-
O que pode dizer?Despertai! — 1976 | 8 de abril
-
-
O que pode dizer?
TALVEZ tenha um amigo cuja esposa esteja morrendo de câncer. O que poderá dizer para confortá-lo? Um rapazinho talvez sinta grande pesar devido a que seu pai acaba de morrer. Deseja de todo o coração confortá-lo. Sente-se inútil? Ou pode transmitir verdadeira esperança ao rapazinho?
A fim de fornecer o genuíno conforto que realmente ajude um enlutado, é preciso que o próprio leitor tenha uma esperança solidamente alicerçada. Necessita de respostas reais, concretas, às perguntas que surgem sobre a morte, pois apenas a verdade fornece genuíno conforto.
Precisa saber, primeiro, a resposta à pergunta: Onde estão os mortos, Precisa de respostas para outras perguntas também. Acham-se agora no céu aqueles que já morreram? Passam por alguma espécie de sofrimento? Acham-se em algum mundo sombrio? Ou estão realmente mortos? Se assim for, desapareceram para sempre! Será lógico que a pessoa viva por cerca de quarenta anos, mais ou menos, obtenha excelente instrução, equipe-se para realizar algo de digno enquanto se acha neste mundo, e então morra? Que lástima! Que desperdício!
O que poderia dizer a alguém pesaroso? Deveria dizer que a morte é uma fuga duma existência indesejável — que, por conseguinte, a pessoa morta está em melhor situação do que antes? Isto pouco conforto traz ao enlutado. Para responder corretamente, a pessoa tem de fazer a avaliação correta da vida e saber se a morte é amiga ou inimiga da humanidade.
A Vida É Possessão Valiosa
Ao confortar os enlutados, a pessoa tem também de compreender que, em geral, a morte é um mistério para eles. Uma coisa usualmente se destaca: Relutam em aceitar a morte como o fim de tudo. Deveríamos considerar isso como desnatural, como uma atitude tola, imprática? Não, na realidade indica um modo de pensar normal, saudável. O Rei Salomão, da antiguidade, dotado de riquezas e da oportunidade de buscar as coisas desejáveis da vida e de observar todas as coisas que aconteciam com a humanidade, tanto boas como más, concluiu: “Melhor está o cão vivo do que o leão morto.” — Ecl. 9:4.
A vida é deveras valiosa! Sem ela, não temos nada. As pessoas, de modo natural e correto, apegam-se à vida. O antigo oriental, Jó, perguntou esperançoso, há 3.500 anos: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14:14, Almeida) A vida possui muitas facetas atraentes, e, embora circunstâncias ruins, má saúde ou outros fatores talvez impeçam a pessoa de algumas atividades, há sempre outros meios que podem prover-lhe uma vida feliz, satisfatória.
Um exemplo do que a vida pode significar, mesmo quando a pessoa só pode usar parte limitada das faculdades humanas normais, acha-se na história de Helen Keller. Tinha menos de dois anos quando uma doença a privou da visão e da audição. Separada do mundo exterior! Nos seguintes cinco anos, como disse mais tarde, ela cresceu “selvagem e desregrada, dando risadinhas nervosas e reprimidas para demonstrar prazer; chutando, arranhando, dando os berros abafados dos surdos-mudos para indicar o oposto”.
Daí, seu pai contratou uma professora, certa Srta. Anne Sullivan, do Instituto Perkins Para os Cegos, de Boston. Esta moça dedicada inventou uma espécie de alfabeto, soletrando as palavras nas mãos de Helen. Pouco depois Helen aprendeu a ligar palavras com objetos e, em três anos, conseguia ler Braille e escrever com uma máquina de escrever especial. Formou-se com honra da Faculdade Radcliffe, em 1904, sendo acompanhada nas aulas pela Srta. Sullivan, que interpretava pelo tato as aulas e preleções.
A Srta. Keller assumiu então, com grande vigor, a tarefa de ajudar os cegos e os surdos-cegos. Proferiu preleções, falou perante legislativos, visitou hospitais e escreveu vários livros, encorajando milhares de pessoas. Seu desejo de ajudar os excepcionais lhe forneceu um propósito e fez com que valesse a pena viver sua vida. Ela chegou a viver quase 88 anos. Por certo, a Srta. Keller não achou que teria sido melhor se tivesse morrido enquanto era jovem.
Helen Keller e milhares de outros que usam bem sua vida contradizem a idéia de que a morte é “amiga”. Quase todos fazem tudo que podem para permanecer vivos mesmo quando a morte é certa. Adicionalmente, a maioria tem medo da morte. Trata-se de medo, não só da parte da pessoa que talvez morra, mas também da parte da família e dos amigos. Até mesmo médicos e enfermeiras que cuidam dos que estão morrendo sentem medo. Comentando isto, a Dra. Elisabeth Kubler-Ross afirma:
“Setenta e cinco por cento de nossa população morrem em instituições onde se acham cercadas por equipes que, usualmente, desejam evitar os problemas delas e afastar-se delas tão rápido quanto possível. E isto se dá porque nós temos tão sobrepujante medo da morte.
“Não importa como expressemos intelectualmente este medo, ele equivale realmente ao medo duma força destrutiva catastrófica que se lança sobre nós, e não há nada que possamos fazer a respeito.”
É claro que a Bíblia expõe a morte, junto com a velhice, como inimiga. (1 Cor. 15:26) O medo da morte tem mantido pessoas em escravidão. Temendo a morte — de fome, por exemplo — as pessoas se tornaram ladrões e canibais. Algumas foram induzidas a praticar erros para evitar serem mortas. Algumas foram obrigadas a fazer coisas contra sua vontade, devido às ameaças de que seus parentes, que viviam num país ditatorial, pudessem ser mortos. — Heb. 2:15.
Mas, e se a morte pudesse ser eliminada? Tornaria isso a vida insípida, monótona? Quem já disse: ‘Sinto-me tão bem hoje que gostaria de morrer’? Não é verdade que há tantas coisas boas e apreciáveis a fazer na vida que ela não dura o bastante para fazer todas elas, mesmo se a pessoa vivesse para sempre?
A Bíblia diz que Deus ‘pôs tempo indefinido no coração’ da’ humanidade. (Ecl. 3:11) O homem pode visualizar e planejar o futuro. Também, há sempre esperança de que algum meio seja encontrado de se abolir a morte. Poria o Criador amoroso tais emoções em suas criaturas inteligentes sem nenhuma esperança ‘de se cumprirem? Isto não parece razoável. Ademais, se há esperança de abolição da morte, também é lógico que o Criador informe as pessoas do Seu propósito de satisfazer tal esperança. Antes de considerarmos este assunto, porém, vejamos o que é a morte, e como e por que surgiu.
-
-
O que é esta coisa chamada morte?Despertai! — 1976 | 8 de abril
-
-
O que é esta coisa chamada morte?
MUITOS não consideram a morte senão como a porta para outra vida. Crêem que o tipo de existência que a pessoa gozará na vida seguinte depende de como vive agora. Por outro lado, há os que pensam que a morte elimina toda possibilidade de se viver de novo.
Em vista de tais idéias conflitantes sobre a morte, pode alguém estar seguro do que acontece quando uma pessoa morre? Por certo, se tivéssemos uma revelação do Criador do homem sobre isto, poderíamos estar seguros. A Bíblia afirma ser exatamente tal revelação. Por isso, o que ela nos diz sobre a morte deve pôr fim a qualquer incerteza sobre o assunto.
O livro inicial da Bíblia, Gênesis, informa-nos de que os primeiros humanos, Adão e Eva, tinham diante de si a perspectiva de vida interminável. Continuarem a viver dependia da obediência perfeita a seu Criador e Deus, Jeová. Para testar sua obediência, Jeová Deus exigiu que se refreassem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Era vital que Adão e Eva fossem provados dessa forma. Somente por terem o devido respeito pelo direito de Deus de fixar o padrão do certo e do errado, do bom e do mau, poderiam instilar o mesmo respeito em sua prole.
Foi em relação com a ordem de não comerem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal que Deus disse a Adão: “No dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gên. 2:17) Então, quando Adão comeu do fruto proibido, foi declarada a sentença de morte para ele, nas seguintes palavras: “No suor do teu rosto comerás pão, até que voltes ao solo, pois dele foste tomado. Porque tu és pó e ao pó voltarás.” (Gên. 3:19) Assim sendo, a morte de Adão significou que ele deixou de viver e por fim voltou aos elementos do pó sem vida, do qual fora criado.
Que Dizer da Alma?
Mas, havia alguma parte invisível de Adão — uma alma — que continuou a viver após sua morte? Se Adão tivesse alma, poderia bem haver base para se responder “sim”. Mas, tinha mesmo? Descrevendo a criação de Adão, a Bíblia relata: “Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo e a soprar nas suas narinas o fôlego de vida, e o homem veio a ser uma alma vivente.” — Gên. 2:7.
Note que não se diz nada sobre Adão ter alma. Antes, ele ‵”veio a ser uma alma vivente” quando seu corpo sem vida foi animado com o “fôlego de vida”. Assim, então, o próprio Adão era uma alma vivente, e essa alma morreu. Ezequiel 18:4 confirma este entendimento dos assuntos ao dizer sobre a alma: “Todas as almas — a mim [Deus] me pertencem. A alma que pecar — ela é que morrerá.”
Depois de cuidadosa investigação da crença de a alma ser parte separada do homem que sobrevive à morte do corpo, muitos aprenderam que não se trata dum ensino bíblico. Verificaram que este conceito teve origem na filosofia grega.
Le Monde, de 8 de novembro de 1972 (p. 13), cita o autor e filósofo francês, Roger Garaudy, como afirmando que a filosofia grega “desviou o cristianismo durante séculos”. Lemos mais: “O dualismo da alma e corpo e o conseqüente mito da imortalidade da alma . . . são teorias platônicas que nada têm que ver com o cristianismo que a Bíblia.”
O Professor Claude Tresmontant, em seu livro Le problème de l’âme, observa: “É absurdo dizer, como o faz toda tradição platônica e cartesiana, que o homem . . . compõe-se de alma e corpo. . . . Não se deve dizer: ‘Eu tenho’ uma alma, porque isto tornaria o possuidor diferente da alma que possui. Deve-se dizer: ‘Eu sou uma alma vivente.’” — Págs. 180, 181.
Numa publicação usada para instrução evangélica, Ernst Busch admite: “O ensino de que a morte é a separação do corpo e da alma penetrou na igreja, vindo da filosofia grega. . . . O homem não pode ser dividido em corpo e alma, de modo a fazer com que a morte atinja o corpo mas não a alma. O inteiro homem é pecador, o inteiro homem com corpo e alma vai para a morte, segundo o ensino de Paulo em 1 Cor. 15.”
A forma em que a Bíblia descreve a condição dos mortos fornece evidência adicional de que a alma não sobrevive à morte do corpo para continuar a existência consciente. Lamentando seu penoso estado, exclamou o fiel Jó: “Por que não passei a morrer desde a madre, . . . pois agora eu já estaria deitado para ter sossego; então dormiria; estaria descansando.” (Jó 3:11, 13) Em Eclesiastes 9:5, 6, lemos: “Os viventes estão cônscios de que morrerão; os mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada . . . Também seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram.”
Observe que as Escrituras assemelham o estado inconsciente dos mortos ao sono. Assim como alguém que dorme profundamente permanece sem perceber o que talvez se passe ao redor dele, assim também os mortos não estão cônscios de coisa alguma. Em apoio disso há o que tem sido dito por pessoas que reviveram depois de sofrerem o que teria sido um ataque cardíaco fatal. Indagado sobre qual a sensação que se tem ao ficar como que morto, um médico que passou por tal experiência há alguns anos em Cleveland, Ohio, respondeu: “Simplesmente nenhuma. Não há nenhum pensamento, nenhuma recordação.”
Outros cujos corações pararam de bater, afirmam ter sentido sensações de júbilo. A respeito de tais pessoas, este médico concluiu: “Estou seguro de que devem estar confusos. Falam de como se sentiam durante o período entre a consciência e a inconsciência, durante o período de semicoma. Quando cessam suas funções vitais, simplesmente não sente nada.”
Nenhum Tormento Literal
Visto que os mortos não estão cônscios de coisa alguma, não podem sentir qualquer tormento físico. Nada consciente, que possa ser submetido à dor literal, sobrevive à morte do corpo.
Daí, também, não se disse nada a Adão sobre qualquer lugar de tormento. Sua punição pela desobediência seria, não o tormento, mas a morte. Se, em realidade, seu castigo viesse a ser a tortura eterna num inferno de fogo, não teria sido uma injustiça da parte de Deus ter negado esta informação ao primeiro homem?
Deus, contudo, não pode ser acusado de qualquer injustiça neste respeito. A morte foi deveras a pena máxima da transgressão de Adão e para todos os seus descendentes que herdaram mortíferas fraquezas e imperfeições. A Bíblia diz: “O salário pago pelo pecado é a morte”, não o tormento. (Rom. 6:23) Também, “aquele que morreu foi absolvido do seu pecado”. (Rom. 6:7) Se, porém, a pessoa continuasse a ser torturada após a morte, não poderia ser mencionada como tendo sido ‘absolvida de seu pecado’. Ainda estaria então pagando por suas transgressões.
Ademais, a idéia de que Deus submete as almas dos iníquos ao tormento eterno é contrária ao senso íntimo de amor e justiça inerentes ao homem. Por exemplo, se ouvisse dizer que certo pai atormentava seu filho por derramar água fervente sobre ele’ acharia que esse era um castigo apropriado? Não importava quão ruim tivesse sido o filho, ser-lhe-ia fácil nutrir ternos sentimentos a respeito de tal pai? Não sentiria, ao invés, um sentimento de repulsa pelo que tal pai fez? Não é também verdade que apenas pessoas diabólicas gostariam de ver outros serem torturados?
O fato de que as pessoas, em geral, abominam a tortura de humanos e até de animais, sem considerar o que esses tenham feito, deve receber o devido peso. Segundo a Bíblia, o homem foi criado à ”imagem de Deus”. (Gên. 1:27) Isso significa que foi dotado de qualidades semelhantes às de Deus. Por isso, abominaram as pessoas em geral a tortura cruel tem sua fonte nas qualidades dadas por Deus e que foram transmitidas pelo primeiro homem Adão a todos os membros da família humana. Em vista disso, quão inconcebível é que Aquele que é responsável por nossa repulsa diante da tortura submetesse humanos às piores torturas imagináveis, por toda a eternidade!
A Bíblia revela que Deus não deseja ver o mal sobrevir a qualquer de suas criaturas. Não se deleita em ter de punir a ninguém. Lemos: “Não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” (2 Ped. 3:9) “‘Não me agrado na morte de quem morre’, é a pronunciação do [Soberano] Senhor Jeová. ‘Portanto, fazei um recuo e continuai a viver.ʹ” (Eze. 18:32) Se é assim que Deus pensa sobre os que merecem punição pelo erro, como poderia ele, ao mesmo tempo, ver com aprovação a terrível angústia dos confinados a um lugar de tormento consciente pela eternidade? Manifestamente, jamais poderia fazê-lo, pois “Deus é amor”. — 1 João 4:8.
Visto que todos morrem, como então, são punidas as pessoas corrutas, odiosas? O escritor do livro bíblico de Hebreus compara sua sorte ao que acontece a um campo improdutivo que fica tomado de espinhos e abrolhos: “Acaba sendo queimado.” (Heb. 6:8) Por ser queimado, o campo deixa de existir como área improdutiva, coberta de espinhos e abrolhos. Assim sendo, a punição dos que persistem intencionalmente em agir contrário aos modos de Deus é a destruição eterna. Permanecerão mortos para sempre.
Mas, e os que procuram fazer o que é certo? O escritor da carta aos Hebreus continua: “Em vosso caso, amados, estamos convencidos de melhores coisas e de coisas acompanhadas de salvação . . . Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome.” — Heb. 6:9, 10.
É claro então, que tem de haver esperança para os humanos que não estão tão arraigados nos maus caminhos que não possam ser ajudados a mudar. Sua morte simplesmente não poderia significar que tudo acabou para eles. De outra forma, sua situação não seria diferente da daqueles que persistem em empedernidamente desconsiderar os direitos e o bem-estar de seu próximo. Isto logicamente dá origem à pergunta: Que esperança há para os bilhões agora mortos?
-
-
Maravilhosa esperançaDespertai! — 1976 | 8 de abril
-
-
Maravilhosa esperança
CONTINUARÁ a morte para sempre a colher vítimas e ocasionar expressões de pesar? Ou existe alguma esperança de que a morte seja abolida e que os que agora estão presos em seus laços sejam libertos?
Visto que Jeová Deus deu vida ao primeiro casal humano, Adão e Eva, seguisse logicamente que também pode restaurar a vida os que agora dormem na morte. Era nisso que o antigo patriarca Jó acreditava. Devido ao intenso sofrimento que suportava, dirigiu as seguintes palavras a Deus: “Quem dera que me escondesses no Seol [domínio da sepultura] . . . que me fixasses um limite de tempo e te lembrasses de mim! . . . Tu chamarás e eu mesmo te responderei. Pois terás saudades do trabalho das tuas mãos.” — Jó 14:13-15.
Base Para Esperança
Por ter criado Adão e Eva, e dotá-los da habilidade de procriar, os humanos são ‘obra das mãos de Deus’. Como descendentes do pecador Adão, são imperfeitos e estão sujeitos à morte. Todavia, Deus não deseja ver a família humana como um todo ser reduzida ao pó sem vida do qual criou o primeiro homem, Adão. Anela ou anseia o dia que determinou para restaurar à vida bilhões de humanos mortos.
Para que tivéssemos confiança em sua habilidade de ressuscitar os mortos, Jeová Deus, às vezes, deu poder a homens para fazer isso. Também inspirou homens a fornecer fidedigno registro de ressurreições passadas. Tal registro se acha contido na Bíblia. O que aprendemos dela?
O profeta hebreu, Elias, ressuscitou o filho único de uma viúva que morava na cidade de Sarefá. (1 Reis 17:21-23) Em Suném, na parte setentrional de Israel, Eliseu, sucessor de Elias, ressuscitou o filho único de destacada mulher hospitaleira. — 2 Reis 4:8, 32-37.
Muitos séculos depois disso, Jesus Cristo trouxe grande felicidade a várias pessoas que perderam na morte os seus entes queridos. Jairo, presidente duma sinagoga próxima do Mar da Galiléia, teve a alegria de ver sua filha ser levantada do sono da morte. Uma viúva em Naim, para o sudoeste do Mar da Galiléia, viu seu único filho voltar à vida no próprio esquife que os carregadores transportavam para um túmulo fora da cidade. Maria e Marta, de Betânia, não muito longe de Jerusalém, viram seu irmão ser restaurado à vida depois de ficar morto por quatro dias. — Mar. 5:22, 35, 41-43; Luc. 7:11-17; João 11:38-45.
Mais tarde, dois dos apóstolos de Jesus serviram de instrumento para restaurar pessoas mortas à vida. O apóstolo Pedro ressuscitou Dorcas (Tabita) na cidade costeira mediterrânea de Jope. (Atos 9:36-42) E, em Trôade, na província romana da Ásia, o apóstolo Paulo ressuscitou a Êutico. — Atos 20:6-12.
A mais notável ressurreição de todos os tempos foi a de Jesus Cristo. Essa ressurreição acha-se cabalmente estabelecida como real. Mais de quinhentas testemunhas viram o Cristo ressuscitado. Tão sobrepujante era a evidência que o apóstolo Paulo indicou que a negação da ressurreição significava a negação da fé cristã como um todo. Declarou: “Se, deveras, não há ressurreição dos mortos, tampouco Cristo foi levantado. Mas se Cristo não foi levantado, a nossa pregação certamente é vã e a nossa fé é vã. Além disso, somos também achados como falsas testemunhas de Deus, porque temos dado testemunho contra Deus, de que ele levantou o Cristo, a quem ele, porém, não levantou, se realmente é que os mortos não hão de ser levantados.” — 1 Cor. 15:13-15.
Tipos de Ressurreição
A ressurreição de Jesus Cristo, contudo, era mui diferente da de todos os outros restaurados à vida durante o primeiro século E. C., e antes. Ele passou pela mudança de natureza. A Bíblia nos conta que foi “morto na carne” mas “vivificado no espírito”. (1 Ped. 3:18) Apenas os escolhidos dentre a humanidade para ser regentes associados com ele partilham uma ressurreição como a dele — uma ressurreição para a vida espiritual imortal nos céus. A respeito destes, a Bíblia diz: “Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes a segunda morte não tem autoridade, mas serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele por mil anos.” — Rev. 20:6.
Observe que este tipo de ressurreição é chamado de “primeira ressurreição”. Por isso, deve haver ainda outra ressurreição, envolvendo os bilhões de humanos mortos que ficarão sob a regência de Jesus Cristo e seus reis-sacerdotes associados. Descrevendo esta posterior ressurreição como ele a viu numa visão, escreveu o apóstolo João: “O mar entregou os mortos nele, e a morte e o Hades [domínio da sepultura] entregaram os mortos neles.” — Rev. 20:13.
Mas, onde é que todas essas pessoas mortas serão ressuscitadas? Serão ressuscitadas para a vida na terra, como foram aqueles que os profetas hebreus, bem como Jesus e seus apóstolos, ressuscitaram. Que haverá uma ressurreição para a vida terrestre é também confirmado pelo que foi revelado a João sobre as condições transformadas que existirão na terra entre a humanidade. Lemos: “A tenda de Deus está com a humanidade . . . E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:3, 4.
Mas, poderia a remoção da morte dentre a humanidade apresentar indizíveis problemas de superpopulação da terra? Não. Por que não, Porque o propósito original de Deus era que a terra fosse cheia, e não superpovoada. (Gên. 1:28) Assim, podemos ficar tranqüilos de que Aquele que tem a habilidade de restaurar os mortos à vida não terá dificuldades em certificar-se de que esta terra continue a ser deleitoso lar para a humanidade.
O Que Será Ressuscitado?
Levantar pessoas dentre os mortos é deveras estupendo milagre. Visto que aquilo que os humanos são como pessoas parece estar inseparavelmente ligado a seus corpos físicos, muitos verificam ser difícil de entender como é possível a ressurreição. Na maioria dos casos, não resta nada do organismo físico da pessoa morta. O cadáver talvez tenha até sido cremado ou talvez devorado por aves, peixes ou animais. Assim, como podem os ressuscitados ser realmente as mesmas pessoas que morreram?
A criação de Adão torna claro que o que o tornara uma pessoa era o que Deus fizera. Os elementos dos quais Adão foi feito não tinham personalidade. No entanto, quando Jeová Deus energizou o corpo sem vida, composto dos elementos do solo, Adão tornou-se uma pessoa com personalidade distinta. A posse do espírito de vida que Deus colocou no corpo sem vida, quando o energizava, tornou Adão uma alma vivente. — Compare com Gênesis 1:21, 24 a respeito da “alma”.
O que torna os descendentes de Adão as personalidades que são não é a substância de que se compõem seus corpos, mas o estado hereditário transmitido dentro dessa substância — uma herança que consiste em qualidades, caraterísticas e aptidões que distinguem os seus possuidores de outros, como pessoas. Ademais, mesmo em vida, o corpo humano passa constantemente por mudanças. As moléculas que constituem o corpo duma pessoa hoje não são as mesmas que constituíam seu corpo há cerca de sete anos atrás. Todavia, embora suas substâncias sejam diferentes quanto às moléculas, a pessoa ainda é a mesma pessoa. Por quê? Porque os órgãos e caraterísticas físicas ainda’ estão presentes, apesar da mudança gradual das moléculas; até as impressões digiteis permanecem as mesmas.
É claro, então, que a ressurreição não depende da preservação das mesmas moléculas. A pessoa ressuscitada pode, com efeito, até mesmo ser de substância diferente, como é o caso dos ressuscitados para a vida espiritual nos céus. Sobre a ressurreição celeste, escreveu o apóstolo Paulo: “Aquilo que semeias não é vivificado a menos que primeiro morra; e, quanto ao que semeias, semeias, não o corpo que se há de desenvolver, mas o mero grão, seja de trigo ou de qualquer dos outros; mas Deus lhe dá um corpo assim como lhe agrada, e a cada uma das sementes o seu próprio corpo. . . . E há corpos celestes e corpos terrestres; mas a glória dos corpos celestes é de uma sorte e a dos corpos terrestres é de sorte diferente. . . . Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrução, é levantado em incorrupção. Semeia-se em desonra, é levantado em glória. Semeia-se em fraqueza, é levantado em poder. Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual.” (1 Cor. 15:36-44) No entanto, para que os ressuscitados sejam as mesmas pessoas, precisam ter a identidade pessoal de sua vida anterior.
Essa coisa intangível — as caraterísticas e as qualidades que fazem da matéria organizada uma pessoa distinta — cabe a Deus, e ele é capaz de colocar essa personalidade idêntica no corpo ressuscitado. É por isso que a pessoa ressuscitada não é simples réplica. É a pessoa idêntica, possuidora de toda caraterística mental e emocional que a faziam ser o que era antes de sua morte.
Isto explica por que Jesus disse a seus discípulos: “Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir . . . tanto a alma como o corpo.” (Mat. 10:28) Na verdade, os homens podem tirar a vida, fazendo com que o corpo se torne sem vida. Mas, não podem tirar o direito, dado por Deus’ de uma pessoa ser uma alma vivente. Não podem impedir que qualquer pessoa se beneficie das provisões de Deus de serem despertas do sono da morte. Só Deus pode cancelar a oportunidade de uma pessoa de viver de novo como alma. Quando isso se dá, tal pessoa acha-se totalmente destruída. Até mesmo se as moléculas idênticas que constituem o corpo da pessoa pudessem ser ajuntadas, estas não teriam valor algum sem o direito, dado por Deus, a que ela vivesse de novo. Só Deus pode fornecer essa necessária força de vida.
Assim sendo, a ressurreição dos mortos só é possível porque Deus existe. Ao passo que não fornece os pormenores, a Bíblia supre suficientes informações para se ter base para sólida fé na ressurreição. Poderá beneficiar-se pessoalmente desta maravilhosa esperança, tanto agora como no futuro. Como?
[Foto na página 9]
Que maravilha será quando os membros da própria família da pessoa voltarem dentre os mortos!
-
-
Como pode beneficiar-se desta esperança?Despertai! — 1976 | 8 de abril
-
-
Como pode beneficiar-se desta esperança?
QUEM diria que está em melhor situação — a pessoa que considera a morte como o fim de tudo ou aquele que tem a firme convicção de que os mortos serão ressuscitados?
A pessoa sem esperança não tem nada em que se apoiar. No máximo, poderá aguardar ter uns setenta ou oitenta anos de vida. Quando a morte assola sua família, não possui nada que lhe possa trazer conforto. Para ela, a perda é permanente. Talvez possa expressar condolências a outros enlutados, mas não pode apontar-lhes uma esperança encorajadora. Visto que ela mesma acha que não há esperança alguma para os mortos, talvez se veja tentada a fazer tudo que puder para manter-se viva, mesmo se isso resultar em dano ao seu próximo.
Mui diferente é o que acontece com aqueles que crêem no ensino bíblico sobre a morte e têm fé na promessa de ressurreição que ela apresenta. Sabem com certeza que todos no domínio da sepultura serão despertados do sono da morte. Tal conhecimento também as liberta dos temores suscitados pelos falsos ensinos sobre os mortos. Sabendo que os mortos estão inconscientes e não têm recordações, aqueles que crêem na Palavra de Deus não têm temores sobre os entes queridos mortos estarem sofrendo num lugar de tormento temporário ou permanente. Compreendem que os mortos não podem nem ajudá-los nem prejudicá-los, e, por conseguinte, são libertos de qualquer temor dos mortos.
Na verdade, se abraçar como sua a esperança de ressurreição, poderá beneficiar-se dela até mesmo agora. Caso a morte o prive de um amigo ou parente querido, sua convicção de que ele ou ela será ressuscitado à vida impedirá que dê lugar ao tipo de pesar sentido por aqueles que não têm tal esperança. Também conseguirá dar real conforto aos que sentem tristeza devido à perda de entes queridos.
A convicção de que há ressurreição salvaguarda a pessoa de viver apenas para o presente. Ao invés de a pessoa viver segundo o preceito de “comemos e betamos, pois amanhã morreremos”, a esperança de ressurreição servirá de incentivo para que a pessoa viva dum modo agradável a Deus. — 1 Cor. 15:32.
A fé no poder de Deus de levantar os mortos também liberta a pessoa do medo de ver sua vida encurtada por meios violentos. A Palavra de Deus indica que Jesus Cristo serviu de instrumento para emancipar “todos os que pelo temor da morte estavam toda a sua vida sujeitos à escravidão”. (Heb. 2:15) Por temerem ser executados, se não obedecessem as demandas dos superiores, através dos séculos muitas pessoas sacrificaram princípios e anuíram em coisas que sabiam ser erradas. Entretanto, a pessoa com fé inabalável na promessa bíblica de ressurreição não fere sua consciência deste modo. Não é a preservação duma consciência limpa outro excelente proveito que advém aos que crêem na ressurreição?
Além de obter benefícios agora, sua fé na habilidade de Deus de ressuscitar os mortos coloca diante do leitor a perspectiva de acolher os mortos ou de estar pessoalmente entre aqueles ressuscitados para a vida. Mas, estar entre os que presenciarão o cumprimento da esperança de ressurreição exige que satisfaça certos requisitos.
Nem todos os que morreram alcançarão a ressurreição dos mortos. Jesus Cristo indicou que não havia esperança para aqueles que pecaram contra o espírito de Deus. Disse: “Toda sorte de pecado e blasfêmia será perdoada aos homens, mas à blasfêmia contra o espírito não será perdoada. Por exemplo, quem falar uma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas quem falar contra o espírito santo, não lhe será perdoado, não, nem neste sistema de coisas, nem no que há de vir.” (Mat. 12:31, 32) Não havendo nenhum perdão possível para o pecado contra o espírito de Deus, todos que se tornarem culpados de tal pecado pagarão a plena penalidade por ele por permanecerem mortos para sempre.
Comparados aos bilhões que morreram, poucos dentre a humanidade tornaram-se culpados de uma prática deliberada do pecado que Deus considera como imperdoável. Ainda assim, o fato de que tal pecado é possível deve fazer com que se fique cônscio da tolice de correr riscos por desconsiderar deliberadamente as ordens de Deus. A fé na promessa de Deus de uma ressurreição dos mortos restringe a pessoa de cometer o pecado imperdoável, perdendo, destarte, a vida por toda a eternidade.
Vantagem Inicial
Há ainda outro benefício de se viver dum modo que reflita fé na esperança de ressurreição. Envolve ter uma vantagem inicial no caminho da justiça. Como pode ser isto?
A ressurreição “tanto de justos como de injustos” para a vida na terra dará a ambos os grupos a oportunidade de atingirem a perfeição como filhos de Deus. (Atos 24:15) Todos podem utilizar a ajuda que será dada pelo reino celeste às mãos de Jesus Cristo e seus regentes associados. A pessoa que serviu a Deus de todo o coração, antes de sua morte e ressurreição, verificará ser muito mais fácil submeter-se à regência de Jesus Cristo e seus associados. Por outro lado, quanto maior tenha sido a teimosia da pessoa em resistir à vontade de Deus, tanto mais difícil será que mude e progrida à perfeição.
Jesus Cristo indicou isso quando disse a seus concidadãos descrentes: “Homens de Nínive se levantarão no julgamento com esta geração e a condenarão; porque eles se arrependeram com o que Jonas pregou, mas, eis que algo maior do que Jonas está aqui. A rainha do sul será levantada no julgamento com esta geração e a condenará; porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, mas, eis que algo maior do que Salomão está aqui.” (Mat. 12:41, 42) Comentando sobre uma cidade que teimosamente se recusasse a prestar atenção à mensagem da verdade, disse Jesus: “No dia do Juízo será mais suportável para a terra de Sodoma e Gomorra do que para essa cidade.” — Mat. 10:15.
A ressurreição dos mortos, tanto justos como injustos, torna possível um Dia de Juízo, durante o qual os humanos podem mostrar se deveras desejam submeter-se ao reino de Deus por Cristo. No caso dos concidadãos de Jesus que ouviram sua pregação e testemunharam seus milagres, mas então o rejeitaram, isto será muito difícil. Terão que engolir seu orgulho, admitindo que estavam errados em rejeitar a Jesus como seu Messias. Certamente exigirá humildade deles submeter-se à regência daquele a quem não quiseram ter como rei.
Os habitantes de Sodoma e Gomorra, por outro lado, jamais tiveram a oportunidade concedida aos que viram as obras poderosas de Jesus Cristo. No caso deles, o orgulho e a teimosia não serão tão grandes obstáculos como para os judeus descrentes do primeiro século E. C. A melhor acolhida dos ninivitas ressuscitados e a da “rainha do sul” repreenderão a geração ressuscitada dos concidadãos de Jesus, que realmente o ouviram pregar e ensinar. No passado, os ninivitas dos tempos de Jonas e a ”rainha do sul”, nos seus dias, acolheram com favor o que os servos de Deus disseram. Por isso, será mais fácil para eles submeter-se ao reinado do rei escolhido de Deus, aquele para com quem nunca mostraram preconceito.
Similarmente, as pessoas hoje que voluntária e alegremente consideram o que a Palavra de Deus tem a dizer, e então a aplicam em suas vidas, verificarão ser muito mais fácil progredir durante o Dia de Juízo. Assim, o que as pessoas fazem agora pode influir em seu futuro eterno.
Quaisquer que se rebelem contra a regência divina depois de ser levantados dos mortos perderão a perspectiva de vida eterna. Provarão a “segunda morte”, da qual não é possível o recobro. A respeito da “segunda morte”, lemos em Revelação 20:14, 15: “Este significa a segunda morte, o lago de fogo. Outrossim, todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”
Considerando que a disposição orgulhosa e teimosa poderia levar a pessoa a perder a vida para sempre, deveríamos querer ter uma vantagem inicial no caminho da justiça. Quão triste seria se a pessoa perdesse a vida eterna por deixar de tirar proveito agora das oportunidades de cultivar qualidades excelentes — qualidades que tornariam mais fácil que cumprisse os requisitos de Deus durante o Dia do Juízo!
Mas, talvez pergunte: O que posso fazer para iniciar com vantagem o caminho da justiça?
-