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O que faz de alguém um cristão?A Sentinela — 1962 | 1.° de janeiro
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O que faz de alguém um cristão?
◆ Cada ano se contribuem milhões de dólares para a promoção da obra missionária em países não-cristãos. Milhares de pessoas, nas partes longínquas do globo, são convertidas para o cristianismo por meio dos benefícios materiais que recebem em resultado destas contribuições. Mas, são tais convertidos verdadeiramente cristãos? É correto o seu motivo para professar o cristianismo como a sua religião? É bastante forte para resistir num tempo de tribulação e prova? Um incidente noticiado no Journal de Otava, Canadá, em 28 de maio de 1960, lança luz sobre a resposta a estas perguntas.
◆ Certo médico missionário, numa região remota das ilhas Filipinas, observou numa ocasião um igorrote desconsolado sentado à beira da estrada. O pobre nativo parecia tão triste, que o médico parou e lhe perguntou o que tinha acontecido. O homem respondeu de modo desanimado que se sentia muito mal. O médico perguntou por quê. Quando o igorrote disse que o bispo vinha no dia seguinte, o missionário reconfortou-o e disse que o bispo era um bom homem e não faria mal a ninguém.
◆ O nativo concordou prontamente e disse calorosamente que gostava do bispo. “Então”, perguntou o médico missionário, “o que está errado?” “Quando ele esteve aqui a última vez”, veio a resposta, “ele me deu um chapéu e eu me tornei membro da Igreja Episcopal”. “Isso é bom. É uma boa religião”, assegurou-lhe o médico.
◆ O nativo começou a explicar, então, que pouco depois veio um sacerdote católico e lhe deu uma calça, e ele se tornou católico. “Bem”, disse o médico, “o catolicismo também é uma boa religião”. O nativo disse então tristemente que o sacerdote católico foi embora e que o bispo estava agora voltando, e que ele não queria que o bispo ficasse triste. O velhinho parecia tão triste ao pensar no seu problema, que o missionário lhe perguntou finalmente qual dos grupos ele escolheria. “Acho”, disse o nativo, “que vou devolver o chapéu ao bispo e a calça ao sacerdote e vou ser novamente pagão”.
◆ Isto talvez pareça como anedota humorística; salienta, porém, o seguinte fato desolador — que muitos aceitaram o cristianismo não por causa de apreciação sincera, mas por causa de sua popularidade e dos benefícios materiais, que traz. Isto se dá não só em países não cristãos, mas também entre os países que professam ser nações cristãs. Quando confrontados por uma situação similar, quantos dos atuais cristãos se pareceriam com o velho igorrote, que queria devolver o chapéu e a calça, e simplesmente ser de novo pagão?
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1962 | 1.° de janeiro
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Perguntas dos Leitores
● Quando Deuteronômio 22:5 diz que a mulher não deve usar traje de homem, significa isso que as mulheres não devem usar “slacks”, ou seja, calça comprida? — J. P., Pensilvânia, EUA.
Deuteronômio 22:5 reza: “A mulher não trará traje de homem, nem o homem vestirá o vestido de mulher, porque aquelle que faz estas cousas é abominavel a Jehovah teu Deus.” Este texto certamente não foi registrado com a idéia de impedir as mulheres atuais usarem calça comprida. Os homens não usavam calças compridas quando isto foi registrado, mas usavam o que hoje seria considerado como vestido. De fato, em várias partes do Oriente os homens é que usavam vestes semelhantes a vestidos e as mulheres é que usavam calças tipo pijama, de vários estilos. Portanto usar “slacks” ou mesmo calças de trabalho, como se faz na fazenda, não é proibido pelo texto mencionado, e é um assunto particular. As mulheres podem usar de bom juízo quanto à ocasião e o lugar, e quanto a que é considerado como próprio na região onde residem. Em algumas partes, onde o inverno é rigoroso, muitas mulheres usam calças ou trajes de esqui, ou outra vestimenta similar, que cobrem e protegem suas pernas. Isto não é biblicamente errado.
Em Deuteronômio 22:5, a Bíblia não está tratando da moda, nem se preocupa com os figurinos, mas ela proíbe ali aparentemente que as pessoas de um sexo usem a roupa do sexo oposto com o fim de enganar, para dar-se a aparência de ser do sexo oposto, para ocultar os fatos verdadeiros. Os homens não devem enganosamente vestir-se como mulheres, para ocultar o fato de que são homens, nem devem as mulheres procurar vestir-se com roupa de homens, para ocultar o fato de que são mulheres. Para ser mais especifico, a Bíblia parece aplicar um golpe contra o pecado da sodomia. Era uma vergonha que os cabelos da mulher fossem cortados iguais aos dum homem, e era uma desonra, se o cabelo do homem fosse deixado crescer como a duma mulher. (1 Cor. 11:6, 14) A mulher não devia parecer masculina, por ter o cabelo cortado igual ao dum homem ou por usar roupa igual à do homem. Isto poderia sugerir aos outros que ela estava disponível para abusos desnaturais do sexo. O mesmo se aplicava ao homem. Se ele usasse cabelo comprido igual à mulher ou se vestisse igual à mulher, certamente teria aparência efeminada e pareceria acessível a propostas desnaturais de homens. Portanto é este significado mais profundo referente à sodomia, e não a mera troca de roupa em si mesma, que lança a proibição sobre esta prática e a faz merecer a sentença severa: “Aquelle que faz estas causas é abominavel a Jehovah teu Deus.”
● Por que difere a Tradução do Novo Mundo das outras traduções no texto de Juízes 16:28, dizendo: “Senhor Jeová, lembra-te de mim, por favor, e fortalece-me, por favor, só esta vez, ó Deus, e deixa-me vingar-me dos filisteus com vingança por um dos meus dois olhos.” — E., B., Estados Unidos.
A nota marginal da Tradução do Novo Mundo mostra que a Versão dos Setenta e a Vulgata rezam de modo diferente, como se Sansão orasse pedindo uma vingança pelos seus dois olhos. Esta é também a idéia expressa pelas versões católicas romanas e pela Versão Almeida. No entanto, a tradução “deixa-me vingar-me dos filisteus com vingança por um dos meus dois olhos” é a tradução literal do original hebraico e é a tradução adotada por versões modernas tais como a Normal Revisada em inglês e a “edição revista e atualizada no Brasil” da tradução de Almeida. Até mesmo a Versão Brasileira verte o texto deste modo. E a nota marginal da Emphasised Bible de Rotherham diz: “P. B. [Polychrome Bible] (Moore): ‘vingar-me . . . por um dos meus dois olhos’.”
A idéia de Sansão era que mesmo o dano que pudesse causar aos filisteus por derrubar o templo de Dagão sobre a cabeça dos adoradores de Dagão não compensaria plenamente a perda de ambos os seus olhos, mas apenas de um deles, falando-se em sentido relativo. Como diz a nota marginal sobre este versículo nos livros Soncino da Bíblia: “O texto pode ter uma tradução mais eficaz: ‘a vingança por um dos meus dois olhos’. Ele acha que a vingança que pretende tomar será apenas parcial, mas é tudo o que pode conseguir nas circunstâncias.”
● Em que autoridade se baseia o uso da expressão “sacerdotes que praticavam magia”, na Tradução do Novo Mundo, nos livros de Gênesis, Êxodo e Daniel? Não encontro outra tradução que use esta expressão. — L. B., Estados Unidos.
A palavra hebraica traduzida “sacerdotes que praticavam magia”, em Gênesis, Êxodo e Daniel, como, por exemplo, em Gênesis 41:8, é hhartumim’. Esta palavra é definida pelo Lexicon in Old Testament Books de Koehler e Baumgartner, Volume I, página 333, coluna 1, como “epíteto para os sacerdotes que praticavam magia”, mostrando a antiga derivação da palavra. Sugere também que se verta a palavra nas traduções como “sacerdotes prognosticadores”. Este léxico foi publicado na inteireza em 1851.
Portanto, esta maneira de verter a palavra pela Tradução do Novo Mundo é tanto literal como explícita, em harmonia com o fato de que se trata duma versão literal.
● Há alguma objeção à celebração de aniversários de casamento? — I., S., Estados Unidos.
Nos tempos antigos, os aniversários natalícios estavam associados com a astrologia. Não resta dúvida de que é por esse motivo que as Escrituras dizem que só os pagãos é que os celebravam. Todavia, não há nada nas Escrituras em apoio da celebração do aniversário de casamento de alguém, para torná-la obrigatória. O casamento é algo que deve ser lembrado diariamente pelos casais, no que diz respeito às suas obrigações. Naturalmente, o dia do casamento é uma ocasião alegre — fato que Jesus reconheceu por comparecer às bodas de Caná. Quando o casamento é bem sucedido, é só natural o casal lembrar-se anualmente de tal evento feliz. Com efeito, isto pode contribuir para fortalecer a relação matrimonial. — João 2:1-11.
Fica ao critério dos que estão envolvidos decidir quais arranjos devem ser feitos para marcar o aniversário e até que ponto devem estes se estender, embora seja bom observar que nisso também se aplica a regra: “Quer comais, quer bebais, quer façais alguma outra coisa, fazei todas as coisas para a glória de Deus.” — 1 Cor. 10:31, NM.
● Habacuc 3:3 reza: “Deus vem de Teman, e do monte de Paran o Santo.” Isto tem sido usado como argumento para mostrar donde Deus veio. É este o entendimento certo deste texto? — J. F., Estados Unidos.
Não, absolutamente não é assim. Jeová Deus não é representado como procedendo de Temã no sentido de se originar de lá, ou de que esse fosse o lugar de sua morada. Jeová Deus é sem origem, nem da terra nem do céu. Ele é “de tempo indefinido a tempo indefinido”. A sua morada, porém, se acha nos céus: “O céo é o meu throno.” — Sal. 80:2, NM; Isa. 66:1.
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