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O reino montanhoso de Lesoto ouve as “boas novas”A Sentinela — 1981 | 1.° de outubro
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como construtor de estradas, na estrada que leva a Mantsonyane, bem dentro das montanhas. Esta zelosa Testemunha falava a todos com quem se encontrava sobre as “boas novas”. Iniciou estudos bíblicos com alguns dos seus companheiros de trabalho e organizou um grupo de estudo enquanto moravam em tendas ao longo da estrada. Pregou também às pessoas das aldeias. Notando a aceitação, este irmão arranjou um emprego em Mantsonyane, resultando na formação dum grupo de proclamadores ativos das “boas novas” ali.
Os superintendentes viajantes africanos também têm feito excelente trabalho quanto à divulgação das “boas novas” nas montanhas. Para chegar à pequena aldeia chamada Hatebesi, onde havia apenas dois proclamadores do Reino, certo superintendente caminhou durante 22 horas. A caminho de lá, recebeu abrigo e alimento à noite numa certa aldeia. Logo a pequena cabana encheu-se de pessoas locais, que estavam ansiosas para ouvir a mensagem. No dia seguinte, os aldeães locais emprestaram-lhe dois jumentos para ajudá-lo a completar a viagem. Quando chegou a Hatebesi, foram realizadas reuniões bem-sucedidas todas as noites, sendo que 62 pessoas assistiram ao discurso público final.
Na visita seguinte, o superintendente viajante usou um cavalo para transportar seu projetor de slides, que funcionava à bateria, seus cobertores e outros equipamentos. Durante sua curta estada, muitos vieram fazer perguntas bíblicas e pedir um estudo bíblico. Havia 86 pessoas na exibição de slides — quase a aldeia inteira.
Chegar a tais territórios montanhosos, isolados e espalhados exige esforço árduo e sacrifícios. Aqueles cujo coração é incitado pelo amor a Deus e ao próximo têm de percorrer longas distâncias a pé para transmitir as “boas novas” a outros. Amiúde, as mães não deixam seus bebês em casa, mas os levam junto, nas costas, à moda africana. Às vezes, o pai amoroso também carrega o bebê, compreendendo que a mãe está cansada. Isto em si ajuda as pessoas no território a notar a amorosa consideração dos pais cristãos para com a família.
As Testemunhas em Quthing, próximo à fronteira no sudoeste de Lesoto, tiveram êxito em formar uma nova congregação duma maneira incomum. Seus esforços para alcançar certo lugar isolado nas montanhas foram recompensados quando o membro duma certa igreja aceitou publicações e depois um estudo bíblico. O homem interessado, com o tempo, começou a transmitir as “boas novas” aos demais membros da igreja, e, certo dia, a congregação inteira estava presente para ouvir o que a Testemunha, que dirigia o estudo, estava ensinando. Por fim, muitos deles aceitaram a mensagem e tornaram-se servos dedicados de Jeová. Agora, existe ali uma congregação com um Salão do Reino que comporta 300 pessoas sentadas.
COSTUMES
Igual a todos os países africanos, Lesoto possui muitos costumes tradicionais, ligados à feitiçaria e à adoração de antepassados. Alguns deles são deveras estranhos. Por exemplo, certa Testemunha foi acusada de não cobrir os ombros com uma manta, quando retornava do hospital após dar à luz seu primeiro filho. Um chefe local disse que deixar de fazer isso traria uma saraiva de tempestade que destruiria suas colheitas.
Mais tarde, o marido dela foi visto pendurando fraldas para secar. O chefe da aldeia disse-lhe para tirá-las. Por quê? Porque ele disse que pendurar fraldas entre 11 horas e 15,30 horas podia trazer mau tempo.
NEUTRALIDADE DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
Há alguns anos houve um violento levante político em Lesoto. O governo o dominou e então enviou homens às aldeias, para punir os apoiadores da oposição. Quando as forças do governo se aproximavam duma certa aldeia, um casal idoso, cônscio de que sua propriedade e até mesmo sua vida corria perigo, fugiu para as montanhas, junto com seus dois filhos adultos — bem conhecidos como apoiadores da oposição. Mas, sua filha, uma das Testemunhas de Jeová, e seu bebezinho ficaram para trás.
As forças do governo logo chegaram à aldeia e começaram a saquear as cabanas. Entretanto, quando chegaram à cabana onde a Testemunha e seu bebê estavam, eles a reconheceram. Sabendo que ela era Testemunha de Jeová, e, por isso, neutra para com a política, deixaram tanto a ela como a cabana em paz. Este é apenas um exemplo dentre muitos em que a posição neutra das Testemunhas de Jeová serviu de verdadeiro meio de proteção. — João 15:19.
OPOSIÇÃO
Além da tradicional adoração de antepassados e da feitiçaria, há muitas seitas e igrejas da cristandade ativas em Lesoto. Entre elas destaca-se a Igreja Católica Romana. Visto que nas escolas católicas dá-se muita atenção a orações e cerimônias religiosas, os filhos de Testemunhas de Jeová freqüentemente têm problemas. Em alguns lugares, um número considerável dessas crianças foram expulsas da escola por se negarem a participar na adoração falsa.
Todavia, existe liberdade de adoração em Lesoto. Há algum tempo, num pequeno lugar próximo a Mohale’s Hoek, o chefe local expulsou um pioneiro especial (trabalhador de tempo integral) da região e ordenou ao pequeno grupo de proclamadores do Reino parar de se reunir e de pregar. Mas o assunto foi levado perante o administrador distrital. Ele mandou o chefe parar de interferir com as Testemunhas de Jeová, cujo trabalho e adoração eram legalmente reconhecidos no país.
Nem todos os clérigos se opõem às “boas novas”. Certo superintendente viajante relatou que, ao trabalhar de casa em casa numa certa aldeia, chegou à casa dum clérigo associado com a Igreja Anglicana. Quando o superintendente se aproximou da casa, uma voz clamou de dentro: “Por favor, não passe direto. Entre.” Isto levou a uma palestra longa e agradável sobre as “boas novas” e à colocação de publicações bíblicas. O clérigo admitiu que duas mulheres que se comportavam mal, enquanto pertenciam a sua igreja, mudaram consideravelmente para melhor quando a largaram e se tornaram Testemunhas de Jeová. A atitude amistosa do clérigo abriu o caminho para que muitos naquela região ouvissem a mensagem do Reino.
Apesar da oposição, da falta de boas estradas e de transportes, das superstições locais e de muitos outros obstáculos, a obra de pregação do Reino está prosperando neste reino montanhoso. Em 1942, havia apenas duas Testemunhas basoto divulgando as “boas novas” em Lesoto. Agora há mais de 600. E, na Comemoração da morte de Cristo em 1980, houve uma assistência de 2.690 pessoas. Não profetizou Isaías que “o próprio pequeno tornar-se-á mil”? (Isa. 60:22) — Contribuído.
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A duração da vidaA Sentinela — 1981 | 1.° de outubro
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A duração da vida
UMA existência de longa duração ou de “longura de dias” é uma dádiva satisfatória da parte de Jeová, a Fonte da vida. (Sal. 91:16; 36:9) Seu propósito original foi que o homem usufruísse uma vida que nunca acabaria. Mas, Adão perdeu a oportunidade de ‘viver por tempo indefinido’, por causa da desobediência, e, em resultado disso, nossos dias são “como uma sombra”. (Gên. 2:9, 17; 3:22; 1 Crô. 29:15) Entre estes dois extremos, a Bíblia registra vidas de duração muito maior do
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