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O que há de diferente nas crises atuais?Despertai! — 1975 | 22 de junho
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O que há de diferente nas crises atuais?
EM 25 DE AGOSTO DE 1974, o Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos) ajustou seu “relógio do dia do juízo”, da capa, três minutos mais perto da meia-noite. Tais cientistas assim indicaram seu temor de que a ameaça dum holocausto nuclear recentemente aumentou esse tanto, colocando o relógio a nove minutos antes da meia-noite.
No entanto, os que estão a par da história desse relógio sabem que, desde 1947, quando os cientistas atômicos começaram a fazê-lo tiquetaquear, seu relógio já foi ajustado oito vezes, mas em ambas as direções.
Muitos crêem que o curso da história é mui similar a esse “relógio do dia do juízo”. Afirmam que as crises surgem e desaparecem, mas, de algum modo, a humanidade sempre consegue sair da embrulhada. Seu ponto de vista é exatamente como um profeta discernidor, há 1.900 anos atrás, disse que seria: “Ora, desde o dia em que os nossos antepassados adormeceram na morte, todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.” — 2 Ped. 3:4.
É óbvio, concordam tais pessoas, que os sistemas econômicos e políticos globais se acham presentemente sob grave tensão, mas, não estão as melhores mentes do mundo focalizadas nos problemas? A sessão especial das Nações Unidas sobre os recursos naturais, e as recentes conferências mundiais sobre o mar, a população e os alimentos demonstram unidade de esforços sem precedentes, não demonstram? E não é verdade que a crescente distensão entre o Oriente e o Ocidente torna ainda mais brilhante o quadro? “É realmente distensão”, afirma o Chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Schmidt. “É um mundo muito menos perigoso . . . A ameaça já desapareceu, pelo menos se reduziu.”
Os otimistas também estão seguros de que, se lhe derem tempo, a tecnologia calculará um jeito de restaurar os minguantes estoques de alimentos, freará as avolumantes populações e desenvolverá novos recursos para satisfazer crescentes demandas energéticas. Como afirma certa publicação que promove a tecnologia: “A ciência e a tecnologia têm de solucionar nossos problemas. Se não o fizerem, nada mais o fará.”
O tempo, a tecnologia e a diplomacia conseguiram resguardar antes a humanidade da crise final. Por que haveriam de ser diferentes as crises atuais?
Entenda a Diferença
Os cientistas atômicos e os líderes mundiais temem há anos um dia de juízo nuclear, e essa ameaça continua, especialmente em vista da corrida armamentista escalada. Mas, agora, acrescentou-se algo de novo. O quê?
O Secretário-Geral Waldheim disse à sessão especial da ONU sobre os recursos naturais:
“O que é novo é a súbita e dramática urgência da situação atual, e a aceleração aguda do processo histórico que nos colocou face a face com uma emergência global.” (O grifo foi adicionado.)
O que significa isso? Podemos entendê-lo melhor se compararmos os últimos seis mil anos de história registrada com um período que nossas mentes possam entender mais facilmente. Pense nesse período como se estivesse reduzido a trinta anos na vida de sua própria família, e observe a “aceleração” dos problemas.
Imagine começar com apenas um filho, uma casa de oito cômodos, e renda continuamente crescente. Mesmo em tal escala reduzida de tempo, levaria vinte anos até que sua família tivesse um segundo filho para sustentar! E não seria senão no vigésimo-nono ano que aumentaria de novo — desta vez com dois outros filhos — para quatro.
Mas, subitamente, no trigésimo e último ano, sua família e suas necessidades aumentam vertiginosamente. Só nos oito meses seguintes, ela se quadruplica — para dezesseis pessoas — enchendo plenamente sua casa de oito cômodos! Imagine sua consternação se lhe fosse dito que o total de sua família dobraria de novo — para trinta e duas pessoas — dentro de apenas dois meses! Mas, simples números não são o único problema que o confronta.
De súbito, as rapidamente crescentes necessidades de sua família nos últimos oito meses já consumiram suas economias e o deixaram endividado. Também, sua casa acabara de atingir a capacidade máxima — no momento exato em que o crescimento da família realmente ganha ímpeto. Não há tempo nem dinheiro para ampliá-la. Tudo precisa ser empregado apenas em sua manutenção. Assim, sua família se acha num momento decisivo. De agora em diante, depende cada vez mais de que todo membro partilhe aquilo que tem.
Mas, suponhamos que cinco membros da família insistam em ter mais de dois terços dos alimentos e das outras provisões. Os restantes onze, então, simplesmente têm de dividir as sobras da melhor forma que possam. Assim, as demandas de uns poucos esticam sua casa e renda até seus limites máximos ainda mais rapidamente do que normalmente aconteceria. Seus problemas são inteiramente diferentes do que eram há alguns meses atrás.
É a ilustração precedente simples ficção exagerada? Não, segundo crescente número de líderes mundiais e peritos científicos.
Pouco mais de 2 por cento da história registrada subitamente testemunhou cerca de 75 por cento do aumento em números da humanidade. Com efeito, Waldheim assevera que cerca de um quarto das pessoas que já viveram estão vivendo hoje! O crescimento continuado à presente taxa colocaria uma pessoa em cada pé quadrado (0,0929 m2) da terra — os oceanos e tudo — em cerca de 700 anos.
Assim, apenas os números fazem com que um momento decisivo se torne rapidamente inevitável. “Sem dúvida”, diz a revista Scientific American, “este período de crescimento será um episódio transitório na história da população”. (O grifo foi adicionado.) Mas, o problema que existe agora mesmo não é tanto o de simples números, como é a súbita rapidez com que sobrevieram às instituições já abaladas do mundo.
Os números em súbita explosão trouxeram explosivas necessidades de alimento, roupa, abrigo e educação. Mas, pela primeira vez, a habilidade de a ciência e a tecnologia manterem o passo com tais demandas é posta em dúvida: “A tecnologia, há muito a esperança dos crentes em milagres”, declara o principal correspondente europeu de The Wall Street Journal, “está sendo sobrepujada tão rápido pelo crescimento populacional que até mesmo os maiores cientistas do mundo estão erguendo as mãos, desesperados”.
Ainda mais restritivos, porém, da capacidade da terra do que os fracassos da tecnologia, são os limites artificiais impostos pelas barreiras econômicas, políticas e religiosas egoístas e divisivas. Como resultado delas, por exemplo, menos de um terço da população da terra utiliza cerca de dois terços de seus alimentos e quase toda a sua energia e seus recursos. Os outros dois terços da humanidade têm de dividir (usualmente de forma desigual) o pouco que resta.
Tais pressões convergem sobre o mundo no momento exato da história em que a capacidade da terra, sob sua atual administração, contende com os limites. Será de admirar que as instituições dantes estáveis titubeiem sob tal carga? Esta “aceleração aguda do processo histórico” subitamente levou o mundo a um momento decisivo. Diz o Prêmio Nobel e professor de Harvard, George Wald:
“A vida humana acha-se agora ameaçada como nunca antes, não por um só, mas por muitos perigos, cada um capaz em si mesmo de destruir-nos, mas todos inter-relacionados, e todos vindo juntos sobre nós.”
A natureza “inter-relacionada” dos perigos atuais constitui, por si só, evidência convincente de que são deveras diferentes. Vejamos como estas crises recém-inter-relacionadas influem sobre o mundo.
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Como a diferença abala o mundoDespertai! — 1975 | 22 de junho
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Como a diferença abala o mundo
“O SOLO em que pisamos está tremendo. Desapareceram os marcos familiares”, queixou-se a autoridade do governo da Alemanha Ocidental, Walter Scheel, na sessão especial da ONU. Anteriormente, as nações, de per si, pareciam conseguir cuidar de seus problemas. “Mas, isso não acontece mais”, declarou o Secretário de Estado dos EUA, Kissinger, num recente discurso perante a Assembléia Geral da ONU.
O mundo que agora opera em pleno limite de sua capacidade resultou em novos e frágeis equilíbrios entre as nações. Os impulsos econômicos e políticos que costumavam influir no mundo tanto quanto uma pulga influi num elefante agora parecem atacar com a força dum leão sobre um camundongo.
“Se não chegarmos a reconhecer nossa interdependência”, avisa Kissinger, “a Civilização Ocidental que conhecemos irá quase certamente desintegrar-se”, em resultado das egoístas rivalidades nacionalistas. “Estamos delicadamente situados” entre “o progresso conjunto e o desastre comum”, acautela ele.
Por que? Alguns pontos específicos ilustrarão como as diferenças fundamentais na forma em que nosso mundo opera agora servem para intensificar os problemas, tornando-os crises aparentemente insolúveis. Vamos começar com . . .
Recursos
Os preços subitamente quadruplicados do petróleo, mais do que qualquer outra coisa de per si, abalaram o mundo, fazendo-o reconhecer sua nova condição precária. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres, declarou que os aumentos de preços eram “o maior choque, a sensação mais potente duma nova era, de qualquer evento nos anos recentes”. A reação em cadeia na estrutura econômica do mundo industrial devida a apenas esta medida ameaça destroçá-la, como dizem claramente os líderes mundiais.
O petróleo, porém, não é o único sintoma da diferença básica no mercado mundial de recursos naturais. O que era certa vez um “mercado dos compradores”, antes do momento decisivo, subitamente tornou-se um “mercado dos vendedores” em que os fornecedores de matérias-primas podem cobrar quase qualquer coisa que quiserem.
Visto que grande parte da prosperidade dessas nações se alicerçava em terem abundância de matérias-primas baratas de certas nações subdesenvolvidas, apenas esta mudança ameaça seu inteiro modo de vida. “A Europa que construímos é agora uma Europa de penúria [extrema pobreza]”, lamenta o Presidente francês, Giscard d’Estaing.
Economia
Relacionada de perto à crise dos recursos há a crise econômica. A pior inflação mundial da história atinge subitamente a todos nós. Sente seus efeitos cada vez que faz compras. A inflação entre as nações industriais como um todo pulou recentemente para um ritmo quatro vezes maior do que o da década de 1960! Ao mesmo tempo, aquelas nações “passaram pela mais excecional desaceleração de crescimento [econômico] que já sentiram”, observa um relatório recente da internacional Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos.
A luta só para se manter o passo dos preços e das demandas rapidamente acelerados lançou de forma súbita a muitas nações em dívidas. “Nós, os bancos, estamos nos nossos limites extremos de financiamento para a Itália, a França a Grã-Bretanha e outros”, avisa o antigo diretor de operações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Paul Schweitzer.
A economia dos EUA não é imune. A dívida total, pública e particular, dos EUA, é agora seis vezes superior à do fim da Segunda Guerra Mundial, “e os acréscimos mais agudos vieram desde 1960”, observa Business Week.
A economia mundial funciona tão diferente agora que a maioria dos economistas admitem prontamente que suas fórmulas muito apregoadas para a “boa sintonização das economias nacionais subitamente tornaram-se obsoletas. Assim, Business Week prediz que, até mesmo se o mundo escapar do “desastre [econômico] . . . não há meio de escapar da mudança”. Que tipo de “mudança”?
Pela primeira vez, muitas autoridades respeitadas predizem que as economias em colapso do “mundo livre” incentivarão soluções ditatoriais ou comunistas e a perda das liberdades pessoais.
Alimentos
Também inter-relacionada com os problemas explosivos relativos aos recursos e à economia há a crise de alimentos. “A história registra escassezes mais agudas [de alimentos] em países de per si” afirma um relatório preparado para a Conferência Mundial de Alimentos da ONU, “mas é duvidoso se tal situação crítica de alimentos já foi mundialmente tão ampla”. E o economista do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Don Paarlberg, assevera que “é óbvio que estamos em algum tipo de ponto crítico” para a agricultura. Por que agora?
Diferentes métodos agrícolas. A agricultura moderna depende de energia — para fertilizantes, tratores, bombas d’água, pesticidas, transportes, etc. Uma tonelada de fertilizante pode significar até dez toneladas de cereais em muitas áreas. Súbita escassez de energia e preços vertiginosos atingiram mais duramente os lugares em que tais métodos são mais necessários e os lavradores menos podem financiá-los. Recentes perdas maciças de colheitas na Índia setentrional, por exemplo, poderiam ter sido reduzidas se tivesse havido contínuo fornecimento de energia para as bombas de irrigação.
Diferente nível de reservas de cereais. O súbito desaparecimento de anteriores enormes reservas já elevou os preços agrícolas a várias vezes seus níveis anteriores. Agora, a previsão mundial de cereais do USDA é de reduções na produção mundial que “provavelmente resultem em maior redução dos níveis mundiais de estocagem de trigo” em 1975. Muitos peritos acreditam que simplesmente não há suficiente margem de erro. “Pela primeira vez em 50 anos, não existe nenhum país no mundo com suficiente alimento para salvar as hordas famintas”, caso assole a seca, preocupa-se um oficial de gabinete dos EUA. E há pelo menos dois bilhões de bocas a mais para alimentar agora, duas vezes mais do que havia há cinqüenta anos atrás!
Diferentes perspectivas de clima. Os revezes climáticos têm sido uma causa básica das reservas alimentares em declínio recente. Que esperança existe de uma volta ao clima mais favorável para a lavoura? “Deve-se lembrar que o clima para a produção de colheitas nos 15 anos, mais ou menos, que precederam 1972, era o melhor que já houve no século e meio passado”, lembra o perito meteorológico Reid A. Bryson. “As chances de ocorrerem de novo são de cerca de uma em 10.000.”
Depois de considerar o precedente, surge a pergunta: Como pode um mundo que tem tido milhares de anos para alimentar e cuidar de sua população e falhou — exceto para alguns privilegiados — jamais esperar fazê-lo quando, segundo seus próprios cálculos, só dispõe de trinta e cinco anos para fazer provisões para o dobro de seu presente número?
Até mesmo agora as autoridades consideram uma resposta desalentadora pela primeira vez — a triagem nacional — a diretriz de ajudar primeiro as nações que tenham melhor oportunidade de sobreviver. Assim, caso assole uma fome mundial, inteiras nações seriam ‘deixadas ao léu’ pelos fornecedores de alimentos, em favor daquelas consideradas mais capazes de sobreviver. Muitos peritos avisam que as nações produtoras talvez confrontem esta dura decisão moral em questão de um ano.
Reagem os Líderes Mundiais
Tais crises, junto com a pobreza, a poluição e outras, sem precedentes, abalam a maioria dos líderes nacionais a reconhecerem o fato de que enfrentam algo diferente do que há apenas alguns poucos anos atrás. Sua própria reação é a evidência mais notável da mudança. Pela primeira vez, chefes nacionais dão passos sem precedentes para a cooperação internacional, no esforço desesperado de salvar a si mesmos.
Sublinhando tal ponto, o Presidente Ford, dos EUA, disse recentemente à Assembléia Geral da ONU que as “nações vêem-se obrigadas a escolher entre o conflito e a cooperação”, e que agora, “mais do em qualquer outro tempo na história do homem, as nações . . . precisam voltar-se para a cooperação internacional” para gerir seus recursos.
Mas, são tais passos motivados por qualquer amor novo que as nações sentem umas pelas outras? Não. É apenas “a própria seriedade da situação”, responde o Secretário-Geral da ONU, Waldheim, que “talvez produza estes acontecimentos nas relações internacionais que todos os apelos à razão e à boa vontade até agora não conseguiram produzir”.
Admitidamente, então, qualquer ação unificada entre as nações se ergue em frágil alicerce do interesse próprio e da autopreservação, e não no interesse genuíno pelo próximo e pelos princípios justos. Terão êxito os esforços alicerçados em tal base?
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Como a diferença influi em nosso futuroDespertai! — 1975 | 22 de junho
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Como a diferença influi em nosso futuro
A SITUAÇÃO mundial que acabamos de recapitular foi prevista com surpreendente exatidão na Bíblia. Ela predisse que, no período de uma só “geração, a humanidade veria acontecimentos que causariam “na terra angústia de nações, não sabendo o que fazer” e que os homens ficariam “desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. (Luc. 21:25, 26, 32; veja também Mateus 24:3-8.) Num esforço de enfrentar estes novos desafios globais, as nações confeririam crescente autoridade às Nações Unidas.
Prevendo com exatidão este acontecimento, a profecia da Bíblia revela que esta organização internacional seria “um oitavo rei” que provém dos sete “reis” precedentes, ou potências mundiais que dominaram sucessivamente a história bíblica. (Rev. 17:10, 11) A Bíblia amiúde usa animais ou seus “chifres” para representar os governos. (Dan. 7:17, 23, 24; 8:20-22) Assim, esta potência política composta é aqui representada por uma “fera”, tendo “sete cabeças” para representar os sete prévios “reis” que dominaram o mundo, dos quais surgiu. Mas, também tem “dez chifres”. (Rev. 17:3, 7) O que representam e o que fazem é muito significativo.
Os “dez chifres”, continua a profecia, “que viste são dez reis que ainda não receberam a dignidade régia [no tempo do profeta]; mas hão de receber um poder semelhante ao de rei, por uma hora apenas, juntamente com a besta”. (Rev. 17:12, Pont. Inst. Bíblico; NM) O número profeticamente completo de “dez reis” representa a totalidade dos governos políticos hodiernos que regem por curto tempo junto com a ONU.
Durante esse curto período, como o de “uma hora apenas”, em comparação com a história passada, as condições seriam tais que, pela primeira vez, embora discordando quase em tudo, finalmente viriam ao ponto em que “têm uma só intenção, e prestam o seu poder e a sua autoridade à besta [a ONU]”, num projeto humano para se estabelecer a paz e segurança globais. — Rev. 17:13, PIB; NM.
Reconhecendo que enfrentam crises diferentes de quaisquer que as precederam, as nações por fim aliam-se numa tentativa completa de salvar suas soberanias nacionais. Esperam desesperadamente que tal ação unida socorra a “civilização” em decomposição em que se baseiam tais soberanias. Admite o Secretário Kissinger:
“Como historiador, tem-se de ficar cônscio de que toda civilização que já existiu entrou por fim em colapso. . . . tem-se de viver com o senso da inevitabilidade da tragédia. Como estadista, tem-se de agir com base na suposição de que os problemas precisam ser resolvidos.”
Serão mesmo? A profecia bíblica deveras indica que as nações aplicarão um remendo temporário, superficial à sua “civilização” decadente, apenas o suficiente para provocar o brado de “Paz e segurança!” Mas, nesse ponto, diz a Bíblia, “lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição, assim como as dores de aflição vêm sobre a mulher grávida”. (1 Tes. 5:3) Por quê? Por duas razões:
A primeira é que nada de fundamental realmente mudou. Podem os acordos entre as nações, sejam lá quantos forem, restaurar os alicerces da sociedade humana, já apodrecidos pela ganância, pelo crime, pela violência, pela imoralidade, pelo colapso da família, pelos ódios raciais e religiosos? A situação é bem parecida ao que disse o famoso explorador norueguês Thor Heyerdahl sobre a recente Conferência Sobre Direitos do Mar da ONU:
“Tenho a sensação de que os delegados . . . discutem como dividir e fazer melhor uso duma maçã que já está em vias de apodrecer, e deixam-na apodrecendo enquanto tentam encontrar um jeito de dividi-la.”
Em segundo lugar, ao entregarem “seu poder e a sua autoridade à besta [ONU]”, numa tentativa abortiva de salvar suas próprias soberanias terrestres, as nações rejeitam o modo de Deus de trazer verdadeira paz e segurança. Desprezam Seu reino prometido, alicerçado em princípios duradouros e justos. (Dan. 2:44; 7:13, 14; Mat. 6:10) É por isso que, depois de os “dez reis” darem ‘poder e autoridade’ à ONU, diz a profecia: “Farão guerra ao Cordeiro [regente do Reino, Jesus Cristo], mas o Cordeiro vencê-los-á.” — Rev. 17:14, PIB; NM.
Assim, o palco está montado. Os que crêem que os esforços diplomáticos e tecnológicos humanos resolverão as crises múltiplas do mundo podem aguardar rude despertar. “Querem ignorar que em outro tempo”, avisa a Bíblia, “o mundo de então pereceu” nos dias de Noé, devido a forças sob as ordens de Deus. As crises atuais fornecem prova abundante de que “os céus e a terra de hoje estão reservados, pela mesma palavra, para . . . [a] perdição dos ímpios”. — 2 Ped. 3:3-7, Com. Taizé, Edições Loyola.
Se as diferenças em escalada, tão óbvias nas crises atuais, não convencem tais pessoas, então logo serão despertadas para o que acontece. Seu brado efêmero de “Paz e segurança!” será subitamente interrompido por uma “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”. (1 Tes. 5:2, 3; Mat. 24:21) Esse certamente não será o tempo para nós termos de reconhecer que as crises atuais são diferentes.
Antes, os que aceitam com apreço este fato como prova da proximidade da regência justa do Reino prometido de Deus estão em posição de agir sabiamente agora. Visto que o atual sistema mundial vai ser destruído, insta a Bíblia, “que sorte de pessoas deveis ser em atos santos de conduta e em ações de devoção piedosa, aguardando e tendo bem em mente a presença do dia de Jeová”. Esse “dia” será seguido pelos preditos “novos céus e uma nova terra” de Deus, em que “há de morar a justiça”. Que recompensa digna para aqueles que voluntariamente aprendem o significado por trás das crises diferentes da atualidade e agem em conformidade com isso! — 2 Ped. 3:11-13.
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Aplique sabedoria prática nas coisas do larDespertai! — 1975 | 22 de junho
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Aplique sabedoria prática nas coisas do lar
O SÁBIO Rei Salomão escreveu: “Quando o machado está embotado . . . a pessoa tem de usar mais força; o homem sábio tem melhor oportunidade de êxito.” Não há dúvida sobre isso, trata-se de sabedoria prática. Aplicar tal sabedoria nas coisas do lar significará poupar tempo, esforço e despesas, e garantirá melhores resultados. — Ecl. 10:10, A Nova Bíblia Inglesa.
Para poupar tempo e esforço, reflita em poupar passos e movimentos em tudo que estiver fazendo. Se fizer as camas de modo cabal um dia, enfiando os lençóis com firmeza sob o colchão, talvez tenha menos para fazer no dia seguinte. Experimente-o.
Realizar suas tarefas diárias em ordem prática também poupa tempo. Primeiro, faça as camas e limpe as venezianas (quando necessário), e então remova o pó. Se remover primeiro o pó, talvez tenha de fazê-lo de novo.
Se houver crianças, especialmente meninos, na família, talvez ache sábio usar o princípio de “manutenção preventiva” por treiná-los nas tarefas domésticas.
Tem uma tabela para certas tarefas, e adere a ela? É prático fazer uma tabela, alistando os deveres domésticos e com que freqüência precisam ser feitos. Daí, marque a data cada vez que os fizer. Incluído em tal tabela talvez esteja o passar o aspirador de pó em sua mobília e tapetes; remover bem o pó; limpar as venezianas, esfregar e encerar o chão; limpar janelas, canos das pias, gavetas e armários, também limpar o refrigerador; lavar os cobertores, e as cortinas. Fazer todas essas tarefas de modo sistemático, ao invés de ao acaso, poupar-lhe-á tanto tempo como energia, e manterá seu lar sempre bem apresentável.
Sugestões de Limpeza
A experiência acumulada de milhões de donas-de-casa tem resultado em muita sabedoria prática. Poderá tirar proveito dela. Eis aqui algumas idéias que outros partilharam.
● Use um pano úmido (não molhado) quando remove o pó, e assim capte mais facilmente todas as partículas de pó.
● Tem problemas com fiapos de pano quando lava as janelas? Enxugue-as com papel de jornal.
● Será que o descuido de alguém provocou manchas ou anéis esbranquiçados nos móveis de madeira? Livre-se delas por esfregar amêndoa de noz oleosa sobre elas, ou vaselina, ou até mesmo pasta de dente.
● Derramou-se algum líquido sobre o tapete, manchando-o? Absorva de imediato toda a umidade com um pano ou mata-borrão. Se a mancha for solúvel em água, limpe-a com espuma de um detergente; se tiver base a óleo, use algum solvente, tal como nafta.
● Tem manchas nas paredes? Às vezes apenas uma borracha macia ou um lápis-borracha as removerão. Se não, use sabão neutro e esponja; com um lado da esponja, aplique o sabão; com o outro, limpe-o.
● Depois de limpar as armações e abas das janelas, use cera dura para um acabamento brilhante. Terão melhor aparência e ficarão mais tempo limpas.
● Use uma escova de aspirador de pó para limpar as venezianas e o lado de dentro das telas das janelas. Depois disso, lave a escova com sabão e água e deixe-a secar antes de usá-la nas cortinas.
● Lave o vinil, a fórmica e superfícies semelhantes com sabão neutro e água tépida, sem fazer muita espuma, e seque com uma toalha ou pano macio.
● Use um aspirador de pó ao invés de um limpador de carpetes em seu tapete; passe-o vez após vez em cada parte do tapete. Apenas desse modo poderá sugar as agudas partículas de areia que repousam no fundo do tapete e que cortam a felpa quando se anda em cima delas.
● Para conservar qualquer quarto com ar fresco, derrame óleo de hortelã em algodão e tampe-o em pequeno jarro ou prato coberto. Destampe-o quando necessário.
Sugestões Econômicas
Poderá duplicar a vida de seus lençóis por lavá-los apenas a cada duas semanas; ponha um lençol limpo de cima numa semana; na semana seguinte coloque embaixo o lençol de cima, pondo um lençol limpo em cima. Quando começarem a mostrar sinais de desgaste, corte-os ao meio e costure as metades externas juntas.
Se puder, vire seus tapetes anualmente, de modo que o desgaste seja distribuído.
De todos esses meios e de muitos outros, poderá mostrar sabedoria prática e ser o tipo de dona-de-casa que é fonte de orgulho e alegria tanto para seu marido como para seus filhos.
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