-
Um “Dia Nacional de Ação de Graças” — o sonho e a realidadeDespertai! — 1977 | 22 de maio
-
-
que aplicassem o princípio encontrado em Efésios 5:20. Em nome de Jesus Cristo, deviam ‘dar sempre graças por todas as coisas a nosso Deus e Pai’. Sim, repetidas vezes se sublinhou a atitude de constante apreço da provisão e proteção de Deus. As palavras “graças” e “agradecimento” são usadas mais de quarenta vezes nas Escrituras Gregas Cristãs.
Inversamente, a idéia de um único dia de graças sem dúvida faria os cristãos primitivos lembrar-se dos romanos pagãos, que realizavam uma celebração anual de agradecimentos em dezembro. Um escritor do segundo século comentou: “Nós [cristãos] somos acusados dum sacrilégio menor, porque não celebramos, junto com vocês, os feriados dos Césares, dum modo proibido tanto pela modéstia e decência como pela pureza.”
O que, então, é provável que o cristão moderno conclua, ao encarar este feriado nacional? Examinando muitas das atuais práticas, poderá lembrar-se de Segunda Coríntios 6:14, onde lemos: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos. Pois, que associação tem a justiça com o que é contra a lei?”
Naturalmente, muitos cristãos dedicados não estarão trabalhando no serviço secular naquele dia. Alguns talvez resolvam aproveitar esta oportunidade para associar-se com a família e amigos. Todavia, que “espírito” manifestará o cristão? É verdade que Deus criou os perus e outros alimentos, de modo que estes, em si, não são objetáveis. Mas, sem dúvida, quem for verdadeiro cristão desejará ter cuidado de não fazer outros tropeçarem.
Considere o que diz o apóstolo Paulo, conforme registrado em Primeira Coríntios, capítulo dez. Ele arrazoa que os cristãos deviam, sabiamente, evitar comer diante de outros um alimento perfeitamente aceitável se isso os fizesse tropeçar. ‘Respeite a condolência de seu irmão’, é a mensagem.
Assim, em 24 de novembro, o declarado “dia de ação de graças” em 1977, nos EUA, as pessoas ali terão de fazer decisões pessoais. Os cristãos dedicados por certo não desejarão transmitir a outros a idéia de que crêem na gratidão de um só dia por ano. Realmente, não deviam todos que professam o cristianismo incentivar o espírito espontâneo de agradecimento — provindo do coração — o ano inteiro?
-
-
A conferência sobre habitat — uma esperança para a humanidade?Despertai! — 1977 | 22 de maio
-
-
A conferência sobre habitat — uma esperança para a humanidade?
Do correspondente de “Despertai!” no Canadá
A PALAVRA “habitat” significa um lugar de habitação, onde vivemos. A habitação ou “lar” do gênero humano é, em geral, o planeta Terra, e, especificamente, a cidade ou o povoado, e a casa duma pessoa.
Atualmente, o lar da humanidade acha-se em má situação, e está ficando pior. Alguns afirmam que está em jogo a sobrevivência da família humana. É por isso que as Nações Unidas se reuniram na “Conferência Sobre Núcleos Habitacionais Humanos (Habitat)” em meados de 1976, em Vancouver, Canadá.
“O mundo é um navio, e todo mundo está na terceira classe”, disse a perita em questões do meio ambiente, Barbara Ward, na conferência. Sublinhou ela a gravidade da condição da terra como lar de todos por referir-se às condições inferiores de vida como “terceira classe”. Nos transatlânticos, os passageiros de terceira classe pagam as passagens mais baratas para as piores acomodações.
Muitos mencionaram a conferência como sendo um momento decisivo para as Nações Unidas. Por quê? Porque se achava que o êxito ou o fracasso da conferência determinaria se a ONU possuía qualquer relevância nas soluções dos problemas globais.
Os Alvos
Os planejadores da conferência tentaram focalizar a atenção nos avolumantes problemas da habitação urbana. Há cerca de cem anos, só havia onze cidades do mundo com uma população de um milhão. Mas, prediz-se que, em 1985, haverá 273 cidades desse tamanho, 147 das quais em países menos desenvolvidos.
Por volta do ano 2000, a continuar as atuais tendências, haverá realmente mais moradores em cidades do que nas zonas rurais, numa população mundial entre seis e sete bilhões. Esta surpreendente mudança do habitat humano provoca muitos problemas gigantescos.
Pense, por exemplo, nas insaciáveis demandas das crescentes cidades que tragam a boa terra agrícola — cada vez mais pessoas, mas cada vez menos terra para produzir alimentos para alimentá-las. Pense, também, na enorme inflação do preço da terra, à medida que a terra boa se torna escassa. O destino final, sanitário, dos dejetos humanos, e o contínuo suprimento de suficiente água limpa são dois outros problemas que se agigantam.
Pense, também, nas nações em desenvolvimento. A ampla maioria dos pobres do mundo vivem em aldeias rurais e em favelas urbanas de vários países não-industriais. Podem as pessoas privilegiadas da terra ser induzidas a ajudar as carentes? Os alvos da Habitat incluíam as soluções de tais problemas.
Era neste último sentido que se pretendia que a Habitat fosse diferente das cinco outras conferências globais realizadas sob os auspícios da ONU nos últimos dez anos. Estava fortemente orientada para as soluções dos problemas, ao invés de a simples definição deles. Também, era a maior e a mais representativa conferência já realizada. Grupos de delegados de cerca de 140 nações se reuniram em Vancouver.
Semanas antes da chegada dos delegados, o assunto Habitat enchia os jornais de Vancouver. Letreiros e cartazes de ruas aguçaram o apetite para a ‘festa’ que viria. Bandeiras e flâmulas tremulavam de mastros e postes de luz. Um espírito otimista permeava o ar.
Mas, havia também muito ceticismo sobre tal conferência. Um cantor folclórico, ao tirar uma música em seu violão, cantou: “Fico imaginando o que querem dizer em tudo que afirmam, palavras e mais palavras, palavras, palavras, palavras.” Seu ponto de vista expressava os sentimentos de muitos.
Sessões Principais
A conferência principal foi realizada no Teatro Rainha Elizabeth de Vancouver. A reunião começou com uma nota de idealismo e esperança. No discurso básico, o Primeiro-Ministro Trudeau, do Canadá, disse que a humanidade entrara numa “era de uma comunidade de interesses, vital para a sobrevivência da espécie”. Instou com o mundo a que trabalhasse em favor duma “conspiração de amor”.
Outros passos auspiciosos foram dados na semana. Adotaram-se resoluções que exigiam a ação contra os seguintes problemas:
(1) O crescimento de favelas e aglomerados de malocas.
(2) O êxodo insalubre de pessoas do interior para a cidade.
(3) Os lucros excessivos dos especuladores de terrenos.
Outros itens adotados incluíam a convocação de água pura para o mundo inteiro até 1990, a necessidade de controlar a conversão de terras agrícolas em uso urbano, incentivos para conservar energia e desenvolver novas formas de energia, e encorajamento para as mulheres terem uma parte maior nas atividades nacionais, e promover maior envolvimento público no processo decisório.
Questão Explosiva
No entanto, houve avisos de tempestades quanto a se esperar contínua boa vontade e cooperação. Tais avisos tinham que ver com o esperado consenso sobre a crucial Declaração de Princípios preparada por uma comissão. Nesta declaração se incluía a indicação de como as nações encaravam coisas tais como a discriminação racial.
Antes, em 1976, as Nações Unidas aprovaram uma resolução que condenava o sionismo como uma forma de racismo e de discriminação racial. Temia-se que esta questão rompesse a harmonia da Habitat. Deveras, as manchetes de jornais avisavam sobre a tempestade que se formava. Um deles disse: “Canadá Tem Esperança de que Habitat Arquive Questão Sionista”. Outro declarou: “Israelenses em Habitat Esperam a Política do Bom Senso.”
Entretanto, a questão do Sionismo gerou uma tempestade política que ameaçou destroçar o navio “Habitat”. Já no 4.º Dia da conferência, dezenas de delegados do “Terceiro Mundo” abandonaram o recinto quando o chefe da delegação israelense se levantou para falar. Ademais, houve demonstrações nas ruas devido a outras questões políticas. E, nos discursos da conferência, ainda outras questões políticas foram incluídas em seus trâmites. Obviamente, o alvo de excluir as questões políticas divisórias não seria alcançado.
Ao chegar o dia da apresentação da Declaração de Princípios, alguns ainda se sentiam otimistas de que um compromisso obteria a aceitação geral. Febris negociações nos bastidores, sobre o fraseado da declaração, procuravam evitar uma divisão entre o chamado “Grupo dos 77” (associação dos países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina) e o bloco ocidental quanto à questão do sionismo.
Por fim, irrompeu a tempestade. A “nova maioria” de nações do “Terceiro Mundo” — o “Grupo dos 77” — se tornara agora um grupo de mais de cem nações. Votaram a favor de alterar as regras para a aprovação de uma moção, bastando a maioria simples para isso, e não a maioria de dois terços. Ademais, aprovaram uma emenda muitíssimo debatida à Declaração de Princípios, condenando povoados que consolidem ocupações de “terras adquiridas pela coerção e subjugação”. Esta referência, obviamente, incluía a ocupação israelense de terras árabes.
No último dia da conferência, a emendada Declaração de Princípios foi submetida à aprovação. Nisso, o navio “Habitat” rompeu-se em dois. Quinze nações, inclusive o Canadá, os Estados Unidos e Israel, recusaram-se a votar a favor da declaração. O principal delegado canadense chamou o resultado final “uma questão de profundíssima lástima e tristeza”. O delegado dos Estados Unidos disse: “A continuação desse tipo de tática não é um bom presságio para o apoio e a participação de meu país em futuras conferências da ONU relacionadas aos problemas globais.” Naturalmente, outras nações tinham opiniões diferentes sobre este assunto.
Mais uma vez, uma grande conferência da ONU demonstrou que a realidade política é um Grande Canyon que divide os ideais da realidade. No fim, Habitat produziu uma imagem terrivelmente dividida. Na verdade, muitos expressaram compaixão pelos pobres do mundo. Mas, este ideal foi terrivelmente obscurecido pela rivalidade das nações. A esperada “conspiração de amor” do primeiro-ministro canadense se transformara numa conspiração de ódio. Declarou um colunista local: “Será que ouvimos — ouvirá a história — os estertores das Nações Unidas conforme as conhecemos?”
-
-
A fé em Deus, um modo de vidaDespertai! — 1977 | 22 de maio
-
-
A fé em Deus, um modo de vida
UMA enquête entre os norte-americanos, feita pelo Centro de Pesquisas de Diretrizes, em 1974, mostrava que 69 por cento estavam “absolutamente certos de que Deus existe”. Poder-se-ia afirmar que isto significava que todos eles tinham fé em Deus? Dificilmente! Por que não? Porque a fé em Deus é um modo de vida.
Há ampla diferença entre crer que Deus existe e ter fé em Deus. Assim, os cidadãos dum país poderiam saber que certo político existe. Mas, significaria isso que todos depositam fé nele a ponto de votarem nele para presidente? Não, de forma alguma!
O escritor bíblico, Tiago, frisa este mesmíssimo ponto: “Tu tens suficiente fé para crer que só existe um Deus. Excelente! Os Diabos têm uma fé semelhante a essa, e isto os faz tremer. Mas, não consegues ver, ó tergiversador, que a fé divorciada de ações é estéril? Assim como o corpo está morto quando não resta nele nenhum fôlego, assim a fé, divorciada de ações, é tão sem vida quanto um cadáver.” Em outras palavras, a fé em Deus é um modo de vida, resulta em ação, ou, de outra forma, é uma fé como um cadáver. — Tia. 2:19, 20, 26, New English Bible.
Jesus Cristo frisou este mesmo ponto vez após vez. Assim, concluiu seu Sermão do Monte com uma ilustração que contrastava o homem sábio, que acatou as palavras de Jesus, tornando-as seu modo de vida, com o homem tolo que se contentava apenas em ouvir o que Jesus disse, mas que nada fez a respeito. Semelhantemente, Jesus censurou com firmeza os que se ‘aproximavam de Deus com seus
-