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De que tipo de música gosta?A Sentinela — 1983 | 15 de julho
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genro Jacó: “Por que tiveste de fugir secretamente . . . , e não me informaste, para que eu te despedisse com alegria e com cânticos, com pandeiro e com harpa?” — Gênesis 31:27.
Séculos mais tarde, havia a serviço do templo de Deus “quatro mil [levitas] louvadores de Jeová com os instrumentos de que Davi disse: ‘Feitos por mim para dar louvor.’” (1 Crônicas 23:5) O próprio Rei Davi, de Israel, era exímio no uso da harpa de dez cordas, e é provável que ele tenha projetado novos instrumentos musicais. — Salmo 144:9; 2 Crônicas 7:6; 29:26, 27; Amós 6:5.
A MÚSICA DE HOJE
A música talvez prevaleça hoje mais do que antes. Ela se propaga por meio do rádio, da televisão, dos discos e das fitas cassete. E que enorme variedade há! Há a música folclórica, de coral, clássica, de ópera, jazz, sertaneja, sincopada e formas de blues e discoteca da música rock — a lista parece interminável e sempre se modifica. No mesmo passo rápido em que um estilo se desvanece, outro toma o seu lugar.
Portanto, de que tipo de música gosta? Faz realmente diferença a sua preferência? Pode isso afetar suas perspectivas — e seu futuro?
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A música — pode ser ameaça?A Sentinela — 1983 | 15 de julho
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A música — pode ser ameaça?
‘COMO é possível a música ser ameaça?’, você talvez pergunte. ‘No final das contas, a música é apenas som.’ É verdade, mas os sons podem causar profunda influência em nós. Quem não reage a um grito na calada da noite? E que dizer do contagiante riso? Quando alguém na assistência ri espalhafatosamente, com freqüência a multidão inteira irrompe em gargalhadas.
A MÚSICA TEM PODER
Agora, transforme tais sons em música. Dependendo do tipo da canção ou da música, logo os pés começarão a bater, o corpo a balançar, os dedos a estalar e vozes passarão a acompanhar a melodia. A assistência inteira pode ser influenciada! Por meio de quê? Pelo som da música.
Por exemplo, em certa ocasião, Davi, já mencionado, serviu como músico na corte do Rei Saul. O rapaz era “perito em tocar” a harpa. E sua música ajudava a acalmar o perturbado Saul. — 1 Samuel 16:18-23.
A música mexe com as emoções. Uma multidão talvez se levante quando um grupo de jazz comece a tocar uma música conhecida. Os amantes da música clássica talvez sejam dominados pela emoção ao ouvirem a Abertura 1812 de Tchaikovsky. Ouvindo o fragor das batalhas, canhões atirando e sinos tocando vitória, eles quase que se imaginam presentes na ocasião. Sim, a música tem poder.
Durante séculos, políticos e governantes usaram esse poder para influenciar o coração das pessoas. Como? Por meio de hinos nacionais e canções patrióticas. Que extraordinário uso fizeram Hitler e o partido nazista do hino Deutschland, Deutschland über alles (Alemanha, Alemanha, acima de tudo) para conduzir as massas por um caminho de morte e destruição! É curioso que esse hino se baseava na música clássica composta por Haydn. Em resposta a isso, os britânicos cantavam fervorosamente “Deus Salve o Rei”. Hitler, por sua vez, também apreciava muito a música de Wagner.
O poder persuasivo da música se evidenciava também nos tempos bíblicos. O registro de Êxodo nos informa que enquanto Moisés estava no monte Horebe, recebendo de Jeová as tábuas da Lei, os israelitas ficaram impacientes e mandaram que Arão, irmão de Moisés, lhes fizesse outro deus — uma estátua fundida de bezerro. Depois, ofereceram sacrifícios a esse ídolo numa festividade religiosa. E o que aconteceu a seguir? “O povo se assentou para comer e beber. Levantaram-se então para se divertir.” — Êxodo 32:1-6.
Quando Moisés e Josué desceram do monte, ouviram gritaria no acampamento israelita. Josué pensou que fosse barulho de batalha. Mas Moisés interpretou corretamente o som. Era canto, mas não de uma realização potente de batalha ou de uma derrota. Era “o som de outro canto”. Com base no tipo incomum de som, Moisés percebeu que a música tinha ligação sinistra. Que ligação era essa? O povo estava cantando e dançando em volta do bezerro de ouro. Estava participando duma idolatria desenfreada acompanhada de música e dança. A música era um aspecto destacado de sua adoração falsa e imoral. — Êxodo 32:7-25.
Esse acontecimento fornece algumas lições para os cristãos hoje em dia. Em primeiro lugar, a música pode influenciá-lo. O mundo moderno é muitíssimo orientado pela música. Mas, será que música estridente e outros tipos de música popular, com conotações sexuais que conduzem à moral desenfreada, deveriam ser tocadas em reuniões das Testemunhas de Jeová? Isso nunca devia acontecer! Mas, em anos recentes, tem havido uma tendência de se ser indulgente nesse respeito, até mesmo alguns anciãos e pais fechando os olhos a isso. Parte dessa música tem glorificado a imoralidade, a rebeldia, os tóxicos e até mesmo o espiritismo.
Significa isso que a música é em si mesma necessariamente uma influência negativa? De modo algum. Conforme já foi mencionado, a música era usada na adoração sagrada de Jeová. E Jesus, em sua ilustração da volta do filho pródigo, falou de o pai comemorar com “um concerto de música e dança”. — Lucas 15:25.
PODE A MÚSICA TRANSMITIR UMA FILOSOFIA?
Nos nossos dias, a música desempenha um papel muito mais insistente na vida diária. Nas últimas décadas, uma vasta indústria mundial se expandiu rapidamente, produzindo anualmente centenas de milhões de discos e fitas cassete. Ao passo que uns cem anos atrás ouvir execuções ao vivo ou tocar um instrumento era o único contato que se tinha com a música, e isso raramente, hoje em dia ouvir música faz parte da vida cotidiana. Portanto, é pertinente a pergunta: Pode a música transmitir uma filosofia? Pode a música influenciar o modo de pensar e de viver duma pessoa?
Encontra-se uma resposta imediata na propaganda de rádio e de televisão. Muitos anúncios comerciais são acompanhados de música. Assim, com a ajuda da música, o nome do produto é gravado na mente — mesmo na mente das crianças, até as mais novas.
No antigo Israel, a música era usada de modo similar, mas com um propósito muito mais nobre. Os salmos eram cantados, o que sem dúvida ajudava as pessoas a decorar o texto. Por exemplo, o registro bíblico nos diz que, na inauguração do templo de Salomão, os cantores levitas foram reunidos e também outros “com címbalos e com instrumentos de cordas e harpas . . . e junto com eles sacerdotes no número de cento e vinte tocando as trombetas; e . . . os que tocavam as trombetas e os cantores eram como que um, fazendo um só som ser ouvido em louvor e em agradecimento a Jeová”. Neste caso, a música foi inspiradora e edificante. Serviu para louvar a Jeová. — 2 Crônicas 5:12, 13.
É provável que naquela ocasião eles estivessem cantando e executando o Salmo 136, e a música certamente os ajudaria a lembrar das palavras. Isso ilustra o ponto de que a música pode transmitir uma mensagem. Pode ser também um meio para a divulgação dum produto ou duma filosofia, ou para a recomendação dum estilo de vida, quer a música venha acompanhada de letra quer não. Isto se dá hoje, quer falemos do estilo da música clássica, quer do da música moderna.
Por exemplo, a Encyclopaedia Britannica, em sua biografia de Ludwig van Beethoven, “amplamente considerado o maior compositor que já existiu”, declara: “Ele revelou mais vividamente do que qualquer outro de seus predecessores o poder que a música tem de transmitir uma filosofia de vida sem o auxílio dum texto falado.” Sua universalmente famosa Sinfonia Pastoral é um exemplo disso. Transmite claramente o amor de Beethoven pela natureza. Sim, a música pode comover-nos e influenciar nossas emoções.
Veja outro exemplo nas obras do compositor austríaco Gustav Mahler, atualmente em voga entre os amantes da música clássica. Certo musicólogo falou da “obsessão pela morte” desse compositor e descreveu “a incessante busca para descobrir algum significado na vida que havia de permear a vida e a música de Mahler”. Falando de sua Sinfonia N.º 1, o escritor descreveu seu conteúdo, dizendo: “A alegria da vida é enuviada por uma obsessão pela morte.” Ele prossegue dizendo: “A Sinfonia N.º 2 começa com a obsessão pela morte . . . e culmina numa confissão da crença cristã na imortalidade. . . . O elemento religioso nestas obras é de grande significado.” Portanto, surge agora a questão: Poderiam a confusão religiosa, as obsessões e a neurose de Mahler influenciar o ouvinte?
Outro caso é A Sagração da Primavera, de Stravinsky. Essa música de balé representa um rito pagão em que uma jovem virgem dança até morrer, para aplacar o deus da primavera. Esse rito, como escreveu certo comentarista, “é aqui expresso em música, cuja característica mais imediatamente impressionante é seu poder rítmico — a força hipnótica e compulsiva de padrões rítmicos”. O efeito é de surpreender e talvez de desinquietar. De fato, “foi projetado para derrubar as convicções européias quanto à tradição musical”.
Portanto, mesmo a música clássica devia fazê-lo parar e perguntar-se: Será que o contato excessivo com certo tipo de música tende a deprimir-me ou a superexcitar-me? Será que a filosofia do compositor se infiltrará em mim, afetando talvez negativamente o meu modo de pensar? Naturalmente, se a música do compositor não minar a fé no Criador e em Suas grandiosas obras, a influência dele talvez acabe sendo neutra ou até mesmo bem positiva. Por outro lado, é possível ouvir uma música sem nunca saber em que pensava o compositor. Neste caso, o significado, se houver algum, dependerá inteiramente da imaginação do ouvinte.
Assim, podem tais critérios aplicar-se à música moderna? É edificante ou degradante a música moderna? Poderia constituir uma ameaça à moralidade e à espiritualidade cristãs? Nosso próximo artigo analisará essas e outras questões.
[Foto na página 5]
A música pode ser usada para fins sinistros.
[Foto na página 6]
São todas as músicas deles edificantes?
MAHLER
WAGNER
STRAVINSKY
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Tendências modernas na música — podem elas influenciá-lo?A Sentinela — 1983 | 15 de julho
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Tendências modernas na música — podem elas influenciá-lo?
POIS bem, que dizer da música moderna — o rock, o punk, o funk, o blues sincopado, o estilo country e todas as diversas outras tendências que se proliferam hoje em dia? Podem elas, acompanhadas ou não de letra, influenciar seu modo de pensar ou minar sua espiritualidade?
Bill Mullane, ex-músico de rock, de Nova Jersey, EUA, explicou a coisa do seguinte modo: “Quando eu era baixista num conjunto de rock, o efeito todo era físico. O insistente ritmo frenético e o estilo agressivo simplesmente contagiava a gente. Como músico, tornei-me parte disso. Daí, quando notava a platéia corresponder e deixar-se levar pelos mesmos impulsos primitivos, eu queria provocá-la mais. Esse é o tipo de som que é. Ele cativa você.
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