Cristãos cubanos perseveram fielmente
DURANTE o ano passado, mais de 100.000 refugiados cubanos entraram nos Estados Unidos. Entre eles havia cerca de 3.000 Testemunhas de Jeová, a maioria delas obrigadas à força a abandonar Cuba. Por quê?
Fazia parte da perseguição religiosa que sofrem em Cuba. As Testemunhas de Jeová advogam o reino de Deus e o proclamam como única esperança para resolver os problemas da humanidade, assim como Jesus Cristo mandou. (Mat. 24:14; 28:19, 20) O governo cubano não gosta disso, e por isso dificulta a vida às Testemunhas. Mas, apesar de perseguição brutal, os cristãos cubanos perseveram fielmente.
Um refugiado que é Testemunha contou sobre ser despido, enrolado em arame farpado e deixado em cima do telhado como alimento para os mosquitos. Quando os mosquitos picavam, ele se encolhia e feria a carne. Tem muitas cicatrizes para lembrar-lhe este sofrimento. Outros foram abaixados em buracos cheios de excrementos humanos e deixados ali por dias, sem alimento.
Uma mulher de 89 anos, que ainda está em Cuba, é publicadora do Reino por tempo integral já por 40 anos. Torta e encurvada, ela anda com dificuldade apoiada na sua bengala, falando destemidamente a todos os que encontra sobre o reino de Deus. Oficiais uniformizados têm escarnecido dela, dizendo: “Ora, velhota, não sabe que pode ser metida na cadeia por causa do que está fazendo?”
Ela responde sem medo: “Já sou velha demais; de qualquer modo, não sou de nenhuma utilidade para vocês na cadeia.” Assim, eles a deixam em paz, e ela prossegue pregando abertamente nas ruas.
Também os jovens suportam fielmente as provas de sua fé. Os refugiados falam sobre um jovem cubano que estava iniciando na escola. Sua professora pediu-lhe que usasse o lenço de pescoço com a insígnia triangular. Ele é usado, em Cuba, para simbolizar o apoio dado ao Estado. O jovem Testemunha, porém, explicou à professora que não podia usar tal símbolo político porque era adorador de Jeová Deus.
A professora tentou convencer o menino a pôr o lenço ao pescoço, mas sem conseguir nada. Exasperada, foi para a rua e chamou um policial, pedindo que ele persuadisse o menino a mudar de idéia. O policial puxou o revólver e o apontou para a cabeça do menino, mandando que o usasse — ou senão . . . Após alguns segundos, o menino levantou os olhos e perguntou: “Por que não atira, pois eu não vou usá-lo?” Estupefato, o policial saiu logo da sala.
Além de meter muitas Testemunhas em prisões e campos de concentração, o governo restringiu a distribuição de literatura bíblica, inclusive da própria Bíblia. Certa refugiada contou que havia apenas uma Bíblia da Tradução do Novo Mundo na cidade inteira em que morava. Ela estava enterrada num lugar conhecido apenas às Testemunhas. Nesta cidade, quando se consegue alguma publicação, crianças tão jovens como de nove anos a copiam à mão. Assim, até mesmo os mais jovens aprendem bem as verdades bíblicas de tanto as copiarem.
Uma das refugiadas contou que recebeu um exemplar do livro Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la, tarde à noite. Ela tinha até de manhã cedo antes de outra Testemunha vir apanhá-lo. Até então, ela já terminara de lê-lo e havia feito anotações. Desta maneira, outros na cidade podiam ser ajudados com a informação. Escutando a refugiada contar esta experiência, uma Testemunha de Miami disse: “Às vezes não mostramos tanto apreço pelas verdades bíblicas como estes irmãos.”
Durante os últimos meses, todas as Testemunhas refugiadas já foram apadrinhadas e tem agora onde morar. Muitas Testemunhas nos Estados Unidos abriram seus lares para prover acomodações a esses concristãos, que nunca antes haviam visto — o que certamente é uma demonstração do amor que Cristo disse que identificaria os seus verdadeiros discípulos.
As autoridades dos campos de refugiados notaram o contraste entre as Testemunhas e os outros refugiados cubanos. Quando se perguntou às autoridades do acampamento em Miami armado no estúdio Orange Bowl sobre se sabiam que havia Testemunhas refugiadas no acampamento, elas responderam: “Claro que sabemos! São a gente mais bem comportada que há aqui.”
Deveras, a fé dos cristãos cubanos serve de inspiração para os seus irmãos em outras partes. Podemos aguardar ler mais sobre a sua perseverança fiel.