-
Paz e segurança — a esperançaA Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
-
-
militar quando soldados sob sua bandeira entraram na Coréia em 1950 e no Congo (atual Zaire) em 1960. Ainda há forças de paz da ONU em Chipre e no Oriente Médio. Sim, nos últimos 40 anos as Nações Unidas deixaram sua marca. Mais de 150 países têm indicado que reconhecem isso por enviar delegados à sua singular sede na cidade de Nova Iorque, às margens do East River.
Mas, até que ponto têm as Nações Unidas cumprido seu mandato básico de “manter a paz e a segurança internacionais”? E que efeito terá o proclamado “Ano Internacional da Paz”?
-
-
Paz e segurança — de que fonte?A Sentinela — 1985 | 1.° de outubro
-
-
Paz e segurança — de que fonte?
EMBORA as Nações Unidas tenham realizado serviços valiosos em alguns campos, qualquer pessoa que se mantêm em dia com as notícias tem de admitir que até o momento elas fracassaram no campo da paz e da segurança. Isto é abertamente admitido pelos mais ardentes defensores da organização.
Assim, em 1953, apenas oito anos após sua criação, Dag Hammarskjöld, o então secretário-geral, confessou: “Ao passo que os nossos antepassados sonhavam com um novo céu, nossa maior esperança é que se nos permita salvar a velha terra.” Vinte e seis anos depois, C. William Maynes, subsecretário de estado dos Estados Unidos, viu-se obrigado a admitir: “O principal objetivo do Conselho de Segurança e da Assembléia Geral era manter a paz e a segurança internacionais. . . . Vocês têm evidências de que a organização fracassou no seu objetivo central.”
Quão Relevante?
A verdade é que a maioria das decisões importantes que influíram na paz e na segurança nos últimos 40 anos foram tomadas em grande parte fora do âmbito das Nações Unidas. Em 1982, o secretário-geral Javier Pérez de Cuéllar lamentou o fato de que “este ano, vez após vez vimos a Organização deixada de lado ou rejeitada, por este ou aquele motivo, em situações nas quais devia e podia ter desempenhado um papel importante e construtivo”. Por que se dá isso?
Alguns apontam o aumento fenomenal no número de membros da organização como um dos motivos. Os 51 membros originais aumentaram para mais de 150, cada qual com igual voto na Assembléia Geral. Mas, algumas dessas nações são bem pequenas. Assim, a nação-ilha de São Cristóvão e Nevis, a 158.º nação a juntar-se à organização, tem uma população inferior a 50.000 habitantes, contudo tem voto igual à China, cuja população está perto de um bilhão. Realmente, este arranjo dá às nações menores a oportunidade de serem ouvidas; mas dificilmente incentiva as potências maiores a tomar a sério as decisões da organização.
Um segundo problema é mencionado por Shirley Hazzard: “Poderes de coação não foram investidos na Organização das Nações Unidas, exceto no que diz respeito a talvez residirem nos próprios membros que mais provavelmente necessitassem ser compelidos.” Em outras palavras, a organização pode tomar decisões, mas, na maior parte, não pode fazê-las vigorar. Regularmente, importantes problemas mundiais são discutidos em detalhes. Resoluções são solenemente passadas — e depois esquecidas. Em 1982, o secretário-geral da ONU sentiu-se induzido a deplorar a “falta de respeito para com suas decisões por parte dos a quem estas se dirigem”.
Esses são problemas organizacionais — e há outros mencionados pelos analistas. Porém, há motivos mais profundos e graves que explicam por que as Nações Unidas fracassaram.
Os Problemas mais Profundos
“Parecia então possível estabelecer, como prioridade máxima, um sistema para manter a paz e a segurança internacionais sob as provisões da Carta”, disse Javier Pérez de Cuéllar, relembrando o idealismo dos fundadores da organização. “Que aconteceu com essa majestosa visão? Logo foi obscurecida pelas diferenças das principais Potências. . . . Ademais, o mundo revelou-se um lugar mais complexo e muito menos ordeiro do que se esperava.”
De fato, nunca houve possibilidade de as Nações Unidas produzirem paz e segurança. A tarefa é simplesmente difícil demais. Os comentários do secretário-geral nos fazem lembrar as palavras do profeta Jeremias: “Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” (Jeremias 10:23) Os humanos, de sabedoria e capacidade limitadas, nunca conseguirão solucionar o problema de produzir paz e segurança para todos.
O secretário-geral disse que os fundadores das Nações Unidas descobriram que o mundo é “mais complexo” do que esperavam. Há um motivo básico para esta situação, e, pelo visto, não estavam apercebidos deste. Mas, o apóstolo João o explica da seguinte forma: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) A Bíblia nos diz que hoje o “iníquo”, Satanás, está causando “ai” para a terra, “tendo grande ira”. (Revelação [Apocalipse] 12:12) A sinistra realidade de Satanás e de sua influência fadaram ao fracasso os esforços das Nações Unidas de produzir paz mesmo antes de a organização começar.
Lembre-se também de que a Organização das Nações Unidas é produto deste mundo, e, portanto, possui características dele. As fraquezas, os males e a corrupção que caracterizam as nações individuais também existem inevitavelmente nas Nações Unidas. Alexander Solzhenitsyn foi citado como dizendo em 1972: “Um quarto de século atrás, com grandes esperanças para toda a humanidade, nasceu a Organização das Nações Unidas. Lamentavelmente, num mundo imoral ela também cresceu imoral.” A Bíblia adverte: “‘Não há paz para os iníquos’, disse Jeová.” (Isaías 48:22) Uma organização “imoral” nunca poderá produzir paz e segurança.
Que Dizer da Paz e da Segurança?
Portanto, fará alguma diferença a declaração de 1986 como “Ano Internacional da Paz”? Isso é bem improvável, visto que os já mencionados problemas são completamente insolúveis para os humanos. A possibilidade de o ‘Ano da Paz’ aproximar mais a
-