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  • yb79 pp. 78-134
  • As Filipinas

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  • As Filipinas
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1979
  • Subtítulos
  • A MENSAGEM DO REINO CHEGA ÀS FILIPINAS
  • ALGUNS CONTATOS ISOLADOS NOS ANOS DE 1920
  • ORGANIZA-SE A OBRA
  • ESTABELECE-SE UMA FILIAL
  • EXPANSÃO EM LUZÓN DESDE 1935 ATÉ 1939
  • A MENSAGEM DO REINO CHEGANDO NAS VISAIAS E EM MINDANAU
  • AJUDAS PARA A EXPANSÃO DO TESTEMUNHO
  • INTENSIFICA-SE A OBRA APESAR DAS AMEAÇAS DE GUERRA
  • A GUERRA CHEGA ÀS FILIPINAS
  • CONTINUA A EXPANSÃO DURANTE A OCUPAÇÃO JAPONESA
  • O CENTRO E O SUL DE LUZÓN
  • O NORTE DE LUZÓN
  • AS VISAIAS OCIDENTAIS
  • O NORTE DE MINDANAU E AS VISAIAS ORIENTAIS
  • O SUL DE MINDANAU
  • COMEÇO DA REORGANIZAÇÃO DEPOIS DA GUERRA
  • PRIMEIRA ASSEMBLÉIA APÓS A GUERRA
  • SEGUNDA VISITA DE UM PRESIDENTE DA SOCIEDADE
  • CHEGAM OS PRIMEIROS FORMADOS DE GILEADE
  • PRIMEIRAS ASSEMBLÉIAS DE CIRCUITO
  • FAZ-SE SENTIR A NECESSIDADE DE MAIS TRADUÇÕES
  • A FILIAL SE MUDA PARA UM NOVO LOCAL
  • CONTINUA A EXPANSÃO
  • A ASSEMBLÉIA NACIONAL DE 1951
  • LUTA EM PROL DA LIBERDADE DE PROCLAMAR AS BOAS NOVAS
  • AMPLIAÇÃO DE BETEL
  • COMEÇO DA ATIVIDADE DE PIONEIRO ESPECIAL
  • A ASSEMBLÉIA DO “REINO TRIUNFANTE”
  • UMA VISITA EDIFICANTE DE F. W. FRANZ
  • A ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL DE 1958
  • A QUESTÃO DA SAUDAÇÃO A BANDEIRA
  • MUDANÇAS NA SUPERINTENDÊNCIA
  • VISITA DO IRMÃO M. G. HENSCHEL
  • PREPARATIVOS PARA UMA EXPANSÃO MAIOR
  • MISSIONÁRIOS AMEAÇADOS DE EXPULSÃO
  • A ASSEMBLÉIA AO REDOR DO MUNDO EM 1963
  • AJUDA AOS PAÍSES VIZINHOS
  • VISITAS DO IRMÃO KNORR
  • A ASSEMBLÉIA “PAZ NA TERRA”
  • AUMENTO DO TRABALHO DE IMPRESSÃO
  • OUTROS PROGRESSOS NOS ANOS 70
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1979
yb79 pp. 78-134

As Filipinas

No Oceano Pacífico, ao sul da China continental, enfileiram-se como pérolas de um colar, por uma extensão de 1.854 quilômetros, as 7.083 ilhas que compõem a República das Filipinas. As numerosas ilhas das Filipinas, com uma superfície menor que a do Japão, contudo maior que a da Grã-Bretanha, têm um litoral duas vezes mais longo que o dos Estados Unidos. Dos mais de trinta bons portos, o mais proeminente, em muito, é a baía de Manila, que tem um litoral de 160 quilômetros e é considerada por muitos um dos melhores portos naturais da Ásia.

Por causa da localização justamente ao norte do equador, as Filipinas têm um clima tropical, mas as agradáveis brisas do mar fazem com que as temperaturas oscilem em média entre 26 e 29 graus centígrados o ano inteiro. O clima quente e úmido, junto com as abundantes chuvas, favorecem uma luxuriante vegetação tropical, e não há a bem dizer nenhuma região árida no país. O arquipélago inteiro é escabrosamente montanhoso, as ilhas sendo na realidade os cumes de uma cadeia de montanhas em parte submerso. A maioria dos habitantes vive quer nas planícies costeiras, quer nos ricos vales que recortam as montanhas. As Filipinas, estando localizadas no cinturão vulcânico que se estende até os confins do Oceano Pacífico, têm diversos vulcões ativos, sendo o mais espetacular o monte Mayon, considerado, por alguns, como tendo o mais belamente formado cone do mundo.

O país é dividido em três seções geográficas principais: Luzón, as Visaias e Mindanau. Luzón é a maior ilha, localizada ao norte, tendo uma “cauda” de terra que se estende para o sudeste. Mindanau, ao sul das Filipinas, é a segunda ilha em tamanho. Encerradas entre estas, há um grupo de ilhas conhecidas por Visaias.

As formosas ilhas que compõem as Filipinas são o lar de 42 milhões de filipinos, um povo amistoso e expansivo, de origem essencialmente malaia. São pessoas sociáveis que têm senso de humor. Gostam de conversar e trocar idéias sobre a bem dizer qualquer assunto imaginável. Seu amor à vida se exprime no seu gosto pela música e pela dança. As famílias são muito unidas, mas o filipino é hospitaleiro para com os estranhos e a sua porta está sempre aberta para os vizinhos e os visitantes. Fora das cidades, a vida nas Filipinas agrícolas continua calma. Todas estas caraterísticas do filipino contribuíram de alguma forma para a rápida difusão da mensagem da verdade de Deus nessas ilhas.

Por volta do século dezesseis da Era Comum, o islamismo se tornou a religião dominante em muitas partes do país, devido à migração de malaios maometanos para as Filipinas. Entretanto, quando a Espanha reivindicou o país, introduziu-se o catolicismo que se expandiu grandemente, de modo que hoje 83 por cento da população afirma pertencer à religião católica romana. A Espanha governou as ilhas por mais de 300 anos até que uma revolta dos filipinos em 1898, sustentada pelos Estados Unidos da América, removeu seu domínio. Os filipinos estabeleceram então um governo, mas os Estados Unidos não o reconheceram e, num tratado de paz, firmado com a Espanha em Paris, em 10 de dezembro de 1898, as Filipinas foram cedidas aos Estados Unidos. Assim, o país passou das mãos de um amo colonial para outro.

Os Estados Unidos introduziram o idioma inglês e um espírito mais liberal com respeito a religião, fatores que desempenhariam um papel importante no plantio e cultivo das sementes da verdade bíblica na alvorada do século vinte. O inglês se tornou a língua falada nas escolas e nos meios comerciais, e continua até hoje, tendo coexistido com os já existentes 87 idiomas e dialetos locais do país. Por conseguinte, é comum um filipino hoje falar inglês e um ou mais outros idiomas, o que facilita a comunicação entre os diversos grupos étnicos.

A MENSAGEM DO REINO CHEGA ÀS FILIPINAS

Foi por isso que em 1912, quando um célebre ministro norte-americano visitou Manila, pôde proferir um discurso em inglês perante uma assistência composta em grande parte de filipinos. O orador foi Charles T. Russell, presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA), que empreendia uma viagem mundial dando discursos. No domingo, 14 de janeiro de 1912, ele deu o discurso intitulado “Onde Estão os Mortos?” no Teatro da Grande ópera de Manila. Pela primeira vez chegou assim a mensagem do Reino até as Filipinas, evento que marcou o início da história moderna do povo de Jeová nesse país.

Muita publicidade havia sido feita mesmo antes da chegada do irmão Russell e de sua comitiva. Anúncios pagos que apareceram no Times de Manila, em 8, 11 e 13 de janeiro, suscitaram muito interesse no discurso. Todavia, alguns jornais publicaram declarações depreciativas sobre o irmão Russell, baseando seus relatórios, sem dúvida, nas falsas acusações que o Brooklyn Eagle e outros jornais estadunidenses fizeram. Alguns afirmavam que ele estava lucrando, que era “oportunista”, um pregador itinerante que se enriquecia graças ao entusiasmo religioso dos ignorantes. Outros até mesmo noticiaram falsamente que o grupo não havia chegado na data prevista.

Toda esta publicidade adversa não esfriou o interesse suscitado pelo discurso. Ao contrário, parece que estimulou tanto o interesse que cerca de 1.000 pessoas compareceram. Fez-se anúncio na reunião que se enviariam publicações grátis a quem deixasse seu nome e endereço numa folha de papel.

Visto que o irmão Russell fora apresentado no Teatro da ópera por nada menos que o General J. Franklin Bell, comandante-em-chefe de 20.000 soldados estadunidenses que estavam estacionados naquele tempo nas Filipinas, uma edição subseqüente do Free Press das Filipinas comentava: “Quando homens como o general de divisão Bell e o general Hall [companheiro de viagem de Russell, que havia morado nas Filipinas dez anos antes] se identificam com o pastor Russell e sua propaganda, não pode haver nada de gravemente errado com ela.”

Não há dúvida de que esta primeira pregação das boas novas nas Filipinas fez sensação entre o povo de Manila. O discurso se tornou assunto de conversação entre toda sorte de pessoas. Também as publicações distribuídas, bem como o próprio discurso, lançaram as sementes da verdade e foram um poderoso testemunho, o que constituiu um excelente começo da história do povo de Jeová nas Filipinas.

ALGUNS CONTATOS ISOLADOS NOS ANOS DE 1920

O próximo representante da Sociedade a ir às Filipinas, após a visita do irmão Russell foi o irmão H. Tinney. Em 1922 ou 1923, ele saiu de Vancouver Colúmbia Britânica, no Canadá, para fazer trabalho missionário nas Filipinas. Depois de ter trabalhado ali diligentemente por cerca de um ano, tendo distribuído muitas publicações e organizado uma classe de estudo bíblico em Manila, viu-se obrigado a voltar para o Canadá por motivo de saúde. Os filipinos continuaram a classe de estudo bíblico e o interesse suscitado continuou evidentemente a crescer. Como sabemos isso? Bem, em meados da década de 1920, uma pessoa de nome Petronilo Salazar recebia regularmente publicações da matriz da Sociedade em Nova Iorque e as divulgava. Realizavam-se estudos semanais da Bíblia em sua casa, na rua San Marcelino, Manila, e um letreiro externo a identificava como sendo o local de reuniões da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Cerca de dez pessoas assistiam aos estudos semanais naquele tempo e até princípios da década de 1930, e celebrava-se anualmente a Comemoração da morte de Jesus Cristo.

Outras pessoas também entraram em contato com o povo de Jeová e sua mensagem por meio de militares norte-americanos (ou seus familiares) a serviço por algum tempo nas Filipinas. Uma irmã idosa de uns oitenta anos de idade, cujo filho era oficial do exército, adoeceu durante sua estada nas Filipinas e recebeu tratamento no Hospital Militar de Forte Mills, na ilha Corregidor. Uma enfermeira filipina se interessou naquilo que essa senhora idosa lhe disse sobre a Bíblia. De modo que essa senhora idosa, depois de receber alta do hospital, dirigiu estudo bíblico duas vezes por semana com a enfermeira e mais umas cinco pessoas, chamando o grupo de círculo interno”.

Quando Annie D. Barrett, a irmã idosa, partiu para os Estados Unidos, a enfermeira não teve mais contato com os Estudantes da Bíblia (como eram chamadas as Testemunhas de Jeová) senão em 1932, quando outra paciente norte-americana, chamada Sra. Lampert, lhe deu o folheto Liberdade e o livro A Harpa de Deus. Antes de terminar a leitura deles, ficou abalada com os comentários de que a religião falsa é um instrumento usado por Satanás para cegar a mente dos homens. De modo que levou a questão ao capelão do exército, que conhecia os Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos e lhe falou sobre o crescimento deles ali apesar de serem severamente perseguidos. Ele lhe disse: ‘Não encontrará verdadeiros cristãos senão essas pessoas nos Estados Unidos inteiros.’ Estas palavras deram novamente coragem à enfermeira e ela encomendou três coleções de nossos livros por intermédio do marido da irmã Lampert, que era sargento das forças armadas dos Estados Unidos. Ao recebê-las, a enfermeira as distribuiu entre seus amigos.

Essa enfermeira, de nome Purificacion Bennett, saiu mais tarde do hospital militar em Corregidor e, com o tempo, entrou em contato com o escritório da Sociedade em Manila. Tornou-se pioneira em 1935, desempenhou um papel ativo na divulgação da verdade nas cidades de Luzón e Davau nos dez anos que se seguiram e continuou a servir fielmente como pioneira até sua morte em maio de 1977.

ORGANIZA-SE A OBRA

Entre os primeiros interessados se achava Van Bolin, um, soldado norte-americano que achara o folheto da Sociedade Torre de Vigia intitulado Onde Estão os Mortos? numa lata de lixo durante sua estada em guarnição em Xangai, na China, em 1932. O folheto fora jogado ali pelo seu tenente que recebera de um parente nos Estados Unidos, mas que não se interessou nele. Mais tarde, esse mesmo tenente recebeu o livro Governo e o folheto O Reino, a Esperança do Mundo que os deu com prazer a Van Bolin. Mais tarde ainda naquele ano, o regimento de Van Bolin retornou para a base original em Manila e ele escreveu imediatamente à sociedade Torre de Vigia em Brooklyn, Nova Iorque, solicitando mais publicações e pedindo-se a Sociedade poderia fornecer algum contato nas Filipinas. Enviou-se-lhe o endereço do Sargento Lampert, em Corregidor, mas os Lamperts já haviam ido embora das Filipinas quando procurou entrar em contato com eles.

Van Bolin continuou a ler os livros que recebera até que um dia, quando ouvia a estação de rádio KZRM de Manila, escutou um breve anúncio a respeito do trabalho da Sociedade Torre de Vigia, convidando as pessoas a ler suas publicações. Mencionou-se um endereço na rua Lealtad. Ao chegar ali, encontrou um representante da Torre de Vigia e começou a se associar com o povo de Jeová. Além das reuniões realizadas na rua Lealtad, programavam-se naquele tempo discursos bíblicos para o público em diversas localidades em toda a área de Manila.

Por volta dessa época, outro representante da Torre de Vigia estava em caminho para as Filipinas. Era Joseph dos Santos um norte americano de origem portuguesa, que tinha sido pioneiro no Havaí desde 1929. Ele partiu do Havaí em 1933, a bordo do navio “O Grande Setentrional”, com a intenção de circular o globo e, no percurso, parar nas cidades principais para proclamar a mensagem do Reino e distribuir literatura. Levava consigo algumas publicações e pediu que mais publicações lhe fossem despachadas para Manila para uso ali. Quando o navio atracou em Iocoama, porém, as autoridades japonesas confiscaram todo o seu estoque de literatura. Parece que alguns clérigos que viajavam com o irmão Santos o acusaram falsamente de ser comunista, notificando as autoridades japonesas por telegrama antes que o navio chegasse.

Esta acusação falsa de ser comunista perseguiu o irmão Santos até Manila. Ao chegar ali, foi imediatamente intimado a comparecer perante o chefe da Alfândega, que desejava ver um dos livros da Sociedade. Como o partido comunista foi organizado oficialmente nas Filipinas em novembro de 1930 o governo vigiava, por isso, todos os suspeitos de comunismo. O chefe da Alfândega depois de ler um dos livros no espaço de uma semana, ficou pelo que parece, convencido de que se tratava de religião e não de comunismo. Entretanto, por muitos meses depois, o Departamento de Informações tinha um agente da polícia secreta que seguia o irmão Santos na sua atividade de pregação, ao passo que um advogado da Alfândega foi até ao ponto de solicitar um estudo bíblico no seu lar só para descobrir se esta obra era comunista ou não. Finalmente, ficaram convencidos de que a obra era puramente cristã, de modo que o irmão Santos pôde unir-se livremente ao grupo já existente de cerca de dez irmãos nas suas reuniões e na atividade de pregação dentro de Manila e nos seus arredores.

ESTABELECE-SE UMA FILIAL

Os planos do irmão Santos, de viajar para o Brasil e em volta do mundo, foram repentinamente alterados por uma carta de Joseph F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA). A carta pedia que o irmão Santos assumisse a direção do trabalho de pregação do Reino nas Filipinas e estabelecesse ali um escritório filial da Sociedade. Foi com prazer que ele fez isso, alugando um local situado na avenida Rizal, 1.132, Santa Cruz, Manila, para servir como o primeiro escritório filial. Assim, em 1.º de junho de 1934, começou a entrar em função a filial das Filipinas.

Uma vez estabelecido o escritório filial, as reuniões e o serviço de campo ficaram mais bem organizados. O irmão Santos dirigia um estudo da Sentinela em inglês todos os domingos à noite. Mais tarde, acrescentou-se um estudo no idioma tagalo, às noites de sexta-feira, nos folhetos que haviam sido traduzidos para esse idioma, tais como O Reino, a Esperança do Mundo; Escape Para o Reino; A Crise e Além Túmulo. Os irmãos daquela área inteira de Manila freqüentavam esse único lugar de reunião. Não eram difíceis naquele tempo os meios de transporte em Manila, visto que a cidade não estava tão movimentada como hoje e havia muitos meios de transporte. O trambia, ou bonde, passava bem em frente do escritório filial e a passagem custava apenas seis centavos (Cr$ 0,60 naquele tempo). Por apenas 10 centavos, podia-se alugar, para uma viagem curta, uma charrete (calesa) puxada a cavalo. Mas, se os irmãos desejassem economizar, podiam viajar de caretela, puxada a cavalo, por apenas dois centavos (Cr$ 0,20). Ou, simplesmente, podiam locomover-se a pé, o que faziam muitas vezes.

Entretanto, o trabalho do pequeno grupo não se limitava de forma alguma a apenas reunir-se para estudo da Bíblia. O irmão Santos devotava meio dia diariamente ao trabalho de pregação de casa em casa além de cuidar do escritório filial. Dava assim um bom exemplo para os outros. Entre os primeiros que ouviram a verdade por meio de seu testemunho acham-se Agustin Dagdag e Narciso Samson, ambos ainda servindo fielmente a Jeová.

Usava-se naquele tempo um cartão de testemunho para pregar. Depois de ter o morador lido o cartão, apresentava-se-lhe a literatura. Em resultado de seu zelo, o pequeno grupo de não mais que vinte proclamadores do Reino distribuiu um total de 23.405 livros e folhetos só no ano de 1934.

Além do mais, quando havia lançamento de novas publicações, eram levados exemplares delas aos funcionários do governo e às bibliotecas públicas. Isto também produziu bons frutos. Com efeito, dois dos que serviram como “servos de zona” durante a segunda guerra mundial aprenderam a verdade mediante literatura que conseguiram nas bibliotecas. Fulgência de Jesus tomou emprestados da Biblioteca Nacional de Manila o folheto Dividindo o Povo e o livro Libertação! e entrou em contato com a filial graças ao endereço carimbado dentro do livro. Salvador Liwag era professor na cidade de Cabanatuã, situada a mais de 100 quilômetros de Manila, quando encontrou o livro Criação no anexo da Biblioteca Nacional ali. Já obtivera antes o folheto Onde Estão os Mortos? que o libertara da superstição religiosa e da influência dos demônios. Estes o vinham perturbando todas as noites, causando-lhe insônia e lhe prejudicando a saúde. Portanto, quando ele viu o livro Criação e o endereço carimbado na contracapa, desejou vivamente aprender mais e viajou imediatamente para Manila, localizando o escritório filial na avenida Rizal. Adquiriu todos os livros disponíveis e assinou para A Sentinela e A Idade de Ouro (predecessora de Despertai!). Em outubro de 1934, o irmão Liwag abandonou a profissão de ensino e se tornou proclamador das boas novas por tempo integral. Seu serviço de tempo integral continua até hoje, e ele serve agora como membro da família de Betel na cidade de Quezón.

Quando a filial estava ainda na infância, os servos de Deus foram provados quanto à sua lealdade para com a organização. Alguns se desagradaram da nomeação do irmão Santos como diretor da filial e por isso se apartaram dos irmãos e se reuniam separadamente. Em fins da década de 1930, pelo menos dois outros grupos separados da filial se chamavam “Testemunhas de Jeová”, e um desses estava organizado localmente como Sociedade do Betel e do Púlpito da Torre de Vigia. Embora isso causasse confusão, Deus não permitiu que fosse um tropeço para os que sinceramente buscavam a verdade, e os que eram leais a Jeová permaneceram com a Sua organização, recusando ser levados em conflitos por causa de personalidades. É interessante que, visto que os grupos dissidentes usavam basicamente matéria da literatura da Sociedade nos seus discursos e debates, muitos dos que os ouviam chegaram mais tarde a entrar em contato com os verdadeiros servos de Deus e ainda servem hoje lealmente a Jeová.

EXPANSÃO EM LUZÓN DESDE 1935 ATÉ 1939

Muito embora, no começo, a obra se concentrasse dentro de Manila e seus arredores, sentiu-se logo a necessidade de expansão nas províncias. Um dos primeiros pioneiros, Pablo Bautista, fizera algum trabalho nas províncias de Luzón meridional e central em 1933 e 1934, mas foi principalmente a partir de 1935 que houve expansão fora de Manila. O diretor da filial incentivou todos os que pudessem a entrar no serviço de pioneiro para se pregar nas áreas não tocadas das Filipinas.

Muitos dos que se tornaram pioneiros naqueles dias não tinham sido batizados. Até mesmo o diretor da filial, o irmão Santos, não tinha sido batizado até outubro de 1935. Não foi senão quando o livro Riquezas apareceu em 1936 que se deu a devida ênfase ao batismo nas Filipinas. Na página 139 desse livro, mostrava-se claramente que “submeter-se à imersão em água é ato de obediência, que ilustra como a pessoa se coloca inteiramente nas mãos do Senhor; portanto o batismo é necessário e digno de ser cumprido por todos os que aceitaram a missão de cumprir a vontade de Deus”.

Organizaram-se grupos de pioneiros que foram enviados primeiro a várias partes da ilha de Luzón. Entre esses estavam as famílias Bautista e Lacson, os irmãos Salvador Liwag, José Medina, Virginio Cruz e Benjamin Sampana e as irmãs Elvira Alinsod e Purificacion Bennett. Dispersaram-se de Manila, cobrindo rapidamente o território, visto que naquele tempo se dava mais ênfase à distribuição de nossa literatura de casa em casa do que a cultivar o interesse. Contudo, se alguém manifestasse disposição semelhante a ovelha, os irmãos ficavam na sua casa diversas horas para lhe ensinar as verdades da Palavra de Deus.

Em fins da década de 1930, aumentaram as fileiras dos pioneiros em razão de outros aprenderem a verdade e verem a necessidade urgente de proclamar as boas novas. Um desses foi Isabelo Taeza. Ele recorda que os pioneiros do seu grupo norte de Luzón devotavam entre 250 a 280 horas por mês no serviço de campo, ultrapassando em muito as 150 horas exigidas. Mostrando a devoção de todo o coração destes primeiros pioneiros, a maioria deles novos na verdade o irmão Taeza diz: “Caminhávamos em média 80 a 100 quilômetros por semana, dando testemunho morro acima e morro abaixo nos montes de Bontoque e ao longo do rio Abra.” Segundo os pioneiros, alguns dos habitantes tribais montanheses comiam alimentos estranhos, como rãs sem tirar a pele. Portanto, os proclamadores de tempo integral, da mensagem do Reino, levavam consigo muitas vezes melado para se sustentar. Quando se escassearam os fundos, o irmão Taeza, chefe de família naquele tempo, vendeu parte de suas terras aráveis e propriedade pessoal para poder continuar a fazer o serviço de pioneiro.

Aonde quer que os pioneiros fossem, encontravam a mesma avidez de aprender a respeito da Palavra de Deus que o irmão Russell e seus companheiros haviam notado entre os filipinos, em 1912. Embora não se fizessem revisitas com freqüência na década de 1930, a grande quantidade de publicações colocada resultava em se plantarem as sementes da verdade em todas as partes de Luzón e, mesmo sem contato pessoal, muitas dessas produziram fruto no coração dos que tinham fome espiritual.

Uma dessas pessoas era contramestre de construção na cidade de Báguio. Sua esposa obtivera o livro Riquezas e alguns folhetos de um dos pioneiros. Ele começou a ler o livro imediatamente e, depois de considerar o assunto acaloradamente com a esposa a noite inteira, ambos aceitaram a verdade mediante o que leram. Ele começou a falar a seus trabalhadores na Companhia de Transportes de Dangua, e alguns escutaram, tornando-se mais tarde Testemunhas de Jeová. Quando se publicou o livro Filhos, esse homem pôde obter um exemplar dele e o usou para ensinar a Bíblia a seus filhos. Ele estudava e palestrava sobre religião com outros por quatro anos, embora não tivesse tido contato com os irmãos e não tivesse assistido a nenhuma reunião cristã sequer. Esse é o irmão Alfredo Estepa, que mais tarde se associou com os irmãos e ingressou no lar de Betel na cidade de Quezón, em 1949, tendo perdido a família durante a guerra. Ainda serve fielmente em Betel.

Depois de terem trabalhado mais de dois anos com as publicações e os cartões de testemunho, os pioneiros receberam uma provisão suplementar, em 1937, quando começaram a ser usados os discursos bíblicos, gravados, do irmão Rutherford. Podia-se obter um fonógrafo portátil ao preço de 20 pesos (Cr$ 200,00), que podia ser pago a prazo, em parcelas semanais de 1 peso, se se desejasse. Além disso, o escritório filial em Manila comprou um aparelho de reprodução para tocar nas reuniões públicas os discursos mais longos, gravados. O irmão Santos comprou uma camioneta para transportar o aparelho de reprodução para servir de carro sonante. Por volta de 1939, havia dois aparelhos de som e vinte e quatro fonógrafos em uso nas Filipinas inteiras.

A MENSAGEM DO REINO CHEGANDO NAS VISAIAS E EM MINDANAU

Uma vez começada a nossa obra em Luzón, os irmãos Salvador Liwag e José Medina foram designados a difundir a mensagem do Reino pela primeira vez nas Visaias e em Mindanau. Começaram na cidade de Cebu. Enquanto testemunhavam ali, no andar térreo do edifício do Centro Estudantil um pastor presbiteriano, que acabava de fazer culto religioso num andar de cima, envolveu-os numa discussão acalorada e finalmente, na sua fúria, atirou as pastas de literatura deles para fora. Um dos que eram do “rebanho” do pastor, certo homem de nome Florencio Udog, observara isto e notara os argumentos bíblicos apresentados pelos pioneiros. De modo que se aproximou deles e adquiriu o folheto Quem Governará o Mundo? Mais tarde, obteve todos os livros que tinham. Por volta de junho de 1935, Florencio Udog estava sozinho, os pioneiros se haviam mudado. Servindo como publicador não batizado, escreveu para o escritório filial pedindo instruções e se lhe enviou um exemplar do Bulletin (agora Nosso Serviço do Reino). Embora houvesse ali, naquele tempo, apenas alguns interessados que ele encontrara, Florencio foi designado como diretor de serviço desse pequeno grupo.

Depois de deixarem a cidade de Cebu, os pioneiros foram para a cidade de Bacolode e para a Ilha dos Negros. Encontraram ali o irmão Narciso Samson que se mudara de Manila para lá com o fim de fazer serviço secular. Enquanto estavam na cidade de Bacolode, os três irmãos esperaram até a madrugada de 3 de junho de 1935 (2 de junho nos Estados Unidos) para ouvir o discurso do irmão Rutherford, intitulado “Governo”, transmitido por rádio diretamente de Washington, D. C., E. U. A. Ficaram emocionados de ouvir o discurso claramente. Lá em Manila, o diretor da filial e outros irmãos foram até um estúdio de radiodifusão para ouvir a mesma transmissão mas não puderam ouvir claramente em razão de perturbações atmosféricas. Na cidade de San Pablo, na ilha de Luzón outro grupo de pioneiros ouviu a transmissão naquela manhã. Isto fez com que os irmãos nas Filipinas se sentissem realmente mais intimamente unidos com o povo de Jeová em toda a terra naquele tempo, quando eram tão poucos.

Depois de terem trabalhado diversos meses nas Ilhas dos Negros, os pioneiros foram em direção ao sul, para Mindanau, chegando na cidade de Zamboanga pela primeira vez. Ali, Conrado Daclan, um estagiário da Força Pública das Filipinas, adquiriu livros dos pioneiros, mas perdeu contato com eles e não pôde mais localizá-los. Presumiu que eles precisavam corresponder-se com o escritório em Manila, de modo que se estacionou perto dos correios e ficou aguardando-os. Depois de vários dias de espera, os pioneiros finalmente chegaram e ele pediu imediatamente ajuda para estudar a Bíblia. Depois de três meses de estudo, esse homem foi batizado no rio Zamboanga. Não demorou muito e ele se uniu ao grupo dos pioneiros nas Visaias, e desempenhou um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial em difundir a verdade como “servo de zona”.

AJUDAS PARA A EXPANSÃO DO TESTEMUNHO

Na década de 1930, à parte do testemunho de casa em casa com publicações ou com o uso de fonógrafo, os irmãos usaram outros meios para proclamar a verdade em todas as Filipinas. Isto se deu por meio de debates públicos. Naquela época, os filipinos se interessavam muito em discussões públicas, e praticamente qualquer pessoa podia tomar a palavra na praça pública, especialmente sobre religião, atraindo considerável multidão de ouvintes. Destarte, os irmãos costumavam dar um discurso público, seguido de uma sessão aberta para perguntas. Em outras ocasiões, organizavam-se oficialmente debates com líderes de outras religiões, embora isto fosse desaconselhado pelo escritório filial. Esse estilo de foro público de considerar a Bíblia contribuiu muito para atrair as pessoas para a verdade, e muitos dos que hoje são Testemunhas ouviram a mensagem do Reino pela primeira vez no decorrer de um debate ou discussão pública.

Em certa ocasião, em Zamboanga do Sul, por exemplo, quando o irmão Liwag enfrentou um pastor local numa discussão pública, o cronometrista do debate se interessou pela verdade e é agora uma testemunha de Jeová. Embora se abandonasse esse estilo de debate na década de 1940, o costume de proferir discursos nas praças públicas e nos parques ainda era popular até a década de 1950, e este método de anunciar o Reino foi de fato usado plenamente pelo povo de Jeová nesse país. Outra grande ajuda para se alcançar mais pessoas com as boas novas foi a publicação de mais literatura nos idiomas locais.

Pode-se ver prontamente, por conseguinte, que o período entre 1935 e 1939 foi de vigorosa atividade para o pequeno grupo de proclamadores do Reino nas Filipinas. Durante esse período de cinco anos, foram distribuídos entre as pessoas em todas as partes das ilhas quase 500.000 livros e folhetos. Até 1939, quatorze congregações tinham sido formadas e 159 publicadores relatavam serviço de campo. Com poucas exceções, praticamente todas as províncias do país haviam recebido testemunho do Reino até certo ponto e as sementes de uma rica safra em anos posteriores haviam sido lançadas.

INTENSIFICA-SE A OBRA APESAR DAS AMEAÇAS DE GUERRA

Um evento alegre na história das Testemunhas de Jeová nas Filipinas ocorreu no Teatro da Grande ópera de Manila, em 21 e 22 de março de 1940. Ali, no mesmo salão usado pelo irmão Russell em 1912, o escritório filial da Sociedade organizou o primeiro congresso do povo de Jeová a ser realizado nesse país. Irmãos de várias partes do país compareceram e participaram em anunciar o discurso público “Governo e Paz”, que seria um discurso gravado, proferido pelo irmão Rutherford no Madison Square Garden, na cidade de Nova Iorque, em 25 de junho de 1939.

Por meio de desfile publicitário com cartazes, deu-se um testemunho impressionante aos residentes de Manila. Os irmãos, caminhando a uma distância de seis a nove metros uns dos outros, usavam cartazes que na frente rezavam: “A Religião É Laço e Extorsão”, e na parte de trás instavam: “Servi a Deus e a Cristo, o Rei, e Vivei.” Usaram-se também convites individuais para anunciar o discurso público. Quando, em 22 de março, se tocou o discurso “Governo e Paz” no aparelho de reprodução, uma assistência de mais de 300 pessoas ouviu atentamente.

Após esta primeira assembléia, para se cuidar mais eficientemente da obra, nove pioneiros foram designados como “servos de zona”, hoje chamados de superintendentes de circuito. Naqueles dias porém, cobriam uma grande área nas suas viagens. A nomeação destes servos de zona foi certamente oportuna, visto que desempenhariam um papel vital durante os anos críticos que se seguiriam.

Em razão de servirem sistematicamente os servos de zona nas suas “zonas” respectivas, nossa obra progrediu mais rápida e mais suavemente do que nunca antes. Organizaram-se nove congregações novas em 1940 e oito em 1941, levando a um total de 31 congregações com 373 publicadores naquele ano. Mais de 300.000 livros e folhetos foram distribuídos em 1940 e 1941, e 108.548 pessoas ouviram os discursos gravados do irmão Rutherford. Em 11 de abril de 1941, 621 pessoas assistiram à Comemoração e 16 participaram dos emblemas.

Em janeiro de 1940, ampliou-se um pouco a filial um tanto apertada da avenida Rizal, em Manila, alugando-se espaço adicional no mesmo imóvel. Mas, mesmo isso não foi suficiente para se fazer face às crescentes necessidades. Naquele tempo, o irmão Santos, sua esposa e seus dois filhos eram as únicas pessoas que residiam permanentemente no lar de Betel, embora outros irmãos viessem ocasionalmente para ajudar. Em fins de 1940, comprou-se um grande sobrado de dois pavimentos por 4.500 pesos (Cr$ 45.000,00), quase metade da importância sendo paga pelo diretor de filial, e um alemão interessado na verdade emprestou o resto. A nova propriedade, situada à rua M. Natividad, 1736, Santa Cruz, Manila, era espaçosa, bem ventilada e longe do barulho e da poeira da avenida Rizal, que é uma artéria principal de circulação. O subsolo servia para armazenar nossa literatura, o escritório e os dormitórios ficavam no primeiro andar. A sala ou a grande sala de recepção serviu como local de reunião para a “Companhia” de Manila. — Sal. 68:11, Almeida.

Logo após a compra dessa propriedade, acrescentou-se um novo membro em Betel. Foi Narciso Delavin, que vinha servindo como servo de zona nas províncias meridionais. Depois, em 1941, duas irmãs vieram trabalhar na filial, perfazendo assim cinco trabalhadores em Betel ao todo, não se contando as duas crianças do irmão e da irmã Santos. Nenhum desses trabalhadores solicitava mesada, visto que bastavam para as suas necessidades as contribuições que recebiam pelas publicações que colocavam quando participavam no serviço de campo. Naquele tempo, o custo de vida era muito baixo em Manila. Por exemplo, o café da manhã, que consistia de um ovo frito, pão e café, custava menos que dez centavos (Cr$ 1,00). Portanto, não foi senão depois da segunda guerra mundial que os membros de Betel nas Filipinas começaram a receber uma pequena mesada para as suas necessidades pessoais.

No meio desse crescimento e prosperidade espirituais, porém, as ameaças da guerra começavam a se fazer sentir. A segunda guerra mundial já se desencadeara na Europa e, em julho de 1941, os exércitos imperiais japoneses haviam praticamente cercado as Filipinas. O medo da infiltração do inimigo no país fez que certas pessoas suspeitassem que o povo de Jeová eram espiões ou comunistas, o que trouxe muita dificuldade para o pequeno grupo de irmãos nessa ilha.

Em Balaoã, La Unión, um grupo de pioneiros foi preso por não ter obtido licença para divulgar as boas novas na cidade. Quando outros pioneiros protestaram contra esta ação injusta que restringia a sua liberdade de expressão e de religião, eles também foram presos e acusados de ser comunistas. Os irmãos fizeram uso do folheto da Sociedade Order of Trial (Procedimento em Juízo) para se defender e, depois de uma semana, foram transferidos para a prisão provincial de São Fernando, La Unión. Com a ajuda de um advogado norte-americano, que amava a liberdade e que ofereceu seus serviços graciosamente, os irmãos foram soltos depois de terem passado um mês na prisão e foram declarados inocentes das acusações lançadas contra eles.

Em outras províncias, os irmãos foram acusados de ser “quinta-colunistas”, isto é, espiões a serviço das Potências do Eixo. Os jornais religiosos encorajavam isto, declarando falsamente que o objetivo da Sociedade era minar e derrubar os governos humanos. Essas acusações injustas não se limitaram à ilha de Luzón, mas houve notícias de que foram feitas também em Mindanau e nas Visaias. As acusações eram às vezes acompanhadas de violência física contra os irmãos.

Em duas ocasiões, representantes do Departamento de Informações visitaram a filial para verificar as atividades das Testemunhas de Jeová. Depois de lerem algumas publicações, reconheceram que a obra não tinha nenhuma ligação com a política, mas que era puramente cristã. Um dos representantes aconselhou o superintendente de filial que, “em caso de haver interpretação errada da parte dos funcionários da Commonwealth com relação à sua obra, poderão simplesmente referir o caso ao Departamento”.

A aproximação da guerra reanimava também os sentimentos nacionalistas, e se falava muito sobre tornar compulsório a saudação à bandeira nas escolas particulares e públicas. Já em 1939, alguns filhos das Testemunhas de Jeová haviam sido expulsos da escola por não saudarem a bandeira e, em razão de sua objeção religiosa à saudação de qualquer emblema nacional, eram, com freqüência, mencionados proeminentemente nos jornais quando este assunto vinha à tona. Finalmente, enviou-se uma circular a todas as escolas, tornando compulsória a saudação à bandeira, baseada na decisão emitida por José Abad Santos, então Ministro da Justiça. Sem dúvida, esta decisão foi, até certo ponto, influenciada pelo veredicto do caso Gobitis, em junho de 1940, quando a Corte Suprema dos Estados Unidos decidiu contra as Testemunhas de Jeová.

A GUERRA CHEGA ÀS FILIPINAS

Todos estes eventos atingiram seu ponto culminante quando a Força Aérea japonesa bombardeou Pearl Harbor, no Havaí pouco depois das 2 horas da madrugada, hora das Filipinas do dia 8 de dezembro de 1941. Algumas horas mais tarde, houve ataque aéreo na cidade de Davau, no sul de Mindanau, e, ao meio-dia do mesmo dia, aviões japoneses, procedentes de Formosa, bombardearam as bases estadunidenses de Clark e Iba, na ilha de Luzón. A guerra chegara às Filipinas.

Alguns dias depois do primeiro bombardeio, a filial da Sociedade nas Filipinas enviou à matriz de Brooklyn um telegrama que rezava: “Saudações. Obra paralisada. Irmãos determinados a ‘consolar todos os enlutados’!” Esta foi a última comunicação dessa filial com a matriz da Sociedade em Nova Iorque até o fim da guerra.

Quatro dias depois do bombardeio em Pearl Harbor, por volta das 10 horas da manhã, dois agentes da Força Pública das Filipinas foram à filial, na rua M. Natividad, e levaram o superintendente da filial para interrogatório. Elementos religiosos mal intencionados haviam informado falsamente as autoridades que o superintendente da filial era o quinta colunista n.º 1 nas Filipinas. Algumas horas mais tarde, três irmãos filipinos que se encontravam na filial naquele dia foram também levados presos pelos mesmos agentes. Ao chegarem na delegacia de polícia, tiraram-se-lhes as impressões digitais e foram fotografados como criminosos comuns, sendo depois interrogados no dia seguinte. Durante o interrogatório, se recusassem responder diretamente a perguntas ardilosas, eram amiúde espancados. Após isso, os três irmãos — Narciso Delavin, Agustin Dagdag e Melchor Maninang — foram lançados na velha prisão de Bilibid, da rua Azcarraga (atualmente avenida C. M.  Recto). O irmão Santos, superintendente da filial, já se achava ali, mas foi mantido separado dos irmãos filipinos. Não se lhes deu nenhum alimento por dois dias, mas o irmão Engracio Alinsod lhes levou algumas provisões.

Daí, os quatro irmãos foram levados dentro de um caminhão para a Penitenciária Nacional de Muntinlupa, em Rizal, a 25 quilômetros aproximadamente do sul de Manila. Ali, novamente se lhes tiraram as impressões digitais e foram fotografados e se lhes raspou a cabeça em forma de cruz, para indicar supostamente que eram traidores contra o governo. De novo o irmão Santos foi mantido separado dos outros prisioneiros. Ele foi lançado em cela solitária e não se lhe permitiu sair à luz do sol.

Os irmãos Delavin, Dagdag e Maninang foram lançados numa cela grande com diversos Sakdalistas, membros do movimento revolucionário que advogavam a deposição do governo. Os irmãos deram destemidamente testemunho a esses homens. No fim de dezembro de 1941, houve um comunicado de que todos os Sakdalistas seriam postos em liberdade se daí em diante apoiassem o governo e renunciassem às suas crenças políticas. Os três irmãos disseram imediatamente aos guardas que eles eram Testemunhas de Jeová e não eram traidores contra o governo, de modo que não tinham nada para renunciar. Em resultado desta firme declaração, foram separados dos Sakdalistas, receberam melhor tratamento, e mais tarde naquela noite, foram postos em liberdade junto com o irmão Santos.

O irmão Pedro Navarro, de São Fabiano, Pangasinã, cerca de duzentos quilômetros ao norte de Manila, e diversos outros irmãos ficaram sabendo do bombardeio em Pearl Harbor enquanto se dirigiam de bicicleta a Manila para obter literatura para o serviço de campo. Na volta, viram os exércitos norte-americanos (USAFFE — Forças Armadas dos Estados Unidos no Extremo Oriente) estender-se ao longo das estradas e das praias e o povo em geral evacuava o litoral, fugindo para as colinas. Portanto, estes irmãos, ao chegarem em Pangasinã, também abandonaram suas casas e foram estabelecer-se com suas famílias nas colinas de Lobongue, em São Jacinto, Pangasinã.

Em 14 de dezembro de 1941, dezessete desses irmãos foram presos. As autoridades militares das Filipinas lhes perguntaram se o Reino que proclamavam era o governo japonês e se Jeová era o nome de um deus japonês. Os irmãos responderam claramente que o Reino era de Deus e que Jeová é o Deus de todo universo. O sargento do exército estendeu então lado a lado num tronco de árvore as bandeiras norte-americana e filipina e ordenou ao irmão Navarro que se despisse, ficando só de calção, e se ajoelhasse e beijasse as bandeiras. Como ele permanecia de pé, espancaram-no sem piedade na presença dos outros irmãos até que caiu por terra. Ordenou-se-lhe que ficasse de pé, daí foi derrubado a murros novamente. Dois grupos de quatro soldados, alternando-se, espancaram o irmão desde o escurecer até uma hora e trinta da manhã seguinte, com apenas breves intervalos entre os espancamentos. Em resultado dos maus-tratos, o irmão Navarro sofreu deslocamento de uma costela.

Ao contrário do que os soldados esperavam, esta demonstração de força brutal não intimidou os irmãos que testemunhavam isso. Visto que essas Testemunhas também se recusaram a transigir, eles também foram espancados, queimados com pontas de cigarros, colocaram-lhes balas de fuzis entre os dedos que em seguida apertavam com muita força. No dia seguinte, os dezessete irmãos foram levados ao cemitério de Manaoague e se lhes disse que seriam fuzilados. Ao invés, foram deixados expostos em pleno sol tropical desde as 8 horas da manhã até às 3 da tarde antes de serem novamente interrogados pelos oficiais. Em seguida, os irmãos foram conduzidos para a prisão da cidade de Dagupã e foram postos em liberdade dois ou três dias depois, só para serem presos de novo um dia mais tarde e encarcerados em Taiugue, Pangasinã.

Depois de sofrerem outras brutalidades, durante as quais o irmão Navarro e seu tio foram encadeados juntos e espancados regularmente numa praça pública, as Testemunhas foram finalmente transportadas num caminhão do exército para Manila. Visto que os japoneses estavam freqüentemente bombardeando pontes e estradas nessa época, toda vez que havia um ataque aéreo, os soldados se escondiam nas beiras das estradas mas com os fuzis apontados para os irmãos para que ficassem dentro do caminhão, na esperança de que fossem bombardeados na rodovia. Entretanto, eles sobreviveram e, ao chegarem em Manila, foram interrogados no quartel-general das USAFFE, onde foram inocentados das acusações contra eles e postos em liberdade.

As Testemunhas liberadas permaneceram em Manila por alguns dias, procurando entrar em contato com os irmãos, mas, a primeira vez que foram à filial, esta estava fechada. No dia seguinte, foram de novo e se alegraram de encontrar o irmão Santos que acabava de chegar depois de ter sido solto da Penitenciária Nacional. Em 26 de dezembro de 1941, porém, as forças norte-americanas haviam declarado Manila cidade aberta. Os exércitos japoneses já marchavam em direção à capital e em poucos dias Manila estaria totalmente sob o controle deles. Compreendendo isso, o superintendente de filial instou com o irmão Navarro para voltar para Pangasinã, levando consigo tantas publicações e outros suprimentos quantos pudesse carregar. Como se regozijaram os irmãos em São Jacinto quando viram o irmão Navarro e outros irmãos voltar para casa são e salvos, pois achavam com certeza que o grupo inteiro de irmãos havia sido executado!

Lá em Manila, estando iminente a ocupação japonesa, o superintendente de filial tomou providências para proteger os interesses da Sociedade. Visto que todas as propriedades dos estrangeiros seriam confiscadas pelas forças invasoras, planejou-se vender a propriedade da filial situada à rua M. Natividad. As publicações foram repartidas nas casas de diversos irmãos em Manila, e os arquivos da filial foram destruídos. Quando os soldados japoneses entraram em Manila, em 2 de janeiro de 1942, afixaram em toda a cidade avisos que ordenavam todos os estrangeiros “inimigos” a se apresentar imediatamente na Universidade de São Tomás para serem internados ali. Foi assim que em 26 de janeiro de 1942 o superintendente de filial penetrou nesse campo improvisado de prisioneiros, onde permaneceria por três anos, até 13 de março de 1945. Sendo de nacionalidade filipina, a esposa não foi presa com ele.

No começo de sua prisão, o irmão Santos podia receber visitas ocasionais da esposa e de outras Testemunhas, o que lhe dava oportunidade de lhes dar conselhos úteis. Mais tarde, quando o campo veio a estar sob controle militar, isso não foi mais possível. Uma vez, ele recebeu uma carta do irmão Nathan H. Knorr, o novo presidente da Sociedade, informando-o sobre a morte do irmão Rutherford em 8 de janeiro de 1942.

CONTINUA A EXPANSÃO DURANTE A OCUPAÇÃO JAPONESA

Durante as provações que sofreram antes da guerra da parte das forças norte-americanas e filipinas e a subseqüente perseguição causada pela ocupação japonesa das Filipinas, as Testemunhas mantiveram estrita neutralidade. Haviam lido nos Anuários de 1938 e 1939 como seus irmãos perseguidos na Alemanha nazista se mantinham fiéis a Deus, o que foi uma verdadeira fonte de encorajamento. Além disso, foi por providência de Jeová que tiveram à mão o folheto Neutralidade para uso mesmo antes de chegar a guerra nas Filipinas. Portanto, sabiam qual devia ser sua posição bíblica diante das forças oponentes que se sucederiam e muitas vezes coexistiriam.

O encarceramento do superintendente da filial e o fechamento do escritório da Sociedade em Manila não interromperam a proclamação das boas novas do Reino, tampouco tornaram mais lento o aumento do número dos do povo de Jeová. Os nomeados servos de zona permaneceram, na maioria, nos seus setores designados durante estes tempos difíceis, e cuidaram fielmente dos interesses do Reino a eles confiados, fazendo o melhor que podiam dadas as circunstâncias.

Ao se relatar o desenvolvimento constante da obra do Reino durante os três anos sombrios da ocupação japonesa (1942-1945), parece apropriado apresentar o assunto separadamente nas cinco partes diferentes do país, cada uma tendo a sua própria história distinta: 1) O centro e o sul de Luzón, inclusive Manila; 2) o norte de Luzón; 3) as Visaias ocidentais; 4) o norte de Mindanau e as Visaias orientais; 5) o sul de Mindanau.

O CENTRO E O SUL DE LUZÓN

Depois de entrarem as forças da ocupação japonesa em Manila, a vida se tornou difícil na cidade. Muitos, por conseguinte, abandonaram a cidade e se refugiaram nas províncias. Muitos irmãos de Manila se mudaram para um centro de refugiados no povoado de Bai, na província de Laguna, uns 75 quilômetros ao sul da cidade. Ali, todos os irmãos permaneceram juntos, transferindo assim, na realidade, grande parte da Companhia (Congregação) de Manila para o povoado de Bai. Estudaram regularmente as últimas publicações disponíveis. Todos os domingos participavam no serviço de campo, cobrindo sistematicamente os povoados e as vilas nos arredores de Bai. Como estavam nas proximidades de Manila, puderam obter as publicações que haviam sido guardadas nos lares dos irmãos antes da guerra, e usaram-nas na atividade de pregação até esgotar o estoque. Depois disso, os irmãos emprestavam livros às pessoas interessadas.

Em resultado desta divulgação das boas novas na região de Bai, entrou-se em contato com a família Rubio, que morava em Maquilingue, Calamba, a uns vinte quilômetros dali, e logo todos os seus membros aceitaram a verdade e foram batizados. Sendo uma família numerosa, constituíram uma congregação separada em Maquilingue. Quando, mais tarde, os ataques japoneses tornaram a região de Bai perigosa, os irmãos se mudaram para Maquilingue e permaneceram com essa família que possuía terreno bem espaçoso. De lá, deram testemunho nas regiões circunvizinhas, chegando até à província de Batangas, saindo de casa muitas vezes às 3 horas da madrugada, usando tochas para iluminar o caminho, para chegarem no território ao amanhecer. Com freqüência, os irmãos caminhavam à parte uns dos outros por causa do perigo das patrulhas japonesas ou das guerrilhas filipinas. Portanto, sempre contavam quantos eram antes de ir e ao retornar.

Entretanto, nem todos os irmãos abandonaram Manila quando estourou a guerra. Alguns permaneceram na cidade, reuniram-se em diversos lares para estudar, e continuaram a declarar as boas novas na medida do possível. Na cidade adjacente de Passai, havia um grupo de publicadores diligentes que, em 1943, até mesmo realizaram uma pequena assembléia em que estiveram presentes Testemunhas da província de Pampanga.

Ao norte de Manila, nas planícies centrais de Pampanga e de Bulacã, um jovem irmão de nome Ruben Lacanilao foi nomeado servo de zona durante a guerra. Este irmão ajudou muitas pessoas a aprender a verdade, inclusive os membros de sua própria família. Quando, depois de lerem o livro Riquezas, estes novos discípulos compreenderam a importância do batismo em água, foram imersos, trajando vestimentas brancas e entoando cânticos do Reino (tendo o irmão Lacanilao composto a letra e adaptado a melodias populares). Durante o primeiro ano da ocupação, cinqüenta pessoas foram batizadas nesse grupo, outras cinqüenta manifestavam muito interesse e se associavam com os irmãos. Embora houvesse só uma congregação naquela região, as reuniões eram realizadas em três locais diferentes, em rodízio, a saber, em Mandili, Batasã e em Pampangsapa.

Durante esse tempo, formou-se o movimento Hukbalahap de resistência à ocupação japonesa. Esse nome é uma contração da expressão em tagalo Hukbo ng Bayan laban sa Hapon, a saber, “Exército popular contra o Japão”. Eram chamados de huks para se abreviar. Depois da guerra, continuaram militantes em atividades subversivas contra o governo filipino, que então proscreveu o movimento.

Certa vez, cerca de oitenta e cinco irmãos estavam reunidos para estudo num lar particular quando houve um encontro violento entre os huks e os soldados japoneses, a uma distância de apenas trinta metros da casa. Os irmãos permaneceram onde estavam, achando que seria demonstrar falta de fé em Jeová se fugissem e se escondessem. Nenhum deles ficou ferido, embora diversos civis fossem mortos por balas perdidas durante o combate que durou cinco horas.

As Testemunhas eram amiúde suspeitas de ser pró-japoneses, porque recusavam unir-se aos huks em combater os japoneses. Os huks procuravam constantemente recrutar os irmãos para os combates de guerrilhas. Interessavam-se especialmente no irmão Lacanilao, visto que era orador fluente e bom organizador, e achavam que possuía alguma “sabedoria oculta”, porque, antes de conhecer a verdade, ele tinha tido ligação com o espiritismo e predissera eventos futuros. De início, tentaram atraí-lo por meio de ofertas de alta posição na organização deles; mais tarde, exerceram pressão sobre ele. Mas ele manteve com firmeza a sua neutralidade e continuou a servir os irmãos como servo de zona, visitando as congregações em todas as províncias centrais de Luzón, para os fortalecer.

Este irmão traduzia regularmente artigos de números atrasados de A Sentinela em pampango para o benefício dos irmãos. Escrevia à máquina ou à mão suas traduções. Estas eram depois emprestadas a famílias diferentes. Os chefes de família preparavam perguntas para certas partes e as entregavam ao dirigente do estudo. O texto diário era traduzido do mais recente Anuário disponível e cada família o comentava depois de entoar cânticos. Aos poucos, o irmão Lacanilao traduziu também o livro da Sociedade intitulado Filhos para o pampango, fazendo a tradução oralmente ao passo que uma equipe de quatorze irmãos sentados em círculo em volta dele escrevia o que ele ditava. Visto que os huks estavam a sua procura, ele fazia este trabalho de tradução ocultamente, certa vez trabalhando dentro de uma cabana no meio de um campo de melancias, enquanto os irmãos vigiavam do lado de fora caso aparecessem visitantes. Quando aparecia alguém, o irmão Lacanilao escondia sua máquina de escrever debaixo de outras coisas dentro de um cesto de vime e pretendia estar fazendo outra coisa.

Visto que se selecionava a matéria a ser traduzida de modo a edificar os irmãos na fé, foram bem fortalecidos espiritualmente para as dificuldades que enfrentavam. Eles eram muitas vezes capturados e interrogados e, com freqüência, escapavam da morte só com a intervenção de parentes que pertenciam ao movimento huk. Certa vez, porém, o irmão Armando Sarmiento, um superintendente presidente, foi capturado, pendurado de cabeça para baixo numa árvore, e o usaram como alvo para treinarem atirar facas até o matarem. Morreu assim fiel a Jeová como alguém que recusou violar a sua neutralidade cristã.

Não obstante a situação crítica, os irmãos conseguiam reunir-se de tempos a tempos em “assembléias de zona”. Em setembro de 1943, reuniram-se no povoado de Mandili, em Candaba, Pampanga. Foram convidados os irmãos das cidades de Passai e de Manila, bem como um grande grupo de Angate, em Bulacã.

Assim, os irmãos de Luzón central se mantiveram ativos e fortes na fé durante a guerra. Ao terminar a guerra, o irmão Lacanilao continuava a edificar os irmãos, sob a direção do escritório filial, até que um dia, em 9 de julho de 1945, um bando de huks invadiu a sua casa e exigiu, de mão armada, que se unisse a ele na luta contra o governo filipino. Como recusou terminantemente fazer isso, o verdugo (executor) contou até três e abriu fogo à queima-roupa na frente de seus irmãos e suas irmãs. Ele sobreviveu ainda cerca de meia hora depois disso, e, para o consolar, sua família entoou um cântico do Reino intitulado “Avante, Marchai Mesmo Até a Morte!” Este irmão fiel devotou seus últimos momentos a encorajar sua família a permanecer fiel e a falar da esperança certa da ressurreição.

As forças norte-americanas chegaram em fevereiro de 1945, e os presos na Universidade de São Tomás, em Manila, foram soltos. O irmão Santos foi tratado pelo exército norte americano e foi finalmente posto em liberdade em 13 de março de 1945. Ele não pesava mais que trinta e seis quilos nessa época, em contraste com os seus sessenta e um quilos no começo de sua detenção. Eis o que ele disse a respeito do que passou na prisão perto do fim do tempo em que esteve ali: “Nos últimos meses, a fome era terrível. Cada prisioneiro recebia por dia uma tigela de caldo ralo de arroz com sal. Tudo o que pudéssemos encontrar no pátio do campo, como cascas de batata-doce, capim e qualquer outra vegetação achavam caminho para dentro de nossos estômagos vazios para aliviar, pelo menos, a horrível sensação de fome.”

Embora, no começo, o irmão Santos fosse a única Testemunha no campo de prisioneiros, em janeiro de 1944 juntaram-se a ele mais dois, o irmão Van Bolin e seu filho John de vinte anos de idade. O irmão Bolin havia sido desmobilizado das forças armadas norte-americanas e retornara às Filipinas em 1941. Ele e seu filho estavam decididos a ser pioneiros. Foram designados à cidade de Zamboanga, mas pouco depois de chegarem ali, veio a guerra e, em maio de 1942, foram presos pelos japoneses na cidade de Zamboanga. Em 1944, foram transferidos para a Universidade de São Tomás, onde encontraram o irmão Santos. Fizeram arranjos para estudar juntos, regularmente, e celebraram naquele ano a Comemoração dentro do campo de prisioneiros.

Durante a sua detenção, estes três irmãos aproveitaram todas as oportunidades para tornar conhecida a verdade a seus co-detentos. Guardaram, também, a sua integridade para com Jeová Deus.

Tão logo foi posto em liberdade o irmão Santos instalou temporariamente o escritório filial no apartamento de um médico, situado à rua Oroquieta, em Manila. Ali, teve a alegria de se reunir com os irmãos que haviam chegado de várias províncias, e regozijou-se de ouvir sobre o excelente trabalho que havia sido feito no sul e no centro de Luzón durante os anos de guerra. Irmãos do norte de Luzón também o visitaram.

O NORTE DE LUZÓN

No começo da ocupação, os irmãos do norte de Luzón gozavam de um período relativamente tranqüilo e a obra prosseguia sem dificuldade. Durante esses quatro anos, a época da Comemoração forneceu ocasião para se reunirem. A primeira Comemoração foi celebrada em Caba, La Unión, não muito tempo depois de começar a ocupação, em 1942, e cerca de 100 pessoas estiveram presentes.

Entre 1943 e 1945, o irmão Benjamin Sampana, servo de zona, organizou “assembléias de zona” que eram realizadas na época da Comemoração. Durante essas reuniões, davam-se instruções para o ano de serviço seguinte e se designavam aos pioneiros os povoados específicos em que deviam dar testemunho. Embora não se fizessem contagens exatas naquele tempo, está claro que, na assembléia de 1945, houve cinco vezes mais pessoas na assistência do que na Comemoração de 1942. Isto prova que Jeová dera aumento durante os anos de guerra.

Entre essas assembléias memoráveis, os publicadores e os pioneiros continuavam a declarar as boas novas e a se reunir para o estudo do livro Filhos, a última publicação da Sociedade de que dispunham. Em alguns lugares, os irmãos acharam aconselhável mudar semanalmente o lugar de reunião, tanto para a sua própria conveniência como para evitar atrair a atenção das autoridades japonesas.

Apesar das precauções que tomavam, os irmãos não conseguiam evitar todo o contato com as forças oponentes e muitas vezes, ou os espiões japoneses ou os guerrilheiros filipinos os espancaram. No norte, em Bucal, na província de Abra, o irmão Isabelo Taeza e seu grupo de pioneiros, quatorze deles ao todo, foram detidos pelos japoneses. Os quatorze irmãos foram encarcerados, para serem executados depois de alguns dias. Apanhavam todas as noites com um pedaço de pau ou com um cabo de picareta. Não receberam nenhum alimento por três dias. No dia da execução, os japoneses avisaram o prefeito da cidade, como era o costume. O prefeito, por sua vez, informou os parentes dos irmãos, mas, quando ficou sabendo que alguns desses eram amigos íntimos seus, interveio em favor das Testemunhas condenadas. Felizmente, a execução foi cancelada e os irmãos foram postos em liberdade. Sentiram verdadeiramente, nessa ocasião, a mão protetora de Jeová sobre eles!

Mais tarde, o mesmo grupo caiu nas mãos dos guerrilheiros, que exigiram que se unissem a eles, sob pena de morte. Esta vez, o medo levou um ou dois desses pioneiros a transigir, mas a maioria ficou firme e não sofreu nenhum dano. Esse grupo de pioneiros fez muito trabalho zeloso naqueles tempos difíceis, e teve o privilégio de formar as congregações de Abulugue e Clavéria, na província de Cagaiã, bem como de fortalecer os irmãos da congregação de Bucal, em Abra.

A obra de Jeová continuava assim a progredir continuamente durante a ocupação da ilha de Luzón. Mas qual era a situação dos irmãos nas ilhas meridionais, tais como as Visaias ocidentais?

AS VISAIAS OCIDENTAIS

Antes de começar a guerra, haviam sido formadas congregações nas cidades de Bacolode, Iloílo e Cebu, uma em cada das três ilhas principais da região. Vejamos o que aconteceu com os irmãos nesses lugares entre 1942 e 1945.

Quando irrompeu a guerra, os irmãos da cidade de Bacolode se refugiaram nas montanhas de Cabatangã, onde continuaram a dar testemunho e a se reunir. Acamparam-se em grupo em pequenas cabanas e se organizaram como congregação, com reuniões regulares e arranjos de serviço de campo. Um dia, os habitantes dessa região ficaram sabendo que a patrulha japonesa se aproximava e todos, exceto as Testemunhas, foram esconder-se. Os irmãos fecharam todas as portas e janelas e permaneceram quietos dentro de suas cabanas, orando a Jeová. Todos os que fugiram e se esconderam foram capturados pelos japoneses, mas o povo de Deus não sofreu nenhum dano. Depois de breve permanência nas montanhas, o grupo pôde retornar para a cidade de Bacolode, onde permaneceu, continuando seu serviço a Jeová, enquanto durou a guerra.

Quando os japoneses ocuparam a cidade de Iloílo, os irmãos se refugiaram no povoado de Buntatala, em Leganes, bem nos arrabaldes da cidade. Fizeram reuniões ali na casa da família Gustilo. Realizaram ali, uma vez, a Comemoração que foi assistida por alguns irmãos da cidade de Bacolode. Mais tarde, quando aquele lugar se tornou muito perigoso, os irmãos se mudaram para um lugar mais tranqüilo, nas terras do irmão Blas Pamplona, no povoado de Bilidã, Santa Bárbara, Iloílo.

Em Bilidã, os irmãos construíram suas casas e um Salão do Reino para reuniões nas terras do irmão Pamplona. De dia, cultivavam a terra, cada família repartindo os produtos, e às noites, estudavam a Palavra de Deus em conjunto, com o uso dos livros Salvação e Filhos, que o irmão Manuel Enicola traduzia oralmente para o hiligaino à medida que consideravam a matéria. Mais tarde, um membro do grupo forneceu certo capital e os irmãos montaram um pequeno comércio que os ajudou a se manter. Viajavam em vários povoados para vender seus produtos, e, ao mesmo tempo, davam testemunho e, às vezes, discursos públicos. Desta forma, puderam dar testemunho nos povoados de Dingle, Santa Bárbara, Cabatuã, Lucena, Leganes, Zarraga, Barotaque Novo, Lambunau, Janiuai e Calinogue.

Na cidade de Cebu, os irmãos sofreram muitas dificuldades desde o começo da guerra. O irmão Leodegario Barlaan e a irmã Natividad Santos, que mais tarde se tornou sua esposa, eram pioneiros naquele tempo em Cebu junto com diversos outros. Foram acusados pelas autoridades do governo de fazerem parte da quinta-coluna, sendo detidos na prisão por cinco dias em Tuburã, em Cebu. Algumas amostras de suas publicações foram enviadas para o quartel-general do exército que, em resposta, enviou um telegrama ordenando a soltura das Testemunhas de Jeová, o que as livrou da acusação falsa. Foi-lhes dito, porém, que não pregassem ao povo, mas os irmãos ‘obedeceram a Deus antes que aos homens’ e prosseguiram com o seu trabalho, fazendo uso do seu bom estoque do livro Filhos e do folheto Fim das Potências do Eixo — Confortai a Todos os Que Choram. (Atos 5:29) Duas semanas mais tarde, foram detidos novamente e encarcerados, esta vez na cidade de Cebu. Embora o delegado fosse bondoso, explicou-lhes que, se lhes fosse permitido proclamar publicamente a sua mensagem, poderiam desencorajar os outros de fazer a guerra. Contudo, quando os japoneses começaram a bombardear a cidade, todos os prisioneiros foram postos em liberdade. Portanto, essas Testemunhas foram novamente libertadas.

Perto do fim de 1942, o irmão Barlaan e a irmã Santos foram novamente presos, esta vez pelos guerrilheiros filipinos que tentaram fazer os irmãos assinar uma declaração juramentada de que eram espiões japoneses. Como recusaram fazer isso, esses cristãos fiéis foram submetidos a um julgamento simulado, enviados para o quartel-general dos guerrilheiros e daí transportados para diversos campos dos guerrilheiros por um período de oito meses, onde foram submetidos a trabalho forçado. Certa vez, exigiu-se deles que cantassem um hino patriótico, mas eles entoaram, ao invés, um cântico do Reino. Em julho de 1943, essas Testemunhas perseverantes foram postas em liberdade, ficando os guerrilheiros finalmente convencidos de que eram cristãos neutros e não espiões japoneses.

Embora o irmão Barlaan e a irmã Santos tivessem apenas roupas desgastadas que usavam por ocasião de sua soltura da prisão, recomeçaram imediatamente a declarar as boas novas. Providencialmente, um menino lhes falou a respeito de uma pessoa que morava ali perto e disse que era também Testemunha. Tratava-se de um homem interessado na verdade que havia lido o livro da Sociedade intitulado Criação. Essa pessoa hospitaleira convidou o grupo inteiro de pioneiros a se alojar em sua casa, e por algum tempo a casa dele foi usada para estudos semanais. Os irmãos gastavam uma semana na pregação e uma semana para ganhar a vida, o irmão Barlaan plantando milho nas terras do hospedeiro e a irmã Santos tecendo chapéus que ela vendia na feira por 1 peso (Cr$ 10,00). Deste modo, com a ajuda amorosa do bondoso hospedeiro, puderam comprar para si roupas novas. Depois de dois meses de estudo, essa pessoa interessada foi batizada pelo irmão Barlaan.

O grupo de pioneiros contava então com onze pessoas. Trabalharam nas montanhas de Tuburã e cobriram os povoados de Sugode, Catmom, Cármen e Danau, chegando, com o tempo, na cidade de Toledo, na costa ocidental da ilha de Cebu. Neste último lugar, organizaram um estudo da Sentinela (usando edições atrasadas da revista), bem como um estudo em cebuano do folheto Descobertas. No fim da ocupação japonesa, em 1945, muitas das pessoas interessadas que foram encontradas nesses lugares já haviam sido batizadas.

Estando interrompidas as comunicações, os irmãos nas Visais ocidentais não puderam entrar imediatamente em contato com o escritório filial depois de terminar a guerra. Praticamente nenhum deles pôde assistir à primeira assembléia em Lingayen, em novembro de 1945, depois da guerra. Com efeito, a primeira assembléia à qual a maioria deles assistiu em Luzón foi a realizada em Manila, em março de 1947, por ocasião da primeira visita do irmão N. H. Knorr às Filipinas. Não obstante, continuaram a declarar as boas novas e, em março de 1946, os irmãos de língua hiligaina organizaram uma assembléia de sua própria iniciativa em Santa Bárbara, Iloílo.

O NORTE DE MINDANAU E AS VISAIAS ORIENTAIS

Após a assembléia de 1940 no Teatro da Grande Ópera de Manila, o irmão Condado Daclan foi designado a trabalhar no norte de Mindanau e nas Visaias orientais na qualidade de servo de zona. Em abril ou maio daquele ano, chegou na cidade de Ozamis, sua primeira etapa. Achou-se interesse ali e logo os novos irmãos se juntaram ao irmão Daclan e aos outros pioneiros em dar testemunho em toda a zona norte de Mindanau, desde Zamboanga até Surigau.

Os irmãos muitas vezes enfrentaram dificuldades em razão das pressões do tempo da guerra. O irmão Juliano Hermosa foi detido em Malaibalai, Buquidnom, onde se achava o quartel-general do exército, e foi acusado de espionagem, mas depois foi solto. Mais tarde, o grupo inteiro dos pioneiros foi preso sob a mesma acusação, ficando detido por alguns dias em Gingoogue. O irmão Solano, de Manila, estava com eles por ocasião dessa detenção. Mas foram soltos novamente.

Dirigindo-se para o leste, as Testemunhas finalmente chegaram em Buenavista, Agusã, lugar que lhes serviria de centro de atividades durante a guerra. Ali, também, logo foram parar atrás das grades, mas os guardas ficaram surpresos de ver a alegria dos irmãos ao entoarem cânticos de louvor a Jeová. As Testemunhas falaram sobre a verdade a alguns dos guardas e diversos deles manifestaram bastante interesse na verdade. Os oficiais norte-americanos interrogaram nessa ocasião o irmão Daclan e ele assinou uma declaração em resposta às 75 perguntas que lhe foram feitas. Segundo todas as evidências, essas informações foram enviadas para a Austrália, pois, não muito tempo depois, pelo que se contou, foi recebida mensagem procedente do quartel-general do General MacArthur no sentido de que as Testemunhas de Jeová não eram culpadas de atividades quinta-colunistas. Portanto, foram soltos da prisão. Isto se deu na primavera de 1942.

Nessa época, havia cerca de 100 publicadores na “Companhia” de Buenavista, dividida em quatro grupos menores. Estudava-se semanalmente o livro Filhos e havia também reuniões de serviço, embora estas consistissem essencialmente em discursos baseados nas publicações da Sociedade e em encorajamento para os irmãos continuarem a declarar as boas novas. Quando havia combates entre as forças oponentes as Testemunhas mudavam o local das reuniões de um lugar para outro, reunindo-se às vezes nas colinas para evitar as zonas de combate. Como gostavam muito de cantar, os irmãos compuseram poemas bíblicos que foram adaptados a melodias de hinos protestantes para servirem de cânticos do Reino. Antonio Yangzon organizou uma orquestra e o irmão Francisco Borja ensinou os irmãos a cantar em quatro vozes.

Quando as escolas públicas fecharam por causa da guerra, a “Companhia” de Buenavista organizou as suas próprias escolas, divididas em quatro grupos, cada grupo tendo seu próprio instrutor. Até mesmo crianças cujos pais não eram Testemunhas freqüentaram essas escolas improvisadas e davam uma contribuição aos instrutores pela instrução recebida. Alguns aprenderam a verdade deste modo, visto que se usavam como compêndios a Bíblia e as publicações da Sociedade.

Todo o contato com o escritório filial estando interrompido, o irmão Daclan se encarregou da obra nessa região até que as comunicações com a Sociedade foram restabelecidas. Formaram-se durante aquele período as congregações de Alegria, Mainite, Plácer e Bacuague, na província de Surigau, e as de Cabadebarã, Esperanza, Las Nieves e Libertad (cidade de Butuã), na província de Agusã.

Ao saberem que os nomes dos irmãos mais destacados estavam na lista dos procurados pelos guerrilheiros filipinos, por causa de sua neutralidade, os irmãos deixaram de usar seus nomes verdadeiros e adotaram, ao invés, nomes bíblicos. O irmão Daclan foi chamado de “Calebe”, ao passo que outros tinham nomes como “Jó”, “Sadraque” e “Mesaque”. Estes nomes se tornaram tão comuns que raramente usavam o verdadeiro nome deles, e mesmo até hoje os irmãos daquele tempo se lembram melhor uns dos outros pelos seus nomes bíblicos.

Como no resto do país, no ano de 1944 intensificaram-se os combates entre as forças japonesas e os guerrilheiros. Isto, por sua vez, trouxe muito sofrimento aos irmãos do norte de Mindanau, pois ambos os lados os odiavam. Javier Pauya, chamado “Jó” pelos irmãos, foi cruelmente torturado pelos guerrilheiros e morreu pouco tempo depois disso devido a enfermidade causada pelas brutalidades que sofreu. Em Nasipite, Agusã, Santiago Sacro e sua esposa Dominga foram mortos pelos japoneses e seus corpos foram queimados junto com a sua casa. Isidro Monta foi amarrado durante uma noite inteira numa árvore cheia de formigas vermelhas que o picavam, mas ele sobreviveu e não transigia. Outros irmãos foram deixados nus e severamente espancados quando recusaram carregar balas para os guerrilheiros.

No meio dessa cruel perseguição, o servo de zona fez arranjos para a realização de uma assembléia em Bacuague, Surigau, perto do fim de 1944. Irmãos das províncias de Agusã e Surigau, compareceram, e foram proferidos discursos para lhes fortalecer a fé. No decorrer dessa assembléia, deu-se encorajamento aos irmãos para continuarem a proclamar as boas novas, e se pediu voluntários para darem testemunho em territórios isolados. Cerca de cinqüenta irmãos e irmãs, entre quatorze e trinta anos de idade, se apresentaram como voluntários e foram trabalhar primeiro nas ilhas Siargau, ao largo da província de Surigau. Essas ilhas eram relativamente tranqüilas, de modo que as Testemunhas trabalharam ali sem impedimento, encontrando bastante interesse e formando congregações em Dapa, Tuburã, Burgos e Numância. Em pouco tempo, havia uns 300 irmãos ao todo dando testemunho ali.

Enquanto os irmãos estavam nessas ilhas, construíram um resistente barco a vela com a capacidade de transportar sessenta pessoas, que foi usado para se dar testemunho em vários lugares. Deram ao barco o nome de “Mispá”. Depois, acrescentaram-se mais dois barcos à “frota”, a saber, “Teocracia I” e “Teocracia II”. Um dia, o “Mispá”, carregado de irmãos, velejou mais longe do que de costume, com destino às duas grandes ilhas de Leyte e de Bohol. Nessa época, as forças japonesas estavam prestes a ser expulsas das Filipinas, tendo as tropas de combate do General MacArthur desembarcado em Leyte desde outubro de 1944.

Ao desembarcarem em Liloã, Leyte, as Testemunhas se separaram em dois grupos e visitaram respectivamente as zonas leste e oeste de Leyte. Efetuou-se um bom trabalho nessa viagem, e foram formadas congregações em Santa Paz, Sogode e Naavongue. Um grupo chegou em Maasim, embarcou novamente no “Mispá” e foi em direção à ilha de Bohol. Ao pisar em terra em Ipil, Talibom, no norte da ilha de Bohol, este grupo, dirigido por Benjamin Datig, foi dividido em três e, em razão de ser a ilha mais ou menos de forma circular, um grupo foi em sentido leste, outro, oeste e o terceiro, para o sul, através da ilha. Desta maneira, cobriram a ilha inteira de mais de quarenta povoados e se encontraram em Taguebilarã, a capital da província.

Essas Testemunhas encontraram durante essa viagem, em Sevilha, Bohol, um grupo de pessoas interessadas. Estas haviam estudado a Bíblia juntas, usando as publicações da Sociedade, embora nunca se tivessem associado com o povo de Deus. Salvador Maleza obtivera antes da guerra algumas das nossas publicações de um irmão que fazia serviço de rua em Manila. Salvador começara a lê-las durante a ocupação japonesa. Embora ele fosse guerrilheiro, começou a mudar muitos de seus hábitos, recusando ir a cerimônias por causa daquilo que aprendera das publicações. Um co-guerrilheiro seu, Ignácio Digao, observou essa mudança nele e se interessou também. Portanto, eles e mais outros começaram a estudar juntos, considerando a Bíblia capítulo por capítulo. Como se sentiram alegres de encontrar os irmãos visitantes nessa ocasião e de obter mais conhecimento! Depois da guerra, essas pessoas foram batizadas.

Partindo de Bohol, o grupo encontrou-se com os outros irmãos que haviam sido deixados em Leyte e juntos foram para as ilhas Siargau de novo no barco “Mispá”. No percurso, foram sacudidos por um forte tufão, e um menino foi atirado para fora do barco, mas o irmão Daclan mergulhou e o salvou, de modo que não se perdeu nenhuma vida. Depois disto, fizeram mais trabalho ainda em Buguidnom e Misamis oriental, resultando na formação das congregações de Balintade, Lúmbia e Imbatugue.

Os irmãos fizeram muito trabalho dinâmico neste setor durante a guerra, resultando na formação de muitas congregações até 1946, quando se restabeleceram as comunicações com o escritório filial. O irmão Daclan foi a Manila para fazer relatório pessoalmente ao escritório filial naquele ano e, desde então, o trabalho tem sido novamente dirigido pela filial da Sociedade.

O SUL DE MINDANAU

Antes de estourar a guerra, um grupo de seis pioneiros, junto com algumas pessoas interessadas, davam testemunho na cidade de Davau, no sul de Mindanau. Reuniam-se regularmente para estudar a Bíblia na casa do irmão Cipriano Sepulveda. Salvador Liwag, que fora designado como servo de zona para aquela área, era um deles, e estavam com ele os irmãos Desiderio Pauya, Lino Ilaguison e Felino Comidoy, bem como as irmãs Purificacion Bennett e Elvira Alinsod. Quando os japoneses desembarcaram em Davau em dezembro de 1941, o irmão Ilaguison se achava na ilha de Samal, ao largo da cidade de Davau, e o resto das Testemunhas se refugiaram na província de Cotabato, junto com muitos outros que fugiam dos exércitos da ocupação.

O pequeno grupo caminhou por muitos dias através de densas florestas, dormindo entre as raízes das Árvores e tentando livrar se das sanguessugas que lhes sugavam o sangue. Bebiam a seiva da rota quando não encontravam água potável. Essa planta é um pouco parecida com a cana-de-açúcar e, quando cortada de través, segrega água potável para saciar a sede. Os japoneses invasores não estavam muito longe deles e, ocasionalmente, um avião lançava folhas volantes incentivando os habitantes a se submeter aos invasores. Uma dessas folhas trazia a fotografia do papa abençoando crianças, e instava com todos que cooperassem com a “Esfera de Co-prosperidade do Sudeste Asiático”.

Chegando em Cotabato, os irmãos e as irmãs falaram sobre a Palavra de Deus tanto com os residentes locais como com os refugiados de Davau que se estabeleceram ali. No povoado de Piquite, um homem que obtivera algumas publicações antes da guerra fez amizade com as Testemunhas. Por meio dele, conheceram dois parentes seus, Pedro e Aniano Brillas, que aceitaram a verdade e se acham entre o povo de Jeová até hoje. Quando as forças japonesas finalmente ocuparam Cotabato, os irmãos se viram obrigados a continuar mudando-se de um lugar para outro, a fim de evitar serem recrutados a trabalhar nas guarnições japonesas. Acampavam-se nas colinas quando era perigoso permanecer no próprio povoado. Essas constantes mudanças revelaram ser uma bênção, embora não parecessem ser assim, pois foi nessa época que se entrou pela primeira vez em contato com um grande número de nossos atuais superintendentes e servos ministeriais, especialmente os de Cabacã e de Quidapavã. Neste último povoado, certo homem de nome Guillermo Alegado se regozijou de ver os irmãos, pois ele já havia estudado uma vez a Bíblia no Havaí com o irmão Santos antes de este último chegar nas Filipinas. A família Alegado inteira aceitou a verdade. Além das famílias Alegado e Brillas, outros com quem se entrou em contato naquela época foram Antero e Macario Baswell, Alfredo Nadong, Anastacio Gonzales, Arsenio Bermudez e Manuel Gamponia.

Uma vez, alguns irmãos foram presos pelos guerrilheiros como suspeitos de ser espiões japoneses. Ao saberem que Pedro Brillas fora soldado antes, bateram nele sem piedade. Quatro dos nossos irmãos foram detidos a noite inteira e daí levados para dentro das densas selvas para ficarem presos ali. Foram postos dentro de pequenos engradados semelhantes aos de se transportar porcos, e eram tão sem espaço que os irmãos não podiam nem deitar-se, nem ficar de pé, mas só podiam permanecer sentados. Continuaram a dar testemunho, mesmo nessa situação, e, em resultado disso, um dos guardas, Lorenzo Hersan, aceitou a verdade e foi batizado mais tarde. Os irmãos permaneceram em cativeiro durante quase dois meses antes de serem soltos devido a intervenção de um parente dos irmãos Brillas.

Chegou o tempo em que quase todas as publicações dos irmãos ou estavam perdidas ou estragadas pelo uso e só tinham de resto algumas Bíblias entre eles. Formaram então grupos de seis ou oito, e metade deles trabalhava uma semana para ganhar alimento material, ao passo que a outra metade saía a dar testemunho. Na semana seguinte, invertiam-se os papéis. Ao fazerem o serviço, como em geral havia só uma Bíblia para um grupo inteiro, todos iam juntos à mesma casa. Um irmão dava o sermão ao passo que os outros participavam em responder a quaisquer perguntas feitas pelo ocupante da casa. Deste modo, todos participavam em dar testemunho.

A partir do outono de 1944, tornou se cada vez mais difícil permanecer neutro. Por isso, os irmãos permaneciam juntos num grande grupo e evitavam tanto quanto possível as regiões habitadas. Eles eram cerca de 200 pessoas, incluindo-se as crianças — uma “congregação” itinerante, que acabou estabelecendo-se nas selvas perto de Lamitã, Maquilala, em Cotabato, ao sopé do Monte Apo, a mais alta montanha das Filipinas.

Alguns irmãos e irmãs, aproveitando uma calmaria temporária nos combates, voltaram para onde residiam, em Davau. Na ilha Samal encontraram Lino Ilaguison que ainda servia fielmente. Apesar de ter sido este irmão detido e encarcerado cinco vezes pelos japoneses ou seus aliados, ele havia conseguido formar diversos grupos na ilha.

Quando as forças norte-americanas chegaram na terra firme de Davau no fim de 1944, esses irmãos da ilha Samal se mudaram para lá, ansiosos de entrar em contato com outras Testemunhas. Um grupo de cerca de cinqüenta deles foi primeiro a Bato, Santa Cruz, em Davau, à casa de Galicano Picot, um homem interessado com quem o irmão Felino Comidoy entrara em contato. Picot era presidente da Associação da Vizinhança que era controlada pelos japoneses, mas ele aceitou a verdade e testemunhava diligentemente a todos os que encontrava. Visto que não podia de sã consciência fazer muitos dos serviços que se exigiam dele na Associação da Vizinhança, com o tempo foi tirado desse posto, o que o alegrou. Quando os cinqüenta irmãos vindos da ilha de Samal se alojaram por algum tempo em sua casa, ele foi acusado pelos vizinhos e parentes de dar asilo aos dissidentes. Mas, antes que as Testemunhas pudessem ser presas, ele as fez sair de noite, e viajaram através da floresta e pelas montanhas até se juntarem à “congregação” do irmão Liwag, ao sopé do Monte Apo.

A congregação como um todo se chamava “Jeová-Samá”, e cada Testemunha recebeu um nome bíblico, tal como “Joel”, “Jonadabe”, “Davi”, etc., e alguns ainda continuam a ser chamados por esses nomes. Fez-se isso para evitar serem identificados de imediato pois especialmente o irmão Liwag estava na lista “negra’ dos guerrilheiros e dos soldados japoneses. Se estranhos se aproximassem do acampamento usava-se a palavra tini para dar sinal de alarme aos outros. Incidentemente, essa palavra significa “lagartixa” em cebuano.

Durante esse período de cerca de um ano, a “congregação” foi regularmente edificada em sentido espiritual. O irmão Liwag visitava cada uma das sete casas por vez e dirigia ali estudos às noites. Como quase todas as publicações estavam estragadas nessa época, ele preparava textos diários e comentários destinados a fortalecer e encorajar os irmãos. Esses textos eram traduzidos para o ilocano pelo irmão Macario Baswel e para o cebuano por Moisés Supera, pois o grupo era dividido quase por igual entre estes dois grupos lingüisticos. Preparavas também matéria escrita à mão sobre os relatos da Bíblia, tais como de Ester e de Rute, matéria esta que era traduzida e servia de base para palestra quando o grupo inteiro tinha suas reuniões uma vez por semana. Leovihildo Comidoy preparava perguntas sobre essa matéria. As informações do livro Filhos foram escritas à mão em forma simplificada em três partes, sendo usadas pelos pais todas as manhãs para instruir seus filhos na Palavra de Deus.

Para se prover sustento material, cada casa tinha seus próprios campos e os irmãos plantavam arroz e mandioca. Se numa casa havia escassez as outras ajudavam com o espírito demonstrado pelos cristãos primitivos reunidos em Jerusalém depois do dia de Pentecostes de 33 E.C. (Atos 2:42-45) Enquanto esperava a sua primeira colheita, o grupo subsistia de frutas silvestres e de raízes, e às vezes se regalava com um porco selvagem.

Diversas vezes as Testemunhas foram descobertas pelos combatentes de ambos os lados. Certa vez, uma patrulha japonesa levou o irmão Liwag para seu quartel-general, onde foi interrogado durante várias horas pelo oficial encarregado. Fato surpreendente, deixaram no ir embora livre depois de ele dar um bom testemunho a respeito do reino de Jeová. Outra vez, um bando de guerrilheiros o procurava, mas ele se escondeu no teto de casca de árvore de uma casa e não foi encontrado.

Por estarem isolados em Cotabato, os irmãos não ficaram sabendo do fim da guerra. O superintendente da filial escrevera diversas cartas para os conhecidos endereços antes da guerra, com o fim de localizar o irmão Liwag, e, finalmente foi-lhe entregue uma mensagem que lhe pedia para voltar para Manila. Portanto, ele deixou a “congregação” e se dirigiu para Davau para de lá conseguir transporte até Manila.

Perto do fim de dezembro de 1945, a maioria da grande “congregação” deixou seu lugar de esconderão nas selvas e percorreu a pé uma distância de cerca de 150 quilômetros até Panabo, em Davau. A maioria permaneceu ali aguardando instruções definitivas do escritório filial da Sociedade. Quando os irmãos Liwag e Supera voltaram de Manila, em outubro de 1946, os irmãos foram preparados e estimulados para maior atividade de pregação, como nunca antes. Treze dentre eles começaram imediatamente o serviço de pioneiro, ao passo que os outros retornaram para seus próprios povoados para ali darem a conhecer as boas novas. Em pouco tempo, multiplicaram-se as congregações em toda a província de Davau e de Cotabato, de modo que há atualmente 238 congregações nesta parte do país.

COMEÇO DA REORGANIZAÇÃO DEPOIS DA GUERRA

A guerra havia deixado os filipinos à beira da bancarrota. Em todo o país, mais de um milhão de pessoas estavam desaparecidas. Segundo estimativas moderadas, as Filipinas perderam cerca de dois terços de suas riquezas materiais. A maior cidade sofreu tal devastação que certo historiador afirma que só Estalingrado e Varsóvia poderiam comparar-se com Manila em destruição. A cidade fora destruída pelas bombas de ambos os lados do conflito, bem como pelos combates violentos de casa em casa na antiga cidade murada de Intramuros, conflito que marcou o fim da batalha de Manila. Mesmo dois anos mais tarde, quando o então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), o irmão Nathan H. Knorr, visitou Manila pela primeira vez, a cidade ainda se achava em ruínas. Segundo um relatório, ele teria feito esta observação: “Quarteirões e mais quarteirões da cidade que haviam abrigado os lares do povo já não eram senão campo aberto, era realmente muito pior do que tudo o que viramos na Europa no ano precedente.”

Por conseguinte, era tempo de restauração e de reconstrução, não só para o país como um todo, mas também para a estrutura da congregação do povo de Deus nesse país. Havia muito trabalho a se fazer.

Quando o irmão Santos foi solto da prisão em 13 de março de 1945, uma das primeiras coisas que ele fez depois de encontrar sua família foi reabrir a filial no apartamento situado à rua Oroquieta, 1.219-B, em Manila, pegado à clinica do irmão Yngson que era médico. A clínica do irmão foi usada como local para as reuniões.

O irmão Santos comunicou-se novamente com o escritório em Brooklyn, embora só se pudessem enviar cartas pelo correio por via superfície na maioria dos casos, pois o correio aéreo era reservado para uso dos militares. Ele solicitou e recebeu exemplares de todos os números atrasados de A Sentinela e outras publicações, bem como as informações que os irmãos nas Filipinas haviam perdido durante a guerra. Deste modo, as coisas começaram a avançar novamente, à medida que a filial das Filipinas recuperava o tempo perdido e começava a se por em dia com o progresso mundial do povo de Jeová.

No ínterim, começaram a chegar relatórios de irmãos de várias partes de Luzón. Por meio destes e pelos relatórios incompletos de dois servos de zona, calculou se que havia cerca de 2.000 publicadores do Reino na ilha, organizados em 64 congregações. Isto representava que nessa área haviam sido formadas 31 congregações novas durante a ocupação. Isto, porém, não incluía nenhum relatório das Visaias e nem de Mindanau, pois os irmãos ali ainda não se haviam comunicado com o escritório filial. Mesmo estas cifras incompletas revelaram que houve tremendo aumento desde 1941, quando o último relatório antes da guerra para as Filipinas inteiras mostrava que havia 373 publicadores. Que prova de bênção da parte de Jeová e que resposta magnífica isto era para os esforços tenazes de Satanás, o Diabo, de destruir a verdadeira adoração ali durante a Segunda Guerra Mundial!

De julho a setembro de 1945, o irmão Santos visitou e encorajou diversas congregações em Luzón. No decorrer do mês de julho, ele se reuniu com vinte e quatro servos de companhia (superintendentes presidentes) em Pangasinã, em reunião conjunta, para ajudar a corrigir certas especulações e interpretações particulares feitas por alguns irmãos durante a guerra, que haviam causado alguma dissensão. Alguns achavam que o Armagedom já havia começado e outros diziam que os profetas antigos já haviam ressuscitado. Foram dissipados nessa ocasião esses erros e outros menos sérios, e os irmãos foram ajudados a prosseguir unidamente com a atividade de pregação do Reino depois da guerra.

A partir de setembro, começou-se a receber novamente a revista A Sentinela pelo correio e as Testemunhas filipinas puderam ter o estudo da Sentinela pela primeira vez em dia depois de quarenta e seis meses. Também, nessa época, cerca de duzentos membros do grupo que se separara da Sociedade Torre de Vigia na década de 1930 expressaram seu desejo de se associar com o povo unido de Jeová. Foram acolhidos com alegria e colaboraram com os irmãos no trabalho de após-guerra.

PRIMEIRA ASSEMBLÉIA APÓS A GUERRA

Logo depois de ser solto da prisão, o irmão Santos fez arranjos para a realização de um congresso nacional em Lingayen, Pangasinã. Alugou-se o Auditório de Sison das forças armadas dos Estados Unidos, que nessa época haviam tomado em arrendamento do governo provincial de Pangasinã o auditório e os terrenos adjacentes. Essa bela assembléia foi realizada de 9 a 11 de novembro de 1945, estando presentes a ela mais de 2.000 irmãos e irmãs, quase todos da ilha de Luzón. Sessenta congregações estavam representadas. O local da assembléia era perto de uma praia arenosa, cercada de palmeiras, e só as devastações da guerra estragavam a beleza do lugar, o próprio salão tendo sofrido danos com os bombardeios. Não havia assentos no auditório de modo que os irmãos se puseram a trabalhar para fabricar bancos de bambu. Os congressistas foram alojados numa centena de antigas barracas militares feitas de bambu e de nipa. Quarenta pessoas puderam ser alojadas nas maiores. O refeitório abandonado foi usado como restaurante, embora os irmãos tivessem preparado as suas próprias refeições e as trazido consigo na assembléia, bem como seus utensílios.

Pouco depois de ter começado a assembléia e os irmãos terem saído no serviço de campo com cartazes, um sacerdote católico inspirou esforços no sentido de interromper a reunião. Convencido pelo sacerdote de que a reunião era ilegal, o então governador da província ordenou aos irmãos abandonar o local. Argumentou que não era válida a permissão obtida junto às forças armadas dos Estados Unidos, visto que o governo provincial de Pangasinã não concedera nenhuma permissão. Também, afirmou ele que uma propriedade pública como o Auditório de Sison não podia ser usada para fins religiosos. Quando os irmãos recusaram interromper sua assembléia, o governador enviou um agente da polícia militar para os expulsar dali. Contudo, quando o agente da polícia examinou as licenças que os irmãos possuíam, ele não executou a ordem de imediato, mas foi consultar primeiro o seu comandante. O comandante disse às Testemunhas: “Continuem com o seu congresso”, e deu ordens ao agente da polícia militar para “proteger essa gente”.

Assim, a assembléia prosseguiu com êxito até o fim, sob a proteção dos soldados que haviam sido enviados ali para expulsar os irmãos. O discurso público “Paz — Pode Durar?”, preferido em inglês, foi assistido por umas 4.000 pessoas. Outros discursos foram preferidos em ilocano e em pangasino. Houve batismo em massa de 119 pessoas no golfo de Lingayen, onde as forças de MacArthur haviam desembarcado menos de um ano antes. Foi feito nessa assembléia pela primeira vez o lançamento do folheto Instruções Sobre a Organização, e houve demonstrações que indicavam como dirigir estudos bíblicos domiciliares eficientemente com as pessoas interessadas. Isto preparou o terreno para melhor direção congregacional e para melhores métodos de ensino, que os irmãos necessitavam muito, sendo que a maioria deles havia aprendido a verdade durante os anos da guerra.

Após a assembléia, o governador provincial acusou os três irmãos que constituíam a comissão do congresso de desobedecer a uma ordem superior. Eles foram julgados pelo Tribunal de Primeira Instância da cidade de Dagupã, sendo condenados a trinta dias de prisão. Interpôs-se recurso e, depois de muitas delongas, o caso recebeu audiência no Tribunal de Recursos. O Procurador Emmanuel Pelaez, que mais tarde se tornou vice-presidente das Filipinas, defendeu o caso em favor das Testemunhas e o tribunal revogou a decisão do tribunal inferior.

Esta decisão foi muito importante, visto que proveu precedente que seria usado com freqüência em anos posteriores para defender o direito das Testemunhas de Jeová de realizar assembléias cristãs nas escolas públicas e em outros edifícios públicos em toda a República das Filipinas.

Pouco depois da assembléia de Lingayen, foi iniciado o trabalho do servo aos irmãos (chamado hoje de superintendente de circuito), em substituição do trabalho do servo de zona. O irmão Salvador Liwag foi o primeiro servo aos irmãos, e visitou naquele tempo todas as congregações da ilha de Luzón. Em 16 de abril de 1946, um total de 4.185 pessoas se reuniu para celebrar a Refeição Noturna do Senhor em todo o arquipélago.

Em agosto de 1946, o local da filial se tornara muito pequeno em face da rápida expansão do trabalho do Reino. No momento propício, Jeová abriu o caminho para se mudar para um lugar maior, situado à rua Herran, 2.621, Int. 2 Santa Ana, Manila. Era uma casa espaçosa pertencente a uma família dedicada, que ofereceu generosamente esse local para abrigar a filial e o Salão do Reino O subsolo foi usado como depósito de literatura. Duas congregações de Manila ainda usam essa casa como Salão do Reino.

Foi também por volta dessa época que a filial das Filipinas recebeu trinta e cinco caixas de roupa que pesavam diversas toneladas. Esses artigos tinham sido doados pelo povo de Jeová nos Estados Unidos da América para os que haviam sofrido tanto durante a guerra. A filial esses artigos de socorro, e 5.096 pessoas puderam receber uma parte. Este gesto amoroso, tão necessário e muito apreciado naqueles tempos difíceis, acalentou verdadeiramente o coração dos irmãos filipinos.

O ano de 1946 terminou com a realização da Assembléia Teocrática das “Nações Alegres”, de 18 a 20 de dezembro. Correspondia à assembléia internacional de Cleveland, Ohio, EUA, realizada em agosto daquele mesmo ano. Mais de 5.000 pessoas ouviram o discurso público intitulado “O Príncipe da Paz” no Hipódromo das Filipinas, em Santa Ana, Manila.

SEGUNDA VISITA DE UM PRESIDENTE DA SOCIEDADE

Um evento destacado na história do povo de Deus nas Filipinas ocorreu durante a Assembléia Teocrática das “Nações Que Dão Louvares”, realizada de 31 de março a 2 de abril de 1947. No primeiro dia, a assembléia foi realizada no Coliseu Rizal, situado à rua Vito Cruz, Manila. Mas, como a acústica não era nada boa, tornando quase ininteligíveis os programas em outros idiomas, a reunião foi transferida, nos últimos dois dias, para o Hipódromo das Filipinas, em Santa Ana.

Pela primeira vez desde a visita do irmão Russell em 1912, programou-se a visita de um presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos NUA), N. H. Knorr, às Filipinas, e os irmãos estavam ansiosos de conhecê-lo. Esse foi o primeiro congresso realmente nacional desde a guerra, estando presentes irmãos das Visaias e de Mindanau, bem como de Luzón. Em virtude de atrasos, o irmão Knorr e seu secretário Milton G. Henschel não chegaram senão em 1.º de abril. Mas, ao chegarem, os irmãos filipinos lhes deram calorosas boas-vindas.

No último dia da assembléia, na quarta-feira, 2 de abril, o irmão Knorr se reuniu com os pioneiros e convidou pela primeira vez os irmãos filipinos a preencher petições para cursarem a Escola Bíblica de Gileade da Sociedade Torre de Vigia, nos Estados Unidos. Trinta e seis pessoas preencheram petições naquela manhã. Enquanto isso, efetuava-se o batismo de 151 novos discípulos na baía de Manila, com os restos de muitos navios afundados, vestígios silenciosos da bata lha de Manila, à plena vista. Na sessão da tarde, o irmão Knorr proferiu o discurso público “O Gozo de Todo o Povo” perante uma assistência de 4.200 pessoas. O discurso inteiro foi transmitido por rádio pela estação KZPI, que tinha suficiente potência para alcançar o país inteiro. Na conclusão da assembléia, o irmão Knorr anunciou, entre outras coisas, que quatro formados da Escola de Gileade chegariam em breve nas Filipinas, e isto encheu o coração dos irmãos filipinos de grande alegria e expectativa.

CHEGAM OS PRIMEIROS FORMADOS DE GILEADE

Menos de três meses depois dessa assembléia, ou seja, em 14 de junho de 1947, chegaram os três primeiros formados de Gileade designados para as Filipinas, sendo seguidas, um mês depois, de um quarto. Eram os irmãos Earl Stewart, Victor White, Lorenzo Alpiche e Nick Skelparick.

Os irmãos os acolheram no cais do porto e os levaram para a filial. Como não havia suficiente espaço na filial, os recém-chegados foram alojados temporariamente num aposento em cima de uma tinturaria, cerca de um quarteirão distante dali. Um mês mais tarde, os irmãos White e Alpiche foram designados a trabalhar na qualidade de servo aos irmãos, ao passo que o irmão Stewart foi designado a servir como novo superintendente da filial em lugar do irmão Santos. O irmão e a irmã Santos permaneceram na filial até fevereiro de 1949, quando começaram a se preparar para partir para o Havaí. Em 17 de julho de 1949, partiram das Filipinas, tendo desempenhado um papel importante durante os anos formativos da filial ali.

PRIMEIRAS ASSEMBLÉIAS DE CIRCUITO

No fim de 1947, doze circuitos foram organizados ao se começar a por em efeito o arranjo de circuito nesse país. A primeira série de doze assembléias de circuito foi realizada de setembro a dezembro de 1947, e o irmão Stewart serviu a todas elas como superintendente de distrito. Isto lhe proveu uma excelente oportunidade de ver qual era a situação dos irmãos em todo o país e de se familiarizar com eles.

Os irmãos filipinos venceram dificuldades aparentemente invencíveis para chegar aos locais de assembléias. Em Surigau, um irmão foi o único sobrevivente quando um barco a motor afundou durante um tufão. Ele perdeu quase toda a bagagem, mas ainda assim assistiu à assembléia. Cinco tufões se abateram no país durante a inteira série de assembléias, mas isto não impediu os irmãos de assistir às assembléias. No norte de Luzón, uns irmãos que moravam nas montanhas desceram em duas balsas rio Abra abaixo para assistir a assembléia em Vigã. Depois de chegarem na desembocadura do rio, desmontaram as balsas e venderam a madeira para poderem comprar passagens de ônibus, a fim de voltarem de ônibus para casa depois da assembléia.

Por ocasião de uma assembléia de circuito, realizada no Salão do Reino de Santa Ana, em Manila, veio uma delegação de pessoas interessadas, procedentes de um povoado num subúrbio de Biñan, na província de Laguna, para assistir. Foi interessante ouvi-las contar como haviam aprendido a verdade. Mais de vinte famílias se associavam com um grupo dissidente de adventistas do sétimo dia naquele povoado. Teodoro Reyes era o pastor deles e tinham uma pequena capela no povoado de La Paz. No início, aguardavam a segunda vinda de Jesus, mas, certo dia, chegou um pastor de uma província próxima e lhes disse que Jesus já havia chegado no poder do Reino em sentido espiritual. Esse homem aprendera isso de uma das publicações da Sociedade, mas não lhes revelara a fonte dessa informação. Depois de muita palestra em torno deste ensinamento, aceitaram-no. Mais tarde, um representante da Sociedade do Betel e do Púlpito da Torre de Vigia (das Filipinas) os visitou, ensinando-lhes a Bíblia, usando folhas mimeografadas, cujo conteúdo também tinha sido tirado das publicações da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Mais tarde ainda, descobriram de onde haviam obtido esses homens tal informação bíblica. Ouviram falar da assembléia de Santa Ana, em Manila, e enviaram uma delegação para ver se esta era realmente a verdadeira congregação de Deus. Quando a delegação voltou da assembléia totalmente convencida de ter encontrado a verdade a congregação inteira de mais de vinte chefes de família, inclusive o “Pastor” Reyes, aceitou a verdade e começou a se associar com o povo de Jeová! A capela foi transformada em Salão do Reino, o que marcou o início da congregação de Biñan das Testemunhas de Jeová. Seis meses depois, todos esses chefes de família foram batizados, e quase todos eles ainda estão servindo ativamente a Jeová.

Durante a assembléia de circuito na cidade de Báguio, a 1.600 metros de altitude, o irmão Stewart e o superintendente de circuito, o irmão Skelparick, encontraram a única pioneira da Província da Montanha naquele tempo, a irmã Rosalia Sotero (agora Rosalia Delis). Ela aprendera a verdade durante a guerra e havia contribuído para abrir o caminho da proclamação do Reino na Província da Montanha. Sendo ela própria da tribo dos igorotes, podia trabalhar entre os igorotes e entre outras tribos cujos membros na maioria não eram cristãos. Proveu-lhes ajuda amorosa, ensinando-lhes o caminho da justiça. Em 1977, havia 74 congregações nessa região chamada então de Província da Montanha, e é um grande testemunho as pessoas verem a tremenda mudança para melhor que a verdade da Bíblia causou na vida desses humildes montanheses.

A primeira série de assembléias de circuito foi, destarte, motivo de alegria e logrou êxito. Um total de 7.516 pessoas ouviram o discurso público “Felizes os Pacificadores” e 366 pessoas foram batizadas em símbolo de sua dedicação a Jeová. Conforme indicaram as experiências ouvidas nessas assembléias, havia boas perspectivas de maior expansão nas Filipinas. As assembléias encorajaram a participação no serviço e ajudaram os irmãos a ter uma visão clara do serviço de pregação do Reino a ser feito. Isto, por sua vez, os preparou para o grande aumento que haveria daí para frente.

FAZ-SE SENTIR A NECESSIDADE DE MAIS TRADUÇÕES

Durante esta primeira viagem ao redor do país, o irmão Stewart observou que, embora muitos irmãos soubessem ler em inglês, sentiam-se mais à vontade quando davam comentários nas reuniões e discursos da tribuna nos próprios idiomas locais. Em resultado disso, diversas congregações faziam suas próprias traduções das publicações da Sociedade, quer oralmente à medida que consideravam a matéria durante a reunião, quer datilografando as de antemão. A congregação de Manila mimeografava a sua própria tradução da Sentinela em tagalo, ao passo que em Angate, Bulacã, o livro “Seja Deus Verdadeiro” estava sendo traduzido e mimeografado pelos irmãos. Como nem sempre resultava na mais exata tradução das verdades bíblicas, julgou-se aconselhável a Sociedade empreender este trabalho e produzir mais literatura nas línguas locais. Começou-se a traduzir o livro “Seja Deus Verdadeiro” em tagalo, em ilocano e em cebuano; e as edições mimeografadas da Sentinela apareceram quinzenalmente em tagalo a partir de setembro de 1947. Havia também edições mimeografadas da Sentinela em hiligaino e em ilocano em 1948, e depois edições em cebuano e em pangasino em 1949. Em 1951, as edições em tagalo, em ilocano e em cebuano começaram a ser impressas nas prensas da Sociedade em Nova Iorque. Estas foram seguidas de outras, até que a Sociedade passou a produzir oito edições da Sentinela e quatro de Despertai! em idiomas locais para a filial das Filipinas. Atualmente, estas são impressas nas prensas da Sociedade nas Filipinas.

O primeiro livro encadernado a ser publicado em idioma local, depois do livro Riquezas em tagalo, foi o livro “Seja Deus Verdadeiro” em tagalo, que foi lançado na assembléia internacional de 1950 no Estúdio Ianque na cidade de Nova Iorque. Desde então a Sociedade publicou mais setenta e seis livros encadernados, bem como diversos folhetos, em nove idiomas das Filipinas.

A FILIAL SE MUDA PARA UM NOVO LOCAL

A rápida expansão que se via em 1947 tornou necessário procurar um lugar maior para a filial. Já em julho de 1947, parte das nossas publicações vinha sendo guardada num canto do estúdio cinematográfico de um irmão na cidade de Quezón, visto que a filial, situada à rua Herran, não podia receber as grandes remessas que chegavam. No mês de agosto, um tufão violento fez precipitar um aguaceiro que inundou o subsolo da filial e estragou muitas publicações; de modo que se tornou evidente que era necessário haver um lugar mais seguro como depósito de literatura.

Depois de se olhar vários locais, encontrou-se um lugar ideal em setembro de 1947, na cidade de Quezón. Ficava em terreno elevado e tinha uma área de quase 10.000 metros quadrados, em que se achava uma grande construção de dois pavimentos. A Sociedade comprou essa propriedade em dezembro de 1947, e logo irmãos da redondeza de Manila ofereceram seus préstimos voluntariamente para ajudar a limpar, consertar e repintar o prédio. Este havia sido usado pelas forças de ocupação japonesas como quartel-general durante a guerra, e os irmãos que o limpavam encontraram muitos velhos uniformes militares de faxina e capacetes no sótão. CadeIas e cordas ainda pendiam de uma grande árvore frutífera santol atrás da construção, as quais haviam servido para amarrar os prisioneiros ao serem executados. Por causa do grande número de execuções feitas ali, alguns vizinhos amedrontados achavam que aquele lugar era “assombrado”. Os trabalhadores voluntários, porém, labutaram alegremente, e, em 1.º de fevereiro de 1948, a família de Betel pôde mudar-se para o seu novo lar.

Como estavam felizes os irmãos nas Filipinas de ter uma filial tão espaçosa! Parecia ser providencial que havia tanto espaço vazio em volta do prédio, pois não só tornava o lugar sossegado e tranqüilo, mas também permitiu a ampliação das instalações da filial em anos posteriores. Essa propriedade, situada na antiga estrada Roosevelt, 104, no subúrbio de São Francisco do Monte, na cidade de Quezón, e que hoje é avenida Roosevelt, 186, ainda abriga a filial.

CONTINUA A EXPANSÃO

Entusiasmados com este novo e excelente local da filial, os irmãos nas Filipinas trabalharam com maior ardor como nunca antes. Na segunda série de assembléias de circuito que começou pouco depois de se ter mudado a filial, um total de 9.701 pessoas assistiram ao discurso público e 429 foram batizadas, um aumento sensível em relação com a primeira série. Não muito depois, organizou-se a primeira assembléia de distrito a ser realizada nas Filipinas, no Clube da Universidade da cidade de Bacolode, de 20 a 22 de agosto de 1948. O salão usado era o mais magnífico auditório da cidade de Bacolode naquele tempo, e mais de 2.000 pessoas assistiram ao discurso público. O programa dessa assembléia incluía discursos que tratavam da organização das congregações, e essas informações ajudaram os irmãos imensamente.

No decorrer do ano de 1949, chegaram às Filipinas mais quatro formados de Gileade, o que acelerou o ritmo da expansão do Reino. No mês de dezembro daquele ano, atingiu-se um novo auge de 7.952 publicadores, uma bela maneira de terminar a década de 1940, que começara com apenas cerca de 300 publicadores que assistiram à assembléia no Teatro da Grande Ópera de Manila em 1940. Que bela safra Jeová estava dando! No ano de serviço de 1949, houve um aumento de 61 por cento no número de publicadores sobre o ano anterior, e, por volta do fim do ano, havia 14 circuitos e 315 congregações em todo o país.

Deu-se um novo passo para frente em dezembro de 1949 quando três irmãos filipinos, os primeiros dentre trinta filipinos a receberem um privilégio assim, partiram para os Estados Unidos para cursar a Escola de Gileade em South Lansing, Nova Iorque. Esses três irmãos receberam seus diplomas da escola durante a Assembléia “Aumento da Teocracia”, no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque, no verão de 1950. Mais cinco filipinos assistiram a essa assembléia antes de se matricularem na décima sexta turma de Gileade, que começou logo após a assembléia. Esses oito formados de Gileade voltaram para seu país de origem, a fim de edificarem as congregações, e a instrução que receberam contribuiu grandemente para o progresso da obra. Foram designados a servir, quer em Betel, quer no serviço de distrito e circuito.

Foi também em 1950 que se abriu o primeiro lar missionário na cidade de Cebu. Mais tarde, com a chegada de mais missionários em 1954 e 1955, houve lares missionários por algum tempo nas cidades de Davau, Cagaiã de Ouro, Zamboanga, Ormoc e Taclobã, todas elas nas Visaias e em Mindanau. Os missionários exerceram uma influência benéfica nos lugares onde foram designados, fortalecendo a organização das congregações e melhorando a eficiência do serviço de campo. Essa fase do trabalho terminou em outubro de 1962, quando o último lar missionário fechou, esses territórios contando daí para frente com suficientes publicadores e pioneiros especiais locais para cuidar da obra. Desde então, os poucos irmãos e irmãs estrangeiros que permaneceram ou que foram mais tarde designados às Filipinas foram usados em Betel ou no circuito e distrito, ou como pioneiros especiais. Há atualmente no país apenas doze estrangeiros formados da Escola de Gileade.

A ASSEMBLÉIA NACIONAL DE 1951

Em 16 de abril de 1951, o irmão Knorr fez uma segunda visita no país, durante a qual examinou a filial e deu discurso no congresso nacional realizado na cidade de Quezón, de 20 a 22 de abril. A assembléia foi realizada a uns quatro quarteirões da filial em dois terrenos que pertenciam a um irmão. Os irmãos construíram o inteiro pavilhão da assembléia, os assentos e a tribuna com bambu, e folhas de coqueiros tecidas, proviam sombra para proteger do sol tropical.

Um antigo estúdio cinematográfico da Oriental Pictures, Inc., serviu de restaurante de estilo automático para os congressistas. Era a primeira vez que funcionava num grande congresso nas Filipinas um restaurante segundo o estilo das grandes assembléias internacionais, em vez de os irmãos trazerem e prepararem eles próprios seu alimento.

Embora fossem muito perigosas as viagens naquele tempo, em razão das atividades dos huks contra o governo, os irmãos vieram em multidões de todas as partes do país, e 5.459 estavam presentes no primeiro dia. Depois de alguns discursos iniciais, o programa foi traduzido do inglês para o ilocano, pois a maioria dos irmãos que estavam na verdade naquele tempo falavam esse idioma.

Usou-se para imersão uma grande piscina que pertencia a uma irmã. Que alegria foi ver 522 pessoas ser batizadas nessa piscina que ficava num terreno próximo do local do restaurante.

No domingo, 22 de abril, às 17,00 horas, o irmão Knorr preferiu o discurso público intitulado “Proclamem a Liberdade em Toda a Terra”, não no local da assembléia, na cidade de Quezón, mas em Nova Luneta, um grande parque junto à baía de Manila. Uma multidão de mais de 10.000 pessoas se reuniu ali para ouvir.

O irmão Knorr anunciou nesse congresso, para a alegria dos ouvintes, que, antes do fim de 1951, a revista A Sentinela seria impressa em Brooklyn, Nova Iorque, em cebuano, em ilocano e em tagalo. Substituiriam as edições mimeografadas que vinham sendo usadas desde 1947. Naquele tempo, os irmãos eram muito zelosos no trabalho de rua com as revistas, cobrindo literalmente as ruas principais de Manila e dando um bom testemunho com as revistas em inglês. O acréscimo das novas edições em forma impressa, em idiomas locais, favoreceu ainda mais este trabalho, bem como facilitou a obtenção de assinaturas.

Na época da assembléia nacional de 1951, havia 14.007 publicadores nas Filipinas, e tudo indicava que o aumento continuaria. O congresso e a visita do presidente da Sociedade contribuíram muito para estimular esse progresso.

LUTA EM PROL DA LIBERDADE DE PROCLAMAR AS BOAS NOVAS

Quando as testemunhas cristãs filipinas se tornaram numerosas e fizeram ouvir a mensagem da verdade em todas as partes do país, começou a surgir oposição, especialmente nas comunidades muito católicas. Em alguns casos, tornou-se necessário lutar para defender o direito dos irmãos de declaras as boas novas. — Fil. 1:7.

Um desses casos ocorreu em Sibalom, Antique, nas ilhas Visaias. Na manhã de terça-feira de 31 de outubro de 1950, durante a visita do superintendente de circuito Pedro Fegid, alguns irmãos e irmãs foram detidos pela polícia enquanto faziam serviço de rua perto do mercado municipal de Sibalom. O irmão Gimeno Gillera e a irmã Josefa Sobremisana foram acusados de vender no mercado sem pagar a necessária licença. Foram condenados pelo juiz de paz. Todavia, interpôs-se recurso e a sentença do juiz foi revogada no dia 5 de março de 1952, no Tribunal de Primeira Instância de Antique. O Juiz F. Imperial Reyes observou o seguinte na sua decisão: “O tribunal tem de reconhecer que o acusado [o irmão Gillera] diz a verdade quando sustenta que não distribuía panfletos para fins comerciais ou lucrativos, muito menos para fins de venda, mas que meramente os dava às pessoas que manifestavam interesse na sua religião.” Isto sustentou o fato de que as Testemunhas de Jeová não são vendedores ambulantes. (Veja-se 2 Coríntios 2:17.) Depois de ter dado a sentença, o juiz convidou a irmã Sobremisana a visitá-lo, o que ela fez, resultando em se dar um bom testemunho. Ele aceitou uma Bíblia e o livro “Está Próximo o Reino” que ela lhe ofereceu. Também, a irmã conseguiu fazer assinatura da Sentinela e Despertai! para o estenógrafo do tribunal

Em 20 de abril de 1952, pouco depois da decisão que se acaba de mencionar, uma pacífica assembléia de circuito das Testemunhas de Jeová foi interrompida em Solana, Cagaiã no nordeste de Luzón. Até mesmo alguns funcionários municipais por fim se uniram no ataque armado, que resultou na morte de uma Testemunha, e trinta e duas pessoas ficaram feridas. A chegada da Força Pública das Filipinas impediu mais derramamento de sangue. Quando o caso foi levado perante o tribunal, os culpados foram castigados segundo a lei. Casos como este serviram para proteger o direito do povo de Jeová de se reunir pacificamente nos anos subseqüentes. De modo que as Testemunhas de Jeová realizam atualmente quase duzentas assembléias de circuito anualmente em toda a República das Filipinas, e isso em condições relativamente pacíficas.

De 6 a 8 de junho de 1952, realizou-se uma assembléia de circuito na cidade de Santa Bárbara, em Iloílo. Embora a assembléia fosse realizada num teatro da cidade, o discurso público tinha sido programado para ser preferido na praça pública. Entretanto, como a praça ficava muito perto da igreja católica matriz, uma grande multidão de católicos romanos da localidade fizeram manifestação de protesto contra a emissão da autorização para se proferir o discurso ali. Alguns jornais afirmavam que tantas quantas 5.000 pessoas haviam participado nas manifestações. Cedendo à pressão, o prefeito cancelou a autorização que havia concedido, e os irmãos se viram obrigados a realizar a reunião pública no salão da assembléia, ao invés. Todas as tentativas posteriores de se obter autorização para a realização de discursos públicos na praça pública fracassaram até que o governador da província, Mariano B. Peñaflorida, interveio em favor da liberdade de culto e de expressão. Concedeu-se então autorização para 13 de julho, mas, durante o discurso, onze alto-falantes, instalados pelos oponentes em volta da praça, começaram a tocar, em volume máximo, abafando assim a voz do orador.

Este incidente em Santa Bárbara abalou muitas pessoas nas Filipinas democráticas, e provocou muitos comentários nos jornais por mais de um mês, na maioria a favor do povo de Jeová. Surgiram dificuldades similares em outras cidades também, especialmente em Tiguebauã, Iloílo; em Santa Cruz, Zambales, em Mangaldã, Pangasinã; e em Gerona, Tariac. Na praça pública de Gerona, o orador prosseguiu com o seu discurso mesmo em face de metralhadoras apontadas para ele. Mais tarde, o prefeito, que tentara impedir o discurso, pediu desculpas pela perturbação causada.

Mesmo que se deva admitir que os irmãos naquele tempo se arriscaram muito em exigir o reconhecimento de seus direitos de declarar as boas novas publicamente e o fizeram em tom bastante agressivo, sua luta zelosa em prol dos direitos constitucionais serviu para abater muitos preconceitos e deixar patente que o povo de Deus é constituído de cristãos que obedecem às leis. Isto, por sua vez, lançou a base para maior liberdade de culto e de expressão, não só para as Testemunhas de Jeová, mas, também, para outras minorias religiosas.

AMPLIAÇÃO DE BETEL

Em fins do ano de serviço de 1953, o número de publicadores nas Filipinas atingirá o auge de 20.120, organizados em dois distritos, 30 circuitos e 487 congregações. Para se fazer face ao trabalho incrementado, resultante desse aumento, começou-se, em 1952, o trabalho de uma segunda construção para a filial, mais ou menos na mesma dimensão da primeira, no terreno da Sociedade, na avenida Roosevelt. Essa construção de dois pavimentos foi feita por irmãos voluntários. O trabalho foi supervisionado pelo irmão Alfredo Estepa, membro da família de Betel. Só as instalações elétricas e o encanamento não foram feitos pelas Testemunhas. Em 1953, o escritório, a lavanderia e os departamentos de expedição e de revistas foram transferidos para esta nova construção, o que permitiu aumentar ao dobro o espaço e ampliar grandemente as instalações da filial.

Nesse mesmo ano, 27 irmãos filipinos puderam assistir à Assembléia da Sociedade do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque. Que alegria foi reunirem-se com seus irmãos vindos de muitos países!

COMEÇO DA ATIVIDADE DE PIONEIRO ESPECIAL

Perto do fim do ano de 1954, recebemos autorização para designar cinqüenta pioneiros especiais dentre os irmãos e as irmãs filipinos. Em janeiro de 1955, estes foram designados a diversas cidades isoladas que tinham grandes populações. Esse grupo original de cinqüenta pioneiros especiais fez um bom trabalho e muitos deles ainda estão servindo fielmente como louvadores de Jeová por tempo integral.

A inauguração da atividade de pioneiro especial estimulou consideravelmente o serviço de pioneiro no país. Em 1955, à parte dos cinqüenta pioneiros especiais, havia 846 pioneiros regulares e de férias, em média, mensalmente. Até 1960, o número de pioneiros especiais atingirá 270, e 1.592 serviam nessa época como pioneiros regulares e de férias. Temos atualmente 700 pioneiros especiais, quase 4.000 pioneiros regulares e muitos outros que empreendem o serviço de pioneiro auxiliar. Este zelo dos irmãos filipinos pelo serviço de pioneiro é um dos motivos dos excelentes aumentos que temos tido no decorrer dos anos.

A ASSEMBLÉIA DO “REINO TRIUNFANTE”

Outro evento digno de nota ocorreu de 13 a 15 de abril de 1956, por ocasião da assembléia nacional do “Reino Triunfante”‘ realizada durante a terceira visita do irmão Knorr a esse país. Estava acompanhado de seu secretário Don Adams e de Lloyd Barry, que nessa época era o superintendente da filial do Japão. Que alegria foi ver 17.259 pessoas reunidas no Estádio Rizal de Futebol, no domingo à tarde, para ouvir o discurso público intitulado “Unindo Toda a Humanidade Debaixo de Seu Criador”. O programa nessa assembléia foi em inglês, com traduções simultâneas em ilocano e em tagalo, os intérpretes usando fones de ouvido para ouvir o orador que falava em inglês. Após o discurso de batismo, os 434 candidatos ouviram em oito idiomas, fora o inglês, as duas perguntas que lhes foram propostas.

Deu-se um bom testemunho pela estação de rádio DZBL quando o irmão Knorr foi entrevistado no programa de atualidades “News Scoop”. A entrevista devia durar apenas 30 minutos, mas, por causa do interesse dos entrevistadores, prolongou-se por 45 minutos. Esta entrevista foi também ouvida no local da assembléia pelos alto-falantes.

UMA VISITA EDIFICANTE DE F. W. FRANZ

Apenas nove meses depois da visita do presidente da Sociedade, os irmãos filipinos tiveram o privilégio de gozar da companhia do vice-presidente, Frederick W. Franz. Embora sua visita fosse anunciada com pouco tempo de antecedência, organizou-se uma assembléia nacional de três dias, de 15 a 17 de janeiro de 1957, e 9.463 pessoas assistiram no Estádio Rizal de Futebol ao discurso público intitulado “A Paz do Novo Mundo em Nosso Tempo — Por Quê?” Os congressistas aplaudiram calorosamente o irmão Franz quando subia na tribuna para proferir seu discurso. Por quê? Porque estava vestido do traje formal filipino para os homens, o barong Tagalog, uma camisa de jusi, magnificamente bordada, que os irmãos filipinos lhe haviam dado bondosamente como sinal de apreço.

Durante essa assembléia, apresentou-se uma resolução em termos enérgicos contra a perseguição comunista do povo de Jeová na Rússia a qual foi adotada entusiasticamente pela multidão reunida. Como a República das Filipinas não mantinha nessa época relações diplomáticas com a União Soviética, o irmão Franz, junto com o superintendente da filial e mais um irmão visitaram o Ministro dos Negócios Exteriores, que era o próprio vice-presidente das Filipinas, o Sr. Carlos P. Garcia. Após a entrevista, gentilmente concedida, que durou quarenta minutos, ele concordou em encaminhar a resolução para as devidas autoridades russas por intermédio do governo norte-americano. Dois meses depois dessa entrevista, Carlos P. Garcia se tornou presidente das Filipinas quando Ramon Magsaysay morreu durante um desastre aéreo.

A ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL DE 1958

Oitenta e um irmãos das Filipinas tiveram o privilégio e a alegria de estar presentes à grande Assembléia Internacional da Vontade Divina, realizada no Estádio Ianque e no Campo de Pólo, na cidade de Nova Iorque, no verão de 1958. Esses irmãos se regozijaram de ver nessa ocasião três filipinos ser diplomados da Escola de Gileade. Essas reuniões internacionais contribuíram muito para unir os irmãos e os aproximar da família de Jeová no mundo inteiro.

A QUESTÃO DA SAUDAÇÃO A BANDEIRA

Durante quase vinte anos, a controvérsia sobre a questão da saudação à bandeira, que havia começado em 1940 depois da decisão desfavorável da Corte Suprema dos Estados Unidos sobre o caso Gobitis, teve seus altos e baixos. Naquela época, o então Ministro da Justiça, Jose Abad Santos, dera seu parecer de que se podia obrigar as crianças em todas as escolas públicas e particulares a saudar a bandeira, sob pena de expulsão. Quando, no caso Barnette, a Corte Suprema dos Estados Unidos revogou a decisão do caso Gobitis, houve uma mudança similar subseqüente da situação nas Filipinas graças ao parecer promulgado pelo então Ministro da Justiça, Roman Ozaeta, em 1948. Em 11 de junho de 1955, porém, o presidente Ramon Magsaysay aprovara e assinara um projeto de lei que obrigava todas as crianças das escolas públicas e particulares a saudar a bandeira filipina. Deixar de fazer isso resultava em expulsão.

Em razão de objeção de consciência, baseada em Êxodo 20:4-6, as Testemunhas de Jeová procuraram o desagravo por meios legais. Em Masbate, os filhos do irmão Gerona foram expulsos da escola. O Tribunal de Primeira Instância daquela província se apegou a lei e recusou-se a desagravar as Testemunhas. A questão foi levada então perante a Corte Suprema das Filipinas, que deu audiência ao caso Gerona verses o Ministro da Educação em 15 de maio de 1959. Caso único na história da jurisprudência das Filipinas, um advogado norte-americano foi autorizado a explicar perante a Corte Suprema a posição das Testemunhas de Jeová. Um bom testemunho foi dado, e mostrou-se claramente aos juízes eminentes que a recusa por parte do povo de Jeová de saudar a bandeira não representava de forma alguma desrespeito à bandeira, mas era por escrúpulos puramente religiosos e de consciência.

Entretanto, em 15 de agosto de 1959, a Corte Suprema das Filipinas formulou a decisão de que se podia exigir das crianças das Testemunhas de Jeová que saudassem a bandeira filipina, não obstante a sua objeção religiosa à saudação de qualquer emblema de origem humana. Apesar desta decisão adversa, as Testemunhas de Jeová continuaram a seguir sua consciência treinada pela Bíblia nesta questão. Na medida do possível, os irmãos tiraram proveito da instrução provida nas escolas, mas nunca às custas de violar sua consciência cristã. No caso em que se lhes negou a educação escolar por causa de seus escrúpulos religiosos os pais fizeram o melhor que puderam para instruir seus filhos em casa.

MUDANÇAS NA SUPERINTENDÊNCIA

Durante os anos de 1960, houve muitas mudanças na supervisão da obra nas Filipinas. Como o irmão Stewart deixou as Filipinas por causa de problemas de saúde da irmã Stewart, Lonis Leone foi designado superintendente de filial em 1.º de abril de 1960. Depois, em 1.º de março de 1963, quando os Leone partiram por causa de responsabilidades de família, William D. Johnson foi designado em seu lugar. Quando o irmão e a irmã Johnson voltaram para o Canadá para cuidar de seu prospectivo filho, Denton Hopkinson foi designado superintendente de filial em 1.º de maio de 1966. Atualmente, uma comissão constituída de cinco homens supervisiona a pregação do Reino ali.

VISITA DO IRMÃO M. G. HENSCHEL

Em 1960, Milton G. Henschel visitou a filial das Filipinas na qualidade de superintendente de zona, e uma assembléia nacional foi realizada no Estádio Magsaysay, em Lingayen Pangasinã, de 24 a 27 de março. Durante essa visita, deu-se muita assistência amorosa à organização da filial que estava em plena expansão. Na assembléia, à medida que os oradores preferiam seus discursos em inglês, estes eram traduzidos simultaneamente em cinco idiomas. O Auditório de Sison, que fora usado para o primeiro congresso de após guerra, em 1945, ficava bem ao lado do estádio e foi usado como local para o restaurante. Que alegria foi ver 658 pessoas ser batizadas na praia de Lingayen, o maior número de imersos numa só ocasião até a data. Também, nossa maior assistência até então, 19.640 pessoas assistiram ao discurso público do irmão Henschel, intitulado “Quando Deus Anunciar a Paz a Todas as Nações”.

PREPARATIVOS PARA UMA EXPANSÃO MAIOR

Quase um ano mais tarde, ou seja, em 5 de fevereiro de 1961, iniciou-se nas Filipinas a Escola do Ministério do Reino para instruir os irmãos encarregados de supervisionar as muitas congregações do arquipélago. O curso de um mês de duração foi dado de início em inglês, daí, mais tarde, nos diversos idiomas locais. Embora o lar de Betel ficasse apinhado de gente durante essas classes iniciais, todos apreciavam a associação com seus irmãos de muitos lugares. Mais tarde, as aulas eram dadas nas cidades de Cebu, Davau e Iloílo, em benefício dos irmãos das Visaias e de Mindanau que tinham dificuldade de fazer uma longa viagem de navio até Manila.

Em 1965, cessou o curso de um mês de duração, mas, em outubro de 1966, iniciou-se em Betel um curso de duas semanas de duração, a Escola do Ministério do Reino. Mais tarde, foi estendida, e houve classes em dezesseis locais diferentes em todo o país. Até o presente, 7.460 superintendentes nas Filipinas cursaram a Escola do Ministério do Reino. Que maravilhosa provisão espiritual tem sido esta!

Tomaram-se providências em 1961 para que a filial das Filipinas começasse ela própria a imprimir uma parte das publicações que ela necessita. Para esse fim, em julho daquele ano, enviaram-se da gráfica de Nova Iorque uma prensa vertical Miehle, linotipo, máquina de cortar papel e uma prensa de tirar provas. Portanto, em dezembro de 1961, as primeiras edições do Ministério do Reino (atualmente Nosso Serviço do Reino) foram produzidas nas Filipinas nos idiomas bical, cebuano, hiligaino, ilocano e tagalo. Folhas de convites, formulários e outro material começaram também a ser impressos localmente. Em julho de 1962, foram acrescentadas mais quatro edições do Ministério do Reino, a saber, em pampango, pangasino, samareno e ibanague, perfazendo, assim, nove edições mensais que ainda são impressas e enviadas aos irmãos.

Em 1961, o número dos publicadores havia aumentado para 35.713, organizados em 929 congregações. Com a adição das instalações de imprensa e a Escola do Ministério do Reino, novamente o espaço se tornava limitado. Portanto, iniciou-se uma terceira construção para a filial em 19 de junho de 1961. Situa-se bem ao lado dos dois prédios já existentes e tem mais ou menos a mesma dimensão e formato. Por volta do fim do ano, o escritório foi transferido para o andar térreo dessa construção e, em 12 e 13 de maio de 1962, a nova construção foi dedicada a Jeová. Umas 1.550 pessoas ouviram o discurso de dedicação preferido pelo irmão Salvador Liwag, no sábado à noite, em 12 de maio, e 2.099 assistiram ao discurso público no domingo. Quão alegres se sentiram os irmãos filipinos de ter um lindo e moderno anexo do seu lar de Betel que os ajudaria a fazer face à expansão continua!

MISSIONÁRIOS AMEAÇADOS DE EXPULSÃO

Em 29 de setembro de 1962, talvez em resultado da decisão adversa do tribunal, relativa ao caso em 1959 sobre a saudação à bandeira, o superintendente da filial recebeu uma carta da Junta de Expulsão do Departamento de Justiça, convidando-o a comparecer perante a junta em 1.º de outubro de 1962. Descobriu ali que a junta estava investigando a atitude das Testemunhas de Jeová quanto à questão da saudação à bandeira. Achavam que os missionários estrangeiros estariam ensinando cada vez mais filipinos a não saudar a bandeira filipina e que, por conseguinte, os missionários deviam ser expulsos do país como sendo indesejáveis. Certo funcionário comentou: “Sua organização está crescendo rapidamente e, quanto mais crescer, tantos mais filipinos haverá que não saudarão nossa bandeira.” Concedeu-se ao superintendente de filial o prazo de vinte dias para preparar um memorando apresentando as razões por que os missionários não deviam ser expulsos nessa base.

Fornecido o memorando e, depois de muito estudo e consideração minuciosa da questão, a Junta de Expulsão compreendeu que os missionários das Testemunhas de Jeová simplesmente ensinavam a Bíblia e não diziam a ninguém para não saudar a bandeira filipina. Compreenderam, também, que, longe de serem causa de desordem ou ameaça para a segurança do país, as Testemunhas mostram muito respeito pela bandeira, sendo cidadãos exemplares e tendo uma boa conduta todo o tempo. Por esse motivo, numa carta datada de 10 de dezembro de 1962, a Junta de Expulsão informou à filial: “Informamos lhes que o caso contra vocês e contra outros membros das ‘TESTEMUNHAS DE JEOVÁ’, por causa da alegada recusa de saudar nossa Bandeira, ficou sem efeito.” Os missionários estrangeiros se regozijaram de que podiam continuar a servir junto com seus irmãos e irmãs filipinos.

Este caso recebeu muita publicidade. Forneceu, por conseguinte, uma boa ocasião de se dar a conhecer és pessoas a posição do povo de Jeová sobre este assunto.

A ASSEMBLÉIA AO REDOR DO MUNDO EM 1963

Em 14 de agosto de 1963, chegou as Filipinas, depois de grande êxito em muitos outros países, a itinerante Assembléia Internacional das “Boas Novas Eternas”, de cinco dias de duração. Obteve-se para essa ocasião o Estádio Rizal de Futebol, mas, como o número de lugares cobertos era insuficiente para a multidão de pessoas esperadas, construiu-se um teto provisório de ferro corrugado sobre as bancadas descobertas, numa extensão de 305 metros. Isto protegeu os irmãos da temporada de chuvas de agosto. Na véspera do congresso, um tufão se abateu sobre Manila e causou muita inundação na cidade, bem como estragos no local do congresso, mas o programa começou em 14 de agosto, conforme previsto.

Nessa assembléia, os discursos foram preferidos em inglês e traduzidos em cebuano, em ilocano e em tagalo. Foi verdadeira alegria ver um total de 37.806 pessoas assistir ao discurso público do irmão Knorr, intitulado “Quando Deus For Rei Sobre Toda a Terra”. Foi especialmente emocionante ver o maior batismo em massa que já houve nas Filipinas, quando 2.342 pessoas simbolizaram a sua dedicação a Jeová Deus.

Era a primeira assembléia internacional realizada nesse país, e havia representantes de 22 países diferentes. Os congressistas estrangeiros foram calorosamente acolhidos pelos seus irmãos filipinos e visitaram a cidade de Manila, bem como a filial da Sociedade na cidade de Quezón. Diversos visitantes foram entrevistados pelo rádio e pela televisão, e o congresso recebeu enorme cobertura nos jornais.

AJUDA AOS PAÍSES VIZINHOS

Por volta dessa época, havia tão grande número de publicadores do Reino nas Filipinas que se tornou possível em 1964 considerar designar alguns dos pioneiros filipinos mais experientes a outros países da Ásia, onde a necessidade de proclamadores do Reino era maior. Naquele ano, duas irmãs foram designadas a trabalhar como pioneiras especiais sob a direção da filial da Sociedade na Tailândia. Um ano mais tarde, porém, entraram no arranjo de lar missionário, embora não tivessem cursado a Escola de Gileade. Como essas irmãs trabalharam tão bem na sua nova designação, tendo aprendido o idioma tal e se adaptado bem a esse país asiático vizinho, mais missionários foram enviados nos anos seguintes.

Até junho de 1977, um total de 78 filipinos foram enviados a países tais como Hong Kong, Indonésia, Coréia, Laos, Malásia, Formosa, Tailândia e Vietname, por um período de mais de treze anos. É um pouco mais do que os 51 missionários estrangeiros, formados em Gileade, que trabalharam nas Filipinas desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e os irmãos desse país se sentem felizes de poder contribuir de alguma maneira, ainda que pequena, para a proclamação das boas novas em outros países asiáticos.

VISITAS DO IRMÃO KNORR

Além de suas visitas para assistir às assembléias internacionais, N. H. Knorr visitou as Filipinas duas vezes durante os anos 60 para verificar a filial. Numa das vezes, em dezembro de 1964, falou perante uma multidão de 7.463 pessoas no Jóquei Clube de Manila. Em maio de 1968, falou no mesmo lugar, e, desta vez, 9.669 pessoas estavam presentes, tendo vindo de todas as partes do país para ouvir seu discurso de duas horas de duração, intitulado “Não Deveis Esquecer”. Ambas estas visitas foram muitíssimo úteis e encorajadoras, e foram um grande estímulo para a obra.

A ASSEMBLÉIA “PAZ NA TERRA”

Durante a última visita mencionada do presidente da Sociedade, em maio de 1968, estavam sendo concluídos os arranjos para se usar o Complexo Atlético Rizal para a esperada Assembléia Internacional “Paz na Terra”, que seria realizada de 22 a 26 de outubro de 1969. Como a assistência que se esperava era tão grande que nenhum estádio em Manila poderia acomodar a todos, o escritório filial fez arranjos para alugar dois estádios contíguos, o Estádio Rizal de Futebol e o Estádio Rizal de Beisebol. Mas, mesmo estes estádios, que tinham a capacidade de cerca de 50.000 pessoas, eram inadequados. A multidão que veio ouvir o discurso do irmão Knorr, intitulado “Aproxima-se a Paz de Mil Anos”, foi de 64.715 pessoas que superlotaram até o gramado do estádio de beisebol e a rua do lado de fora, lotando até mesmo o local do restaurante do outro lado da rua.

O programa foi realizado nas três principais línguas, a saber em cebuano, em ilocano e em tagalo, cada grupo lingüistico tendo a sua própria tribuna. Os discursos principais foram preferidos em inglês e traduzidos para esses outros idiomas. Havia congressistas procedentes de vinte e cinco países no congresso, entre eles estavam o irmão e a irmã Knorr, o irmão F. W. Franz, o irmão e a irmã Grant Suiter e outros das famílias do Betel de Brooklyn, de Toronto, de Strathfield e de Londres. Foi um privilégio associar-se com esses irmãos maduros e ouvir alguns deles dar discursos no congresso.

Para o regozijo dos congressistas, houve muitos novos lançamentos, não só em inglês, mas também nos idiomas locais. Os irmãos se sentiram especialmente felizes de receber o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna em três idiomas e o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? em dois idiomas.

O livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna tem certamente desempenhado um papel importante no aumento que se vê desde que foi lançado pela primeira vez no idioma inglês nas Filipinas, em dezembro de 1968. Naquele tempo, o número de publicadores nas Filipinas mal passava a cifra de 40.000, mas, menos de dezoito meses mais tarde, em abril de 1970, atingira-se um novo auge de 54.789 publicadores! Mediante este livro que serviria para dirigir estudos bíblicos com as pessoas durante seis meses, a obra avançou grandemente e as pessoas que amam a justiça foram ajudadas a progredir bem rapidamente na verdade.

AUMENTO DO TRABALHO DE IMPRESSÃO

A década de 1970 viu a continuação do excelente progresso dos servos de Jeová nas Filipinas. Em julho de 1971, o irmão Knorr alegrou a multidão de 17.071 pessoas que se reunira para ouvi-lo falar no Centro Esportivo Rodriguez, em Mariquina, Rizal. Ele anunciou que haveria um aumento do trabalho de impressão na filial das Filipinas. Seriam construídos uma nova gráfica e um novo lar. Instalar-se-iam uma rotativa e outros equipamentos de impressão, e os filipinos assumiriam a responsabilidade de imprimir as revistas A Sentinela e Despertai! em inglês e nos idiomas locais.

Estas foram notícias emocionantes. As revistas eram impressas antes em Brooklyn, e os irmãos ali haviam prestado no decorrer dos anos um bom serviço para os filipinos. Mas havia os problemas inevitáveis da expedição de cada edição da revista para quase o outro lado do globo. Portanto, a impressão das revistas no próprio país seria um grande passo para frente.

As autoridades concederam finalmente, em 2 de fevereiro de 1972, a permissão para construir, e nesse mesmo dia começou o trabalho da construção. Grande parte do trabalho foi feito pelas Testemunhas, e progredir rapidamente. Em 25 de agosto, apesar da pior temporada de chuvas do ano na história das Filipinas, tomava forma a gráfica de 2.082 metros quadrados, e chegava do Japão a primeira das grandes caixas de maquinaria pesada.

Em setembro de 1972, a agitação civil era tal que o presidente do país declarou a lei marcial, precisamente quando a filial se preparava para começar a imprimir! Os irmãos se perguntavam até que ponto isto iria influir no trabalho de impressão, e submeteram isto rapidamente a prova. Era preciso entrar com um pedido de licença para impressão quase que imediatamente. Foi concedida em 28 de setembro apenas seis dias depois da declaração da lei marcial!

Entre os anos de 1971 e 1973, quatorze missionários foram designados a trabalhar no Betel das Filipinas, pessoas que tinham recebido treinamento especial em serviço de impressão e construção. Ajudaram primeiro na construção e depois em treinar os pioneiros locais a trabalhar na nova gráfica. Esse treinamento começou em outubro de 1972, e, em fevereiro de 1973, as duas primeiras revistas saíam das prensas.

Daí para frente, o trabalho de impressão continuou a aumentar. A produção aumentou gradualmente até que se tornou possível imprimir as oito edições da Sentinela e as quatro de Despertai! nos idiomas locais. Depois, acrescentaram se as revistas em inglês. Instalaram-se novas máquinas, inclusive uma segunda rotativa, que chegou em 29 de maio de 1975, para se fazer face ao trabalho que aumentava. Graças à instrução eficaz provida por esses missionários, seis dos quais ainda estão no país todo o trabalho de impressão é feito agora pelos irmãos filipinos, e a gráfica expede revistas para setenta e dois países estrangeiros.

OUTROS PROGRESSOS NOS ANOS 70

O ano de 1973 marcou outro passo para frente. Um convênio que concedia privilégios especiais a norte-americanos, relativo à posse de propriedades nas Filipinas, expiraria em julho de 1974. Portanto, pareceu prudente transferir todos os bens da Sociedade para uma sociedade local. Em 19 de outubro de 1973, criou-se a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados das Filipinas, Inc. Isto tem dado estabilidade suplementar à situação das Testemunhas de Jeová nesse país.

As visitas dos superintendentes de zonas durante esse período têm também servido de estímulo para os irmãos. Membros do Corpo Governante, tais como Milton Henschel, Nathan Knorr e Lloyd Barry, falaram perante grandes assistências, dando grande encorajamento com os seus conselhos e orientações cheios de sabedoria. Em agosto de 1973, os filipinos tiraram grande proveito também da visita de cinco membros do Corpo Governante durante uma assembléia internacional em Manila.

Além do mais, as Filipinas foram beneficiadas com a mudança que introduziu o arranjo de anciãos nas congregações, em vigor a partir de outubro de 1972, bem como com o arranjo de comissão de filial, iniciado em 1.º de fevereiro de 1976. Em todo o território agora, os irmãos examinam mais atenciosamente as qualificações que os anciãos precisam satisfazer, e as congregações estão sendo ajudadas com a assistência mais pessoal que o corpo de superintendentes pode dar a cada um.

Nossa obra progrediu consideravelmente durante os anos 70. Em 1969 o número, em média, de publicadores que relatavam era de 45.479. Em junho de 1977, tínhamos, em média, mais de 66.000. E as perspectivas para o futuro são boas. Mais de 165.000 pessoas assistiram à Comemoração em 1977, manifestando seu interesse no resgate de Cristo e nos benefícios que proporcionará.

Para se fazer face a isto, houve um aumento correspondente na família de Betel. Em 1948, quando a filial se mudou pela primeira vez para a nova propriedade da avenida Roosevelt, havia apenas nove pessoas que residiam na única construção. Atualmente, há um conjunto de cinco construções grandes, com uma área útil de 4.670 metros quadrados, e há 89 trabalhadores em Betel que servem seus concrentes em diferentes posições de serviço.

Portanto, fomos bastante longe desde aqueles primeiros dias dos anos 30, quando apenas um punhado de Testemunhas fiéis trabalhava tão arduamente num território a bem dizer virgem. Muitos da “velha guarda” ainda se encontram entre nós. Diversos deles não são mencionados neste relato por causa de falta de espaço, mas todos eles se sentem felizes de ver hoje o fruto de seu labor, e os mais jovens, que começaram a servir em época mais recente, continuam a ser encorajados pelo seu exemplo de zelo e devoção.

Todas as Testemunhas de Jeová nas Filipinas se regozijam de seu privilégio de serviço. Reconhecem a operação do espírito de Jeová em seu meio, pois usufruem muitas bênçãos de Sua mão. E estão determinadas a continuar a declarar o Seu nome e o Seu reino, e a fazer mais discípulos ainda nesse país enquanto Jeová o permitir.

[Mapa na página 80]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

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