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Água, água em toda a parte . . .Despertai! — 1986 | 22 de novembro
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ou banheiro, eles podem dispor de água corrente quente ou fria (nos Estados Unidos, por exemplo, numa média de uns 330 litros por pessoa, por dia).
A água é essencial a toda coisa viva. Depois do ar, é a coisa mais necessária para se manter a vida do homem. Sem alimento, o homem pode viver por mais de um mês. Sem água, ou alimentos ou bebidas que contenham água, ele morrerá em cerca de uma semana. Se seu corpo perder mais de 20 por cento de seu conteúdo normal de água, ele sofrerá uma morte dolorosa.
Por toda a História do homem, houve uma procura violenta de água. Travaram-se guerras para controlá-la. Homens mataram uns aos outros pela posse de um lamacento oásis do deserto. Povoados, cidades e impérios surgiram onde havia água em abundância. Alguns foram abandonados quando acabaram as reservas de água. Os homens fizeram ídolos que representavam a água, e os adoraram como deuses. Oravam a eles, com grandes rituais e sacrifícios, quando a água se tornava escassa, e davam-lhes o crédito quando encontravam água.
A Crise da Água — Está Surgindo ou Já Existe?
À medida que a população humana explode sobre a Terra, a demanda de água atinge novos píncaros. Infindáveis colunas de jornais, de todo o mundo, estão sendo dedicadas à necessidade de mais água. Há peritos que se referem à “vindoura crise de água”, e “à próxima escassez de recursos”. Outros, contudo, acrescentam-lhe um tom mais ominoso. “Nossa nação acha-se agora mesmo numa crise de água”, disse um senador dos Estados Unidos. “Há pessoas que afirmam que é uma crise que deverá acontecer. Já é uma crise agora mesmo”, escreveu o presidente da Subcomissão de Recursos Hídricos da Câmara dos Representantes dos EUA. “Corre perigo o recurso mais precioso dos Estados Unidos”, escreveu a revista U.S.News & World Report, de março de 1985. “A crise da década de 1990, na parte nacional, será a falta de água para uso doméstico”, declarou o então Ministro do Interior dos EUA. “Todos os esforços de promover o crescimento e o emprego, de aumentar a prosperidade agrícola, de proteger o meio ambiente e de fazer reviver nossas cidades, nada significarão, a menos que possamos satisfazer as necessidades de água que a sociedade tem”, avisou ele.
Infelizmente, a crise da água não é um problema apenas americano, mas é um que atinge o mundo todo. “A crise mundial de água é muito mais grave do que a crise do petróleo”, disse certo escritor. “Mais de trinta países enfrentarão grave escassez nos próximos vinte anos. À medida que as populações crescem, e a água se torna mais escassa, não se pode eliminar a possibilidade de que países entrem em guerra por causa dela”, acrescentou. Segundo todos os indícios, é conceito unânime dos peritos e dos planejadores mundiais que o futuro da água para o mundo é deveras terrivelmente crítico.
Por que a preocupação mundial com a água? A Terra possui enorme quantidade dela. Mais de 70 por cento da superfície da Terra é coberta com ela. Para se apreciar este tremendo volume líquido é preciso um esforço de imaginação. Imagine, por exemplo, um buraco de um quilômetro de comprimento, um quilômetro de largura e um quilômetro de altura — um quilômetro cúbico. Para encher este cubo de água seriam necessários mais de 900 bilhões de litros. Agora, multiplique este volume por 1,4 bilhão de tais quilômetros cúbicos, e chegará perto da quantidade de água existente na Terra. Ela segue seu infindável ciclo a partir dos oceanos, rios, lagos e correntes para a atmosfera, atraída pelo calor do sol, e então precipita-se novamente sob a forma de chuva ou de neve. — Eclesiastes 1:7.
Os fatos indicam que existe bastante água na Terra para mais do que satisfazer o desejo de toda coisa vivente, desde a criação do homem e por toda a eternidade. (Salmo 145:16) Por que, então, existe a crise de água?
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A crise de água — estamos realmente ficando sem ela?Despertai! — 1986 | 22 de novembro
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A crise de água — estamos realmente ficando sem ela?
INICIALMENTE, embora 70 por cento da superfície da Terra sejam cobertos de água, nem toda ela é potável. Por exemplo, os mares constituem cerca de 97 por cento desta água. Isto deixa 3 por cento que são classificados como água doce.
Mais de três quartos desta água, contudo, acham-se contidos, em estado sólido, nas geleiras e nas calotas polares da Terra. Outros 14 por cento são constituídos de água do subsolo, em aqüíferos situados a uma profundidade grande demais para serem aproveitados. A água restante, calculada como ínfimo 0,027 por cento, flui em rios, lagos e correntes de água doce, e em aqüíferos que podem ser aproveitados. A água doce de superfície é renovada pela chuva e por outras precipitações, mas, por causa da grande profundidade de alguns aqüíferos, eles não podem ser renovados.
Diferente das gigantescas turbinas que geram eletricidade para uso doméstico e industrial, não se pode fabricar nova água. Assim, quando se abre a torneira em casa para aquele especial bule de chá ou de café, ou para o revigorante banho quente de banheira ou de chuveiro, e abrem-se as grandes válvulas nos estabelecimentos industriais, ou para reencher piscinas, a água tem de provir de rios e lagos próximos, ou de poços que aproveitam os aqüíferos.
Embora a anual precipitação pluvial da Terra seja abundante, ela não cai em todas as partes da Terra em iguais proporções. Em algumas partes da Terra, a chuva pode ser mais do que abundante, enquanto que, em outras, talvez não chova durante anos. Nos lugares onde a chuva é escassa, são necessários grandes sistemas de irrigação para a lavoura, e tais águas são bombeadas de aqüíferos em que a renovação é inexistente, ou é insuficiente. Isto tem resultado em poços se secarem.
Secam-se os Aqüíferos
Dentre estes aqüíferos, o Ogallala é o maior do mundo. Corre abaixo de seis estados do centro-oeste dos Estados Unidos, e dele dependem vitalmente moradias, indústrias e projetos de irrigação, mas aproxima-se de uma crise que influirá vitalmente sobre dezenas de milhões de pessoas. Existem agora 200.000 poços que bombeiam água do Ogallala, e seu nível d‘água baixou uns 3 a 4,5 metros por uma área de uns 155.000 quilômetros quadrados. Disse um escritor: “Como um grupo de garotos com seus canudinhos enfiados numa ice cream soda, estão rapidamente sugando-o, a ponto de deixá-lo seco.”
Alguns já sentem o início desta crise iminente. “O nível de bombeamento baixou para alguns metros do fundo, em meus 11 poços”, disse certo agricultor, “e tem sido assim por cinco anos. Se bombear rápido demais, ficarei sem água”. “Por fim, a água desaparecerá”, disse um escritor, “e, em algumas localidades, isto talvez aconteça ainda nesta geração”. Há peritos que calculam que o Ogallala ficará seco dentro de 40 anos.
Muitos outros aqüíferos americanos estão sendo tremendamente explorados. Entre os casos mais graves há aquele sob a cidade de Tucson, Arizona — a maior cidade dos Estados Unidos que depende inteiramente de seu sistema subterrâneo. Esta dependência inclui tanto as casas como as indústrias, as fazendas, e a operação de minas de cobre. O resultado tem sido estonteante redução de 45 metros em seu lençol d’água desde a década de 60. Apenas cerca de 35 por cento da água bombeada anualmente do aqüífero é renovada.
Em algumas áreas, estes reservatórios subterrâneos diminuíram em quase 50 metros. Em El Paso, Texas, nos EUA, e em Ciudad Juárez, no México, por exemplo, os níveis da água subterrânea caíram drasticamente devido à captação excessiva, e, na área metropolitana de Dallas-Fort Worth (EUA), os lençóis d’água caíram em mais de 120 metros, nos últimos 25 anos. Este contínuo débito d’água somente pode levar à falência do subsolo.
A captação excessiva dos aqüíferos daquela nação também resulta em sérios efeitos colaterais, além do rebaixamento perigoso dos lençóis freáticos até seu esgotamento.
Toda a cidade de Houston, Texas, por exemplo, afunda sobre sua base de areia e argila, noticiou o jornal The New York Times, de 26 de setembro de 1982. “A causa disso é a água. Os amplos aqüíferos sob a cidade têm sido explorados demais para alimentar o desenvolvimento estonteante da última década”, informava o jornal. “Poderia afundar cerca de outros 4 metros, por volta do ano 2020, se não se utilizar nenhuma água, senão a subterrânea, para satisfazer a demanda futura.” Nesse mesmo ano, The New York Times noticiou uma situação similar no estado do Arizona. Informava-se haver grandes fissuras do solo, de mais de 120 metros de profundidade, em algumas localidades, e de mais de 11 quilômetros de extensão. Tais fissuras eram resultado direto do bombeamento em larga escala de água dos aqüíferos, para suprir usuários nas fazendas e nas cidades. Quando o lençol d’água é drasticamente reduzido, a superfície acima dele sofre rebaixamento, e, em alguns lugares, gigantescas rachaduras se formam, podendo atingir mais de 120 metros de profundidade, chegando até o leito rochoso subjacente. Também, no estado da Flórida (EUA), a captação excessiva de seus aqüíferos tem resultado em muita publicidade. O frenético bombeamento minou o solo, criando crateras que tragaram casas e automóveis.
Os veículos noticiosos trazem avisos quase que contínuos sobre a crise de água subterrânea nos Estados Unidos. Trata-se de uma preocupação nacional. “O contínuo esgotamento do aqüífero é reconhecido como ameaça para o país, para nosso crescimento econômico e para nossa qualidade de vida”, disse John P. Hammerschmidt, da Câmara dos Representantes dos EUA. “A terra da abundância gerou insaciável demanda de água onde não havia nenhuma”, disse um senador do EUA. “Uma vez desapareçam nossos aqüíferos subterrâneos”, disse o deputado Robert Roe, “isso é o fim da história. A recuperação deles poderia levar mil anos”.
“Dentro de 50 Anos, Phoenix não mais Existirá”
O senador americano Daniel Moynihan declarou: “No plenário do Senado, eu disse certa vez que pode-se viver sem petróleo, e pode-se até mesmo viver sem amor, mas não se pode viver sem água . . . Esgotem-se os aqüíferos do sudoeste, e, dentro de 50 anos, Phoenix [Arizona] não mais existirá. Sinto muito, meu amigo, mas a água sumiu. Trata-se de uma crise real — e irreversível.” A revista U.S.News & World Report, de 18 de março de 1985, acrescenta uma nota final: “A idéia de se ficar sem água pode parecer extravagante para a maioria dos americanos. Mas, crescente número de hidrologistas, de engenheiros e de ambientalistas insiste que o tempo da presunçosa confiança na água da ‘Terra da Abundância’ está-se esgotando.”
Em todo o mundo, outras nações clamam amargamente contra o rápido esgotamento de seus sistemas de águas subterrâneas. Na década de 70, localidades no sul da Índia verificaram que seus lençóis d’água baixaram quase 30 metros, devido ao bombeamento excessivo para irrigação. Nas províncias setentrionais da China, dez grandes cidades cujo suprimento básico de água provém de aqüíferos, enfrentam graves problemas de rebaixamento do solo devido ao bombeamento excessivo. Algumas destas cidades estão afundando de 20 a 30 centímetros por ano, desde 1950, devido ao esgotamento e à compressão de seus aqüíferos. A Cidade do México também está ameaçada por problemas de solo devido ao rebaixamento.
Em localidades em que os aqüíferos acham-se próximos do mar, o problema se agrava. À medida que os aqüíferos têm seus níveis reduzidos pela captação, a água salgada do mar abre forçosamente caminho até eles, e a água doce fica contaminada por tal intrusão. Israel, Síria e os estados árabes do golfo Pérsico estão tendo de enfrentar esta guerra de águas, no subsolo.
Embora não seja tão bem documentada, como acontece com outros países, a situação aflitiva da União Soviética e sua luta pela água, ela enfrenta similares problemas. O Terceiro Mundo, especialmente onde há explosão demográfica, também veio a conhecer esta luta de vida e morte pela água. Em todo o mundo, as decrescentes reservas hídricas se transformam, rapidamente, em insidiosa crise.
Mesmo que suas reservas de água pareçam abundantes, o leitor, também, poderá ser atingido por esta crise de água, como o próximo artigo lhe mostrará.
[Destaque na página 6]
“Pode-se viver sem petróleo, e pode-se até mesmo viver sem amor, mas não se pode viver sem água.”
[Foto/Gráfico na página 7]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
97% da água da Terra acham-se nas águas salgadas do mar.
2,973% são água doce, retida em geleiras, nas calotas polares, e em aqüíferos profundos.
0,027% é água doce, disponível em lagos, rios, e aqüíferos rasos.
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Aviso! Esta água pode ser perigosa para sua saúdeDespertai! — 1986 | 22 de novembro
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Aviso! Esta água pode ser perigosa para sua saúde
PODE imaginar abrir a torneira em sua pia de cozinha, segurar um fósforo aceso perto da bica e testemunhar horrível erupção de chamas? Pode imaginar um rio de água doce que se transforme em chamas quando se joga nele um cigarro aceso? Ficaria pasmo se sua água de banho fosse grossa demais para beber, mas fina demais para se fazer um sulco, e ela se acumulasse numa das pontas?
É de estarrecer imaginar águas dum rio que possam revelar um negativo diante de seus olhos? Qual seria sua reação se sua água da bica viesse com colarinho, parecendo-se com cerveja preta? Tem de abrir a janela acima da pia, para que a casa toda não fique empestada quando tira água da bica? Será que seu cônjuge nem sequer tocou no bule de café da manhã, por causa de estar muito forte, mas só depois vem a descobrir que não se colocou nenhum pó de café nele?
Ou é a sua água cristalina, de sabor puro, mas sua família padece de repetidas dores de cabeça, tonturas, disenteria, ou erupções da pele depois de tomá-la? Ou será que os sintomas seriam melhor descritos como o de sofrer tremores, cegueira e danos ao sistema nervoso central?
Sabia que, não faz muito tempo, um terço da humanidade se achava em estado perpétuo de doença, por causa da água impura, e que dez milhões de pessoas morriam todo ano, não por falta, mas por causa dela? Será que tudo isso não passa de algo inventado por uma imaginação desvairada — algum tema de filmes de ficção científica? Infelizmente, os cenários são verdadeiros.
Torna-se óbvio que, na atualidade, o homem possui a assombrosa genialidade de envenenar por completo toda coisa viva na face da Terra e nas águas do subsolo. A maior parte disto tem ocorrido devido a seus esforços de tornar a vida mais fácil — de mitigar a dor e a doença, aproximando mais o mundo de sua sala de estar através da comunicação, empreendendo seu exame do espaço sideral e na fabricação de destrutivos implementos de guerra.
A maior parte disto se deve à criação, por parte do homem, de novos, porém mortíferos, compostos químicos. Há seis anos, havia no mercado mais de 60.000 de tais compostos químicos — 35.000 dos quais eram classificados, quer como mortíferos, quer como extremamente perigosos para a nossa saúde, havendo outros milhares que eram formulados cada ano. Destes coquetéis químicos surgiram resíduos igualmente perigosos e de alta toxidez, que são eliminados por serem lançados no solo, em rios, e em correntes, pouco se pensando nas conseqüências que isso teria sobre as pessoas ou o meio ambiente.
Bênçãos Para os Agricultores, Bomba Para as Águas da Terra
Os pesticidas, herbicidas e fertilizantes têm sido uma bênção para os agricultores do mundo, mas uma bomba para as águas da Terra. Durante anos, os agricultores no vale de San Joaquim, na Califórnia (EUA), aspergiram suas uvas, suas frutas e seus tomates com o pesticida DBCP, vindo a descobrir, nos anos recentes, que este poderia causar o câncer e a esterilidade nos humanos. Embora a aspersão parasse, o veneno não deixa de infiltrar-se nas camadas do solo, e no sistema de água subterrânea. “Trinta e cinco por cento dos poços do vale têm DBCP”, disse um porta-voz da Secretaria da Saúde. Em um só condado da Califórnia, 250.000 pessoas correm risco de contaminação pelo DBCP, relatou a revista Newsweek. Outros pesticidas atingem o sistema nervoso. Suspeita-se que ainda outros provoquem várias outras doenças. Descobriu-se que alguns herbicidas causavam sérios efeitos sobre o cérebro, imobilizando a vítima. Em muitas áreas agrícolas, os fertilizantes elevaram as concentrações de nitratos acima dos padrões normais para a saúde fixados em alguns países. Estas substâncias químicas, também, infiltraram-se nos aqüíferos.
Detergentes, solventes, fluidos para lavagem a seco, limpadores para fossas sépticas, para se mencionar apenas alguns, têm sido altamente desenvolvidos por meio do progresso da química. O resultado tem sido maravilhosos benefícios para a humanidade. No entanto, à medida que tais produtos infiltram-se no solo, o resultado tem sido a contaminação das águas puras da Terra por muitas gerações vindouras. “Estamos envenenando a nós mesmos e a nossa posteridade”, disse um conservacionista.
Muitos dos milhões de soterrados tanques de gasolina nos postos de serviço que pontilham as rodovias e as ruas das cidades vazam, como mostram os relatórios, e seu conteúdo altamente explosivo infiltra-se no solo e penetra nos sistemas de poços de água. Podem fazer com que casas e depósitos rompam em chamas quando os vapores encontram um fósforo aceso. Chamas saídas duma bica são algo por demais comum, como resultado desta temível mistura subterrânea, de substâncias químicas mortíferas que penetram no sistema hídrico.
Pensava-se outrora que o próprio solo purificaria estas substâncias químicas, ao penetrarem lentamente pelas camadas da terra, tornando-as inofensivas. Na década passada, porém, descobriu-se que muitas destas perigosas substâncias químicas não foram filtradas, mas passaram diretamente para os aqüíferos, contaminando-os por muitas gerações vindouras. “A contaminação da água subterrânea é o resultado de pecados cometidos há longo tempo”, disse James Groff, da Associação Americana de Adutoras. “Ninguém teve a previsão de predizê-la.”
Tais pecados, contudo, continuam a ser cometidos até a data de hoje. A Agência de Proteção ao Meio Ambiente calcula que, apenas nos Estados Unidos, todo ano, uns 5,7 trilhões de litros de resíduos perigosos vazam para o sistema de águas subterrâneas. Grande parte deles é deliberadamente lançada por homens inescrupulosos e gananciosos que não medem os terríveis danos, terríveis mesmo, causados à água e à saúde do homem. “Apenas 1 litro de solvente contaminará 20 milhões de litros de água subterrânea, a ponto de exceder os níveis seguros fixados pela maioria dos estados”, disse um cientista. Quando se pensa em termos de 3,7 trilhões de litros de resíduos, então a expressão “água, água por toda a parte, e nenhuma gota para beber” aflora como uma realidade potencialmente atemorizante.
“Uma Bomba de Ação Retardada, de Tique-taque Lento”
“A água subterrânea e seus contaminantes”, disse o presidente da Subcomissão do Meio Ambiente, Energia e Recursos Naturais da Câmara dos Representantes dos EUA, “representa uma bomba de ação retardada em potencial, de tique-taque lento. Existe crescente crença de que este problema será a próxima grande crise dos anos 80.” Informou The New York Times: “Existe amplo acordo, contudo, de que a contaminação da água subterrânea é, sem comparação, o problema mais grave e mais difícil que atinge a qualidade da água potável e que agora constitui uma bomba subterrânea de ação retardada.” “Não resta dúvida de que temos uma bomba de ação retardada em nossas mãos”, avisou um cientista da universidade do Arizona. “A questão é quão grande será a explosão.”
Não é preciso colar os ouvidos ao chão para saber “quão grande será a explosão”. O mundo já treme de medo diante da vindoura explosão. Por exemplo, tem-se calculado que, por volta do ano 2000, um quarto das reservas hídricas do mundo poderiam ser inseguras para beber.
Na China, um terço da água de seus principais rios acha-se poluída além dos limites seguros para o consumo humano, disse o “Worldwatch Institute”. De acordo com Thane Gustafson, especialista em assuntos da União Soviética, esse país, por volta do ano 2000, encarará uma demanda maior de água do que as suas águas poderão fornecer, devido à atual poluição das águas. A América do Sul enfrenta uma crise similar — reservas hídricas contaminadas demais para seu povo beber. “Ou conseguimos limitar o desperdício de água, ou, por volta do ano 2000, estaremos morrendo de sede”, proclamou uma Conferência Mundial sobre Água, das Nações Unidas. “Sem incorrermos no exagero, é fácil prever que, no futuro bem próximo, o mundo estará literalmente morrendo de sede, quer como resultado da poluição, quer do atual emprego desperdiçador”, disse a conferência.
Pessoas em todas as partes da Terra sentem os efeitos devastadores da bomba de ação retardada que já parece ter explodido no cenário mundial. Quando se considera, por exemplo, que 70 por cento da água potável da Índia está poluída, e é causadora de grande parte das doenças daquele país, não é um exagero afirmar que suas águas, e toda a vida que depende delas, clamam por cura. E o que se pode dizer dos países do Terceiro Mundo e das pessoas moribundas que procuram água limpa? Na verdade, o mundo encara um dilema de proporções sem precedentes.
Doenças veiculadas pela água matam 30.000 pessoas por dia, disse o perito suíço em tratamento da água, o Dr. Maarten Schalekamp. Apenas um terço da humanidade possui o que ele chama de instalações “irrepreensíveis” de água potável, enquanto outro terço dos habitantes da Terra está bebendo água contaminada. O terço restante dispõe de pouca água de qualquer espécie.
É desse jeito que vão as coisas. As águas envenenadas que se infiltram pelo solo, correndo pelos seus rios, serpenteando por seus riachos, precipitando-se de suas quedas-d’água, enquanto grande parte da humanidade inevitavelmente a bebe, para sua morte. Trata-se, na verdade, de uma bomba de ação retardada produzida pelo próprio homem!
Jeová Deus, o Criador da Terra, do homem, e de todas as águas vitalizadoras, acionou sua própria bomba de ação retardada, mediante a qual ‘arruinará os que arruínam a terra’. (Revelação 11:18) Acha-se montada para explodir no Seu tempo designado, e aqueles que têm devastado o solo, o ar e a água, não conseguirão desativá-la nem escapar de suas forças destrutivas. O ano 2000 continua a ser apontado pelo homem como um tempo crítico. Se os culpados viverão para ver aquele ano temido é algo que só o futuro dirá. Somente Jeová sabe. Depois da destruição daqueles que Deus considera agora responsáveis por esta situação, a Terra será restaurada a um paraíso, e rios de águas da vida, limpas e puras, serão abundantes para toda coisa viva.
Nesse tempo, poder-se-á dizer sobre a água doce: ‘Água, água em toda a parte — e cada gota dela é apropriada para beber.’
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