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  • França
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1981
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  • RUSSELL LANÇA O ALICERCE
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  • CRISE POLÍTICA E SOCIAL NA FRANÇA
  • PROVISÕES PARA FORTALECIMENTO ESPIRITUAL
  • PREPARAÇÃO DO LIVRO “VERDADE” EM FRANCÊS
  • A ASSEMBLÉIA “PAZ NA TERRA”
  • O LIVRO “VERDADE” ACELERA A OBRA
  • PREPARATIVOS PARA A ASSEMBLÉIA DE TOLOSA
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  • A “TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO” — EM FRANCÊS
  • PROVENDO UMA ESPERANÇA MOTIVADORA
  • SUSPENSA A PROSCRIÇÃO DA “SENTINELA”
  • FAZENDO PROVISÕES PARA AS NECESSIDADES ESPIRITUAIS DE TODOS
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  • ACRESCENTA-SE UM SEGUNDO ANEXO
  • NOVAS PUBLICAÇÕES EM ABUNDÂNCIA
  • OS CONGRESSOS “FÉ VITORIOSA”
  • PERSPECTIVAS DE MAIOR CRESCIMENTO
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1981
yb81 pp. 34-161

França

A França possui mais de 550.000 quilômetros quadrados de território, sendo o maior país da Europa, com exceção da União Soviética. Os franceses têm o costume de chamar seu país de “hexágono” (figura geométrica de 6 lados). Pode ver o motivo disso por examinar o mapa acompanhante da França. O país é favorecido com excelentes praias ao longo das costas do Canal da Mancha, do Atlântico e do Mediterrâneo, e com as majestosas montanhas cobertas de neve dos Alpes e dos Pireneus.

A França é uma república dividida em 96 departamentos administrativos, e inclui a ilha mediterrânea da Córsega. A população francesa, de mais de 53 milhões, é uma mistura de vários gêneros, refletindo seus antepassados distantes: os mediterrâneos, os celtas, os germanos e os latinos. O francês é a língua falada hoje por todos os franceses, embora, onde antigamente era a Alsácia-Lorena, as pessoas mais antigas ainda falem o alemão ou um dialeto local alemão. O polonês é falado por muitos dos mineiros que vieram à França procedentes da Polônia, depois da primeira guerra mundial. Há também um grande número de italianos e argelinos. Recentemente, muitos milhares de trabalhadores espanhóis e portugueses têm vindo à França, o que significa que suas línguas podem ser freqüentemente ouvidas por todo o país.

De modo geral, a França é um país católico, tendo sido a comunidade protestante francesa grandemente diminuída pelas perseguições dos séculos 16 e 17. Entretanto, comentando a situação religiosa na França, a Encyclopœdia Britannica declara:

“Um fenômeno comum a todos os países ocidentais, mas evidente na França num grau acentuado, é o abandono dos grupos religiosos por parte das massas do povo. Isto está associado com o crescimento da industrialização e urbanização. Enquanto as comunidades rurais, em geral, permanecem mais apegadas à fé tradicional, as pessoas das cidades, particularmente nos distritos suburbanos estão no processo de descristianização.”

RUSSELL LANÇA O ALICERCE

A atividade das Testemunhas de Jeová na França remonta ao fim do século 19. Em 1891, o presidente da Sociedade Torre de Vigia, Charles T. Russell, visitou Paris e registrou suas impressões do campo francês na edição em inglês, de novembro de 1891, da Torre de Vigia de Sião (A Sentinela): “Os franceses estão-se voltando rapidamente para a clara falta de fé, embora muitos ainda sejam cegados pela crassa superstição papista.”

Entretanto, esta impressão desfavorável não impediu o irmão Russell de mandar traduzir os Estudos das Escrituras para o francês. Fez também arranjos para que vários tratados e panfletos fossem traduzidos para o francês, lançando assim o alicerce para a futura pregação das boas novas na França.

UM OBSCURO LENHADOR SUÍÇO

Em alguma ocasião, na década de 1890, um obscuro lenhador suíço, chamado Adolphe Weber, viajou para os Estados Unidos. Ali, em Pittsburgo, ele trabalhou para o irmão Russell como jardineiro e adquiriu dele um profundo conhecimento das Escrituras. Depois de certo tempo, Weber ofereceu-se a voltar à Europa para pregar o Evangelho nos países onde se fala o francês. Por fim, o irmão Russell aceitou sua proposta e concordou em financiar a obra de pregação nas partes da Europa onde se fala o francês.

Adolphe Weber era um homem simples, de aparência camponesa. Mas ao mesmo tempo, era um cristão devoto, maduro, que conhecia bem os idiomas inglês, francês e alemão. De volta à suíça, publicou anúncios dos Estudos das Escrituras e folhetos escritos pelo irmão Russell, em jornais e revistas religiosas de língua francesa.

PRIMEIROS SINAIS DE INTERESSE

Em 12 de agosto de 1900, um francês chamado Elie Thérond, que morava numa pequena cidade chamada Beauvène, na França central, respondeu ao anúncio e encomendou literatura bíblica. Elie reconheceu a chamada da verdade e logo começou, ele mesmo, a divulgar a mensagem. Mais tarde, em 1905, seu lar tornou-se o primeiro depósito na França, onde se atendiam as encomendas de literatura da Torre de Vigia.

Em 1901, Jean-Baptiste Thilmant, um merceeiro que morava num povoado de mineração belga perto de Charlerói, também leu um dos anúncios do irmão Weber e encomendou literatura bíblica. Durante 1902, organizou em seu lar um pequeno grupo de estudantes da Bíblia. Mais tarde, este grupo levou a verdade para a França setentrional, como logo veremos.

O irmão Russell visitou novamente a Europa em 1903 e fez arranjos com o irmão Weber para que se publicasse uma edição francesa da Torre de Vigia de Sião. Esta iniciou como edição trimestral de oito páginas, sendo o primeiro número datado de outubro de 1903. Em janeiro de 1904 tornou-se um periódico mensal.

“CULTIVO” DO SOLO FRANCÊS

Em resultado da campanha de anúncios do irmão Weber na imprensa, mais e mais pessoas estavam encomendando e estudando a literatura bíblica da Sociedade. Durante o verão, Weber trabalhava na Suíça como lenhador e jardineiro, distribuindo tratados e pregando entre os suíços que falavam francês. Depois, partia em longas viagens visitando pessoas, na França e na Bélgica, que haviam encomendado literatura ou assinado para a Sentinela. Durante suas viagens, fazia jardinagem e outros serviços ocasionais para obter seu sustento. Em resultado do serviço devoto do irmão Weber, a verdade começou a se expandir em diferentes partes da França.

Em 1904, o irmão Weber visitou a família Thilmant, perto de Charlerói, na Bélgica. Mostrou-lhes como distribuir tratados do lado de fora das igrejas protestantes e encorajou-os a estender suas atividades ao interior do norte da França. Assim, em agosto de 1904, Thilmant e sua jovem filha Joséphine viajaram de trem à cidade de Denain, na região mineira da França setentrional, onde distribuíram tratados e revistas Sentinela do lado de fora da igreja batista. Diversos membros desta igreja leram a literatura com interesse e assinaram para a Sentinela. Estas famílias logo começaram a levantar perguntas embaraçosas a seu ministro batista, o qual finalmente lhes disse para não virem mais à sua igreja. Decidiram reunir-se para estudar a Bíblia no lar de Jules Lequime, em Haveluy, perto de Denain. A propósito, os filhos e netos destas famílias em Denain — os Lequimes, os Vaucamps e os Polardes — são ainda Testemunhas ativas, e dois dos netos servem atualmente como superintendentes de circuito na França.

Em 1906, o irmão Weber visitou este grupo em Denain e ajudou-os a se organizarem. A congregação de Denain logo começou a distribuir tratados do lado de fora da igreja protestante na cidade vizinha de Sin-le-Noble. Com o tempo, diversas famílias ali vieram a se interessar pela verdade, inclusive a família Palmaert. O irmão Weber organizou-os num grupo que se reunia no lar de Victor Jupin, que faleceu em 15 de novembro de 1969, depois de ter servido fielmente a Jeová por uns 60 anos.

O ministro batista em Denain ainda nutria esperanças de que aqueles que se haviam tornado Estudantes da Bíblia retornassem finalmente à igreja batista. Pensou consigo mesmo: ‘Espere até que um deles morra ou deseje casar-se! Então virão correndo para mim, para dirigir o ofício.’ Suas esperanças foram frustradas primeiro em 1906, quando um irmão faleceu, e novamente em 1907, quando duas das filhas de Lequime se casaram. Irmãos da congregação local dos Estudantes da Bíblia cuidaram dos serviços.

Nesse ínterim, a obra continuava progredindo mais para o sul. O ano de 1907 presenciou um professor escolar, perto de Rennes, distribuindo o Volume I dos Estudos das Escrituras e revistas Sentinela na Bretanha católica. Por volta daquela ocasião, três depósitos de literatura operavam na França, e assinaturas para a Sentinela em francês podiam ser enviadas a qualquer dos três endereços. Perto do fim de 1907, um “Apelo em Busca de Voluntários” foi publicado na Sentinela em francês.

Durante 1908 e 1909, as congregações de Denain e Sin-le-Noble pregaram no território circundante e começaram a formar grupos de estudo em outras cidades, do norte da França, tais como em Lens e Auchel, no Departamento de Passo de Calais.

VISITAS INICIAIS DE PEREGRINOS

De dezembro de 1908 a fevereiro de 1909, Weber fez visitas de peregrino a grupos e irmãos isolados em 20 departamentos, ou distritos administrativos, por toda a França, inclusive grandes cidades tais como Besançon, Grenoble, Valence, Bordéus, Nantes, Rennes, Angers, Paris e Nancy. Nesta época, também, a verdade começou a penetrar na região da Alsácia-Lorena, onde se fala o alemão. O irmão Schutz estava ativo na cidade de Sainte-Marie-aux-Mines, e outros Estudantes da Bíblia, na cidadezinha de Petersbach, distribuíram a publicação Alimento Para os Cristãos Refletivos, em alemão.

Em dezembro de 1909 e janeiro de 1910, três irmãos peregrinos, A. Meyer, S. Seguier e Adolphe Weber, visitaram 34 cidades na França e realizaram reuniões em muitas delas, inclusive em Roubaix, uma grande cidade de manufatura têxtil no norte da França, onde foi organizada uma congregação. A parada mais longa foi em Paris, de 18 a 20 de dezembro de 1909, o que indica que, na capital francesa, se estava desenvolvendo interesse por volta dessa época. Neste mesmo ano, a Sentinela francesa mudou seu nome de Le Phare de la Tour de Sion (literalmente O Farol da Torre de Sião) para La Tour de Garde (A Torre de Vigia [A Sentinela]), nome pelo qual é ainda conhecida hoje.

Em 1910 foi publicado o primeiro número em francês do tratado “Púlpito do Povo”. A edição de abril de 1910 da Sentinela francesa levou outra “Convocação de Voluntários”, que declarava: “Temos agora um grande estoque de tratados Púlpito do Povo. Já foram impressos 100.000 exemplares do primeiro tratado. Este é um número especial que pode ser dado a todos.”

O ano de 1910 encerrou-se com outra viagem peregrina do irmão Weber por toda a França. Iniciou sua viagem em 22 de dezembro de 1910 e visitou 30 grupos de Estudantes da Bíblia na França, terminando sua viagem em 28 de janeiro de 1911. Logo antes de sua viagem, em 4 e 5 de dezembro de 1910, foi realizada uma assembléia geral dos Estudantes da Bíblia no norte da França, em Lens.

RUSSELL FAZ MAIS DUAS VISITAS À FRANÇA

O grande evento, em 1911, foi a visita do presidente da Sociedade, Charles T. Russell. Em 14 de abril, ele falou a um grupo de mais de 100 pessoas numa assembléia realizada em Denain, e, no dia seguinte, a 70 pessoas em Lens. Estavam também presentes a estas assembléias Estudantes da Bíblia vindos da Bélgica. Os irmãos Weber e Alexandre Freytag, outro irmão suíço que começava a desempenhar um papel notável na direção da obra nos países em que se fala o francês, auxiliaram o irmão Russell nestas ocasiões.

De dezembro de 1911 até março de 1912, o irmão Russell fez uma viagem ao redor do mundo. O Souvenir Notes (Anotações de Recordação) que fez a cobertura desta viagem, dizia: “De Roma prosseguimos para Paris, e aqui encontramo-nos com a pequena classe dos Estudantes Internacionais da Bíblia nesta enorme cidade.” Entre os arranjos feitos por Russell, durante sua viagem, estava a provisão para tornar possível, em junho de 1912, a inauguração do que foi chamado de “Escritório Francês” em Genebra, na Suíça. Este seria responsável pela direção da obra na França, na Bélgica e na parte da Suíça onde se fala o francês. O irmão Russell colocou Emile Lanz, dentista suíço que morava em Mulhouse, Alsácia, como encarregado desta filial. Lanz alistou os serviços de Alexandre Freytag, que ajudou na tradução da Sentinela francesa.

Assim, Adolphe Weber, que desde seu início havia supervisionado fielmente a obra nas partes da Europa onde se falava francês na virada do século, cedeu em favor dos mais instruídos irmãos Lanz e Alexandre Freytag. Entretanto, o irmão Weber manteve bom espírito e continuou suas visitas de peregrino, anuais, a congregações e irmãos isolados nos territórios onde se falava o francês. Em dezembro de 1912, partiu numa longa viagem por toda a França, que o levou a 42 cidades e povoados.

UMA CARTA DO PRESIDENTE

O número de março de 1913 da Sentinela francesa publicou uma carta do irmão Russell, dirigida aos irmãos de língua francesa. Nela, entre outras coisas, ele declarou:

“Fiquei contente ao verificar recentemente o crescente interesse demonstrado pelos irmãos na França, Suíça, Bélgica e Itália. Estou muito contente com isso. . . . Tenho de dizer umas poucas palavras sobre o benefício do trabalho dos distribuidores voluntários, que distribuem tratados generosa e sabiamente a qualquer que realmente os ler. Sem dúvida, este trabalho deve ser feito especialmente nas localidades protestantes, de acordo com as instruções que receberão do escritório de Genebra. . . . Espero que se faça um grande esforço este ano na França, com correspondentes grandes bênçãos para todos os voluntários que participarem na obra de colheita. Parece que a obra de colportores não foi tão bem sucedida na França assim como em outros lugares. Lamentamos isto, mas precisamos admiti-lo.”

Foram realizadas diversas assembléias na França durante este ano antes da Primeira Guerra Mundial. Em março, foi realizada uma assembléia de dois dias em Lens, no norte, e durante o verão houve outra assembléia de dois dias na mesma região, em Denain, a que 260 pessoas assistiram.

RUSSELL E RUTHERFORD EM PARIS

Em 31 de agosto de 1913, o irmão Russell passou novamente por Paris, realizando uma reunião na Salle de l’Exposition d’Agriculture, rue d’Athènes, perto da estação Saint-Lazare. Estiveram presentes uns 70 irmãos, inclusive uns poucos que vieram da Bélgica, da Suíça e da Alemanha.

Poucas semanas depois, em 19 de setembro de 1913, Joseph F. Rutherford também proferiu um discurso público em Paris. No dia seguinte, proferiu um discurso público no norte da França, no Grand Theatre de Denain, perante uma assistência de mais de 1.000 pessoas!

RELATÓRIO ANTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Relatando ao irmão Russell sobre o trabalho efetuado na França e na região da Suíça onde se falava o francês, em 1913, o irmão Emile Lanz escreveu:

“Decidimos concentrar nossos esforços especialmente naquelas partes do país onde há protestantes descendentes dos huguenotes e membros de outras seitas protestantes. Estamos organizando reuniões públicas nessas regiões e colhendo os endereços daqueles que demonstram interesse. . . . A Tour de Garde [Sentinela francesa] possui 800 assinantes. . . . O serviço dos irmãos peregrinos está limitado à região da Suíça onde se fala o francês, à França setentrional e à Bélgica, onde há congregações.”

Assim, o período decorrido desde a virada do século até 1913 encerrou-se com a ênfase sendo dada nos protestantes de língua francesa, que perfaziam 1,5 por cento da população, e nem mesmo todos estes, uma vez que a ênfase fora dada no norte da França.

O ano de 1914 também marcou uma ampliação da obra na Alsácia. Em 20 de fevereiro, os irmãos de Mulhouse organizaram a primeira reunião pública a ser realizada em Estrasburgo. O irmão Emile Lanz proferiu o discurso “Onde Estão os Mortos?” perante uma grande assistência. Dentre os presentes, 350 pessoas deixaram seus nomes e endereços. Este interesse foi levado avante por um irmão colportor da Alemanha, e, assim, um pequeno grupo de Estudantes da Bíblia foi formado em Estrasburgo. Em julho, foram batizados sete novos irmãos.

TEMPOS DIFÍCEIS NA FRANÇA

A Sentinela francesa de agosto de 1914 anunciou uma assembléia geral em Denain para os dias 15 e 16 de agosto. Mas, em 3 de agosto de 1914, a Alemanha declarou guerra à França e esta assembléia teve de ser cancelada. No começo de agosto, a Alemanha invadiu a Bélgica e o norte da França. Alguns dos irmãos mudaram-se para a região de Paris, onde se juntaram à pequena congregação já existente ali. Outros irmãos ficaram atrás das linhas de frente e continuaram pregando. Apesar de a área estar ocupada pelos alemães, os irmãos em Denain e nas redondezas podiam realizar reuniões todo domingo. Recebiam cópias da Sentinela, escritas à mão, dos seus irmãos de Charlerói, na Bélgica.

Mais para o sul, o irmão Theophile Lequime, que havia deixado Denain e agora morava na área de Paris, traduzia os artigos da Sentinela e fazia cópias deles para os irmãos. Assim, quer na frente, quer atrás das linhas alemãs, os irmãos recebiam alimento espiritual. Contudo, havia um crescente sentimento de desapontamento entre alguns cristãos ungidos, inclusive o próprio Emile Lanz. Ele viu 1914 chegar ao fim sem os cristãos serem “arrebatados . . . para encontrar o Senhor no ar”, de acordo com seu entendimento de 1 Tessalonicenses 4:17. A obra nas terras de língua francesa estava entrando claramente num período difícil.

Em seu relatório ao irmão Russell sobre o ano de serviço de 1915, Lanz escreveu um longo texto justificando as atividades do escritório de Genebra. No entanto, não incluiu sequer uma palavra sobre os esforços passados que fizeram a obra crescer a tal ponto de se tornar necessário o escritório de Genebra! O irmão Russell ficou desconfiado sobre o modo em que Lanz estava conduzindo as coisas, e, em 1916, enviou de Brooklyn para a Suíça Conrad Binkele, um americano de origem alemã, para investigar os assuntos. Lanz ofendeu-se com isto, demonstrou uma atitude rebelde e finalmente se voltou contra a Sociedade. Assim, o irmão Binkele tomou conta do escritório central da Suíça, em Zurique, e Alexandre Freytag ficou com a supervisão do “Escritório Francês” em Genebra. Essa crise havia terminado.

UMA CRISE MAIOR

O irmão Freytag, que traduzia as publicações da Sociedade para o francês, passou a tomar liberdades, inserindo suas próprias idéias na Sentinela. O irmão Weber reparou em tais modificações e avisou Brooklyn. O irmão Russell, que acabara de designar recentemente Freytag como administrador do escritório de Genebra, escreveu a Weber: “Se ele [Freytag] for um servo mau, isto se manifestará por si mesmo.”

O irmão Russell faleceu em 31 de outubro de 1916, e isto trouxe novas dúvidas e provas aos irmãos, ao passo que aguardavam notícias sobre quem seria seu sucessor. Finalmente, em janeiro de 1917, o irmão Rutherford foi eleito presidente da Sociedade.

Mais tarde, através de uma carta a Freytag, Rutherford encorajou os irmãos franceses a ‘seguirem o programa estabelecido das perguntas bereanas’. Este termo era aplicado às perguntas providas para o estudo em grupo da Sentinela. Parece que em 1917 estes estudos bereanos estavam sendo negligenciados entre as congregações de língua francesa, o que explica o motivo da carta do irmão Rutherford.

Mas, outra razão pela qual o irmão Rutherford insistiu no uso das perguntas bereanas foi para ajudar os irmãos a se apegarem à verdade, conforme publicada pela Sociedade. É bem provável que o irmão Rutherford tivesse sido informado da inclusão das idéias próprias de Freytag na Sentinela, ao traduzi-la. Significativamente, quando Freytag organizou uma assembléia, em Genebra, para os irmãos de língua francesa, de 6 a 8 de outubro de 1917, o irmão Rutherford escreveu uma carta a ser lida na assembléia, que em parte declarava:

“Desejo aproveitar esta oportunidade para cumprimentá-los no amor de Cristo e assegurar-lhes meu profundo interesse na sua felicidade espiritual e terrena. . . . As provas de fogo, que estão sendo permitidas, mostrarão quem está aprovado e quem não está. . . . Todos aqueles que têm orgulho e ambição em seu coração estão em grande perigo, porque os anjos decaídos tirarão vantagem de suas fraquezas e os vencerão, a menos que reajam fortemente contra estas tendências. Qualquer amargura arraigada em seu coração constitui uma brecha para o Diabo. . . . Sejamos mensageiros e servos da verdade, não do erro. . . . Evitemos discussões inúteis e desviemo-nos de toda calúnia e tagarelice. . . . Deus ama a fidelidade e a lealdade, o que significa que devemos ser leais a Deus, leais ao Amo, leais à sua causa e aos métodos que Ele tem organizado para a divulgação da mensagem de seu Reino.”

Embora fosse entusiástico e generoso para com os seus associados, o irmão Rutherford era também do tipo severo e direto. Ele suspeitava daqueles que pareciam trabalhar para obter o seu agrado. Por outro lado, Freytag era um homem que dava grande importância ao grau de posição, e ele gostava de trazer atenção a si mesmo e de atrair admiradores, especialmente entre as irmãs. Assim, Freytag foi um dos que se ofenderam com o irmão Rutherford.

Num relatório da obra na França, impresso na edição de dezembro de 1918 da Sentinela francesa, Freytag criticou abertamente a ‘sede’ por informá-lo de que dali em diante o escritório de Genebra devia tornar-se financeiramente auto-suficiente. Deve ser lembrado que, naquele tempo, o irmão Rutherford e sete outros irmãos da sede de Betel estavam cumprindo injustamente sentenças de prisão em Atlânta, Geórgia, E. U. A. Aparentemente, Freytag raciocinou: ‘Russell está morto. Seus colaboradores estão na prisão. Assim, em harmonia com Revelação 3:15-21, eles são os laodicenses modernos, a quem Deus tem vomitado de sua boca. Eu sou o mensageiro do Senhor. Deus escolheu-me para estabelecer a nova terra e doravante conduzir seu povo.’

A CONGREGAÇÃO DE PARIS INFORMA PITTSBURGO

Em vista desta situação, a congregação de Paris enviou em 19 de janeiro de 1919 uma carta ao escritório de Genebra e uma cópia à sede da Sociedade, que se mudara temporariamente para Pittsburgo, Pensilvânia. Esta carta falava sobre as traduções “errôneas”, para o idioma francês, de livros, folhetos e revistas. Dizia conter “tantas traduções errôneas, que os irmãos hesitavam em vender ou distribuir diversas das publicações”. A carta expressava lamento pelos “métodos usados por um dos administradores responsáveis pelo escritório em Genebra”. Esta carta foi assinada pelo secretário, o irmão H. Roussel, em nome da comissão de anciãos da congregação de Paris.

Naquele mesmo mês, janeiro de 1919, a congregação de Paris formou o que foi chamado de “Comissão Centralizadora” para substituir o escritório de Genebra. Fizeram isto, porque não mais sentiam que a direção vinda através do escritório de Genebra representava a direção do Senhor.

FREYTAG PREPARA-SE PARA ASSUMIR O CONTROLE

Iniciando pelo número de abril de 1919, Freytag imprimiu seu nome na segunda página de cada Sentinela francesa, não mais como “administrador” do escritório de Genebra, mas como “editor” da Sentinela. Ao passo que a edição francesa oficial da Sentinela apresentava cada vez menos a edição em inglês, alguns irmãos da Suíça passaram a publicar, por conta própria, uma tradução mais exata da Sentinela em inglês. Assim, durante certo tempo, houve duas edições francesas da Sentinela circulando entre os irmãos!

Em agosto de 1919, Freytag transferiu uma parte do estoque de literatura da Sociedade e outros bens para seu próprio endereço. Sabendo que a congregação de Paris havia informado Pittsburgo, em janeiro, sobre o que estava acontecendo, e que o irmão Rutherford havia sido solto da prisão em 25 de março de 1919, Freytag, sem dúvida, compreendeu que a Sociedade certamente tomaria logo ação contra ele. Assim, começou a esconder os bens que ele pretendia manter para si mesmo.

Finalmente, na edição de setembro de 1919 da Sentinela francesa, Freytag escreveu um artigo no qual afirmou que a verdade de Deus seria agora difundida através dele em Genebra.

UM ESCRAVO MAU É DISPENSADO

O número seguinte da Sentinela continha uma carta do irmão Rutherford dirigida a todos os leitores da revista em francês. Dizia:

“Prezados irmãos em Cristo,

“. . . Agindo como representante do Senhor, há diversos anos o irmão Russell estabeleceu uma filial da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em Genebra, Suíça, designando o irmão A. Freytag como seu representante local. A posição do irmão Freytag era a de um mero servo da Sociedade e do Senhor. . . . Nunca foi autorizado a publicar qualquer revista ou tratado, ou distribuir quaisquer publicações, exceto as escritas pelo irmão Russell ou sob a sua direção. . . . O caso dele parece ser bem sério, uma vez que agora afirma que o Senhor o designou como seu mensageiro especial, incumbido da conclusão da obra da Igreja.

“Devido à sua conduta infiel, a administração da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados dispensou-o e exonerou-o de toda atividade relacionada com a filial de língua francesa, substituindo-o pelo irmão C. C. Binkele. O irmão Binkele foi autorizado a escolher, sujeito à minha aprovação, um irmão francês para dirigir a obra na França debaixo de sua supervisão.”

FREYTAG LEVADO AO TRIBUNAL

Embora Freytag fosse legalmente dispensado como representante da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, o assunto não terminou aí. O pessoal do escritório tomou o lado dele, e ele se recusou a desocupar as propriedades da Sociedade, rue de la Tour-Maitresse, 7, Genebra. Também, reteve o arquivo de assinantes da Sentinela, da Sociedade, o estoque de literatura e o caríssimo equipamento usado para a exibição do Fotodrama da Criação. Além disso, continuou publicando uma revista intitulada “A Torre de Vigia”.

Todo esforço foi feito para persuadir Freytag a entregar a propriedade da Sociedade, mas sem sucesso. Por fim, o caso foi levado ao tribunal e Freytag foi obrigado a restituir os bens que havia roubado da Sociedade. O escritório da Sociedade, em Genebra, foi fechado oficialmente e suas operações transferidas para Berna, Suíça.

Naturalmente, tudo isso foi uma grande prova para os irmãos na França, na Bélgica e nas partes da Suíça onde se falava o francês. Uns poucos, a maioria na Suíça, seguiram Freytag, o qual fundou uma seita, tendo a si mesmo como “o mensageiro do Senhor”. Com o apoio financeiro de seus seguidores, Freytag comprou mais tarde uma grande casa de campo, fora de Genebra, da qual propagou sua seita. Ela ainda existe na França, debaixo do nome “Os Amigos do Homem”.

RESTAURADA A PAZ, SEGUE-SE BOM PROGRESSO

A obra no território de língua francesa recomeçou com novo vigor. Depois de a questão de Freytag ter sido tratada, os irmãos franceses realizaram um pequeno congresso em Paris, em 28 de setembro de 1919, no qual manifestou-se um excelente espírito de união e paz. Os irmãos decidiram trabalhar em harmonia com os irmãos designados pelo presidente da Sociedade. A “Comissão Centralizadora” foi dissolvida, já que era apenas uma ‘medida de defesa’ contra os procedimentos do escritório de Genebra até que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados reorganizasse a obra.

Mais uma vez, havia apenas uma Sentinela em francês, com o irmão Adolphe Weber de volta à comissão de tradução. O irmão Rutherford escreveu aos irmãos de língua francesa, sua carta sendo publicada na Sentinela francesa de novembro de 1919. Depois de expressar lamento quanto à questão de Freytag e explicar que agora o irmão Ernest Zaugg, em Berna, estava na direção da obra de língua francesa, disse:

“Esperamos agora que o Senhor ache por bem fazer prevalecer a unidade e harmonia entre os irmãos de língua francesa. . . . Se as circunstâncias fossem mais favoráveis ficaria feliz em visitá-los, mas, neste momento de grande dificuldade para pessoas e nações, parece impossível fazê-lo. Entretanto, pela providência do Senhor, se houver um meio no próximo ano, espero chegar a vê-los.”

O novo arranjo para a direção da obra na França, como organizado pelo irmão Rutherford, era como segue: Conrad Binkele, cujo escritório era em Zurique, estava na direção geral. Ernest Zaugg, com um escritório em sua casa, em Berna, era o administrador do que foi chamado de “trabalho francês”, sob a supervisão do irmão Binkele. O irmão Zaugg tinha dois “auxiliares e consultores” locais chamados Joseph Lefèvre, em Paris e Emile Delannoy, em Havre. Lefèvre auxiliava Zaugg na publicação de literatura em francês, e Delannoy o ajudava a cuidar das necessidades das congregações de língua francesa. Além disso, o irmão Henri Roussel foi encarregado de um depósito de literatura em sua casa, rue du Rhin, 11, Paris.

Em 27 de agosto de 1919 foi constituída a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, francesa, com sua sede à rue du Rhin, 11, Paris. Naturalmente, a obra na França ainda estava sob a direção da filial suíça, mas esta associação local proporcionou um reconhecimento legal sólido à organização francesa.

No início de 1920, o irmão Zaugg fez uma longa viagem de visita aos irmãos na França (inclusive na Alsácia-Lorena) e na Bélgica. De volta a Berna, escreveu uma carta aos irmãos, dizendo:

“Ficamos profundamente impressionados ao ver o zelo dos irmãos e das irmãs na pronta expectativa de ordens da Sociedade e do equipamento necessário para o início da obra de ampliação da colheita. Em toda a parte obtive a firme impressão de que os terríveis testes destes anos passados produziram frutos em nossos amados irmãos na França, Bélgica e Alsácia, e estamos convencidos de que o Senhor Supremo tem assim preparado os seus de modo a poderem finalizar, por meio de seus instrumentos, a obra que ainda precisa ser feita nos territórios de língua francesa.”

A capacidade de instrução dos irmãos aumentou ao passo que eram usadas as perguntas do “Ministro da Palavra de Deus” (chamado V. D. M.). Estas consistiam numa revisão escrita de quatro páginas, constituída de 22 perguntas sobre assuntos bíblicos. Os irmãos franceses enviavam estas folhas de perguntas ao escritório de Berna para verificação. Aqueles que respondiam satisfatoriamente a pelo menos 85 por cento das perguntas eram considerados ministros habilitados da Palavra de Deus.

O ano de 1920 presenciou também irmãos peregrinos locais serem designados na França. O primeiro foi o irmão Alfred Durieu, de Roubaix, que já estava ativo no trabalho de colportor. Em agosto, o irmão Joseph Lefèvre, de Paris, também começou a servir como peregrino, visitando irmãos isolados na França central, uma área que fora negligenciada por tanto tempo, enquanto a obra francesa era dirigida por Lanz e Freytag. Então, em dezembro de 1920, o irmão Emile Delannoy foi designado peregrino para a França e o irmão Werner Giger para a Alsácia-Lorena e o Sarre.

Depois da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha devolveu a Alsácia-Lorena à França. Também, as minas de carvão do Sarre foram cedidas à França como compensação de guerra, embora o próprio Sarre fosse posto sob a direção da Liga das Nações por um período de 15 anos. Entretanto, ambos estes territórios estavam mais uma vez sob a administração do escritório da Sociedade em Berna.

VISITAS DE RUTHERFORD — NOVA ORGANIZAÇÃO

Como esperava, o irmão Rutherford visitou Paris em setembro de 1920. Em 19 de setembro, reuniu-se com cerca de 120 irmãos, dos quais aproximadamente 40 tinham vindo da Bélgica e da Alsácia. O irmão Alfred Durieu traduziu para ele. À noitinha, o irmão Rutherford proferiu um discurso público no salão de Sociétés Savantes para uma assistência de cerca de 1.000 pessoas, das quais mais de 300 deixaram seus nomes e endereços para serem visitadas.

Perto do fim de 1920, foi anunciada a criação do “Escritório Central Europeu”. Os países debaixo da supervisão deste escritório em Zurique (antigamente chamado “Filial Alemã na Suíça”) eram Suíça, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria e Itália. O irmão Binkele foi designado como seu administrador, e o irmão Zaugg foi confirmado como administrador do “trabalho francês”, com escritórios em Berna.

O FOTODRAMA PRODUZ ÓTIMOS RESULTADOS

O Fotodrama da Criação foi amplamente usado na França durante 1920. Foi exibido, por exemplo, na cidade setentrional de Denain a 900 pessoas. Ainda melhores resultados foram obtidos na Alsácia-Lorena e no Sarre. A Sentinela francesa de abril de 1921 relata:

“O Fotodrama tem sido um completo sucesso em diferentes partes da Alsácia-Lorena e da Bacia do Sarre. O maior êxito foi obtido em Sarrebruck, Völklingen e Estrasburgo. . . . Embora o salão (em Sarrebruck) pudesse acomodar 3.000 pessoas, muitas pessoas interessadas eram mandadas embora toda noite . . . Em Völklingen, embora as sessões se devessem iniciar às 20,00 horas, tínhamos de iniciar às 18,30 horas, e os comerciantes fechavam suas lojas mais cedo especialmente para poderem assistir ao Fotodrama. Em Estrasburgo, a assistência de 2.000 pessoas, na quarta sessão, ouviam com incomum interesse e profundo respeito até as 23,30 horas, enquanto lhes era explicado o maravilhoso estabelecimento do reino de Deus. Oramos para que o nosso bom Pai celestial habilite esta semente a produzir muito fruto.”

Não há dúvida de que Jeová abençoou estes esforços de tornar conhecido seu nome e seu reino neste território. O relatório do peregrino suíço Werner Giger, publicado no número de agosto de 1921 da Sentinela francesa, diz:

“A assistência às reuniões em Estrasburgo continua sendo muito boa. Até no domingo assistem 100 pessoas aos Estudos Bereanos do volume VII, considerando que antes éramos apenas 50. Em Brumath foi formado um grupo de 30 pessoas interessadas. Nunca perdem uma reunião e estão claramente crescendo em conhecimento. . . . Aqui, em Estrasburgo, 10 irmãos e irmãs se ofereceram para o serviço de colportor. Retornando a Sarrebruck, há agora um grupo de 150 pessoas interessadas que se reúnem regularmente. . . . Naquela região [o Sarre] diversos dos amigos gostariam de ser batizados.”

Este grande interesse demonstrado na Alsácia e no Sarre foi cuidado de perto pelos poucos irmãos locais, bem como pelos irmãos da Suíça. O escritório de Berna colocou Fred Germann no encargo da obra na Alsácia-Lorena e no Sarre, onde serviu fielmente até que foi transferido para outro lugar em 1926. Ele foi apoiado zelosamente em seu trabalho por Henri Geiger, que era o superintendente da congregação de Estrasburgo. Assim, por volta de 1921, a obra principiou a ser bem organizada na Alsácia-Lorena e no Sarre.

A OBRA AVANÇA APESAR DE PROVAS

A obra também estava avançando no restante da França. No início de 1921, foram realizados serviços de batismo em Denain e Bruay-en-Artois, no norte da França, e também em Paris. O relatório da Comemoração naquele ano mostrou uma assistência total, na França, de 422 pessoas em 16 cidades diferentes, inclusive uma assistência de 81 pessoas em Denain e 68 em Paris.

Uma convocação de colportores foi publicada no número de outubro de 1921 da Sentinela francesa. O trabalho de pregação estava sendo efetuado principalmente através da distribuição do livro Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão. A Sociedade imprimiu uma carta especial para os irmãos usarem ao oferecer este livro a seus parentes e amigos.

O trabalho de peregrino também foi intensificado na França durante 1921. Os irmãos Delannoy e Durieu visitaram congregações e grupos isolados tanto ao norte como ao sul do rio Loire, e o irmão Adolphe Weber visitou congregações na França oriental e setentrional, bem como em Paris e na Normandia, terminando sua viagem na Alsácia.

Deve recordar-se de que depois que Alexandre Freytag deixou a verdade, em 1919, os irmãos Delannoy, Lefèvre e Roussel foram designados como auxiliares do irmão Zaugg, na França. Roussel, deve lembrar-se, foi o irmão que, como secretário da congregação de Paris, havia assinado a carta enviada a Genebra e Pittsburgo em janeiro de 1919, protestando contra a deslealdade de Freytag e expressando lealdade à Sociedade. Pois bem, com o passar do tempo, tanto o irmão Lefèvre como o irmão Roussel tornaram-se descontentes e terminaram como servos maus.

Este segundo período de prova no campo francês foi realmente uma conseqüência da rebelião ocorrida nos Estados Unidos lá em 1917. Naquele ano, P. S. L. Johnson e quatro membros da diretoria da Sociedade tentaram usurpar o controle do recém-eleito presidente, irmão Rutherford. Frustrados em seus planos, começaram a espalhar sua oposição para fora de Betel numa extensiva campanha verbal e de cartas por todo os Estados Unidos, Canadá e Europa.

Em 1920, Johnson visitou as congregações mais antigas no norte da França, tais como Sin-le-Noble. Seu propósito foi o de causar divisão e atrair os irmãos para fora da organização de Jeová, e, por fim, teve êxito. Em setembro de 1922, um grupo de irmãos franceses, inclusive Roussel e Lefèvre em Paris, imprimiram uma declaração de 16 páginas, intitulada “Realinhamento Necessário”, criticando o irmão Rutherford. Distribuíram-na amplamente entre os irmãos de língua francesa, contribuindo para confusão e divisões.

Em 1922, foi realizada uma reunião geral em Denain, e o irmão peregrino Adolphe Weber foi enviado da Suíça para tratar do assunto. A irmã Rachel Beugin e o irmão Samuel Nongaillard descrevem o que aconteceu:

“De acordo com os descontentes, o irmão Russell fora o servo fiel e sábio, e desde sua morte em 1916 a obra devia conservar-se como ele a deixou. Nenhuma outra luz devia aparecer. . . . Para estes descontentes, pregar de porta em porta era inaceitável. Para eles, devíamos simplesmente esperar que Deus interviesse no Armagedom. Com a ajuda de sua Bíblia, o irmão Weber provou-lhes que a organização estava certa. . . . Foi realizada uma votação, a qual foi de pequena margem: 39 eram contra o ponto de vista da Sociedade e 42 eram a favor. Os 39 ‘rebeldes’ saíram, levando consigo suas cadeiras e formaram a ‘Associação dos Estudantes da Bíblia em Denain’.”

Todavia, embora alguns abandonassem a verdade em 1922 e se tornassem servos maus, a maioria dos irmãos permaneceu fiel. O irmão Rutherford visitou Paris em junho daquele ano e fortaleceu os irmãos. O trabalho de porta em porta com o livro Milhões Que Agora Vivam Jamais Morrerão foi iniciado em 1922. Também, estudos da Sentinela foram pela primeira vez organizados nas congregações. E o trabalho de peregrino foi grandemente intensificado durante 1922.

Assim, apesar das severas provas que os irmãos franceses sofreram, aqueles que permaneceram fiéis estavam aptos para ter uma grande participação na proclamação vital do Reino.

TESTEMUNHO NA ALSÁCIA-LORENA

Com a intensificada distribuição da revista A Idade de Ouro (em alemão), a Sociedade Torre de Vigia estabeleceu para a Alsácia-Lorena um escritório e depósito de literatura na cidade de Estrasburgo, e o irmão Henri Geiger foi encarregado dele. As revistas A Idade de Ouro eram enviadas de Berna em grande quantidade, e eram embrulhadas e despachadas para assinantes neste escritório de Estrasburgo. As irmãs visitavam os muitos restaurantes de Estrasburgo e iam de mesa em mesa, oferecendo as revistas às pessoas que estivessem jantando. Freqüentemente, colocavam tantas quantas 90 revistas numa noitinha. A irmã Lydia Geiger foi particularmente bem sucedida neste trabalho, às vezes colocando 2.000 revistas por mês.

Em 1923, o irmão Franz Zürcher foi enviado pelo escritório de Berna para exibir o Fotodrama na Alsácia-Lorena e no Sarre. Este irmão suíço continuou participando no trabalho do Fotodrama na França e no Sarre até 1925, quando foi chamado para o Betel de Berna. Em 1923, havia uma congregação em Mulhouse, Alsácia, com cerca de 50 associados. Mas naquele ano havia 110 presentes à Comemoração em Mulhouse e o mesmo número em Estrasburgo.

UMA ORGANIZAÇÃO FORTALECIDA

Organizacionalmente, a obra francesa teve um bom começo em 1923. A Sociedade designou um “diretor de serviço” em cada congregação. Ele tinha dois ajudantes, um para cuidar das contas e o outro para cuidar do suprimento de literatura, estes três irmãos formavam uma “comissão de serviço”. Isto marcou o início da direção teocrática centralizada no setor francês. Durante todo o ano de 1923, a Sociedade, por meio dos diretores de serviço, organizou Dias de Testemunho. Então, em 26 de agosto de 1923, os irmãos franceses tomaram parte no “Testemunho Mundial” organizado pelo escritório de Brooklyn.

Outro marco no desenvolvimento da obra no campo de língua francesa foi a publicação, em francês, de A Harpa de Deus. Este livro deu um poderoso ímpeto à obra de ensino na França. Também, foi realizada em Denain, em 2 e 3 de setembro de 1923, uma assembléia geral para os irmãos de idioma francês. Os irmãos Zaugg e Weber, da Suíça, estavam presentes, e eles, junto com o peregrino francês Emile Delannoy, proferiram os discursos principais. Uma grande faixa exibindo as palavras “Anunciem o Rei e o Reino” foi desdobrada perante a assistência, exatamente como o irmão Rutherford havia feito no ano anterior em Cedar Point, nos Estados Unidos. Os irmãos estavam entusiasmados e todos aqueles presentes adotaram unanimemente a resolução. Resumindo a obra francesa em 1923, o irmão Rutherford escreveu:

“Na obra inteira notamos um real aumento no zelo entre os irmãos. Apreciamos o grande privilégio que agora temos de proclamar as boas novas do reino. Geralmente os irmãos saem em grupos de cinco ou seis no serviço de colportor e vendem nas manhãs de domingo mais de 250 volumes.”

O ano de 1924 presenciou a publicação dos primeiros números, em francês, da revista A Idade do Ouro. Tornou-se uma revista quinzenal em 1925, mas deixou de ser publicada por instrução do irmão Rutherford em 1926. Então, reapareceu em outubro de 1932, quando se tornou uma revista mensal, publicada regularmente.

Em maio de 1924, o irmão Rutherford fez uma breve visita à França, falando em Paris e no norte. Ele observou: “O povo francês, em certa medida, está despertando para a verdade, mas há ainda muito a ser feito na França.” Então, em julho, foi realizada uma assembléia geral para os irmãos de língua francesa, em Haveluy, perto de Denain, no norte da França, em que o irmão Zaugg e diversos outros membros da família de Betel de Berna tomaram parte no programa.

ESPERANÇAS DOS IRMÃOS

Houve uma assistência total de 557 pessoas na Comemoração na França em 1924, inclusive cerca de 300 na Alsácia-Lorena. A irmã Suzanne Beugin observa quanto às esperanças de muitos irmãos: ‘Aqueles do restante esperavam ir para o céu antes do fim de 1924. o irmão Delannoy, que viera para nos visitar em Denain, confortou aqueles de nós que eram da grande multidão. Disse que não seríamos abandonados. Contudo, quando veio o fim de 1924, fiquei aliviada por ver que meus pais ainda estavam ali.’ Entretanto, esta situação pressagiava novas provas e peneiramentos que viriam no ano seguinte.

1925 — UM ANO CRÍTICO

O ano de 1925 teve um começo razoavelmente bom, sendo a revista Sentinela francesa aumentada de 12 para 16 páginas. Também, o tratado intitulado “Denunciados os Clérigos” foi distribuído na França, muitos exemplares bem do lado de fora das igrejas. Em todo o setor de língua francesa foram colocados mais de dois milhões deste tratado!

O irmão Rutherford visitou a França mais uma vez em maio de 1925. Estava programado para proferir o discurso “Expostas as Fraudes do Clero” no grande Trocadéro Palace, com vista para o rio Sena, em frente à Torre Eiffel. Irmãos do norte da França tinham vindo a Paris uma semana antes para ajudar os irmãos locais a anunciá-lo. Mas os convites grandes chegaram rapidamente às mãos do clero católico, o qual pressionou a polícia a interromper esta publicidade na rua. Em resultado, alguns dos irmãos foram detidos.

Cerca de 2.000 pessoas atenderam ao convite e vieram ao discurso. O irmão Rutherford começou a falar, quando, de repente, cerca de 50 sacerdotes e membros da Ação Católica, armados com paus, se precipitaram para dentro do salão, cantando a Marselhesa (o hino nacional francês). Por três vezes o irmão Rutherford deixou o palco e depois voltou. Os opositores gritavam: ‘Se ele é um juiz, deixe-o ir julgar os americanos!’ A Sentinela de 1.º de agosto de 1925 (em inglês) relatou:

“Enquanto a maior parte da assistência se opunha ao clero, contudo . . . eles faziam gracejos um com o outro e não prestavam atenção ao orador; e era impossível falar com eles. . . . tornou-se absolutamente necessário desistir da reunião.”

Naquele mesmo ano de 1925 começaram dificuldades ainda maiores dentro da organização. O livro Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão havia sido amplamente usado no campo francês desde 1921, e, à base de seu conteúdo, esperava-se muito de 1925. Mas, quando 1925 chegou e se foi sem que os acontecimentos previstos ocorressem, aqueles de fora que haviam lido o livro fizeram troça dos irmãos. O irmão Jules Anache em Sinle-Noble escreve: “Fomos ridicularizados pelos nossos inimigos que escreviam artigos, um dos quais era intitulado ‘Milhões que agora vivem jamais morrerão se tomarem pílulas cor-de-rosa’, referindo-se a um remédio muito popular na época.”

Pior ainda, a fé de alguns dos próprios irmãos estava abalada. Alguns esperavam ir para o céu naquele ano. Isto ocasionou peneiramentos nas congregações, especialmente na Alsácia. A irmã Anna Zimmermann escreve: “Esperanças injustificadas causaram grandes provações. Muitos desistiram.”

Indicação destas provações foi a sessão de perguntas realizada pelo irmão Rutherford durante a assembléia da Basiléia, Suíça, realizada de 1.º a 3 de maio de 1926. O relatório deste congresso declarou:

“Pergunta: Retornaram os merecedores da antiguidade?

“Resposta: Certamente não retornaram. Ninguém os viu e seria tolice fazer tal declaração. Foi declarado no livro ‘Milhões’ que poderíamos razoavelmente esperar que retornassem pouco depois de 1925, mas isto era simplesmente uma opinião expressa.”

Havia sido cometido um erro, mas, como declarou o irmão Rutherford, isto não era razão para deixar de servir o Senhor. Contudo, alguns o fizeram, e, assim, aquele período marcou novos peneiramentos dentro do campo francês. Os algarismos publicados na Sentinela francesa mostram que em 1925 havia 93 pessoas presentes à Comemoração na congregação de Mulhouse, na Alsácia, enquanto que em 1927 a assistência à Comemoração havia caído para 23.

NOVAS PROVAS PARA OS IRMÃOS FRANCESES

Em julho de 1925, por motivos de saúde, o irmão Binkele, administrador do Escritório Central Europeu, foi substituído pelo irmão Zaugg. No ano seguinte, Binkele voltou-se contra a Sociedade e fundou sua própria seita chamada “Os Estudantes da Bíblia Livres”. A seguir, Zaugg foi substituído em 1926 pelo irmão Martin Harbeck, enviado de Brooklyn pelo irmão Rutherford. O irmão Zaugg saiu do serviço de tempo integral e por fim deixou a verdade.

Assim, num período de dois anos, a direção da obra francesa ficou sem liderança duas vezes, em circunstâncias dramáticas. As notícias disto chegaram aos irmãos na França, o que não ajudou em nada. Assim terminou um longo período de provas em tempo de guerra e após-guerra, com peneiramento entre os irmãos no campo de língua francesa.

EXPANSÃO ENTRE OS POLONESES

Por diversos motivos políticos e econômicos, o governo francês tornou possível que muitos poloneses viessem trabalhar nas minas de carvão francesas logo após a Primeira Guerra Mundial. Em pouco tempo, começaram a surgir comunidades mineiras onde só se ouvia o idioma polonês. Aos mineiros seguiram-se rapidamente, padeiros, açougueiros, merceeiros e sacerdotes católicos poloneses. Por volta de 1923, havia cerca de 100.000 poloneses na França setentrional e muitos outros chegavam diariamente.

As congregações francesas no norte da França pregavam entre estes mineiros poloneses e suas famílias, e muitos se interessaram pela verdade. Em 1923, foi formada a primeira congregação polonesa, e, no ano seguinte, o irmão Rutherford enviou de Brooklyn peregrinos norte-americanos que falavam polonês, para exibir o Fotodrama entre os poloneses. Estas visitas de peregrino estimularam grandemente os irmãos e fortaleceram seus vínculos com a sede da organização.

Foi notável o crescimento da obra do Reino entre os poloneses. Dos 1.138 que assistiram à Comemoração na França em 1926, 518 eram dentre a população polonesa. Também, dentre as 34 congregações na França, naquele ano, 12, na Alsácia-Lorena, eram de língua alemã, 12 eram de língua polonesa e 10 de língua francesa. Estas congregações polonesas eram visitadas por irmãos peregrinos norte-americanos, que falavam polonês, enviados por Brooklyn tais como os irmãos Krett, Ludwig Kuzma e Rycombel. Em 1926, foi realizada uma assembléia geral em Sin-le-Noble com cerca de 300 pessoas presentes na reunião francesa e 1.000 na polonesa! O irmão Albert Kosmalski, que serviu como peregrino entre as congregações polonesas desde 1928 até 1936, relata o seguinte:

“Quando o irmão Rutherford visitou Bruay-en-Artois [em 1924], disse aos poloneses que Jeová os havia feito sair de seu país de modo a poderem aprender a verdade na França, e que eles e seus filhos deviam ajudar os franceses a conhecerem também a verdade. Acrescentou que ainda estava para ser feita uma grande obra de pregação e que Jeová suscitaria publicadores para esta obra.”

Estas palavras do irmão Rutherford mostraram-se verdadeiras. O Anuário de 1929 (em inglês) relata:

“Os poloneses são zelosos; não se contentam em trabalhar em sua vizinhança, mas alguns grupos têm assumido a responsabilidade de alcançar territórios distantes. Procurando seu próprio povo na França, muitos viajam cem quilômetros de bicicleta e encontram os poloneses, não apenas nos setores de mineração, mas também no campo em fazendas, para transmitir-lhes a mensagem do reino. Alguns dos irmãos poloneses começaram até mesmo a testemunhar aos franceses e tiveram êxito notável com o folheto francês ‘Liberdade’. Os irmãos poloneses começam a ver a unidade da obra do Senhor e a necessidade de se fazer a obra de acordo com o método e a organização do Senhor. Durante o ano, 332 irmãos poloneses simbolizaram sua consagração pelo batismo.”

AVANÇO FIEL

Apesar das provas, os irmãos franceses, na França setentrional, avançaram com a obra de pregação. Em 1927, começou na França a pregação de casa em casa aos domingos com os livros e folhetos. O irmão Weber continuou visitando as congregações e os grupos isolados. Novos estavam sendo acrescentados. Certa família, na grande cidade de Lião, aprendeu a verdade através de um parente na Alemanha. Posteriormente, todas as três filhas desta família Rocques aceitaram a verdade, sendo seus nomes trocados por ocasião do casamento por Fenouil, Boiteux e Blanck. Estas famílias proporcionaram o núcleo para a futura congregação de Lião. Em 1927, o único escritório para a obra na França estava em Estrasburgo, sob a direção do escritório de Berna, na Suíça.

Nesta época, os italianos na França começaram a ser atingidos pela mensagem do Reino. O Anuário de 1929 (em inglês) observa: “O Fotodrama também foi exibido a italianos. . . . Mussolini expulsa os bons italianos de seu domínio, e, veja, o Senhor lhes concede a verdade na França!” Em 1928 havia na França um auge de 447 publicadores, inclusive sete colportores, como então eram chamados os pioneiros. Havia 45 congregações.

ABRE-SE UM ESCRITÓRIO EM PARIS

Em 1929, o escritório em Estrasburgo foi transferido para o edifício que a Sociedade alugou à rue des Poissonniers, 105, Paris 18. Um irmão alsaciano, Gustave Zopfer, foi designado administrador deste novo escritório de Paris. Naturalmente, o escritório ainda estava sob a jurisdição da filial suíça em Berna, onde o irmão Harbeck era o administrador geral.

Havia aproximadamente 40 publicadores em Paris e nos subúrbios vizinhos, em 1929. No outono, foi realizado um congresso em Lens, na França setentrional, com umas 1.200 pessoas presentes! Cerca de 600 participaram no serviço de campo e colocaram mais de 5.000 livros e folhetos. Naturalmente, a maioria destes eram irmãos poloneses.

COLPORTORES ESTRANGEIROS

Em 1929, dois colportores ingleses (agora chamados pioneiros) atravessaram o Canal e trabalharam na área de Dunquerque, e seguiram-se logo muitos outros. O irmão Harbeck, administrador do escritório em Berna, escreveu:

“Oramos para que o Senhor enviasse colportores para a França e nossa oração foi respondida. A maioria dos colportores vieram da Inglaterra e de outros países, e, não conhecendo o idioma, estão usando os cartões (de testemunho) e tendo surpreendente sucesso. Em 1930, na França, os grupos colocaram oito vezes mais literatura do que em 1928.”

Em 1930, o número de colportores pulou para 27. O trabalho destes pregadores de tempo integral consistia principalmente em cobrir grandes seções de território e colocar literatura. Assim, regiões que nunca haviam ouvido a mensagem do Reino começaram a ouvi-la. Como evidência adicional de que a obra estava avançando, foi aberta uma filial francesa da Sociedade Torre de Vigia, em 1930. Por volta dessa época, o quadro de pessoal do escritório de Paris tinha aumentado para cinco, inclusive o administrador local, irmão Zopfer, que trabalhava sob a direção do irmão Harbeck, em Berna.

ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL EM PARIS

A primeira grande assembléia em Paris foi realizada no Salão Pleyel, de 23 a 26 de maio de 1931; esta marcou um ponto decisivo na história das Testemunhas de Jeová na França. A Sentinela de 1.º de agosto de 1931 (em inglês) relatou:

“De acordo com a melhor contagem que pôde ser feita, havia, a saber, 1.450 alemães, 778 ingleses, 551 poloneses, 200 franceses, e um número menor de muitos outros países assistindo à assembléia. Verificou-se na assembléia, por meio dum escrutínio, que estavam presentes vinte e três nacionalidades, mas quase todos compreendiam um dos idiomas, inglês, polonês, francês ou alemão. Discursos eram proferidos nestes idiomas, às vezes tendo tantos quantos três intérpretes na tribuna ao mesmo tempo. . . . O presidente da Sociedade proferiu diversos discursos e estes foram traduzidos por sua vez para o francês, o alemão e o polonês.

“Durante todo o tempo, permeava a assembléia um espírito entusiástico, e quando foi encerrada, ouviu-se todos dizer: ‘Certamente esta é a melhor assembléia até hoje’; e naturalmente foi a melhor já realizada em Paris, e, provavelmente, nenhuma outra melhor foi realizada em qualquer outro lugar. Agora parece ser o tempo apropriado para a ampliação do trabalho na França. . . .

“Foi encontrado um novo local para o escritório, onde há mais espaço e melhor iluminação. Além disso, também, o Senhor proveu um lar, no qual o pessoal do escritório pode morar razoável e confortavelmente como uma família, e prover abrigo para alguns colportores que serão mantidos constantemente na cidade de Paris.”

O serviço de campo foi um aspecto importante da assembléia. Foi tudo bem planejado, dando-se instruções e auxílio a cada publicador. E, foi um espantoso sucesso, como relata O Mensageiro de 25 de julho de 1931 (em inglês):

“Cada grupo tinha um par de intérpretes para ajudar o capitão a distribuir seus trabalhadores. Alguns grupos foram ao seu território em grandes ônibus de excursão, os quais haviam sido alugados para este fim, e que esperavam do lado de fora do salão. Outros, que haviam sido designados para um território próximo, foram de bonde, táxi ou a pé. Praticamente 100 por cento dos presentes na assembléia, naquela ocasião, empenharam-se no serviço. Durante aquela manhã de serviço, os trabalhadores colocaram 1.329 livros e 14.557 folhetos, perfazendo um total geral de 16.776 livros e folhetos colocados em Paris durante toda a assembléia.”

CONVOCAÇÃO DE COLPORTORES

Uma convocação de mais colportores foi feita na assembléia de Paris. Esta, junto com a manifestação óbvia do espírito de Deus, moveu muitos a ingressarem no trabalho de tempo integral. John Cooke, apenas um adolescente naquela época, mas que mais tarde serviu como missionário na Espanha e que atualmente serve na África do Sul, escreve:

“Que assembléia foi aquela! Nunca a esquecerei. Foi emocionante para um irmão jovem, acostumado a uma pequena congregação, viajar de Londres a Paris com centenas de irmãos. E ainda mais emocionante foi encontrar o grande contingente procedente da Alemanha e irmãos de diversos outros países. Quão exuberantes e entusiásticos estes irmãos continentais pareceram a nós, calmos ingleses! . . . Tudo parecia tão bem organizado, tão dinâmico, e todos pareciam tão felizes.

“Foi então que eu fiz a grande decisão que mudou minha vida. Eu já havia pensado muito sobre tornar-me pioneiro e tinha desejo de tornar-me tal, mas a oposição de meu pai me impedia. Entretanto, logo na primeira sessão, uma irmã com quem eu estava conversando disse: ‘Um irmão jovem como você deve ser um colportor, por que você não o é?’ Diversas vezes, vários fizeram observações como esta. O irmão Rutherford disse em sua maneira enfática: ‘Nada debaixo do sol deve detê-los, jovens, de ingressar no trabalho de colportor.’”

Outro irmão inglês, Eric Wilkinson, comenta que ‘todos de qualquer país foram convidados a vir à França para participar no trabalho’. Eric e um amigo de sua congregação em Lancaster, Inglaterra, responderam e logo estavam pregando as boas novas na França por tempo integral. Assim, os pioneiros, na França, subiram de 27 em 1930 para 104 em 1931.

O SERVIÇO DE COLPORTOR NA FRANÇA

O irmão Wilkinson conta-nos sobre o serviço de colportor na França:

“Fomos designados para trabalhar no distrito pobre de Paris. Os zeladores [concierges] estavam tão determinados a que nós não trabalhássemos em seus edifícios, como nós estávamos determinados a fazê-lo. Muitas vezes foi chamada a polícia e nós fomos levados ao Comissário, o qual era costumeiramente compassivo e nos deixava ir. Por fim, fizemos um tipo de avental com cinco bolsos para colocar nas costas, com alças que passavam por cima dos nossos ombros. Era usado debaixo de nosso paletó e comportava suficiente literatura para um edifício. Com isto podíamos passar pelos zeladores (em suas salinhas de paredes de vidro), guardando o restante de nossas literaturas numa mala em nossas bicicletas. Naturalmente, trabalhávamos com um cartão de testemunho, mas meu amigo (que falava francês) ficou surpreso ao descobrir que, contrário às suas expectativas, eu colocava mais literatura do que ele. Falava demais, não deixava nenhuma curiosidade quando tinha terminado.

“Trabalhar em Paris exigia um grande esforço, especialmente para alguém criado em zona rural. Para tornar a coisa pior, no distrito onde estávamos trabalhando verificávamos freqüentemente que havia um sanitário para quatro a seis apartamentos. Estes [sanitários] eram construídos em um canto das escadas e não tinham sifão, apenas um cano direto. Pode imaginar o mau cheiro no calor do verão! Ansiávamos pelos verdes campos e, quando houve mais necessidade de pioneiros nas províncias, nos oferecemos para ir.”

Samuel Nongaillard, um irmão francês que então morava na área de Paris, relata uma divertida experiência de duas publicadoras que ainda não tinham aprendido bastante o francês:

“Em Paris, a maior dificuldade era passar pelos zeladores [concierges], os quais eram verdadeiros cães de guarda. Duas irmãs inglesas estavam trabalhando em um prédio de apartamentos quando o zelador subiu as escadas e lhes perguntou o que estavam fazendo e quem vieram ver. Este zelador era bem agressivo, de modo que as irmãs tiveram de encontrar rapidamente uma resposta. Ao perceber uma placa esmaltada fixada numa porta e pensando que este fosse o nome do dono da casa, uma das irmãs replicou com um grande sorriso: ‘Viemos ver a senhora Tournez le bouton [Gire o botão para entrar].’”

ZELO E PERSEVERANÇA EXEMPLARES

Aqueles primeiros pioneiros foram exemplares em seu zelo e perseverança. Renunciaram a confortos materiais, mas ganharam muitas ricas bênçãos espirituais. Mona Brzoska, uma irmã inglesa, escreveu a respeito de suas experiências de pioneira na França, em 1931 e nos anos seguintes:

“Nossa acomodação era geralmente de natureza bem primitiva e um dos grandes problemas era o aquecimento na época de inverno. Freqüentemente, tínhamos de nos arranjar com um quarto gelado onde tínhamos de quebrar o gelo na água da jarra, de manhã, antes que nos pudéssemos lavar. Um fogareiro a óleo servia para fazer nossa comida simples. O equipamento de ‘camping’ disponível hoje não existia naquele tempo. Por isso, nosso equipamento era um tanto primitivo e nosso estilo de vida era bem espartano.

“Nunca víamos outros Estudantes da Bíblia; estávamos completamente isoladas. Esta era a maior mudança em comparação com nosso próprio país, onde sempre estávamos em contato com os irmãos. Tínhamos de combater este isolamento por estudar juntas, regularmente, as publicações da Sociedade. Uma vez que naquele tempo nós não fazíamos revisitas ou estudos bíblicos domiciliares, tínhamos tempo, à tardinha, para escrever à nossa família e especialmente a outros pioneiros, para partilhar nossas experiências e encorajar-nos uns aos outros. Em alguns anos, tivemos até mesmo de celebrar a Comemoração juntas, apenas nós duas.

“Tínhamos dias longos de trabalho. Viajávamos 50 ou 60 quilômetros em nossas bicicletas cada dia. Tínhamos de começar cedo de manhã, especialmente no inverno, de modo a tirar proveito das horas claras do dia.”

Embora a maioria dos primeiros pioneiros fossem ingleses, outras nacionalidades, inclusive alemães, poloneses e franceses, estavam também representados. Estes pioneiros freqüentemente viviam de provisões insuficientes. Um irmão francês falou sobre uma visita que fez a alguns pioneiros estrangeiros em Lião, que lhe deram a seguinte receita:

“À tardinha, coloque uma medida de trigo num frasco térmico e cubra-a com água fervendo. Despeje-a na manhã seguinte e adoce com açúcar. O resultado era algo comível, sem dúvida nutritivo, mas não muito apetitoso.” Pelo menos, não para um francês!

MISSIONÁRIOS EXPULSOS, MAS SEU TRABALHO PRODUZIU FRUTOS

Em 1934, o Ministério do Interior expediu uma ordem à polícia para deportar todos os missionários estrangeiros que trabalhassem para a Sociedade Torre de Vigia. Este decreto foi executado pelo político francês Pierre Laval, que mais tarde se tornou traidor durante a Segunda Guerra Mundial, e foi julgado e fuzilado. Assim, em 1934 e 1935, a maioria destes colportores estrangeiros foram obrigados a deixar a França.

Todavia, o trabalho que eles efetuaram teve sucesso. Em 1935, o irmão Zopfer, administrador do escritório de Paris, escreveu: “O trabalho efetuado por estes, de 1930 a 1934, foi uma semeadura que produziu fruto. Recebemos continuamente cartas de todas as partes da França — expressões de alegria de que as Testemunhas de Jeová os visitaram e de que aprenderam algo da verdade.”

Sim, não foram poucas as pessoas que tomaram sua posição para com Jeová, que aceitaram literatura pela primeira vez destes colportores lá naqueles anos antes da guerra. Por exemplo, o irmão Daniel-Oviez escreveu à filial da Sociedade há poucos anos: “Aqui, na região de Narbonne, alguns dos que agora manifestam interesse receberam publicações dos pioneiros ingleses antes da guerra.” Outra irmã observou: “Ocasionalmente, alguém encontra irmãos e irmãs idosos que obtiveram pela primeira vez literatura da Sociedade naquele tempo. Agora mesmo, estou estudando com uma senhora que obteve o livro Criação durante os anos trinta.”

Assim, todos estes zelosos pioneiros que trabalharam na França antes da guerra podem estar certos de que seus irmãos franceses reconhecem hoje o grande valor do trabalho que realizaram. Eles foram verdadeiros pioneiros — um maravilhoso exemplo para os membros jovens das congregações hodiernas.

RADIODIFUSÃO

Em 15 de fevereiro de 1930, a Sociedade pôde fazer um contrato com a estação de rádio VITUS, de Paris, e por volta do verão de 1931 a emissora já havia transmitido 140 discursos bíblicos em francês, 35 em inglês e 9 em polonês. A conferência pública do irmão Rutherford, na assembléia de 1931 em Paris, foi irradiada por esta emissora. Para dar uma idéia do bom efeito que as radiodifusões surtiram, eis a seguinte carta recebida de um parisiense:

“Ouvi atentamente o discurso que foi proferido ontem pela estação de rádio VITUS; e permitam-me expressar minha apreciação pelo orador, cujo nome não pude lembrar. Algum dia a estação de rádio VITUS se orgulhará de ter sido usada para um propósito tão admirável, e isto num momento quando, apesar do progresso, a religião e a ciência são tão incompatíveis. Viva para VITUS!”

O Anuário de 1932 (em inglês) relatou: “Milhares de pessoas em Paris e vizinhanças estão ouvindo a mensagem. Muitos têm comparecido ao nosso escritório em Paris, o qual está agora localizado no centro, e têm obtido literatura ali.”

Entre aqueles que vieram à verdade por ouvir a rádio estava a família Queyroi. Morava em Saint-Ouen, um subúrbio bem ao norte de Paris. Por fim, diversos membros desta família ingressaram no trabalho de pregação por tempo integral. Um dos filhos, Jean Queyroi, foi mais tarde para Gileade e ainda serve fielmente no serviço de tempo integral na região de Paris.

Mas, havia outros benefícios destes programas de rádio, como explica a irmã Mona Brzoska, uma das pioneiras estrangeiras: “A simples menção de que tais programas eram transmitidos pelo rádio era suficiente para que as pessoas nos escutassem. Não gostavam de admitir que eram ignorantes sobre o que se passava.”

Através dos anos, outras emissoras francesas, além da VITUS, participaram em transmitir nossos discursos bíblicos. Além disso, foram captadas na França transmissões de rádio diretas dos Estados Unidos. No domingo, 13 de janeiro de 1935, foi feita uma transmissão experimental pelas estações de rádio em Schenectady e Pittsburgo. O discurso do irmão Rutherford “Guerra Mundial Próxima” foi transmitido em ondas curtas e captado na França. O bom êxito desta experiência levou à transmissão de 2 de junho de 1935, do discurso “Governo” do irmão Rutherford, que ele proferiu durante a assembléia de Washington e que foi retransmitido pela Rádio Filadélfia e ouvido em Paris numa assembléia realizada no Salão Pleyel.

MUDANÇA DE ENDEREÇO

Em abril de 1931, o escritório da Sociedade em Paris foi transferido do prédio, um tanto escuro e apertado, da rue des Poissonniers, 105, Paris 18, para um prédio mais conveniente e melhor situado, alugado à rue du Faubourg Poissonnière, 129, Paris 9. Naquele mesmo ano, a Sociedade comprou uma vila em Enghien-les-Bains, um subúrbio ao norte de Paris, que se tornou o primeiro lar de Betel real na França. Os irmãos moravam ali e viajavam de trem para Paris, todo dia, para trabalhar no escritório de Paris. O irmão Gustave Zopfer era o encarregado, e sua esposa ficava em Enghien para cuidar do lar de Betel.

Alice Berner, que agora trabalha no Betel de Wiesbaden, morou por um tempo no Betel francês no início dos anos trinta. Ela conta:

“Era um lindo lugar com um grande jardim. Naturalmente, isto também significava trabalho para nós. Assim, nos fins-de-semana, nós, moças do escritório, gastávamos horas pondo em ordem o jardim e ajudando também a passar a roupa.

“De manhã, após o texto diário e café da manhã, costumávamos correr para o trem que nos levava para a estação Norte de Paris. Era um trem confortável e as pessoas liam seus jornais da manhã. Às vezes, tínhamos também uma oportunidade para dar testemunho.

“O local da rue du Faubourg Poissonnière, 129, servia para muitos propósitos. Era nosso escritório e havia também uma grande mesa com literatura para aqueles que viessem para obter livros ou revistas. A outra seção servia como depósito, e um tanto escondida estava uma pequena cozinha, porque nós não voltávamos para casa para o almoço, mas o fazíamos no escritório. Éramos, então, cerca de sete pessoas, mas, às vezes, irmãos ou irmãs vinham para ajudar com algum despacho urgente. Deste modo éramos às vezes tantas quantas 10 ou 12 pessoas à mesa de almoço, passando momentos felizes juntos.”

1931 — O NOVO NOME

Em 1931, foi adotado o novo nome “Testemunhas de Jeová”, e muitos dos irmãos franceses idosos mencionam o efeito estimulante que isto produziu neles. O Boletim (“Serviço do Reino”) francês de outubro de 1931 declarou, debaixo do título “Um Novo Nome”: “Quão satisfatório é, quando alguém lhe pergunta: ‘Quem é você, ou como você se chama?’, poder responder: ‘Sou uma Testemunha de Jeová!’”

INSTRUMENTOS PARA A OBRA DE PREGAÇÃO

Em janeiro de 1932, foi enviado um exemplar em francês do novo folheto O Reino, a Esperança do Mundo ao presidente da República Francesa, ao gabinete dos ministros, aos senadores, aos deputados, aos magistrados, aos oficiais do exército e aos clérigos, desde os cardeais até os párocos locais. O folheto foi também distribuído amplamente de casa em casa.

Em outubro do mesmo ano, A Idade de Ouro reapareceu em francês. Foi adaptada à preferência francesa e continha regularmente os discursos de rádio do irmão Rutherford. A revista era editada em Paris — os irmãos Gustave Zopfer, Abel Degueldre e Emile Delannoy serviam na comissão editorial — e impressa por um tipógrafo de fora, em Paris. No ano seguinte a Sentinela francesa tornou-se uma revista quinzenal de 16 páginas, tendo sido até então apenas uma revista mensal.

COBERTURA DO PAÍS

Em 1932, havia na França 85 pioneiros e ao todo 796 publicadores. Estes usaram 100 motocicletas, quatro carros e dois grandes ônibus para auxiliá-los na divulgação da mensagem do Reino em toda a parte. Pela primeira vez, em 1932, segundo relatado, toda a França foi coberta pelos publicadores do Reino, colocando-se 965.808 livros e folhetos.

INÍCIO DAS DEPORTAÇÕES

Já em 1932, a França começou a obrigar alguns publicadores estrangeiros a deixar o país. Estes incluíam vários dos irmãos poloneses, bem como o irmão e irmã Alfred Rütimann, da Suíça. O irmão Rütimann fazia a tradução do francês e continuou neste serviço depois de retornar à Suíça. Depois de muitos anos de serviço fiel, ele faleceu em 1959, enquanto ainda era membro da família de Betel de Berna. Em 21 de janeiro de 1971, a irmã Rütimann, numa carta à filial da França, observou: “Alfred trabalhou com grande amor pelos irmãos de língua francesa. Não economizou esforços ao ajudar na tradução do francês; foi um zelo ardente no seu íntimo, e oramos para que nossos esforços possam ter contribuído um pouco para os magníficos aumentos que estamos verificando hoje.”

LIVROS DA SOCIEDADE GANHAM MEDALHAS DE OURO

Em setembro de 1933, os irmãos franceses foram convidados a expor a literatura da Sociedade numa exposição em Paris. Duas semanas depois, os irmãos receberam da Comissão da Exposição um diploma com medalha de ouro por escritos religiosos. Isto os encorajou a participar em outra exposição, poucos meses mais tarde, e desta vez foi conferido à Sociedade um diploma de honra com medalha de ouro e a cruz da cidade de Paris. A Comissão da Exposição explicou numa carta:

“Os diplomas que lhe foram conferidos durante as exposições de setembro e dezembro de 1933 são em reconhecimento do alto valor moral de seu trabalho e da incontestável honestidade que sua literatura revela. . .. A literatura da Torre de Vigia é um símbolo de honestidade, lealdade e coragem.”

TELEGRAMAS ENVIADOS A HITLER

Agora, as perseguições das Testemunhas de Jeová tinham-se tornado severas do outro lado da fronteira, na Alemanha. Assim, em 7 de outubro de 1934, todas as congregações francesas se juntaram aos irmãos de todo o mundo em enviar telegramas de protesto a Hitler e seu governo, por causa de sua perseguição contra as Testemunhas de Jeová. Algumas agências postais francesas se recusaram a enviar este telegrama, mas a maioria o fez quando os irmãos insistiram.

OPOSIÇÃO CLERICAL E DEPORTAÇÕES EM MASSA

Ao passo que a obra das Testemunhas de Jeová prosperava na França, os clérigos passaram a perceber um grande “perigo” para os “seus” rebanhos. Certos clérigos poloneses, em Paris, realizaram uma conferência e concordaram em fazer tudo para parar com nossa atividade entre os poloneses. Fizeram com que nossas publicações fossem queimadas em público, em frente as portas das igrejas. Em outros lugares, afixaram cartazes nas portas de igrejas e de escolas, advertindo contra a adquisição de nossa literatura.

Então, em fevereiro de 1934, uma carta procedente do Ministério do Interior da França declarou que nossa literatura era “subversiva” e ordenou à polícia expulsar da França todos os missionários estrangeiros. O decreto afetou também alguns de nossos irmãos poloneses que haviam aprendido a verdade na França. Em alguns lugares, comunidades inteiras destes cristãos devotados foram intimados a deixar a França dentro de 48 horas. Deste modo, algumas congregações compostas inteiramente de irmãos poloneses, não apenas no norte da França, mas também nas cidades mineiras e nos povoados da França central, desapareceram da noite para o dia. O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1935 (em inglês) comentou sobre isto:

“Muitos destes [irmãos poloneses] foram deixados sem emprego, sem meios de sustento e sem dinheiro para voltar à sua terra natal. Sobreveio-lhes uma grande adversidade. O governo francês expulsou também cidadãos alemães e ingleses que estavam empenhados ali no serviço de pioneiro. Isto tornou difícil levar a obra avante com tanto êxito quanto se esperava.”

Cerca de 280 irmãos poloneses retornaram à Polônia em 1935, e alguns daqueles que permaneceram na França ficaram desanimados por causa das dificuldades encontradas e desistiram da fé. Assim, o número total de publicadores na França caiu de 1.054 em 1934 para 889 em 1935, e o número de pioneiros caiu de 62 para 41.

USO DO FONÓGRAFO

Em 1934 e 1935, tocar discursos bíblicos gravados nos lares de pessoas interessadas era um novo modo de divulgar a mensagem do Reino. Estavam sendo usados cerca de 100 fonógrafos portáteis na França durante 1935. Os relatórios mostram que 12.709 pessoas escutaram as gravações da Sociedade na França, em 1936. Alguns dos irmãos, que trabalhavam nas minas de carvão, usaram seus fonógrafos para proclamar a mensagem do Reino a seus companheiros de trabalho. Numa mina foi instalado um aparelho por diversos dias, e todos os discos foram tocados para o benefício dos mineiros.

Em 1937, nosso uso do rádio na França foi interrompido quando o clero conseguiu coagir os proprietários das estações a recusarem transmitir nossa mensagem, a menos que fosse submetida primeiro a uma espécie de censura. Assim, nosso uso de gravações foi intensificado, com os irmãos principiando a usar o fonógrafo no trabalho de casa em casa. Também, começaram a usar extensivamente carros sonantes. O irmão Samuel Nongaillard relata:

“Quando chegávamos em um povoado ou cidade, primeiro, atraíamos a atenção da população por tocar discos musicais, geralmente uma marcha, e então tocávamos gravações tais como ‘Onde Estão os Mortos?’ e depois dizíamos que as Testemunhas de Jeová visitariam seus lares.”

O irmão Jules Anache, da congregação de Sin-le-Noble, conta-nos a seguinte experiência divertida:

“Em Picardy, num povoado no Departamento de Somme, produzimos um efeito sonoro especial. Paramos nosso carro, equipado com alto-falantes, no topo de uma colina com vista para o povoado, mas escondido entre um grupo de árvores. Então, pusemos o som a todo volume. Os habitantes ouviram primeiro a música e depois o discurso, e perguntavam-se se não estavam ouvindo uma mensagem do céu! Colocamos uma grande quantidade de literatura naquele povoado.”

MUDANÇAS NO ESCRITÓRIO DE PARIS PARA AJUDAR PIONEIROS

Devido à saída de tantos irmãos estrangeiros, houve uma ligeira baixa em publicadores, de 889 para 822 em 1936. Entretanto, ainda havia 40 pioneiros na França, a maioria dos quais eram estrangeiros. Por algum tempo, eles haviam recebido pouca ou nenhuma ajuda do escritório de Paris para solucionar seus problemas.

A situação tornou-se crítica na assembléia de Lucerna, Suíça, em setembro, quando os pioneiros falaram ao irmão Rutherford. O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1937 relatou sobre o assunto: “É muitíssimo lamentável declarar aqui que durante o ano o representante local da Sociedade não colaborou com os pioneiros assim como devia; mas, este assunto tem sido remediado e espera-se que as condições sejam melhoradas neste respeito.”

A propósito, o Anuário acima citado foi o primeiro a aparecer em francês. Uma edição francesa foi também publicada em 1938 e 1939, mas então veio a guerra e o Anuário só apareceu novamente em francês em 1971.

O irmão Zopfer foi substituído por Fred Gabler, um irmão inglês que já estava no serviço de tempo integral por anos, como administrador do escritório de Paris, e Emile Delannoy foi designado como seu assistente. Gustave Zopfer abandonou mais tarde a verdade e até mesmo colaborou com os nazistas durante a guerra.

O SEGUNDO CONGRESSO INTERNACIONAL EM PARIS

Em 1937 foi realizado em Paris o segundo congresso internacional das Testemunhas de Jeová, de 21 a 23 de agosto, na Maison de la Mutualité. Este local contém alguns dos maiores e mais convenientes salões que se poderiam obter para tal reunião. O orador dirigiu-se em inglês à assistência no auditório principal e os outros salões estavam ligados por fios. Um intérprete em cada um destes salões traduzia o discurso para o idioma da assistência. Assim, toda a assembléia ouvia o mesmo discurso, ao mesmo tempo, cada grupo em seu próprio idioma. Cerca de 3.500 pessoas estiveram presentes, sendo que 1.000 pessoas adicionais lotaram os salões para o discurso principal.

Naquele tempo havia apenas aproximadamente 100 pessoas que assistiam às reuniões em Paris. Quão felizes estavam de que congressistas vindos de todo o mundo os visitaram! Dois trens vieram da Inglaterra e um da Suíça. O primeiro congresso internacional realizado em Paris, em 1931, foi um grande sucesso, mas não há dúvida de que esta assembléia de 1937 foi notavelmente bem organizada, dando uma pequena antevisão das atuais assembléias realizadas pelas Testemunhas de Jeová.

Após o congresso, o irmão Gabler foi transferido para Bruxelas, para supervisionar a obra na Bélgica, e o irmão Charles Knecht, um irmão alsaciano que havia supervisionado por algum tempo a obra na Bélgica, foi encarregado do escritório de Paris. A obra do Reino avançou bem sob a direção do irmão Knecht. Naquele tempo havia 10 pessoas que trabalhavam no Betel em Enghien e no escritório no centro de Paris. O trabalho sonoro se expandia rapidamente; o número de fonógrafos em uso era de 236 e o número de pessoas que escutaram às gravações subiu de 28.412 em 1937 para 103.801 em 1938.

QUEM PARTICIPARÁ?

O acima foi o subtítulo da Sentinela francesa de 1.º de abril de 1938. Nesta revista, as “outras ovelhas”, classificadas então como “jonadabes”, foram convidadas diretamente a assistir à Comemoração, um convite que não havia sido feito nos anos anteriores. A questão quanto a quem deveria participar dos emblemas da Comemoração estava confusa na mente de muitos dos irmãos. Mas um discurso proferido pelo administrador do Escritório Central Europeu na Suíça, o irmão Harbeck, ajudou a esclarecer o assunto. O irmão Louis Piéchota conta-nos sobre o discurso do irmão Harbeck em Sin-le-Noble:

“Antes de iniciar seu discurso, perguntou à assistência quem dentre eles achava ter recebido a chamada celestial. A maioria daqueles presentes ergueu a mão. Depois, o irmão Harbeck desenvolveu seu tema e descreveu as muitas bênçãos que aguardam a humanidade quando o paraíso for restabelecido. No fim de seu discurso levantou esta pergunta à assistência: ‘Quem dentre os presentes gostaria de viver neste paraíso?’ Ergueram-se muitas mãos. Ele acrescentou: ‘Se todas as suas expectativas estiverem centralizadas em viver neste paraíso terrestre, então não receberam a chamada celestial.’”

Significativamente, o número de participantes dos emblemas da Comemoração diminuiu, enquanto que a assistência aumentou. Havia 1.510 pessoas presentes à Comemoração de 1939, na França, e apenas 631 participaram.

ATIVIDADE INTENSIFICADA AO SE APROXIMAR A GUERRA

Juntavam-se nuvens de guerra na Europa e o irmão Knecht previu que o que acontecia aos nossos irmãos na Alemanha podia muito bem acontecer brevemente às Testemunhas de Jeová em outros lugares da Europa, inclusive na França. Assim, visitou as assembléias de zona e as congregações na França e advertiu os irmãos para começarem a se preparar para as dificuldades à frente.

Em 1938, o irmão Franz Zürcher, do Betel de Berna, publicou um livro intitulado “Cruzada Contra o Cristianismo”, dando um relatório detalhado sobre a perseguição das Testemunhas de Jeová na Alemanha nazista. No ano seguinte, o livro foi publicado em francês. Também, o irmão Zürcher veio à cidade alsaciana de Mulhouse e falou sobre o tema, no edifício Stock Exchange, perante uma assistência de 600 pessoas.

Até 1939 a atividade das Testemunhas de Jeová consistia primariamente em colocar literatura bíblica. Mas isto mudou então; relataram-se, em 1939, 8.739 revisitas a pessoas interessadas. Este ajuste na maneira de conduzir a obra foi providencial, pois proveu aos irmãos experiência num aspecto da atividade que seria amplamente usado durante os anos de guerra quando os suprimentos de literatura seriam bem limitados.

No feriado nacional da França, 14 de julho de 1939, foi dedicado, pelo irmão Knecht, o primeiro Salão do Reino em Paris. O prédio havia sido anteriormente uma ferraria, mas, depois de diversas semanas de trabalho árduo, os irmãos transformaram-no em um excelente local de reuniões que podia acomodar 375 pessoas. Infelizmente, entretanto, os irmãos só se reuniram nele por poucos meses antes de a França declarar guerra à Alemanha em 3 de setembro de 1939 e a obra logo depois ser forçada a prosseguir às ocultas.

Aqueles anos antes da guerra findaram, havendo na França 84 congregações. Destas, 13 eram de língua alemã na Alsácia-Lorena, 32 eram de língua polonesa, a maioria na França setentrional, e 39 eram de língua francesa. Ao todo, havia 1.004 publicadores, o que representava um aumento de 19 por cento sobre o ano anterior.

É interessante que, durante os 12 anos que precederam à guerra, colocaram-se 503.801 livros, 1.451.523 revistas e 5.798.603 folhetos entre o público francês, perfazendo um total de 7.753.927 publicações! Se a obra parasse então, o povo francês nunca poderia dizer que não tinha havido um profeta “no seu meio”. (Eze. 2:5) Mas a obra na França estava longe de ser terminada, apesar dos tempos difíceis que sobrevieram.

A ORGANIZAÇÃO É PROSCRITA

Em meados de outubro de 1939, cerca de seis semanas após o início da guerra, a organização das Testemunhas de Jeová foi proscrita na França. Mas o irmão Knecht havia previsto esta possibilidade e havia prevenido os irmãos. Assim, a maioria das congregações teve tempo para dispersar seus estoques de literatura por vários locais mais seguros, assim como foi feito pouco antes do confisco do escritório da Sociedade em Paris. O lar de Betel em Enghien-les-Bains também foi vasculhado, mas o irmão Knecht já havia removido as matrizes com os endereços de todos os assinantes da Sentinela e Consolação, bem como todos os outros arquivos importantes. Por volta desta época, o irmão Knecht estava seriamente doente, com pneumonia. A última carta que enviou a todas as congregações francesas como supervisor da obra na França fora datada de 24 de outubro de 1939. Dizia:

“Prezados irmãos,

“Esta é para informá-los de que por ordem do Ministério do Interior a Associação ‘La Tour de Garde’ (A Torre de Vigia) e a Associação das Testemunhas de Jeová na França não estão mais autorizadas a exercer suas atividades e que, em resultado, o escritório da Torre de Vigia situado à rue du Faubourg Poissonnière, 129, em Paris, foi fechado e os prédios deverão ser desocupados.

“Faremos tudo o que pudermos para defender nossa causa e nossa obra e para justificar as atividades das Testemunhas de Jeová, especialmente por causa da atual tendência de considerar-nos como comunistas.

“Doravante, estas duas associações já não existem. De agora em diante, cada Testemunha de Jeová precisa levar sua própria responsabilidade perante Deus e os homens. Sem dúvida, serão encorajados e consolados pelo fato de que esta perseguição surgiu em conformidade com as palavras do Senhor em Mateus 24:9, que precisam ser cumpridas antes que todos os eventos preditos na profecia bíblica se realizem.

“Irmãos, tenham bom ânimo.

“Com nossas calorosas saudações e Isaías 43:12; 2 Crônicas 20:15 e Mateus 10:28.

[Assinado] Charles Knecht”

Poucos dias depois, em 2 de novembro de 1939, o irmão Knecht faleceu à idade de 41 anos. Serviu fielmente a Jeová durante anos no serviço de tempo integral. Foi muito amado pelos irmãos na França, ainda mais porque praticamente todos aqueles que foram encarregados da obra na França até aquele tempo (Lanz, Freytag, Binkele, Zaugg e Zopfer) mostraram-se infiéis. Se há uma lição geral que se pode tirar da história da obra na França, esta é a de que certamente a obra de Jeová não depende de nenhum único homem.

O irmão Charles Zutter foi enviado da Suíça para cuidar dos interesses da Sociedade na França. Também, Fred Gabler foi enviado para Paris, procedente da Inglaterra, onde havia ido depois de deixar a Bélgica, pouco antes da guerra.

O PERÍODO DA “FALSA GUERRA”

Durante estes primeiros meses da guerra, de setembro de 1939 a maio de 1940, ocorria pouca atividade militar entre os franceses e os alemães. Foi o período chamado de “Falsa Guerra”, o início duma época de verdadeiras provas para os irmãos. Muitos, especialmente na França setentrional e também na Alsácia, foram presos.

Louis Piéchota, que depois da guerra serviu como servo de circuito e de distrito, foi preso junto com cinco outros irmãos. Foram mantidos na prisão por 24 dias. Como isto ocorreu pouco antes de o irmão Knecht adoecer, ele visitou estes irmãos na prisão de Dieppe. O irmão Piéchota escreve: “Ele nos exortou a perseverarmos como o apóstolo Paulo. Tinha lágrimas em seus olhos quando nos deixou, e nós também.”

Durante aqueles primeiros anos da guerra, houve numerosos exemplos da proteção de Jeová. O irmão Georges Dellemme, servo de congregação em Wattrelos, uma cidade na fronteira franco-belga, relata:

“Certo dia fui detido por um oficial alfandegário que me revistou completamente. Encontrou uma Sentinela em meu bolso e disse: ‘E isto, o que é?’

“Respondi: ‘É uma revista Sentinela.’ Segurei a revista em minha mão com meus braços erguidos enquanto ele continuava a revistar-me. Quando parou para revistar meus sapatos, coloquei A Sentinela de volta no meu bolso.

“Quando ele se levantou, disse: ‘Tudo certo, pode ir.’ Que surpresa! Voluntária ou involuntariamente, ele havia esquecido a revista proibida.”

A designação dos irmãos Zutter e Gabler era a de fazer tudo o que pudessem para proteger as propriedades da Sociedade em Paris. Havia a oficina de produção de discos, que continha algum equipamento custoso, o escritório de Paris na rue du Faubourg Poissonnière e o lar de Betel em Enghien-les-Bains. O edifício do escritório de Paris foi alugado, e assim não houve nenhum problema real ali. E o lar de Betel em Enghien foi sabiamente colocado no nome de Hugo Riemer, um cidadão estadunidense, de modo que estava salvaguardado e continuou a ser usado pelos irmãos durante toda a guerra.

No fim, os únicos bens confiscados pelas autoridades foram um pequeno automóvel e alguma mobília doméstica. Assim, tendo cumprido sua missão, os irmãos Zutter e Gabler retornaram aos seus respectivos lares na Suíça e na Inglaterra, saindo da França pouco antes da invasão alemã, em maio de 1940. Pouco antes disto, o irmão Harbeck, o administrador do escritório da Sociedade em Berna, na Suíça, pediu que o irmão Henri Geiger fosse a Paris para ajudar a concluir os negócios da Sociedade ali e organizar a obra às ocultas. O irmão Geiger, deve recordar-se, desempenhou por muito tempo um papel de liderança na obra em Estrasburgo e por toda a Alsácia. O irmão Emile Delannoy foi designado seu assistente.

PARTINDO DA FRANÇA A TEMPO

Na primavera setentrional de 1940 o curso da guerra mudou súbita e tragicamente para a França. As divisões blindadas de Hitler, depois de uma limpeza bem-sucedida na Polônia, voltaram-se inesperadamente e estava em andamento a guerra relâmpago contra a Europa ocidental. A rapidez de seu avanço era surpreendente! John Cooke continuou corajosamente na França, sendo o único pioneiro inglês deixado no país. Relutava em deixar o novo grupo de interessados que estava ajudando nas redondezas de Bordéus. Mas, o cônsul britânico advertiu todos os súditos britânicos a partirem sem demora. John explica:

“Compreendi que ficar significaria provavelmente ser colocado num campo de concentração onde não poderia fazer nada. Na próxima vez que passei pelo consulado, este estava deserto e um aviso na porta dizia que qualquer pessoa deixada para trás deveria dirigir-se a Baiona, um porto mais ao sul, onde estaria disponível um navio. As últimas notícias eram de que as unidades de frente nazistas estavam a apenas 50 quilômetros dali. Era então junho de 1940 e a evacuação de Dunquerque estava em andamento. Assim, decidi que era melhor ir.

“Gastei o último dia resolvendo assuntos e combinando para que Joseph, o irmão suíço, prosseguisse com os estudos e as reuniões. Quando fui à estação para obter uma passagem para Baiona, esta parecia um acampamento com pessoas sentadas e dormindo em toda parte, esperando por um trem. Deste modo, decidi usar minha bicicleta, e parti não levando praticamente nada comigo.

“Ouvi dizer mais tarde que as unidades blindadas alemãs entraram na cidade no dia seguinte. O percurso de 175 quilômetros até Baiona foi calmo. A principal leva de refugiados tinha sido levada antes de mim, obviamente com alguma confusão, visto que de vez em quando havia um carro abandonado na vala ao lado da estrada. Quando cheguei a Baiona era impossível encontrar acomodação ou alimento, de modo que dormi num edifício inacabado e sem jantar. No dia seguinte formou-se uma enorme multidão nas docas, onde estava atracado um navio com destino à Inglaterra. Mas nunca cheguei a embarcar. Pouco depois foi dada a ordem: ‘Mulheres e crianças apenas.’ Estava bem carregado quando zarpou. Há boatos de que foi afundado por um submarino alemão antes de chegar à Inglaterra.

“O restante de nós foi levado de trem ao povoado pesqueiro de Saint-Jean-de-Luz, no sul, próximo à fronteira espanhola, e, ali, na calada da noite, sob rigorosa escuridão por medo de um ataque aéreo de surpresa, levaram-nos em barcos de pesca a navios ancorados ao largo da costa. Refugiados de toda a França meridional afluíam exatamente para ali. As pessoas abandonaram casas, negócios, tudo para escapar dos nazistas. Depois de uns dois dias ancorado, o comboio de refugiados ziguezagueou seu trajeto até Plymouth, na Inglaterra. Fui direto para o Betel de Londres, onde recebi calorosas boas-vindas e fui munido de roupas, uma vez que eu havia perdido todos os meus pertences.”

A FRANÇA DIVIDE-SE EM DUAS

À medida que as divisões blindadas alemãs avançavam através da França, as estradas que conduziam ao sul estavam cobertas de refugiados que fugiam diante dos exércitos invasores. Alguns dos irmãos permaneceram onde estavam, enquanto que outros fugiram para o sul. O irmão Geiger deixou Paris e retornou para sua esposa e seu filho no Departamento de Dordonha, no centro-sudoeste da França. Em 22 de junho de 1940, o católico Marechal Pétain assinou um armistício com a Alemanha nazista.

A França foi dividida em duas zonas: a metade setentrional e uma faixa abaixo da costa ocidental foram ocupadas pelos exércitos alemães e administradas por eles, ao passo que o restante da França não foi ocupado, mas era governado pelo governo de Vichy, pró-alemão, tendo o Marechal Pétain como chefe de estado e Pierre Laval como chefe de governo.

Comentando sobre esta situação, um relatório enviado a Brooklyn pelo Escritório Central Europeu em Berna, na Suíça, dizia:

“Desde que a França foi subjugada pelos alemães, perdemos todo o contato com os irmãos de Paris e do território ocupado em geral. Nem sequer uma carta ou um cartão, nem qualquer outro sinal chegou a nós.

“Com respeito ao território da França não-ocupada, trocamos correspondência, mais ou menos regularmente, com o irmão [Henri Geiger] que representara antigamente a Sociedade na Alsácia. Ele também relata não ter notícias de quaisquer dos irmãos que anteriormente trabalhavam em Paris e moravam na casa em Enghien.

“É também inteiramente impossível aos irmãos suíços obterem visto para entrar quer no território ocupado, quer no território não-ocupado da França.”

ORGANIZAÇÃO DA OBRA DEPOIS DO ARMISTÍCIO

Após a assinatura do armistício em junho, muitos civis franceses, que haviam fugido na frente dos exércitos de Hitler, retornaram aos seus lares. O irmão Geiger retornou a Paris. Morava com a esposa e o filho num apartamento e trabalhava, secularmente, com uma firma alsaciana de engenharia durante o dia, ao passo que gastava as noitinhas e os fins-de-semana em organizar a obra de testemunho e visitar os irmãos. Ao contar sobre a organização da obra às ocultas na França setentrional, o irmão Geiger escreveu em setembro de 1940:

“Todas as cartas eram abertas pela Gestapo. Portanto, era necessário visitar pessoalmente cada grupo e irmão isolado. Os irmãos reuniam-se em pequenos grupos para seus estudos da Sentinela e reuniões de serviço. Continuavam a pregar as boas novas de casa em casa apenas com a Bíblia. Quando encontravam pessoas interessadas, retornavam com publicações e dirigiam estudos.”

Em Paris, os suprimentos de literatura foram salvos na época da proscrição e estocados em vários endereços. O irmão Delannoy organizou a distribuição da literatura entre os irmãos e visitou também os diversos grupos para encorajá-los. As irmãs Renée Gendreau e Hilda Knecht permaneceram no lar de Betel, mas depois a irmã Knecht faleceu, cerca de um ano após a morte de seu marido. Bem ali em Betel, debaixo do nariz dos alemães, a irmã Gendreau datilografava manuscritos da Sentinela que haviam sido traduzidos para o francês, bem como matrizes para mimeografar artigos da Sentinela!

Mas como faziam os irmãos para obter exemplares da Sentinela em inglês a fim de traduzi-los para o francês, alemão e polonês? E, uma vez traduzidas e datilografadas, como as cópias mimeografadas eram transferidas de uma zona a outra? Pois a França, então, não estava apenas dividida em zonas ocupada e não-ocupada, mas as zonas estavam subdivididas e a viagem de uma área a outra era restrita.

DISTRIBUIÇÃO CORAJOSA DE ALIMENTO ESPIRITUAL

A irmã Marthe Ebener, que havia sido membro da família de Betel em Enghien-les-Bains, fora morar com seu irmão em Clermont-Ferrand, uma cidade na França central. Ela era assinante da Sentinela em inglês. Depois da invasão alemã na França, Clermont-Ferrand estava na zona não-ocupada, sob o governo de Vichy. Providencialmente, a irmã Ebener continuou a receber a revista Sentinela, em inglês, de Brooklyn, até novembro de 1942, quando os alemães ocuparam toda a França. Mas, como esta revista era levada clandestinamente para os irmãos Geiger e Delannoy em Paris?

O instrumento que Jeová usou para isto foi Henri Germouty, um irmão humilde e despretensioso. Ele relata:

“A cidade de Moulins estava na linha demarcatória entre as zonas ocupada e não-ocupada. Esta linha demarcatória era guardada por sentinelas alemães que atirariam em qualquer pessoa não autorizada que tentasse passar. Mas, neste ponto, a linha demarcatória atravessava o meio da cidade, onde morava uma irmã polonesa que falava alemão. Eu visitava sua casa e depois ela saía da casa, antes de mim, e distraía a atenção do sentinela enquanto eu passava sobre a linha.

“Depois, eu tomava um trem, mas, antes que este chegasse em Paris, todos os passageiros eram revistados, os homens por homens e as mulheres por mulheres. Mas eu sabia em que ponto eles começavam a fazer esta inspeção, de modo que antes que chegássemos ali eu pulava do trem num lugar onde ele diminuía a velocidade. Costumava viajar à noite, e, depois de saltar do trem, escondia-me até amanhecer e então terminava a jornada a pé.”

Uma vez em Paris, A Sentinela era traduzida e a irmã Gendreau datilografava estênceis, de modo que o manuscrito pudesse ser mimeografado. Depois tirava-se cópias para os irmãos nas províncias. O irmão Samuel Nongaillard conta-nos sobre como a revista era introduzida clandestinamente no interior da França setentrional:

“Sempre que possível, um irmão de Paris tomava um trem até a cidade de Péronne, através da qual passava a linha demarcatória entre duas zonas militares alemãs. Um outro irmão viajava desde o norte até esta cidade e transferiam-se as revistas de um para o outro na plataforma da estação de Péronne.”

Naturalmente, com suprimentos de papel limitados e meios de comunicação tão arriscados, não era possível mimeografar e enviar uma cópia da Sentinela para cada publicador. Os irmãos que agiam como correio, arriscando sua vida, podiam esconder consigo apenas um ou dois exemplares. Isto significava que quando a cópia dum artigo da Sentinela chegava a determinada região fazia-se uma porção de cópias de modo que cada pequeno grupo de publicadores tivesse pelo menos um exemplar que continha o alimento espiritual vital. A irmã Dina Fenouil, que então morava na região de Lião, explica:

“Fui designada a datilografar 10 cópias da Sentinela. Era capaz de datilografar cinco cópias de cada vez, o que significava datilografar duas vezes cada Sentinela. Visto que cada número era de cerca de 14 páginas datilografadas em espaço simples, eu tinha de datilografar 28 páginas cada vez. Mal terminava de datilografar um exemplar quando o exemplar seguinte chegava. Fiz isto durante toda a guerra. Cada grupo possuía uma cópia dos artigos da Sentinela.”

Para ilustrar o perigo enfrentado freqüentemente ao obter estes manuscritos para os irmãos, temos a experiência do irmão Stanis Sikora, encarregado de um grupo de irmãos de língua polonesa em Saint-Denis, um subúrbio ao norte de Paris. Ele conta:

“Certa manhã, eu estava levando para outro grupo uma cópia da Sentinela escrita à mão, quando avistei pela frente um grupo de soldados alemães, parando e revistando todo mundo. Permaneci em minha bicicleta e decidi continuar andando lentamente em frente. Passei paralelo ao primeiro grupo de soldados e eles não fizeram nada para parar-me. Continuei indo bem devagar e os soldados na barreira deixaram-me passar. Pedalei em frente à mesma velocidade lenta até que pude virar numa outra rua e então acelerei consideravelmente! Jeová protege sua obra.”

OUTROS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO

Quando os alemães ocuparam o restante da França, em novembro de 1942, não se recebeu mais a Sentinela em inglês na França ou na Suíça. No entanto, a filial suíça teve êxito em obter uma cópia da Sentinela em sueco. A irmã Alice Berner aprendeu rapidamente o sueco, o bastante para traduzir os artigos da Sentinela para o alemão. Estas traduções alemãs foram introduzidas na França e traduzidas para o francês.

O irmão Frédéric Hartstang estava encarregado da obra na Bélgica durante os anos da guerra e organizou um sistema de obtenção de alimento espiritual distribuído entre a Bélgica e a França. As fronteiras estavam fechadas, mas os irmãos que trabalhavam na ferrovia ou cujo trabalho exigia que viajassem entre estes dois países distribuíam estas publicações preciosas. Portanto, o alimento espiritual circulou desta maneira durante toda a guerra.

PARA DENTRO E PARA FORA DA ALSÁCIA-LORENA

Depois que Pétain assinou o armistício com a Alemanha, em junho de 1940, a Alsácia-Lorena foi anexada à Alemanha. Não era considerada “território ocupado”, mas, antes, uma parte integrante do estado alemão. Isto significava que estava estabelecida uma verdadeira fronteira, ou divisa, entre a Alsácia-Lorena e o restante da França. Dessa forma, os irmãos na Alsácia-Lorena estavam completamente isolados do escritório que operava às ocultas em Paris. Como foram supridos de alimento espiritual durante a guerra?

Quando os alemães ocuparam a Alsácia, os irmãos dali obtinham cópias da Sentinela nas montanhas Vosges, que separavam a França da Alsácia-Lorena. Como obtinham as revistas nas montanhas? Bem, o irmão Zinglé, de Mulhouse, que era um excelente alpinista, foi morar em Saint-Maurice, na França ocupada pelos alemães. Ele recebia a Sentinela francesa, a qual, no primeiro domingo de cada mês, ele levava para cima de um desfiladeiro. Tomava uma rota bem escarpada e rochosa, a fim de não encontrar quaisquer guardas de fronteira. No lado da Alsácia, os irmãos, vestidos como excursionistas, subiam às montanhas para pegar A Sentinela. A revista era então traduzida do francês para o alemão pelos irmãos locais, os quais faziam este serviço no maior sigilo. Depois, o irmão Marcel Graff mimeografava cópias para os irmãos na Alsácia, sendo que algumas cópias chegavam, por fim, até mesmo aos campos de concentração alemães.

Embora esta rota de entrega do desfiladeiro fosse um meio de A Sentinela entrar da França para a Alsácia, posteriormente, durante a guerra, as publicações que os irmãos franceses não possuíam foram enviadas da Alemanha para a França por esta mesma rota. No entanto, as coisas nem sempre saíam como se esperava. O irmão Marcel Graff conta:

“Certo dia, saímos com nossas esposas, ao amanhecer, para subir às montanhas. O tempo estava magnífico. Mas, quando chegamos ao topo, não longe da fronteira, ouvimos repentinamente: ‘Heil Hitler!’ Era um guarda de fronteira alemão, que perguntou: ‘Para onde se dirigem?’

“Respondi: ‘Estamos excursionando pelas montanhas.’

“Olhou-nos desconfiadamente e disse: ‘Não sabem que estão bem próximos da fronteira?’

“‘Estamos mesmo?’ respondemos, fazendo-nos de ingênuos.

“Acrescentou prontamente: ‘Se pretendem atravessar para o lado da França, aviso-lhes de que nossas armas estão carregadas com balas de verdade!’

‘Prosseguimos andando na direção do local escolhido. Assim que saímos da vista do guarda de fronteira, encontramos o irmão Zinglé e sua esposa esperando por nós. Cumprimentamo-nos alegremente, trocando umas poucas palavras e também as publicações que carregávamos. Então, após uma oração, separamo-nos.”

Quando tinha apenas 13 anos de idade, a irmã Simone Arnold foi usada para levar preciosos manuscritos, os quais escondia dentro de sua cinta. Certa vez, enquanto acompanhava o irmão Adolphe Koehl, eles escaparam por um triz, como Simone relata:

“Um guarda alfandegário interceptou-nos e ordenou que o seguíssemos até a fazenda mais próxima. Eu estava tão assustada que tive literalmente um acesso de cólica. Graças a isto, foi me dada na fazenda uma bebida quente e permitiram-me deitar no feno, ainda com minha Sentinela escondida. O irmão Koehl e minha mãe foram revistados mas não tinham nada consigo, de modo que fomos simplesmente acompanhados até a estação ferroviária mais próxima.”

Certamente, estes irmãos e irmãs que serviram de correio demonstraram grande coragem e amor a Jeová. O mesmo se deu com aqueles envolvidos em mimeografar a literatura, de modo que pudesse ser distribuída aos irmãos. Sob que circunstâncias se fazia isso?

PREPARO DA LITERATURA PARA DISTRIBUIÇÃO

O irmão Koehl tinha uma barbearia situada na rua principal de Mulhouse, na Alsácia, perto da estação central. A barbearia localizava-se no pavimento térreo dum edifício de apartamentos de cinco andares, e ele e o irmão Graff tinham, cada um, apartamentos neste edifício sobre a barbearia. A mimeografia era feita no andar superior, mesmo enquanto soldados e policiais cortavam o cabelo com o irmão Koehl no andar de baixo! Houve alguns escapes por um triz, conforme descreve o irmão Graff:

“Lembro-me de quando os nazistas confiscaram os rádios de todos os que não ‘colaboravam’ com eles. Eu havia vendido uma velha geladeira ao nosso leiteiro e ele disse que voltaria para apanhá-la no dia seguinte. Na manhã seguinte, eu estava revisando alguns estênceis enquanto minha esposa estava ocupada na cozinha. Repentinamente, houve batidas na porta. Visto que esperávamos o leiteiro, minha esposa abriu a porta. ‘Polícia!’ disse um dos homens. ‘Vocês possuem um rádio e temos de confiscá-lo.’

“Depois de minha esposa ter-se recobrado da surpresa, exclamou: ‘Apresse-se!’ Depois disse aos três policiais que eu estava doente e que me vestiria tão rápido quanto possível. Isto deu-me tempo para reunir os estênceis e colocá-los debaixo da cama. Mal tinha feito isto quando eles empurraram minha esposa de lado e entraram no quarto dizendo: ‘Heil Hitler!’ Quando saíram com nosso rádio, nós sinceramente explodimos de alegria e agradecemos a Jeová Deus por nos ter protegido mais uma vez.”

Certo dia, um homem amigável da Gestapo, que vinha regularmente à barbearia do irmão Koehl para cortar o cabelo, perguntou-lhe subitamente: ‘Herr Koehl, ainda está estudando a Bíblia?’ Mas, antes que ele pudesse responder, o homem da Gestapo avisou-o de que tivesse cuidado, pois estava sendo vigiado. Advertiu ao irmão Koehl que, se ainda tivesse quaisquer publicações proibidas, se livrasse delas depressa.

Agindo de acordo com o aviso, o irmão Koehl levantou o parquete do piso em sua barbearia e escondeu Sentinelas debaixo do assoalho. Os nazistas que vinham cortar o cabelo nem imaginavam que estavam andando apenas poucos centímetros acima de estoques de revistas A Sentinela proibidas! Mas veio o tempo quando todo o espaço debaixo do assoalho estava repleto. E então?

O irmão Koehl teve uma brilhante idéia: A janela da barbearia seria um bom lugar para esconder coisas. Assim, escondiam-se estênceis atrás das paredes laterais da janela da barbearia e Sentinelas dentro dos anúncios de papelão que eram exibidos na janela da barbearia. Deste modo, durante uma boa parte da guerra, os nazistas olhavam atentamente para esta janela da barbearia sem perceber que os anúncios de papelão continham revistas A Sentinela proibidas!

CORREIOS QUE PAGARAM COM A VIDA

Ao passo que os irmãos Graff e Koehl foram bem-sucedidos em iludir a Gestapo, outros irmãos foram menos afortunados. Em 1943, os irmãos em Mulhouse recebiam regularmente cópias da Sentinela da Alemanha, entregues por dois irmãos de Friburgo-em-Breisgau. De repente, não chegavam mais Sentinelas deste lugar. O irmão Marcel Graff viajou para essa cidade alemã e descobriu que os correios alemães haviam sido presos pela Gestapo e decapitados com um machado. Daí em diante, os irmãos em Mulhouse, que também recebiam cópias da Sentinela da França, produziram cópias extras da Sentinela em alemão e levaram-nas para dentro da Alemanha. Deste modo, quando uma fonte de alimento espiritual era interrompida, abria-se outra, e assim por diante, durante toda a guerra.

REUNIÕES ÀS OCULTAS NA ALSÁCIA-LORENA

Realizavam-se regularmente pequenas reuniões, e os superintendentes supriam os publicadores com cópias da Sentinela e os confortavam. Aqueles que não tinham coragem de ir a estas reuniões não recebiam nenhuma literatura, pois não eram considerados merecedores de confiança. O irmão Jacques Danner relata:

“As reuniões eram realizadas cada semana, em dias diferentes, em horas diferentes e em lugares diferentes. Dependendo da época do ano, nos reuníamos na floresta, num prado ou numa casa, freqüentemente em volta duma mesa arrumada para servir café, e as irmãs tinham trabalhos de tricô para servir de álibi. A Gestapo nunca nos pegou de surpresa durante estas reuniões. Os irmãos aceitaram sua responsabilidade e a assistência às reuniões era boa. Quando as reuniões eram realizadas em minha casa, deixávamos nossa filhinha no quintal e se a polícia viesse ela gritaria ‘mamãe’, e os presentes sairiam pelos fundos.”

EM CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

Em setembro de 1941, diversos irmãos de Mulhouse e das vizinhanças foram presos pela Gestapo. Entre estes estavam os irmãos Franz Huber, que fora servo de congregação em Mulhouse desde 1938, Adolphe Arnold, Fernand Saler, Eugène Lent e Paul Dossmann. Por volta do fim de 1941, todos estes cinco haviam sido enviados para o campo de concentração de Dachau, perto de Munique, na Alemanha.

Ali, foram colocados no bloco de punição, onde juntaram-se a Testemunhas alemãs, tchecas, iugoslavas e belgas. Por volta de abril de 1942, o irmão Franz Huber estava enfraquecendo sob o tratamento brutal. O irmão Arnold escreveu:

“O irmão Franz Huber tinha 64 anos de idade e estava perdendo suas forças. Mas nunca falhou em expressar a esperança que o sustentava, o que era um maravilhoso testemunho. Certo dia, apenas uma semana antes de morrer, segurou ambos os meus braços e olhando-me diretamente no rosto, disse: ‘Apesar de tudo, nós vencemos!’ E seus olhos brilhavam!”

O irmão Arnold foi levado ao escritório do comandante do campo e foi-lhe dito que sua perícia como impressor em seritipia seria bem aproveitada no campo, e que sua esposa e filha seriam cuidadas se ele renunciasse a sua fé. Mas, se recusasse fazer isto, foi avisado de que sua esposa seria presa e sua filha jovem enviada a um reformatório. Naturalmente, o irmão Arnold recusou. Por isso, foi entregue aos médicos do campo, que o usaram como cobaia humana para testes com vírus de malária e tifo. Sobreviveu, mas atribuiu isto ao recebimento de pacotes de alimento mandados por sua esposa. Estes continham uma refeição especial, como explicou:

“Certo dia, enquanto comia algo de um dos pacotes, mordi algo duro. Era um pequenino rolo de papel embrulhado em celofane. O papel estava coberto com uma escrita bem miúda. Era um artigo da Sentinela em forma condensada. Naturalmente, ao fazer isso, minha esposa arriscava sua vida. Depois que ela foi presa e deportada, minha cunhada, irmã Walter, continuou com esta perigosa correspondência com a ajuda do irmão Koehl, em Mulhouse. Assim, estes pacotes de alimento continham vitaminas espirituais!”

CRIANÇAS POSTAS À PROVA

O que aconteceu às crianças durante estes dias terríveis de perseguição? Podia-se esperar que permanecessem fiéis sob as severas provas que os nazistas lhes causavam?

No início de cada período escolar, cantava-se o hino nacional alemão, proferia-se uma oração pelo Führer e exigia-se que as crianças dissessem ‘Heil Hitler!’ com o seu braço direito estendido para o alto. Mas, Testemunhas jovens, tais como Ruth Danner, de oito anos de idade, recusavam-se. Ela era levada perante o diretor e todos os outros professores e interrogada, mas não traía seus pais. O irmão Jacques Danner explica: “Cada dia, antes de ela sair para a escola, proferíamos uma oração juntos e a aconselhávamos a pedir a Jeová rapidamente seu espírito e sua ajuda antes de ser interrogada.” Mais tarde, Ruth foi deportada com seus pais e foi internada em seis campos alemães diferentes. Depois da guerra, tornou-se pioneira e graduada da 21.ª classe da Escola Missionária de Gileade nos E. U. A.

Também, a filha do irmão Arnold, Simone, foi expulsa da escola secundária porque recusou dizer ‘Heil Hitler!’ Foi enviada a outra escola, onde logo entrou em dificuldade novamente porque se exigia que as crianças trouxessem sucata cada semana para ser usada na fabricação de munições. Por fim, foi julgada perante um tribunal juvenil e enviada para uma escola reformatória em Constança, na Alemanha, onde foi submetida à doutrinação nazista por 22 meses. Mas ela manteve sua integridade! Mais tarde, tornou-se pioneira e graduada de Gileade, serviu como missionária na África e casou-se com Max Liebster, que na época era membro da família de Betel de Brooklyn.

NEUTROS ATÉ A MORTE

Em agosto de 1942, os rapazes na Alsácia-Lorena foram convocados para servir nos exércitos de Hitler. Algumas Testemunhas, inclusive os irmãos Freyermuth Hofer e Sutter, pagaram pela sua neutralidade com a vida. Poucas horas antes de ser decapitado com um machado na prisão de Torgau, na Alemanha, Marcel Sutter, de 23 anos, escreveu a seguinte carta:

“Meus muito queridos pais e irmãs,

“Quando receberem esta carta, não estarei mais vivo. Apenas algumas horas separam-me da morte. Peço-lhes que sejam fortes e corajosos; não chorem, pois eu venci. Terminei a carreira e mantive a fé. Que Jeová Deus me ajude até o fim. Apenas um curto período de tempo nos separa do reino de nosso Senhor Jesus Cristo. Logo nos veremos novamente num mundo melhor de paz e justiça. Regozijo-me de pensar nesse dia, pois então não haverá mais suspiro. Quão maravilhoso isso será! Anseio a paz. Durante estas últimas poucas horas tenho pensado em vocês e meu coração está um pouco amargurado por pensar que não posso beijá-los para dizer adeus. Mas precisamos ser pacientes. Está próximo o tempo quando Jeová vindicará seu Nome e provará a toda a criação que ele é o único Deus verdadeiro. Agora, desejo dedicar a ele minhas últimas poucas horas, por isso vou encerrar esta carta e dizer adeus até nos encontrarmos outra vez, em breve. Louvado seja o nosso Deus Jeová! Com meu caloroso amor e saudações,

Seu amado filho e irmão,

Marcel”

IRMÃS TAMBÉM LANÇADAS NOS CAMPOS

Em 1943, as irmãs na Alsácia-Lorena passaram a ser presas e muitas foram enviadas ao campo de concentração de Schirmeck-Vorbruck, na Alsácia. A irmã Arnold conseguiu introduzir uma Bíblia, conforme relata:

“Visto que eu esperava ser presa, mandei fazer um espartilho especial para seio caído, que incluía uma bolsa para ser inflada com ar. Escondi nesta bolsa uma pequenina Bíblia. Quando me levaram à prisão, foi me dito que me despisse, mas, quando a inspetora viu este espartilho complicado, disse: ‘Meu Deus! Não temos tempo para tirar tudo isso.’ Assim, graças a Jeová, fui capaz de introduzir para dentro do campo de concentração de Schirmeck o único alimento espiritual que obteríamos durante meses. Dividi esta pequena Bíblia em tantas partes quantas irmãs havia no campo.”

Algumas das irmãs foram transferidas para campos de concentração na Alemanha, inclusive o temido campo de concentração de Ravensbrück. Deste modo, muitos irmãos e irmãs, jovens e idosos, mantiveram sua integridade sob severas provas, sendo que alguns selaram sua fidelidade com sua vida. Realmente, pode-se dizer que a história moderna das Testemunhas de Jeová na Alsácia-Lorena é um registro que honra o nome de Jeová.

OUTROS RESISTEM A DURAS PROVAS

Os irmãos no restante da França mantiveram também sua integridade. No começo da guerra, as autoridades francesas prenderam diversos irmãos poloneses e os enviaram ao campo de internamento Le Vernet, no sul da França. Ali eles eram espancados por se recusarem a saudar a bandeira e um deles, o irmão François Baran, morreu. Muitos destes destemidos irmãos poloneses terminaram em campos de concentração nazistas. Um deles, o irmão Louis Piéchota, que esteve em um campo ou prisão após outro, relata:

“Fomos transferidos do campo de Vught para o de Sachsenhausen, na primavera de 1944. Ali tivemos a grande alegria de encontrar irmãos alemães, alguns dos quais estavam detidos desde 1933. Deram-nos preciosa ajuda, tanto em sentido espiritual como material. Assim que chegava um comboio ao campo, os irmãos alemães indagavam dos recém-chegados se havia quaisquer Testemunhas entre eles. Se houvesse, ajudavam-nas imediatamente. Às vezes era uma roupa interior quente ou um pulôver, ou podiam ser restos de refeições deixadas pelos guardas, já que alguns irmãos trabalhavam nas cozinhas. Certo dia, um irmão deu-me uma Bíblia. Imagine só uma Bíblia em francês dentro dum campo de concentração alemão! Eu nunca soube como ele a obteve. Isto deixou-me muito feliz. Os irmãos recebiam regularmente A Sentinela. Visto que estavam alimentados espiritualmente, eram espiritualmente fortes.

“Mais tarde, fui designado para trabalhar na padaria do campo. Os irmãos alemães incentivaram-me a não levar para fora nenhum pão, a menos que me fosse permitido. Disseram que seria preferível morrer de fome antes que trazer vitupério sobre a organização de Jeová. Este conselho impressionou-me muito.”

O irmão Jean Queyroi, que se tornara pioneiro em 1938 e depois servira no Betel de Paris no departamento de expedição, também esteve em diversas prisões e campos alemães. Foi capaz de manter sua força espiritual nestes locais de confinamento, como explica:

“Em qualquer campo que eu me encontrasse, fazia o melhor que podia para dar testemunho. Por exemplo, num campo no leste da Prússia havia um quadro de avisos usado para dar instruções aos prisioneiros. Cada dia, eu pregava num canto deste quadro um pedaço de papel no qual havia escrito um testemunho sobre algum assunto bíblico. Os prisioneiros interessados vinham ver-me e cada tardinha eu realizava uma pequena reunião com seis, oito ou até mesmo 10 prisioneiros.

“Não fui deixado sem alimento espiritual. Minha irmã datilografava artigos da Sentinela em papel bem fino, que enrolava e escondia dentro do macarrão. Estes pacotes eram inspecionados pelos guardas, mas eles nunca perceberam o que estava acontecendo. Até mesmo recebi o livro Filhos desta maneira.”

Assim, embora em grau menor do que seus irmãos na Alemanha e Alsácia-Lorena, os irmãos na França receberam sua parte na perseguição.

AJUDA DURANTE A OCUPAÇÃO

Apesar da proscrição e da ocupação alemã, os irmãos continuaram a pregar apenas com a Bíblia, visitando algumas casas em uma rua e depois algumas numa outra rua. Se alguém mostrasse genuíno interesse, voltavam com literatura. Mas, precisava-se usar de cautela e os anjos de Jeová ajudavam, conforme indica a experiência do irmão Albert Kosmalski:

“Certo Monsieur Heinrich encomendou os dois livros, Libertação e Criação, em alemão. Quando bati à sua porta, como prometido, solicitou-me que voltasse dentro de uma hora, porque ele tinha visitas. Por isso, desci ao próximo andar para visitar outra pessoa interessada. Ele me perguntou se eu estivera no andar de cima e se eu sabia quem era o Monsieur Heinrich. Disse-lhe que ele era um alsaciano e que estava interessado na verdade.

“‘Não, ele é da Gestapo e planeja prendê-lo hoje’, respondeu o homem. ‘Mandou o concierge [porteiro] não deixar você sair do prédio.’

“Este cavalheiro levou-me para baixo quietamente e fez-me sair do prédio pela porta dos fundos. Agradeci a Jeová por ter-me livrado dessa situação. Perto do fim da guerra, Heinrich foi baleado na rua por membros da Resistência Francesa.”

Realmente, as autoridades francesas eram geralmente bem brandas para com as Testemunhas de Jeová durante a ocupação nazista. Às vezes, até mesmo ajudavam, como nos conta Auguste Blas, de Denain:

“Alguém contou ao comandante alemão que havia um estoque de literatura em minha casa. Em resultado, foi ordenada uma busca, a ser executada pelas autoridades alemãs, sob orientação da polícia francesa local e um intérprete. O chefe de polícia sabia que a literatura estava em minha casa. Assim, ao invés de levar os alemães à minha casa, levou-os à casa do nosso servo de congregação, Marius Nongaillard, onde não encontraram nada. Assim, este amistoso chefe de polícia francês evitou que eu fosse enviado a um campo de concentração.”

Para citar um exemplo similar: Quando os alemães chegaram em Sin-le-Noble, requisitaram o Salão do Reino para seu uso. Entretanto, o tanque de imersão, embaixo da tribuna, estava cheio de literatura, inclusive o livro Cruzada Contra o Cristianismo em alemão! Assim, os irmãos foram ver o prefeito de Sin-le-Noble para explicar a situação e dizer que se os alemães encontrassem esta literatura, isto criaria más relações entre eles e as autoridades locais. Assim, o prefeito disse aos alemães que precisava deste salão para a escola local. Por isso, o salão tornou-se uma sala de aula e, surpreendentemente, uma professora escolar, que era Testemunha, foi designada para trabalhar ali como professora!

As autoridades locais francesas vinham freqüentemente em auxílio dos irmãos de maneiras tais como esta. Para dar mais um exemplo: Um irmão, no norte da França, que carregava uma caixa de folhetos Fascismo ou Liberdade em sua bicicleta, foi detido por um inspetor de polícia francês. O inspetor perguntou-lhe o que estava carregando.

“Abra a caixa e veja”, respondeu o irmão.

Quando o inspetor viu o que estava dentro, perguntou ao irmão: “O que vai fazer com estes?”

O irmão deu-lhe um bom testemunho, depois do que o inspetor lhe disse que seguisse caminho, mas que tivesse cuidado para não ser parado por nenhuma outra pessoa!

IMPRESSÃO ÀS OCULTAS

Uma das façanhas notáveis dos irmãos franceses durante a guerra foi a impressão do livro Filhos às ocultas. Uma vez que o irmão Samuel Nongaillard era comerciante, ele podia obter algum papel, que era racionado durante a guerra. Fez-se arranjo para a impressão por meio duma tipografia em Chennevières-sur-Marne, uma pequena cidade, poucos quilômetros a leste de Paris.

“No dia em que fui buscar os livros Filhos, a polícia parou-me no caminho de volta” relata Samuel. “Era maio de 1943. Perguntaram-me o que eu tinha no caminhão. Disse-lhes que estava transportando livros. Inspecionaram-nos e perguntaram sobre o que era o livro. Aconteceu ser a época em que os pais católicos levavam os filhos para a Primeira Comunhão. Por isso, respondi: ‘Um livro para explicar Jesus às crianças.’ Aparentemente, ficaram satisfeitos com esta explicação, pois deixaram-me ir.”

RELATÓRIOS DE SERVIÇO DE CAMPO

Durante os anos de guerra na França, os irmãos fizeram esforços de enviar relatórios de serviço de campo. Entretanto, contrário às instruções, uma irmã idosa enviou um relatório num cartão postal, utilizando as abreviaturas de costume. Isso intrigou um membro do serviço secreto alemão. O irmão Robert Jung explica:

“Certo dia, enquanto o irmão Auguste Charlet, meu irmão carnal e eu jantávamos, a campainha da porta tocou. Era um agente da polícia secreta francesa. Sem dúvida, ele nos tomou por membros do movimento da Resistência. De qualquer modo, solicitou que o ajudássemos a entregar um relatório sobre este assunto, que satisfizesse a polícia de segurança alemã e evitasse termos quaisquer dificuldades. Ofereceu-se a voltar no dia seguinte para que tivéssemos tempo para inventar alguma explicação.

“Como combinado, voltou cedo na manhã seguinte e leu a explicação que havíamos preparado. Dissemos que era um jogo bíblico por correspondência e que as abreviaturas e os números representavam os livros e versículos da Bíblia onde as respostas podiam ser encontradas. Ele pareceu bem satisfeito com esta explicação e agradeceu-nos por ajudá-lo a cumprir esta obrigação. Deixou-nos e nunca ouvimos mais nada sobre o assunto.”

Os relatórios de serviço de campo, por fim, eram todos enviados a três endereços em Paris e nas proximidades — para o irmão Geiger, para o irmão Delannoy, ou para a irmã Renée Gendreau, que morava no lar de Betel. Mas, de vez em quando, irmãos ou pessoas que possuíam nossa literatura escreviam para o escritório de Paris, que havia sido fechado pela polícia em outubro de 1939. Assim, a irmã Gendreau entrava como por acaso para ver a zeladora ali e esta senhora lhe dava qualquer correspondência que tivesse chegado para a Sociedade. Quando a Gestapo interrogava sobre as Testemunhas, esta zeladora lhes dizia que conhecia apenas o homem encarregado (o irmão Knecht) e que ele tinha morrido. Desta maneira, esta boa mulher arriscou sua vida durante toda a guerra, a fim de proteger a Sociedade e os irmãos.

ASSEMBLÉIAS EM TEMPO DE GUERRA

Começando em 1942 e durante a ocupação alemã, foram realizadas pequenas assembléias regionais. Estas eram servidas pelos irmãos Geiger ou Delannoy. Os irmãos Auguste Charlet e Robert Jung também visitavam as congregações e publicadores isolados na França meridional. Durante estas assembléias e visitas especiais, eram realizados serviços de batismo.

Em 1943, realizou-se uma assembléia às ocultas em Vénissieux, um subúrbio de Lião, com uma assistência de cerca de 100 pessoas. Nem é necessário dizer, que tais ocasiões eram uma fonte de consolo e fortalecimento para os irmãos. Naturalmente, todas estas atividades eram conduzidas com grande risco.

UM SOLDADO ESTADUNIDENSE FAZ DISCÍPULOS

Em 1944 começou a libertação da França. Estas eram boas notícias para os irmãos franceses, embora o combate através da França trouxesse novas dificuldades. Contudo, a obra de pregação prosseguiu, por estranho que pareça, até mesmo, pelo menos, por um dos libertadores.

Suzanne Perrin, de Vittel, no nordeste da França, estava sentada à janela certa tarde, em setembro de 1944, quando um soldado estadunidense parou e perguntou num péssimo francês: “Você ama a Deus?” Suzanne respondeu: “Eu amo a Deus, mas não a religião.” O soldado perguntou se poderia voltar para falar com seu marido, o que ele fez.

“Foi assim”, explica a irmã Perrin, “que Richard Boeckel (que aprendera a verdade seis meses antes de ser mobilizado) nos trouxe a verdade. Pregava de uniforme, mas recusava-se a saudar a bandeira, o que significava que era continuamente punido. Pregou zelosamente em toda a cidade de Vittel, distribuindo livros tais como Criação, Libertação!, Luz, Inimigos e Jeová. Richard colocou-nos em contato com o servo de congregação de Nancy, o irmão Emile Ehrmann, que visitou-nos depois com sua esposa.”

NOTÍCIAS CHEGAM A BROOKLYN

Evidentemente, em 1944, chegaram a Brooklyn notícias sobre as atividades teocráticas na França. Durante vários anos não se tinha notícias. Por isso, o irmão Knorr escreveu no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1945 (em inglês):

“Recebemos notícias de que ‘a família inteira em Paris está bem e ocupada nos negócios de seu Pai’. . . . Os irmãos aguardam o tempo quando forem abertas totalmente as comunicações entre eles e a sede, de modo que a mensagem da verdade possa ter passagem livre através de toda a França.”

REAGRUPAMENTO APÓS GUERRA

O ano de 1945 presenciou o colapso do regime nazista e o fim da guerra. As condições de vida na França eram extremamente difíceis, sendo escassas as necessidades da vida em seus preços oficiais e excessivamente caras no mercado negro. O inimigo roubou as riquezas do país, destruiu suas estradas e ferrovias, e rompeu seus meios de comunicação. Foi entre tais condições que os irmãos e irmãs fisicamente enfraquecidos, mas fortes em sentido espiritual, começaram a retornar dos campos de concentração.

Como acréscimo às dificuldades, a obra das Testemunhas de Jeová na França ainda estava proscrita pelo governo. Mas, com a saída dos alemães, as viagens e as comunicações postais ficaram mais fáceis. Isto significava que se podia estabelecer melhor contato entre as congregações e o escritório secreto de Paris, dirigido pelo irmão Geiger. Os irmãos Geiger e Delannoy fizeram longas viagens através de toda a França, visitando as congregações.

Em 1945, a família de Betel consistia em cinco membros, compreendendo o irmão Geiger, três irmãs e mais outro irmão. Além disso, Emile Delannoy morava na sua casa em Arcueil, bem ao sul de Paris. Os suprimentos de publicações estavam escondidos em outro subúrbio de Paris, e era ali que operava o departamento de expedição.

A Sentinela era publicada sob o nome de Etudes bibliques (Estudos Bíblicos) por uma tipografia de fora. Eram impressos 2.300 exemplares em francês, 1.200 em polonês e 500 em alemão. Isto poupou aos irmãos muito tempo precioso de se copiar os artigos a mão.

Em 1945, o irmão François Wisniewski, mineiro polonês, teve uma experiência interessante. Certo dia no trabalho, durante um intervalo para a refeição, surpreendeu-se ao ver um jovem tirar seu capacete protetor de couro para orar antes de comer. Assim, deu-lhe testemunho e o homem aceitou rapidamente a verdade. Seu nome era Léopold Jontès e tornou-se mais tarde o servo de filial da França.

A VISITA DOS IRMÃOS KNORR E HENSCHEL

A imprensa francesa, tanto na França ocupada como na não-ocupada, publicou uma notícia, despachada em janeiro de 1942, anunciando a morte do irmão Rutherford. A notícia de sua morte e de que fora sucedido pelo irmão Nathan H. Knorr chegou até mesmo ao campo de concentração de Dachau por volta de 1943. Mas, quem era o irmão Knorr?

Os irmãos franceses puderam ter seu primeiro contato pessoal com ele em 17 de novembro de 1945, quando ele e seu secretário, o irmão Milton Henschel, fizeram uma breve escala em Paris. Esta visita durou apenas poucas horas, mas proveu uma oportunidade para se discutir a reorganização e o estabelecimento legal da obra. Entretanto, naquela noite Knorr e Henschel tinham de pegar um trem para Berna, mas prometerem voltar.

Onze dias depois, na manhã de 28 de novembro, os irmãos Knorr, Henschel e seu intérprete, Alfred Rütimann, chegavam à estação de trem Leste de Paris e eram esperados por Henri Geiger e seu filho. Fizeram visitas à embaixada dos Estados Unidos, à Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Paris e finalmente a um advogado. Talvez se recorde de que em outubro de 1939 a obra fora proibida na França, por ordem do Ministério do Interior. Assim, este assunto precisava ser conduzido através de canais apropriados, a fim de se obter reconhecimento legal de nossa obra.

Naquela tarde, o irmão Knorr falou a 21 irmãos e irmãs em Paris, através de um intérprete, durante uma hora e 45 minutos. Todos estavam bem entusiasmados e expressavam alegria por seus privilégios de serviço. O irmão Knorr prometeu que lhes seriam enviadas roupas. Havia percebido a grande necessidade dos irmãos de tal ajuda material, visto que suas roupas estavam velhas e gastas. Sobre a conseqüente chegada destas roupas, o irmão Geiger escreveu:

“Este prometido envio — oito toneladas de roupas para homens, mulheres e crianças — chegou em 75 caixas e foi distribuído entre os irmãos. Muitos foram aqueles cujos olhos se umedeceram ao segurarem seus presentes nas mãos, e todos agradecem de todo o coração aos seus irmãos estadunidenses por esta verdadeira dádiva cristã. Assim, muitos irmãos estavam melhor equipados para a obra de pregação do evangelho durante o inverno que se aproximava.”

UM DECRÉSCIMO DURANTE OS ANOS DE GUERRA?

Deve lembrar-se de que lá em 1939, quando começou a guerra, foi alcançado na França um auge de 1.004 publicadores do Reino. Certamente deve ter havido um decréscimo durante esses anos difíceis de guerra. De forma alguma! O número de publicadores duplicou para 2.003 em outubro de 1945! E, como deve perceber, estes novos publicadores começaram a pregar arriscando sua liberdade e até mesmo sua vida!

A assistência à Comemoração também aumentou, de 1.510 em 1939 para 3.644 em 1945. Assim, ao passo que levou aproximadamente 40 anos de atividade para se alcançar o total de 1.004 publicadores em 1939, levou apenas seis anos — os anos difíceis da segunda guerra mundial — para dobrar este algarismo. Este é um fato notável na história moderna das Testemunhas de Jeová na França, um fato que atesta que Jeová protegeu e abençoou seu povo.

A PROSCRIÇÃO — O QUE SE FEZ A RESPEITO

Embora a proscrição ainda estivesse em vigor em 1946, a obra de pregação continuou avançando. De início, os irmãos trabalhavam de casa em casa apenas com a Bíblia. Para ajudá-los, foi também organizado, em 1946, o trabalho de circuito. Nessa época, havia apenas dois circuitos, servidos por dois irmãos que haviam estado em campos alemães, os irmãos Paul Dossman e Jean Queyroi. Os irmãos apreciavam muito estas visitas dos dois “servos aos irmãos”, como então eram chamados os superintendentes de circuito. No entanto, o que se podia fazer para se livrar da proscrição?

Durante sua visita em novembro de 1945, o irmão Knorr consultara um influente advogado francês, Maitre Pierre Gide. Entretanto, os esforços deste advogado mostraram-se infrutíferos. Por isso, os irmãos franceses decidiram ver o que eles podiam fazer por si mesmos. No outono setentrional de 1946, fizeram repetidos esforços de falar com as pessoas responsáveis nas diversas repartições do governo que estavam retendo as coisas e impedindo o reconhecimento legal da obra. Entretanto, as coisas ainda estavam atoladas em diversas repartições do governo francês em 1947.

Mas, então, os irmãos em Paris descobriram que o bem conhecido político francês Léon Blum, o fundador do moderno Partido Socialista Francês e de seu jornal Le Populaire, esteve, durante a guerra, num campo de concentração alemão com algumas Testemunhas de Jeová e expressou sua admiração por elas. Embora Léon Blum se tivesse aposentado da política ativa, era considerado um dos mais respeitados estadistas antigos da França. Assim, os irmãos procuraram obter seu apoio.

No entanto, descobriram que ele estava doente e não podia receber nenhuma visita, e que seu endereço havia sido mantido em segredo para evitar que as pessoas lhe escrevessem. Mas, os irmãos descobriram que o chofer de Léon Blum vinha cada dia aos escritórios do Le Populaire para pegar sua correspondência. Escreveu-se uma carta a Monsieur Blum, explicando o problema da Sociedade, e esta foi entregue pessoalmente ao seu chofer. Poucos dias depois, os irmãos em Paris receberam uma carta dele, declarando que estava desejoso de ajudar e que já havia escrito ao governo, recomendando que a proscrição de nossa obra fosse removida Em resultado, em 1.º de setembro de 1947 a obra das Testemunhas de Jeová foi novamente autorizada legalmente na França.

NOVO ESCRITÓRIO E LAR DE BETEL

Para facilitar a organização da obra, o irmão Knorr instruiu para que a casa em Enghien-les-Bains fosse vendida e que o dinheiro fosse usado para adquirir uma propriedade em Paris, que fosse suficientemente grande para acomodar a família e o escritório de Betel. O irmão Geiger encontrou uma casa conveniente numa área residencial silenciosa de Paris, localizada na Vila Guibert 3, rue de la Tour, 83, Paris 16. Assim, em 1.º de outubro de 1947, o endereço oficial da Sociedade na França foi mudado para lá. Primeiramente, serviam neste novo Betel um total de oito pessoas, inclusive o irmão e a irmã Geiger.

ASSEMBLÉIAS COM VISITANTES DE BROOKLYN

Durante os oito anos desde que fora imposta a proscrição, não se puderam realizar assembléias públicas regulares. Assim, 80 por cento dos irmãos nunca tinham assistido a tais reuniões, uma vez que a maioria deles aceitou a verdade durante e após os anos da guerra. Portanto, quão magnífico foi ver um total de 6.500 pessoas reunirem-se livremente nas cidades de Lião, Estrasburgo, Paris e Douai para assembléias em 1947. E foi um banquete especial ter oradores visitantes vindos da sede de Brooklyn, inclusive Frederick Franz, Grant Suiter, Hayden Covington, bem como os irmãos Knorr e Henschel.

A MORTE DE DOIS SERVOS FIÉIS

Quando foram feitos os arranjos para que se recebesse regularmente as revistas Sentinela, em inglês, novamente na França, os irmãos Dossmann e Queyroi, que visitavam as congregações, foram chamados a Betel para ajudar a organizar o departamento de expedição. Por isso, Emile Delannoy foi enviado para visitar as congregações, como havia feito freqüentemente em anos anteriores. Mas esta mostrou ser sua última viagem, pois adoeceu e morreu em 5 de agosto de 1948. O irmão Delannoy junto com sua esposa, Marie, serviram fielmente a Jeová na França por uns 40 anos.

Apenas no ano anterior, Adolphe Weber terminara sua carreira terrestre fiel a Jeová. Lembrar-se-á de que ele foi o irmão suíço que iniciou a obra na França cerca de meio século antes. Ajudou os irmãos franceses, em diversas ocasiões, a suportarem as tormentas das provações que abalaram o campo de idioma francês. Todos os irmãos na França que conheceram o irmão Weber falam dele calorosamente e reconhecem a parte importante que ele desempenhou no desenvolvimento da obra na França.

REUNIÕES NÃO MAIS ÀS OCULTAS

Desde 1939 os irmãos reuniam-se em pequenos grupos familiares, mas, começando em 1947, as congregações alugaram salões para suas reuniões. Já então, Paris tinha três congregações. Ao recomeçarem as reuniões em Salões do Reino, houve algumas surpresas. A irmã Marcelle Malolepzy conta-nos o que ocorreu em Besançon, na França oriental:

“A obra estava agora novamente livre. Como estávamos felizes! Na primeira reunião, as pessoas encontraram outras no Salão do Reino e descobriram pela primeira vez que elas eram Testemunhas. Um merceeiro, por exemplo, descobriu que alguns de seus fregueses eram seus irmãos. A filha dum gendarme encontrou sua ex-professora da escola dominical no salão. É impossível descrever a alegria que sentimos quando nos reunimos pela primeira vez. Havia cerca de 80 de nós presentes àquela primeira reunião.”

INICIA-SE NOVAMENTE O TRABALHO DE PIONEIRO

Embora houvesse 2.380 publicadores e 104 congregações em 1947, não havia nem um só pioneiro na França. Como já mencionado, a obra só recebeu reconhecimento legal a partir de setembro de 1947. Por isso, o Informante (Nosso Serviço do Reino) francês, de dezembro de 1947, publicou um pedido de pioneiros, e o ano seguinte presenciou uma excelente resposta.

Em janeiro de 1948, oito Testemunhas zelosas, inclusive a irmã Simone Arnold, tornaram-se pioneiros. Por volta de agosto havia um total de 96 pioneiros, inclusive 20 pioneiros de férias. Juntos, formavam um exército de Testemunhas combatentes, feliz e valente — irmãos e irmãs, jovens e idosos, solteiros e casados — todos dando testemunho apesar de muitas dificuldades. Em 60 dentre os 90 departamentos que então constituíam a França não havia nenhuma Testemunha de Jeová! Portanto, o serviço de pioneiro era vital para que se iniciasse a obra em muitas partes do país.

Em 1948, os pioneiros trabalharam em 49 cidades diferentes, algumas onde não havia nenhuma Testemunha. Muitos foram enviados a lugares onde havia apenas grupos isolados de publicadores. Assim, em grande parte, através de seus esforços diligentes e das bênçãos de Jeová, o número de congregações aumentou de 104 em 1947 para 150 em 1950.

COMEÇA O TRABALHO DE CIRCUITO

Durante o início de 1948, nenhum “servo de circuito” visitava as congregações na França. Mas era evidente a necessidade deles. Deste modo, cinco jovens pioneiros zelosos, todos com seus vinte e poucos anos — Léopold Jontès, Antoine Skalecki, François Baczinsi, Raymond Tomascewski e Thaddée Mlynarski — foram chamados para Betel e familiarizados com os deveres deste serviço. Em 1.º de outubro de 1948 começaram a servir as congregações.

Estes irmãos jovens tinham circuitos grandes. E visto que a maioria das Testemunhas na França naquele tempo eram pobres e viviam em pequeninas habitações, tinham de estar preparados para “viver sem conforto”. Raramente tinham um quarto para si mesmos. E nenhum deles podia dar-se ao luxo de ter um automóvel ou mesmo uma motocicleta.

COMEMORAÇÃO E ASSEMBLÉIAS

A Comemoração celebrada na França em 1948 foi a primeira a ser realizada publicamente desde a de 1939. Os irmãos na região de Paris reuniram-se todos num grande salão alugado no subúrbio sulino de Kremlin-Bicêtre. Estavam presentes cerca de 500 pessoas, embora naquele tempo as 10 congregações na grande Paris tivessem menos de 300 publicadores. Houve em toda a França uma assistência de 5.912 pessoas, com 407 participantes.

Foram organizadas em 1948 dez assembléias de distrito. Um total de 9.235 pessoas assistiu a reunião pública. O livro “Seja Deus Verdadeiro” foi lançado em francês e mostrou ser um instrumento maravilhoso para libertar os católicos franceses da escravidão à religião falsa. Durante muitos anos, a maioria dos que tomaram sua posição para com a verdade fizeram isso após estudarem este compêndio bíblico.

Também, começou-se a receber novamente na França a revista Sentinela francesa, durante 1948. Organizou-se a primeira campanha da Sentinela após a guerra e angariaram-se 6.043 assinaturas novas durante o ano.

ARRANJOS ADICIONAIS APÓS A GUERRA

Principiando com o número de janeiro de 1948, a Despertai! francesa publicou lições do manual inglês Auxílio Teocrático aos Publicadores do Reino. Isto infundiu novo entusiasmo na Escola Teocrática, que estivera funcionando por algum tempo com o folheto Curso do Ministério Teocrático.

Em 1948, em seguida à suspensão da proscrição em setembro do ano anterior, começaram a ser proferidos discursos públicos nas congregações. Estas foram as primeiras de tais reuniões públicas desde 1939.

Depois, em 1949, chegaram quatro graduados de Gileade para ajudar na França. Dois deles foram enviados como missionários para o porto marítimo transatlântico de Havre, na Normandia. Um deles relata a conseqüência de não se compreender muito bem o idioma francês:

“Eu via freqüentemente o aviso ‘Chien méchant’ [literalmente, Cachorro Brabo — em inglês nós diríamos ‘Cuidado com o Cachorro’]. No entanto, eu confundia ‘méchant’ com a palavra inglesa ‘merchant’ (negociante), e, por isso, para mim o aviso significava ‘Negociante de Cachorros’ ou ‘Comprador e Vendedor de Cachorros’. Freqüentemente, comentava comigo mesmo quantas pessoas havia em Havre que tinham este negócio! Assim, inteiramente alheio a qualquer perigo, abria o portão com o cachorro latindo em meus calcanhares. O dono da casa, amiúde ficava surpreso ao ver-me ali, em frente à porta, calmo e com o cachorro ao meu lado. Nunca fui mordido! Sem dúvida admiravam-se do fascínio que eu exercia sobre seus cachorros. Mal sabiam que a razão era a falta de conhecimento do idioma francês!”

Os outros dois graduados de Gileade foram enviados para a filial de Paris, sendo seu objetivo específico ajudar o irmão Geiger a organizar a obra de pregação na França, bem como a operação da filial. A família de Betel era então constituída de 12 membros. Todos desejavam cooperar com as sugestões feitas, de modo que as coisas fossem realizadas assim como o restante do povo de Deus as fazia através de todo o mundo, conforme orientado pelo “escravo fiel e discreto”.

Assim, foram realizadas pela primeira vez assembléias de circuito na França. Estas seguiram de perto o modelo dos programas providos pelo escritório de Brooklyn. O Cancioneiro do Serviço do Reino, então recentemente publicado em francês, foi usado pela primeira vez nestas assembléias de circuito de 1949.

Outra grande ajuda para os publicadores foi a impressão de uma edição francesa do folheto Conselho Sobre a Organização Teocrática Para as Testemunhas de Jeová. Isto juntamente com a ajuda dada então pelos servos de circuito, contribuiu muito para unificar os métodos de pregação e de organização das congregações em toda a França.

A OBRA PROGRIDE MUITO

Todos os esforços feitos em 1949 para organizar teocraticamente a obra na França produziram frutos abundantes em 1950. O número de publicadores do Reino em 1949, 3.236, pulou para 4.526 em 1950, um aumento de 40 por cento! Alcançou-se até mesmo um auge de 5.441 publicadores, mais do que o dobro da média de publicadores na França dois anos antes!

Para satisfazer as necessidades criadas por este tremendo incremento, aumentou-se o número de circuitos para 10. Os servos de circuito foram bastante ajudados, durante esse ano, por dois graduados de Gileade, estadunidenses de origens polonesa e ucraniana, Stephen Behunick e Paul Muhaluk, que haviam sido deportados da Polônia e que, antes de retornarem aos Estados Unidos, gastaram diversos meses acompanhando os servos de circuito na França. Trabalharam especialmente nos circuitos setentrionais onde havia muitos irmãos poloneses. Também, iniciou-se em 1950 o serviço de pioneiro especial na França.

O ano de 1950 foi memorável por diversas outras razões: Os primeiros três irmãos franceses foram para Gileade. Graduaram-se no verão setentrional de 1950 na Assembléia do Aumento da Teocracia, no Estádio Ianque, em Nova Iorque. Depois, mais sete irmãos da França cursaram a 16.ª classe de Gileade, que começou em setembro de 1950.

Incluindo os irmãos convidados a Gileade, 20 congressistas da França assistiram a essa notável Assembléia do Aumento da Teocracia no Estádio Ianque. Repercussões desta maravilhosa assembléia chegaram aos irmãos na França nas assembléias de distrito realizadas mais tarde naquele ano. Alguns dos congressistas franceses proferiram relatórios animados nestas assembléias sobre as coisas maravilhosas que viram e ouviram em Nova Iorque. Ficaram especialmente impressionados com sua visita à sede de Brooklyn.

A PRIMEIRA ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL APÓS A GUERRA

O grande evento em 1951 foi a primeira assembléia internacional realizada em Paris desde 1937, a Assembléia da Adoração Limpa. Vieram congressistas de 28 terras, inclusive de lugares distantes tais como Austrália, Nova Zelândia, Ilhas Filipinas, Índia, África do Sul, Venezuela e América do Norte. O local da assembléia, o Palais des Sports, ficava a apenas um quarteirão do belo rio Sena e poucos quarteirões ao sul da muito elevada Torre Eiffel. Uma assembléia do tamanho planejado nunca fora realizada pelas Testemunhas de Jeová na França.

“A assembléia foi semelhante a uma grande experiência”, observou A Sentinela. “Esta foi a primeira vez que se organizou um restaurante para refeições quentes, a primeira vez que se fez, distribuiu e usou bolsa para revistas, a primeira vez que se organizaram trens especiais. Mas a grande tarefa foi empreendida com fé, os obstáculos foram vencidos e o Deus Todo-poderoso concedeu sua bênção e ajuda. O resultado: grande sucesso! . . . a assistência ascendeu de 6.188 Testemunhas para 10.456 pessoas presentes ao discurso público anunciado.”

Durante a assembléia, o irmão Knorr explicou que, depois de muitos anos de serviço fiel, o irmão Henri Geiger, por motivo de saúde e outras razões, estava sendo substituído pelo irmão Léopold Jontès como superintendente de filial. Os franceses aplaudiram, mostrando sua apreciação tanto para com o servo de filial que saía como para com o que o sucedia.

UM PERÍODO DE NOTÁVEL CRESCIMENTO

Em 1951 encerrava-se um período de notável expansão após a guerra. Desde 1947, o número de publicadores havia aumentado rapidamente. Houve em 1947 um aumento de 10 por cento sobre o ano anterior, e a única razão de não ter sido maior foi porque muitos dos irmãos poloneses aceitaram uma oferta por parte do governo polonês para retornar à Polônia. Depois, em 1948, houve um aumento de 20 por cento, seguido de 23 por cento de aumento em 1949, 40 por cento em 1950 e 34 por cento em 1951.

Durante um período de quatro anos, o número de publicadores triplicou, elevando-se de 2.380 em 1947 para 7.136 em 1951. Somente no ano de serviço de 1951, a congregação da Grande Paris cresceu de 650 para 1.085 publicadores; durante o ano foram batizados 1.065 pessoas, que era um em cada sete publicadores na França!

Isto significava que a maioria dos publicadores na França eram “ovelhas” jovens em sentido espiritual, necessitando ajuda para alcançar a maturidade. Por isso, o período que se seguiu na história das Testemunhas de Jeová na França, de 1952 até 1956, foi marcado por uma diminuição na marcha de expansão e por um desenvolvimento da madureza cristã daqueles que já se encontravam dentro das congregações.

“A SENTINELA” É PROSCRITA, MAS A PREGAÇÃO SE EXPANDE

Principiando com o número de 8 de janeiro de 1952, a revista Despertai! em francês tornou-se quinzenal. Também, empregou-se o testemunho de rua com a bolsa de revistas, e, naquele ano, foram colocadas 285.837 revistas Sentinela e Despertai! na França, mais do que em qualquer época anterior na história da obra na França. Mas, então, como uma bomba, no fim de dezembro de 1952, a imprensa pública anunciou que a revista Sentinela havia sido proscrita.

O Ministro do Interior, agindo por recomendação do chefe da Polícia de Segurança, proibiu a distribuição e venda da Sentinela em toda a França e territórios franceses. A razão da proscrição foi de que A Sentinela supostamente incitava os jovens a recusar o serviço militar. Mas certos jornais franceses expressaram a opinião de que isto era simplesmente um pretexto e que a razão verdadeira era que A Sentinela editava artigos que mostravam a duplicidade da Igreja Católica Romana.

Apesar da proscrição, 1952 foi um bom ano para a obra do Reino. Uma razão especial é que os irmãos começaram a fazer um esforço combinado de alcançar áreas na França onde não morava nenhuma Testemunha. O Informante (Nosso Serviço do Reino) de março, em francês, encorajou as Testemunhas a pregar em territórios não designados a congregações, durante os meses de verão. A maioria dos publicadores da França morava na região mineira do norte, onde grandes congregações trabalhavam seus territórios a cada poucas semanas. Contudo, não se fazia nenhuma pregação em grandes cidades de departamentos vizinhos. O mesmo se dava com a ilha mediterrânea da Córsega, que é parte da França, situada a cerca de 160 quilômetros da Riviera. Portanto, em 1952 dois pioneiros especiais iniciaram a obra do Reino na Córsega.

CONSOLIDAÇÃO DA OBRA

Em 1953 e 1954, a obra continuou a fazer constante progresso, realizando-se um aumento de nove por cento em publicadores em cada um desses anos. Também, foram batizadas 1.657 pessoas nesses anos. Em janeiro de 1953, os circuitos foram reorganizados e aumentados para 11. Ao mesmo tempo, foi reduzido de 24 para 18 ou 20, o número de congregações para cada superintendente de circuito, tornando possível visitas mais freqüentes. Além disso, o número de estudos de livro de congregação aumentou bastante, tornando possível que mais pessoas assistissem a eles e permitindo que os dirigentes dessem melhor assistência aos necessitados de ajuda.

Um fator de consolidação adicional, em 1953, foi a Assembléia da Sociedade do Novo Mundo, realizada em julho no Estádio Ianque de Nova Iorque. Setenta e dois congressistas da França assistiram a esta maravilhosa assembléia e tiveram a oportunidade de visitar o Betel e a gráfica de Brooklyn. Eram como muitas rainhas de Sabá, que descobriram que ‘não se lhes contara nem a metade’.

Também, em 1953 foi designado o primeiro servo de distrito de tempo integral na França, o irmão Skalecki. Até aquela época, irmãos de Betel serviam às assembléias de circuito em seus fins-de-semana livres, de seu trabalho regular. No ano seguinte, o irmão Skalecki começou a exibir o filme “A Sociedade do Novo Mundo em Ação” por toda a França. Este filme proveu uma compreensão das operações do lar e da gráfica do Betel de Brooklyn, e isto ajudou a unificar os irmãos na França com a sede da organização.

CONSOLIDAÇÕES ADICIONAIS

O ano de serviço de 1955 na França foi outro ano mais para consolidar os aumentos passados do que para rápido crescimento. Houve um aumento de 6 por cento na média de publicadores, o que representava uma média de 456 publicadores a mais do que em 1954. De modo bem significativo, foram batizadas 1.246 pessoas Isto mostra que muitos daqueles que publicavam ainda não haviam tomado uma posição clara para com Jeová, dedicando sua vida a ele e simbolizando isto pela imersão em água. Por isso, este número elevado de batismos em 1955 é prova de que a organização de Jeová na França se estava consolidando.

Outra caraterística notável da obra durante o ano foi o grande aumento no número de revistas colocadas nas mãos do público francês. Em 1954 foram colocadas 288.902 revistas, mas em 1955 o número de revistas colocadas ascendeu para 513.236! Este ano marcou um momento decisivo na distribuição de revistas, ao passo que o número colocado regularmente aumentou em várias centenas de milhares cada ano durante muitos anos. Naturalmente, todas estas eram revistas Despertai!, já que A Sentinela continuava proscrita.

OUTRA ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL EM PARIS

O grande acontecimento na França durante 1955 foi a Assembléia Reino Triunfante realizada em Paris de 3 a 7 de agosto. A primeira assembléia internacional após a guerra, em 1951, na França, foi realizada no mesmo Palais des Sports. Naquela ocasião 10.456 pessoas assistiram à reunião pública e 351 foram batizadas. Como se compararia com ela a assembléia de 1955?

O dia de abertura presenciou 9.701 pessoas afluindo ao edifício, ocupando o pavimento térreo da área central em frente ao palco e sentando-se nas arquibancadas, alguns até mesmo na galeria mais alta. Dois dias depois, 774 batizandos responderam com um firme “Oui!” às perguntas feitas a eles pelo orador francês no batismo. E, para o discurso público no domingo proferido pelo irmão Knorr em inglês e traduzido para o francês, 16.500 pessoas superlotaram o local da assembléia! O irmão Jontès escreveu:

“Quão gratos somos a Jeová de que foi possível uma assembléia tal como essa! E quão emocionados nos sentimos ao ver operadores de câmaras filmando a cerimônia de imersão e também a enorme assistência para o discurso público! Centenas de milhares de pessoas em toda a França puderam ver estes filmes na semana após a assembléia. As testemunhas de Jeová eram notícia.”

PREPARATIVOS PARA UM CRESCIMENTO MAIOR

Em 1956, o número médio de publicadores subiu para 8.867, apenas 355 mais do que a média do ano anterior, um aumento de apenas 4 por cento. Contudo, foram batizadas 951 pessoas e 12.801 pessoas assistiram à Comemoração, com 232 participantes. Também, o número de revistas colocadas subiu de 513.236 em 1955 para 869.841 em 1956! Esta excelente atividade pressagiava um crescimento maior à frente.

As congregações estavam-se movimentando para alcançar tantos franceses quantos possível com a mensagem do Reino. Mais de 100 congregações solicitaram territórios não-designados e visitaram cidades e povoados que não recebiam um testemunho desde a segunda guerra mundial, se é que receberam antes. Para ajudar a alcançar estas pessoas, aumentou-se o número de pioneiros especiais de 33 em 1955 para 64 em 1956. Foram para regiões, tais como a Bretanha, que antes mal haviam sido tocadas. Em 1956 havia 15 graduados de Gileade ativos na França. As 194 congregações francesas estavam divididas em 12 circuitos, e, pela primeira vez, em dois distritos.

A casa de Vila Guibert, adquirida em 1947 para acomodar o lar e o escritório de Betel, já era pequena demais e as perspectivas de mais crescimento indicavam que era urgente a obtenção de instalações maiores. De modo que em 18 de julho de 1956 foi comprado um lote de terra de 660 metros quadrados em Boulogne-Billancourt, um subúrbio industrial bem a oeste de Paris, conhecido em todo o mundo como o lugar das gigantescas fábricas de automóveis Renault. Foi planejado um edifício de cinco andares, suficientemente grande para acomodar a família, o escritório e uma pequena tipografia. A obra na França estava-se preparando para uma expansão maior.

COMEÇA UM PERÍODO DE AUMENTO MAIS RÁPIDO

Pela primeira vez foi alcançado em 1957 o marco de 10.000 publicadores do Reino, com um novo auge de 10.954 publicadores. Esse foi um aumento de 12 por cento sobre 1956. E tanto o número de horas gastas em pregar como o número de revistas distribuídas ultrapassaram o marco de um milhão! Também, foram batizadas mais de 1.100 pessoas e 14.488 assistiram à Comemoração. Durante o ano foi realizado um curso revigorante para todos os servos de distrito e de circuito que serviam as 212 congregações, divididas em 14 circuitos e dois distritos na França.

No ínterim, as tentativas de iniciar a construção do novo Betel foram detidas. Finalmente, em 20 de maio de 1957 foi concedida a licença necessária para a construção, 10 meses depois de o terreno ter sido comprado. A escavação começou em 12 de junho, e por volta de 2 de outubro de 1957 os alicerces estavam assentados. Mas, passou-se mais um ano e meio antes de a construção ser terminada.

DOIS ACONTECIMENTOS IMPORTANTES MARCAM 1958

O primeiro destes foi político, mas afetou diretamente a estabilidade da pregação do Reino na França. Devido à crise criada pela Guerra da Argélia, foi declarado na França estado de emergência e foram proibidas todas as reuniões públicas. Temia-se durante algum tempo que uma junta militar assumisse a direção do país, mas soube-se que em 1.º de junho o General Charles de Gaulle concordara em se tornar o chefe do governo e depois Chefe de Estado. Sua volta ao poder trouxe à França um período de estabilidade governamental que não se conhecia há décadas.

Visto que não havia nenhuma lei na França que concedesse isenção do serviço militar para ministros religiosos, algumas Testemunhas jovens estavam na prisão por quase 10 anos. O General de Gaulle providenciou a libertação daqueles que estavam presos por cinco ou mais anos. Mais tarde, seu governo reduziu as sentenças de prisão que esses nossos irmãos recebiam para o dobro da duração do serviço militar obrigatório. Isto significava que, se os jovens franceses fossem convocados para 18 meses de serviço militar, nossos irmãos cumpririam uma sentença de prisão de três anos. Isto era bem melhor do que a situação anterior, quando iam para a prisão à idade de 20 anos e não tinham nenhuma idéia de quando seriam libertos novamente.

A estabilidade política foi um fator de outro excelente aumento de 11 por cento em publicadores do Reino, com um auge de 12.141 publicadores. Foram formadas vinte e três novas congregações e foram estabelecidos muitos grupos isolados de publicadores, quando Testemunhas zelosas, com o espírito de pioneiro, se mudaram para servir em lugares em que a necessidade era maior. A filial enviou estas, bem como os quase 100 pioneiros especiais, primeiramente às cidades com 50.000 ou mais habitantes onde não havia nenhuma Testemunha, e depois, ao passo que estas cidades começavam a ser trabalhadas, às cidades de população gradualmente menor.

Portanto, a obra começou a se desenvolver em cidades menores tais como Poitiers, Dijon, Annecy, Limoges e Rennes, a antiga capital da Bretanha. Um exemplo notável foi o de Caen, na Normandia. Dentro de poucos anos, uma pequenina congregação, naquela cidade, composta de um punhado de publicadores tornou-se uma congregação grande e finalmente deu origem a muitas congregações na área circunvizinha. Assim, em vez de se concentrar em certas áreas, especialmente nas regiões mineiras no norte da França, a obra começou a se espalhar por toda a França.

O outro grande acontecimento em 1958 foi a Assembléia Internacional da Vontade Divina, de oito dias, em Nova Iorque, durante julho e agosto. Havia 641 congressistas franceses presentes — dos quais 551 viajaram de avião e 90 de navio — quase nove vezes mais do que os que assistiram à assembléia de Nova Iorque em 1953. Desse modo, quase um de cada 20 publicadores franceses estavam presentes — um número notável! Isto surtiu um efeito muito fortalecedor e unificador sobre a obra no campo francês. Estes congressistas ouviram o irmão Knorr anunciar a criação de escolas de treinamento em muitas filiais, bem como o progresso da construção do novo Betel na França.

Fortes repercussões deste maravilhoso congresso chegaram ao restante dos irmãos franceses nas cinco assembléias de distrito realizadas na França em setembro de 1958. Foram imersos nestas assembléias um total de 677 novos irmãos. A forte Resolução adotada em Nova Iorque foi também adotada nestas assembléias, e, depois, durante o mês de dezembro, foram distribuídos em toda a França 1.670.000 tratados intitulados “Como a Cristandade Tem Falhado Para com Toda a Humanidade?”. Que poderoso testemunho!

NOVO BETEL FRANCÊS

No início da primavera de 1959 foi terminado o novo Betel. Então, na sexta-feira, no sábado e no domingo, 17 a 19 de abril, o escritório e o lar foram transferidos de Vila Guibert para as novas instalações à rue du Point-du-Jour, 81, em Boulogne-Billancourt. Na segunda-feira seguinte começou a funcionar o novo Betel.

O edifício de cinco andares incluía um subsolo suficientemente grande para acomodar uma gráfica. O Salão do Reino e o escritório estavam no andar térreo. No segundo andar estavam o refeitório e a cozinha, com um espaço adicional disponível para escritório nesse andar. Havia um total de 24 quartos no terceiro, quarto e quinto andar. Com apenas 17 membros da família de Betel, havia espaço abundante para expansão, bem como espaço para acomodar a Escola do Ministério do Reino de que o irmão Knorr falou pela primeira vez na assembléia internacional de 1958. Perto do fim de maio, o irmão Knorr veio conhecer as novas instalações e em 1.º de junho proferiu um discurso no Salão Pleyel para os irmãos da região de Paris, com uma assistência de 2.026 pessoas.

UMA VITÓRIA JURÍDICA IMPORTANTE

Dois dias depois, em 3 de junho, o irmão Jontès recebeu novidades importantes de um advogado de Paris. Lá em 2 de julho de 1957, o irmão Jontès havia sido intimado a comparecer perante um juiz. Foi acusado de incitar jovens a recusar o serviço militar, uma acusação que poderia significar sentenças de prisão para ele e para os irmãos que faziam parte da diretoria da Associação francesa da Sociedade. Também, a Associação das Testemunhas de Jeová na França estava em perigo de ser proscrita.

O inquérito judicial do assunto prosseguiu durante 1957 e todo o ano de 1958. Por fim, o caso foi levado ao tribunal em 16 de fevereiro de 1959. O irmão Jontès pôde dar um bom testemunho. Em 2 de março de 1959 foi apresentado um veredicto de inocência. Entretanto, o promotor público interpôs apelação a este julgamento e o caso foi levado perante o 11.º Tribunal de Apelação em 20 de maio de 1959. Então, em 3 de junho, o advogado da Sociedade telefonou ao irmão Jontès informando-o de que o acusado fora novamente declarado inocente. Esta foi uma vitória teocrática admirável, deixando a porta aberta para a continuidade da pregação das boas novas do Reino na França.

Houve um excelente aumento de 17 por cento na média de publicadores em 1959, com um auge de 13.935 publicadores. Também, o número de congregações aumentou de 235 para 254, inclusive novas congregações em Bastia, na ilha da Córsega e em Rennes, na Bretanha. O número notável de 2.106 pessoas foi batizado, 525 delas nas seis assembléias de distrito na França.

EXPANSÃO EM 1960

“O ano de serviço de 1960 foi um dos mais notáveis já conhecidos por nossos irmãos na França”, escreveu o presidente Nathan H. Knorr. Antes de mais nada, colocar a nova gráfica em operação, com sua linotipo, suas impressoras, máquinas de dobrar e grampear, foi um verdadeiro marco para a obra na França. Os primeiros exemplares do Ministério do Reino (Nosso Serviço do Reino) saíram das impressoras da filial da França em março de 1960. A partir de então, cessou toda a impressão feita fora; a gráfica local da Sociedade cuidou das necessidades dos irmãos, exceto revistas, livros e folhetos, que eram impressos em Brooklyn, na Suíça ou Wiesbaden, Alemanha.

Outras áreas desfrutaram contínua expansão. A média de Testemunhas aumentou em 10 por cento, alcançando-se um auge de todos os tempos de 15.439 publicadores. A assistência à Comemoração ultrapassou pela primeira vez o marco de 20.000, sendo de 23.073 pessoas. Assim, foram formadas 26 novas congregações, elevando o número para 280. Por volta do fim do ano, havia apenas três cidades na França com uma população superior a 20.000 habitantes que ainda permaneciam como território virgem.

DESTAQUE DE 1961 — ASSEMBLÉIA ADORADORES UNIDOS

O Estádio Parc des Princes, nos limites oeste de Paris, foi contratado para a Assembléia Adoradores Unidos, de 3 a 6 de agosto. Entretanto, apenas três meses antes, um golpe militar na Argélia ameaçara lançar a França numa horrível guerra civil. Uma campanha terrorista de direita, de explosões de bombas por todo o país, criou um clima de apreensão. O governo proibiu todas as grandes reuniões. Assim, o contrato para o Estádio Parc des Princes foi cancelado apenas poucas semanas antes da data em que a assembléia devia começar. No entanto, finalmente foi obtida uma permissão especial para se realizar a assembléia no Estádio Colombes, fora de Paris.

Esta situação precária, com tal incerteza quanto a onde a assembléia podia ser realizada, tornou as coisas difíceis mesmo para organizadores experientes de assembléias. Mas, esta foi a primeira assembléia ao ar livre da França e a primeira em que os arranjos de restaurante (barracas, mesas, panelas e caldeiras a vapor, fornos, máquinas de lavar bandejas, etc.) foram construídos e instalados pelos irmãos. Por fim, com a cooperação de todos e o apoio do espírito de Deus, tudo estava montado e pronto em tempo para o início da assembléia.

Mostrou ser uma assembléia notável. Uns 800 irmãos vieram da Espanha, onde, naquele tempo, a obra era proscrita. Puderam apreciar os discursos em seu próprio idioma e em liberdade! Também, vieram 80 pessoas de Portugal. Os discursos eram proferidos simultaneamente em francês, polonês, espanhol e português.

Já que não se permitiu nenhuma publicidade e a assembléia era fora de Paris, os irmãos se perguntavam se a assistência ultrapassaria a da assembléia internacional de 1955, em Paris. Bem, ultrapassou, quando 23.004 se reuniram para ouvir o discurso público do irmão Knorr, “Quando Todas as Nações se Unirem Sob o Reino de Deus”. Notavelmente, mais de 5 por cento daqueles presentes foram batizados na assembléia, isto é, 1.203 pessoas!

Notou-se um aumento de 10 por cento na média de publicadores em 1961, alcançando-se um auge de 17.108 Testemunhas. E esse ano presenciou a inauguração da Escola do Ministério do Reino na França, sendo a primeira classe composta de servos de circuito e de distrito e realizada no Betel francês, de 13 de março a 8 de abril. Depois, através dos anos, servos de congregação franceses, belgas e suíços e também irmãos e irmãs que eram pioneiros especiais fizeram este curso.

AUMENTO DE 100 POR CENTO EM SETE ANOS

Num período de sete anos a média de publicadores na França mais do que dobrou, de uma média de 8.512 publicadores em 1955 para a média de 17.299 em 1962. Realizara-se um magnífico recolhimento das “outras ovelhas”! Todas as cidades com mais de 20.000 habitantes tinham agora publicadores. Também, 324 superintendentes e pioneiros especiais já tinham cursado a Escola do Ministério do Reino.

O irmão Henri Geiger, que se batizou e se tornou ativo no serviço em 1920, viveu para ver este crescimento maravilhoso, a partir das poucas dezenas que pregavam em 1920. Depois que o irmão Jontès foi designado a substituí-lo como servo de filial em 1951, o irmão Geiger continuou trabalhando por algum tempo em Betel. Então, ao passo que sua saúde enfraquecia, ele e sua esposa foram morar com seu filho. Ali, em 29 de agosto de 1962, ele terminou sua carreira terrestre. A história de sua vida foi publicada na Sentinela de 1.º de maio de 1963.

PIONEIROS ESPECIAIS DESIGNADOS A PARIS

Por estranho que pareça, enquanto a obra se difundia rapidamente por toda a França, os aumentos na capital francesa, Paris, não estavam acompanhando o passo. Assim, decidiu-se abrir um lar missionário à rue de Seine, 11, Boulogne-Billancourt, perto de Betel. A casa, ali, foi comprada, e depois foi aumentada e arrumada por irmãos pioneiros que foram trazidos a Betel com este propósito. Este lar missionário começou a funcionar, em 17 de dezembro de 1962, com pioneiros especiais que moravam ali, trabalhando em Paris e nos arredores. Este grande prédio tornou-se também um anexo do Betel. O departamento de expedição da Sociedade, que se situava num depósito em outra parte de Paris, foi transferido para lá.

1963 A 1966 — PROSSEGUE A BÊNÇÃO DE JEOVÁ

Nos poucos anos que se seguiram, continuou a haver evidência abundante das bênçãos de Jeová sobre o seu povo na França. Primeiramente, houve a série de Assembléias “Boas Novas Eternas”, ao redor do mundo, em 1963. Embora a França não tivesse uma de tais assembléias, foi maravilhoso ver uns 11.000 irmãos franceses — mais da metade dos publicadores no país — assistirem a uma dessas assembléias quer em Milão, Itália, quer em Munique, Alemanha. Foram organizados muitos trens especiais para transportar os congressistas. E que excelentes alimentos espirituais eles receberam, inclusive o lançamento em francês da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs.

Pela primeira vez, em 1963, o número de Testemunhas na França elevou-se acima de 20.000. E depois, em 1964, houve um aumento de 9 por cento em publicadores, sendo batizadas mais de 2.000 pessoas! Também, pela primeira vez, em 1964, a distribuição da Despertai! ultrapassou o marco dos 3.000.000, e quase 1.100 pioneiros, inclusive pioneiros de férias (auxiliares), tiveram uma participação em colocar estas revistas com o público.

Em 1965, 34.862 pessoas assistiram à Comemoração, ao mesmo tempo em que os publicadores atingiram um novo auge de 22.933. A distribuição da Despertai! continuou subindo vertiginosamente — distribuindo-se mais de 3.500.000 exemplares entre o público francês naquele ano. Havia então 380 congregações e 92 grupos isolados na França, mas ainda 94 cidades com população entre 5.000 e 12.000 habitantes não tinham nenhuma Testemunha morando nelas. No entanto, a obra de testemunho progredia satisfatoriamente nas grandes cidades. Havia 11 congregações em Paris, sete em Lião e quatro em Nice e em Mulhouse, sendo que diversas outras grandes cidades tinham três congregações.

Um aspecto notável de 1966 foi a organização de 62 novas congregações, elevando o número total no país para 442. Estas estavam divididas em 30 circuitos e 3 distritos. Também, foram realizadas cinco assembléias de distrito naquele ano, com uma assistência total de 22.153 na conferência pública. Na assembléia de Bordéus, os irmãos franceses tiveram o privilégio de hospedar seus irmãos de Portugal. Visto que a maioria destes irmãos não tinha recursos para pagar acomodações e não havia espaço suficiente para todos eles nos lares dos irmãos, alugou-se e transformou-se um cinema em dois grandes dormitórios para homens e mulheres, equipados com chuveiros, lavatórios, etc. Apreciaram muito o amor demonstrado pelos seus irmãos franceses. O servo de distrito, irmão Marian Szumiga, relatou: “Muitos deles tinham lágrimas nos olhos quando chegou a hora de partir.”

‘APRESSANDO ISSO AO SEU PRÓPRIO TEMPO’

Embora o recolhimento das “outras ovelhas” tenha feito constante progresso de 1963 até 1966, pode-se dizer que Jeová realmente começou a ‘apressar isso ao seu próprio tempo’. (Isa. 60:22) Não houve apenas um aumento de 10 por cento em publicadores em 1967, mas a assistência à Comemoração saltou para o número extraordinário de 41.274, com 143 participantes. Como indício adicional de aumentos ainda maiores à frente havia a média de 19.327 estudos bíblicos domiciliares dirigidos cada mês, um aumento dos 15.964 no ano anterior. E as colocações de Despertai! com o público saltou para mais de 4.000.000 de exemplares, e foram obtidas 55.446 novas assinaturas.

Naquele verão, foram realizadas na França nove Assembléias de Distrito “Fazer Discípulos” com uma assistência total de 27.009 pessoas. Nestas assembléias, foram especialmente apreciados os dramas bíblicos. Como evidência do crescimento acelerado, foram batizados durante o ano 2.269 novos discípulos, 960 deles nas assembléias de distrito.

CRISE POLÍTICA E SOCIAL NA FRANÇA

A França foi abalada por uma crise política e social bem séria na primavera setentrional de 1968. A perturbação começou com manifestações estudantis, primeiramente em Paris, na famosa Sorbonne e em outras universidades na região de Paris, e mais tarde a perturbação espalhou-se para universidades e colégios de toda a França. Durante algum tempo, o Quartier Latin (Bairro Latino) em Paris tornou-se um constante campo de batalhas. Os estudantes lutavam com a polícia, que procurava manter a ordem. Os estudantes arrancavam pedras do calçamento e as atiravam na polícia. Algumas das famosas árvores do bulevar de Paris foram cortadas pelos estudantes para formar barricadas, carros foram incendiados e vitrinas de lojas, estilhaçadas. Havia centenas de feridos em ambos os lados.

Depois, os sindicatos dos operários tomaram parte, com suas próprias marchas de manifestação e ordens aos trabalhadores para uma greve geral. Assim, durante maio e junho de 1968, a França estava praticamente paralisada. Não havia correio nem trens; as rodas da indústria chegaram a parar. Até mesmo o tráfego aéreo foi interrompido. Durante algum tempo, parecia como se o regime de De Gaulle fosse cair, mas os sindicatos comunista e não-comunista estavam divididos, e também não havia coesão entre os trabalhadores e os estudantes. Finalmente, depois de o governo e os empregadores fazerem grandiosas concessões, terminaram a violência e as greves. Em fins de junho foram realizadas eleições e o partido de De Gaulle saiu com a grande maioria.

Durante cerca de um mês foi impossível para a filial trocar correspondência com as congregações. Mas os irmãos prosseguiram fielmente com sua atividade. Melhor ainda, os irmãos aproveitaram o tempo que tinham às mãos, devido à paralisação completa do trabalho secular, por gastar mais tempo no serviço de campo. Pela primeira vez na França, a média de horas por publicador subiu para 12.

PROVISÕES PARA FORTALECIMENTO ESPIRITUAL

De 7 a 12 de maio de 1968, bem na época das piores manifestações estudantis, o irmão Milton Henschel visitou a filial da França. Sua visita foi muito edificante, visto que devotou bastante tempo à família como um todo, dando uma palavra de encorajamento a cada um, alegrando-lhes o coração. Partiu de Paris bem a tempo, visto que poucos dias depois o tráfego aéreo foi paralisado por uma greve geral. O irmão Knorr havia programado visitar a filial em junho, mas, devido à situação, não pôde entrar no país.

Portanto, o irmão Jontès e seu assistente, o irmão Jean-Marie Bockaert, encontraram-se com o irmão Knorr na Bélgica para tratar do aumento do fluxo de alimento espiritual para os irmãos franceses. Como já foi mencionado, A Sentinela fora banida na França. No entanto, estavam sendo providos artigos edificantes num folheto mensal de 64 páginas. Mas agora fora decidido publicar um folheto de 48 páginas, duas vezes por mês. Isto foi feito a partir de 1.º de janeiro de 1969, o que significava que os irmãos franceses começaram a receber 96 páginas de matéria traduzida cada mês, em vez das 64. O irmão Knorr autorizou a compra de uma quarta máquina impressora para a filial da França, para cuidar deste serviço extra.

PREPARAÇÃO DO LIVRO “VERDADE” EM FRANCÊS

Os acontecimentos políticos em maio e junho de 1968 tiveram outras conseqüências imprevistas para os interesses do Reino na França. Muitos devem-se lembrar de que foi em 1968 que o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna foi publicado. Depois da Bíblia, este é hoje o livro mais amplamente distribuído no mundo ocidental, com mais de 95 milhões de exemplares distribuídos em 112 idiomas. Bem, foi combinado fornecer a certas filiais de língua estrangeira provas antecipadas do livro Verdade, a fim de que as traduzissem para seus respectivos idiomas. Desta maneira, o livro poderia sair simultaneamente em alguns dos idiomas mais amplamente usados no mundo.

Tudo foi bem na filial da França; um tradutor conseguiu traduzir o livro em um mês. Uma parte do manuscrito traduzido foi enviada a Brooklyn e chegou em segurança. Outra parte do manuscrito foi enviada, quando repentinamente começou a greve do correio e o manuscrito foi bloqueado nas malas postais.

O manuscrito foi recopiado e levado a Bruxelas, na Bélgica. Irmãos que possuíam carro organizaram então um serviço de vaivém entre Paris e Bruxelas, levando correspondência da filial da França a ser enviada da Bélgica e tomando a correspondência para a França que havia sido enviada a Bruxelas. Assim foi completado o livro, de modo que pela primeira vez os franceses receberam um livro ao mesmo tempo em que seus irmãos de língua inglesa o recebiam. De fato, estavam disponíveis apenas poucos exemplares para mostrar nas assembléias de verão na França, mas logo tornaram-se disponíveis exemplares suficientes para todos e para distribuição no campo.

A ASSEMBLÉIA “PAZ NA TERRA”

O destaque de 1969 foi a Assembléia “Paz na Terra”, internacional, realizada no Estádio Colombes, perto de Paris. Foi parte de uma cadeia de tais congressos, dos quais o primeiro foi realizado no começo de julho nos Estados Unidos. Um total de 334 congressistas franceses voaram sobre o Atlântico para este congresso de sete dias. Mas, depois, 5 a 10 de agosto, a assembléia chegou à França.

Foram feitos arranjos no estádio para uma assembléia em português, bem como uma para os irmãos de língua polonesa da França — estavam representadas ao todo 78 nacionalidades. Além das 2.731 pessoas na sessão portuguesa e das 600 na polonesa, vieram umas 5.000 da Bélgica, 1.000 da Suíça, mais de 1.300 dos Estados Unidos, 200 do Canadá, 170 da Inglaterra e 120 da África. Houve sessões especiais em inglês e mais de 800 pessoas assistiram a elas.

Os irmãos portugueses tiveram sua melhor assembléia até aquela época. Seu anterior auge de assistência em qualquer congresso na história da obra em Portugal foi de 825, em 1968, em Tolosa, na França. Calculou-se que uma grande porcentagem dos irmãos portugueses puderam assistir ao congresso de Paris e certamente se deleitaram. Havia 65 congressistas de uma congregação de Lisboa de 90 publicadores! Uma irmã fez economias durante dois anos para ter dinheiro suficiente para viajar e voltar. Na assistência havia irmãos de Angola, Açores, Ilhas de Cabo Verde, Madeira e Moçambique.

O congresso abriu com um tempo excelente e houve um sol agradável todos os dias. Isto foi uma bênção, pois as assistências portuguesa, polonesa e metade da francesa estavam ao ar livre, desprotegidas das intempéries. Assim, qual seria o auge da assistência conjunta do congresso?

Bem, no domingo, para o discurso público “A Paz de Mil Anos Que se Avizinha”, estavam presentes 47.480 pessoas — mais do que o dobro da assistência na anterior assembléia no Estádio Colombes em 1961! Contudo, ainda mais notável foi que 3.619 pessoas foram batizadas, ou cerca de 10 por cento da média constante da assistência durante o congresso! Este crescimento das Testemunhas de Jeová foi assunto de preocupação para os clérigos, conforme observado pelos seguintes comentários no popular jornal da tarde parisiense, France-Soir, de 6 de agosto de 1969:

“O que preocupa os clérigos de outras religiões não são os meios de distribuição espetaculares de publicações, usados pelas testemunhas de Jeová, mas, antes, é como fazem prosélitos. Cada uma das testemunhas de Jeová tem a obrigação de testemunhar ou proclamar sua fé por usar a Bíblia de casa em casa, trabalhando de acordo com a orientação da organização. . . . As doutrinas das testemunhas de Jeová se baseiam na Bíblia. . . . Crêem em um só Deus (Jeová), rejeitam a trindade, a imortalidade da alma, a existência do inferno e do purgatório.”

A atenção que a imprensa, o rádio e a televisão deram ao congresso foi sem precedentes. Em vista da situação delicada na França, não se fez nada para atrair jornalistas ao congresso. No entanto, vieram espontaneamente. Na primeira manhã, havia cerca de 10 jornalistas, e no dia seguinte surgiram artigos e fotografias na primeira página de diversos jornais franceses matutinos amplamente lidos. Na quinta-feira, 7 de agosto, houve uma excelente cobertura pela televisão, inclusive uma seqüência de quase 3 minutos nas Notícias Nacionais às 20 horas, o programa mais amplamente visto na França. Tudo o que foi apresentado foi favorável.

No mesmo dia, o influente Le Monde deu-nos uma cobertura de 90 cm de coluna na seção religiosa, devotando apenas 23 cm de coluna para itens sobre a Igreja Católica! Foram publicadas reportagens favoráveis em todos os melhores jornais franceses — não apenas em edições especiais vendidas às Testemunhas em volta do Estádio — mas em edições nacionais, vendidas em toda a França e em todas as partes do mundo em que se fala o francês. Ao todo, a imprensa francesa imprimiu mais de 22 metros em colunas de artigos e fotografias!

Também, a família de Betel imprimiu dois relatórios sobre o congresso que foram lançados durante ele, primeiro um relatório de 16 páginas e depois outro de 32 páginas, junto com fotografias. Esta foi a primeira vez que se publicou um relatório em francês sobre uma assembléia na França. Estes relatórios mostraram-se muito úteis também após o congresso, para mostrar às pessoas o tamanho e o alcance da organização de Jeová.

O novo cancioneiro, “Cantando e Acompanhando-vos Com Música Nos Vossos Corações”, também foi publicado em francês em 1969. Os irmãos o receberam pouco antes do congresso de Colombes, o que lhes deu a oportunidade de aprender os cânticos que seriam usados durante o congresso.

O LIVRO “VERDADE” ACELERA A OBRA

Atingiu-se uma média de 29.754 publicadores em 1969, um aumento de 12 por cento para aquele ano. O livro Verdade, lançado no ano anterior, teve muito que ver com os grandes aumentos. Dirigia-se a média de 25.949 estudos bíblicos domiciliares cada semana e 60.457 pessoas assistiram à Comemoração, em comparação com as 49.086 no ano anterior. E 4.583 pessoas foram batizadas, mais do que o dobro do maior número de batizados em qualquer outro ano até aquela época!

Esta rápida expansão continuou. Desfrutou-se um aumento de 15 por cento em publicadores em 1970, seguido de outro de 14 por cento em 1971. Isto significava que o número de publicadores saltara de 26.614 em 1968 para a média de 39.026 em 1971 — um aumento de mais de 12.000 em apenas três anos! E, em 1971, 80.293 pessoas assistiram à Comemoração, acima de 30.000 mais do que três anos antes! Também, estavam sendo formadas na França novas congregações na razão de mais de uma por semana — 53 em 1971 — num total de 636 no país. Certamente, o livro Verdade estava desempenhando um grande papel em ajudar a ajuntar o rebanho do Senhor!

PREPARATIVOS PARA A ASSEMBLÉIA DE TOLOSA

A Assembléia de Distrito “Nome Divino” em Tolosa, na França, devia ser o destaque de 1971. Esperava-se umas 5.000 pessoas para as sessões em francês, 5.000 para as em português e 15.000 para as em espanhol, perfazendo um total de 25.000 pessoas. Estavam reservados para esta assembléia de três idiomas todos os quartos de hotel e áreas de camping disponíveis em Tolosa e nos arredores. Mas então ocorreu o inesperado.

Um surto de cólera na Espanha. Falava-se sobre medidas de prevenção. Mas as autoridades hesitavam muito quanto a proibir a assembléia, visto que esta decisão seria mal acolhida pelos comerciantes locais. Também, temiam que a Sociedade as processasse por danos, visto que se assinaram contratos e se fizeram tremendos preparativos. Contudo, a tempo, ao passo que os preparativos da assembléia prosseguiam, foi recebido finalmente o aviso de que a assembléia fora oficialmente proibida. O irmão Jean-Claude Rézer, superintendente da assembléia, comentou:

“Realmente os irmãos foram maravilhosos até o último instante, quando foi anunciada a proibição. . . . Sim, houve lágrimas, mas, num espírito de devoção, todos reconheceram a necessidade de voltar ao trabalho para demolir tudo o que se construíra em vão. Os irmãos encarregados dos vários departamentos fizeram o mesmo com suas tarefas. Os irmãos da Espanha e de Portugal ajudaram-nos no serviço de desmontagem enquanto se empenhavam, ao mesmo tempo, na realização de sua assembléia em outro lugar.”

BÊNÇÃOS APESAR DA PROIBIÇÃO

Praticamente todos os irmãos que falavam francês puderam assistir a uma das outras assembléias na França. E quase 900 irmãos de Portugal viajaram em 12 ônibus, um avião fretado e vários carros particulares para um programa de “emergência” em Londres. Ao todo 48.533 pessoas estavam presentes às assembléias “Nome Divino” na França, e o espantoso número de 2.084 pessoas foram batizadas.

Assim, 1971 foi um ano de tremenda expansão teocrática na França. Este ano foi também marcado por uma provisão particularmente excelente, o Anuário das Testemunhas de Jeová no idioma francês. Este não estava disponível em francês desde antes da Segunda Guerra Mundial.

TORNA-SE NECESSÁRIO UM ANEXO AO BETEL

Por volta de 1972, o Betel da França, no subúrbio de Boulogne-Billancourt, no lado oeste de Paris, tornara-se pequeno demais, necessitando um anexo. Necessitava-se especialmente de espaço para o departamento de expedição. Em 1959, quando foi terminado o Betel de Boulogne, eram despachados 85.000 livros por ano, ao passo que por volta de 1972 este algarismo havia subido para 1.094.231, sem se falar em folhetos, formulários e outros impressos.

Parecia prudente construir este anexo em algum lugar entre Paris e Havre, um porto no noroeste da França onde chegavam as publicações dos Estados Unidos. Em novembro de 1970, foi localizado um terreno de 73 por 33 metros numa pequena cidade da Normandia, chamada Louviers, cerca de 105 quilômetros eqüidistante de Paris e de Havre. Levou cerca de 18 meses para se vencerem as dificuldades administrativas, de modo que a escritura só foi assinada em 28 de abril de 1972. A construção começou realmente no mês seguinte e foi terminada em dezembro do mesmo ano.

O edifício é uma estrutura pré-fabricada de dois andares, bem atraente, sendo seu exterior composto de tijolos a vista e de painéis esmaltados verdes. No primeiro andar há a gráfica e o departamento de expedição, amplos, junto com a cozinha, os frigoríficos e um agradável refeitório. A lavanderia, a biblioteca e os 22 quartos encontram-se no segundo andar. O edifício inteiro tem cerca de 2.044 metros quadrados de área.

A gráfica foi transferida para Louviers em 29 de maio de 1973. Foi uma vista incomum ver, naquele dia chuvoso em Boulogne, as máquinas impressoras e outras maquinarias serem içadas e colocadas em enormes caminhões na rua em frente a Betel. Os motoristas de automóveis e caminhões que foram assim obrigados a esperar, estavam tão curiosos, que se esqueceram de buzinar, o que, embora seja proibido, é muito comum nos congestionamentos de Paris! Por fim, as quatro máquinas impressoras, a linotipo, a guilhotina e a dobradeira chegaram a salvo a Louviers, e, dois dias depois, já estavam em uso.

O dia da dedicação foi marcado para o domingo, 9 de junho de 1973, quando 157 pessoas estavam presentes para o programa. Diversos irmãos fizeram um retrospecto da obra na França. O mais emocionante foi perceber quão notavelmente a obra havia aumentado, tendo o número de pessoas batizadas apenas em 1972 excedido, pela primeira vez, a 5.000. Também, o irmão encarregado da gráfica explicou brevemente que em 1960 haviam sido impressas 291.530 revistas, enquanto que 1972 presenciou a produção de 1.771.300 revistas! E o número total de outros impressos aumentou de 4.161.994 em 1960 para 32.043.610 em 1972.

ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “VITÓRIA DIVINA”

O Estádio Olímpico de Colombes devia ser novamente o local de um congresso internacional. Em 1.º de janeiro de 1973, foi estabelecida a comissão do congresso, sete meses antes de seu início. Que tremenda tarefa seria administrar a transformação do estádio em um gigantesco Salão do Reino! E que excelente serviço foi feito!

Milhares de plantas em vasos, que horticultores que eram Testemunhas cultivaram durante meses, adornaram o centro do estádio, ao redor do palco. Um lago artificial ocupado por dois flamingos vivos foi também uma decoração agradável. O “Clube de Corridas da França”, proprietário do estádio, usou a decoração para ilustrar a capa de sua revista mensal de esportes.

Tudo estava pronto para quarta-feira, 1.º de agosto, o dia de abertura. Literalmente, uma multidão de pessoas invadiu o estádio. Os jornais franceses, amiúde sarcásticos e irônicos com respeito às Testemunhas de Jeová, estavam repletos de elogios em vista da multidão atenta. O jornal católico La Croix comentou:

“Embora se fale muito delas por causa de seu proselitismo ativo de casa em casa, as Testemunhas de Jeová tiveram apenas êxito razoável até agora na França. Contudo, sua assembléia em Colombes foi realmente uma vista impressionante, devido à organização impecável e aos dramas bíblicos, bem como ao seu senso de responsabilidade.”

O mundo jornalístico aclamou esta assembléia internacional como o acontecimento do verão. O Le Monde declarou: “O estádio estava superlotado por uma multidão atenta e zelosa de fazer inveja a qualquer partido político.”

Mesmo os homens que distribuíam jornais não estavam indiferentes ao bom comportamento dos congressistas. O distribuidor do Parisien Libéré empilhou seus jornais na calçada com vasilhas de lata para o dinheiro, deixando apenas um homem para dar uma olhada. Os congressistas, surpresos de poderem servir-se sozinhos, perguntaram-lhe se não temia ser enganado. Ele respondeu: “Ah! não. Fizemos o mesmo em 1969.”

Na sexta-feira, 3 de agosto, um total de 2.703 candidatos apresentaram-se para o batismo, respondendo, “Oui”, às perguntas propostas a eles. Foi um momento inesquecível quando saíram de maneira ordeira em direção à piscina, a apenas cerca de 500 metros dali. O Journal du Dimanche comentou este acontecimento notável:

“Nem todo mundo pode tornar-se uma das Testemunhas de Jeová, descobrindo a ‘verdade’ de repente, como um raio em céu azul. São necessários paciência, tempo, coragem e fé cristã muito profunda. Mas a pessoa precisa aceitar também os preceitos delineados nas leis da Bíblia.”

As assembléias em Colombes haviam sido marcos na medida em que o campo francês progredia. Aqui, 23.004 pessoas estavam na assistência em 1961, e em 1969 havia 47.480 pessoas presentes. Que dizer de 1973? Bem, quando chegou a ocasião para o discurso público de domingo, “Vitória Divina — Seu Significado Para a Humanidade Aflita”, havia o assombroso número de 60.241 pessoas superlotando o enorme estádio!

A “TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO” — EM FRANCÊS

Lá em 1963, fora produzida no idioma francês a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs. Finalmente, onze anos mais tarde, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas completa, em francês, foi recebida ainda mais entusiasticamente pelos irmãos. A importância desta nova publicação na França assumiu dimensões especiais. Por quê? A situação exige uma pequena história.

Os papas chamaram a França de “a filha mais velha da Igreja”, e, mesmo hoje, 85 por cento da população da França afirma ser católica. Considerando que antes da Revolução Francesa, em 1789, havia um sacerdote para cada 110 habitantes, e mais recentemente, em 1970, havia um sacerdote, frade ou freira, para cada 297 residentes, torna-se claro, assim, que a Igreja Católica Romana estivera numa excelente condição para ensinar a Bíblia ao povo francês.

Entretanto, durante séculos, os sacerdotes impuseram a regra estabelecida pelo Concílio de Tolosa em 1229: “Leigos não devem possuir os livros do Velho e do Novo Testamento.” De fato, desde a década de 1950, foram publicadas em francês diversas Bíblias católicas, tais como A Bíblia de Jerusalém, mas, como são relativamente caras, poucas famílias adquiriram uma. Assim, com o lançamento da Tradução do Novo Mundo em francês, até mesmo a mais pobre família francesa podia obter uma Bíblia completa. Desde 1974, foram despachadas às congregações quase 800.000 exemplares desta excelente tradução para distribuição no campo.

PROVENDO UMA ESPERANÇA MOTIVADORA

Embora, sob o aspecto material, a vida dos franceses em geral tenha melhorado, muitos estão desiludidos e confusos, carentes de qualquer estabilidade verdadeira na vida. Sentem-se desesperados quando cercados por problemas, pois a sua religião não lhes proveu firmeza espiritual e verdadeira confiança. A mensagem do Reino amiúde tem um efeito transformador, verdadeiramente benéfico, em tais pessoas. Apenas para citar um exemplo:

Uma mulher, que sofrera um colapso nervoso devido aos muitos problemas que enfrentou, decidiu cometer suicídio e levar com ela, à morte, seus três filhos. No entanto, antes de colocar seu terrível plano em ação, explicou sua angústia a Deus, em oração. Limpou seu apartamento, escreveu cartas de despedida ao marido e à mãe e levou a lata de lixo para baixo, a fim de deixar tudo em perfeita ordem.

Mas, ao descer as escadas, encontrou-se com duas Testemunhas que conversaram com ela e combinaram voltar novamente. Ao retornar ao seu apartamento, pensou no compromisso e decidiu adiar o suicídio por uma semana. Uma semana mais tarde, as Testemunhas estavam ali pontualmente, e, após uma curta introdução, iniciou-se um estudo com o livro Verdade. Poucas semanas depois, esta senhora estava num estado de saúde tão mau que teve de ser levada a um hospital. Durante as cinco semanas que ela passou ali, as Testemunhas a visitavam regularmente para indagar de seu estado de saúde.

Quando saiu do hospital, prosseguiu-se com o estudo e esta senhora fez tudo o que pôde para assistir às reuniões junto com seus filhos, embora morasse distante do salão. A Palavra de Deus era tão estimulante, que ela testemunhava a todos que encontrava, com excelentes resultados. Sim, não só ela foi batizada, mas tanto sua mãe como seu marido estudaram e por fim ingressaram na obra de pregação!

Felizmente, pessoas de todas as idades e rodas da vida estão aprendendo as verdades bíblicas, e a vida delas está sendo transformada à medida em que compreendem a perspectiva infalível de usufruírem a dádiva de Deus, da vida eterna. Por isso, em 1974, houve 8.689 novatos que corresponderam à benevolência de Deus e foram batizados. Isto significa que em média, uma pessoa a cada hora, do dia e da noite, na França, se tornava cristão batizado! Mais de 53.000 Testemunhas estavam ativas na obra de pregação e de fazer discípulos, cada mês de 1974, dirigindo mais de 36.000 estudos bíblicos. Também, 110.330 pessoas assistiram à Comemoração daquele ano.

SUSPENSA A PROSCRIÇÃO DA “SENTINELA”

Em 1975 houve um marco na história das Testemunhas de Jeová na França. Foi a suspensão dos 22 anos de proscrição da revista Sentinela. Principiando em janeiro, os irmãos franceses começaram a receber suas revistas para fins de estudo. Então, poucas semanas mais tarde, ficaram contentíssimos de ter A Sentinela disponível também para a atividade de testemunho de porta em porta.

FAZENDO PROVISÕES PARA AS NECESSIDADES ESPIRITUAIS DE TODOS

Deve recordar-se de que em 1952 dois pioneiros deram início à obra de pregação na Córsega, que faz parte da França. Bem, 15 anos mais tarde, em 1967, havia ali duas congregações. Em 1969 foi formada uma terceira congregação, e, em 1970, foi realizada pela primeira vez na ilha uma assembléia de circuito. Desde então foram enviados diversos pioneiros especiais à ilha, e em 1978 havia 431 publicadores organizados em nove congregações.

O pequeno principado independente de Mônaco, na costa do Mar Mediterrâneo, está sob a jurisdição da filial da França. Como deve saber, este é a sede do famoso cassino de Monte Carlo. Embora seja proibido o testemunho de casa em casa entre os 27.000 habitantes de Mônaco, os irmãos da congregação francesa de Beausoleil pregavam ali regularmente. Por volta de 1978, havia sete Testemunhas ativas em Mônaco.

Também, as necessidades espirituais de pessoas de língua estrangeira estavam sendo cuidadas. Assim, por volta de 1975, havia 17 congregações portuguesas e 16 espanholas na França, sem mencionar uma congregação grega e duas alemãs. Além disso, havia 24 grupos portugueses e 12 espanhóis associados com congregações francesas. Quão encorajador era ver todas estas pessoas, de diferentes partes da terra, poderem aprender a verdade em seu próprio idioma!

CLASSES ADICIONAIS DA ESCOLA DO MINISTÉRIO DO REINO

Como já mencionado, a Escola do Ministério do Reino foi introduzida na França em março de 1961. Seu propósito era ajudar os anciãos a cumprirem com suas responsabilidades bíblicas. Por volta de dezembro de 1971, um total de 93 classes havia desfrutado os benefícios do curso, o qual, após a 28.ª classe, foi mudado de um mês de duração para um curso de duas semanas.

Depois de suspensa por mais de três anos, a escola foi reiniciada em fevereiro de 1975, usando-se um novo compêndio para a instrução. Durante aquele ano, 2.043 anciãos beneficiaram-se com este novo curso. Por fim, em 1978, durante um período de seis semanas, os mais de 5.300 anciãos na França participaram de um curso revisado de dois dias. Beneficiaram-se os anciãos com isto? Um ancião respondeu bem a esta pergunta por explicar: “Agradecemos à organização atenta de Jeová por dar-nos um esclarecimento cada vez maior quanto a edificar nossos irmãos na congregação.”

ACRESCENTA-SE UM SEGUNDO ANEXO

Em 1973, quando foi dedicado o anexo em Louviers, supôs-se que este cuidaria das necessidades na França até a “grande tribulação”. Mesmo quando se comprou um terreno em Incarville (um povoado um pouco fora de Louviers) em 1974, não se pensava em construir um anexo, mas apenas um Salão do Reino. Mas o rápido crescimento da obra do Reino logo mudou nosso modo de pensar. Finalmente, em 2 de abril de 1976, foi obtida uma autorização para se construir um edifício de dois andares com uma área de 2.483 metros quadrados.

Enviou-se uma carta a todas as congregações da França, pedindo voluntários que tivessem alguma experiência em construção. Visto que os irmãos não estavam muito satisfeitos com o prédio pré-fabricado em Louviers, decidiram construir eles mesmos o novo prédio. Certo irmão experiente em construções ofereceu-se para coordenar os trabalhos como parte duma comissão de construção, supervisionada pela Comissão da Filial e pelo Corpo Governante.

A obra progrediu de acordo com o programa até 8 de dezembro de 1976, quando o Corpo Governante sugeriu construir um terceiro andar, o que acrescentaria 10 quartos extras. Assim, nosso arquiteto traçou novas plantas, as quais foram submetidas a inspeção. Ganhamos 390 metros quadrados de espaço a mais, elevando o total da área do edifício para 2.873 metros quadrados.

Por fim, foi terminado o novo anexo, e no sábado, 13 de maio de 1978, o irmão Raymond Franz, do Corpo Governante, proferiu o discurso de dedicação em francês. O anexo de Incarville aloja agora o departamento de expedição e também acomoda os irmãos de Betel que trabalham em Louviers. Quase todos os 34 quartos no segundo e no terceiro andar já estão ocupados. Atualmente, a família do Betel francês totaliza 136 membros, dos quais 46 estão em Boulogne, e 90 estão em Louviers e Incarville.

NOVAS PUBLICAÇÕES EM ABUNDÂNCIA

Em anos recentes foi efetuada tremenda quantidade de trabalho de tradução, provendo no idioma francês praticamente todas as publicações que há em inglês. Começando em 1976, publicou-se até mesmo o Índice de Publicações da Torre de Vigia anual em francês, sendo este o primeiro idioma, além do inglês, a possuir este Índice. Também, tem-se produzido as gravações em cassete de livros bíblicos em francês tendo sido distribuídos mais de 12.000 jogos do livro de João, em 28 países.

OS CONGRESSOS “FÉ VITORIOSA”

Visto que o Estádio Colombes já havia sido lotado até a capacidade máxima em 1973, a comissão da filial organizou para 1978 seis assembléias “Fé Vitoriosa” em toda a França. E foi uma boa coisa, pois o total da assistência atingiu 83.419 — 23.178 pessoas a mais do que em 1973!

Na manhã de sexta-feira, os congressistas partilharam sua fé vitoriosa por testemunhar aos moradores locais. Uma moça em Paris recebeu as Testemunhas de Jeová, dizendo: “Sua visita é oportuna. Eu realmente precisava falar com alguém. Já tive três colapsos nervosos e até quis cometer suicídio.” Depois, disse às Testemunhas, em confidência, que sentia a necessidade de se aproximar mais de Deus. Fizeram-se arranjos para que ela viesse assistir ao discurso público junto com uma amiga.

PERSPECTIVAS DE MAIOR CRESCIMENTO

As pessoas ainda estão reagindo favoravelmente à mensagem do Reino. Isto se reflete no fato de que 133.584 pessoas estavam presentes à Comemoração de 1979 na França. São 9.810 pessoas a mais do que as que estavam presentes apenas dois anos antes. E o fato de que esta assistência à Comemoração constitui o dobro dos cerca de 67.000 publicadores do Reino na França mostra a enorme perspectiva de contínuo crescimento da obra do Reino.

Já em fins de 1978 havia 1.188 congregações, 60 circuitos e seis distritos na França. Há 28 congregações na própria Paris, e 116 congregações nas imediações de Paris, perfazendo um total de 144. Há 17 congregações em Marselha, 11 em Lião, 10 em Nice, 8 em Nantes, 8 em Tolosa, 7 em Grenoble, 7 em Mulhouse, 5 em Caen, e duas ou três congregações em muitas outras cidades francesas.

Quando refletimos em como a obra cresceu de apenas um punhado de cristãos corajosos e resolutos no início do século, podemos realmente notar que Jeová tem abençoado seu povo. Esperamos que esta narração encoraje todos os que a lerem a tomar a dianteira no serviço de Jeová, tendo em mente que os acontecimentos aqui narrados provam todos a veracidade das palavras do apóstolo Paulo: “Pois, não podemos fazer nada contra a verdade, mas somente a favor da verdade.” — 2 Cor. 13:8.

[Foto na página 41]

1900 — Adolphe Weber, lenhador suíço, iniciou a obra de pregação na França.

[Foto na página 73]

1931 — (Em último plano) Escritório de Paris desde 1931 até 1940.

(Em primeiro plano) Irmão Rutherford com o pessoal dos escritórios da França e suíça.

[Foto na página 76]

1932 — Foram utilizadas cerca de 100 motocicletas na França para divulgar a mensagem do Reino.

[Foto na página 81]

1993 — O mostruário da Sociedade numa exposição em Paris. Nos anos trinta, diversos livros ganharam medalhas de ouro.

[Foto na página 84]

1937 — Publicadores da congregação de Sin-le-Noble bem como o carro sonante que usavam.

[Foto na página 104]

1945 — O reencontro de Emma, Adolphe e Simone Arnold depois de anos de separação durante a segunda guerra mundial.

[Foto na página 121]

1948 — Testemunho por meio de cartazes em bicicletas anunciando discursos públicos.

[Foto na página 125]

1951 — PARIS — Primeira assembléia internacional pós-guerra. 10.456 assistiram, procedentes de 28 terras.

[Foto na página 136]

1959 — Novo Betel concluído em Boulogne-Billancourt.

[Foto na página 152]

1972 — Anexo de Betel construído em Louviers.

[Foto na página 160]

1978 — Segundo anexo de Betel construído em Incarville, Normandia.

[Mapa na página 37]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

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