeço porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves. Mas eu falei assim por causa da multidão que está aqui para que acreditem que tu me enviaste.
“Depois de dizer isto, gritou:
“— Lázaro, venha para fora!
“E Lázaro saiu. Seus pés e suas mãos estavam enfaixados com tiras de pano, e tinha uma faixa em volta do rosto. Então Jesus disse:
“— Desenrolem as faixas, e o deixem ir!” — João 11:7-44, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Deveras temos todo motivo para confiar em que os mortos podem ser ressuscitados! Pois, certamente, Aquele que iniciou originalmente a vida humana — Aquele a quem Jesus apelou em oração — é também sábio e poderoso o bastante para ressuscitar os mortos. E os corpos não precisam ser mantidos num estado de preservação por congelamento. Deus pode restaurar à vida uma pessoa cujo corpo estava putrefazendo, como fez com Lázaro, ou, se o corpo da pessoa se desintegrou por completo, ele pode recriar um corpo inteiramente novo e restaurar a vida da pessoa.
Considere, porém: Qual era a condição de Lázaro durante os quatro dias em que estava morto e no túmulo? Outros dentre a humanidade morta acham-se na mesma condição. Assim, podemos aprender da experiência de Lázaro.
Existência Consciente ou não?
A Bíblia nada diz sobre Lázaro gozar de existência consciente em outra parte durante aqueles quatro dias. Caso tivesse estado vivo no céu, por certo teria dito algo a respeito das muitas maravilhosas coisas celestes a respeito das quais os humanos estão interessados em saber. Todavia, ficou inteiramente calado sobre tal assunto. Daí, também, caso realmente tivesse usufruído a vida celeste, não teria sido falta de bondade, da parte de seu amigo Jesus, tirá-lo subitamente de lá e trazê-lo de volta novamente à terra?
A razão pela qual Lázaro nada relatou sobre suas atividades durante aqueles quatro dias é que não sabia de nada. Estava inconsciente. Nenhuma parte dele tinha sobrevivido e continuava viva em outro local. Ele estava no Seol, a sepultura comum da humanidade, onde “não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria”. Estava realmente morto, como explica a Bíblia: “Os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada.” — Ecl. 9:5, 10.
Quão simples e claro é o ensino da Bíblia! A própria pessoa é uma alma, de modo que, ao morrer, é uma “alma morta”. (Núm. 6:6) Não mais está viva; está inconsciente. O Deus Todo-poderoso, porém, pode ressuscitar tal pessoa, sim, trazê-la novamente à vida. As igrejas da cristandade criaram grande confusão por adotarem o ensino pagão da imortalidade da alma. Indicando tal confusão, Theology Today (Teologia Atual), destacado periódico religioso protestante, comenta:
“Se a alma já goza da beatitude celeste (ou já está justificadamente se assando no inferno), que necessidade existe de outra coisa? Que finalidade poderia haver da volta de Cristo ou da renovação do universo? Esta contradição íntima continua a assolar os cristãos através dos séculos.”
Similarmente, o sacerdote católico, Ray T. Bosler, comenta:
“O que acontece imediatamente após a morte, antes da ressurreição final? . . . Nossos teólogos discordam entre si quanto a como é exatamente a existência dos santos até a ressurreição final. . . .
“Nossas orações litúrgicas para os enterros refletem parte desta ambigüidade. Regozijamo-nos de que nossos mortos já gozam de parte da vida da ressurreição e, ainda assim oramos para que sejam ressuscitados no último dia. Tudo o que podemos fazer é admitir humildemente que não sabemos o que nos aguarda no momento da morte.”
Todavia, as respostas estão disponíveis na Bíblia. Não há necessidade da confusão e da incerteza que tanto prevalecem nas igrejas. E considere só o dano que é causado. Milhões de pessoas, crendo que a morte é uma porta para outra vida, expõem-se ao engano por parte de espíritos iníquos que personificam pessoas que já morreram. Ao redor da terra, muita gente vive com medo destes supostos espíritos dos mortos
O ensino bíblico da ressurreição, por outro lado, pode constituir uma fonte de esperança, conforto e coragem genuínos.
Esperança Viva, Motivadora
O sofredor Jó que suscitou a pergunta: “Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente?” mostrou que se sentia confortado pela esperança de ressurreição, pois disse a Deus: “Tu chamarás, e eu mesmo te responderei.” (Jó 14:14, 15) Os cristãos primitivos, também, foram fortalecidos por esta mesma esperança. Obtiveram coragem para enfrentar leões famintos nas arenas romanas, ao invés de violar a lei de Deus por realizarem atos de adoração ao imperador.
A esperança de ressurreição também tem motivado os cristãos nos tempos modernos. Por exemplo, os cristãos na Alemanha nazista preferiram ser executados ao invés de violar a lei de Deus, por apoiarem os diabólicos planos bélicos de Hitler. Considere a carta final de uma de tais pessoas para sua esposa, e observe a força que derivou de sua esperança da ressurreição:
“Minha Querida Erna,
“Essa é minha última noite. Minha sentença já me foi lida em voz alta e já tomei a minha última refeição. Assim, quando esta carta lhe chegar às mãos, minha vida já terá terminado. Sabemos que o aguilhão já foi removido da morte e a vitória sobre o túmulo já foi obtida. . . .
“E, assim, olho mais uma vez para os seus olhos serenos e brilhantes, e extirpo o último pesar de seu coração; e; apesar da dor, erga sua cabeça e regozije-se, não sobre a morte, mas sobre a vida que Deus dará aos que o amam.
“Saudações sinceras em amor e verdadeira amizade, de seu amoroso marido.”
Similarmente, uma jovem alemã de 13 anos, que sofria da temível leucemia, ilustrou a poderosa força que a esperança de ressurreição era em sua vida. Sobre ela, o médico-chefe observou: “Em toda a minha prática médica, jamais vi um caso assim, em que uma criança era tão feliz depois de saber que tinha de morrer.” Por que isto se dava? Em sua carta, lida em seu enterro, ela explicou:
“Minha grande esperança não é ficar flutuando em alguma parte do céu como espírito. Não, mas estarei descansando no túmulo até depois do Armagedom, e, se o grande Dador da vida, Jeová, me considerar digna, ele me dará uma ressurreição — com genuína carne e sangue, qual humano, numa terra paradísica purificada, em deleite e felicidade. Assim, pode ver que é por isso que não me foi difícil morrer. Conseguem entendê-lo?”
Os cristãos com fé desta qualidade se reuniram há alguns meses atrás nos Congressos Distritais “Esperança Viva”. A partir de julho estarão reunidos, aqui no Brasil, nos congressos distritais de quatro dias, sob o tema de “Amor Divino”. Se for de todo possível, compareça a um deles. Ali aprenderá mais sobre a “esperança de vida eterna que Deus, que não pode mentir, prometeu” — Tito 1:2.
Está convidado também a entrar em contato com as Testemunhas de Jeová da localidade. Para obter o endereço de seu local de reunião mais próximo de sua casa, queira escrever aos editores de Despertai!, e ficaremos contentes de enviá-lo. Estamos confiantes de que apreciará palestrar com elas sobre a esperança da ressurreição apresentada na Bíblia.
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