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  • As mulheres inundam o mercado de trabalho
    Despertai! — 1978 | 22 de abril
    • As mulheres inundam o mercado de trabalho

      CASO perguntasse a uma jovem, da geração passada, o que queria ser quando crescesse, ela talvez respondesse: “Quero ser mãe.” Hoje em dia, nos Estados Unidos, se propusesse a mesma pergunta, é mais provável que a resposta fosse: “A presidenta”, ou, “Astronauta e também ser mãe.”

      Costumava acontecer que as mulheres que tinham filhos pequenos e que trabalhavam num serviço secular eram tidas como dignas de pena ou eram criticadas. Mas houve tamanha mudança de atitudes que cada vez maior número de mulheres agora pedem desculpas caso sejam “apenas dona-de-casa.”

      Mais de 47 por cento de todas as mulheres adultas nos EUA agora trabalham fora, e os índices aumentam rapidamente. As mulheres constituem cerca de 40 por cento da força trabalhadora dos EUA. Apenas em 1976, um grande grupo novo de 1,5 milhão de mulheres saiu de casa e obteve um emprego.

      Este dilúvio de mulheres no mercado de trabalho surpreende os economistas e os calculadores do Ministério do Trabalho dos EUA. Chamaram a isto de “extraordinário” e de “o fenômeno mais notável, de per si, em nosso século”. Não se esperava que as mulheres constituíssem mais de 40 por cento da mão-de-obra, pelo menos até 1985.

      Em outros países a situação é similar. Na Bélgica, uma autoridade do Ministério da Saúde lançou a culpa pelo anunciado aumento de piolhos, pulgas e baratas sobre as mulheres que trabalham fora. “O homem e sua esposa com freqüência saem juntos para o trabalho, de manhã”, disse ele, “e não raro estão cansados demais para começarem a limpar a casa quando retornam, à noite”.

      Em Israel, há mulheres que servem quais instrutoras de exercícios no exército. “Isso aumenta a motivação dos homens”, explica uma delas, pois “quando concluo uma corrida de mais de três quilômetros à frente de meu pelotão, ninguém desiste”.

      O que surpreende os observadores dos EUA não é apenas o número de mulheres que, de súbito, desejam trabalhar, mas também a idade das mulheres. Nos últimos dois anos, em especial, os aumentos mais notáveis ocorreram entre mulheres na faixa etária de 25 e 44 anos, a faixa que, tradicionalmente, fica em casa para criar sua família. Muitas destas mulheres preferem trabalhar fora, não porque não possuem maridos para sustentá-las, mas porque preferem trabalhar fora a “serem simples dona-de-casa”.

      Um Pêndulo Que Oscila

      Recentes padrões de mulheres no mercado de trabalho têm sido parecidos a um pêndulo oscilante. Antes da Primeira Guerra Mundial, as mulheres raramente trabalhavam fora, e, daí, em geral, apenas em serviços considerados adequados para mulheres. Até mesmo a datilografia e o secretariado eram tidos estritamente como trabalho para homem, até fins da década de 1880. Mas a mão-de-obra necessária na Primeira Guerra Mundial conduziu as mulheres, em grande número, a esse mercado. Daí, no colapso econômico de 1929, as mulheres foram as primeiras a ser demitidas, na onda de desemprego que varreu as nações.

      A Segunda Guerra Mundial, até com maior dramaticidade, conduziu as mulheres, em números recordes, à força operária dos EUA. Realizaram todos os tipos de trabalho antes considerados apropriados só para homens, produzindo grande parte do material bélico. “Rosie, the Riveter” (Rosinha, a Rebitadeira, símbolo da mulher-macho), tornou-se uma heroína nacional daqueles dias. Mas, chegada a paz, grande número de mulheres retornaram de novo para o lar, à medida que as fábricas de armamentos fecharam e as mulheres foram despedidas, para dar lugar aos milhões de combatentes que retornavam.

      Muitas mulheres ficaram felizes de voltar ao lar, e o espírito daquele país se transformou preponderantemente daquele em que se encorajavam carreiras seculares para as mulheres. O período de guerra, com números recordes de trabalhadoras — cerca de 37 por cento de todas as mulheres — foi substituído pelo mais alto índice de casamentos e de nascimentos de filhos do século vinte. Mas, a partir mais ou menos de 1950, o número de trabalhadoras começou a ascender de novo, e, em 1962, já tinha retornado aos 36 por cento, pouco abaixo do nível recorde da Segunda Guerra Mundial; e, agora, situando-se a mais de 47 por cento, continua a subir vertiginosamente

      Isto suscita uma questão ardentemente debatida: Qual é o lugar das mulheres? No lar? Num emprego? Ou em ambos? Mas, antes de considerarmos isto, examinemos as razões pelas quais as mulheres entram em tão grandes números no mercado de trabalho.

  • Por que as mulheres procuram emprego
    Despertai! — 1978 | 22 de abril
    • Por que as mulheres procuram emprego

      OS SOCIÓLOGOS citam várias razões pelas quais as mulheres procuram emprego fora do lar. A mulher moderna, em especial, simplesmente tem menos que fazer no lar do que tinha sua bisavó. Com vida mais longa, menos filhos, mais aparelhos que economizam trabalho, e novos alimentos acondicionados, a mulher moderna pode verificar que, aos 35 anos, seu filho caçula já está na escola e ela fica imaginando como preencher as horas dum dia.

      Para muitas mulheres, trabalhar fora depois que todos os filhos estão na escola, ou já estão crescidos, tornou-se uma solução. Em resultado, por volta de 1962, a idade média das trabalhadoras nos EUA era de 41 anos, em comparação com os 26, em 1900, e os 37, em 1950.

      O avolumante índice de divórcios — apenas nos EUA mais de um milhão de mulheres se divorciam anualmente — também lança as mulheres no mercado de trabalho. Não raro, elas têm de trabalhar para viver. Recente estudo mostrava que as pensões para os filhos, exigidas pela justiça, mesmo quando pagas fielmente, em geral constituem menos da metade do custo real de sustento dos filhos. Isto ajuda a explicar por que as mulheres separadas e divorciadas constituem ali agora quase duas de cada três mulheres da força trabalhadora.

      Ademais, ao verem amigas, vizinhas e até os pais se divorciarem, muitas mulheres modernas ficam imaginando se não seria mais prudente pensar na possibilidade de que elas, também, talvez mais tarde em sua vida, tenham de sustentar a si mesmas. Será realístico, talvez indaguem as mulheres, contar com um homem para nos sustentar a vida inteira? Assim, o trabalho por todo o casamento é encarado pela mulher como forma de seguro contra a situação de se encontrar, aos quarenta anos, divorciada e com filhos para sustentar, e sem qualificação profissional ou referências empregatícias em que apoiar-se.

      Outro motivo de muitas senhoras casadas procurarem emprego é suplementar o pagamento do marido. Com alta taxa de inflação, algumas famílias precisam do dinheiro extra para suas necessidades. Outras simplesmente querem obter coisas luxuosas que a família não poderia adquirir de outra forma, ou melhorar o padrão de vida até um nível que o marido, sozinho, não poderia manter.

      Se o trabalho do marido for sazonal, ou sujeito a despesas periódicas, a renda do emprego da esposa pode fornecer estabilizador suporte econômico, ajudando a família a atravessar épocas difíceis. Isto é o que ocorre especialmente, visto que a maioria das mulheres trabalham em profissões que oferecem serviços, menos prováveis de ser duramente atingidas pelo desemprego do que os campos tradicionalmente dominados pelos varões, tais como a construção e a manufatura.

      Influência Dominante

      Ao passo que os fatores supracitados contribuem para que muitas mulheres obtenham emprego, o movimento de libertação feminina, pelo que parece, é grandemente responsável por tal tendência. Os conceitos trazidos a lume pelo movimento têm motivado muitas mulheres, até mesmo as que não têm vínculos diretos com ele, a demonstrarem sua dessatisfação com os trabalhos domésticos e procurarem a identidade e a independência pessoais. Desejam envolver-se num mundo que vá além de sua própria família.

      Para algumas mulheres, o próprio casamento parece que já era, não sendo mais uma instituição viável no mundo moderno, com sua nova moral. Também, números crescentes de mulheres repudiam seu papel tradicional—o de criar os filhos pequenos. A taxa de nascimentos dos EUA acha-se no nadir de todos os tempos, baixando de 3,7 filhos por família, em 1957, para 1,8, em 1975, a tendência sendo de se reduzir dramaticamente em 1976-77.

      Ao passo que nos anos 50 as mães tinham a tendência de ficar em casa, com os filhos recém-nascidos e em idade pré-escolar, antes de entrarem na força trabalhadora, muitas das mulheres hodiernas não desejam esperar. A vida de dona-de-casa e de mãe, com seu grau de isolamento e sua ênfase sobre servir a outros, parece, para muitas mulheres, estar ultrapassada, ser enfadonha e limitativa.

      “Depois que minha primeira filha nasceu, achei que a tinha dado à luz e que eu mesma morrera”, afirma uma jovem mãe de dois filhos, formada por uma universidade, que estava acostumada a trabalhar fora. “Isso foi o meu fim como pessoa independente, com vínculos com o mundo exterior.”

      Esta senhora achou deprimente o ajuste para se tornar uma dona-de-casa e mãe de tempo integral. “Decidi voltar ao trabalho, depois que descobri que vivia comprando revistas de senhoras, com artigos sobre coisas a fazer para poupar dinheiro”, disse ela. “Compreendi que podia ganhar mais dinheiro por ter um emprego.” Assim, deixando suas duas filhinhas, uma com apenas alguns meses, aos cuidados duma doméstica, ela voltou a trabalhar fora.

      O conceito de que ser dona-de-casa é “o mais baixo de tudo” no que tange ao status, tem movido muitas mulheres a procurar emprego. “Se a gente fica em casa, os outros pensam que é porque a gente é burra demais para ter um emprego”, explica uma jovem senhora. Mais maridos, também, instam com a esposa para que arranjem um emprego. Um deles incentivou a esposa relutante a voltar a trabalhar fora, pouco depois de ela ter seu primeiro filho. Por que?

      “Parcialmente por egoísmo da minha parte”, afirma ele. “Não gosto de voltar para casa e ouvir dizer que dobrou o preço das cenouras.” Receia que, com o tempo, sua esposa o entedie, caso fique em casa. “Penso na mãe dela”, explica ele. “Ela, de início, era uma mulher inteligente, mas, agora, não consigo lembrar-me de ouvi-la dizer algo levemente interessante. Ela jamais fez outra coisa senão cuidar da casa, e o resultado é que a mente dela está agora entorpecida. Não quero que minha esposa fique assim. A maioria das coisas que minha esposa faz ao cuidar do bebê são estritamente mecânicas — como cozinhar o alimento, e misturá-lo e amassá-lo, etc. Pode-se ter orgulho numa tarefa bem realizada, mas não acho que isso é muito divertido ou muito interessante.”

      Uma comparação entre duas enquêtes revela o efeito de tais atitudes para com o papel tradicional das mulheres. Na enquête realizada na década de 60, antes do movimento feminino exercer tamanho impacto sobre a mulher mediana, 72 por cento das mulheres entrevistadas disseram que realmente gostavam de seu trabalho como donas-de-casa. A maioria delas até mesmo apreciava, ou realmente não se importava, os serviços definidos como enfadonhos, tais como limpar a casa. Mas numa enquête recente, apenas a metade das mulheres entrevistadas disseram que os trabalhos domésticos só lhes ofereciam “prazer ocasional”.

      Mas o que acham as mulheres casadas e as mães, que assumem responsabilidades de ter um emprego e cuidar duma casa? Será que isto lhes traz satisfação e felicidade?

      [Foto na página 5]

      As mulheres exigem igualdade

  • Os problemas das mulheres que trabalham fora
    Despertai! — 1978 | 22 de abril
    • Os problemas das mulheres que trabalham fora

      AS MANCHETES amiúde falam de mulheres que têm empregos lindos e que pagam muito bem, que antes eram exclusivamente dos homens. Algumas delas tornaram-se presidentas de países, ministras de Estado, telejornalistas de destaque, corretoras da bolsa de valores, etc. Todavia, continua verdadeiro que a ampla maioria das mulheres detêm empregos de baixa renda, serviços de baixo status, tendo pouquíssimas oportunidades de progresso.

      A realidade é que, apesar das vitórias legais e das leis federais que proíbem a discriminação contra as mulheres nos empregos, o quadro profissional parece estar piorando para as mulheres que trabalham fora, e não melhorando. “Progresso? Que progresso?” admitiu a Organização Nacional das Mulheres (sigla NOW), em 1976. “Estamos retrocedendo. As coisas nem sequer continuam as mesmas.”

      Recentes estatísticas governamentais, dos EUA, mostram que a lacuna entre o que o homem e a mulher medianos ganham está-se ampliando, e não reduzindo, nos últimos vinte anos. Mais de 80 por cento de todas as mulheres que trabalham fora, nos EUA, ganham menos de US$ 10.000 (cerca de Cr$ 170.000,00) por ano, ao passo que apenas 38 por cento de todos os homens ganham isso. Segundo o Departamento de Recenseamento dos EUA, algumas bacharelas de universidades só ganham 60 por cento do que vencem os bacharéis. Ademais, um estudo feito por uma organização de pesquisas de Nova Iorque revelava que mais de dois terços do aumento dos empregos de mulheres, entre agora e 1985, seriam em modestos empregos de escriturárias, e que os salários continuariam bem abaixo dos salários dos homens.

      O que tudo isso significa é que a mulher que espera encontrar um serviço excitante, de salário suficientemente alto, a fim de obter independência financeira, com muita probabilidade ficará desapontada. Seu serviço não só será, provavelmente, de natureza mecânica e braçal, mas também, se ela pagar a alguém para cuidar de seus filhos, enquanto ela trabalha fora, talvez mal consiga equilibrar suas finanças, se conseguir. Pois usualmente há outros custos: o transporte, os almoços fora de casa, o vestuário para quem trabalha fora, alimentos acondicionados, de preço mais elevado, lavanderia, idas ao cabeleireiro —tudo o que poderá consumir grande parte do que ganha.

      Problemas no Serviço

      Ademais, o ambiente de trabalho com freqüência poderá exigir demais dos nervos da mulher. Muitas não gostam das maledicências, da politicagem no emprego, da competição e, às vezes, da desonestidade do mundo dos negócios em que um “cão come o outro”. Nem é o clima moral sempre edificante. Muitas mulheres experimentam o assédio sexual no emprego, da parte de colegas ou dos patrões.

      O Programa de Assuntos Humanos de Cornell realizou uma enquête sobre este assunto, e verificou que 92 por cento das mulheres entrevistadas achavam que o assédio sexual no emprego era um problema grave, e um total de 70 por cento disseram que o tinham sofrido pessoalmente. A enquête revelava que o assédio sexual, que definiram como constantes olhares cobiçosos e insinuantes, apertos e beliscões, esfregadas contínuas no corpo da mulher, propostas sexuais, apoiadas por ameaças de perda de emprego, e, em casos extremados, até mesmo relações sexuais a contragosto, ocorreram em todas as categorias de trabalho, idades, condições matrimoniais e faixas de salários.

      Que Dizer do Lar?

      Outro problema de muitas mães que trabalham fora é que seu emprego as deixa esgotadas. Todavia, quando chegam em casa, há ainda muitas coisas para cuidar Em muitos casos, assumirem cargas extras de trabalhar fora de casa não resulta em o marido oferecer-se para ajudar em casa, assim como não faziam antes de sua esposa começar a trabalhar fora.

      À guisa de exemplo, considere uma enquête feita entre médicas da área de Detroit, Michigan, em 1976. Mostrava que, além de médicas de tempo integral, três de cada quatro destas senhoras cozinhavam, faziam compras, cuidavam dos filhos e das finanças de toda a sua família Dois terços delas tinham alguma ajuda doméstica, um ou dois dias por semana, na lavagem de roupas e na limpeza, mas o terço restante até mesmo fazia todos os seus próprios trabalhos domésticos

      A energia exaurida de tal mulher pode constituir grave problema se ela tentar levar por muito tempo essa carga sobre-humana. As mulheres que tentaram fazer isso admitiram francamente que, de forma inevitável, sofrem as tarefas domésticas. Certa mãe que trabalhava fora admitiu que agora remove as toalhas da secadora e literalmente as joga no armário para poupar tempo de dobrá-las. Outra disse que o marido dela costumava queixar-se se ela não passava seus lenços; agora que ela trabalha fora, ele já se contenta quando ela os retira da secadora e os coloca na gaveta dele.

      Que Acontece aos Filhos?

      Embora muitos maridos, hoje em dia, talvez se disponham a desperceber grande parte do que, certa vez, esperavam da esposa, há outro assunto que as mães que trabalham fora acham difícil de enfiar embaixo do tapete—as necessidades de seus filhos. Talvez argumentem que o que conta é a qualidade do tempo gasto com os filhos, e não a quantidade, e há verdade nisso. Todavia, a mãe que trabalha fora talvez fique tão exausta que sofram tanto a quantidade quanto a qualidade de tempo junto dos filhos.

      Reconhecendo este problema das mães que trabalham fora, os autores dum livro que incentiva as donas-de-casa a trabalhar fora oferece a seguinte sugestão a elas, quando chegam em casa, sendo então cumprimentadas pelos filhos, que desejam lhes contar como passaram o dia: “Diga àqueles adoráveis rostinhos, cheios de covinhas, que cerrem os lábios enquanto a mamãe passa uns 15 minutos a sós, no quarto dela, para fazer a transição, recompor-se, mudar de roupa, e talvez tomar um rápido martini. Tranque a porta, se tiver de fazê-lo, porque, no que nos diz respeito, trata-se duma parte importantíssima da tabela de qualquer mãe que trabalha fora.”

      O problema deste conselho é que a mãe que trabalha fora talvez descubra, como algumas, que na ocasião em que ela está pronta para receber seus filhos, eles já podem ter-se afastado dela. Seu precioso fervor de partilhar com a mãe as coisas que lhes são importantes já se desvaneceu, sendo substituído por uma barreira silenciosa.

      Certo psiquiatra, especialista em conflitos emocionais das mulheres de carreira, afirma que os filhos não apreciam que sua mãe trabalhe fora, ponto final. “Ao passo que as crianças raramente se queixam sobre o‵ pai estar longe de casa, elas expressam livremente sua ira por sua mãe estar longe”, afirma ele. “A mãe, acham elas, devia ser só delas.”

      Este psiquiatra afirma que as mulheres de carreira, devido ao movimento de libertação feminina, tornaram-se intolerantes para com qualquer tipo de dependência. “Para as que têm filhos”, afirma, “isso significa que esperam que seus filhos cresçam, assim que nascem. Desejam que os filhos sejam mais parecidos a elas mesmas, engenhosos e independentes. E os filhos não estão preparados para tal.”

      Nem são os filhos pequenos os únicos que carecem de atenção, como aponta certa mãe e dona-de-casa, que tem dois filhos já crescidos e um de 16 anos que ainda mora em casa. “É preciso estimular os filhos”, afirma ela, “realmente mostrar que se interessa por eles, naquilo que aconteceu a eles naquele dia. Eles não se oferecerão para contá-lo. E, se não estiver em casa para palestrar com eles sobre tais coisas, irão encontrar outra pessoa para fazer confidências. Como é que irá saber se eles não irão resolver confiar em alguém imoral ou imaturo?”

      Esta mãe prosseguiu dizendo: “Duas jovens da vizinhança, cujas mães trabalham fora, amiúde vêm-nos visitar depois das aulas, até que haja alguém em sua casa. Elas me contam coisas que jamais contam às suas mães. Quando sugiro que elas o façam, dizem que suas mães estão ocupadas demais para lhes dar atenção.”

      O Problema do Êxito

      Algumas mulheres tornaram-se verdadeiramente bem sucedidas no mundo dos negócios. Ganham muito dinheiro, exercem considerável influência e são respeitadas pelos seus parceiros comerciais. Mas, seu trabalho não raro exige horas extras e até viagens. Para a mãe, isto significa ausentar-se não só dos filhos, mas também de seu marido. Todavia, deixar de fazer horas extras e viajar pode significar a perda de seu emprego.

      Uma executiva da Bolsa de Valores dos EUA, um emprego tradicionalmente classificado como ‘só para homens’ até recentemente, precisa viajar mais de 30 por cento de seu tempo. Ela também possui duas filhinhas gêmeas. Qual é a sua solução? Ela tem uma doméstica nas horas diurnas, e, quando viaja, seu marido banca a babá depois que volta do serviço. Quando viaja, seu dia de trabalho é das 6 da manhã às 23 horas — um horário que exclui ser mãe, mesmo que estivesse fisicamente junto de suas filhas.

      Assim, para uma verdadeira “mulher de carreira”, o lar e a família têm de se tornar secundários, porque, como aponta a antropóloga Margaret Mead: “O cuidado contínuo dos filhos pequenos, do marido, e ser uma dona-de-casa, usualmente é incompatível com o seguir uma carreira de forma exclusiva. O estilo de vida da boa esposa e mãe se contrasta agudamente com o duma boa cientista, artista ou executiva.”

      Tentativas de misturar uma carreira externa e os cuidados duma família não raro resultam desastrosas. Explica uma mulher cujo casamento se rompeu: “Meu trabalho quase que se tornara um amante para mim. Quando digo que minha carreira tem primazia em minha vida, é porque ela é mesmo minha vida.”

      Todavia, até mesmo as mulheres que trabalham fora e que não se interessam em seguir uma carreira, precisam reconhecer quão profundamente um emprego pode influir em seu relacionamento conjugal. Certa senhora que, depois de vinte anos de casada, voltou a trabalhar, observa: “Acho que Luís sente muito a minha falta em casa . . . E agora fico como que irritada quando o ouço dizer: ‘Ajude-me a arrumar minha mala.’ Penso: ‘Arrame você mesmo sua própria mala!’ Jamais me sentia assim. Sempre tinha prazer em ajudá-lo, porque achava que esse era meu papel.”

      Isto nos leva de volta à questão: Qual é o lugar da mulher? No lar? Num emprego? Qual é seu papel correto?

  • Deve a mulher trabalhar fora . . . ou não?
    Despertai! — 1978 | 22 de abril
    • Deve a mulher trabalhar fora . . . ou não?

      TRADICIONALMENTE, o lugar da mulher tem sido o lar, e não trabalhando num emprego fora dele. No passado, havia muita coisa para ela fazer no lar, conforme se dizia: “O homem trabalha de sol a sol, mas o trabalho da mulher nunca termina.”

      Alguns argumentam que o lugar das mulheres ainda é em casa, embora, em muitos lugares, a situação mudou dramaticamente. Para exemplificar: Em mais de 47 por cento dos casamentos, nos EUA, tanto o marido como a esposa têm empregos.

      Mesmo as esposas com filhos amiúde trabalham fora. Com efeito, nos EUA, cerca da metade das esposas com filhos de menos de 18 anos têm seu emprego. E cerca de um terço das que têm filhos em idade pré-escolar trabalham fora. Comumente, agora, creches diurnas cuidam dos filhos pequenos.

      Apontando a tremenda mudança, relata o Ministério do Trabalho dos EUA: “O conceito duma família, em que o marido é o único arrimo, a esposa é a dona-de-casa, ficando fora da força operária, e em que há filhos, poderá ser útil para fins ilustrativos, mas não representa a família típica estadunidense dos meados da década de 70.”

      É desejável tal situação? É melhor que a mulher tenha seu emprego? Que dizer se ela é casada e tem filhos?

      Quando Trabalhar Fora Talvez Seja Necessário

      Muitas mulheres hoje precisam trabalhar fora do lar. Exemplificando, milhões são divorciadas ou separadas dos maridos; algumas têm filhos a sustentar. Ter um emprego talvez seja o único modo de poderem custear suas desposas. Muitas outras mulheres são solteiras, talvez esperando casar-se, e estas não raro têm de ter um emprego para se sustentar. Mas, que dizer das mulheres que possuem marido e, talvez, filhos?

      Com a inflação galopante, muitas delas, também, talvez precisem trabalhar. O marido talvez não consiga ganhar o suficiente para sustentar sua família. (Tia. 5:4) Assim, talvez se exija que sua esposa obtenha um emprego fora do lar. Mas, existem muitas famílias, hoje em dia, que precisam realmente de dois provedores?

      Alguns acham que sim. Em 1970, segundo um panfleto de Assuntos Públicos dos EUA: “Cerca de 21 milhões de mulheres trabalham porque elas e suas famílias precisam do dinheiro para viver, para alimentar-se, vestir-se, e para sua habitação.” Adicionava o autor: “Estas estatísticas deveriam demolir o mito, em que alguns ainda crêem, de que significativo número de mulheres deste país só trabalham porque desejam trabalhar, ou porque desejam dinheiro extra.”

      Sem dúvida, algumas mães que têm dependentes, mesmo também as que possuem marido, precisam trabalhar a fim de ajudar a pagar as despesas da vida. E o que tais mulheres fazem está de acordo com o propósito de Deus, de que a esposa seja “ajudadora” do marido. (Gên. 2:18) Mas, uma séria pergunta que o marido e a esposa devem considerar juntos—especialmente se tiverem filhos—é se a esposa realmente precisa trabalhar fora.

      Precisam as Mães Realmente Trabalhar Fora?

      Trata-se, deveras, duma pergunta importante, porque os filhos precisam muito mais de suas mães do que muitas delas discernem. Nosso Criador fez as mulheres de modo que pudessem ter filhos. Mas fez mais do que isso. Também instituiu o casamento e o arranjo da família, equipando as mães para amamentar e dar aos filhos pequenos os cuidados tenros de que eles necessitam. (Mat. 19:4-6; 1 Tes. 2:7) Se os maridos e as esposas avaliarem plenamente isto, talvez ajustem seu modo de vida, a fim de que a mãe possa ficar em casa com os filhos.

      Uma jovem, rememorando, pensa taxativamente que poderia ter alegremente passado com menos coisas materiais se pudesse ter tido a orientação e a associação mais de perto com sua mãe. Essa jovem explica:

      “Depois que saí de casa, tive como colega de quarto uma jovem criada numa família muito mais pobre, e ela realmente me ensinou a diferença entre o que a pessoa deveras necessita e o que ela pensa que precisa. Ela ficava contente de comer feijão e tortilhas e em usar roupas de segunda mão. Eu não estava acostumada a isso. Ela me ensinou a ser mais parcimoniosa, e me fez compreender que minha família tinha gasto mais dinheiro do que realmente precisávamos ter gasto.

      “Talvez, se nos tivéssemos satisfeito com menos, em sentido material, minha mãe poderia ter ficado em casa. Duas de minhas irmãs se meteram em sérias dificuldades —uma delas tomava tóxicos. Eu apenas ficava imaginando: O que aconteceria se houvesse alguém em casa, que soubesse o que minha irmã fazia? Essas gurias ficam expostas ao mundo o dia todo, na escola. Como podem os pais contrabalançar tudo isso, se não estão em casa para conversar com elas, de modo natural, enquanto fazem as coisas juntas, tais como assar ou seja lá o que for?”

      Isto é algo em que os pais devem pensar seriamente. Há mais jovens que se metem em dificuldades, nos dias atuais, e, sem dúvida, grande fator contribuinte é que suas mães estão ausentes, trabalhando fora do lar. Uma senhora, que tinha um emprego interessante de jornalista, explica: “Eu não era uma feminista militante, mas seguia a linha do movimento feminino, de que qualquer emprego era mais importante do que cuidar dos filhos. Isso era supostamente enfadonho.” Todavia, esta senhora deixou seu emprego para cuidar do seu filho e, depois dum período de ajuste, prefere agora ser dona-de-casa.

      Embora nem todas as mães talvez possam deixar por completo de trabalhar fora, talvez possam ceder um pouco e obter um emprego temporário. Deste modo, poderão estar ausentes de casa apenas quando os filhos jovens estão na escola. Sugere-se que as mulheres que procuram serviços temporários experimentem as firmas pequenas, organizações não-lucrativas, bancos, lojas, firmas de preparação das declarações do imposto de renda, agências temporárias, e qualquer firma que contrate grandes números de mulheres.

      Decida o Que Fazer

      Significa isso que, se a esposa não tem filhos, ela deva obter um emprego fora do lar, caso assim o deseje? Não necessariamente. Trata-se duma questão que o casal deve resolver entre si. Alguns homens ressentem que sua esposa tenha um emprego, preferindo ser o único provedor da família. Talvez seja importante para eles que sua esposa cuide bem do lar, o que, em geral, impede que ela detenha um emprego de dedicação exclusiva.

      Certa mulher, que passara a trabalhar depois que seus filhos eram adultos, possuía um marido assim. Explica ela: “Eu compreendia que essa situação o irritava. Nós já estávamos casados por muitos anos para não ver o óbvio. Daí, conversamos a respeito disso e simplesmente tive de mudar tudo. Era tal emprego apenas algo que satisfazia meu ego? Tinha de pagar a uma doméstica quase tanto quanto eu ganhava, de modo que isso não fazia muito sentido financeiro. . . . Eu não fiquei ressentida em abandonar o emprego. O Beto precisa de muito apoio — quem não precisa — para suportar a carga que tem.”

      Mas, por que tantas mulheres não se sentem realizadas a menos que tenham seu emprego? A propaganda moderna e grandemente responsável por isso. Conforme adrede observado, ser dona-de-casa perdeu status ou prestígio aos olhos do mundo. A dona-de-casa é amiúde encarada como uma pessoa que não tem inteligência bastante para obter um emprego. Mas isto está errado; é preciso verdadeira perícia para ser uma boa dona-de-casa.

      Pense só por um instante: A esposa precisa combinar os talentos dum decorador de interiores, duma professora, duma secretária, duma enfermeira, duma doméstica, duma lavadeira e duma cozinheira! Falando das “complexidades de cuidar duma casa”, afirma certa autoridade: “Não resta dúvida de que é uma das operações mais complicadas e de múltiplos aspectos que se espera que uma pessoa cuide.” Os maridos que tiveram de tomar conta duma casa, durante uma emergência, avaliam não ser uma tarefa fácil fazer um bom trabalho nisso.

      Todavia, as esposas precisam ver confirmações de que seu trabalho no lar é deveras apreciado e é importante. Como disse certa senhora: “Quando se está em casa todo o tempo, costuma-se murmurar: ‘Eu tenho algum valor.’ Mas, não há ninguém ali para dizer: ‘Certamente que sim.”’ De maneira que o bom marido, especialmente hoje, elogia de modo sábio a esposa pelo seu bom trabalho em manter o lar como um lugar limpo e confortável ao qual se deseja voltar. E que dirigir uma casa não é tarefa fácil é evidente da longa descrição bíblica do trabalho da boa esposa. — Pro. 31:10-31.

      Obviamente, os tempos mudaram; as circunstâncias são um tanto diferentes do que costumavam ser no passado, exigindo que mais mulheres trabalhem fora. Sem embargo, quando as mulheres acatam o incentivo bíblico de serem “operosas em casa”, é provável que se usufrua uma vida familiar mais estável e mais feliz. — Tito 2:3-5.

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