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. . .Mas, são perigosos todos os tóxicos?Despertai! — 1978 | 8 de abril
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seja tão ruim, a ponto de ficarem “drogadas” numa sala de aula, mostrarão comedimento quando se trata de dirigir um carro? Por isso, o uso de tal tóxico dificilmente é uma simples questão “pessoal”. A família, os colegas de escola ou de trabalho, e até mesmo pessoas completamente estranhas podem ser atingidas e, possivelmente, feridas.
E, embora a controvérsia científica atual tenda a anuviar os perigos médicos da maconha, isto não quer dizer que não existam certos perigos inquestionáveis.
Riscos Médicos Comprovados
Além dos riscos ainda controversiais, tais como danos cerebrais, inibição do crescimento celular, redução da produção de espermatozóides, de danos cromossômicos e outros, subsistem certos perigos médicos sobre os quais há pouco desacordo.
Um deles é o dano causado aos pulmões. “A maconha é muito mais irritante para o trato respiratório do que o fumo”, declara o Dr. Nicholas A. Pace, presidente da Sucursal da Cidade de Nova Iorque do Conselho Nacional de Alcoolismo. “São necessários 20 anos de fumo inveterado de cigarros para produzir o mesmo tipo de grave sinusite, faringite, bronquite e enfisema produzido por um só ano do fumo diário de maconha.”
Adicionalmente, a Medical Letter relata uma pesquisa que revela que a “fumaça dos cigarros de maconha, como a fumaça dos cigarros de fumo comum, acelera a transformação maligna das células pulmonares em uma cultura de tecidos”. A evidência médica sobre este risco de câncer também é citada pelo Dr. Hardin Jones: “Biópsias bronquiais feitas de 30 soldados estadunidenses na Alemanha, que fumavam de 25 a 30 gramas de haxixe (da mesma planta, porém mais rico em THC que a maconha) num mês, durante vários meses, mostravam que 24 deles possuíam lesões pré-cancerosas.”
Por isso, não é possível rejeitar, como sendo ainda controversiais, todos os riscos para a saúde provenientes do uso da maconha.
Que Dizer da Cocaína?
Outro entorpecente que muitos crêem ser relativamente “seguro” é a cocaína. Tem-se tornado brinquedo de gente rica e famosa, e de outros que podem dar-se ao luxo de comprá-lo ou de roubar bastante dinheiro para consegui-lo. Há menos de um século, a cocaína era misturada num produto de vinho, louvado por quatro reis europeus, presidentes dos EUA e da França, o grande rabino da França, e os Papas Pio X e Leão XIII, que concedeu uma medalha de ouro ao seu fabricante. Até mesmo o refrigerante Coca-Cola era misturado com cocaína durante seus primeiros dezessete anos, até que a cafeína substituiu tal estimulante, por volta de 1903.
Descrevendo o efeito que a cocaína exerce, disse certo escritor: “Ela o atinge no cérebro, ativando as conexões de puro prazer. . . . O cérebro carregado de C é uma endoidecida máquina de pinball, lampejando luzes azuis e rosas num orgasmo elétrico.” Outro disse: “Sob a cocaína, sinto-me como um rei.”
Qual é, porém, o preço pago por esta breve fuga da realidade? O pesquisador de Harvard, Dr. Andrew Weil, explica que “a cocaína não concede miraculosamente energia ao corpo; ela simplesmente libera energia já estocada quimicamente em certas partes do sistema nervoso. Por conseguinte, quando o efeito imediato desse entorpecente se esvai, a pessoa se sente ‘deprimida’ — com menos energia do que a normal.”
“Mergulho das alturas do céu até às profundezas do abismo”, diz um dependente. “Fico sensível demais à crítica”, afirma outro. “Não desejará estar perto de mim quando eu termino de ‘cafungar’.”
Um estudo recente sobre a cocaína, que durou 4 anos, feito pelo Instituto Nacional de Toxicomania, afirma que, longe de ser divertimento inofensivo, a cocaína é “grave tóxico viciador” que apresenta efeitos colaterais, inclusive a ansiedade, a insônia, as delusões paranóicas, e até mesmo a morte.
Vale a Pena?
Alguns talvez argumentem que a cocaína, como a maconha, também é usada com finalidades médicas. Por isso, crêem, tem de ser segura. Mas, só porque certa droga é usada com êxito no tratamento de doentes não significa que não seja perigosa. “Até mesmo as drogas mais benéficas possuem, notoriamente, efeitos adversos”, escreve um professor de farmacologia. “O melhor que se pode dizer de qualquer droga é que seus efeitos benéficos ultrapassam os seus efeitos prejudiciais — para a maioria dos pacientes, na maioria das vezes.”
Assim, no esforço de curar um mal maior, tomar qualquer droga é um risco calculado. A pessoa doente ou seu médico tem de decidir se deve assumir tal risco. Mas, que motivo existe para se tomar um tóxico que provoca danos, quando não existem quaisquer motivos médicos para fazê-lo? Deve a pessoa envenenar seu corpo apenas para sentir prazer momentâneo? “Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito”, é a resposta de bom senso, encontrada na Bíblia. — 2 Cor. 7:1.
Alguns, porém, talvez argumentem que usar maconha ou cocaína não difere de se usar bebidas alcoólicas, tidas como aceitáveis na maioria das sociedades. “Se o álcool é OK, por que não a maconha e a cocaína?”, arrazoam.
Primeiro, note-se que a maioria das pessoas tomam bebidas alcoólicas como uma forma de refresco e para descontrair-se, e não para embebedar-se. Conforme adrede observado, o corpo trata o álcool de modo similar ao que faz com o alimento, assimilando-o com relativa rapidez. No entanto, o abuso excessivo do álcool, ao ponto em que o raciocínio se torna entorpecido, é outra coisa. Suscita uma verdadeira questão: Pode qualquer droga, ou pode o álcool, quando usado primariamente para alterar a nossa mente, ser considerado moralmente correto como forma de recreação?
Sobre esse ponto, é interessante que, ao passo que aprova o vinho alcoólico como bebida, a Bíblia não o aprova como entorpecente mental: ‘Os beberrões não herdarão o reino de Deus.’ — 1 Cor. 6:9, 10.
O princípio é similar no caso da maconha e/ou da cocaína. Não servem para nenhum fim como alimento ou bebida. São usadas primariamente para alterar a condição mental da pessoa. Isto é prejudicial de vários modos.
Embebedar-se com qualquer tóxico, ou com álcool, deixa as pessoas sujeitas a ações que diferem consideravelmente do que fariam caso tivessem pleno domínio de si. Por exemplo, tal perda de controle pode levar ao sexo promíscuo, com suas conseqüências de doenças, filhos ilegítimos e lares rompidos. Para evitar tais problemas, a Bíblia insta que “cada um de vós precisa aprender a dominar seu corpo . . . não cedendo à luxúria, como os pagãos”. — 1 Tes. 4:3-5, New English Bible.
Mas a pessoa sob a influência dos tóxicos, tais como a maconha e a cocaína, usualmente não exerce completo ‘domínio sobre seu corpo’. O tóxico o faz. Todavia, as pessoas precisam de todas as faculdades para lidar com as hodiernas pressões e para proteger-se das atrações enganosas que podem levar a doenças e angústias. A Bíblia indica sabiamente que “guardar-te-á o próprio raciocínio, resguardar-te-á o próprio discernimento, para livrar-te do mau caminho”. — Pro. 2:11-13.
Alguém tentado pelos tóxicos poderia perguntar a si mesmo: Por que procuro a irrealidade provocada pelos tóxicos? Será que uma pessoa saudável, equilibrada, precisa derivar prazer em alterar a função normal de seu cérebro? Não é a inteira experiência com tóxicos centralizada em si mesma, debilitando sua integridade e sendo prejudicial à saúde?
A toxicomania, conforme declarado pelo Dr. Hardin Jones, “significa realmente destruir o prazer de ser uma pessoa saudável, vigorosa e ativa”. O jovem casal, no artigo que segue, sentiu quão verdadeiro isto é, todavia, aprendeu como tornar sua vida mais plena e significativa, sem tóxicos.
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A toxicomania — nossa jornada de ida e voltaDespertai! — 1978 | 8 de abril
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A toxicomania — nossa jornada de ida e volta
CASO nos visse, provável é que pareceríamos idênticos a qualquer outro casal que encontrasse. A diferença é que eu e Nancy éramos viciados em tóxicos. Talvez nossa história possa ajudar outros, escravizados aos tóxicos, que desejam libertar-se e levar vidas úteis. Talvez também ajude os pais de gente jovem que corteja os entorpecentes.
Quando me recordo do tempo em que éramos adolescentes toxicômanos, fico abismado diante das coisas medonhas que infetavam nossa existência, pois era apenas isso, uma simples existência.
Nem eu nem Nancy sofrêramos, como as chamadas crianças “carentes”. Vivíamos em comunidades de bairros “respeitáveis”, e provínhamos do que se poderia provavelmente
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