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  • yb87 pp. 113-217
  • Suíça e Liechtenstein

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  • Suíça e Liechtenstein
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1987
  • Subtítulos
  • SITUAÇÃO RELIGIOSA
  • A VERDADE BÍBLICA CHEGA À SUÍÇA
  • ANÚNCIOS SUSCITAM INTERESSE
  • A VISITA PESSOAL DO PRESIDENTE
  • NECESSIDADE DE PUBLICAÇÕES EM FRANCÊS
  • VISITAS EDIFICANTES DO IRMÃO RUSSELL
  • PERGUNTAS EMBARAÇOSAS PARA O CLERO
  • “PEREGRINOS” FORTALECEM OS FIÉIS
  • NA EXPECTATIVA DE 1914
  • FOTODRAMA DA CRIAÇÃO
  • O ANDAMENTO NO TERRITÓRIO FRANCÊS
  • TESTES DE FIDELIDADE RESULTAM NUM REFINAMENTO
  • ESTABELECIDA A SEDE CENTRAL EUROPÉIA
  • MUDANÇA DE LOCAL E DE SUPERVISÃO
  • SÉRIAS PROVAÇÕES EM 1925
  • PUBLICADORES SUÍÇOS CUIDAM DE LIECHTENSTEIN
  • MENSAGENS INESQUECÍVEIS
  • TESTEMUNHO NO PRÉDIO DA LIGA DAS NAÇÕES
  • UMA ROTATIVA PARA A RÚSSIA?
  • TRABALHO COM O FONÓGRAFO
  • ‘NOSSO DEUS NÃO É DEUS DE DESORDEM’
  • EMPENHOS PARA DEIXAR BRILHAR A LUZ NA ITÁLIA
  • A INFILTRAÇÃO DE ALIMENTO ESPIRITUAL NA ALEMANHA NAZISTA
  • SOLIDARIEDADE PARA COM AS TESTEMUNHAS NA ALEMANHA
  • “CRUZADA CONTRA O CRISTIANISMO”
  • ABRIGO PARA PIONEIROS REFUGIADOS
  • INVESTIDA CONTRA UM REDUTO CATÓLICO
  • OS ESFORÇOS DO CLERO SAEM PELA CULATRA
  • LUTA NOS TRIBUNAIS NOS ANOS 30
  • REALMENTE USARAM O SEU PODER
  • O OBJETIVO DO INIMIGO: PROIBIÇÃO TOTAL
  • O IRMÃO RUTHERFORD COMPARECE ÀS AUDIÊNCIAS
  • RECORRERAM DA DECISÃO
  • PROSCRIÇÃO OFICIAL DE UM FOLHETO
  • 1939: IRROMPE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL!
  • O FECHAMENTO DA SEDE CENTRAL EUROPÉIA
  • CASAS DE IRMÃOS FORAM VASCULHADAS
  • IMPOSIÇÃO DE CENSURA
  • A CONDENAÇÃO DO IRMÃO ZÜRCHER
  • CORTARAM-SE AS COMUNICAÇÕES COM BROOKLYN EM 1942
  • PROBLEMAS FINANCEIROS
  • UM LIVRO NA COR DE SUA PREFERÊNCIA
  • A ESCOLA DO MINISTÉRIO TEOCRÁTICO SUBSTITUI O FONÓGRAFO
  • FIM DA GUERRA À VISTA
  • A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ACABARA, MAS A NOSSA LUTA CONTINUAVA
  • AJUDA PARA OS IRMÃOS NA ALEMANHA
  • A LONGAMENTE AGUARDADA VISITA DO IRMÃO KNORR
  • ÊNFASE AO SERVIÇO DE PIONEIRO
  • COMO RESOLVÊ-LO?
  • A QUESTÃO DA VENDA AMBULANTE SEM LICENÇA
  • A MAIS DURA LUTA NO CANTÃO DE VAUD
  • UM CORAJOSO JUIZ OUSA DISCORDAR
  • UM CLÉRIGO SINCERO DEPÕE EM NOSSO FAVOR
  • DURO PROCURADOR DE ESTADO FINALMENTE PERDE A BATALHA
  • A NEUTRALIDADE AINDA ERA UM DESAFIO
  • ESFORÇOS PARA ALCANÇAR “TERRITÓRIOS NÃO DESIGNADOS”
  • “MENSAGEIROS DA IGREJA” AJUDAM A SUSCITAR INTERESSE
  • A INSTALAÇÃO DE LARES MISSIONÁRIOS
  • NOVO SUPERINTENDENTE DE FILIAL
  • O CANTÃO DE TICINO RECEBE ATENÇÃO
  • MISSIONÁRIOS DA ITÁLIA
  • A PREGAÇÃO AOS “TRABALHADORES IMIGRANTES”
  • TESTEMUNHO INFORMAL COM RESULTADOS DE LONGO ALCANCE
  • INACREDITÁVEL AUMENTO RÁPIDO
  • ANCIÃOS DE EXCELENTES QUALIDADES
  • DEPOIS DOS ITALIANOS, OS ESPANHÓIS
  • OS FILMES DA SOCIEDADE AGRADAM
  • PIONEIROS PAVIMENTAM O CAMINHO EM LIECHTENSTEIN
  • O “PEQUENINO PAÍS” COMEÇA A DAR FRUTOS
  • ARTIGO NA DESPERTAI! QUEBRA O PRECONCEITO
  • A IRMÃ QUE TRABALHAVA NO CASTELO
  • FORMA-SE UMA CONGREGAÇÃO
  • PELO RÁDIO — UMA RARA OPORTUNIDADE
  • A DIVULGAÇÃO PELA RÁDIO DE LÍNGUA FRANCESA
  • TAMBÉM NA TELEVISÃO
  • A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS
  • MARAVILHADOS COM A NOSSA BOA VONTADE
  • NOVO PRÉDIO PARA A FILIAL
  • INSTALA-SE TAMBÉM UMA NOVA ROTATIVA
  • APREÇO PELAS NOVAS INSTALAÇÕES
  • A PERSEVERANÇA É UM REQUISITO
  • O NÚMERO DE BATIZANDOS JOVENS É BASTANTE ELEVADO
  • O NOVO BETEL TEVE DE SER AMPLIADO
  • NOVOS MÉTODOS DE IMPRESSÃO
  • OFERECERAM-SE VOLUNTARIAMENTE
  • PRESERVAR A UNIÃO APESAR DE DIVERSIDADE
  • A FAMÍLIA DE BETEL TAMBÉM REFLETE DIVERSIDADE
  • NOVAS CIRCUNSTÂNCIAS EM BETEL
  • CONGRESSOS DE DISTRITO COM TOQUE INTERNACIONAL
  • DETERMINADOS A PROSSEGUIR
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1987
yb87 pp. 113-217

Suíça e Liechtenstein

QUANDO ouve falar em Suíça, o que lhe vem à mente? Pensa em montanhas, relógios, queijos ou em deliciosas barras de chocolate? Bem, há coisas muito mais valiosas do que estas na Suíça. Mas, primeiro falemos um pouco sobre o próprio país. No século anterior ao em que Jesus Cristo realizou seu ministério público em Israel, povos celtas chamados de helvécios haviam tentado mudar-se da Europa central para regiões sulinas de clima mais ameno. Mas, o exército romano sob Júlio César barrou o caminho. Em 58 AEC, depois duma batalha que resultou em grande matança, os helvécios sobreviventes viram-se obrigados a retornar e a se estabelecer de novo nas terras mais baixas entre o rio Reno e o lago Lemã. No decorrer de muitos séculos, desenvolveu-se aqui uma confederação que veio a ser chamada de Confederação Helvética, ou simplesmente Helvécia. Sem dúvida, você conhece este país pelo seu nome atual, Suíça.

A Suíça é um pequeno país no coração da Europa — de apenas 41.293 quilômetros quadrados. Ao norte fica a Alemanha; a oeste, a França; ao sul, a Itália; e a Áustria e o Liechtenstein, a leste. Embora a área seja pequena, poucos países oferecem tanta variedade de cenário num espaço deste tamanho. Picos de montanhas cobertos de neve fazem parte da paisagem; como também avenidas marginadas de palmeiras, no sul. Os cerca de 6,5 milhões de habitantes pertencem a um dos seguintes quatro grupos culturais e lingüísticos: alemão, francês, italiano e romanche. Os que falam romanche em geral conhecem também alemão ou italiano. Além disso, há muitos estrangeiros que aqui vieram para trabalhar ou morar, e estes falam várias outras línguas.

SITUAÇÃO RELIGIOSA

A maioria dos moradores da Suíça são, quer protestantes, quer católicos-romanos. Embora atualmente membros de ambas essas confissões vivam lado a lado nas cidades, ainda há regiões em que uma dessas religiões predomina. Por exemplo, Genebra e Zurique são historicamente conhecidas como cidades dos reformadores protestantes Calvino e Zwingli. Berna, Basiléia e Lausanne também são predominantemente protestantes, ao passo que Saint Gallen, Lucerna e Lugano são majoritariamente católicas, e a antiga cidade de Friburgo é um baluarte da igreja romana, por causa de sua universidade católica e seus numerosos seminários.

Em muitos casos, a fronteira de um cantão (estado ou província) é também uma fronteira religiosa, visto que a população de determinado cantão é, quer de maioria católica, quer de maioria protestante. Por exemplo, quando se fala de Suíça central, de Valais, ou de Ticino, o que logo vem à mente dos suíços é o catolicismo. Mas, as pessoas originárias dos cartões de Berna, Neuchatel ou Zurique — apenas para mencionar alguns — em geral são protestantes.

Naturalmente, existem também outras denominações, tais como a Igreja Católica Cristã, o Judaísmo, a Igreja Metodista, e muitas outras. E há cidadezinhas com realmente dezenas de diferentes grupos religiosos.

Seria a mensagem do Reino bem recebida por tal população de inclinação religiosa? Veremos.

A VERDADE BÍBLICA CHEGA À SUÍÇA

Em 1891, o primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia, dos EUA, Charles T. Russell, empreendeu uma viagem por vários países da Europa e do Oriente Médio. Fez escala em Berna, Suíça, entre outros lugares. Explicando a razão de sua viagem, ele disse que seu interesse “de modo algum se prendia a antigas ruínas, castelos, etc.”, mas que queria “ver o povo, conhecer seu modo de vida, sua maneira de pensar e suas tendências”. Mais tarde, em seu relatório publicado em Zion’s Watch Tower (Torre de Vigia de Sião), de novembro de 1891, ele mencionou que, como no caso de outros países, ele encontrara o campo da Suíça “pronto e à espera da colheita”.

Por isso, ele sugeriu a Adolf Weber que fosse “ao vinhedo do Senhor”, na Suíça. O irmão Weber era cidadão suíço que aprendera a verdade nos Estados Unidos e que trabalhava para o irmão Russell como jardineiro, por meio período. Sem hesitação, o irmão Weber aceitou essa missão. Ele era bem qualificado para isso, visto que falava as três principais línguas nacionais da Suíça. Ele se estabeleceu na sua terra natal, Les Convers, nas montanhas de Jura, em Janeiro de 1900.

O irmão Weber ganhava a vida como jardineiro e guarda-florestal, mas, seu interesse principal era lançar as sementes da verdade. Iniciando com as pessoas com quem trabalhava, ele ampliou seu território por ir a pé a outras cidades e vilarejos, e por falar a pessoas onde quer que as encontrasse. No inverno, ele costumava ir a pé até a França, e na direção sul até a Itália, para pregar, retornando para Les Convers na primavera. À parte das necessidades materiais básicas, ele enchia a mochila com tantas publicações quantas pudesse carregar.

Certo dia, ao cruzar uma ponte sobre o canal Hagneck, no cantão de Berna, o irmão Weber encontrou-se com um homem a quem teve a oportunidade de dar testemunho. Mas, ao baixar a mochila, um livro deslizou e caiu pouco antes das grades nas águas rasas na beirada da eclusa do canal. Mais tarde, quando o encarregado da manutenção da eclusa limpou as grades, ele achou o livro, secou-o e passou a lê-lo. Era um exemplar de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), Volume I, do irmão Russell. O encarregado e sua esposa se maravilhavam com o que aprendiam e se convenceram de que haviam encontrado a verdade.

ANÚNCIOS SUSCITAM INTERESSE

O irmão Weber não desprezou nenhum recurso, na sua tentativa de encetar a obra. Além de seu testemunho pessoal, ele anunciava Studies in the Scriptures em vários jornais, embora tal tipo de publicidade em geral fosse caro. Providenciou que alguns livreiros incluíssem Studies in the Scriptures nas suas coleções. Pouco depois, pessoas de várias partes do país encomendavam os livros. Os que moravam numa mesma região foram postos em contato uns com os outros, e sugeriu-se que se reunissem e estudassem juntos. Naqueles dias, não havia muita coisa em matéria de entretenimento, de modo que conhecidos e amigos prontamente iam a essas reuniões, quando convidados. Geralmente decidiam entre si quem deveria dirigir o estudo, e em muitos casos se revezavam nisso.

Os tratados cumpriram um papel importante naqueles primórdios. Os poucos irmãos dedicados reuniram suficiente coragem para distribuí-los em frente de igrejas, ou então os enviavam pelo correio, aos milhares, a moradores na parte de língua alemã na Suíça. Irmãos dos Estados Unidos também ajudaram em iniciar a obra aqui por enviarem pelo correio exemplares da Torre de Vigia de Sião em alemão a amigos e parentes na Suíça. Alguns destes mais tarde aceitaram a verdade. — Ecl. 11:1.

A VISITA PESSOAL DO PRESIDENTE

Uma das primeiras pessoas a receber a verdade por meio do irmão Weber foi a Sra. Anna Bachmann, de Basiléia. Embora freqüentasse regularmente a Igreja Evangélica Reformada, seu interesse pelo estudo bíblico foi suscitado quando o irmão Weber falou-lhe sobre o propósito de Deus para com a humanidade e as verdades fundamentais da Bíblia. Ela aceitou o livro Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) e o estudou inteiramente sozinha, visto que não havia ninguém nas redondezas para ajudá-la. Depois de um ano o irmão Weber voltou, respondeu às perguntas dela na sua habitual maneira calma, e a incentivou a continuar seu estudo da Palavra de Deus.

Daí, em maio de 1903, ela se surpreendeu com a presença de dois visitantes à sua porta. Um deles era um dos Estudantes da Bíblia da vizinha Mülhausen (na época uma cidade alemã, hoje pertencente à França), e o outro era o próprio presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), o irmão Russell. A conversação, com o estudante da Bíblia servindo de intérprete, foi muito edificante e ajudou a Sra. Bachmann a progredir. Com o tempo, ela tornou-se uma devotada serva de Jeová e, tanto seu marido como, mais tarde, seu filho Fritz, aceitaram a verdade. Vários outros também se interessaram, de modo que, de 1909 em diante, passou a funcionar em Basiléia um grupo de estudo. Fritz Bachmann, já de idade avançada, ainda é membro de uma das congregações de Basiléia.

NECESSIDADE DE PUBLICAÇÕES EM FRANCÊS

A Torre de Vigia de Sião era impressa em alemão nos Estados Unidos desde 1897. Quando começou a ser publicada também em francês, em 1903, o irmão Weber ficou contente, mas ele achou que Estudos das Escrituras eram tremendamente necessários em francês, para promover o entendimento bíblico. Assim, ele os traduziu pessoalmente. Seguiram-se outras publicações e, em 1903, foi estabelecido em Yverdon um pequeno escritório da Sociedade, bem como um depósito de publicações.

O número dos que aqui serviam a Jeová não era muito grande. Reuniões, e até mesmo congressos, eram realizados em lares particulares. Mas, o futuro parecia brilhante e os irmãos eram zelosos. Adolf Weber foi designado supervisor da obra no campo francês. Para a parte alemã da Suíça, foi aberto em Zurique um pequeno escritório para distribuição de literatura e informações, supervisionado pela filial de Barmen-Elberfeld, Alemanha.

VISITAS EDIFICANTES DO IRMÃO RUSSELL

Os “congressos gerais” cumpriram um papel importante, desde o início da obra. Um destes foi realizado em Zurique, em 1910, com a presença de umas cem pessoas. A cada ano, a assistência aumentava. O irmão Russell comparecia freqüentemente.

Olhando para o passado, não se pode deixar de ficar impressionado com o espírito empreendedor do irmão Russell. Viajar no início do século 20 não era tão confortável e rápido como hoje, não obstante, o irmão Russell se dispunha a cruzar o oceano quase todos os anos para fortalecer os irmãos na Europa e impulsionar a obra. E que programação intensa ele cumpria!

Em 1912, ele visitou Genebra, Basiléia, Zurique e Saint Gallen. O seu discurso público “O Além-Túmulo” era anunciado por meio de grandes cartazes que estampavam um dedo apontado para uma procissão de clérigos, com os dizeres: “Ai de vós . . . porque tirastes a chave do conhecimento.” (Luc. 11:52) O assunto era realmente de abrir os olhos, e causava sensação. Por toda a cidade, as pessoas falavam sobre as evidências de que não há inferno de fogo, que os mortos estão inconscientes e que há esperança de que voltem a viver. (Ecl. 9:10; Atos 2:22-31; 24:15) As novidades se espalhavam como um incêndio descontrolado. Parecia que os salões alugados nunca eram suficientemente grandes. Muitas vezes multidões eram mandadas embora, por falta de espaço. Esta proclamação da verdade sobre a condição dos mortos abalava os alicerces da religião tradicional.

PERGUNTAS EMBARAÇOSAS PARA O CLERO

Algumas pessoas começaram a fazer certas perguntas embaraçadoras a seus pastores. Uma destas foi Clara Adler, que recebera dum parente o folheto Onde Estão os Mortos?, que leu com grande interesse. Esta explanação clara sobre a condição dos mortos e a esperança para toda a humanidade impeliu-a a correr para seu pastor a fim de que ele compartilhasse seu entusiasmo.

‘Com certeza ele nunca leu algo tão maravilhoso’, pensou ela. Mas, qual nada, a resposta dele foi: “Eu sei, eu sei, . . . mas seria muito melhor se a senhora não lesse essas coisas.” A irmã Adler não desanimou. Ela diz: “Embora eu conhecesse muito pouco da verdade naquele tempo, as palavras da Bíblia significavam mais para mim do que aquilo que o pastor dissera. Agora eu compreendia que não era necessário estudo teológico para entender a Palavra de Deus. Deus deu ao homem a faculdade de raciocínio para que se fizesse bom uso dela.” Foi isto o que ela fez, e tem ajudado a muitos a fazerem o mesmo.

Embora as verdades ensinadas pelo irmão Russell incomodassem grandemente muitos clérigos, houve alguns que viam com simpatia seus empenhos de trazer a lume o conhecimento exato da Bíblia. Um desses foi Ludwig Reinhardt. Em 1877, ele publicou em alemão uma tradução do “Novo Testamento” que é notável por traduzir Lucas 23:43 do seguinte modo: “E Jesus disse [ao malfeitor]: Em verdade te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” Numa carta a um dos Estudantes da Bíblia, em 1908, este ministro protestante escreveu: “Como vê, conheço muito bem o ‘Movimento Aurora do Milênio’, e aprecio profundamente a vigorosa e abnegada devoção do irmão C. T. Russell e de todos os seus associados . . . Visto que tenho grande interesse em eliminar tantas inexatidões quantas eu puder, e de publicar uma tradução o mais fiel e exata possível, ficaria muito grato ao senhor e ao irmão Russell se anotassem todos os pontos que objetarem na minha tradução.”

“PEREGRINOS” FORTALECEM OS FIÉIS

“Peregrinos” eram representantes viajantes da Sociedade, como os atuais superintendentes de circuito. O trabalho deles contribuiu para a união dos irmãos e os colocou em contato mais íntimo com a organização de Deus. A Sociedade anunciava na Torre de Vigia de Sião o planejado itinerário dos peregrinos, e as congregações e os grupos menores ao longo desses roteiros escreviam expressando o desejo de serem visitados. Os peregrinos eram excelentes oradores, e seus discursos públicos em geral eram bem concorridos. Em 1913, por exemplo, a assistência total na Suíça foi de umas 8.000 pessoas.

Os irmãos Herkendell e Buchholz, da Alemanha, bem como outros peregrinos, ainda são lembrados por alguns, por causa da amorosa ajuda que prestaram. Eles ficavam apenas um ou dois dias em cada lugar, mas usavam seu conhecimento da Bíblia para dar discernimento espiritual para os irmãos e para exortar os recém-interessados a não se deixarem intimidar pelos opositores. O assunto preferido do irmão Wellershaus era cronologia. Ele costumava proferir longos discursos baseados em gráficos e diagramas e, sempre que tal atividade é mencionada, estes ainda vêm à mente dos que acompanhavam a obra naquele tempo.

NA EXPECTATIVA DE 1914

Desde 1876, a atenção dos Estudantes da Bíblia se voltava para o ano de 1914, como ponto decisivo na história. Os 2.520 anos conhecidos como os Tempos dos Gentios haviam de terminar naquele ano. (Luc. 21:24) A irmã Berta Obrist lembra-se de que os de sua família freqüentemente zombavam quando ela lhes falava sobre uma guerra que haveria de ocorrer. “Pare de falar sobre este 1914!”, dizia a avó dela, iradamente. Mas, quão surpresa e impressionada ficou a avó quando a guerra deveras irrompeu em 1914!

Os pais da pequenina Hulda, de Schaffhausen, simplesmente não podiam crer que uma grande mudança nos eventos mundiais ocorreria em 1914, como uma conhecida deles repetidas vezes lhes explicava, à base da Bíblia. Mas, a irmã Hulda Peter lembra-se de que sua mãe ficou muitíssimo abalada quando soube que a guerra deveras tinha irrompido. Agora ela tinha muitas perguntas a fazer, e queria, por todos os meios, arranjar uma Bíblia. Ao passo que a verdade se descortinava diante de seus olhos, ela a aceitou de todo o coração, abandonou a igreja a que pertencia e dedicou-se a Jeová.

Outras pessoas também foram ajudadas a se interessar e a atentar para o significado dos eventos surgidos no cenário mundial a partir de 1914. Para esse fim, sob a direção de Jeová, preparou-se um maravilhoso instrumento. Tratava-se de uma série de quatro discursos com slides e filmes.

FOTODRAMA DA CRIAÇÃO

A apresentação do Fotodrama da Criação foi um grande sucesso. A primeira exibição em Berna ocorreu algumas semanas depois de anunciada a mobilização geral do Exército Suíço, por causa da eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas, a assistência total num período de duas semanas chegou a mais de 12.000 pessoas. Depois disso, foi exibido a outras multidões apreciativas, em diversas cidades e lugarejos.

Entre os 3.000 que deixaram seu nome e endereço solicitando mais informações estava Heinrich Heuberger, que assistiu ao Fotodrama no vilarejo de Safenwil. O programa consistia em quatro partes, apresentadas em quatro noites sucessivas, e ele fez questão de não perder nenhuma delas. Ele conta: “Eu fiquei simplesmente eufórico. Queria saber mais, de modo que preenchi um cupom com esse objetivo e o despachei na mesma noite. Logo depois, recebi um tratado dos Estudantes da Bíblia. Mais tarde, aceitei um convite para assistir a um discurso público, e nessa ocasião adquiri o primeiro volume de Estudos das Escrituras.” O seu patrão, cunhado de um ministro protestante, deixou bem claro que não aprovava o livro. Mas, o interesse de Heinrich era profundo, e ele passava as horas de folga na floresta, onde podia ler sem ser incomodado.

Na cidadezinha de Brugg, a exibição do Fotodrama, em 1915, estava programada para ser realizada na pousada “Zum Rothen Haus”. O salão estava lotado muito antes da hora marcada, de modo que a polícia fechou as portas e impediu a entrada de mais pessoas. Mas, alguns jovens intrépidos, decididos a não perderem a apresentação, puseram escadas no outro lado do prédio e entraram por janelas abertas no primeiro andar.

O ANDAMENTO NO TERRITÓRIO FRANCÊS

Nos anos anteriores a 1914 houve bons aumentos na parte de língua alemã da Suíça, mas a obra no território de língua francesa ia mais devagar do que se esperava. Assim, deu-se atenção especial a esse campo por meio de discursos públicos e exibições do Fotodrama da Criação. Isto produziu bons frutos.

Em 1912, o depósito de publicações de Yverdon foi transferido para Genebra, onde passou a operar como filial. Esta supervisionava a obra não só na Suíça de língua francesa, mas também no território francês em toda a Europa. Mais tarde mudou de lugar, mas, na mesma rua. Essa filial passou a cuidar de 23 congregações, e o relatório da Comemoração de 1916 indicou a assistência de 256 pessoas na Suíça de língua francesa e 108 na França. Em 1917, 56.550 pessoas assistiram a exibições do Fotodrama.

TESTES DE FIDELIDADE RESULTAM NUM REFINAMENTO

O ano de 1918 veio acompanhado de testes de fidelidade e um refinamento, de modo que a ‘escória’ foi eliminada e aqueles que realmente amavam os modos de Jeová se tornaram manifestos. (Mal. 3:1-3) Havia restrições por causa da guerra, especialmente com relação a combustível, e isto resultou no cancelamento de algumas reuniões. Além disso, certos acontecimentos na sede da Sociedade em Brooklyn, EUA, afetaram adversamente a atividade dos irmãos aqui. Alguns ficaram com medo. Outros criam que o término da obra se aproximava, e esperava-se que o Armagedom viesse a qualquer momento. Não havia muito encorajamento da parte dos irmãos encarregados. Esta era a situação quando, em 11 de novembro de 1918, a guerra terminou.

Problemas mais sérios foram causados por L. A. Freytag, o encarregado do escritório em Genebra. Ele fora autorizado para publicar uma tradução francesa da edição em inglês de A Sentinela, bem como de Estudos das Escrituras. Mas, ele abusou de seu cargo por publicar as suas próprias idéias. Quando o irmão Rutherford, presidente da Sociedade, soube disso, Freytag foi imediatamente destituído e o escritório em Genebra foi fechado. No entanto, Freytag queria apropriar-se dos bens da Sociedade em Genebra e recusou-se a submeter um relatório financeiro. Ademais, ele queria publicar sua própria revista sob o nome La Tour de Garde (A Sentinela). Distorcendo grosseiramente os fatos, ele afirmava que a Sociedade exigira o que era dele. Foi preciso mover ação judicial contra Freytag. Ele perdeu todos os três processos e por fim teve de devolver à Sociedade móveis e publicações, bem como o Fotodrama da Criação, e foi obrigado a submeter um relatório financeiro. Depois disso, cortaram-se as relações, e Freytag liderou um movimento próprio.

Embora as congregações tivessem sido enfaticamente avisadas e bondosamente exortadas, muitas pessoas seguiram a Freytag. Infelizmente, das 304 pessoas reunidas para a Comemoração em língua francesa, em 1919, apenas 75 ficaram ao lado da Sociedade, e mesmo destes, um bom número mais tarde voltou para o mundo.

Apesar deste ocorrido, o espírito de Jeová continuava a fortalecer os fiéis. Novas pessoas interessadas surgiam em todas as partes do país, e estas vieram a sentir as alegrias da obra do Reino, ainda a fazer. Entre estas estava Alice Berner. Quando menina, ela aprendera o Salmo 103 de cor, e se sentia profundamente movida pelas palavras: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim, bendiga o seu santo nome.” (Almeida) Esta jovem senhora preocupava os pastores de sua igreja. Ela lembra: “A minha saída da Igreja Protestante causou algum rebuliço. Dois pastores tentaram convencer-me a não abandonar a igreja. Mas, essas palestras apenas me ajudaram a ver mais claramente quão necessário era separar-me de um sistema não inteiramente baseado na verdade bíblica.” Dentro de poucos anos, a irmã Berner devotava todo o seu tempo ao serviço de Jeová. O fato de que aos 85 anos ela ainda é uma alegre e ativa trabalhadora de Betel (agora na Alemanha), prova que ela nunca se arrependeu de sua decisão.

Junto com a primavera de 1919, o mesmo ano em que Alice Berner entrou em contato com a verdade, vieram boas notícias do além-mar: os irmãos da sede em Brooklyn, incluindo o presidente da Sociedade, J. F. Rutherford, haviam sido libertados de seu encarceramento injusto, no dia 25 de março de 1919! Sem demora, o povo de Jeová recebeu instruções necessárias por meio das páginas de A Sentinela para ajudá-los a apreciar a grande obra que ainda restava ser feita. Em vez de estar terminando, a obra de testemunho devia ser levada avante como nunca antes!

ESTABELECIDA A SEDE CENTRAL EUROPÉIA

No ano seguinte, o irmão Rutherford visitou a Suíça para dar andamento às coisas. Para reorganizar a obra na Europa dilacerada pela guerra, pareceu melhor estabelecer uma Sede Central Européia, e a Suíça foi considerada bom local para isso visto que o país não havia participado ativamente na guerra Isso resultou na fusão entre a filial da Suíça e a Sede Central Européia, na Usteristrasse, 19, em Zurique. Uma equipe de 10 pessoas trabalhava ali, em 1924. O encarregado era Conrad Binkele, e um dos co-trabalhadores era Max Freschel, que mais tarde serviu na sede em Brooklyn, onde era conhecido como Maxwell Friend, e muito benquisto.

A Sede Central Européia devia supervisionar a obra na Suíça, França, Bélgica, Países-Baixos, Luxemburgo, Áustria, Itália, Hungria, Romênia, Bulgária, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Polônia e temporariamente até mesmo a Alemanha. Alguns países tinham seu próprio supervisor local, mas estes trabalhavam em íntimo contato com a Sede Central Européia, à qual enviavam seus relatórios mensais. A sede central, por sua vez, compilava o relatório e o transmitia a Brooklyn. Também cabia a essa sede suprir publicações em vários idiomas para os países sob sua jurisdição.

Naqueles anos, o irmão E. Zaugg, responsável pela obra nos territórios de língua francesa, tinha seu escritório em Berna. Também em Berna, alguns irmãos instalaram uma gráfica por iniciativa própria e passaram a produzir publicações para a Sociedade a preços módicos, devido ao fato de que todos os trabalhadores eram pessoas dedicadas. Com o tempo a Sociedade assumiu o controle dessa gráfica, aumentou-a e instalou uma rotativa que passou a imprimir a revista A Idade de Ouro, em alemão, a partir de outubro de 1922. Folhetos e tratados em mais de uma dezena de idiomas foram produzidos em grande quantidade.

Mas, durante a visita do irmão Rutherford, em 1924, ficou evidente que eram necessárias instalações maiores para satisfazer a enorme demanda de literatura na Europa depois da guerra. Foi adquirida uma propriedade no outro lado da rua e iniciou-se a construção de uma nova “Casa da Bíblia”, terminada em meados do primeiro semestre de 1925. Na nova gráfica foi instalada mais uma rotativa. A eficiência dessa gráfica aumentava com o passar dos anos, chegando por fim a produzir 500.000 livros e um milhão de folhetos por ano, além de revistas e tratados em pelo menos 16 idiomas.

MUDANÇA DE LOCAL E DE SUPERVISÃO

A mudança da Sede Central Européia para esse novo prédio, na Allmendstrasse, 39, no dia 1.º de abril de 1925, foi um grande acontecimento.

Josef A. Bick lembra-se bem das circunstâncias relacionadas com essa mudança. “Aguardávamos a ocupação do novo prédio”, disse ele, “mas uma grande dúvida pairava na mente de todos os membros da equipe: Quem seria nomeado encarregado? Três irmãos tinham possibilidades: C. C. Binkele, até então encarregado do escritório em Zurique; E. Zaugg, que já estava em Berna e era o responsável pela obra ali e no setor francês; e também Jakob Weber, responsável pela obra de colportor e de pregação”.

Estariam os irmãos primariamente interessados em promover os interesses da adoração pura, ou será que o orgulho pessoal e a preocupação com os cargos afetariam a capacidade deles de prestar serviço com humildade? “Aqueles dias eram carregados de tensão”, segundo o irmão Bick, “mas o presidente discerniu muito bem a situação”. Visto que o estado de saúde do irmão Binkele declinava, sugeriu-se que ele fosse aos Estados Unidos para fazer tratamento. Em seu lugar, o irmão Zaugg foi designado para assumir a supervisão. Mas, com o tempo, tanto Binkele como Zaugg abandonaram a adoração verdadeira.

SÉRIAS PROVAÇÕES EM 1925

O ano de 1925 começou muito promissor, com o novo lar de Betel e a nova gráfica em Berna. Os irmãos sentiam-se felizes e foram encorajados a levar a obra avante. Contudo, alguns tinham a sua própria convicção com respeito ao ano de 1925. Assimilariam a admoestação da Sentinela (em inglês) de 1.º de Janeiro de 1925? Ela alertava:

“O ano de 1925 chegou. Os cristãos têm aguardado este ano com grande expectativa. Muitos têm esperado confiantemente que todos os membros do corpo de Cristo serão transmudados para a glória celestial durante este ano. Isto talvez aconteça. Talvez não. No seu próprio tempo marcado Deus cumprirá seus propósitos para com o seu povo. Os cristãos não devem ficar tão profundamente preocupados com o que possa acontecer neste ano a ponto de deixarem de alegremente fazer o que o Senhor deseja que façam.”

Entre outros, Jakob Weber, que era o encarregado do Departamento de Serviço em Betel, não assimilou esse alerta. Ele tinha tanta certeza de que todos os ungidos seriam glorificados no céu por volta do fim do ano que pôs em operação um “plano de liquidação”. Enviou grandes quantidades de publicações às congregações, sem ter recebido pedidos nesse sentido, e as instruiu a distribuírem as publicações de graça no território, antes do fim de 1925.

Todos os esforços dos irmãos em Betel para raciocinar com ele foram inúteis. Por fim, ele deixou não só Betel mas também a verdade, e causou muito pesar entre os irmãos em todo o país, visto que arrastou a muitos junto com ele. Algumas congregações foram reduzidas a menos da metade do que eram.

Outra situação triste veio à tona dentro da família de Betel. Alguns haviam cometido atos imorais. O Gabinete do Presidente tomou medidas imediatas. Daí, em fevereiro de 1926, Martin C. Harbeck chegou de Brooklyn para assumir o controle da filial em Berna.

PUBLICADORES SUÍÇOS CUIDAM DE LIECHTENSTEIN

Neste ponto parece apropriado mencionar algo sobre Liechtenstein, um dos menores países do mundo, situado no outro lado do rio Reno, entre a Suíça e a Áustria. Os habitantes de Liechtenstein gostam de chamá-lo de Ländle (Pequenino País), um apropriado diminutivo em vista de seu comprimento de apenas uns 30 quilômetros e sua largura média de menos de 6 quilômetros. A maioria de seus 27.076 habitantes gosta de viver em comunidades rurais, sem as pressões da vida citadina. A capital, Vaduz, tem uma população de apenas 4.927 pessoas, em meio a belos cenários alpinos.

Deixar que a luz da verdade bíblica brilhe nesse reduto católico tem sido a responsabilidade dos publicadores da Suíça. Na década de 20, alguns irmãos de Rorschach enfrentaram violenta oposição ao pregarem em Liechtenstein. Foram presos e expulsos do país. Mas, em harmonia com a profecia de Jesus em Marcos 13:10, Louis Meyer, ex-oficial do Exército da Salvação que aceitou a verdade em 1923, achou-se no sério dever de cuidar de que os semelhantes a ovelhas em Liechtenstein tivessem a oportunidade de ouvir a verdade. “Certa vez, fizemos um empenho para alcançar todo morador por enviarmos a cada um deles um folheto pelo correio”, recorda. “As autoridades reagiram por moverem um processo contra o ‘remetente desconhecido’, mas não tiveram êxito porque o Correio Suíço recusou-se a fornecer o nome do remetente.”

Depois de consultar a filial, o irmão Meyer organizou uma assembléia de um dia no Hotel Rosengarten, em Ragaz, não longe da fronteira com Liechtenstein. As horas da manhã foram reservadas para a pregação de casa em casa. Irmãos de responsabilidade dos Departamentos de Serviço e Jurídico de Betel estariam presentes, apenas por cautela. As instruções de serviço eram cristalinas: Dê um testemunho breve, deixe alguma publicação, anote o interesse e se retire. Caso a polícia apareça, telefone imediatamente para o hotel.

O irmão Meyer relata: “De início, parecia que tudo ia bem. Mas, na hora do almoço, os publicadores que foram pregar em Liechtenstein estavam faltando! Daí veio o telefonema: ‘Todos foram presos e se exigia uma vultosa quantia como fiança.’ Eles ficaram retidos no ônibus que os transportara, em frente ao prédio do governo, e ali cantavam cânticos do ‘Cancioneiro de Sião’. Isto as autoridades não podiam proibir, mas as deixou um tanto nervosas, pois atraía a atenção dos que passavam.”

Com a intercessão do irmão encarregado dos assuntos jurídicos da Sociedade, os publicadores finalmente foram liberados sem fiança. Eles acharam que os seus cantos também contribuíram para a sua soltura.

MENSAGENS INESQUECÍVEIS

Ao longo dos anos, as Testemunhas de Jeová veteranas têm tido o privilégio de transmitir ao público suíço muitas mensagens inesquecíveis. Uma destas foi através do discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”. Grandes multidões o ouviram. Ainda hoje, pessoas idosas a quem damos testemunho se lembram do tema daquele discurso! Alguns, por pilhéria, faziam uma pequena mudança no título em alemão por tirarem as letras st da palavra sterben (“morrer”), de modo que o tema dissesse: “Milhões Que Agora Vivem Jamais Herdarão” (em alemão, erben). Mas, o importante é que as pessoas se lembram da mensagem.

Também memorável foi a mensagem contida no tratado Acusados os Eclesiásticos. A distribuição desse tratado, lá em meados da década de 20, era uma tarefa excitante. A congregação de Zurique foi designada a cobrir parte do cantão católico de Schwyz. Um irmão intrépido, Gottfried Honegger, decidiu distribuir os tratados em frente à igreja depois da missa, mas outros irmãos ponderaram com ele, dizendo: “Você está maluco. Eles lhe causarão um grande mal se os provocar tão ousadamente.”

Portanto, o irmão Honegger desistiu dessa idéia, mas, mesmo assim, tomou uma ação corajosa. Terminada a missa, e quando todos os homens haviam ido às tabernas para a sua rodada de bebida dominical, ele foi de taberna em taberna, e de mesa em mesa, e rapidamente entregou um tratado a cada um dos homens. Quando viram do que se tratava, houve um alvoroço, de modo que Gottfried discretamente se refugiou na sala de espera da estação ferroviária, até que as coisas se acalmassem.

Jules Feller se lembra do esforço feito em conexão com a distribuição desse tratado. Ele recorda: “Cinco de nós da família de Betel decidimos cobrir um vale montanhoso, os Goms, com a distribuição desse tratado. Todos sendo bons ciclistas, resolvemos ir de bicicleta, mas a viagem levaria uns dois dias. Assim, partimos num sábado de manhã bem cedo, em fins de maio. Tudo ia bem até chegarmos a uma passagem de montanha ainda coberta de muita neve. Era um obstáculo que jamais esperávamos encontrar!”

Assim, o que fizeram? Voltaram? Não. Ele conta: “Corajosamente, colocamos a nossa carregada bicicleta nas costas e começamos a subir em ziguezague a íngreme montanha à nossa frente. Mas, era mais difícil do que imaginávamos, e também perigoso. Ademais, um dos irmãos não tinha sapatos adequados, de modo que escorregava na neve congelada e recuava mais do que avançava. Ele ficou tão desanimado que queria desistir.”

Os outros quatro irmãos se ofereceram para carregar a sua carga e, finalmente, depois de uma escalada de três horas e uma tempestade que os encharcou completamente, chegaram até o primeiro vilarejo no outro lado da passagem. Ali se revigoraram com uma refeição e algumas horas de sono. O irmão Feller continua:

“Na manhã seguinte, às três da madrugada, começamos a enfiar os tratados debaixo das portas ou colocá-los nas caixas de correspondência. Mais tarde, quando os moradores já estavam de pé, nós os entregávamos pessoalmente. Alguns ficavam muito irritados e rasgavam o tratado em mil pedaços. Mas nós prosseguimos calmamente, até cobrirmos os 20 vilarejos desse irredutível território católico.”

TESTEMUNHO NO PRÉDIO DA LIGA DAS NAÇÕES

O superintendente da filial, Martin C. Harbeck, era uma pessoa dinâmica, capaz de apresentar a verdade de maneira agradável até mesmo a pessoas de alta posição. Ele conseguiu um cartão de identificação de jornalista, para ter acesso a certas sessões da Liga das Nações em Genebra. Depois de lutar muito por uma oportunidade de falar com alguns desses homens, ele teve chance de entregar publicações a Anthony Eden, da Inglaterra, ao estadista alemão Gustav Stresemann e a Maksim Litvinov, da Rússia — todos estes representantes de seus países na Liga das Nações. Assim, a atenção deles foi dirigida para o meio legítimo de unir os povos das nações em paz e justiça, o Reino de Deus por Cristo.

Outro empenho para alcançar pessoas influentes, bem como líderes de nações, foi feito em 1932, durante a Conferência de Desarmamento em Genebra. Em harmonia com o que há muito foi escrito no Salmo 2:10-12, enviou-se a esses líderes, bem como a clérigos de destaque, um exemplar do folheto O Reino de Deus É a Felicidade do Povo, junto com um volante que os instava a darem a máxima atenção àquela mensagem. Assim, deu-se um testemunho a 292 desses politicamente poderosos da terra.

UMA ROTATIVA PARA A RÚSSIA?

Na Alemanha, Hitler assumira o poder em 1933, e a obra das Testemunhas de Jeová ali logo foi proscrita. O irmão Harbeck foi verificar a situação da propriedade da Sociedade em Magdeburgo. Mas, ele foi preso; foi solto dez dias depois, apenas sob a condição de deixar o país imediatamente.

Daí, um irmão de Brooklyn, Nova Iorque, foi à Alemanha para tentar conseguir que a rotativa confiscada saísse da Alemanha e fosse despachada para a Rússia. A Sociedade planejava promover a pregação das boas novas do Reino naquele país. Mas, as autoridades russas eram da opinião de que seu povo precisava de sapatos em vez de Bíblias, de modo que por fim a rotativa de Magdeburgo foi despachada para Berna, onde serviu muito bem até que pôde ser devolvida à Alemanha, alguns anos depois da guerra.

TRABALHO COM O FONÓGRAFO

Em 1934 deu-se início a uma nova modalidade da pregação do Reino, com a ajuda do fonógrafo. Os publicadores diziam aos moradores que tinham um sermão bíblico de cinco minutos que gostariam de tocar. Em geral, a resposta era: “Oh!, mas nós não temos fonógrafo!” Quando o publicador apontava para o fonógrafo que portava, a curiosidade ajudava e a maioria dos moradores concordava em ouvir. Tal método gerava muito interesse, e as colocações de publicações eram muitas.

Trabalhar com o fonógrafo era relativamente fácil. Até mesmo escolares podiam fazê-lo. Ruth Bosshard (agora em Betel) lembra-se de que, quando ainda bem jovem, costumava aproveitar as tardes sem aulas para ir ao seu território designado e tocar os discos para certas senhoras que gostavam de suas visitas. Pelo menos uma dessas senhoras por fim dedicou a sua vida a Deus, para grande alegria dessa jovem Testemunha.

Às vezes aconteciam coisas incomuns. Heinrich Heuberger se lembra: “Certo dia, uma família de seis pessoas deu-me permissão para tocar um discurso bíblico. Estavam todas reunidas na sala de estar, mas, enquanto o disco tocava, uma por uma elas quietamente desapareceram, deixando-me inteiramente sozinho no fim do sermão de cinco minutos. O que eu poderia fazer? Bem, recolhi meu fonógrafo, bradei ‘Auf Wiedersehen!’ (‘Até logo’) e segui meu caminho.”

Eram necessários paciência e repetidos contatos para conseguir que novas idéias penetrassem na mente dessas pessoas presas à tradição.

‘NOSSO DEUS NÃO É DEUS DE DESORDEM’

Isto é o que costumava dizer Erwin Saner, de Basiléia, apontando para o relógio, toda vez que uma criança chegava atrasada na escola dominical da congregação. — 1 Cor. 14:33.

Escola dominical? Sim, isto mesmo. Por um tempo tivemos um grupo de jovens separado, para os de 13 a 25 anos, e uma escola dominical para os mais jovens, baseada no livro O Caminho Para o Paraíso (publicado em 1924, em alemão, e “Dedicado ao Jovem para o Estudo das Santas Escrituras”, por W. E. Van Amburgh). Membros adultos da congregação se revezavam na instrução de crianças nos domingos de manhã. Ulrich Engler, de Thalwil, explica: “Nós, pais, pregávamos aos domingos, e naquele tempo não era costumeiro levar junto as crianças, e também não as levávamos às reuniões, à noite. Assim, quando foi formado um grupo de jovens em Zurique, ficamos contentes de que as crianças da congregação de Thalwil também foram convidadas.”

A associação “Os Jovens de Jeová” tinha até mesmo seu escritório próprio em Berna. Editava uma revista especial chamada Os Jovens de Jeová, que era impressa nas máquinas da Sociedade. O prefácio do primeiro número foi escrito pelo irmão Rutherford. Esses jovens dirigiam reuniões e participavam ativamente na obra de testemunho. Eles também apresentavam dramas bíblicos em reuniões maiores organizadas para os jovens. Contudo, isto na verdade era uma organização dentro da organização. A Bíblia mostra que no antigo Israel a provisão de Jeová foi que adultos e crianças se reunissem juntos para receber instrução. (Deut. 31:12) Quando viemos a compreender isso mais cabalmente, estes arranjos especiais para os jovens foram dissolvidos. Isto foi feito em 1936, na visita do irmão Rutherford.

EMPENHOS PARA DEIXAR BRILHAR A LUZ NA ITÁLIA

A Sede Central Européia estava preocupada com a Itália. O ditador Mussolini assumira o poder ali, e a obra dos servos de Jeová fora proscrita. Havia pouquíssimos irmãos na Itália e eles eram vigiados bem de perto pela polícia fascista. Contudo, 500.000 exemplares do folheto O Reino de Deus É a Felicidade do Povo, que haviam sido impressos em Milão, numa gráfica secular, aguardavam distribuição.

Assim, foi planejado que alguns irmãos suíços, que estivessem dispostos a correr o risco, viajassem até o norte da Itália e, por meio duma distribuição rápida desses folhetos, deixassem brilhar a luz para pessoas que viviam em trevas. Alfred Gallmann, de Basiléia, foi um dos que se apresentaram para esse trabalho. Ele conta:

“Junto com alguns irmãos e irmãs fui para Milão, onde recebemos instruções. A campanha estava bem organizada. Trabalhamos em pares; cada par devia distribuir 50.000 folhetos, que já haviam sido despachados para as respectivas cidades. Eu e meu parceiro devíamos cobrir as cidades de Verona, Vicenza e Veneza. O trabalho devia ser feito rapidamente, para evitar queixas do clero e a confiscação dos folhetos pela polícia.

“Ao chegarmos, procuramos alguns garotos que nos guiassem às ruas e vielas designadas a cada um de nós. Em troca de uma gorjeta eles nos ajudavam a colocar esses folhetos nas caixas de correspondência. Esses meninos participaram ativamente nessa estranha atividade, desconhecendo totalmente do que se tratava.”

Foi a campanha realizada sem nenhum incidente? Quase. Alguns irmãos foram interceptados pela polícia, mas, depois de uma pequena explicação no seu sofrível italiano, ela os liberou. No fim da semana, todos eles se reuniram de novo em Milão, alegres com o que realizaram. A atenção de pelo menos pequena parte da vasta população da Itália fora dirigida para a única esperança de liberdade e justiça, o Reino de Deus.

A INFILTRAÇÃO DE ALIMENTO ESPIRITUAL NA ALEMANHA NAZISTA

Uma das tarefas da Sede Central Européia era manter contato com os irmãos que sofriam perseguição. Embora a Alemanha não estivesse sob a jurisdição dessa sede, os irmãos em Berna fizeram grandes esforços para suprir os da Alemanha com o indispensável alimento espiritual.

Com esse objetivo, a sede enviava cópias datilografadas de artigos da Sentinela a Karl Kalt, superintendente em Basiléia. Ele recorda: “Era meu dever providenciar que alguns irmãos ou irmãs de confiança datilografassem umas 30 cópias desses artigos em papel fino e as aprontassem até certa data. Costumávamos trabalhar todas as noites até a meia-noite.”

Como é que esse material chegava então aos irmãos na Alemanha? Visto que Basiléia era uma cidade fronteiriça, a distância não era grande, e naqueles anos antes da guerra ainda havia muito movimento através da fronteira. Mas, de vez em quando, os viajantes eram revistados cabalmente. O irmão Kalt continua:

“Pessoas da Alemanha, cuja identidade era mantida confidencial, apanhavam as cópias na minha casa e as levavam através da fronteira dentro dos sapatos, em solas duplas, ou então debaixo da roupa, e as entregavam seguras no seu destino. Não raro faziam isso correndo risco de vida ou de sérios danos.” Este alimento espiritual chegava não só às Testemunhas que se podiam locomover livremente, mas também àquelas em campos de concentração.

SOLIDARIEDADE PARA COM AS TESTEMUNHAS NA ALEMANHA

Os irmãos na Alemanha sofriam extrema pressão, e seus conservos em toda a terra compartilhavam seu sofrimento. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Se um membro sofre, todos os outros membros sofrem com ele.” (1 Cor. 12:26) Isto foi destacado pelo que aconteceu numa reunião especial de todas as congregações no domingo, 7 de outubro de 1934, às 9 horas da manhã. Naquela ocasião, devia-se abrir um envelope lacrado. Era o texto de um telegrama a ser enviado ao governo de Hitler. Dizia o seguinte:

“Governo de Hitler, Berlim, Alemanha. Seus maus tratos para com as testemunhas de Jeová chocam a todas as pessoas boas da terra e desonram o nome de Deus. Refreie-se de continuar perseguindo as testemunhas de Jeová; de outra forma, Deus o destruirá, bem como a seu partido nacional.”

Este telegrama foi despachado no mesmo dia por congregações em 50 países, incluindo as da Alemanha. Imagine a enxurrada de telegramas que chegou a Berlim naquele dia! Não era apenas um aviso a Hitler e seu partido; era também uma demonstração de união e solidariedade das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Quanto ao resultado, o destino de Hitler e de seu partido político é bem conhecido.

“CRUZADA CONTRA O CRISTIANISMO”

Para chamar a atenção do público para a resistência das Testemunhas de Jeová ao terror nazista, a sede da Sociedade em Brooklyn aprovou a publicação do livro Kreuzzug gegen das Christentum (Cruzada Contra o Cristianismo). Este descrevia em detalhes o espinhoso caminho das Testemunhas de Jeová na Alemanha nazista. Continha as experiências de mais de cem irmãos e irmãs e era, acima de tudo, um testemunho de que homens e mulheres lutaram, sofreram e morreram na Alemanha nazista por causa de sua fé. O livro foi publicado em Zurique pela Europa-Verlag, uma editora secular, e foi exposto em livrarias e bancas de jornais. Foi traduzido para o francês e o polonês, mas não para o inglês.

O bem conhecido escritor Dr. Thomas Mann disse numa carta à Sociedade: “. . . os senhores cumpriram com o seu dever por publicarem esse livro abertamente, e me parece que não existe maior apelo à consciência do mundo do que esta publicação.” Certo ministro protestante, Th. Bruppacher, disse num jornal suíço em 19 de agosto de 1938: “Os futuros historiadores da igreja algum dia terão de reconhecer que não foram as grandes igrejas, mas sim vários dos difamados e escarnecidos membros de seitas quem primeiro enfrentaram a fúria do demônio nazista e que ousaram oferecer resistência segundo a fé. Eles sofrem e derramam seu sangue porque, como ‘Testemunhas de Jeová’ e candidatos ao Reino de Cristo, recusam a adoração de Hitler, a suástica, a saudação alemã e a participação obrigatória nas eleições.”

ABRIGO PARA PIONEIROS REFUGIADOS

Em 1936, a Sociedade adquiriu a fazenda “Bärenmoos”, perto de Steffisburg/Thun, para prover alimentos sadios à família de Betel ao menor custo possível. Dois anos depois foi comprada ainda outra fazenda, chamada Chanélaz, perto de Neuchâtel. Ambas proveram refúgio para pioneiros obrigados a deixar suas designações no exterior e que não podiam retornar à sua terra natal. Foi especialmente o caso de pioneiros alemães que serviam nos Balcãs. Mais de 30 irmãos e irmãs serviam nessas fazendas como trabalhadores agrícolas, e isto, de qualquer modo, era o único tipo de trabalho para o qual as autoridades suíças concediam licença de permanência.

Um dos irmãos que servia em Bärenmoos foi Heinrich Dwenger. Ele nasceu na Alemanha em 1887 e foi batizado em Barmen, em 1909, quando visitou a filial local. Ali mesmo ele foi convidado para o serviço de tempo integral. A decisão não era fácil, pois seus pais não estavam na verdade e alimentavam grandes expectativas quanto a emprego para seu filho. Contudo, ele entrou no serviço de tempo integral em outubro de 1910, e serviu primeiro na filial em Barmen e depois em Magdeburgo. Mais tarde, cumpriu designações difíceis na Polônia, Hungria e Tchecoslováquia. Perseguido pela Gestapo alemã, por fim rumou para a Suíça, conforme instruído pela Sociedade. Como trabalhador agrícola em Bärenmoos, a sua função era cuidar dos porcos, que ele desempenhava com boa vontade. Anos depois foi para o Departamento de Assinaturas, na filial suíça.

Recordando sua vida no serviço de Jeová, o irmão Dwenger disse: “Estou muito contente de que aceitei com seriedade o dever bíblico de pregar as boas novas do Reino de Deus. Passei muitos anos da minha vida servindo em lares de Betel em vários países, onde não tem sido atribuição minha escolher o serviço que me agradasse, mas sim cumprir as tarefas designadas. Quão feliz me sinto de que sempre procurei seguir a direção de Jeová através de sua organização terrestre por cumprir fielmente tais designações! Pois é realmente esta obediência que tem sido fonte de ricas bênçãos!”

No dia 30 de janeiro de 1983, aos 96 anos, o irmão Dwenger terminou a sua carreira terrestre. Na memória de muitos irmãos, dentro e fora da Suíça, Heinrich Dwenger permanece como exemplo de modéstia, humildade e obediência — exemplo a ser imitado.

Durante o tempo em que trabalharam temporariamente na fazenda Chanélaz, Oskar Hoffmann e sua esposa, Anni, vieram a apreciar em especial o companheirismo de Adolf Weber, que iniciara a pregação das boas novas na Suíça, lá em 1900. Ele havia visto muitos darem um início promissor no serviço de Jeová, mas daí voltarem ao que haviam abandonado. Embora alguns permitissem que sentimentos de grandeza pessoal os sobrepujassem, o irmão Weber continuou a servir a Jeová leal e humildemente. Ele chegou a uma idade avançada e ficou doente, de modo que passava os meses de inverno na fazenda. A sua modéstia, sua forte fé e seu serviço zeloso deixaram profunda impressão em todos os que o conheceram. Por fim, aos 85 anos de idade, ele encerrou a sua carreira terrestre em fevereiro de 1948.

INVESTIDA CONTRA UM REDUTO CATÓLICO

Em 1922, em conexão com uma das visitas do irmão Rutherford, decidiu-se tentar a realização de um discurso público em Lucerna, um reduto do catolicismo. Os irmãos contrataram um local com 850 assentos, todos os quais foram ocupados. Conseguiu-se arrebatar a atenção dos ouvintes, e nem uma única pessoa saiu da sala antes do final. A assistência mostrou estar de pleno acordo por meio de prolongados e repetidos aplausos, o que obrigou o irmão Rutherford a voltar à tribuna. Ali ele despediu-se do público, dizendo: “Auf Wiedersehen!” (“Até à vista.”)

Ele cumpriu a sua promessa. Programou-se a realização de um congresso internacional em Lucerna, para 4 a 7 de setembro de 1936. Vieram irmãos de praticamente todos os países europeus, alguns até mesmo da Alemanha nazista, embora isso significasse arriscar a vida e a liberdade. De fato, agentes nazistas fotografaram secretamente congressistas alemães, que foram presos imediatamente ao retornarem para casa.

O amplamente anunciado discurso que seria proferido pelo irmão Rutherford era: “Armagedom — A Batalha do Deus Todo-poderoso.” Mas, no último momento, as autoridades cantonais de Lucerna proibiram-no para o público. Os irmãos puderam ouvi-lo, mas uma multidão de umas 2.000 pessoas foi impedida de entrar no salão por interferência da polícia. Não obstante, os irmãos estavam decididos a fazer com que o público ouvisse a mensagem. Acharam uma gráfica que se dispunha a imprimir a matéria em seis horas; assim, o texto do discurso ficou disponível a todos os que foram impedidos de entrar no salão. Portanto, foi dado um testemunho mais duradouro à cidade de Lucerna, para consternação do clero que estava por trás da proibição.

Quando essa supressão da liberdade de se reunir tornou-se do conhecimento público, houve muitas expressões de indignação através da imprensa suíça. O jornal National-Zeitung, de Basiléia, perguntou no fim de um longo artigo: “Que fim está levando a liberdade da qual tanto nos orgulhávamos?”

OS ESFORÇOS DO CLERO SAEM PELA CULATRA

O irmão Rutherford, um homem corajoso e franco, apresentou uma resolução aos congressistas, no dia seguinte. Esta dizia, em parte: “Soamos agora o aviso aos governantes da Alemanha e à Hierarquia Católica Romana, e a todas as organizações semelhantes que cruelmente perseguem os verdadeiros e fiéis seguidores de Cristo Jesus, de que, segundo a declaração de Deus, seu destino é a completa destruição. (Salmo 145:20)” Foi enviada uma cópia dessa resolução, por carta registrada, tanto ao papa como a Hitler.

Mas, isto não foi tudo. No último dia do congresso, cerca de mil Testemunhas distribuíram dentro e fora de Lucerna mais de 10.000 exemplares do folheto Escolhendo Riquezas ou Ruína — Qual Será Vossa Escolha?. Alguns publicadores foram presos e suas publicações confiscadas. Vários jornais criticaram as medidas tomadas pelas autoridades, mas, na realidade, deste modo foi dado um testemunho mais amplo. Além do mais, foi preparada uma edição especial de A Idade de Ouro com todos os fatos a respeito desse congresso.

Vê-se aqui a capa dessa revista, que retrata um chapéu preto de sacerdote na ponta duma haste, tendo ao fundo um cenário de Lucerna. A legenda sob o desenho diz: “Der neue Gesslerhut” (O Novo Chapéu de Gessler). Quem foi esse Gessler? Na epopéia Guilherme Tell, de Friedrich Schiller, Gessler é representado como opressivo meirinho (antigo funcionário judicial) que tentou subjugar o povo amante da liberdade na região do lago de Lucerna, no século 13. Diz-se que ele pendurou seu chapéu sobre a ponta de uma haste e obrigou as pessoas a se curvarem em sinal de submissão e lealdade. Assim, o símbolo do despotismo — o chapéu de Gessler — foi retratado na capa dessa edição especial de A Idade de Ouro, numa alusão à supressão da liberdade de expressão, inspirada pelo clero, naquela ocasião.

Foram impressos 100.000 exemplares dessa edição, 20.000 dos quais foram enviados grátis pelo correio a todos os moradores de Lucerna e cercanias. Foi necessária uma nova impressão de mais 18.000 exemplares, e estes, também, esgotaram-se em poucos dias. Até hoje, aquele congresso de 1936 em Lucerna ainda perdura na memória de muitos!

Uma pessoa cuja atenção foi despertada por essa edição especial de A Idade de Ouro foi Edouard Zysset, que morava em Berna. Ele contatou a sede local da Sociedade e, depois duma animada palestra com o editor responsável, irmão Zürcher, saiu com uma pilha de livros debaixo do braço. Quatro anos depois, em 1940, tanto ele como sua esposa, Yvonne, foram batizados. Especialmente desde então, ambos têm sido de grande ajuda para a Sociedade na revisão gráfica de publicações e por contribuírem para a preparação da nossa Concordância da Bíblia em francês, bem como por fortalecer congregações de língua francesa. Em duas ocasiões eles serviram como membros da família de Betel.

LUTA NOS TRIBUNAIS NOS ANOS 30

A Suíça é conhecida no mundo todo como uma das mais antigas democracias. Os historiadores glorificam a luta pela liberdade contra a dominação estrangeira travada pelos fundadores da Confederação, e os suíços se orgulham de sua constituição que garante, entre outras coisas, a liberdade de religião e de consciência. Assim, é tanto mais surpreendente a intensa batalha nos tribunais que foi necessário travar para “defender e estabelecer legalmente” o nosso direito de pregar de casa em casa pela palavra falada e impressa. (Fil. 1:7) Esta batalha durou quase três décadas. Em 1935 apenas, foi necessário enfrentar 111 embaraços jurídicos, cerca da metade dos quais decididos em nosso favor.

Quais eram as razões, e quem estava por trás de toda essa dificuldade causada aos proclamadores do Reino de Deus? Os representantes principais de “Babilônia, a Grande”, que estavam descontentes com as crescentes atividades das Testemunhas de Jeová. A simbólica praga dos gafanhotos, retratada nas profecias de Joel e de Revelação, os havia atingido, e eles se sentiam atormentados pela mensagem de julgamento.

Por exemplo, o folheto Escape Para o Reino fez certo sacerdote católico declarar: “Esta publicação contém uma grande porção de distorções bíblicas, absurdos, difamações vulgares, intencionados a desencaminhar o povo, e um apelo baixo às inclinações sensuais da humanidade. E devíamos nós, católicos, tolerar tais manipulações? Certamente existem meios legais para tornar inofensivos esses sujeitos sórdidos e demagogos. Não deveríamos usar o nosso poder? Pedimos urgentemente às autoridades competentes que ajam rigorosamente contra tais malignos estudantes da Bíblia e que dêem a eles o que merecem.”

REALMENTE USARAM O SEU PODER

As conseqüências da contínua pressão clerical sobre as autoridades começou a se fazer sentir. Instigada por sacerdotes locais, a polícia freqüentemente prendia publicadores que participavam no serviço de campo. As acusações iam desde ofender sentimentos religiosos por meio de duras palavras ou ilustrações em nossas publicações a perturbar a paz confessional ou violar as leis de descanso dominical. Amiúde éramos também acusados de mascatear sem licença.

No cantão de Lucerna, a publicação Luz, Livro I, foi proibida por causa de certas gravuras que continha. Num outro cantão católico, Friburgo, alguns publicadores foram acusados de afrontosa crítica contra a Igreja Católica por causa de sua distribuição do livro Libertação, e nós perdemos a causa. O cantão de Graubünden proibiu a distribuição de quaisquer de nossas publicações, e o cantão católico de Zug proibiu a “atividade perturbadora da paz” das Testemunhas de Jeová. Posteriormente, o governo cantonal de Lucerna fez o mesmo.

Nestes e em dezenas de outros processos nós contestamos a legalidade das medidas tomadas contra nós. Isto exigia lutas nos tribunais, às vezes chegando até à Suprema Corte Federal. Sofremos derrotas, mas também nos regozijamos com vitórias. Jeová apoiou o seu povo, e fortalecia a fé observar a participação dos publicadores nessa luta pela liberdade de pregar a verdade. Eles persistiam no serviço de campo, embora em certos territórios isto representasse prisão quase certa.

O OBJETIVO DO INIMIGO: PROIBIÇÃO TOTAL

“Já é mais do que tempo de acabar com as atividades dos Estudantes da Bíblia, também conhecidos como Testemunhas de Jeová”, era uma expressão que aparecia freqüentemente, especialmente na imprensa católica. Sabendo que as Testemunhas de Jeová foram proscritas na Alemanha nazista, os nossos inimigos na Suíça sentiram-se encorajados a conseguirem o mesmo. As suas armas eram a calúnia e a difamação.

Um poderoso instrumento foi o Swiss Press Correspondence, um boletim informativo mensal dirigido a todas as autoridades e editores de jornal. Mantinha estreitas ligações com a “Sociedade em Prol da Igreja e do Papa”, fundada em Saint Gallen em 1931. Esse boletim desejava muitíssimo fazer com que as Testemunhas de Jeová parecessem ser uma organização altamente suspeita, hostil ao Estado e apoiadora da idéia de um governo mundial judaico. Visando a supressão da nossa obra e da distribuição de nossa literatura, declarou: “Esta avalancha de lama, que sai de Berna e engolfa todos os países da Europa, impõe a nós, católicos da Suíça, a obrigação de cuidarmos de que a sede [suíça] seja fechada. Não podemos tolerar que o nosso maravilhoso país seja mal usado como ponto de partida de uma insidiosa agitação bolchevista.” Mais uma afirmação absurda!

O diretor-presidente desse boletim, Sr. Toedtli, moveu processos contra Martin C. Harbeck e Franz Zürcher, representantes da Sociedade, sob a acusação de “degradação da religião”. No mesmo processo deveria ser esclarecido se as publicações da Sociedade eram ou não “literatura imprestável”. As acusações apresentadas pelo Sr. Toedtli se baseavam num longo parecer do Sr. Fleischhauer, membro da Frente Nacional e diretor do Centro de Propaganda Antijudaico e Nacional-Socialista de Erfurt, Alemanha. Este homem alegava que os Estudantes da Bíblia eram comunistas disfarçados ‘que lutavam junto com mações e judeus pela derrubada violenta de todos os governos cristãos, a fim de erigir sobre as ruínas da cristandade um império judaico’.

O IRMÃO RUTHERFORD COMPARECE ÀS AUDIÊNCIAS

Quando o processo foi ouvido num tribunal em Berna, no dia 26 de agosto de 1936, o irmão Rutherford estava na Suíça. Ele compareceu ao tribunal e depôs na qualidade de autor das publicações em questão. “Se as publicações incluídas nas acusações são ‘literatura imprestável’, como se alega, a Palavra do Deus Todo-poderoso também é ‘literatura imprestável”’, argumentou ele, porque tanto as comparações como as ilustrações a que se fazia objeção se baseavam em trechos dos livros bíblicos de Ezequiel, Jeremias e Revelação. “É evidente que os legisladores não tinham a intenção de proibir a distribuição das Sagradas Escrituras ou de uma explanação impressa delas. Estas publicações contêm a verdade e nada além da verdade; e, disse o Senhor Jesus Cristo: ‘Santifica-os por meio da verdade; a tua palavra é a verdade.’ (João 17:17)” Com isso, o irmão Rutherford terminou seu depoimento.

Depois de cinco horas de argumentos e contra-argumentos, o presidente do tribunal, Sr. Lehmann, chegou à conclusão de que os mandatários da Sociedade Torre de Vigia, Martin C. Harbeck e Franz Zürcher, não podiam ser acusados de transgredir a lei contra “literatura imprestável” e também que a religião não fora degradada pelas publicações produzidas na gráfica da Sociedade em Berna. Os réus foram inocentados e o querelante recebeu ordens de pagar a cada réu 150 francos suíços (Cz$ 1.250,00) como contribuição para as despesas de defesa.

RECORRERAM DA DECISÃO

A imprensa católica em todo o país lançou invectivas contra o tribunal e tachou a decisão de “incrível mau julgamento”. Toedtli reabriu o processo, que foi novamente ouvido no dia 28 de março de 1937, pela Suprema Corte de Bernese. O veredicto proferido pelo primeiro tribunal foi revertido e os representantes da Sociedade foram agora ordenados a pagar uma multa de 100 francos suíços (Cz$ 830,00) por “degradação da religião”. Não obstante, o tribunal manteve a opinião de que não houve violação da lei contra “literatura imprestável”.

Menos de um ano depois, os instigadores por trás de Toedtli foram expostos quando ele foi julgado e considerado culpado de espionagem em favor da Alemanha nazista e condenado a três meses de prisão. Contudo, ele já havia fugido e foi condenado in absentia.

PROSCRIÇÃO OFICIAL DE UM FOLHETO

No ano de 1939, a situação na Europa era tensa. A Suíça estava praticamente cercada de potências totalitárias. Embora as ideologias dessas fossem em geral rejeitadas, as autoridades suíças se preocupavam muito em evitar provocar esses perigosos vizinhos. A situação ficou ainda mais tensa quando as tropas nazistas alemãs estavam em toda a parte, em volta da Suíça. A oeste estavam na França, a leste na Áustria e ao sul na Itália. A Suíça e o Liechtenstein estavam totalmente isolados, como uma ilha num mar agitado. Neste clima, o povo de Jeová distribuiu corajosamente o folheto Fascismo ou Liberdade, que apresentava a seguinte questão: “Será o mundo governado em justiça por Cristo, o Rei entronizado de Jeová? ou será governado por ditadores egoístas e arbitrários?” Esse folheto tachava Hitler de ‘representante de Satanás’ e expôs a Hierarquia Católica Romana por ‘trabalhar de mãos dadas’ com os fascistas”!

Milhões de exemplares desse folheto foram distribuídos nos países sob a jurisdição da Sede Central Européia. Mas, não causou surpresa quando o folheto foi proscrito pelo Gabinete do Procurador do Estado Suíço, cumprindo decisão do Conselho Federal. Não obstante, houve muito debate na imprensa a respeito dessa medida. A Sociedade reagiu com um tratado, 400.000 exemplares dos quais foram distribuídos em toda a Suíça. Seguiu-se uma avalancha de oposição, visto que éramos freqüentemente acusados de fazer propaganda em favor do comunismo. Muitas reuniões em territórios católicos foram impedidas ou interrompidas, mas, segundo Josef Dvorak, de Lucerna, “pode-se dizer que sempre que as dificuldades eram maiores, o espírito na congregação era dos melhores”. Sem o apoio do espírito de Jeová os irmãos talvez se tivessem cansado e esmorecido diante dos contínuos ataques do inimigo. Mas, em vez disso, estavam dispostos a ‘travar uma luta árdua pela fé’ e a sua confiança em Jeová foi recompensada. — Judas 3.

Um exemplo de sua voluntariedade foi relatado pela congregação de Buchs, Saint Gallen. Esta congregação tinha um grande estoque do folheto Fascismo ou Liberdade, que fora proscrito na Suíça. Os irmãos decidiram que a melhor coisa seria distribuir esses folhetos num outro país — o vizinho Liechtenstein. Por causa de acordos alfandegários com a Suíça, não há revista ao cruzar a fronteira. Karl Dangelmeier foi um dos irmãos que usou suas noites de folga para distribuir os folhetos em Liechtenstein. “Imagine o rebuliço que isso provocou”, diz ele, “especialmente por causa da gravura do papa junto a Hitler e Mussolini! Os jornais publicaram artigos indignados, e o movimento da juventude católica estava pronto para nos barrar, mas éramos cuidadosos e nunca usávamos pasta ou bolsa. Assim, terminamos a nossa campanha sem sermos detectados, e os folhetos chegaram às mãos do povo”.

1939: IRROMPE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL!

Para o governo suíço não era nada fácil navegar à sombra de potências totalitárias que invadiam um país após outro. O exército foi mobilizado para defender as fronteiras. Visto que o serviço militar é obrigatório, isto significou grandes provas para homens dedicados exclusivamente a Deus. Seguindo os ditames de sua consciência cristã, a maioria das Testemunhas de Jeová se recusou a prestar serviço militar. (Isa. 2:2-4; Rom. 6:12-14; 12:1, 2) Por isso, bom número de Testemunhas foi levado perante tribunais militares. As sentenças variavam de vários meses a cinco anos de prisão. Em muitos casos, depois de terem cumprido a pena, os irmãos eram de novo convocados para o exército, e começava tudo de novo. Uma segunda sentença era sempre mais longa do que a primeira.

Dentre todas as Testemunhas que foram sentenciadas como objetores de consciência, Fernand Rivarol, de Genebra, foi a que ficou mais tempo na prisão. Isto custou-lhe seu emprego, e, compreensivelmente, acarretou problemas para sua esposa e sua filha pequena. Mas, Jeová lhe proveu encorajamento por meio de um carcereiro que naquele tempo já estava interessado na verdade. Este aproveitou todas as oportunidades que as suas obrigações lhe permitiam para confortar o irmão Rivarol e dois irmãos presos com ele, tanto física como espiritualmente. A firme posição desses servos de Deus contribuiu para que o carcereiro, Emile Bolomey, se tornasse um zeloso irmão.

Por causa dessa posição assumida pelos nossos irmãos, as autoridades concluíram erroneamente que as atividades da Sociedade eram dirigidas contra os interesses do Estado, que estas deliberadamente incitavam a ação antimilitarista. Muitíssimo injustamente, acusaram a Sociedade até mesmo de atividades subversivas!

O FECHAMENTO DA SEDE CENTRAL EUROPÉIA

Com o início da Segunda Guerra Mundial, as atividades da Sede Central Européia foram grandemente dificultadas, à medida que um país após outro veio a estar sob controle totalitário. O contato com os irmãos tornou-se muito difícil, ou então cessou totalmente. As atividades da Sede Central Européia se tornaram despropositadas, portanto, no início do verão de 1940 o irmão Harbeck e sua esposa voltaram para os Estados Unidos, onde foram designados para o serviço de zona e de circuito.

A responsabilidade pela obra na Suíça ficou então aos cuidados do irmão Franz Zürcher, que entrara no serviço de Betel em 1923. Ele participara no programa de exibições do Fotodrama da Criação na Bélgica, no Sarre (Saarland), no vale do rio Nahe, na Renânia, na Alsácia-Lorena e, naturalmente, em toda a Suíça. Depois, foi incumbido de serviços editoriais ligados à edição em alemão de A Idade de Ouro. Em conexão com o Departamento de Serviço, ele também participou em cuidar de aproximadamente 100 pioneiros em países supervisionados pela Sede Central Européia.

O período em que o irmão Zürcher assumiu a responsabilidade pela filial da Suíça era muito difícil. Ele tinha de ter uma alta dose de confiança na direção de Jeová. O objetivo de nossos inimigos não era nada menos do que a proibição total da obra das Testemunhas de Jeová. A imprensa católica publicava artigos acusando as Testemunhas de Jeová de perseguirem objetivos políticos e que a sua atividade era nociva ao Estado. Esses artigos apareciam sob cabeçalhos tais como: “Fervorosos Estudantes da Bíblia — Pioneiros do Bolchevismo” e “Estudantes da Bíblia São Partidários de Moscou”.

Nesse clima, as autoridades militares julgaram-se no dever de agir. No começo da tarde de 5 de julho de 1940, um caminhão cheio de soldados ocupou os escritórios e a gráfica da Sociedade em Berna. Ordenou-se que a família de Betel se reunisse no refeitório, e foi mantida ali até ter sido terminada uma busca cabal. Algumas dependências foram lacradas, e grandes quantidades de publicações foram confiscadas e levadas embora. O que eles procuravam era alguma declaração que provasse que a Sociedade instigava diretamente a recusa do serviço militar. Iniciou-se uma investigação.

CASAS DE IRMÃOS FORAM VASCULHADAS

Logo depois, num dia e hora predeterminados, vários lares de superintendentes e de publicadores em toda a Suíça foram invadidos e vasculhados. Publicações foram confiscadas e os interrogatórios feitos pelos agentes foram gravados.

Emile Walder relata: “Às sete horas da manhã soou a campainha no nosso apartamento na Marchwartstrasse, 37, em Zurique-Wollishofen. Dois homens encorpados, detetives da polícia cantonal, mostraram um mandado de busca e apreensão e entraram sem hesitação. Vasculharam tudo e encontraram minha pasta com os documentos e o dinheiro das contribuições da reunião da noite anterior, visto que naquele tempo eu era servo de contas. Eles a examinaram e confiscaram tudo o que nela havia. Tive de acompanhá-los até a delegacia. Ali tentaram submeter-me a uma ligeira lavagem cerebral, esperando obter mais nomes e endereços de irmãos. Mas, nada conseguiram. Mais tarde, outro detetive acompanhou-me até o banco em que eu trabalhava, a fim de verificar meu cofre particular, para ver se havia ali algo que incriminasse a Sociedade. Mas, tudo em vão.”

IMPOSIÇÃO DE CENSURA

Sem esperar pelo resultado da investigação, o Estado-Maior do Exército Suíço pôs A Sentinela sob censura preliminar. A Sociedade não podia consentir nisso. Como poderia o alimento espiritual da parte de Jeová ser censurado por militares deste sistema de coisas? Assim, foi descontinuada a publicação oficial de A Sentinela. Mas, os irmãos — agora já mais de mil — não sofreram carência espiritual por causa disso. Eles recebiam artigos datilografados e mimeografados para estudo pessoal, e estes eram passados de mão em mão nas congregações. Assim, eles acompanharam o passo da luz sempre crescente.

A fim de terem publicações para a distribuição no campo, porém, obteve-se permissão das autoridades da censura para imprimir a revista Consolação (ex-A Idade de Ouro) e folhetos. Os constantes pedidos das autoridades para que se usasse um palavreado cauteloso ao falar da situação mundial refletia o medo que tinham de seus poderosos vizinhos.

O irmão Jules Feller, que já trabalha em Betel há mais de 60 anos, era o encarregado de levar os manuscritos até o gabinete do censor. “Em geral eles não objetavam aos textos”, recorda. “Uma vez ou outra encontravam uma expressão muito direta e pediam para que fosse formulada de modo diferente. Naturalmente, as coisas podem ser ditas de vários modos sem diluir a verdade. Mas, certo dia fui recebido de maneira muito hostil. Os funcionários vituperaram as Testemunhas de Jeová, dizendo que elas simplesmente se beneficiavam do Estado sem nada quererem fazer em favor dele, como o serviço militar. Foi um verdadeiro ataque.

“Seguiu-se uma longa discussão. Por duas horas os quatro homens ali presentes me bombardearam com uma chuva de perguntas. Eu realmente constatei a veracidade das palavras de Jesus em Mateus 10:18, 19: ‘Sereis arrastados perante governadores e reis, por minha causa, em testemunho para eles e para as nações. No entanto, . . . não fiqueis ansiosos quanto a como ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de falar.’ A conversa resultou numa vitória para a verdade. Desde então, fomos tratados obsequiosamente, até o fim da guerra.”

A CONDENAÇÃO DO IRMÃO ZÜRCHER

Contudo, em resultado da investigação feita pelas autoridades militares, tomaram-se medidas contra o superintendente de filial, irmão Zürcher. Ele foi falsamente acusado de minar a disciplina militar e de desrespeitar a proibição de propaganda perigosa para o Estado. Passaram-se dois anos até que o julgamento foi finalmente realizado, em 23 e 24 de novembro de 1942. A fala do promotor militar mais parecia uma fustigante chuva de pedra. Ele chamou o irmão Zürcher de demagogo da pior espécie, que devia ser mantido atrás das grades. Foram feitas citações do livro Luz, Volume II, páginas 171-4, onde diz que o restante observará de um lugar seguro a grande matança dos que compõem a organização de Satanás, incluindo reis, capitães e homens poderosos. Visto que uma das acusações era de minar a disciplina militar, era evidente por que tal declaração suscitou a ira do promotor. Ele trovejou: “Isto é furtar-se ao recrutamento e covardia militar no mais alto grau. Aqui os senhores têm um retrato da atitude deles para com o serviço militar suíço!”

O advogado de defesa, Sr. Johannes Huber, um altamente respeitado parlamentar e membro do Conselho Nacional, disse que nos seus 40 anos de exercício profissional jamais lidara com um processo num clima desses, de total preconceito. Segundo ele, esse julgamento realmente não era contra a pessoa acusada, mas sim contra as Testemunhas de Jeová como um todo. Tratava-se de um esforço para silenciá-las. Concluindo sua defesa, ele disse: “Assim, não se trata meramente de aceitar o mandato de um cliente, mas, apesar de nossas diferenças de opinião, achei que seria meu dever vir em apoio dessas pessoas tão mal-entendidas e contra quem essa amarga injustiça está sendo cometida. Por essa razão, peço ao tribunal que declare uma absolvição.” Não obstante, o irmão Zürcher foi condenado a dois anos de trabalhos forçados na prisão e teve cassados certos direitos civis.

O nosso advogado entrou com uma apelação junto ao Tribunal de Recursos. A decisão final saiu no dia 16 de abril de 1943. O veredicto foi mudado para um ano de trabalhos forçados, suspensão da sentença e a perda de alguns direitos civis por cinco anos. Diante das circunstâncias prevalecentes, era uma sentença extremamente branda.

CORTARAM-SE AS COMUNICAÇÕES COM BROOKLYN EM 1942

Logo desde o início das hostilidades, todas as cartas endereçadas à Sociedade eram censuradas, mas, quando os Estados Unidos entraram na guerra, todas as comunicações com a sede da Sociedade em Brooklyn, EUA, foram cortadas. Assim, a edição em inglês de A Sentinela foi recebida somente até o número de 1.º de outubro de 1942, que continha o artigo “A Única Luz”. Não sendo mais possível receber as edições em inglês, como é que a filial obteria alimento espiritual para os irmãos sob sua supervisão?

Jeová cuidou de que fosse possível entrar em contato com a filial na Suécia, outro dos poucos países europeus não envolvidos na guerra. De lá obtínhamos exemplares correntes de A Sentinela, mas em sueco! Não havia ninguém dentre os irmãos suíços que conhecesse esse idioma, mas, uma certa similaridade entre o sueco e o alemão era evidente. Animada com este fato, Alice Berner, agora na filial da Alemanha mas naquele tempo membro da família de Betel em Berna, passou a estudar sueco. Dentro de relativamente pouco tempo ela era capaz de traduzir A Sentinela para o alemão, e assim foi possível suprir os irmãos de alimento espiritual durante os próximos dois anos. Ao todo, 42 artigos e dois folhetos foram providos dessa maneira.

Terminada a guerra, a sede em Brooklyn enviou uma coleção completa de todos os artigos que haviam sido publicados na Sentinela em inglês durante o período da interrupção. Quantos artigos os irmãos suíços perderam durante a guerra? Nem um único sequer! O primeiro número recebido em sueco continha os artigos do número em inglês seguintes ao artigo “A Única Luz”. O fluxo de águas da verdade tinha sido ininterrupto durante todos aqueles anos de guerra! Certamente, pode compreender quão gratos éramos a Jeová, o grande Provisor! — Veja Gênesis 22:14.

PROBLEMAS FINANCEIROS

Jeová cuidou de seu povo não só em sentido espiritual, mas também material. Não obstante, havia problemas financeiros. Por quê? O apoio da obra vinha de contribuições voluntárias, e muitos irmãos sofriam sérios apertos financeiros durante os anos de guerra. Também, visto que paramos de imprimir A Sentinela e nenhuma publicação podia ser enviada a outros países europeus, recebeu-se menos dinheiro dessa fonte. Sob tais circunstâncias, não havia serviço suficiente para todos os membros da família de Betel, assim, vários irmãos e irmãs manifestaram sua disposição de deixar Betel, embora fossem unânimes em dizer que seus anos em Betel haviam sido os mais felizes de sua vida.

Contudo, sérios problemas financeiros persistiam. Esta situação obrigou, entre outras coisas, a reduzir a mesada dos trabalhadores de Betel e das fazendas para 10 francos suíços (uns 80 cruzados) por mês, todavia, os irmãos concordaram com essa medida de economia sem se queixar.

UM LIVRO NA COR DE SUA PREFERÊNCIA

Durante a guerra, realizou-se um emocionante congresso em Zurique, em 1942. No domingo de manhã, as primeiras fileiras de assentos no salão estavam ocupadas por radiantes faces juvenis! Este seria um evento especial para esses jovens. Num discurso dirigido especialmente para eles, foram exortados a serem diligentes, obsequiosos, prestativos e bondosos, e acima de tudo, a obedecerem seus pais, conforme aconselha a Bíblia. No fim do discurso foi lançado o livro Filhos, e cada um desses jovens receberia um exemplar grátis.

Irmãos subiram ao palco, cada qual com um suprimento de livros em nove diferentes cores. Daí, todos os jovens foram convidados a subir ao palco, onde cada qual recebia um livro na cor de sua preferência. Que alegria foi isso para eles! Mais de 400 livros foram entregues a essas prospectivas Testemunhas. Um bom número desses jovens se tornaram trabalhadores zelosos e ainda estão ativos na organização de Jeová.

A ESCOLA DO MINISTÉRIO TEOCRÁTICO SUBSTITUI O FONÓGRAFO

Em 1944 foi introduzido um novo arranjo nas congregações suíças, a Escola do Ministério Teocrático. No início daquele ano tal treinamento fora introduzido no Betel de Berna. Nos meses seguintes, esse curso de oratória pública, com acompanhantes sugestões úteis sobre como apresentar a mensagem do Reino aos moradores, foi implantado nas congregações em todo o país. À medida que os irmãos aprimoravam a sua habilidade de explicar as boas novas, as gravações em discos foram gradativamente substituídas pelas apresentações breves dos próprios publicadores.

Muitas Testemunhas receberam com a maior satisfação essa mudança no método de pregar, visto que algumas achavam que um pesado fonógrafo e uma pasta ou bolsa cheia de literatura era muita coisa para carregar no serviço de campo. Mais do que isso, a mudança significou progresso na qualidade de nosso ministério.

FIM DA GUERRA À VISTA

No dia 6 de junho de 1944 começou a invasão das tropas aliadas na Normandia, França, e no dia 15 de agosto as forças militares aliadas fincaram pé na costa francesa do Mediterrâneo. Com a crescente evidência de iminente derrota do nazismo e vitória das forças aliadas, as autoridades na Suíça começaram a relaxar as medidas impostas contra as Testemunhas de Jeová e a Sociedade. Aconteceu como fora predito em Revelação 12:16: “A terra [potências democráticas mais estáveis] veio em ajuda da mulher, e a terra abriu a sua boca e tragou o rio [de oposição totalitarista] que o dragão lançou da sua boca.”

Os irmãos de responsabilidade na filial suspiravam de alívio! O irmão Rutherford os instara a evitar, se possível, a proibição total da obra e o fechamento da filial na Suíça. Eles haviam experimentado muitas situações precárias, mas agora o pior já passara. A filial ainda funcionava e a obra estava de pé! Os irmãos se sentiam como Davi quando compôs o Salmo 34:19: “Muitas são as calamidades do justo, mas Jeová o livra de todas elas.”

Não demorou muito e as publicações confiscadas pelo Alto-Comando do Exército Suíço, em julho de 1940, foram devolvidas à Sociedade. Os soldados levaram vários dias para fazer uma contagem exata das publicações. Todas estas foram depois bem utilizadas no campo.

Como se sentiria se, depois de quatro anos de interrupção, tivesse novamente em suas mãos um exemplar impresso de A Sentinela? Bem, os irmãos de língua alemã e francesa ficaram contentíssimos quando, a partir de 1.º de outubro de 1944, a revista era de novo publicada regularmente, embora apenas uma vez por mês. Mais ou menos um ano depois passou novamente a ser publicada quinzenalmente.

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ACABARA, MAS A NOSSA LUTA CONTINUAVA

No dia 8 de maio de 1945, as nações ocidentais comemoraram o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, mas na Suíça a batalha pela liberdade de adoração e pelo direito de pregar continuava. Na maior parte do país gozávamos de maior liberdade de ação do que durante a guerra, mas, nas regiões católicas ainda havia muita oposição.

Por exemplo, quando o discurso público “Será o Homem Bem-sucedido como Construtor do Mundo?” estava sendo proferido na cidade de Zug, em janeiro de 1946, a polícia apareceu de repente no salão e interrompeu o orador. A Sociedade moveu ação legal, levando a causa à Suprema Corte Federal em Lausanne. Como resultado, a proibição inconstitucional imposta pelas autoridades em Zug foi revogada, e as reportagens nos jornais traziam manchetes tais como: “Testemunhas de Jeová Conquistam Seu Direito” e “A Liberdade de Adoração Deve Ser Mantida”. Mas, esteja certo de que a imprensa católica não falou desse veredicto de modo tão positivo.

AJUDA PARA OS IRMÃOS NA ALEMANHA

Quando se soube da aflitiva condição de nossos irmãos fiéis que saíam dos campos de concentração, os irmãos suíços ‘não fecharam a porta de suas ternas compaixões’. (1 João 3:17) Eles se mobilizaram num programa de assistência, no espírito das primitivas comunidades cristãs. (Atos 11:29, 30; 2 Cor. 8:1-4) Grandes quantidades de roupas e de utilidades domésticas foram doadas, e algumas irmãs ofereceram seus préstimos para cuidar de que todos os itens estivessem em boas condições. Finalmente, 444 caixas com peso líquido total de umas 25 toneladas foram enviadas à Alemanha em 1946 e 1947. O valor desse programa de assistência chegou a mais de 262.000 francos suíços (835.000 cruzados). “Quando soubemos da alegria e da gratidão de nossos irmãos alemães, sentimo-nos muito felizes e grandemente recompensados pelo trabalho extra que essa campanha exigira de nós”, lembra-se uma irmã que ajudou nessa campanha.

Por mais necessária que fosse a ajuda material, havia também grande necessidade de alimento espiritual para fortalecer os irmãos e dar-lhes um bom início na atividade pós-guerra. Portanto, a filial na Suíça enviou também publicações bíblicas à Alemanha, e consideramos um grande privilégio ter contribuído um pouco para a reconstrução da obra na Alemanha.

A LONGAMENTE AGUARDADA VISITA DO IRMÃO KNORR

Mal podíamos aguardar a primeira visita do presidente da Sociedade após a guerra. Haviam-se passado oito anos cheios de acontecimentos e Nathan H. Knorr tornara-se presidente. A sua visita a Berna, em 1945, foi muito breve, mas ele voltou em maio de 1947. Desejando fazer disso um grande evento, planejamos uma assembléia no belo Salão de Convenções, em Zurique.

“O Gozo de Todo o Povo” foi o tema de seu discurso público na sexta-feira de noite, no congresso. Os publicadores realmente mostraram muita alegria na distribuição de 100.000 convites, na colocação de cartazes, e ao desfilarem pelas ruas da cidade portando cartazes. Os jornais também anunciaram o discurso público. Queríamos que todos em Zurique soubessem do acontecimento!

Chegado o dia, 1.540 pessoas ouviram o discurso. No final da reunião, foi dado um folheto a cada um dos não-Testemunhas. Visto que foram distribuídos 800 folhetos, concluímos que a maioria dos presentes eram pessoas interessadas que haviam aceito o nosso convite. Isto sem dúvida era animador.

ÊNFASE AO SERVIÇO DE PIONEIRO

Desde os tempos dos primitivos colportores, sempre houve alguns fiéis pregadores de tempo integral que trabalhavam, quer em territórios de língua alemã, quer nos de língua francesa. Mas, admitidamente, eram muito poucos. Por exemplo, dentre os 1.462 publicadores, em 1945, havia apenas três pioneiros! O irmão Knorr achou este número desproporcional às muitas oportunidades que o país apresentava. Ele concluiu que um fator contribuinte para esse baixo número de pioneiros era que muitas publicações eram deixadas gratuitamente com o morador, para evitar conflitos com a legislação sobre venda ambulante, obrigando assim os próprios publicadores a arcarem com todos os custos e despesas da pregação.

A observação dele estava certa. Alguns irmãos realmente tiveram de deixar a pregação por tempo integral porque não podiam arcar com as suas despesas. A fim de ajudar os que pudessem trabalhar de pioneiro, o problema de pedir pelas publicações uma contribuição voluntária tinha de ser resolvido.

COMO RESOLVÊ-LO?

Em companhia do irmão Knorr viajava Hayden Covington, na época o advogado da Sociedade em Brooklyn. No congresso, ele explicou que nos Estados Unidos os irmãos haviam recorrido aos tribunais em busca do direito de aceitar contribuições voluntárias, sem a necessidade de licença fiscal, para as publicações distribuídas em conexão com a pregação do evangelho. A filial na Suíça teria de lutar nos tribunais pelos direitos e privilégios do ministério cristão até que esse assunto fosse esclarecido. Teria de ser uma ação unida de todos os publicadores na Suíça. A disposição deles de cooperar ficou evidenciada pelos entusiásticos aplausos. Aquela assembléia em Zurique foi um marco na história da obra do Reino na Suíça.

A QUESTÃO DA VENDA AMBULANTE SEM LICENÇA

Já na década de 30, irmãos haviam sido presos e multados por “vendas ambulantes sem licença”. Agora, com o encorajamento recebido no congresso de Zurique, essa questão seria resolvida. Como o apóstolo Paulo fizera na antiga Filipos, os irmãos iriam ‘defender e estabelecer legalmente as boas novas’. — Fil. 1:7.

Os publicadores haviam de novamente aceitar contribuições voluntárias pelas publicações colocadas no ministério de campo. Imediatamente, houve uma avalancha de denúncias policiais por todo o país. Mas, a Sociedade estava decidida a forçar a questão. Qual foi o desfecho?

A Alta Corte no cantão majoritariamente protestante de Berna, por exemplo, há muito sustentava o conceito de que colocar publicações à base de contribuições voluntárias estava sujeito à legislação sobre vendas ambulantes. Por décadas, esse tribunal decidira contra nós. Agora, em 1948, um irmão foi novamente multado em 20 francos suíços (170 cruzados) por um tribunal inferior e a causa foi levada à Alta Corte. Desta vez houve um avanço! Dando seu parecer, a Alta Corte de Bernese declarou:

“Pondo de lado o fato de que não houve lucro algum, nada existe na conduta do acusado que revele algum traço profissional na sua atividade. Não pode ser estabelecido que houve a intenção de obter lucro — seja para si mesmo, seja em favor das Testemunhas de Jeová — por meio de vendas ambulantes. As circunstâncias permitem a conclusão de que o acusado, descartando qualquer instinto egoísta, agiu exclusivamente à base de um objetivo nobre e altruísta. A oferta dos folhetos não foi feita na expectativa de receber um pagamento compensatório que cobrisse pelo menos o custo da produção. A melhor recompensa do acusado consistia evidentemente no aumento do número de adeptos da seita e na reação favorável à evangelização. Se é verdade que a legislação sobre vendas ambulantes visa proteger o público contra aqueles que o desejam molestar, seria, contudo, uma exageração impedir propaganda religiosa de casa em casa sob o manto da lei sobre o comércio de mercadorias, e assim violar a liberdade de opinião garantida pela Constituição.”

Com esta absolvição, a Alta Corte de Bernese reverteu sua diretriz jurídica mantida por 40 anos com respeito a essa questão. Embora essa decisão não se aplicasse a outros cantões, mostrou ser de profundo interesse para muitos tribunais em outros cantões.

A MAIS DURA LUTA NO CANTÃO DE VAUD

O mais longo e persistente conflito sobre esse assunto de vendas ambulantes foi no cantão de Vaud, de língua francesa. Em 1935, fora feita ali uma emenda na legislação sobre vendas ambulantes. Essa emenda dizia que a oferta de mercadorias, cujo preço, em vez de ser fixo, ficasse ao critério do comprador, constituía venda ambulante. O procurador do estado em Lausanne gostou dessa emenda como base para processar as Testemunhas de Jeová.

Em 1948, a Corte Distrital de Payerne multou um pioneiro, Jean Siegenthaler, sob acusação de mascatear sem licença. Apelou-se junto à Alta Corte, que confirmou a decisão do tribunal inferior, a saber, que a atividade do apelante era exatamente a atividade a qual tal lei se referia.

Na esteira dessa decisão seguiu-se uma luta pelos nossos direitos e pela nossa liberdade que havia de durar por mais de cinco anos. Na maioria dos casos, as Cortes Distritais de menor instância protegiam o nosso direito por nos absolver. Mas, o procurador do estado era muito antagônico e apelava das causas à Suprema Corte, que revertia a decisão do tribunal inferior. A Sociedade até mesmo levou uma causa à mais alta autoridade judicial, a Suprema Corte Federal. Mas, vergonhosamente, esta rejeitou examinar o processo.

UM CORAJOSO JUIZ OUSA DISCORDAR

Daí, em 3 de setembro de 1951, foi levada uma causa à Corte Distrital de Lausanne. Dizia respeito a Gilberte Schneeberger. As esperanças de ganhar essa causa eram poucas, e a Sociedade decidira dispensar os serviços de um advogado. Pode imaginar como se sentia essa jovem pioneira, sentada sozinha na sala do tribunal?

O juiz, o Sr. Zweifel, entrou. Depois de abrir a sessão, ele disse num tom paternal: “Minha querida jovem, o seu caso é idêntico ao que foi decidido desfavoravelmente pela Suprema Corte Federal. Eu estou amarrado à lei e não posso mudá-la.”

Daí, a nossa jovem irmã levantou-se e perguntou se podia defender-se.

“Naturalmente, senhorita, naturalmente. Pode começar.” O juiz reclinou-se na cadeira e se concentrou na exposição da jovem. Ela leu um memorando preparado pelo Departamento Jurídico da Sociedade.

Os argumentos deixaram o Sr. Zweifel muitíssimo impressionado. Ele realmente passou a ter dúvida (Zweifel, em alemão), e adiou o proferimento da sentença. Dois dias depois ela saiu: Absolvição!

Que surpresa! Isto exigiu verdadeira coragem da parte do Sr. Zweifel. Além do mais, ele ousou qualificar a decisão da Alta Corte, bem como da Suprema Corte Federal, de questionável e insatisfatória. O que traria o futuro?

UM CLÉRIGO SINCERO DEPÕE EM NOSSO FAVOR

Algum tempo depois, houve um outro processo na Corte Distrital de Aigle. Ali, entre outros, um pastor protestante foi chamado para depor. Esse pastor havia adquirido dois livros do publicador e lhe dado 4 francos suíços (33 cruzados) como contribuição voluntária. Esse pastor deixou bem claro no tribunal que a Testemunha de Jeová o contatara, não visando vender livros, mas sim para falar sobre assuntos religiosos. O pastor definitivamente encarava aquele jovem publicador como evangelista, não como mascate. O publicador foi absolvido.

Por outro lado, Karl Maurer, fiel pioneiro em Payerne, teve de passar um dia e uma noite na prisão porque não quis pagar a multa que lhe fora imposta.

DURO PROCURADOR DE ESTADO FINALMENTE PERDE A BATALHA

Tal conflito finalmente teve uma solução definitiva em 1953. O procurador de estado, querendo derrotar as Testemunhas de Jeová e irritado com o fato de que tribunais inferiores ignoravam a diretriz negativa de tribunais superiores, repetidas vezes recorrera de determinadas causas em que tribunais inferiores haviam absolvido o acusado. Assim, pela quarta vez desde 1948, a Alta Corte do cantão de Vaud teve de enfrentar a mesma questão.

Mas desta vez aconteceu o inesperado: O tribunal, composto de um novo grupo de juízes, examinou o assunto a fundo e concluiu unanimemente, em 26 de janeiro de 1953, que a atividade das Testemunhas de Jeová não pode ser considerada venda ambulante. O recurso do procurador de estado foi recusado. Finalmente, a Alta Corte do cantão de Vaud achara o caminho para uma diretriz correta e liberal, em harmonia com o espírito e a letra da legislação sobre comércio!

Esta vitória encerrou um capítulo emocionante da história da obra das Testemunhas de Jeová na Suíça. É um testemunho da destemida atitude dos publicadores e do amor à liberdade de muitos juízes. Acima de tudo, evidencia as bênçãos de Jeová sobre seus servos que zelosamente lutaram pelos seus direitos dados por Deus, e pela liberdade de adoração.

A NEUTRALIDADE AINDA ERA UM DESAFIO

Já lhe contamos como se saíram os irmãos que assumiram posição neutra durante a Segunda Guerra Mundial. Embora a Suíça não estivesse envolvida ativamente na guerra, e solenemente declarasse a sua neutralidade, o país mui incoerentemente condenava e aprisionava cidadãos que reivindicavam esse mesmo direito para si mesmos e por motivos religiosos.

As sentenças eram mais brandas depois da guerra, porém, as condenações sucessivas ainda eram a ordem do dia. Mas, com o tempo, o interesse do público pelo problema dos “objetores de consciência” tornou-se cada vez maior, e a imprensa falava muito sobre isso. São interessantes as declarações do ex-Chefe do Estado-Maior do Exército Suíço, Jorg Zumstein, sobre processos que envolviam pessoas que recusavam prestar serviço militar. Em fevereiro de 1984 ele foi citado num jornal como tendo declarado:

“Eu assisti a essas audiências porque queria ver o que se passava. Os processos que envolviam Testemunhas de Jeová se distinguiam por um certo nível, também da parte dos réus. Essas pessoas, bem como seus parentes, apareciam no tribunal com trajes de domingo; defendiam a sua causa de maneira digna. Os juízes conheciam a posição delas e aplicavam a punição que se tornara rotineira, cinco ou seis meses. As Testemunhas de Jeová de algum modo aceitam que o Estado puna pessoas que não atendam às demandas do Estado. Mas elas não tratam o Estado como se fosse um ‘porco sem-vergonha’, como é o caso de muitos outros que nos dias de hoje comparecem perante tribunais militares.”

Este afã para se encontrar uma solução para o problema dos “objetores de consciência” teve, não obstante, um efeito sobre os tribunais militares. Hoje, as sentenças variam de três a cinco meses de prisão, e em geral os irmãos são dispensados de ulteriores obrigações militares por ocasião de sua condenação. Em muitos casos, os irmãos cumprem a pena trabalhando em hospitais ou asilos durante o dia, retornando à cela apenas para passar a noite. Mas, ainda ocorrem todo ano uns 60 a 70 processos perante tribunais militares, envolvendo especialmente jovens irmãos que assumem sua posição neutra.

‘Como soldados excelentes de Cristo Jesus’, esses jovens irmãos ‘participam em sofrer o mal’ pela causa da neutralidade cristã. (2 Tim. 2:3) Oferecem-se voluntariamente para fazer o serviço exigido por Deus. É exatamente como disse certa vez a irmã Adele Reichenbach, uma das primeiras Testemunhas ungidas na região alpina de Gstaad. Ao revisitar a esposa de um coronel do exército, ele mesmo atendeu à porta, devolveu o livro que sua esposa adquirira e disse desdenhosamente: “Vá embora e leve junto esse lixo, seus recusadores de serviço militar!” A irmã Reichenbach respondeu: “Meu senhor, nós fazemos o serviço que os senhores recusam fazer.”

ESFORÇOS PARA ALCANÇAR “TERRITÓRIOS NÃO DESIGNADOS”

De 1952 em diante, fizeram-se esforços especiais para pregar em “territórios não designados”. A maior parte destes eram vales e zonas rurais remotas, vilarejos em que havia grandes igrejas e crucifixos ostensivamente colocados cá e acolá ao longo do caminho. A firme população católica dessas regiões talvez tivesse recebido algum tratado no passado, mas, em alguns desses lugares de difícil acesso nunca fora dado um testemunho cabal.

Algumas dessas pessoas nunca haviam ouvido falar sobre as Testemunhas de Jeová, e muitos jamais haviam visto uma Bíblia, muito menos possuído uma. Era território virgem! Os publicadores participaram nessa atividade com coragem e entusiasmo. Em muitos lugares, surpreenderam-se com o êxito alcançado. Surpresos também ficaram os clérigos, que não esperavam essa invasão daquilo que consideravam pastos de sua propriedade exclusiva! Fizeram tudo ao seu alcance para advertir seus rebanhos a não aceitarem publicação alguma, ou então a queimá-las e chamar a polícia. Num vilarejo, cerca de 50 jovens católicos foram de casa em casa para recolher publicações deixadas pelas Testemunhas. Houve ameaças e até mesmo agressões físicas.

Num caso, depois que um irmão testemunhara a um aldeão, este rapidamente telefonou para dar queixa à polícia. Contudo, a resposta que obteve não foi a que esperava: “Deixe essa gente continuar em paz com seu trabalho; eles conhecem a lei melhor do que nós, e sabem exatamente o que podem e o que não podem.” A nossa luta pela liberdade de adoração não deixara de alcançar seu objetivo!

“MENSAGEIROS DA IGREJA” AJUDAM A SUSCITAR INTERESSE

Às vezes, os esforços do clero para privar os paroquianos da verdade saíam pela culatra. Foi o que aconteceu com certo casal. Quando dois jovens pioneiros o visitou, a esposa ouviu atentamente à apresentação e os convidou a entrar. “Isto interessará a meu marido”, disse ela. Por cerca de uma hora o casal acompanhou com inusitado interesse a explicação bíblica dos pioneiros sobre o estabelecimento de um novo sistema a ser implantado por Deus. Ficaram com publicações bíblicas e providenciou-se uma nova visita. Logo, estavam bem enfronhados no estudo da Bíblia.

Depois da terceira visita, o marido revelou a razão de seu interesse inicial: “Acontece que eu li um pequeno artigo sobre as Testemunhas de Jeová no Mensageiro da Igreja. O artigo dizia que se dois jovens viessem à nossa casa, bem trajados, maneirosos, trazendo a interpretação bíblica de sua religião, nós não os deveríamos escutar; deveríamos simplesmente dizer que já temos a nossa religião e que o nosso pastor nos ensina tudo o que é necessário, e daí fechar a porta. Mas, sou um homem livre, e quero examinar as coisas pessoalmente. Foi por isso que dei atenção a vocês.”

Este jovem casal fez bom progresso, passou a assistir a reuniões e logo participava no serviço de campo. Simbolizou também a sua dedicação a Jeová. Fora o Mensageiro da Igreja quem dirigira a atenção deles para a verdade!

Havia também exceções entre o clero — os que admitiam que seu rebanho precisava de ajuda e que as visitas das Testemunhas de Jeová os poderiam beneficiar. Por exemplo, certo ministro publicou o seguinte artigo no jornal de sua igreja:

“Caras Testemunhas de Jeová:

“Sou-lhes realmente muito grato, muito grato mesmo, de que vocês tão corajosamente vão de casa em casa na nossa comunidade. Talvez não sejam bem recebidos em toda a parte, não obstante, fizeram com que o nosso povo mais uma vez talvez se lembrasse — apenas talvez — de que:

“Além de pão e entretenimento, além de alegria e de pesar, de sucesso e de fracasso, além da luta pela existência e pelos negócios, de trabalho e de recreação, existem também coisas tais como religião, fé, crença em Jesus Cristo. A visita de vocês já é em si mesma um poderoso sermão! . . . Talvez tenham ouvido a resposta: ‘Obrigado, não precisamos de nada, temos a nossa igreja.’ Mas, permitam-me pedir-lhes que, quando as pessoas lhes derem essa resposta, perguntem-lhes: ‘Mas, exatamente em que é que o senhor ou a senhora crê?’

“Como podem ver, é por isso que lhes sou tão grato. Talvez cá e acolá terão êxito em despertar o nosso povo. Mas, convenhamos, não quero ser injusto, e admito que eu também preciso dessa visita, para despertar a mim mesmo, tanto quanto eles precisam. Admiro a sua coragem . . . Todo respeito por tal atividade devotada; meus cumprimentos por sua boa vontade! Creio que todos nós temos muito a aprender disso.”

A INSTALAÇÃO DE LARES MISSIONÁRIOS

Os primeiros missionários formados em Gileade que em 1947 chegaram à Suíça foram três irmãos e uma irmã da nossa própria filial que haviam sido convidados para a oitava classe, e que depois foram designados de volta para a Suíça. O seu treinamento foi de grande ajuda na crescente atividade na filial e no campo. Hoje, 40 anos depois, três daquele grupo ainda são membros da família de Betel — Fred Borys e Willi Diehl na Suíça, e Alice Berner na Alemanha, desde 1956.

Em 1948 chegaram outros missionários. Charles Renye e Raymond Leistikow foram designados para o serviço de circuito, e se esforçaram muito em aprender alemão, para poderem cumprir sua designação. Dois casais dos Estados Unidos, Robert e Elaine Honey e William e Ione Strege, foram enviados a Genebra, onde foi instalado o primeiro lar missionário, em 1950. Fizeram grande esforço para dominar o idioma francês, a fim de poderem trabalhar com os irmãos locais. Franziska Trackova, da 15.ª turma de Gileade, serve atualmente como fiel missionária em Lausanne. O esforço conjunto desses missionários teve efeito benéfico sobre a congregação em Genebra, como indica o aumento que ali ocorreu.

A congregação em Lausanne passou a sentir verdadeiro entusiasmo em 1951, quando abriu-se ali um lar missionário para quatro irmãs da 17.ª turma. Essas moças extrovertidas ajudaram em especial as irmãs a melhorarem suas apresentações às portas por usarem um tema.

NOVO SUPERINTENDENTE DE FILIAL

No decorrer dos anos, vários irmãos fiéis exerceram valiosa supervisão da obra na Suíça como superintendentes de filial. Até 1953 Franz Zürcher cuidou dessa designação. Daí decidiu-se que chegara o tempo para transferir a carga de responsabilidade para ombros mais jovens. Filip Hoffmann foi enviado da Alemanha. Substituído em 1957 por Jules Feller, o irmão Hoffmann serve agora na filial da Dinamarca. Em 1963, Günter Kulschewski foi incumbido de supervisionar a filial na Suíça. E, em 1.º de novembro de 1965, Willi Diehl foi designado para essa função.

O irmão Diehl começara seu serviço de tempo integral em 1931 no Betel em Berna, operando uma pequena impressora. Quinze anos depois foi convidado para cursar a Escola de Gileade. Depois de se casar, ele e sua esposa trabalharam como pioneiros por dois anos. Também serviu como superintendente de circuito e de distrito. Em 1964 foi convidado para cursar Gileade novamente, junto com sua esposa, para se beneficiarem de um curso mais extensivo. Tudo isso proveu excelente experiência para seu trabalho como superintendente de filial.

Como em todas as outras filiais da Sociedade, a Suíça tem uma Comissão de Filial desde 1976. Willi Diehl é o coordenador, e os outros membros são Armin Beetschen, Jean-Jules Guilloud, Lars Johansson e Hans Klenk.

O CANTÃO DE TICINO RECEBE ATENÇÃO

No ensolarado sul da Suíça, entre os Alpes e a fronteira com a Itália, fica o cantão de Ticino. Ali fala-se italiano, e quase todos os habitantes são católicos. Não foi fácil a mensagem do Reino consolidar-se ali, mas, a Sociedade cuidou de dar atenção ao mínimo interesse que porventura ali se encontrasse. Pouco imaginavam os irmãos que rica colheita haveria!

Andreas Monstein, de ascendência teuto-suíça mas que falava italiano, fora enviado para Lugano em 1944. Ele trabalhou o território, cuidou de alguns grupinhos de interessados e proferiu discursos públicos. Foi um começo pequeno, mas não para ser desprezado. — Zac. 4:10.

Com o tempo, outros pioneiros ajudaram a lançar as sementes da verdade em várias partes de Ticino. Era um trabalho árduo; as pessoas desconheciam totalmente a Bíblia e muitos estavam enlaçados pela superstição e pelo medo do clero. Mas, o pequeno grupo de publicadores perseverou, e finalmente veio ajuda duma fonte inesperada.

MISSIONÁRIOS DA ITÁLIA

Quando vários missionários de Gileade foram subitamente obrigados a deixar a Itália, eles fixaram residência em Ticino. Com o tempo, a maioria desses missionários puderam voltar para a Itália, ou saíram por outras razões, mas no ínterim, foi lançada a base para a formação de várias congregações. Um missionário que por muito tempo será lembrado foi Angelo Fraese. Ele ficou no lar missionário em Lugano por uns 20 anos, e às vezes por brincadeira era chamado de “o anjo da congregação em Lugano”!

Muitos anos passaram desde que foi dado o primeiro testemunho em Ticino, e muito mais pregação tem sido feita desde então. Com que resultados? Hoje há ali 11 prósperas congregações, com ao todo uns 950 publicadores. Só em Lugano há quatro ativas congregações, e as possibilidades ainda não se esgotaram!

A PREGAÇÃO AOS “TRABALHADORES IMIGRANTES”

Houve um grande surto econômico na Suíça, depois da guerra. A força de trabalho suíça detinha o que era considerado os melhores empregos, mas, quem executaria as tarefas mais humildes? Nos países dilacerados pela guerra a oferta de mão-de-obra era abundante, assim, começou uma onda de imigração. Em fins de 1968, os estrangeiros residentes somavam 983.000, o que representava 15 por cento da população total. A maioria desses “trabalhadores imigrantes” veio da Itália. Ao realizarem seu ministério, nossos irmãos logo se depararam com italianos por todo o país. Muitos destes interessaram-se pela verdade.

Um caso típico aconteceu com Rudolf Wiederkehr. Ele contatou um trabalhador italiano numa velha casa em Hunzenschwil. Nenhum dos dois conhecia bem o idioma do outro, assim, o que se poderia fazer? Nosso irmão simplesmente deixou com ele um exemplar da Sentinela em italiano. Apesar do problema do idioma, o irmão Wiederkehr voltou. Quando o italiano o viu, rapidamente apanhou aquele exemplar de La Torre di Guardia, e disse com olhar radiante: “Questo è la verità!” (“Esta é a verdade!”). Incentivado por essa reação, o irmão arranjou três exemplares do livro “Seja Deus Verdadeiro” em italiano e iniciou um estudo com esse homem, Signor Pelagatti, sua esposa e seu filho Gianni, de 12 anos. A família lia no livro em italiano, ao passo que o irmão Wiederkehr acompanhava na edição em alemão. Quando as palavras faltavam, usavam-se gestos profusamente! Às vezes, o menino, que estudava alemão na escola, servia de intérprete.

O estudo com a família Pelagatti recebeu a adesão da filha mais velha e de seu esposo, Signor Trombi. Todos os cinco fizeram bom progresso. Ao terminarem de estudar o livro, a família inteira espontaneamente cortou suas ligações com a Igreja Católica e simbolizou sua dedicação a Jeová. Como Testemunhas zelosas, serviram de instrumento para ajudar muitas outras famílias italianas a aprender a verdade. Agora, o irmão Pelagatti sênior dorme na morte, mas Gianni e sua família ainda continuam como fiéis Testemunhas na congregação italiana em Reinach, e a família Trombi está ativa perto de Parma, Itália. E como se sente o irmão Wiederkehr? “Não podem imaginar a alegria que essa experiência ainda me dá!”, diz ele.

TESTEMUNHO INFORMAL COM RESULTADOS DE LONGO ALCANCE

Em Lucerna, Irène Frenzel (que trabalhou muitos anos como pioneira nessa região) mencionou casualmente a seu cabeleireiro italiano que ela iria aos Estados Unidos assistir ao congresso de 1953 das Testemunhas de Jeová. O cabeleireiro nunca ouvira falar das Testemunhas de Jeová e perguntou do que se tratava. Marcou-se uma palestra para após o expediente, e com a ajuda de uma irmã de língua italiana, iniciou-se um estudo.

O cabeleireiro, Bruno Quilici, estava muito ansioso de aprender, mas, ao mesmo tempo, defendia as suas crenças católicas. Houve acaloradas argumentações, a favor e contra o inferno de fogo. “Fomos ensinados de que existe um inferno!”, bradava ele repetidamente, dando murros na mesa. Mas, por fim, a Bíblia triunfou sobre a doutrina falsa, e o Sr. Quilici ficou tão absorto na Bíblia que queria o estudo duas vezes por semana. Durante todo esse tempo ele ainda cantava na igreja. Mas, com o tempo, libertou-se dos grilhões da adoração falsa e dedicou-se ao Deus da verdade, Jeová. Mas, ouça ele mesmo relatar os resultados de seus empenhos:

“Primeiro, fiquei contentíssimo de que minha esposa, de ascendência teuto-suíça, também aceitou a verdade. Assim, pudemos criar nossos dois filhos segundo os princípios bíblicos. Quando nos mudamos para o cantão de Argóvia, eu era um dos primeiríssimos publicadores italianos naquela região, e senti-me na obrigação de pregar amplamente entre todos os trabalhadores italianos. Meus esforços foram recompensados à medida que numerosas famílias aceitaram a verdade e, quando penso nas sete congregações de língua italiana que surgiram com o passar do tempo, realmente agradeço a Jeová pela alegria que isto traz ao meu coração.”

Estava o irmão Quilici satisfeito apenas com os resultados no lugar onde morava? Não. Ele pensou também nos seus parentes na Itália. Ele diz: “Assim que pude, fui à Itália para suscitar interesse entre minha família. Não foi em vão. Duas de minhas irmãs carnais e suas famílias se tornaram as primeiras Testemunhas na região de Lucca. E hoje funcionam ali cinco prósperas congregações.”

No ínterim, o irmão Quilici aposentou-se e juntou-se à filha no serviço de pioneiro regular. O seu filho e nora também servem a Jeová por tempo integral.

INACREDITÁVEL AUMENTO RÁPIDO

Para os publicadores suíços, a pronta reação e o rápido aumento entre os italianos foi uma surpresa. Eles estavam acostumados a dirigir estudos que se arrastavam por anos, com os suíços — mas não era assim com os italianos! Quando entendiam um ponto do ensino bíblico, eles o aplicavam imediatamente. Não havia necessidade de convidá-los duas vezes para uma reunião, e raramente vinham sozinhos. Traziam parentes e amigos, e não havia medo do que os vizinhos pudessem pensar. Embora alguns tivessem de vencer oposição da parte de membros da família, o fato de estarem longe de sua pátria e um tanto isolados entre a população suíça, contribuiu muito para o rápido desenvolvimento das sementes do Reino lançadas em seus corações receptivos.

Segundo Arturo Leveris, havia nove congregações de língua italiana e vários pequenos grupos isolados para serem visitados quando ele começou o serviço no circuito de língua italiana, no início dos anos 60. Ele relata: “Logo brotaram congregações italianas por todo o país. Isto significava que, mesmo em regiões de língua alemã ou francesa, foram formadas congregações de italianos para cuidar do interesse entre seus compatriotas.” Com o tempo, formaram-se cinco circuitos italianos e assembléias de circuito bem concorridas deram ímpeto ainda maior à obra entre os italianos.

ANCIÃOS DE EXCELENTES QUALIDADES

Os laços familiares entre os italianos são mui estreitos. Um grande amor pelos filhos é típico, mas eles também têm grande respeito pelos pais idosos, e em geral cuidam bem deles. Estes sentimentos ternos aparentemente os ajuda a se tornarem bons anciãos na congregação, a grande família cristã. A atitude bondosa e obsequiosa, porém firme, dos anciãos têm contribuído muito para a expansão no campo italiano.

Eles dão bom exemplo por trazerem regularmente a inteira família às reuniões, aplicando assim o conselho em Hebreus 10:25 e Deuteronômio 31:12. Este bom costume é imitado pelos novos que comparecem, que também trazem seus filhos. Às vezes, talvez haja um pouco de inquietação e choro da parte de criancinhas que ainda não têm condições de captar as coisas ensinadas no Salão do Reino. Mas, é melhor tê-las ali do que deixá-las em casa. Com o tempo elas aprendem, e aumentam em sabedoria.

Muitas vezes o salão fica superlotado e o ar fica desagradavelmente quente. Mas, os irmãos pacientemente suportam isso, até que se encontre uma solução para o problema. Muitas congregações francesas e alemãs tiveram de arranjar um salão maior, não por causa de suas próprias necessidades, mas por causa da congregação italiana que usa o mesmo salão.

Típica dessa situação é a congregação em Neuchâtel. Havia uma congregação francesa e uma alemã nessa cidade. Mais tarde foi acrescentada uma italiana e uma espanhola, e daí foi formada ali a primeira congregação portuguesa no nosso país. Assim, o aumento no campo de línguas estrangeiras compeliu os irmãos a procurarem um local de reuniões mais adequado. Compraram um apartamento num edifício e o dividiram em dois Salões do Reino; estes agora são usados por cinco congregações!

DEPOIS DOS ITALIANOS, OS ESPANHÓIS

Outro grupo de “trabalhadores imigrantes”, bem menor do que o dos italianos, é o dos espanhóis. Publicadores alertas têm ajudado a muitos destes a se familiarizarem com a mensagem do Reino, como ilustrado pelo que conta Hans Bodenmann, de Basiléia:

“Certo dia, ao voltar de uma visita infrutífera, notei dois homens à beira da estrada, um deles lendo um livro que parecia ser a Bíblia. Cumprimentei-os e descobri que eram espanhóis. O livro era mesmo a Bíblia. Com alguma dificuldade, consegui que entendessem que eu voltaria na noitinha seguinte ao mesmo local, junto com alguém que falasse espanhol.

“Quando na noitinha seguinte cheguei ao local junto com o irmão Siegenthaler, que por muitos anos morara na Espanha, havia quatro espanhóis à nossa espera. Embora nunca antes tivessem tido contato com as Testemunhas de Jeová, eles de pronto aceitaram reunir-se uma vez por semana para estudo bíblico, numa casa particular.

“À primeira reunião compareceram seis pessoas, à seguinte, oito. Exibimos-lhes um dos filmes da Sociedade, que causou ótima impressão. No primeiro ano houve muitos altos e baixos. Alguns estudantes deixaram de assistir aos estudos, outros voltaram para a Espanha, mas foram substituídos por novos. Sentia-me feliz de ver Juan Pérez, um dos homens com quem originalmente falei à beira da estrada, bem como sua esposa, tornarem-se publicadores muito ativos.”

Em dezembro de 1969 o estudo de grupo espanhol foi transformado em congregação, a Basel-española, a segunda congregação espanhola na Suíça. (A primeira fora formada em Lucerna, em 1965.) Juan Pérez tornou-se superintendente da congregação. Daí, em maio de 1970, ele e sua esposa regressaram à Espanha para serem pioneiros especiais.

Mais congregações espanholas foram formadas e, desde 1972, formam um circuito próprio. Apenas 185 pessoas assistiram à primeira assembléia de circuito deles, mas, a partir de então, o circuito aumentou para 16 congregações, com ao todo uns 1.200 publicadores.

Com relação aos campos italiano e espanhol em nosso país, apreciamos ter irmãos que falam esses idiomas, além de outro que em geral se fala na Suíça. Por exemplo, Max Wörnhard, de ascendência germano-suíça, aprende línguas com facilidade. Ele tem família para cuidar, mas, mesmo assim, serve por tempo parcial em Betel e como superintendente de distrito para os circuitos italiano e espanhol.

OS FILMES DA SOCIEDADE AGRADAM

Não só os “trabalhadores imigrantes” espanhóis se beneficiaram das projeções dos filmes da Sociedade. Estes entusiasmavam a todos nós. Visto que muitos irmãos se associavam com congregações pequenas nas áreas rurais, achavam difícil visualizar o alcance mundial da obra de Jeová. Portanto, os vários filmes que mostravam irmãos de muitas raças e nacionalidades os impressionou muito, bem como o público. O que viram não era um grupo pequeno e insignificante, mas sim uma organização de âmbito mundial.

Houve muitos comentários favoráveis sobre as cenas que mostravam nossos irmãos de cor empenhados no serviço do Reino. Certa senhora ficou preocupada quando viu batizandos africanos serem imersos completamente vestidos. Ela pensou que eles pudessem pegar um resfriado por ficarem depois andando por aí com a roupa molhada no corpo. Ah!, mas a temperatura na África não é a mesma que na Suíça!

Esses filmes têm sido um meio excelente para atrair pessoas ao Salão do Reino para se tornarem testemunhas oculares do cumprimento das palavras de Jesus: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” — Mat. 24:14.

PIONEIROS PAVIMENTAM O CAMINHO EM LIECHTENSTEIN

A última coisa que lhe contamos sobre Liechtenstein foi a distribuição do folheto Fascismo ou Liberdade. O que aconteceu ali no belo Liechtenstein nos anos seguintes?

Uma pioneira, Helen Knechtli, foi designada para trabalhar ali, em 1956. Ela se estabeleceu em Buchs, no lado suíço do rio Reno, e diariamente cruzava a ponte para Liechtenstein. A pregação era feita de casa em casa apenas com a Bíblia, mas, quando algum interesse era encontrado, deixava-se publicações na revisita. A irmã Knechtli era uma pessoa muito amigável e paciente, e essas qualidades conseguiram boa receptividade por parte de muitos. Ela abriu vários estudos bíblicos domiciliares. Finalmente, a verdade criava raízes no Ländle!

Uns dois anos depois, Blanka Hertenstein, que cursara a Escola de Gileade, foi transferida da Áustria para a Suíça e designada para trabalhar no Liechtenstein. Ela organizou tão habilmente o seu trabalho que a polícia passou — num país de apenas 160 quilômetros quadrados — um ano e meio à sua procura, até que finalmente a encontrou! Aplicando o conselho de Cristo, de ‘mostrar-se cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas’, a irmã Hertenstein visitava algumas pessoas num território e daí passava para outro. (Mat. 10:16) Tendo um carro colocado à sua disposição por irmãos generosos, ela começava de manhã numa extremidade do país e pregava de povoação em povoação até chegar, no fim do dia, à outra extremidade. Assim, cada vez que a polícia era chamada e vinha à sua procura, Blanka havia desaparecido como se tivesse sido tragada pela terra!

Os policiais a proibiram de ir de casa em casa, mas ela já havia encontrado várias pessoas sinceramente interessadas na verdade, de modo que continuou a cuidar dessas. A polícia não podia proibir tais visitas pessoais.

O “PEQUENINO PAÍS” COMEÇA A DAR FRUTOS

Em 1961 foi batizada a primeira irmã de Liechtenstein, num congresso em Hamburgo. Um ano depois, havia sete publicadores do Reino e realizava-se um estudo semanal da Sentinela num lar particular.

Embora a Igreja Católica exercesse naqueles dias um rígido controle sobre a população, e soubesse usar astutamente o poder secular contra as Testemunhas de Jeová, a obra do Reino avançava. Em 1965 havia 11 publicadores ativos. Alguns destes depois se mudaram, e dois irmãos, que haviam vindo da Alemanha para servir onde a necessidade era maior, tiveram de deixar o país. Outros publicadores se tornaram inativos. Mas, a luz da verdade continuou a brilhar em Liechtenstein.

ARTIGO NA DESPERTAI! QUEBRA O PRECONCEITO

A Despertai! de 8 de agosto de 1966 (22 de novembro de 1966 em português), publicou um atraente artigo com o tema “Liechtenstein — Uma Jóia dos Alpes”. Essa edição foi distribuída em todo o país, e publicadores tanto da Suíça como do Liechtenstein participaram animadamente nessa campanha especial.

O artigo foi muito apreciado. As pessoas eram acessíveis e aceitavam com satisfação a revista. Gostaram da idéia de que a matéria sobre o seu país seria lida em todo o mundo, por pessoas de 26 diferentes idiomas (o número de idiomas em que Despertai! era publicada na época.) A Sociedade recebeu carta da assessoria de imprensa do governo agradecendo o excelente artigo.

Depois dessa campanha, os irmãos sentiram que o preconceito contra a obra das Testemunhas de Jeová diminuiu. Assim, desde 1966, a pregação enfrenta menos dificuldades.

A IRMÃ QUE TRABALHAVA NO CASTELO

Ao se aproximar da capital de Liechtenstein, de longe pode-se avistar o castelo sobressaindo entre as bonitas e bem cuidadas casas de Vaduz. Não, não se trata dum simples vestígio de séculos passados, mas esse castelo é a atual residência do príncipe reinante. De fato, o Principado de Liechtenstein é uma monarquia constitucional hereditária, com base democrática e parlamentar.

Aconteceu que Amalija, uma jovem da Iugoslávia interessada na verdade bíblica, empregou-se na casa do príncipe. Ela conhecera as Testemunhas de Jeová na sua terra natal, e tinha algum conhecimento da Palavra de Deus. Como é de costume, esperava-se que ela participasse de orações na capela do castelo, mas, por causa do que aprendera da Bíblia, ela declinou disso. “Sua Majestade ficará descontente se você não se juntar a nós na capela”, disse-lhe seu superior. “Mas Deus ficará descontente comigo se eu for”, respondeu ela. Assim, não foi mais importunada.

Contudo, Amalija tinha um problema, agravado pela barreira do idioma: Como entrar em contato com as Testemunhas de Jeová? Ela apanhou o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado e dirigiu-se à vizinha estação ferroviária de Buchs, na Suíça. Mostrando o livro aos transeuntes, ela tentava, com a ajuda de muitos gestos, descobrir onde encontrar as pessoas que distribuíam livros desse tipo. Mas, ninguém a entendia. Desapontada, ela escreveu para seu país de origem pedindo ajuda e, finalmente, através das respectivas filiais foi colocada em contato com os irmãos.

Sendo trabalhadora eficaz e de confiança, essa jovem era muito benquista na casa do príncipe. Por isso, em 1969 ela recebeu permissão de ir ao Congresso Internacional “Paz na Terra” em Nurembergue, Alemanha, onde assistiu à sessão iugoslava com grande entusiasmo. Foi uma das 5.095 pessoas batizadas naquela ocasião.

FORMA-SE UMA CONGREGAÇÃO

Desde 1967, o pequeno grupo de proclamadores do Reino em Liechtenstein conta com o apoio de um casal de pioneiros especiais, Oskar e Anni Hoffmann. Fiel e perseverantemente, eles têm arado o solo e lançado sementes da verdade do Reino; têm cultivado as tenras plantinhas e zelado por elas. A colheita não tem sido superabundante, é verdade, mas, existe agora uma congregação de umas 45 Testemunhas em Schaan, que se reúne num convidativo Salão do Reino. Alguns publicadores da Suíça ajudam a congregação, preenchendo a necessidade de anciãos capazes.

Resumindo o relatório sobre o trabalho no Principado de Liechtenstein, o irmão Hoffmann diz: “Tivemos de enfrentar a resistência clerical e a interferência policial. Isto já é coisa do passado. Agora temos de enfrentar o conceito materialista e a indiferença por assuntos espirituais, mas, os nossos fiéis irmãos em Liechtenstein estão determinados a enfrentar também este desafio.” Certamente o farão, com a ajuda de Jeová.

PELO RÁDIO — UMA RARA OPORTUNIDADE

Visto que as religiões protestante e católica são as principais na Suíça, raramente se ouvia alguma coisa no rádio da parte de denominações menores. Mas, tivemos uma oportunidade em 1956.

Vários movimentos religiosos dissidentes haviam sido convidados para uma palestra radiofônica com representantes da Igreja Evangélica Reformada, mas fomos os únicos a aceitar o convite. A igreja se fez representar por um professor de teologia da Universidade de Berna, um professor de escola secundária e uma professora; a Sociedade designou Alfred Rütimann e Fred Borys, de Betel. A palestra foi aberta com breves comentários de nossos representantes sobre as Testemunhas de Jeová, seguidos de uma curta palestra do professor de teologia. Daí, seguiu-se um franco debate sobre assuntos diversos.

O programa foi ao ar num sábado de noite, portanto, num ótimo horário. Provocou espontânea e inequívoca reação em favor das Testemunhas de Jeová, em todo o país. Certamente não foram só os nossos irmãos que ouviram atenta e entusiasticamente o programa. Dezenas de cartas enviadas à Sociedade elogiavam o modo em que as Testemunhas de Jeová se defenderam. Muitos não gostaram da atitude zombeteira dos representantes da igreja. O mais impressionante foi que durante todo o debate os nossos irmãos continuamente citavam a Bíblia em apoio, ao passo que os representantes da igreja não a citaram, uma única vez sequer.

“Tire-se o chapéu para as Testemunhas de Jeová”, disse um homem que telefonou para a Sociedade logo depois do programa. Outro enviou uma cópia de seu pedido de demissão da igreja, em resultado do que ouvira. Ele escreveu: “Finalmente eu encontrei o que procurava.”

O jornal Oberländer Taghlatt sumarizou o assunto do seguinte modo: “Debates sobre interpretação da Bíblia exige dos participantes uma grande dose de seu próprio cristianismo genuíno e prático, e de sua habilidade humana de lidar com dissidentes. Os representantes da Igreja Evangélica Reformada não se mostraram à altura de navegar nessas águas perigosas. Lamentamos dizer que, se tivéssemos de decidir entre um e outro grupo de participantes do debate, teríamos de nos decidir a favor dos representantes da seita, as Testemunhas de Jeová.”

A DIVULGAÇÃO PELA RÁDIO DE LÍNGUA FRANCESA

Naturalmente, os nossos irmãos de língua francesa estavam muitíssimo ansiosos que se desse um bom testemunho pelo rádio também em sua língua. Isto aconteceu no domingo de noite, 20 de dezembro de 1970. Algumas semanas antes, a direção da Rádio Sottens, a emissora de rádio suíça de língua francesa, contatara André Eiselé, superintendente da congregação de Prilly. Numa série de programas sobre vários grupos sociais e religiosos do país, as Testemunhas de Jeová também seriam entrevistadas.

O irmão Eiselé, junto com outros dois irmãos e uma irmã, participaram da entrevista. Responderam-se a perguntas do condutor do programa sobre a nossa relação com Deus, com o nosso próximo e com a sociedade humana em geral. Visto ser pouco antes do Natal, frisou-se a importância da adoração pura não contaminada por idéias e costumes pagãos.

“Apenas dois dias depois dessa entrevista, fui contatado de novo”, conta o irmão Eiselé. “O condutor do programa propôs uma nova entrevista, que tratasse de impressões pessoais e conflitos íntimos advindos da posição neutra do cristão devido à sua observância de princípios bíblicos. Eu aceitei, e o programa foi ao ar na sexta-feira, 8 de janeiro de 1971, das 22 às 22,30 horas.” Houve muitos comentários apreciativos, especialmente por irmãs cujos maridos se opunham à verdade. Estes vieram a ter uma impressão melhor das Testemunhas de Jeová e não mais eram tão categoricamente contrários a que suas esposas assistissem a reuniões ou participassem no ministério cristão.

TAMBÉM NA TELEVISÃO

Seria a Sociedade de Televisão Suíça algum dia suficientemente liberal para apresentar as Testemunhas de Jeová no vídeo? Na nossa assembléia internacional de 1965, em Basiléia, houve uma abertura nesse sentido. Os noticiários apresentaram notas breves, porém favoráveis, a respeito desse congresso. Desde então, entrevistas ou pequenas reportagens sobre congressos de distrito têm sido levadas ao ar tanto por canais de língua alemã como pelos de língua francesa. Embora durem apenas alguns minutos, essas reportagens têm suscitado o interesse de muitas pessoas.

A melhor e mais detalhada cobertura dada às Testemunhas de Jeová na televisão foi no canal de língua italiana, no dia 26 de janeiro de 1979. Teve a duração de 40 minutos, e apresentou muitos aspectos de nosso modo de vida cristão. Mostrou-se aos telespectadores o estudo bíblico em família, do irmão Soldati, em Bellinzona; focalizou-se um congresso em Milão, Itália, e as atividades de nossa organização numa visita aos escritórios e à gráfica da Sociedade em Thun. Um destaque importante foi a entrevista com Teresa Medici, de Lugano, uma irmã que na época tinha 98 anos e fora batizada aos 80, e que ainda defendia corajosamente suas convicções. Essa querida irmã faleceu aos 102 anos de idade, aguardando firmemente o cumprimento da promessa de ressurreição feita por Cristo. — João 5:28, 29.

A MAIOR CONCENTRAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS

A maior concentração já realizada na Suíça foi o congresso internacional “Palavra da Verdade”, realizado em Basiléia, cidade de uns 200.000 habitantes. O congresso contaria com a participação de milhares de irmãos do sul da Alemanha, bem como da França e de outros países europeus. Esperavam-se entre 30.000 e 40.000 visitantes. Para os padrões suíços, tratava-se de uma assembléia gigante, e prepará-la foi um desafio.

“‘Onde vamos alojar tantos congressistas?’, foi a primeira pergunta que estalou na minha mente”, recorda-se Hans Klenk, o superintendente de distrito suíço que, junto com Karl Hägele, um superintendente de distrito da Alemanha, foi incumbido da organização do congresso.

O programa seria realizado em cinco idiomas: alemão, francês, italiano, espanhol e português. Sim, este seria um grande evento para cerca de 2.000 irmãos da Espanha e de Portugal que, apesar do fato de que a obra ainda estivesse sob proscrição em seus países, esperavam obter permissão para viajar à Suíça. Infelizmente, alguns não a conseguiram porque as autoridades souberam que iriam assistir a um congresso cristão e assim lhes negaram passaportes.

Na primeira reunião preparatória em Basiléia, bem antes da data do congresso, cerca de 800 publicadores, incluindo alguns da vizinha Alemanha, receberam instruções sobre como obter acomodações em hotéis, dormitórios escolares, áreas de acampamento e quartos particulares na cidade e nas pequenas localidades vizinhas. Eles devotaram 18.000 horas a esta atividade. O seu amor pelos irmãos ajudou-os a atacar a tarefa e, quando os congressistas chegaram, nenhum deles teve de dormir ao relento!

MARAVILHADOS COM A NOSSA BOA VONTADE

Fazia-se necessário muito serviço de construção no local do congresso, uma grande praça de esportes. Sessões em cinco idiomas exigiam cinco palcos, bem como todas as outras necessárias instalações. Setenta e sete irmãos e irmãs contribuíram com o seu tempo, seus músculos e sua técnica. Por exemplo, Frieda Hemmig cavava valas para a instalação de sanitários adicionais no dia em que completava 65 anos de idade. Ainda hoje ela considera um privilégio ter participado nessas iniciativas de amor em favor da “associação inteira dos irmãos”. — 1 Ped. 2:17.

O homem mais surpreso no local era o chefe do Corpo de Bombeiros da cidade. Ele disse: “Como é que conseguem isso? Os senhores têm aqui um batalhão de trabalhadores não assalariados, ao passo que na cidade há profunda crise de mão-de-obra, apesar da oferta de altos salários.”

Um superintendente de circuito, irmão Rohleder, da Alemanha, encarregado do Departamento de Serviço Voluntário, explicou isso por mencionar o caso de um irmão da Austrália que viajara quatro semanas para chegar à cidade do congresso. Ao chegar a Basiléia, foi direto para o Serviço Voluntário oferecer seus serviços de encanador. O chefe dos bombeiros meneou a cabeça, dizendo: “É certamente notável. Simplesmente não posso acreditar! Ninguém hoje faz alguma coisa sem ser pago para isso.” Naturalmente, ele não conhecia por experiência o que o espírito de Jeová pode realizar através dos que se deixam usar por Deus.

No último dia do congresso, 8 de julho de 1965, 36.785 pessoas assistiram ao discurso público “O Governo Mundial Sobre os Ombros do Príncipe da Paz”, proferido pelo irmão Knorr. O congresso em si fora uma demonstração de como as Testemunhas de Jeová já haviam conseguido união e paz entre si. As assistências foram as seguintes: 29.827 na sessão alemã; 3.385 na francesa; 1.340 na italiana; 1.886 na espanhola e 347 na portuguesa.

NOVO PRÉDIO PARA A FILIAL

Na visita do irmão Knorr, em 1968, chegou-se a uma importante decisão. O próprio presidente deu a notícia numa reunião especial em Berna, no dia 29 de maio: A filial ganharia um novo prédio para o lar de Betel e a gráfica! A necessidade de melhores instalações era premente, e essa notícia alegrou muitíssimo os irmãos. Refletia as bênçãos de Jeová sobre seus empenhos. Encontrou-se um terreno adequado em Thun, distante uns 30 quilômetros do antigo Betel em Berna. Este local fica numa região aprazível, não longe do lago de Thun e com vista magnífica dos Alpes. A família de Betel ficou entusiasmada!

No dia 11 de fevereiro de 1969 começaram as escavações, e em fins de março os serviços de concretagem. Daí, a construção prosseguiu rapidamente. O prédio seria aproximadamente duas vezes maior do que o antigo. Teria cinco pavimentos, 53 dormitórios para a família, e espaço para a gráfica, armazenamento e escritórios. Grande parte do acabamento, como o assoalhamento e os serviços de madeira, foi feito por irmãos. Para reforçar o piso principal foram usadas 80 toneladas de barras de ferro, 50 das quais apenas no piso de concreto da gráfica. Anos depois revelou-se providencial que o piso da gráfica fora construído tão solidamente.

INSTALA-SE TAMBÉM UMA NOVA ROTATIVA

Dada à crescente necessidade de publicações, seria montada uma segunda impressora na nova gráfica. Era uma rotativa M.A.N. de 35 toneladas, que o irmão Milan Miller, de Brooklyn, nos ajudou a montar. Naturalmente, havia também a velha rotativa preta que a Sociedade comprara em 1924. Por muitos anos, essa máquina foi operada por Reinhard Pletscher. Ele era tão cuidadoso com ela a ponto de usar parte de seu tempo de folga para limpar e polir a “sua” máquina. Este apego levou alguns da família de Betel a chamar essa rotativa de “a negra esposa de Reinhard”! A irmã Pletscher não se importava com isso; ela achava graça, como o resto da família. Mas, por causa dessa boa manutenção e vistoria cabal, a máquina ainda serviu por muitos anos depois de ser transferida para Thun. Sobreviveu até mesmo à morte do irmão Pletscher, que terminou sua carreira terrestre em 1973.

APREÇO PELAS NOVAS INSTALAÇÕES

Na dedicação do prédio, no dia 16 de maio de 1970, o irmão Knorr lembrou o papel importante que as construções haviam desempenhado nos tempos antigos com respeito à adoração de Jeová: o tabernáculo no antigo Israel e o magnífico templo construído por Salomão. Ele disse: “Este novo lar de Betel, embora dedicado à adoração pura, não seria de utilidade alguma se as pessoas que usam esse prédio não trabalhassem de todo o coração pelos interesses da obra de Jeová na terra.”

Não só a família de Betel sentia-se profundamente grata pelo seu novo lar e local de trabalho, mas também mais de 4.000 outros irmãos e pessoas interessadas aproveitaram a oportunidade para visitar o novo Betel em dois fins-de-semana de visitação pública, em outubro do mesmo ano. “Ficamos muito impressionados com o belo edifício e a espaçosa gráfica”, disse uma irmã, “e pensar que deste local não só nós, publicadores da Suíça, mas também irmãos em muitos outros países obterão alimento espiritual, nos torna muito felizes”.

Típico do vivo interesse e do espírito de generosidade quanto a arcar com as responsabilidades financeiras ligadas a essa construção, foi a seguinte carta duma jovem irmã:

“Prezados Irmãos,

“Acabo de terminar meu estágio. Em reconhecimento de meu bom desempenho, fui agraciada com um prêmio de certa quantia em dinheiro, o que me deixou muito feliz. Visto que não vejo maneira melhor de empregar esse dinheiro do que pô-lo à sua disposição para a construção do novo Betel em Thun, queiram aceitar a quantia anexa de 80 francos suíços (700 cruzados).

“Unida com vocês no serviço de Jeová, envio caloroso amor e saudações.

Sua irmã,

Marie-Louise.”

A PERSEVERANÇA É UM REQUISITO

No nosso país, as pessoas em geral não aceitam a verdade assim que tenham um estudo bíblico. Temos de ter muita paciência e perseverança. Casos relatados demonstram que a maioria dos estudos bíblicos só pode ser iniciada depois que o publicador granjeia a confiança das pessoas. Elas precisam estar convencidas de que estamos sinceramente interessados no seu bem-estar pessoal. Ilustrando este ponto, Grete Schmidt, pioneira especial veterana, relata o seguinte caso:

“Alguns anos atrás, eu e meu esposo contatamos uma amigável família tcheca que morava em Lucerna. A esposa era professora e o marido um atleta de primeira linha no remo. Ambos tinham sido criados como ateus, não obstante, gostavam de trocar idéias. Mas, quando se tocava num assunto que envolvesse Deus ou a Bíblia, eles simplesmente sorriam. . . . Por fim, deixamos de visitá-los.”

Passaram-se dois ou três anos. Daí, apareceu um artigo na Sentinela de 15 de outubro de 1976 (15 de janeiro de 1977, em português), sobre um irmão que ganhara medalha de ouro como corredor nos Jogos Olímpicos em Tóquio. “Quando li esse artigo”, continua a irmã Schmidt, “lembrei-me do casal tcheco, porque o marido ganhara medalha de prata nesses mesmos jogos olímpicos. Assim, decidi visitar novamente essa família, levando-lhes aquela revista. Primeiro falaram sobre esportes, e limitei-me a ouvir. Em visitas adicionais, falei repetidas vezes sobre a Bíblia”.

Qual foi a reação do casal? “Queira desculpar-nos, Sra. Schmidt. A senhora esqueceu-se de que somos ateus.”

“Não obstante, continuei a visitar essa gentil família. De algum modo eu achava que alguma coisa não ia bem com eles. Por fim, notei que tinham problemas familiares. Já falavam em divórcio.”

A irmã mostrou-lhes à base da Bíblia como sobrepujar tais problemas. Surpresos diante dos conselhos práticos contidos na Bíblia, o casal aceitou um estudo bíblico. O casamento deles gradativamente se fortalecia. Acabaram aceitando a verdade e foram imersos em 1979. O que pensa agora o irmão Jiri Lundák?

“Antes, eu simplesmente não tolerava ouvir as palavras ‘santo’, ‘anjo’, e termos similares; isso feria meus ouvidos. Tampouco queria ouvir falar de reuniões. Mas, agora tudo mudou. Meu tempo livre pertence a Deus e à minha família. Também, com respeito a amigos, fizemos mudanças. Agora sei quão importantes são as reuniões. Aprendi a assumir a responsabilidade de ser pai, e temos uma vida familiar feliz. Mais uma vez agradeço a Jeová que se nos permitiu aprender como orar, e que ele nos estendeu a mão antes de nós o procurarmos.” Por certo, a perseverança traz mesmo bons resultados.

O NÚMERO DE BATIZANDOS JOVENS É BASTANTE ELEVADO

Em 1975, o auge de todos os tempos de 1.138 pessoas se apresentaram para o batismo nas nossas assembléias de circuito e congressos de distrito realizados em quatro idiomas. Nos anos seguintes o número declinou, mas, dentre a média anual de uns 560 batizandos, há, notavelmente, muitos jovens. Alguns destes enfrentam uma luta árdua para livrar-se de tradições familiares, mas, é fortalecedor da fé observar a sua seriedade. Como exemplo, ouça a história de certo jovem:

“Certo dia, enquanto eu lanchava num restaurante, uma senhora alemã, turista, perguntou-me se o assento ao meu lado estava vago. Diante de minha resposta afirmativa, ela sentou-se e logo passamos a conversar. Ela me disse que tinha muita ligação com os jovens, visto que trabalhava na Universidade de Constança, Alemanha. Frisou-me quão importante era apontar para os jovens o melhor caminho na vida. Eu somente podia concordar, pois via por mim mesmo quantos jovens sofriam por causa do álcool ou de drogas. Por fim, ela falou-me sobre um interessante livro para jovens intitulado Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la. Lamentou não tê-lo consigo, mas prometeu-me trazê-lo. Ela realmente o trouxe, mas, como eu estava muito ocupado, ela simplesmente deixou o livro e disse que agora teria de voltar para a Alemanha, mas que outra pessoa viria considerar o livro comigo.

“Fui contatado por um irmão e, dentro de pouco tempo, eu não só estudava mas também assistia a todas as reuniões. Meu amor por Jeová se aprofundou. A minha vida tinha objetivo, e subitamente eu tinha muitos novos amigos. Reconheci a necessidade de sair de ‘Babilônia, a Grande’. Em fevereiro de 1979 decidi abandonar a igreja. Visto que eu estava fora de casa, ninguém impediu-me de cumprir essa decisão.

“Mas, infelizmente, quando informei disso a meus pais, a reação deles foi feroz! Telefonaram-me e perguntaram se eu havia enlouquecido. Fizeram de tudo para fazer-me mudar de idéia. Expliquei-lhes bondosamente que eu havia reconhecido a necessidade de servir ao único Deus verdadeiro, e que me apegaria a meu ponto de vista. No dia seguinte, meu pai chegou e disse: ‘Você vai voltar para casa comigo, seu patife!’ Pode imaginar como me senti?”

Qual foi o desenlace da história desse nosso jovem irmão? O seu pai levou-o à presença de um sacerdote, que tentou demovê-lo da idéia, mas não queria considerar nenhum texto bíblico. Daí, seus pais decidiram interná-lo num colégio católico. Como é que ele se sentia?

“Eu estava muito deprimido, mas pus minha confiança em Jeová, segundo as palavras de Salomão: ‘Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas.’ (Pro. 3:5, 6) No começo, foi muito difícil. Todo domingo eu tinha de ir à igreja, mas eu ficava sentado ali e orava a Jeová enquanto os outros praticavam a sua adoração. Tive muitas oportunidades de dar testemunho e, no horário das reuniões, eu fazia estudo pessoal no colégio. Depois de uns três meses os sacerdotes admitiram ser inútil continuar a forçar-me a ir à igreja. Mais tarde, recebi permissão de ausentar-me do colégio o dia todo, aos domingos. Pode imaginar onde eu ia?”

Numa das várias entrevistas com o abade, o jovem ofereceu-lhe as revistas. Por sua vez, o abade convidou-o a falar a três classes de alunos sobre as Testemunhas de Jeová. Assim, ele teve chance de testemunhar a 90 alunos e colocar publicações com eles. Duas classes tinham tantas perguntas sobre a Bíblia que se lhe permitiu duas horas para respondê-las.

O nosso jovem irmão concluiu assim o seu relato: “No fim do ano, meus superiores até me agradeceram e disseram que nunca haviam tido um aluno tão aplicado. Hoje tenho a alegria de levar uma vida que tem objetivo, e isto Jeová me deu por meio de sua organização terrestre. Em meados de 1980 fui batizado no congresso de distrito em Zurique, e agora sinto muitas alegrias servindo como pioneiro. Agradeço a Jeová por sua misericórdia e benevolência!”

O NOVO BETEL TEVE DE SER AMPLIADO

Depois de apenas poucos anos de atividade em nosso novo Betel, ficou evidente que necessitávamos de maior espaço devido ao aumento da produção. Imprimíamos revistas em seis idiomas, com a produção recorde de 31 milhões de exemplares em 1975. Visto que a obra das Testemunhas de Jeová fora reconhecida legalmente na Espanha, em 1970, os publicadores necessitavam de grandes quantidades de revistas em espanhol, à medida que participavam cada vez mais nas modalidades normais do serviço de campo. Era nosso privilégio supri-los. Deu-se o mesmo com Portugal, quando a obra foi legalmente reconhecida, em dezembro de 1974. Já imprimíamos revistas em alemão, francês, inglês e italiano. De 1981 em diante, o grego e o turco foram acrescentados à lista, elevando o total para 15 edições por mês em oito idiomas. Mais tarde, acrescentou-se a edição trimestral da Despertai! em turco.

“Tudo isso exigia espaço”, explica Lars Johansson, atual supervisor da gráfica. “Assim, achamos por bem usar parte do jardim para construir um anexo ao complexo de Betel. Proveria um grande local para armazenamento de papel e amplo espaço para um mais bem equipado Departamento de Expedição. Previmos também a necessidade de mais alojamentos, de modo que o novo prédio teria quartos para mais 12 pessoas.” Em fevereiro de 1978 esse anexo foi dedicado.

NOVOS MÉTODOS DE IMPRESSÃO

A declaração do apóstolo Paulo de que “está mudando a cena deste mundo” realmente é certa no que tange ao velho sistema de coisas na terra, mas pode também ser aplicada com relação a métodos de impressão! (1 Cor. 7:31) Ouvíamos falar sobre os modernos métodos adotados nas gráficas da Sociedade nos Estados Unidos, e em outras partes, para acompanhar a evolução da tecnologia mundial, e perguntávamos quando seria a nossa vez.

Bem, os preparativos nesse sentido começaram em fins de 1980. Gradativamente foi instalado um novo Departamento Gráfico no novo anexo de Betel. Primeiro, o Nosso Ministério do Reino foi produzido em quatro idiomas por fotocomposição e, em julho de 1981, começamos a imprimir as edições em grego de A Sentinela e Despertai! na recém-adquirida impressora offset plana.

Depois disso, chegou de Brooklyn, em junho de 1982, a primeira rotativa convertida para offset. Para lhe dar espaço, o nosso “velho encouraçado”, a rotativa comprada em 1924, foi desmontada e reduzida a sucata. Ela imprimira incontáveis milhões de revistas durante seus 58 anos de operação!

Daí, Brooklyn nos informou de que uma segunda rotativa convertida para offset fora destinada para a filial na Suíça. Quão contentes estávamos de que na construção de nossa sede em Thun o piso da gráfica fora tão solidamente construído! Essa impressora chegou em dezembro de 1983. A nossa gráfica estava agora bem equipada para produzir revistas em oito idiomas, para distribuição ou uso pessoal de nossos irmãos em uns 100 países.

OFERECERAM-SE VOLUNTARIAMENTE

Alegra-nos ver que o espírito de pioneiro que se espalha pela organização visível de Jeová afetou também um bom número de nossos irmãos e irmãs na Suíça. Por muitos anos, o número de pioneiros em nosso país era um dos nossos pontos fracos, mas, de 1980 para cá o número de pioneiros regulares aumentou de 101 para o auge de 271, além de 64 pioneiros especiais (incluindo 2 em Liechtenstein e 3 missionários na Suíça). Esperamos que muitos mais sentir-se-ão movidos a entrar nesse serviço no reduzido tempo que resta. — 1 Cor. 7:29.

Que muitos mais gostariam de estar nesse serviço de tempo integral mas não podem, vê-se do crescente número dos que aproveitam a oportunidade para servirem como pioneiros auxiliares. Em maio de 1986, um recorde de 1.117 publicadores participaram nesse serviço, em comparação com 361, em 1980. Isto, acreditamos, é um notável passo avante no nosso campo.

A congregação de Dittingen proveu um exemplo de até que ponto a atitude positiva dos anciãos contribui para esse desenvolvimento frutífero. Samuel Hurni apresentou no palco 15 pioneiros auxiliares numa assembléia de circuito em 1985, em Basiléia. Ele explicou: “A nossa congregação consiste de 26 publicadores batizados, e 57 por cento destes, isto é, 15, participaram no serviço de pioneiro auxiliar, quer em maio, quer em setembro, ou em ambos os meses.” Explicou que os anciãos combinaram tomar a iniciativa nessa atividade. Daí, eles se dirigiam a outros membros da congregação, dizendo: “Os anciãos serão pioneiros auxiliares em maio. Gostaria de nos acompanhar neste serviço?” Alguns dos publicadores ficaram tão contentes que os anciãos os consideraram capazes para isso que entusiasticamente decidiram tentar. Esse esforço conjunto foi um grande sucesso e um benefício para toda a congregação. Todos se fortaleceram e jubilaram com o alegre espírito desses pioneiros. — Sal. 110:3.

PRESERVAR A UNIÃO APESAR DE DIVERSIDADE

Uma característica notável da organização do povo de Jeová na Suíça é a diversidade de idiomas e de formação. Preservar a união e avançar juntos é, pois, um dos principais objetivos perseguidos pela Comissão de Filial.

A formação de congregações de línguas estrangeiras requer muito trabalho. Cuidar delas envolve serviços administrativos tais como correspondência com as congregações e os superintendentes de circuito, analisar relatórios, coordenar e organizar assembléias, despachar cartas circulares, prover instruções e publicações para o serviço de campo, e muitas outras coisas, tudo em quatro idiomas — alemão, espanhol, francês e italiano. Visto que nem todos os irmãos na filial falam esses idiomas, requer-se muito serviço de tradução.

No campo, a crescente população estrangeira tornou-se um desafio para os publicadores. Passariam por alto as casas dessas pessoas com a desculpa de que a comunicação com elas é impossível? Ou, iriam pelo menos tentar saber qual a sua origem e providenciar uma publicação no idioma delas? Alguns publicadores alertas fizeram mais do que isso. Aprenderam um novo idioma para ajudar a tais pessoas. — 1 Tim. 2:4.

Assim, além dos já mencionados grupos lingüísticos, dá-se testemunho também a iugoslavos, portugueses, gregos e turcos, bem como a refugiados tâmiles e vietnamitas, e muitos destes estão mostrando genuíno interesse ou então já tomaram a sua posição ao lado de Jeová. Sim, com pessoas de muitos outros países morando dentro das fronteiras da Suíça, é como se tivéssemos um campo missionário bem à nossa porta!

A FAMÍLIA DE BETEL TAMBÉM REFLETE DIVERSIDADE

A nossa família de Betel é composta de uns 65 membros. Visto que a filial da Suíça foi uma das primeiras a ser formada, temos alguns membros que são lá dos tempos antigos, que têm sido como colunas na nossa equipe. Os visitantes não raro se admiram com o relativamente grande número de veteranos. Gostaríamos de lhes apresentar os 12 irmãos e irmãs com mais de 65 anos de idade. (Veja página 215.) Eles têm em conjunto 552 anos de serviço em Betel, ou, em média, 46 anos cada um.

Todos esses ainda trabalham zelosamente. Alguns exemplos: Lydia Wiedenmann, 87, apronta as mesas todos os dias; Jules Feller, 86, trabalha na recepção; Arnold Rohrer, 86, cuida de nossas muitas bicicletas; Paul Obrist, 81, trabalha no escritório; Willi Diehl, 75, serve como coordenador da Comissão de Filial.

Faltam na fotografia dois queridos irmãos que terminaram recentemente sua carreira terrestre: David Wiedenmann, aos 82 anos, tendo trabalhado como membro da Comissão de Filial até seu último suspiro, deixando-nos um exemplo de simplicidade e contentamento; e Gottfried Feuz, aos 88, que devotou 63 anos ao serviço de tempo integral. Nos seus últimos anos de vida, ele era um consciencioso co-trabalhador no Departamento de Assinaturas, e será por muito tempo lembrado por sua bondade.

Certamente pode-se dizer desses irmãos e irmãs: “As cãs são uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça.” (Pro. 16:31) A sua longa experiência torna-os preciosos para os membros mais jovens da família. Diversidade de idade certamente não é obstáculo para a união; tampouco o é a diversidade de línguas. Aqui mesmo em Betel temos representantes de três das línguas oficiais. Isto é bem evidente na consideração do texto diário e no estudo da Sentinela da família, quando se ouve comentários em três línguas.

NOVAS CIRCUNSTÂNCIAS EM BETEL

Como a maioria das Testemunhas de Jeová que vive neste século 20 sabe, o avanço tecnológico nos anos recentes tem sido estupendo. Sem dúvida, Jeová tem cuidado de que tal equipamento moderno se tornasse disponível para a pregação das “boas novas do reino . . . em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”, e isto no período de uma só geração. — Mat. 24:14, 34.

Com isso em mente, é evidente por que a Sociedade está fazendo o melhor uso possível da computadorização. A filial na Suíça ficou equipada com o MEPS (Sistema Eletrônico de Fotocomposição Multilíngüe) em julho de 1983, e continuamos aprendendo como racionalizar o nosso trabalho com a ajuda desse versátil sistema. Em especial, o grande volume de serviço no nosso Departamento de Assinaturas ficou reduzido a uma atividade relativamente simples de alguns terminais de computador. Também no Departamento de Expedição o computador simplificou o serviço.

Por outro lado, grande parte da impressão que fazíamos para outras filiais foi assumida por estas, à medida que se equipavam com novas instalações e rotativas offset. Economia de tempo e redução nos custos de expedição são algumas das vantagens dessa descentralização. No momento, a quantidade de cada edição que imprimimos está consideravelmente reduzida, mas ainda imprimimos regularmente 12 edições de revistas em seis idiomas.

Devido a essas novas circunstâncias, vários membros da nossa equipe ficaram disponíveis para a pregação por tempo integral no campo, e apreciamos receber relatórios sobre seu excelente trabalho. É óbvio que Jeová abençoa os que se deixam usar em qualquer função, e que ele cuida deles com amor paternal.

CONGRESSOS DE DISTRITO COM TOQUE INTERNACIONAL

Quando a Sociedade anunciou arranjos especiais para os congressos de 1985, ansiávamos saber do que se tratava. Com o tempo fomos informados, e passamos a organizar os nossos Congressos de Distrito “Mantenedores da Integridade” em alemão e em francês, levando em conta os visitantes do estrangeiro.

Visto que o grupo de língua inglesa seria especialmente grande, programamos sessões em inglês para todos os quatro dias, simultâneas ao congresso em alemão em Zurique, de 1 a 4 de agosto. Alguns irmãos dos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha, bem como vários irmãos de língua inglesa que moram na Suíça, aceitaram designações de discursos. Isto nos possibilitou apresentar o programa inteiro, exceto os dramas, aos quais os nossos visitantes foram convidados a assistir na sessão em alemão. No congresso em francês em Genebra, o programa em inglês não foi tão completo. Mas, em ambos os congressos, nossos irmãos locais apreciaram ouvir entusiásticos relatórios de delegados de vários países.

Antes e depois das sessões, especialmente nos locais de refeição, irmãos suíços e estrangeiros podiam-se misturar e conversar. Era comovente observar como muitos transpunham a barreira do idioma por procurarem recordar o inglês ou o alemão aprendido na escola. Eles se entendiam, se não por palavras, pelo menos por gestos, por um abraço ou expressão nos olhos. Foi uma demonstração de genuína fraternidade, como somente o fruto do espírito de Deus, o amor, pode produzir, “pois é o perfeito vínculo de união”. — Col. 3:14.

Muitos dos cerca de 1.800 delegados estrangeiros acompanharam publicadores suíços na obra de testemunho, mostrando assim seu interesse nas atividades de campo de seus irmãos daqui. A maioria deles também incluiu em seu roteiro uma visita ao nosso lar de Betel e à nossa gráfica, o que para nós foi encorajador.

Dos irmãos que assistiram ao congresso em Genebra recebemos uma tocante mensagem de despedida, que dizia, em parte: “Não queremos partir sem antes mencionar que as coisas de que mais nos recordaremos não são a altitude de suas montanhas e a profundeza de seus lagos, mas para sempre nos lembraremos de seu grande amor por nosso grandioso Criador e de sua fidelidade no empenho de observar os princípios justos de nosso Pai. Sentimo-nos estimulados por sua determinação de se manterem íntegros.

“Seus esforços de conversar conosco apesar da barreira lingüística foram muitíssimo apreciados.

“Jamais nos esqueceremos de suas faces amistosas e sorridentes, que nos fizeram sentir à vontade e bem-vindos. Sim, ‘quão bom e quão agradável é irmãos morarem juntos em união!’ E quão gratos somos de pertencer a essa nossa família universal de irmãos!” — Sal. 133:1.

Portanto, dos congressos de distrito de 1985, aos quais 20.601 pessoas assistiram, temos muitas recordações felizes. Todos nos sentimos encorajados a prosseguir, ombro a ombro com os nossos irmãos no mundo inteiro, mantendo nossa integridade a Jeová e a Cristo Jesus, e aguardando outras maravilhosas oportunidades de companheirismo cristão.

DETERMINADOS A PROSSEGUIR

Consideramos juntos cerca de 95 anos de avanço teocrático na Suíça, da primeira visita do irmão Russell, em 1891, até o presente momento. De um pequeno filete, as crescentes águas da verdade alcançaram todos os vales e, galgando alturas, até os isolados chalés nas montanhas. Quando visitamos as casas nas cidades, as pessoas não raro nos reconhecem como Testemunhas de Jeová antes mesmo de termos uma chance de começar a falar. Assim, a mensagem do Reino tem sido proclamada e as pessoas têm ouvido. Contudo, a maioria se sente segura e satisfeita com a sua situação na vida e pouco se importa com o que considera impossível: paz duradoura na terra sob o Reino de Deus.

Ainda assim, os empenhos dos servos de Jeová não têm sido em vão. Embora muitos dos que serviram a Jeová por algum tempo voltassem para o mundo, alegra-nos que alcançamos um auge de 13.659 leais publicadores do Reino em maio de 1986 (incluindo 42 em Liechtenstein). A assistência na Comemoração em 1986 foi de 25.698 pessoas (incluindo 82 em Liechtenstein), havendo perspectiva de mais aumentos, enquanto a paciência de Jeová perdurar. É interessante que boa porção — talvez a metade — dos publicadores são pessoas do estrangeiro que vieram à Suíça para melhorar sua situação financeira e, inesperadamente, encontraram riquezas espirituais. Muitos publicadores voltaram à sua pátria e ajudaram na promoção dos interesses do Reino nos seus locais de origem. Assim, a divulgação das boas novas do Reino tem aumentado nesses países, e as Testemunhas suíças se sentem privilegiadas de terem tido alguma participação nisso.

Isaías 56:6 fala dos da “grande multidão” como “estrangeiros que se juntaram a Jeová para ministrar-lhe e para amar o nome de Jeová, a fim de se tornarem servos seus”. A determinação de milhares destes aqui na Suíça é perseverar no serviço de Jeová, junto com os 73 membros do restante ungido ainda presentes aqui e em Liechtenstein, proclamando unicamente a esperança do Reino a todos os dispostos a ouvir.

[Foto na página 119]

Adolf Weber, que trouxe a mensagem do Reino para sua terra natal, em 1900.

[Foto na página 130]

Irmãos com o “sino da paz” montado sobre um veículo puxado a cavalo, em Zurique, para suscitar interesse pela revista “A Idade de Ouro”

[Foto na página 135]

Sede e gráfica da Suíça, de 1925 a 1970.

[Foto na página 136]

Martin C. Harbeck (em pé ao lado da esposa) e J. F. Rutherford.

[Foto na página 145]

Heinrich Dwenger, que prestou serviços de Betel de 1910 a 1983, visto aqui no Departamento de Assinaturas, em Thun.

[Foto na página 149]

Tema de capa da edição especial de “A Idade de Ouro”, que publicou os fatos sobre o memorável congresso em Lucerna.

[Foto na página 159]

Franz Zürcher, superintendente de filial de 1940 a 1953.

[Foto na página 161]

Jules Feller começou a trabalhar em Betel em 1924; continua ativo, aos 86 anos.

[Foto na página 183]

Willi Diehl, coordenador da Comissão de Filial, com sua esposa Marthe.

[Foto na página 193]

O castelo, cartão de visitas de Liechtenstein.

[Foto na página 208]

Lar de Betel, escritório e gráfica em Thun.

[Foto na página 215]

Grupo de veteranos da família de Betel, com 46 anos de serviço de tempo integral em média. (Da esquerda para a direita: Lydia Wiedenmann, Marthe Diehl, Jules Feller, Willi Diehl, Paul Bigler, Martha Bigler, Paul Obrist, Ernst Zedi, Hans Russenberger, Arnold Rohrer, Johannes Förster, Josefine Förster.)

[Mapa na página 114]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

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